Suínos
“Profissionais estão prescrevendo medicamentos de forma incorreta, tratando doença inflamatória com antibiótico”, alerta médico-veterinário
palestrante falou sobre o uso eficiente dos antitérmicos, anti-inflamatórios e antibióticos, bem como a importância de um planejamento sanitário na suinocultura para atender premissas básicas para o sucesso de um bom programa sanitário.

Discorrer sobre o uso estratégico de medicamentos nas fases de creche e terminação dos suínos foi o objetivo do médico-veterinário, técnico da Abraves-PR, Everson Zotti, em palestra proferida durante o 17º Encontro Regional da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos Regional do Paraná (Abraves-PR), realizado em meados de março, em Toledo, PR. O palestrante falou sobre o uso eficiente dos antitérmicos, anti-inflamatórios e antibióticos, bem como a importância de um planejamento sanitário na suinocultura para atender premissas básicas para o sucesso de um bom programa sanitário e que deve abranger os cuidados com a microbiota, a imunidade do plantel, padronizar o programa medicamentoso, proporcionar uma nutrição de qualidade e buscar biosseguridade do plantel.

Everson Zotti, médico-veterinário, diretor técnico da Abraves-PR – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural
O palestrante iniciou a sua fala trazendo um questionamento sobre as metas da medicação de suínos. “Somente temos dois objetivos quando medicamos os suínos, o primeiro é evitar a morte e sofrimento dos animais e o segundo é proteger a saúde pública. Desta maneira, é preciso refletir se estamos fazendo isso com responsabilidade, pois ano após ano verificamos profissionais que estão prescrevendo medicamentos de forma incorreta, tratando doença inflamatória com antibiótico e esperando que o antibiótico faça milagres. Isso não está certo, precisamos valorizar a nossa profissão e cuidar dos animais de maneira ética e eficiente”, opinou.
A recomendação do médico-veterinário é manter um programa eficiente para evitar o sofrimento dos animais. “Como eu vou evitar a dor do animal sem dar o remédio correto? Isso não é possível, nós precisamos proteger a saúde pública fornecendo o remédio que realmente vai ajudar o suíno. É preciso lembrar que existem três formas para definir e usar os medicamentos: a ciência, a emoção e a ética. Ou seja, não podemos fazer aquilo que a intuição nos manda, mas sim buscar o que a ciência diz e que foi testado e comprovado”, recomendou.
Everton fez uma analogia comparando os suínos de creche com crianças pequenas, ressaltando que as características que induzem doenças nas crianças são as mesmas nos animais. “Suínos quietos, apáticos, sem alimentar-se bem são sinais de que estão doentes. Precisamos lembrar que os suínos jovens, assim como as crianças, precisam ser medicados e cuidados. Importante ficar atentos aos primeiros sinais de doença, sendo que uma das primeiras atitudes que devemos ter é verificar e monitorar a temperatura corporal dos animais, pois este monitoramento irá facilitar um diagnósticos e uma prescrição correta do remédio”, afirmou.
Cinco premissas básicas
O palestrante ressaltou as cinco premissas básicas para o sucesso de um programa sanitário, são elas: Cuidar da microbiota; Imunidade do plantel; Promover um programa medicamentoso (antitérmicos, anti-inflamatórios e antimicrobianos); Programa Nutricional e, por fim, Biosseguridade; “Há muito tempo Hipócrates, o pai da Medicina, já dizia que a saúde inicia pelos intestinos saudáveis, desta forma, hoje continuamos a verificar que a saúde da microbiota intestinal é fator decisivo para uma saúde de qualidade para os humanos e também para os animais”, ponderou.
