Bovinos / Grãos / Máquinas
Sucedâneos lácteos: entenda como usar de forma técnica e econômica
Quando olhamos para sistemas atuais de criação de bezerras, os cuidados e etapas para melhor desenvolvimento devem começar desde o início, desde o nascimento, nos primeiros processos de manejo até a escolha do protocolo alimentar que essas bezerras serão submetidas, nesse momento é que os substitutos lácteos passam a ser a melhor escolha para desenvolvimento, saúde e rentabilidade para uma fazenda.

As tecnologias evoluíram muito nos últimos anos, em diferentes áreas, ciências domésticas, educação, socialização etc. Não é diferente na agricultura e na pecuária. Pesquisas, produtos, ferramentas de controle, gestão, digitalização e automação dos sistemas, são todos aliados dos produtores na melhor tomada de decisão e na melhora continua para alcançar mais produtividade e rentabilidade.

Cleomar Hilgert – Foto: Arquivo Pessoal
Quando olhamos para sistemas atuais de criação de bezerras, os cuidados e etapas para melhor desenvolvimento devem começar desde o início, desde o nascimento, nos primeiros processos de manejo até a escolha do protocolo alimentar que essas bezerras serão submetidas, nesse momento é que os substitutos lácteos passam a ser a melhor escolha para desenvolvimento, saúde e rentabilidade para uma fazenda. As bezerras não são apenas o futuro da fazenda, mas também um grande investimento inicial. Desde inseminação, vacinas, alojamento e alimentação, os custos de criar uma bezerra desde o nascimento até um animal saudável e produtivo são altos. As perdas durante a criação desses animais podem constituir uma barreira significativa para o desenvolvimento dinâmico da pecuária moderna.
Métodos Utilizados para Criação de Bezerras
Especialistas afirmam que a mortalidade de bezerros não deve exceder 5%, infelizmente, muitos produtores lutam com níveis de mortalidade muito maiores, sendo diarreia e doenças respiratórias as principais causas. Esse impacto está muito concentrado no primeiro mês de vida, enquanto o sistema imunológico está se desenvolvendo.
Ainda hoje métodos tradicionais de criação bezerras é importante alimentá-las nas primeiras 12 horas (colostro) após o nascimento, porque a taxa de absorção de nutrientes é a mais alta, ou seja, 16,92%. Portanto, o leite consumido pela bezerra nas primeiras 12 horas de seu nascimento absorve uma maior quantidade de nutrientes como imunoglobulinas, albuminas, anticorpos, lactose, ácidos graxos, proteínas, minerais, vitaminas e gorduras, que são necessários para a imunidade da bezerra e manter-se saudável e pronta para os desafios das primeiras semanas de vida. Pesquisas mostram que após as primeiras 12 horas após o nascimento da bezerra, a capacidade de absorção de nutrientes diminui para quase metade da anterior, ou seja, 8,98%, que diminui ainda mais para 2,63% após as 24 horas após o nascimento.
Após os dias seguintes de aleitamento ainda nos dias de hoje é comum os protocolos de criação de bezerra seguirem com fornecimento do que chamamos de leite de transição, do leite in natura e também leite descarte (mastite ou resíduos de antibióticos de animais em tratamento) e desta forma segue até a fase de desmama 60 a 90 dias de vida.
Em um Levantamento recente nos Estados Unidos mostrou que mais de 70% das fazendas usam leite comercializável ou leite descarte para alimentar as bezerras, (USDA) boa parte delas usam sucedâneos apenas para correção de sólidos. Os riscos sanitários como resistência a antibióticos em fazendas foram relatados em vários estudos publicados no Journal of Dairy Science e observaram diferentes linhas de práticas de manejo em fazendas da Suécia e Canadá e conseguiram observar que a utilização desses protocolos contribuiu muito para a eliminação de bactérias resistentes pelas bezerras nos ambientes da fazenda além de quando comparados a protocolos com uso de sucedâneos houve menor ganho de peso das bezerras. Vale ressaltar que a prática de pasteurização deste leite ainda precisa ser mais estudada quanto a sua real eficaz neste controle. Pasteurização é um tema que vamos abordar em outro artigo.
Mas como citado na introdução, os métodos de criação, de pesquisas e informações avançaram muito nos últimos anos, então, será que podemos substituir o leite in natura ou leite descarte pelo fornecimento de sucedâneo de boa qualidade?
Utilização de Sucedâneos
Os substitutos do leite são alimentos excelentes para bezerras no período anterior ao desmame. Quando adequadamente formulados, os substitutos lácteos comerciais são mais baratos que o leite in natura, é lógico que para nós no Brasil isso depende de região para região. Um ponto importante, quando comparamos custos de dieta liquida, é sempre termos em mente o custo para fornecermos a mesma concentração de sólidos e não somente o custo por litro de leite, isso porque normalmente leite in natura ou leite de descarte e leite pasteurizados tem uma concentração muito menor de sólidos por litro. As recomendações mais recentes de fornecimento de sólidos estão entre 14% e 15% para que bezerras tenham um ótimo desenvolvimento.
Ainda com uso de sucedâneos acarretamos menos riscos de biossegurança do que com o uso do leite de descarte. Os substitutos do leite comerciais fornecem componentes nutritivos diferentes do leite in natura como vitaminas por exemplo e podemos considerar que sua absorção é feita de uma forma diferente por cada bezerra.
Com o avanço das pesquisas, os requerimentos de EM, PB, vitaminas e aminoácidos, estão mais claras para todos os técnicos e nutricionistas, publicados na última atualização do NRC o Nasem 2021, os sucedâneos precisam ter uma formulação adequada entre proteína, energia (carboidratos e gorduras), vitaminas e minerais tudo isso que complemente os requerimentos mínimos de mantença e crescimento de uma bezerra, associadas também ao consumo de concentrados iniciais. Usualmente estes produtos eram formulados contendo 10%, 15% ou 20% de gordura, a maioria dos substitutos do leite comercializados no mercado continham 10% de gordura ou até menos que isso.
Nos últimos anos 10 anos é que as empresas que buscaram melhorar a composição das formulações entre proteína, gorduras encapsuladas, vitaminas, aminoácidos e aditivos começaram a dominar o mercado, e cada vez menos produtos com formulações de inferiores com 10% e 15% de gordura estão sendo produzidas. Juntamente com isso se melhorou muito a composição dos produtos com a introdução de novas matérias primas, fontes Vegetais (como óleo de coco óleo de palma e canola), ajudando a melhorar a diluição do produto e digestibilidade consequentemente.
Alguns pontos a considerar com o uso de sucedâneos Lácteos
1. Controle de qualidade: Os sucedâneos lácteos são produzidos sob condições controladas, o que garante a qualidade e a segurança dos alimentos oferecidos às bezerras. Isso ajuda a reduzir o risco de contaminação, sendo uma fonte confiável de nutrientes.
2. Disponibilidade constante: Em algumas situações, como quando a mãe não pode amamentar a cria ou quando não há leite de vaca disponível, os sucedâneos lácteos oferecem uma alternativa prática e confiável. Eles podem ser adquiridos facilmente no mercado e armazenados por períodos mais longos, garantindo a disponibilidade constante de alimento para as bezerras.
3. Controle da alimentação: Os sucedâneos lácteos permitem um controle preciso da quantidade de alimento fornecida às bezerras. Isso é importante para garantir que elas recebam a quantidade adequada de nutrientes para um crescimento saudável, evitando subalimentação ou superalimentação.
4. Facilidade de manejo: Os sucedâneos lácteos de boa qualidade são fáceis de preparar e administrar. Eles podem ser misturados com água para criar uma fórmula pronta para uso ou podem ser fornecidos na forma líquida. Isso facilita o manejo das bezerras e a alimentação adequada delas.
5. Maior flexibilidade: Com sucedâneos lácteos, é possível alterar a escolha do produto em diferentes noveis de formulação para atender a necessidades específicas da bezerra ou às condições de manejo. Por exemplo, pode-se optar por produtos com aditivos para melhorar a saúde respiratória, (CAIR) em momentos de maior desafio.
6. Continuidade no fornecimento de nutrientes: O leite pode ter variação na sua composição ao longo do tempo. Usar sucedâneos lácteos fornece uma fonte constante e padronizada de nutrientes essenciais para as bezerras, evitando variações bruscas no fornecimento de alimento.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: f.barros@agrifirm.com.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital de Bovinos, Grãos e Máquinas. Boa leitura!

