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Bovinos / Grãos / Máquinas

Queda na produtividade, mas ganho em rentabilidade

Apesar de o produtor de grãos ter sofrido com as mudanças climáticas durante o ciclo do milho safrinha deste ano, o preço favorável do grão no mercado interno está praticamente compensando as perdas

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Enquanto a colheitadeira desliza pela lavoura localizada à direita da vila de Novo Três Passos, interior de Marechal Cândido Rondon, Oeste do Paraná, sob o olhar atento de Valdemar Schaefer, os filhos do agricultor, Eduardo e Leonardo, comandam a colheita na outra metade da propriedade, localizada no extremo esquerdo do distrito rondonense – indicando que a quarta geração da família já está pronta para continuar com o trabalho no campo.

Apesar de cuidar da terra há apenas um ano e meio, os 24 anos de experiência como engenheiro agrônomo garantem a Schaefer o conhecimento necessário para entender porque as 24 mil sacas colhidas no ano passado podem chegar a pouco mais de 17 mil nos 200 hectares em que planta neste ano. “Nunca uma safrinha é igual a outra, e nesse ano não foi diferente. Muita coisa jogou contra a safrinha. Se na última o clima foi espetacular, nesta o milho sofreu com a estiagem, as baixas temperaturas, a falta de luz e, no último minuto, com a geada”, explica.

Mesmo semeando a área igual à última safrinha, a produtividade média de 300 sacas por alqueire alcançada no ano passado pelo produtor deve cair para 200 a 250 sacas neste ano. Contudo, ele explica que em termos de qualidade do grão, não há preocupação. “O agricultor que escolheu os híbridos que, comprovadamente, são especiais em garantia de qualidade e produtividade não vai ter preocupações agora no fim da safra com o que está entregando”, ressalta. “A minha produtividade não é aquilo que eu gostaria, mas estou ciente de que com esse clima o milho não poderia entregar mais do que entregou”, complementa.

A Poucos Passos do Fim

Schaefer é um dos últimos agricultores com as máquinas no campo na região. A estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado de Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) de Toledo, Oeste do Estado, é de que 85% da área semeada no Oeste paranaense já esteja colhida – com variação para mais ou para menos em alguns municípios. Mesmo antes do fim da colheita, o órgão já estima quebra de 5,2% em relação à produção do ano passado, que chegou a 2,652 milhões de toneladas. Já em comparação à estimativa para este ano, que apontava a colheita de 2,687 milhões de toneladas, a quebra chega a 7%. A colheita da safrinha deste ano no Oeste paranaense deve chegar aos 2,512 milhões de toneladas. “Tivemos lavouras que sofreram logo no início do ciclo, principalmente as semeadas tardiamente, que passaram por uma estiagem no mês de abril, um período em que as plantas precisavam de chuva”, ressalta o especialista em Agronegócios e Agrobusiness e técnico Deral, João Luis Nogueira.

Pela água não ter chego a apenas parte das lavouras é que o Deral considera a qualidade dos grãos colhidos muito boa, estando as perdas e a quebra da produção dentro de uma perspectiva normal. “Tínhamos uma expectativa de que as geadas que ocorreram agora no fim do ciclo afetassem a qualidade do grão, mas isso não aconteceu, já que as lavouras estavam bastante adiantadas. O milho colhido está muito bom e a produtividade dentro da normalidade”, ressalta.

Para o morador de Novo Três Passos, um dos fatores decisivos para o desenvolvimento do milho que não esteve presente nesta safrinha foi a luz em abundância. Segundo Schaefer, por pelo menos 40 dias o clima permaneceu nublado e as temperaturas baixas, o que roubou parte da produtividade das lavouras. “Primeiro foi a seca, depois as temperaturas baixas e o tempo  nublado em praticamente junho inteiro, e agora, quase no final, a geada que interrompeu o ciclo”, menciona o agricultor.