Deste modo, é preciso fomentar a importância do nascimento de cada leitão, porque a formação de uma microbiota saudável é iniciada logo após o parto, quando o leitão ingere o colostro. “O contato com a mãe e a ingestão do colostro garantirá ao leitão não só energia, mas o início da formação da imunidade e de uma microbiota saudável, o que é muito importante. Entretanto, será que os leitões conseguem mamar na sua própria mãe? Acreditamos que muitos não e isso explica a alta porcentagem de leitões que são acometidos por rotavírus nas fases de maternidade e creche. Essa doença é terrível para leitões, porque ela destrói a microbiota e os intestinos, o que não favorece o fortalecimento da imunidade”, explicou.
De acordo com o médico-veterinário, essa baixa imunidade leva ao aparecimento de doenças que muitas vezes não são tratadas de forma eficaz. “Quando a microbiota não está bem formada isso influi na dificuldade de absorção dos alimentos, bem como os medicamentos, que em muitos casos são prescritos de fora equivocada, o que favorece o agravamento da doença. A diarreia é uma consequência frequente observada com o uso de antibióticos e há melhora dos sintomas acontece quando interrompemos o uso”, observou.
Entre os principais agentes de diarreia na maternidade, o palestrante destacou Rotavírius, E. coli e Coccidiose . “É preciso enaltecer que em muitos casos os leitões não morrem por conta do agente, mas sim porque a administração medicamentosa não foi bem sucedida. Em muitas situações a prescrição foi errada e em muitos outros a falha é verificada durante a administração dos remédios. Temos que lembrar que existem diferenças na prescrições dos medicamentos e que é muito importante fazer a aplicação daquilo que foi recomendado pelo médico-veterinário, lembrando que, às vezes, um ml a mais ou a menos pode comprometer a cura da doença e levar à lesões de pele, de orelha e até ao óbito do animal”, declarou.
Água de qualidade
Outro aspecto evidenciado pelo palestrante foi a importância da qualidade da água que é fornecida aos suínos, ressaltando que a cloração d’água, bem como a qualidade e a quantidade de água ingerida pelos animais, vai influenciar no tratamento e na saúde deles. “Quem de vocês bebe a água que é ofertada aos suínos? Pois bem, a água que eles bebem precisa ter o mesmo padrão de qualidade daquela que nós, seres humanos, consumimos. Outro ponto importante é analisar o percentual das granjas com caixas d’água para medicação que possuem tampa na caixa, agitador ou movimentador de água, sistema de drenagem, saída de tubulação no fundo da caixa e controle da entrada de água. Esses são itens básicos para fornecer um medicamento de forma estratégica e eficiente para o plantel”, observou.
Planejamento terapêutico na suinocultura
O planejamento terapêutico envolve o desenvolvimento imunitário do suíno, sendo que os procedimentos recomendados “com foco na imunidade” dos suínos incluem: o cuidado com a fase da maternidade, proporcionar a ingestão do colostro, a oferta de um a hidratação adequada e livre de patógenos, uma nutrição de qualidade, bom programa de vacinas, utilização de óleos essenciais, probióticos, prebióticos e o cuidado diário com cada leitão. “Quando ofertamos estas boas condições aos suínos podemos esperar que eles terão uma boa resposta imunológica e, consequentemente, menos doenças no plantel”, afirmou.
Zotti reforçou a importância da utilização dos termômetros como a ferramenta mais importante para definição de qualquer procedimento terapêutico. “Tudo precisa iniciar com o monitoramento da temperatura corporal, lembrando que o fluxograma da terapia medicamentosa deve ser trabalhado da seguinte forma: em casos de febre é necessário aplicar dipirona a cada 6-12 horas, quando os sintomas estiverem relacionados com dor e inflamação, a prescrição é aplicar anti-inflamatório 1 vez ao dia, os antibióticos devem ser administrados nos casos de infecção, e devem ser utilizados de forma bastante precisa, para evitar a recontaminação e a resistência ao fármaco. Façam a aplicação de forma correta e vocês irão se surpreender com a resposta positiva dos animais”, orientou.
