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Saiba porque Brasil continua livre de PRRS, PEDv e PSA enquanto doenças atingem grandes produtores
O Brasil ocupa uma posição privilegiada no cenário global da suinocultura devido ao seu status sanitário.

Reconhecida mundialmente pela sua qualidade e sustentabilidade na cadeia produtiva, a suinocultura posiciona o Brasil como um dos principais produtores e exportadores de carne suína. Com rigorosos padrões sanitários e práticas ambientais responsáveis, o setor apresenta grande potencial de crescimento, o que fortalece ainda mais a sua posição como um importante player na indústria suína global.
Livre da Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), da Diarreia Epidêmica Suína (PDEv) e da Peste Suína Africana (PSA), o status sanitário do país é invejável mundo afora. No entanto, com a crescente interconectividade entre os países, surge o risco real da introdução de enfermidades exóticas nos plantéis nacionais. “A disseminação global de patógenos em vários países ao redor do mundo destaca a necessidade de um plano abrangente de biossegurança para prevenir a entrada desses agentes patogênicos em plantéis brasileiro”, ressaltou o médico-veterinário e patologista suíno do Departamento de Diagnóstico Veterinário e Medicina de Produção da Universidade Estadual de Iowa, Marcelo Almeida.

Médico-veterinário e patologista suíno do Departamento de Diagnóstico Veterinário e Medicina de Produção da Universidade Estadual de Iowa, Marcelo Almeida – Foto: Arquivo Pessoal
O especialista chama atenção ao fato de que os países não devem se limitar apenas a medidas preventivas, mas sim estabelecer planos de contingência que incluam a detecção rápida de patógenos e, se possível, estratégias de contenção e erradicação.
O que é a PRRS
A PRRS foi inicialmente identificada nos Estados Unidos em 1987, e o vírus causador foi isolado pela primeira vez em 1991. O PRRS pertence à família Ateriviridae, da ordem Nidovirales, e atualmente são duas espécies reconhecidas: PRRS tipo 1 e tipo 2. Essas espécies apresentaram variações em termos de virulência e distribuição geográfica.
Após a primeira descrição da doença e isolamento do vírus, a PRRS se disseminou amplamente, tornando-se endêmica em vários países de grande importância na suinocultura global. Na América do Sul, há relatos de casos na Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru e Chile. Em 2018, também foi detectada no Uruguai.
Transmissão
A PRRS pode ser transmitida por diferentes vias, incluindo intranasal, intramuscular, oral, intrauterina e vaginal, tanto de forma direta como indireta através de fômites (equipamentos, instrumentos e roupas), água, alimentos, aerossóis e por artrópodes.
A transmissão direta ocorre entre suínos infectados por meio do contato com secreções nasais, saliva, urina ou fezes. Além disso, o vírus também pode ser transmitido através de sêmen contaminado, o que representa um risco significativo para a reprodução suína. “Para mitigar esse risco, é fundamental implementar medidas de quarentena rigorosas para animais importados, garantindo a detecção precoce e o isolamento adequado de possíveis portadores do vírus”, reforça.
O trânsito de suínos asselvajados e o contato com pessoas também podem ser vias de transmissão da PRRS. “Com o aumento do número de viagens internacionais e o movimento de pessoas entre diferentes regiões, a biossegurança torna-se um aspecto crucial na prevenção da disseminação da doença. Medidas como restrições de acesso, controle de visitantes e adoção de protocolos de biossegurança adequados são essenciais para minimizar o risco de introdução e propagação da PRRS por meio dessas vias”, menciona Almeida.
A transmissão do vírus pelo ar é uma preocupação do setor, com partículas virais suspensas no ar em espaços fechados, como galpões de produção suína. Outra via de transmissão é por meio de veículos de transporte que podem carregar o vírus se não forem adequadamente limpos e desinfetados. Insetos como moscas e carrapatos também podem atuar como vetores na disseminação da doença.