Alta rentabilidade

Se a quantidade de produção à primeira vista desanima os produtores, o preço do milho no mercado pode garantir a “luz no fim do túnel”. Para Schaefer, o preço está quase compensando a perda da produção. No ano passado, a saca do milho safrinha foi comercializada por ele na média de R$ 19 e R$ 20 e, em contratos futuros, a R$ 24. “E eu já estava feliz com esse preço”, garante.

Neste ano, a saca está sendo vendida na média de R$ 33, contudo, o valor do cereal no mercado já está subindo, chegando a R$ 37. “Se eu vender entre R$ 33 e R$ 40 chego praticamente à rentabilidade dos R$ 19 e R$ 20 do ano passado, mesmo com a baixa na produção”, expõe.

A elevação do preço experimentada pelo mercado neste ano, conforme explica o especialista em Agronegócios e Agrobusiness, ocorreu pelo enxugamento  dos estoques internos de milho, estimulado pelo aumento das exportações do cereal brasileiro, que subiram exponencialmente nos últimos dois anos. “Com os preços alavancados pela exportação, ocorreu um ajustamento de oferta e demanda de milho no mercado interno, o que deu suporte para os preços fazendo que o milho chegasse a patamares acima de R$ 40 a saca no mercado físico”, explica.

Com a entrada da safrinha, contudo, o técnico do Deral menciona que é natural uma leve queda no valor do cereal, já que a oferta de milho no mercado interno começa a aumentar, levando a regularização do preço. “Mas esse valor também não caiu tanto, porque já vemos uma reação, tendo em vista que a demanda interna é intensa, bem como a externa, pelos contratos de exportação que estão em curso o mercado ser de boa liquidez para o milho”, diz, segundo o qual, o preço de balcão do cereal está em R$ 37,50.

Nogueira ressalta também que, com a definição da safra dos Estados Unidos – maior produtor mundial de milho e que aponta para uma boa produtividade – os preços do mercado externo devem deixar de ser favoráveis. Entretanto, o milho ainda terá suporte no mercado interno. “A produção de milho também não vem crescendo na mesma proporção da demanda. O mercado consumidor é maior que a oferta do cereal e esse é o maior fator de suporte para os preços do milho”, completa. Apesar de um ano atípico, o especialista comenta que o preço do milho visto em 2016 e a demanda por consumo interno e externo do produto brasileiro se tornarão algo normal daqui para frente. Ele aponta que, com a demanda interna de soja e milho crescendo de forma desproporcional à oferta no Brasil, a saída é que os produtores brasileiros cumpram o seu papel de produzir ainda mais para suprir as demandas tanto de cereal quanto de proteína, que também deve ter o consumo aumentado nos próximos anos. “O Brasil é um grande fornecedor porque outros países estão com as fronteiras praticamente fechadas, por isso quem pode evoluir em termos de produção para exportação é o Brasil”, finaliza.

Depois da tempestade…

Vem a calmaria? Para o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir Dariva, ainda não. Sofrendo com o valor elevado do milho desde outubro do ano passado, os suinocultores ainda não puderam respirar aliviados com a queda no preço do cereal. “O setor consumidor acreditava que a retraída no preço seria maior. Essa queda ainda não foi sufi ciente para baixar o custo de produção”, menciona.

Com a alta do milho, principal matéria-prima para alimentar aves e suínos para o posterior abate, não está fácil para o produtor e empresas integradoras continuarem em pleno funcionamento. Dariva lembra que foi em meados de agosto do ano passado que os suinocultores paranaenses ainda conseguiram pagar o custo de produção, entretanto, já em setembro a conta dos produtores começou a zerar.

“Quando o milho ‘explodiu’ entre outubro e novembro não houve mais salvação. Hoje todos os produtores estão pagando para produzir e muitos deixaram a atividade”, ressalta. “Com o custo de produção na faixa de R$ 4 por quilo do suíno, levando em conta o preço da saca de milho para os suinocultores que não apostam na produção de grãos na média de R$ 43, e o suíno vendido, em média, a R$ 3,30 e R$ 3,40, se na época de colheita do milho estamos tendo prejuízo, imagina quando a safra acabar”, avalia.