O médico-veterinário também discorreu sobre a responsabilidade da escolha dos fármacos e das formas de aplicação. “Tanto a terapia oral quanto a parenteral podem ser bem sucedidas, cada médico-veterinário precisa fazer a prescrição, conforme o animal ou plantel específico. O que deve ficar claro também é que tudo vai depender da eficiência e do cuidado com a aplicação, uma vez que a administração de medicamentos de forma correta é que vai fazer a diferença na cura ou não do animal. É importante também prestar atenção na prescrição antimicrobiana, que envolve o peso, o consumo de água e ração. Esses dados precisam ser objetivos e confiáveis, não podem ser obtidos por meio do olhar do médico-veterinário ou do produtor”, enalteceu.
Dessa forma, o profissional reforça os critérios para estabelecer uma terapia antibacteriana, destacado que é preciso fazer um diagnóstico correto, identificando o agente, por meio de uma histologia, cultura, antibiograma, etc., bem como conhecer as características farmacocinéticas do antibacteriano, como a forma de absorção, distribuição, metabolismo e excreção, em como avaliar o tempo que será gasto com o tratamento e, por último, o custo financeiro do tratamento. “Entretanto o que vemos, na prática, é que na maioria dos casos, os médicos-veterinários e produtores estão atentos apenas às questões financeiras, o que acaba atrapalhando muito a eficiência nas prescrições e tratamentos médicos”, opinou.
O profissional encerrou enaltecendo que os produtores de suínos têm grandes oportunidades para melhorar a eficiência dos planteis, buscando programas que fortaleçam a microbiota intestinal, já que ela é a base para uma boa performance de saúde e imunidade. “Temos que lembrar que a imunidade se constrói e que ao padronizar o uso e fazer o dever de casa correto na prescrição e administração dos medicamentos só vai ajudar na promoção de hábitos e tratamentos que irão beneficiar o uso estratégico dos fármacos, uma vez que utilizar os remédios de forma correto e no momento certo é que vai ser a chave para o sucesso e a cura das doenças dos suínos. Médicos-veterinários precisam cooperar com os produtores rurais, sempre ancorados ao que a ciência preconiza”, finalizou.
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Suínos
Biosseguridade exige constância e disciplina para proteger a suinocultura brasileira
Especialista alerta, no Congresso da Abraves, que o avanço da produção e do comércio global amplia riscos sanitários e exige ações preventivas cada vez mais rigorosas.

A biosseguridade permanece como um dos pilares mais estratégicos da suinocultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva, concentração regional de granjas e ampliação dos fluxos comerciais globais.
A biosseguridade reúne um conjunto de práticas voltadas tanto à prevenção da entrada de agentes patogênicos nos sistemas produtivos quanto ao controle da disseminação de doenças já presentes nas granjas. Trata-se de um conceito que ultrapassa os limites da propriedade rural e se estende aos níveis regional, nacional e até global, diante da interconexão sanitária entre os principais países produtores de suínos. “A suinocultura mundial convive com desafios sanitários importantes e interligados. Mesmo países com status sanitário favorável para determinadas doenças não estão livres de riscos, o que reforça a necessidade de vigilância permanente e protocolos rigorosos de biosseguridade”, alertou o médico-veterinário especialista em Saúde e Produção Suína, Maurício Dutra, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Dados internacionais mostram que grandes produtores, como União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Vietnã e Brasil, enfrentam a circulação contínua de agentes como PED/TGE, influenza, PCV-2, Aujeszky e PRRS. No entanto, a Peste Suína Africana (PSA) figura como o maior desafio sanitário da atividade, após sua disseminação acelerada na Ásia a partir de 2018.
De acordo com Dutra, o setor não tem observado o surgimento de novos agentes etiológicos nas últimas décadas, mas sim um aumento expressivo na virulência e na capacidade de adaptação de patógenos já conhecidos, o que torna o controle mais complexo. “Os principais desafios continuam sendo enfermidades virais de elevado impacto econômico, seja pela ausência de vacinas efetivas, seja pela elevada letalidade. Isso justifica a adoção de ações efetivas de prevenção”, enfatizou.