Bovinos / Grãos / Máquinas
Exportações para a China reforçam sustentação do boi brasileiro
Crescimento das vendas ao mercado chinês contribui para manter os preços em patamar elevado, ainda que o ritmo de avanço das exportações comece a se aproximar de limites de cota.

O cenário para a pecuária segue, em geral, favorável nos próximos meses, sustentado pela firmeza dos preços no mercado físico, pela oferta mais restrita de fêmeas e pela diversificação das exportações. Ainda assim, fatores como a reposição mais cara, a sazonalidade da oferta e incertezas externas exigem atenção do setor.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a firmeza dos preços no físico também influenciou o mercado futuro, que registrou forte alta nos últimos 30 dias, especialmente nos contratos de curto prazo. Em abril, a valorização foi de R$ 18 por arroba, enquanto em maio o avanço chegou a R$ 16 por arroba, abrindo oportunidades de hedge em níveis considerados atrativos para o produtor.
Já os vencimentos entre junho e setembro tiveram desempenho mais moderado e indicam preços abaixo dos atuais patamares. No ritmo atual de crescimento das exportações para a China, que avançaram 17% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025, a cota de 1,1 milhão de toneladas deve ser atingida por volta de agosto. Para que isso ocorra antes do previsto, seria necessário um crescimento mais intenso das vendas. Ainda assim, no fim do ano, há expectativa de retomada das compras chinesas para o preenchimento da cota de 2027.
As exportações para outros destinos também seguem em fluxo positivo, o que ajuda a reduzir a dependência momentânea da China, embora o país continue sendo o principal comprador da carne bovina brasileira. No cenário estrutural, o setor mantém perspectiva favorável, com tendência de continuidade de preços sustentados pela menor disponibilidade de fêmeas para abate.
Entre os pontos de atenção, está o encarecimento da reposição de animais, que pode exigir valores mais altos do boi gordo no médio prazo. No mercado interno, fatores sazonais podem influenciar a demanda: a Copa do Mundo de futebol no meio do ano tende a impulsionar o consumo, enquanto a alta dos preços da carne bovina e a maior competitividade do frango podem limitar esse movimento.
Ao mesmo tempo, a oferta de gado deve crescer de forma sazonal nos próximos meses, embora os níveis de abate ainda possam permanecer abaixo dos registrados no ano anterior.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março
Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.
Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.
No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.
As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”