Para o presidente da APS, as perspectivas são “desesperadoras” para o fim do ano, com média de 20% a 30% de baixa nas granjas paranaenses e muitas outras fechando, especialmente aquelas que não são integradas ou parceiras de cooperativas. “O produtor de grãos precisa ter lucro, mas logo a cadeia suína vai ter uma diminuição grande de animais disponíveis. Talvez esse seja o ano do produtor de grãos e, ano que vem, do produtor de carnes”, aposta.

Na opinião do presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, o agronegócio brasileiro precisa defi nir uma boa estratégia, como exportar a carne com valor agregado do que apenas a commodity. “Precisamos preservar o emprego e toda a movimentação de uma cadeia. Se exportamos apenas o milho, privilegiamos só o emprego de quem plantou e colheu. Felizmente, agora estamos sendo supridos pelas cooperativas e os preços da saca de milho já estão em patamares bem melhores do que há 45 dias, quando estavam na estratosfera”, ressalta.

Martins acredita que, com o plantio que deve iniciar entre agosto e setembro, o produtor fará bons cálculos, já as duas commodities têm esse mercado internacional. “Para a sorte do consumidor nacional, os estoques internacionais estão confortáveis e não existe grande procura desses produtos”, comenta.

Fonte: O Presente

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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

O uso de ácidos orgânicos como ferramenta valiosa na pós-colheita de grãos

Armazenagem é fator estratégico para que o produtor rural tenha condições adequadas para manter a qualidade dos produtos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Natália Vicentini, TSM Líquidos, Kemin Kasa

Segundo a Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento (2020), o Brasil deve colher aproximadamente 265,9 milhões de toneladas de grãos na safra 2020/2021, e apesar da estimativa ser inferior ao previsto decorrente da estiagem da região Sul, trata-se ainda de uma produção recorde de grãos no Brasil, sendo soja e milho responsáveis por 89% dessa produção.

De acordo com a CNA, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2014), a capacidade estática armazenadora existente no Brasil não acompanhou o crescimento da produção agrícola, contribuindo decisivamente para o estrangulamento da infraestrutura logística.

A armazenagem é fator estratégico para que o produtor rural tenha condições adequadas para manter a qualidade dos produtos, diminuindo as perdas e permitindo maior autonomia na comercialização da produção.

No contexto da conservação de qualidade, é preciso ter especial cuidado com os fungos, que se caracterizam como um dos principais agentes causadores de danos aos grãos, pelo fato destes serem substratos adequados ao desenvolvimento desses microrganismos, quando o teor de água, a temperatura e a umidade relativa de equilíbrio do ar intergranular são favoráveis. Suas consequências podem ser vistas através da produção de micotoxinas, perda de matéria seca, descoloração, e produção de odores desagradáveis são danos depreciativos causados pelo desenvolvimento fúngico e podem levar a inviabilidade do uso dos grãos para alimentação humana e/ou animal.

Um dos danos de maior impacto econômico causado aos grãos pelos fungos de armazenamento é a perda de peso resultante de matéria seca (amido, proteínas e gorduras). Em um estudo, a perda de matéria seca entre grãos sadios e contaminados por fungos chegou a 25% em milho e 18% em soja. Uma outra pesquisa demonstrou que para que a conversão alimentar de frangos não fosse alterada, entre dietas contendo milho de boa qualidade e milho mofado, a inclusão de fonte de estrato etéreo como óleo de soja deveria ser triplicada.

A utilização de aditivos químicos adequados e aprovados por órgãos competentes pode ser considerada uma ferramenta importante na conservação da qualidade dos grãos e redução de perdas. Os ácidos orgânicos, como ácido propiônico, sórbico e fosfórico, são aditivos conservantes comumente utilizados na indústria de nutrição animal e possuem poderosa ação antifúngica, prevenindo o desenvolvimento desses microrganismos e promovendo maior estabilidade da ração tratada. Pelo efeito sinérgico entre ativos, a mistura entre dois ou mais ácidos orgânicos é mais eficiente em controlar o crescimento dos fungos do que um único ácido sozinho, desse modo a utilização de um mix de ácidos orgânicos é preferível.

