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Produtores de leite aguardam pagamento de R$ 20 milhões de indústrias

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Há 27 anos, o produtor Sérgio Käfer e a mulher Luciane acordam antes das 6 horas para começar a ordenha de dezenas de vacas criadas em Estrela, no Vale do Taquari. Com o dinheiro da venda do leite, recebido todo o fim do mês, após 30 dias de trabalho de domingo a domingo, o casal criou três filhos e estruturou a propriedade com equipamentos e galpões. Neste ano, pela primeira vez, pensaram em abandonar a atividade que sempre foi a principal renda da família.

O desânimo veio depois de entregarem leite durante 51 dias para a Promilk Laticínios, de Estrela, e não receberem nenhum real. Em agosto, a empresa chegou a pagar 33% do volume com a promessa de quitar o restante no mês seguinte. Em outubro, a Promilk parou de coletar leite e deixou quase cinco mil produtores gaúchos esperando pelo pagamento. Käfer, 52 anos, tem R$ 39,6 mil a receber.

Sem conseguir dormir, preocupado com contas a vencer e com financiamento feito neste ano para compra de um pulverizador, precisou tirar dinheiro da poupança e pedir ajuda a amigos. A última saída encontrada foi vender três das 37 vacas que tinha.

— Não sabia mais o que fazer. Não somos acostumados a ficar devendo para ninguém — lamenta o produtor.

Käfer passou a vender leite para a Promilk há dois anos, depois de ter problemas de atraso de pagamento da Pavlat, de Paverama. Na época, negociou o recebimento de R$ 7,2 mil em 12 vezes. Com uma produção de 630 litros de leite por dia, a atividade é a principal renda da propriedade, onde também trabalham a sogra Sueli Wolf, 72 anos, e a filha Tainá, 20 anos. Em área própria e arrendada, cultivam 35 hectares de milho usado na silagem.

O drama da família Käfer é semelhante ao vivido por pelo menos outros 7 mil dos 130 mil produtores gaúchos de leite, conforme a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag). São pecuaristas que entregaram a produção às empresas Promilk, Mondaí, LBR, Hollmann e Pavlat e não receberam. As dívidas passam de R$ 20 milhões.

— Infelizmente, não há lei que proteja o produtor. Ele produz, vende e não tem segurança — critica Rogério Heemann, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Estrela.

A crise no setor, a mais grave da história, é atribuída à descoberta de fraudes e adulterações do produto e às dificuldades financeiras de diferentes empresas do setor lácteo.

— Já tivemos problemas de pagamento em outras épocas, com o caso da Parmalat, por exemplo. Agora, a situação é mais grave, pois envolve um número maior de empresas e produtores prejudicados — avalia Airton Hochscheid, assessor de Política Agrícola da Fetag.

Devedoras na mira do Ministério Público

Das cinco empresas com débitos com produtores de leite, três foram alvo de investigação do Ministério Público — Hollmann, Pavlat e Mondaí. As indústrias foram acusadas de aceitar cargas de leite adulteradas com produtos químicos.

A Hollmann, com sede em Imigrante, e a Pavlat, de Paverama, tiveram seus proprietários presos em maio deste ano na quinta etapa da operação Leite Compen$ado. A fraude descoberta no Estado em 2013 teve desdobramentos em Santa Catarina, onde foram deflagradas operações em agosto deste ano. Uma das empresas envolvidas é a Laticínios Mondaí, que não pagou pelo menos 800 gaúchos desde então.

— Produtores da região noroeste do Estado vendiam a produção para a indústria catarinense, que interrompeu as atividades depois da operação, o que nos preocupa mais ainda — explica Cleonice Back, coordenadora-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS).

Como medida para socorrer os produtores, entidades representativas pedem um seguro diferenciado. A médio prazo, o setor quer buscar uma revisão da legislação brasileira sobre falência e recuperação judicial de empresas.

— Queremos incluir o produtor como credor preferencial. Hoje, ele é o último da fila para receber — reclama Airton Hochscheid, assessor de Política Agrícola da Fetag.

Pela legislação atual, a preferência para pagamento de débitos é de trabalhadores, impostos e tributos e garantias a instituições financeiras. Os produtores rurais entram na relação de demais credores.

Vale do Taquari é atingido em cheio por dívidas de indústrias

Com um terço da capacidade de processamento de leite instalada no Rio Grande do Sul, o Vale do Taquari foi atingido em cheio pela crise do setor. Das cinco empresas de laticínios que deixaram dívidas no campo, quatro — Promilk, Hollmann, Pavlat e LBR — têm unidades na região onde a pecuária leiteira envolve mais de 20 mil produtores e divide importância econômica com a criação de aves e suínos.