Além disso, as pessoas desempenham um papel na transmissão da PRRS. Elas podem transportar o vírus em suas roupas, calçados ou mãos após o contato com suínos infectados e, em seguida, entrar em contato com animais saudáveis. Equipamentos utilizados na suinocultura, como instrumentos veterinários e utensílios de alimentação, também podem servir como fontes de transmissão se não forem devidamente limpos e desinfetados entre os usos. “É fundamental implementar medidas rigorosas de biossegurança para reduzir o risco de transmissão da PRRS por meio dessas diferentes vias. A adoção de protocolos de limpeza, desinfecção, controle de vetores e restrição de acesso a áreas sensíveis são essenciais para prevenir a disseminação da doença”, detalha.
Introdução do vírus em diferentes países
O tempo de introdução do agente infeccioso em um país pode variar amplamente, dependendo das circunstâncias específicas. Pode ocorrer em semanas, meses, anos ou até mesmo décadas, dependendo de fatores como movimentação de animais, transporte de mercadorias, contato com suínos selvagens, dentre outros.
No Uruguai, a movimentação e comercialização de reprodutores, sêmen e vacinas contaminados foram associados à disseminação da doença. Na Suécia, a via de entrada indireta ainda é desconhecida, mas suspeita-se que um veículo de transporte mal desinfectado, voltando da Alemanha, possa ter sido responsável.
Na Suíça, a PRRS foi introduzida por meio da importação de sêmen de um reprodutor positivo proveniente da Alemanha. No Chile, a doença foi introduzida por meio da importação de animais vivos para melhoramento genético, além da importação de vacinas e sêmen contaminados. “A entrada ilegal de materiais de risco, bem como o transporte de pessoas e produtos suínos também contribuiu para a disseminação da PRRS no país”, afirma Almeida.
A introdução a longas distâncias, e provavelmente para outros países, é mais provável por importação de animais infectados, sêmen contaminado, aerossóis e movimentação de suínos asselvajados. “Recentemente, ração inoculada com PRRS foi capaz de causar infecção de forma experimental. O impacto econômico da entrada do PRRS é documentado em sua maioria em países onde o vírus já é endêmico. Nos Estados Unidos o custo anual atribuído a PRRS varia de US$ 560 a US$ 664 milhões”, salienta o patologista suíno.
Diarreia epidêmica suína
A PEDv pertence à família Coronaviridae da ordem Nidovirales e está classificado no gênero Alphacoronavirus, junto com o vírus da gastroenterite transmissível (TGEV), o coronavírus respiratório suíno (PRCV) e o coronavírus da Síndrome de Diarreia Aguda Suína (SADS-CoV).
As primeiras descrições desse vírus foram feitas na Inglaterra, na Bélgica e posteriormente na China. Durante muito tempo, o vírus foi considerado endêmico em vários países da Europa e da Ásia, causando surtos esporádicos com impactos econômicos moderados.
Em 2010, um vírus novo isolado genotipicamente distinto e altamente virulento emergiu na China, causando elevada mortalidade e prejuízo econômico. Em 2013, a PEDv surgiu nos Estados Unidos, provocando surtos explosivos de diarreia neonatal e vômitos, com mortalidade de até 100% dos leitões na fase de maternidade. “Em um período de oito semanas, o vírus pode se espalhar entre suínos através de fezes contaminadas. A preocupação com a transmissão indireta tem aumentado, especialmente em granjas com baixos níveis de biossegurança”, pontua Almeida.
A PEDv pode ser transmitida tanto por vias diretas como indiretas. A transmissão direta ocorre por meio do contato fecal-oral com suínos infectados ou fezes contaminadas. Já a transmissão indireta pode ocorrer por meio de objetos contaminados, como veículos de transporte, equipamentos de proteção pessoal dos trabalhadores das granjas, mãos e roupas. Somado a isso, a ração, as fábricas de ração e os ingredientes utilizados na produção de ração, especialmente aditivos com alto teor de proteína – como o plasma suíno em pó – e as sacarias de ração também podem servir como fontes de transmissão indireta do vírus.