Um estudo brasileiro (2019) em condições experimentais demonstrou que o desenvolvimento fúngico de grãos de milho permaneceu estável por 120 dias após tratamento com ácidos orgânicos, enquanto grãos de milho não tratados tiveram um crescimento de até 1,0 x 104 UFC/g de bolores e leveduras para o mesmo período e condições de armazenagem. Neste mesmo estudo, foi possível verificar efeito benéfico do tratamento também na conservação de carboidratos não fibrosos e contaminação por aflatoxinas, parâmetros relevantes para grãos utilizados na indústria de nutrição animal.

Outro estudo brasileiro (2019) em condições experimentais comparou grãos de milho sem tratamento com umidade 10% frente a grãos de milho de aproximadamente 12% de umidade, com tratamento de ácidos orgânicos, e demonstrou que o tratamento contribuiu com a estabilidade da temperatura de armazenamento e da emissão de CO2, ambos produtos provenientes da respiração de micoorganismos.

Com base na importância do Brasil como um produtor mundial de alimentos num cenário de preços altamente elevados, da armazenagem no processo de conservação, e dos impactos que o desenvolvimento fúngico pode trazer, os ácidos orgânicos se mostram uma alternativa simples e viável na conservação dos grãos em condições pouco tecnificadas e como um reforço juntamente as práticas tradicionais de armazenagem entregando benefícios fantásticos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Importância do manejo, conforto e nutrição sobre o período de transição de vacas leiteiras

Neste período ocorre uma intensa mudança no metabolismo da vaca, onde ela se prepara para produzir o colostro e, em seguida, o leite

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Artigo escrito por Josiane Pereira dos Santos, zootecnista, metre e doutora em Nutrição e Produção de Ruminantes e especialista em Nutrição de Ruminantes na Vaccinar

O período de transição é extremamente importante para a saúde, a produção e a rentabilidade de vacas leiteiras e compreende as três semanas que antecedem o parto e as três semanas após o parto. Neste período ocorre uma intensa mudança no metabolismo da vaca, onde ela se prepara para produzir o colostro e, em seguida, o leite. Assim, o animal precisará em torno de duas a três vezes mais nutrientes do que estava sendo exigido nos primeiros dias do período seco.

Uma das mudanças mais importantes durante o período de transição é a ingestão de alimentos. Em média, o consumo de matéria seca (CMS) diminui 30% durante a última semana que antecede o parto e é uma das principais preocupações neste período.

Vários cuidados com os animais como, estratégias nutricionais, manejo adequado, conforto e sanidade, podem minimizar os doenças e problemas metabólicos associados ao período de transição e melhorar o desempenho produtivo e reprodutivo da vaca durante a lactação. Dessa forma, o produtor deverá conhecer muito bem a estrutura da fazenda e a atual situação dos animais para que assim possa ser realizado um plano de ações estratégicas com o objetivo de melhorar o manejo dos animais no período de transição.

            A seguir serão comentados alguns pontos relevantes e que merecem atenção nesse período crítico.