Lições da Peste Suína Africana
Embora a PSA esteja ausente no Brasil há mais de 40 anos, o especialista ressaltou que o país pode e deve aprender com experiências internacionais e com seu próprio histórico. A enfermidade, descoberta em 1921 e endêmica na África, provocou três grandes ondas de disseminação global. Na segunda delas, nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil foi afetado após a introdução do vírus por restos de alimentos provenientes de voos internacionais. “A contaminação teve início em 1978, e o país só foi declarado livre em 1984, após perdas diretas estimadas em US$ 13 milhões, além de impactos sociais e econômicos expressivos, como falência de pequenos produtores, desemprego e queda de cerca de 40% no consumo de carne suína”, relembrou Dutra.

Foto: Ari Dias/AEN
O controle da doença, segundo ele, só foi possível com a adoção rigorosa de práticas de biosseguridade em duas fases distintas – emergencial e de erradicação, que deixaram como legado instrumentos ainda vigentes, como o monitoramento das Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e a regionalização sanitária para a Peste Suína Clássica.
Atualmente, mesmo com a existência de vacinas vivas contra a PSA, a baixa eficiência e o risco de reversão de virulência mantêm a biosseguridade como principal ferramenta de prevenção. Dutra destacou medidas como quarentena para animais de reposição, desinfecção adequada de caminhões, barreiras sanitárias com banho e troca de roupas e o controle rigoroso da entrada ilegal de produtos de origem animal no país.
PED e PRRS reforçam importância da prevenção
Outras enfermidades também reforçam o papel central da biosseguridade. A Diarréia Epidêmica Suína (PED), embora não seja nova, reemergiu com alta virulência após adaptação viral, causando mortalidade de até 100% em leitões lactantes sem imunização prévia. “Mesmo com vacinas disponíveis, a prevenção depende fortemente de cuidados com fômites, meios de transporte e contaminação alimentar”, explicou Dutra.

Já a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), confirmada laboratorialmente desde 1991, segue como uma das doenças de maior impacto econômico, com perdas estimadas entre USD 6,25 e USD 15,25 por animal vendido. Estratégias combinadas de vacinação, manejo e biosseguridade, incluindo práticas como McRebel, carregamento escalonado e uso de filtros de ar em regiões de alta densidade produtiva, têm mostrado resultados relevantes.
“A adoção integrada dessas medidas caracteriza a chamada ‘nova geração da biosseguridade’, que reduziu significativamente os surtos de PRRS nos Estados Unidos quando aplicada de forma completa”, ressaltou.
Desafios crescentes no Brasil
No contexto nacional, Dutra alertou para o aumento dos desafios sanitários nas últimas décadas, com a presença de influenza desde 2009, Doença de Aujeszky em 2011, cepas multirresistentes de Brachyspira, além do crescimento de casos de salmonelose, Senecavírus Tipo A, encefalomiocardite e diferentes genótipos de PCV-2.
Apesar disso, levantamentos indicam que ainda há espaço relevante para avanços na adoção plena das práticas de biosseguridade no país. “Essas práticas têm sido eficientes, mas a jornada é longa, árdua e contínua. Novos desafios surgem com cepas mais virulentas, reemergência de doenças e novas formas de transmissão”, afirmou.
Para Dutra, o fato de enfermidades como PSA, PED e PRRS ainda serem exóticas no Brasil representa uma oportunidade estratégica. “Temos o privilégio de aprender com os erros e acertos de outros países e agir de forma proativa e responsável, protegendo cada sistema de produção e a sustentabilidade da suinocultura brasileira”, concluiu.