De acordo com o docente da Universidade Estadual de Iowa, uma grande preocupação em relação à transmissão do patógeno entre países é a comercialização de ingredientes utilizados na produção de ração.
Sinais clínicos
De acordo com o especialista, os sinais clínicos característicos da PEDv revelam que todos os suínos afetados apresentam anorexia (perda de apetite) e letargia em 100% dos casos. A diarreia aquosa, resultado da má absorção intestinal, é observada em cerca de 90% dos suínos afetados, enquanto vômitos são relatados em aproximadamente 80% dos casos. A doença pode afetar suínos de todas as idades, com alta morbidade em leitões de crescimento e elevada mortalidade de 30% a 100% em leitões lactantes.
Estudos realizados por Matt Ackerman, da Swine Vet Services, revelaram dados preocupantes. A pesquisa mostrou que apenas 25% das leitegadas sobrevivem até a terceira semana, enquanto 70% chegaram até a quarta semana. No entanto, a mortalidade atinge 95% na quinta semana e chega a
100% na sexta semana, evidenciando a gravidade da doença.
Outro estudo conduzido por Danwe Goede e Bob Morrison indica que o tempo médio necessário para produzir animais negativos para PEDv é de aproximadamente 28 semanas. Já o período médio para que uma granja volte a produzir normalmente após um surto da doença varia entre 15 e 20 semanas. “Em termos de impacto econômico, a PEDv resulta em uma perda líquida média de cerca de 2,7 leitões por matriz afetada”, salienta Almeida.
Impacto econômico
O impacto econômico mais significativo decorrente de surtos de PEDv está relacionado à alta mortalidade de leitões na fase de maternidade, podendo atingir 100% dos animais nesta fase nas primeiras quatro semanas após a introdução do agente infeccioso em granjas livres. “Outros custos relacionados são aqueles referentes a tratamentos e a mortalidade, ganho de peso e conversão alimentar no período pós-desmame”, expõe Almeida, complementando: “Existem também outros custos em nível nacional associados ao aumento da biossegurança em granjas não afetadas, visando prevenir a introdução da doença. Além disso, a implementação de programas de vacinação como medida preventiva também pode representar um custo adicional”.
O patologista suíno destaca que o impacto econômico que a PRRS e PEDv causam na suinocultura está diretamente ligado ao tempo necessário para detectar a enfermidade no campo e confirmá-la em laboratório. “É fundamental contar com produtores conscientes e veterinários de campo treinados para identificar precocemente os sinais clínicos suspeitos e adotar as medidas adequadas. Além disso, a vigilância sanitária desempenha um papel crucial na detecção e notificação de possíveis casos de enfermidades na suinocultura”, aponta, acrescentando: “Para responder de forma eficaz, é necessário estar preparado para testar um grande número de amostras de maneira rápida. Um exemplo disso é o caso da erradicação da doença de Aujeszky nos Estados Unidos, em que o Laboratório Veterinário de Diagnóstico da Universidade Estadual de Iowa realizava testes anuais em um a dois milhões de amostras entre 1999 e 2002”.
Almeida recomenda que diariamente sejam testadas de cinco a 10 amostras suspeitas e os resultados positivos devem ser confirmados por meio de testes adicionais para garantir a precisão e a confiabilidade do diagnóstico. “Essa prática contínua e ágil é fundamental para um manejo eficiente das enfermidades na suinocultura e para minimizar seu impacto econômico”, analisa.
Implicações da PEDv nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a PEDv resultou em perdas significativas na indústria suinícola. De acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA) mais de sete milhões de leitões foram mortos devido à doença. “Essa quantidade de perdas é equivalente a aproximadamente seis anos de abate em uma planta de processamento com capacidade de quatro mil suínos por dia”, exemplificou Almeida.
O impacto econômico também foi expressivo, com estimativas de perdas anuais de cerca de US$ 300 mil por granja de ciclo completo, que possuem cerca de 700 matrizes. Além disso, houve redução de 10% no rebanho americano e mais de 3.750 granjas foram afetadas em 39 estados.