  • Avaliação do escore de condição corporal (ECC) ≥ 3,5:A condição corporal é uma medida subjetiva da quantidade de gordura ou da quantidade de energia reservada que uma vaca possui. O ideal é que a vaca apresente ECC entre 3,0 e 3,5 ao parto. Vacas que parem com ECC ≥ 3,5 apresentam menor CMS, maior mobilização de gordura corporal e maior risco de doenças metabólicas. Para isso, é importante manter o controle sobre o manejo nutricional no final da lactação e do período seco para evitar que as vacas cheguem ao parto com ECC alto (vacas gordas).
  • Maximizar o consumo de alimentos
  1. Disponibilidade de alimentos: sempre deverá ter alimento disponível para esses animais, em qualquer período do dia. Recomenda-se que as sobras (alimento recusado pelo animal) sejam por volta de 10% do total ofertado.
  2. Qualidade da forragem pós-parto: Forragens com maior digestibilidade da fibra são essenciais para potencializar o consumo de matéria seca no pré e pós-parto. Vacas que consomem mais alimento no pré-parto consequentemente consomem mais no pós-parto e diminuem o impacto do déficit de nutrientes no pós-parto imediato.
  3. Conforto: vacas que não estão confortáveis durante o período de transição irão consumir menos alimento e ruminar menos e, desta forma, estarão mais propensas a doenças metabólicas. Os animais devem ter sombra, água fresca e de qualidade, espaçamento do cocho de no mínimo 80 cm por vaca, e ainda deve-se evitar superlotação dos lotes. Outro ponto importante e aconselhável é separar novilhas de vacas adultas. Em relação ao estresse térmico seja em produções extensivas ou intensivas os sistemas de resfriamento devem ser implantados a fim de minimizar o estresse por calor. Estudos indicam que vacas pré-parto em galpões com aspersão e ventilação produzem até 7 litros/dia de leite a mais que vacas sem ventilação e aspersão.
  4. Cetose: Com o aumento da demanda de energia, a vaca mobiliza as reversas de gorduras corporais e o aumento da oxidação dos ácidos graxos no fígado resulta em corpos cetônicos, como por exemplo o beta-hidroxibutirato (BHB), que são liberados na corrente sanguínea e que, em excesso nos tecidos, trazem danos à saúde do animal. A cetose pode ser mensurada em vacas com cinco a 10 dias pós-parto e a fazenda deve ter um protocolo de tratamento de vacas em cetose, os quais geralmente incluem a utilização de “drench” (Vacci Drench) com propilenoglicol e glicose com intuito de fornecer energia para a vaca.
  5. Identificação de vacas com histórico de problema: é necessário que o produtor tenha o registro de doenças das vacas do rebanho, pois animais que já apresentaram histórico de febre do leite, cetose ou mastite, têm maior chance de repetir este problema nas subsequentes lactações. Assim o produtor poderá tomar medidas preventivas no período de transição desses animais.
  • Estratégias nutricionais do período de transição:
  1. Dietas acidogênicas no pré-parto: A dieta aniônica consiste no fornecimento de sais aniônicos com base em sulfatos e cloretos para negativar o balanço cátion-aniônico da dieta (DCAD). Dietas com níveis altos de sódio e potássio resultam em alcalose metabólica, o que dificulta a habilidade de manter em equilíbrio o metabolismo do cálcio. Com o comprometimento dos níveis séricos de cálcio, os animais podem apresentar o quadro de hipocalcemia clínica (febre do leite) ou a hipocalcemia “subclínica” em que as vacas não apresentam os sintomas de hipocalcemia, mas com os baixos níveis de cálcio, a capacidade de contração muscular fica reduzida e ocorre uma imunossupressão. Com isso, a motilidade dos tratos digestivo e reprodutivo são menores e as vacas podem apresentar concomitantemente retenção de placenta, metrite, deslocamento de abomaso e mastite. O fornecimento da dieta aniônica no pré-parto irá auxiliar na normalização do fluxo de cálcio sanguíneo e evitar os problemas no pós-parto. Uma ferramenta prática que pode ser utilizada na fazenda é a mensuração do pH da urina e valores entre 6 – 6,5, que é suficiente para estimular os mecanismos do metabolismo do cálcio.
  2. Importância dos minerais: O sal comum (NaCl) não é a mesma coisa que a mistura mineral (sal mineralizado), também chamado de sal mineral. O sal mineral é uma mistura de sal comum, que é o cloreto de sódio, com outras fontes de minerais, tais como: fosfato bicálcico, que contém cálcio e fósforo disponíveis para absorção pelo animal, sulfato de cobre, sulfato de zinco, iodato de potássio, óxido de magnésio, selenito de sódio. Enfim, a mistura mineral deverá ser composta em macro e micronutrientes para atender as exigências nutricionais dos animais em cada etapa da vida (crescimento, transição, lactação e reprodução). Logo, é imprescindível a utilização de suplementos balanceados para cada fase. Os nutrientes minerais mais importantes na mistura são: cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, cloro, iodo, cobre, cobalto, manganês, selênio e ferro. Existem minerais importantes para a reprodução, como por exemplo, cálcio, fósforo, zinco, cobre, selênio e manganês e também aqueles imprescindíveis à saúde da glândula mamária e do sistema imunológico como por exemplo zinco, selênio e cobre.
  3. Antioxidantes: algumas vitaminas e minerais são capazes de estimular o sistema imune melhorando a saúde e a reprodução dos animais. Os principais antioxidantes são selênio e vitamina E.
  4. Aditivos para fermentação e controle pH ruminal: Aditivos que modulam e auxiliam a eficiência da fermentação ruminal podem ser utilizados nos períodos pré e pós-parto, como por exemplo ionóforos e leveduras. Já para os desafios do controle do pH e acidose ruminal no período pós-parto o uso de aditivos tamponantes e alcalinizantes, como bicarbonato e óxido de magnésio são estratégias pertinentes.
  5. Balanceamento adequado de proteína: durante o período de transição, a vaca exige grande quantidade de proteína metabolizável. Porém, o rúmen não consegue fornecer esta quantidade necessária por meio de seus microrganismos (chamada de proteína microbiana), pois neste período o CMS está reduzido. Desta forma, durante o período de transição pode ser recomendado a substituição parcial do farelo de soja por fontes de menor degradação ruminal, como grãos e farelos tratados termicamente (“by pass”). No período de transição pode ser recomendado que 60 – 62% da proteína seja degradada no rúmen, e o restante passe “by pass” (proteína não degradável no rúmen – PNDR) para ser digerido e absorvido no intestino. Outra opção é o uso de aminoácidos protegidos. Estudos indicam que a suplementação com metionina protegida durante o período de transição (relação lisina: metionina de 2,8:1) pode aumentar a produção de leite após o parto e ainda auxiliar na redução de distúrbios metabólicos e do desempenho reprodutivo.