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Suínos
ABCS aposta em campanha para impulsionar consumo de carne suína
Iniciativa busca ampliar demanda interna diante da pressão sobre preços e aumento da produção.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) decidiu lançar uma edição especial da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” como resposta estratégica ao atual cenário da suinocultura, marcado pelo aumento da produção, retração do consumo interno e pressão sobre os preços pagos ao produtor, apoiando assim os produtores em um cenário desafiador.
Apesar do bom desempenho das exportações em 2026, que cresceram expressivamente no primeiro trimestre, o volume exportado não tem sido suficiente para equilibrar o mercado doméstico. Isso ocorre porque o setor enfrenta dois fatores simultâneos: o aumento da produção e a retração do consumo interno. Essa combinação pressiona as cotações e impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo ações coordenadas para estimular a demanda dentro do país.

É nesse contexto que a ABCS antecipa a campanha “Bom de Preço, Bom de Prato”, apostando de forma rápida e certeira no fortalecimento do consumo interno como principal alavanca para reequilibrar o mercado. A iniciativa reforça ao consumidor brasileiro que a carne suína é uma proteína com excelente custo-benefício, acessível, versátil, saborosa e adequada ao dia a dia, buscando ampliar sua presença na mesa das famílias e, consequentemente, aumentar sua venda no pequeno, médio e grande varejo.
A edição especial da campanha intitulada “A melhor escolha do momento” tem início imediato e deve alcançar milhões de consumidores com ações coordenadas em todo o país. A estratégia está estruturada em três frentes principais: varejo, influência digital e mobilização da cadeia produtiva. No varejo, a iniciativa prevê materiais de ponto de venda e comunicação em loja, com foco em destacar o custo-benefício e a versatilidade da carne suína, incentivando a decisão de compra e o aumento do giro da proteína.
Já no ambiente digital, a campanha contará com conteúdos e vídeos produzidos em parceria com influenciadores, como o médico, Dr. Bruno Monteze, o nutricionista, Jefferson Jorge, a nutrichef, Clariana Colaço, e o chef de cozinha Jimmy Ogro, que juntos somam mais de 3 milhões de seguidores nas redes, ampliando o alcance da mensagem e aproximando o produto do cotidiano do consumidor.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira” – Foto: Divulgação/ABCS
A terceira frente envolve a ativação de toda a cadeia, com a disponibilização gratuita de materiais e conteúdos para o sistema ABCS os demais agentes da cadeia que queiram se juntar a força tarefa de promover o consumo, permitindo a replicação da campanha em diferentes regiões e ampliando sua escala nacional.
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com essa iniciativa, a ABCS reforça seu compromisso com o setor, mostrando ao produtor que está atenta ao cenário e atuando de forma proativa para enfrentar os desafios. “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira”, concluiu.
A ABCS realizou na última quarta-feira (22), uma reunião para entregar essa campanha e explicar a estratégia de utilização para todo o Sistema, contribuintes do FNDS e varejos parceiros, onde o presidente da ABCS, reforçou a importância da participação de todos para multiplicar a campanha, convocando os presentes para que a iniciativa chegue a todos os brasileiros.
A ABCS também aproveitou a ocasião para apresentar um panorama de mercado atual, para ajudar a explicar o momento que o setor tem vivido. Ao final, o presidente da Asemg, Donizetti Ferreira, parabenizou a ABCS pela campanha e reforçou a necessidade do engajamento de todos: “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar o consumo, é só nos dedicarmos a replicar o material”. Renato Spera, presidente da Asumas, concordou: “Achei fantástico. A campanha será crucial para atravessarmos a crise.” Iuri Pinheiro Machado, diretor executivo da Agigo também parabenizou a ABCS por acelerar essa campanha diante do momento atual, e da demanda dos suinocultores, segundo ele: “A crise sempre gera oportunidade, e essa é uma grande oportunidade para ganhar mais espaço no varejo pela competitividade da carne suína”, finalizou.
Suínos
Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno
Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.
Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA
No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.
Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA
Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo
Considerações finais
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.