Após a introdução do PEDv nos Estados Unidos, alguns países impuseram restrições ou proibiram as exportações provenientes do país. Ao avaliar todos os impactos diretos e indiretos da entrada do PEDv em território norte-americano, estima-se que o custo total tenha variado entre US$ 900 milhões e US$ 1,8 bilhão, considerando uma taxa de mortalidade anual de leitões de 3% e 6%, respectivamente. “Esses impactos foram observados nos principais estados produtores de suínos ao longo de 14 meses, com cerca de 50% das granjas de matrizes infectadas”, relembra Almeida.
Tempo para erradicar uma doença
O tempo necessário para erradicar uma enfermidade na suinocultura depende de diversos fatores, incluindo a implementação de um plano de contingência eficiente, que envolve a colaboração entre o serviço oficial, produtores e profissionais em campo. “É crucial que todas as partes envolvidas levem a biossegurança a sério e adotem medidas rigorosas para prevenir a introdução e disseminação da doença. Isso inclui práticas como controle de acesso, higiene adequada, quarentena de animais importados, monitoramento contínuo e adoção de protocolos de biossegurança nas instalações suinícolas”, detalha Almeida.
A erradicação de uma enfermidade exigirá esforços contínuos, cooperação e comprometimento de todos os envolvidos para garantir a implementação de medidas eficazes de controle, aprimoramento da biossegurança e vigilância constante.
Brasil
O Brasil ocupa uma posição privilegiada no cenário global da suinocultura devido ao seu status sanitário. No entanto, existem várias possíveis vias de entrada para a introdução de doenças exóticas no país. Embora o controle de importação de animais vivos tenha se mostrado eficiente, medidas de controle adicionais são necessárias para lidar com outras possíveis rotas de entrada de novos vírus no país, além do controle sanitário da importação de animais vivos.
Contudo, o País apresenta diversos pontos fortes que contribuem para a manutenção da ausência da PRRS, PDEv e da PSA em seu território. Um desses pontos é a Estação Quarentenária de Cananéia, SP, em que os animais importados ficam em quarentena para garantir que estejam com a saúde em dia, livre de patógenos que possam se disseminar ao longo do processo produtivo e causar graves problemas sanitários e econômicos ao setor.
Outro aspecto apontado por Almeida é o acesso à informação. A disseminação de conhecimento técnico e científico sobre a prevenção e controle de doenças é fundamental para que produtores e profissionais estejam bem informados e adotem medidas adequadas de biossegurança.
A seriedade de instituições como a Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (Abegs), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também são outro ponto forte. “Essas organizações desempenham um papel ativo na promoção da sanidade suína e na implementação de medidas preventivas em todo o país”, evidencia o patologista de suínos.
Outro fator considerado favorável é o clima tropical do Brasil, que ajuda a reduzir a sobrevivência e a disseminação de alguns agentes patogênicos, incluindo o vírus da PRRS, PDEv e PSA.
A compartimentação é outra estratégia adotada no Brasil, com barreiras sanitárias estabelecidas entre estados para evitar a disseminação de doenças, contribuindo para o controle e monitoramento da entrada e saída de suínos e seus produtos.
O sistema de Guia de Trânsito Animal (GTA) com geo-localização em granjas permite um rastreamento eficiente do trânsito de animais, facilitando a identificação de origens e destinos, colaborando para uma maior segurança e controle sanitário. “Esses fatores combinados contribuem para a proteção da suinocultura brasileira contra a introdução e disseminação da PRRS, PDEv e PSA, enfatizando o compromisso do país com a saúde e a segurança do setor suinícola”, exalta Almeida.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

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Déficit de 130 milhões de toneladas expõe gargalo da armazenagem de grãos no Brasil
Tema dominou a abertura do 11º Simpósio Sul de Pós-colheita, em Chapecó, que reúne mais de 500 profissionais para discutir tecnologia, conservação e qualidade dos grãos.