É essencial que o produtor conheça seus animais, faça um planejamento adequado traçando as metas à curto, médio e longo prazo para melhorias das condições nutricionais e ambientais desses animais, proporcionando longevidade e produtividade aos animais e maior rentabilidade da atividade leiteira.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo IBGE

Com 264,9 milhões de toneladas, safra 2021 pode superar recorde em 4,2%

Produção de soja deve atingir mais um marco inédito de 131,8 milhões de toneladas

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Divulgação/Antonio Neto

A produção agrícola nacional continua a bater recordes. Pela estimativa de março, a safra nacional de grãos de 2021 deve ultrapassar a de 2020 em 10,7 milhões de toneladas (4,2%), somando 264,9 milhões de toneladas. Com destaque para a previsão da soja, que deve atingir mais um marco inédito, 131,8 milhões de toneladas. Além disso, outras culturas vêm crescendo, como a do trigo e da uva. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (08), pelo IBGE.

“A colheita da soja está perto de ser concluída na maioria das unidades da federação, mas está com atraso em relação ao ano anterior, que foi causado pelo plantio tardio devido à estiagem no início da primavera. Com o retorno das chuvas, a partir de dezembro, as lavouras se recuperaram e a cultura se desenvolveu de maneira satisfatória. Embora atualmente o excesso de chuvas venha causando problemas em alguns estados, tanto na colheita quanto no escoamento da safra, restam poucas áreas a serem colhidas e a produção da oleaginosa deverá ficar 8,5% (10,3 milhões de toneladas) acima da de 2020”, explica o gerente da pesquisa, Carlos Barradas.

Segundo o pesquisador, a demanda aquecida e o dólar em alta têm favorecido a comercialização da soja e incentivado os produtores a aumentarem o plantio. No final de março de 2021, a saca de 60 kg do produto foi comercializada a R$ 173,30, 3,49% acima do mês anterior. Na região integrada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba), por exemplo, quase todos os estados apresentam aumentos expressivos na produção, como o Piauí (15,6%), a Bahia (7,6%) e o Maranhão (3,8%) – a exceção é o Tocantins (-6,3%).

Além disso, em função do atraso na colheita da soja, a “janela de plantio” do milho 2ª safra foi estreitada, o que pode trazer maior insegurança quanto ao comportamento do clima durante o ciclo dessa cultura.