Hoje, os 36 municípios do Vale do Taquari produzem pouco mais de 358,8 milhões de litros por ano, o terceiro maior volume do Estado (atrás do Planalto Médio e do Noroeste). Todo a produção é entregue para indústrias e cooperativas da região, que têm capacidade para processar aproximadamente 6 milhões de litros por dia, de um total de 18 milhões de litros em todo o Rio Grande do Sul.

— Situações como essa (atraso no pagamento) refletem negativamente na atividade, podendo induzir jovens a deixar a propriedade e migrar para cidade em busca de emprego — aponta Ardêmio Heineck, diretor-executivo do Instituto Gaúcho do Leite (IGL).

Heineck coordenou, no início dos anos 2000, o programa que ajudou a fortalecer a atividade agropecuária na região. A iniciativa Repensando o Agro no Vale do Taquari, desenvolvida pela Univates em parceria com sindicatos de trabalhadores rurais e prefeituras, fomentou ações voltadas à sanidade, genética animal, organização da cadeia e gestão da propriedade.

— Desde então, a produtividade e o rebanho da região cresceram acima das médias estadual e nacional — assinala Heineck.

O polo do setor lácteo na região do Taquari é fomentado por empresas como a BRF (Teutônia), Cosuel (Arroio do Meio), Languiru (Teutônia), Tangará (Estrela) e LBR (Fazenda Vila Nova).

Leite é maior fonte de renda

Produtor em Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari, João Célio Konradh vendia a produção diária de 400 litros para a Pavlat, com sede em Paverama. Há quase dois anos, ficou sem receber pelo volume de um mês e acumulou R$ 7 mil em créditos. Diante da situação, foi orientado pelo transportador de leite a entregar a produção para a empresa Promilk, de Estrela. Ainda sem receber o dinheiro que já deveria ter sido pago anteriormente, viu o saldo saltar para R$ 25 mil neste ano depois de sofrer novo calote.

— A Promilk pagou apenas uma parte de agosto. Do leite entregue em setembro e uns dias de outubro não vimos a cor do dinheiro — lamenta Konradh, 49 anos, que teve de compremeter parte das economias para pagar as contas e a faculdade da filha.

Ao lado da mulher Lovani Konradh, 45 anos, o produtor trabalha com a atividade leiteira há 25 anos. Dos 36 animais, sendo 19 vacas em lactação, a família tira 90% da renda da propriedade, que tem ainda 12 hectares de milho e pastagem de azevém e aveia.

— É um dinheiro que a gente conta certo no fim do mês — diz o produtor, que passou a entregar a produção de leite para a Cosuel, de Encantado.

Nas regiões onde há mais de uma opção de venda, a escolha da indústria para entrega do leite muitas vezes é influencia pelos transportadores.

— A relação do produtor é mais direta com o transportador do que com a indústria — explica Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS).

Sobre as dívidas acumuladas com produtores pelas cinco empresas de laticínios, Palharini salienta que os casos mais críticos são daquelas que não têm patrimônio suficiente para cobrir a totalidade dos débitos:

— Nos outros casos, embora possa demorar um pouco, o produtor vai acabar recebendo — avalia Palharini.

O que dizem as empresas devedoras:

Promilk

A empresa alega que começou a atrasar o pagamento em agosto quando deixou de receber de três unidades da LBR, onde entregava parte do volume que recolhia. Conforme o advogado Jairo Cocconi, a Promilk tem R$ 11,1 milhões para receber da LBR. Segundo Cocconi, a maior parte das dívidas da empresa é com bancos. Os débitos no campo somam cerca de R$ 10,5 milhões e envolvem 3,5 mil produtores. O advogado salienta que a empresa tem patrimônio suficiente para pagar as dívidas e só entrou em recuperação judicial por ter sido vítima de inadimplência.

Laticínios Hollmann

No processo de recuperação judicial constam 587 produtores com valores a receber, somando R$ 2,3 milhões. O advogado Alexander Froemming diz que a empresa pretende negociar os débitos por meio da geração de recursos com o arrendamento da unidade e subsequente venda da indústria, conforme previsto no plano de recuperação. Ainda segundo o advogado, a empresa está retomando as atividades através de arrendamento da unidade.