A busca por maior eficiência na armazenagem de grãos, a adoção de novas tecnologias e a preservação da qualidade das matérias-primas que abastecem a cadeia de proteínas animais estão no centro dos debates do 11º Simpósio Sul de Pós-colheita de Grãos 2026, aberto na segunda-feira (1º), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo De Nes, em Chapecó (SC).

Presidente da ABRAPOS, José Ronaldo Quirino, destacou que o Simpósio integra pesquisa, indústria e operadores de armazenagem
Promovido pela Associação Brasileira de Pós-colheita (ABRAPOS), em parceria com a Aurora Coop e a Cooperalfa, o encontro reúne mais de 500 participantes e registra número recorde de expositores, com 60 estandes de empresas ligadas ao segmento.
O Simpósio acontece a cada dois anos e é um dos principais fóruns técnicos do Sul do País para discutir armazenagem, conservação, classificação e gestão da qualidade dos grãos. A programação segue até quarta-feira (03), com palestras, painéis e exposição de tecnologias voltadas à redução de perdas e à preservação da qualidade dos produtos armazenados.
Na cerimônia de abertura, lideranças do cooperativismo e da cadeia agroindustrial destacaram a relevância estratégica da pós-colheita para a segurança alimentar e para a competitividade do agronegócio brasileiro.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, ressaltou que a qualidade dos grãos influencia diretamente a produção de proteínas animais, atividade que sustenta parte significativa da economia regional. “Estamos tratando das principais matérias-primas destinadas à produção de proteína animal. Os grãos produzidos em uma safra precisam manter suas características durante todo o período de armazenamento para garantir alimento de qualidade aos plantéis e, consequentemente, aos consumidores”, observou.

Diretores da ABRAPOS com os presidentes da Aurora Coop, Neivor Canton e da Cooperalfa, Romeu Bet, coordenadores do evento Luís dos Santos e Arielson de Lima e prefeito de Chapecó Valmor Scolari
Canton apontou a insuficiência da infraestrutura de armazenagem como um dos principais gargalos do setor. Segundo ele, o crescimento da produção agrícola ocorre em ritmo superior ao da expansão da capacidade de estocagem, cenário agravado pela limitação de linhas de financiamento adequadas para investimentos em novas estruturas. “O campo evolui continuamente em produtividade, mas a armazenagem não acompanha essa velocidade. É um desafio que exige planejamento, investimentos e políticas capazes de estimular a ampliação da capacidade instalada”, afirmou.
Para o presidente da Cooperalfa, Romeu Bet, o pós-colheita representa uma etapa decisiva para preservar o valor agregado obtido ao longo de todo o ciclo produtivo. “Existe um grande esforço para produzir cada vez melhor. Após a colheita, a responsabilidade passa a ser conservar essa qualidade. O armazenamento adequado e o manejo correto garantem matéria-prima de excelência para a indústria e refletem diretamente na qualidade dos alimentos destinados à população”, enfatizou.
Bet destacou que a tecnologia tornou-se indispensável para o setor. Equipamentos de monitoramento, sistemas de controle e ferramentas de gestão contribuem para manter padrões elevados de conservação e segurança dos grãos.
Mercado
A integração entre pesquisa, indústria e operadores de armazenagem foi apontada como um dos diferenciais do evento pelo presidente da ABRAPOS, José Ronaldo Quirino.

Presidente da Cooperalfa, Romeu Bet, representou as cooperativas na abertura do evento
Segundo ele, o simpósio funciona como um espaço de conexão entre universidades, centros de pesquisa, fabricantes de equipamentos e profissionais que atuam diariamente nas unidades armazenadoras. “O Sul já possui um elevado nível de tecnificação, mas as inovações surgem em ritmo acelerado. O objetivo do evento é aproximar os profissionais dessas soluções e estimular a adoção de tecnologias que elevem a qualidade da armazenagem”, destacou.
Quirino chamou atenção para o déficit estrutural de armazenagem no Brasil. Segundo levantamento da Conab, a produção nacional de grãos está projetada em 358 milhões de toneladas na atual safra, enquanto a capacidade estática de armazenamento gira em torno de 225 milhões de toneladas, o que representa um déficit superior a 130 milhões de toneladas.