“Por esse motivo é que está havendo declínio nas estimativas do rendimento médio dessa safra em algumas unidades da federação importantes, como é o caso do Mato Grosso (-8,9%), de Goiás (-8,2%) e do Mato Grosso do Sul (-9,2%). Esses estados conjuntamente devem responder por 68,0% da produção do milho 2ª safra do País em 2021. Caso haja um prolongamento das chuvas durante o outono nesses estados, a safra brasileira de grãos poderá ser ainda maior”, assinala Barradas.

Outra commodity que vem atraindo os produtores é o trigo. Com preços em alta, este cereal de inverno tem se tornado mais atrativo ao cultivo.

“Como importamos quase a metade de todo o trigo que é consumido no país, os preços do cereal acabam muito atrelados ao câmbio e, com a valorização do dólar fazendo os preços subirem, os produtores têm se esforçado para aumentar o cultivo do trigo de modo a substituir parte das importações”, explica Carlos Barradas.

Além dos grãos, cabe destaque também para o aumento na produção de uvas. A estimativa da produção foi de 1,7 milhão de toneladas, crescendo de 4,9% em relação ao mês anterior e de 18,7% em relação a 2020. Isso de deve ao bom rendimento das lavouras. Em março, a produção do Rio Grande do Sul, responsável por 56,5% da safra nacional de uvas, foi reavaliada com crescimento de 8,5% em relação à estimativa anterior e de 29,2% frente a 2020, alcançando 950,2 mil toneladas.

“As condições de estiagem, combinadas com grande amplitude térmica diária, de dias quentes e noites frias, ocorridas no final da primavera e início do verão, não anteciparam o ciclo e foram muito favoráveis para a quantidade e a qualidade enológica das uvas precoces. O consumo de vinho durante a pandemia de Covid-19 cresceu bastante, reduzindo os estoques comercializáveis de uva. Mas as cooperativas do Rio Grande do Sul esperam recompor esses estoques durante o ano, bem como o estoque de passagem até a próxima colheita”, afirma Barradas.

Outras unidades produtoras também esperam crescimento da produção em relação a 2020, como Pernambuco (15,3%) e Bahia (8,9%), estados em que se localiza o Vale do São Francisco e que, junto com o Rio Grande do Sul, respondem por 82,6% da produção nacional de uva. Enquanto no Sul a maior parte das uvas tem como destino a produção de sucos, no Nordeste, a maior parte vai para o consumo de mesa.

Na informação do LSPA de março em relação à de fevereiro, destacaram-se as variações positivas nas produções de trigo (8,1% ou 541,6 mil toneladas), cevada (7,9% ou 31,3 mil toneladas), feijão de 1ª, 2ª e 3ª safra (0,8%, 5,0% e 1,7%, somando 77 mil toneladas), uva (4,9% ou 78,4 mil toneladas), sorgo (2,4% ou 67,5 mil toneladas), soja (1,1% ou 1,4 milhão de toneladas) e arroz (0,9% ou 100,3 mil toneladas). Porém, são esperados declínios na produção do milho de 1ª e 2ª safra (-1,5% e -0,1% ou 471,2 mil toneladas) e da aveia (-0,3% ou 2,5 mil toneladas).

As regiões Sul (13,7%), Sudeste (3,5%), Norte (1,4%) e Nordeste (3,3%) tiveram altas em suas estimativas. Já o Centro-Oeste, que é o maior produtor (45,5% do total), deve ter queda de 0,9%.

Implementado em novembro de 1972, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) fornece estimativas de área plantada, área colhida, quantidade produzida e rendimento médio de produtos selecionados com base em critérios de importância econômica e social para o país. A pesquisa permite não só o acompanhamento de cada cultura investigada, desde a fase de intenção de plantio até o final da colheita, no ano civil de referência, como também o prognóstico da safra do ano seguinte, para o qual é realizado o levantamento nos meses de outubro, novembro e dezembro.

Fonte: IBGE
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CONBRASUL/ASGAV

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