Laticínios Mondaí

A empresa afirma que começou a atrasar pagamentos na segunda quinzena de agosto, após interdição das unidades pelo Ministério da Agricultura, dentro da operação Leite Adulterado. Conforme o advogado Antonio Paulo Bertani, a Mondaí tem débitos com 2,1 mil produtores no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, somando cerca de R$ 8 milhões em dívidas. Já foram ajuizadas em torno de 500 ações de cobrança. Os bens foram bloqueados pela Justiça. Segundo Bertani, não está descartada a possibilidade da empresa pedir recuperação judicial.

Pavlat

A empresa entrou com pedido de autofalência há duas semanas. Conforme o advogado da empresa, Telmo Antônio Salla, o pedido de recuperação judicial nem chegou a ser requerido diante das dificuldades acumuladas após a operação Leite Compen$ado, em maio deste ano. A partir de então, os credores deverão se habilitar para reaver os valores devidos dentro do processo de falência.

LBR

Procurada, a empresa não se manifestou.

Fonte: Zero Hora

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Importância da biosseguridade interna abre debates do 2º dia do 14º SBSS

Programação segue no período da tarde, a partir das 14 horas, com as palestras do Painel Sanidade.

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Nelson Morés abriu a programação de palestras desta quarta-feira - Fotos: Divulgação/Nucleovet

Limpeza e desinfecção das instalações das granjas são de extrema importância para garantir a biosseguridade na produção. Esse tema abriu a programação científica do segundo dia do 14º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). O evento, promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), acontece no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC), com transmissão on-line ao vivo. Paralelamente acontece a 13ª Brasil Sul Pig Fair.

Especialista abordou diversos aspectos em relação à limpeza das instalações

O médico-veterinário e consultor autônomo na área de sanidade de suínos, Nelson Morés, palestrou sobre “Biosseguridade: está na hora de parar com o ‘faz de conta’. Será que compreendemos o significado dos desafios sanitários? Uma visão de dentro da granja”. O especialista abordou diversos aspectos em relação à limpeza das instalações e reforçou a necessidade de todas as pessoas que trabalham na granja conhecerem os processos, saberem para que servem e sua importância. Morés explanou sobre a biosseguridade interna, ou seja, as medidas direcionadas a controlar a proliferação e disseminação de patógenos no rebanho. “A biosseguridade interna é o ponto mais importante para a redução no uso de antimicrobianos nas granjas”, frisou.

O palestrante explicou que os patógenos se disseminam pelo movimento de animais, dos funcionários, pelos equipamentos de uso interno e por vetores, como moscas e ratos. Para inativá-los, é preciso privá-los das necessidades básicas, ou seja, de alimentação, de água e de esconderijos. Para isso, a limpeza diária, com uso de detergente, desinfetantes e realização do vazio sanitário são ações fundamentais, além da drenagem e secagem das instalações. “Isso é essencial para baixar a pressão infectiva no ambiente”, destacou.

Morés enfatizou que os principais pontos relacionados à biosseguridade interna são a produção em lotes com vazio sanitário adequado; manter um bom sistema de limpeza e desinfecção das instalações; combate a insetos e roedores; fluxo de animais (“jamais retroceder”), fluxo de pessoas dentro dos galpões, salas e baias; uso de equipamentos compartilhados entre as salas; manejo de animais doentes; e a higiene diária das instalações.

Em todos esses processos podem acontecer falhas, que estão relacionadas a diversos fatores, como estrutura, desconhecimento técnico dos produtores, dosagem e volume incorretos do detergente e desinfetante, ausência ou uso inadequado de baias/sala hospital, entre outros. Por isso, é essencial treinar os funcionários sobre biosseguridade, a exemplo das rotas de eliminação e transmissão de patógenos, as condições ambientais para a sobrevivência dos agentes infecciosos e como as pessoas podem se tornar transmissores devido ao uso inadequado de equipamentos.

“A forma mais eficiente de manter a saúde dos animais é a quebra do ciclo de infecção e a redução da pressão infectiva. Também é preciso lembrar que a biosseguridade interna, juntamente com programa adequado de vacinação e controle de fatores de risco, são fundamentais para a manutenção da saúde dos rebanhos e para a utilização racional de antimicrobianos”, concluiu Morés.

Redução da pressão de infecção

Palestrante Anne Caroline de Lara explicou que um programa básico deve seguir as etapas de limpeza seca, limpeza úmida, desinfecção e vazio sanitário

Na sequência, a médica-veterinária, doutora Anne Caroline de Lara explanou sobre “Estratégias de redução da pressão de infecção em um sistema de produção: entendendo e aplicando programas de limpeza e desinfecção”. Ela frisou que a persistência dos agentes patogênicos está ligada a características de estabilidade e transmissão. “Considerando que muitas doenças são dose-dependende, quanto menor a exposição desses agentes aos animais, menor a probabilidade de doença clínica. Portanto, o correto manejo de ambiência e a redução da pressão de infecção são fatores importantes para que o animal possa desempenhar o melhor de seu potencial”, realçou.