Além da limitação física, o dirigente citou a qualificação profissional como outro desafio relevante. Em algumas regiões produtoras, há dificuldade para contratar trabalhadores especializados para atividades ligadas à recepção, secagem e conservação de grãos. A automação surge como uma alternativa para aumentar a eficiência operacional do setor.
Programação

Participam do evento mais de 500 profissionais de 60 empresas do sul do País
Um dos coordenadores do simpósio e supervisor de controle de qualidade das fábricas de ração da Aurora Coop, Arielson de Lima, ressaltou que a programação foi estruturada para apresentar soluções práticas aos profissionais do setor. “Reunimos especialistas e empresas que desenvolvem tecnologias para armazenagem, conservação e controle de qualidade. O objetivo é proporcionar atualização técnica e troca de experiências sobre temas que impactam diretamente o desempenho das unidades armazenadoras”, explicou.
Segundo Arielson, o pós-colheita exige atenção constante porque os desafios variam a cada safra, influenciados por fatores climáticos, condições de armazenamento e exigências de mercado. Ele destacou ainda o avanço dos métodos de análise rápida, que permitem decisões mais assertivas na recepção e armazenamento dos grãos.
Ao longo dos três dias, o simpósio abordará temas como infraestrutura de armazenagem, qualidade dos grãos, micotoxinas, segurança e legislação trabalhista, classificação comercial, automação, eficiência energética e novas tecnologias para conservação dos produtos agrícolas. O evento também conta com exposição de equipamentos, sistemas e soluções voltadas ao setor.
Notícias
Livro detalha tecnologias usadas para detectar fraudes em alimentos
Obra apresenta 11 métodos analíticos aplicados pela indústria e fiscalização para identificar adulterações em produtos como café, leite, mel, carnes e azeite.

A adulteração de alimentos deixou de ser um problema pontual para se tornar uma preocupação global envolvendo saúde pública, perdas econômicas e riscos à credibilidade de empresas e cadeias produtivas inteiras. Produtos como café, azeite, leite, carnes, mel e sucos estão entre os mais suscetíveis a fraudes, em um cenário em que as técnicas de adulteração se tornaram mais complexas e difíceis de identificar.
É nesse contexto que a Editora Fealq lançou o livro “Detecção de Fraudes em Alimentos: Técnicas Analíticas e Aplicações”, obra voltada à apresentação de tecnologias e métodos laboratoriais utilizados para identificar irregularidades e contaminações em alimentos.
O conteúdo reúne aplicações práticas voltadas à indústria de alimentos, órgãos de fiscalização e laboratórios de análise, além de servir como material de apoio acadêmico para cursos ligados à Ciência e Tecnologia de Alimentos.
Tecnologias para identificar adulterações

O livro detalha 11 metodologias analíticas utilizadas no monitoramento e detecção de fraudes alimentares. Entre elas estão técnicas de biologia molecular, cromatografia, espectrometria de massa, ressonância magnética nuclear, análise isotópica e espectroscopia no infravermelho.
A publicação apresenta os fundamentos de cada método, suas vantagens, limitações e exemplos de aplicação em estudos de caso relacionados a diferentes tipos de alimentos e adulterações.
Segundo os organizadores, o objetivo é ampliar o acesso a ferramentas técnicas capazes de aumentar a segurança alimentar e fortalecer os sistemas de controle e rastreabilidade da indústria.
Especialistas da USP assinam obra
O livro foi organizado por pesquisadores ligados à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura.
Entre os editores estão Aline Silva Mello Cesar, Fabio Rodrigo Piovezani Rocha, Severino Matias de Alencar, Tiago Bueno de Moraes e Wanessa Melchert Mattos.
Os pesquisadores atuam em áreas como química analítica, biologia molecular, espectroscopia, genômica funcional e análise da composição química de alimentos.
A publicação também discute os impactos econômicos e sanitários das fraudes alimentares e o papel da inovação tecnológica na prevenção e no combate às adulterações ao longo da cadeia produtiva.
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Sindiveg completa 85 anos acompanhando transformação da agricultura brasileira
Entidade surgiu quando o Brasil ainda importava alimentos e hoje atua em um setor ligado à produção de mais de 300 milhões de toneladas de grãos.

Fundado em 1941, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) acompanha a evolução da agricultura brasileira desde o período em que o país ainda dependia da importação de alimentos até sua consolidação, atualmente, como uma das principais potências globais do agronegócio. Ao longo de oito décadas e meia, a entidade esteve presente nos principais ciclos de modernização do campo, acompanhando as transformações tecnológicas, regulatórias e produtivas que marcaram a história do setor agrícola nacional.
Criado originalmente como Sindicato da Indústria de Formicidas e Inseticidas no estado de São Paulo (Sindag), a instituição surgiu em um cenário em que a agricultura brasileira ainda possuía baixa mecanização, produção concentrada nas regiões Sul e Sudeste e limitada capacidade produtiva. Na década de 1940, o Brasil produzia cerca de 15 milhões de toneladas de grãos por ano, em uma realidade marcada pela forte dependência de importações de alimentos, fertilizantes e máquinas agrícolas.
Desde então, a trajetória do Sindicato acompanha a própria expansão da agricultura brasileira. Nas décadas de 1950 e 1960, o avanço da modernização agrícola e das políticas voltadas ao aumento da produtividade impulsionou a ampliação do uso de tecnologias no campo. Nos anos 1970, a expansão da fronteira agrícola, o fortalecimento da pesquisa agropecuária e a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) contribuíram para consolidar as bases do crescimento da produção nacional, cenário acompanhado de perto pelo setor de defensivos agrícolas.
Já nas décadas de 1980 e 1990, o país passou a estruturar seus primeiros marcos regulatórios para o segmento, com a criação de legislações específicas, órgãos de fiscalização e sistemas de avaliação técnica e ambiental. Nesse período, a entidade acompanhou a consolidação de um ambiente regulatório mais robusto, paralelo ao crescimento da agricultura brasileira e à expansão da produção de grãos.
Nos anos 2000, com o fortalecimento do agronegócio brasileiro no mercado internacional, o Sindicato ampliou sua atuação institucional, com o apoio à criação do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), iniciativa voltada à logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas e considerada uma das principais referências do setor em sustentabilidade e destinação correta de resíduos.
A partir da década de 2010, o debate sobre agricultura passou a incorporar temas ligados à inovação, sustentabilidade, rastreabilidade e segurança alimentar. Em 2013, a instituição adotou o nome Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), reforçando uma atuação alinhada à evolução tecnológica e regulatória do setor.
Nesse contexto, projetos como o Programa Colmeia Viva passaram a integrar a agenda da entidade, promovendo iniciativas de educação, conscientização e boas práticas voltadas à convivência sustentável entre agricultura e polinizadores. Mais recentemente, o Sindiveg também ampliou investimentos em capacitação e disseminação de conhecimento técnico, com o lançamento de sua plataforma de treinamentos on-line e de materiais educativos voltados ao uso correto e seguro de defensivos agrícolas.
Para além dos 85 anos
Neste aniversário, o Sindiveg chega a um momento em que a agricultura brasileira ultrapassa a marca de 300 milhões de toneladas de grãos produzidas por ano, em um cenário caracterizado pela agricultura de precisão, digitalização do campo, expansão dos bioinsumos e novas demandas relacionadas à sustentabilidade e à segurança alimentar global.
Atualmente, a entidade reúne 22 empresas associadas responsáveis por um segmento estratégico para o desenvolvimento agrícola nacional.
Mais do que acompanhar as transformações da agricultura brasileira ao longo das últimas décadas, o Sindiveg consolida sua atuação como uma das principais referências técnicas e institucionais ligadas ao debate sobre inovação, produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar no país.
Confira a linha do tempo do Sindiveg, acesse clicando aqui.