Ela acrescentar que um programa básico de limpeza e desinfecção tem custo muito inferior quando comparado aos custos com tratamentos usando antimicrobianos, sem considerar o prejuízo com queda no desempenho zootécnico. “Também deve se considerar a demanda por redução do uso de antimicrobianos, por exigência de mercados e de consumidores”, complementou.

Anne explicou que um programa básico deve seguir as etapas de limpeza seca, limpeza úmida, desinfecção e vazio sanitário. A limpeza seca consiste em retirar resíduos mais grosseiros e na limpeza úmida deve-se utilizar água sob alta pressão e baixa vazão. O uso de detergentes é imprescindível para a remoção da matéria orgânica, incluindo os locais com mais difícil acesso, como superfícies mais porosas ou com defeitos, como rachaduras e frestas. A especialista enfatizou a importância de seguir a recomendação do fabricante com relação à dose de aplicação, concentração e tempo de contato de cada produto. Além disso, Anne observou que a qualidade da água utilizada interfere na ação do desinfetante.

Anne Caroline de Lara explanou sobre estratégias de redução da pressão de infecção

De acordo com a palestrante, o vazio sanitário tem o objetivo de complementar o processo de desinfecção. “Para que o vazio sanitário traga benefícios, todas as etapas anteriores devem ser realizadas com o máximo critério”, salientou, ao acrescentar que ao perceber problemas quanto a patógenos, é preciso reavaliar o processo, pois os programas devem ser completos e realizados com eficiência, incluindo limpeza, desinfecção, vazio sanitário e controle de vetores. “O ponto chave é a remoção da matéria orgânica e do biofilme”, reforçou, ao acrescentar que o treinamento das equipes para atender as premissas de um bom protocolo de limpeza e desinfecção é fundamental e que sempre surgem novas ferramentas, que devem ser associadas às medidas básicas.

Inscrições

As inscrições para o 14º SBSS estão no terceiro lote. O investimento é de R$ 600 (para o evento presencial) e R$ 500 (virtual) para profissionais e R$ 460 (presencial) e R$ 400 (virtual) para estudantes. Na compra de pacotes a partir de dez inscrições serão concedidos códigos-convites. Nessa modalidade há possibilidade de parcelamento em até três vezes.

O acesso para a 13ª Brasil Sul Pig Fair, que ocorre em paralelo ao 14º SBSS, é gratuito, tanto presencial quanto virtual. As inscrições ainda podem ser feitas pelo site www.nucleovet.com.br.

Somando forças

O 14º SBSS tem apoio da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV/SC), da Embrapa Suínos e Aves, da Prefeitura de Chapecó e da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc). O Jornal O Presente Rural é veículo de comunicação oficial do evento.

Programação Científica do 14º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura:

Quarta-feira (17)

Painel Sanidade (Jurij Sobestiansky)

14h às 14h40 – Peste Suína Africana: como está o cenário mundial atual?

Palestrante: Leandro Hackenhaar

14h45 às 16h – Mesa Redonda: Agentes respiratórios? Estamos dando a real importância aos diagnósticos?

Palestrantes: Danielle Gava, David Barcellos e Karine Takeuti

Moderador: Geraldo Alberton

16h às 16h20 – Intervalo

16h20 às 17h – Estratégias de diagnóstico e controle de meningite estreptocócica: como enfrentar este agente e sua diversidade antigênica?

Palestrante: Rafael Frandoloso

17h05 às 17h45 – Resistência bacteriana: uma pandemia silenciosa!

Palestrante: Jalusa Deon Kich

17h45 às 18h05 – Questionamentos

18h15 às 19h15 – Evento Paralelo Zoetis

19h15 – Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-feira (18)

Painel Nutrição e Reprodução

08h às 08h40 – Efeito da matéria-prima no desempenho e saúde intestinal dos suínos

Palestrante: Gabriel Cipriano Rocha

08h45 às 09h25 – Imunonutrição: como manejar a imunidade através da nutrição

Palestrante: Breno Castelo Beirão

09h25 às 09h45 – Questionamentos

09h45 às 10h05 – Intervalo

10h05 às 10h45 – Perdas reprodutivas na produção de suínos: diagnóstico situacional e alternativas de correção

Palestrante: Rafael Ulguim

10h50 à 11h30 – Prolapsos uterinos: fatores predisponentes e abordagem para o controle

Palestrante: Augusto Heck

11h30 às 11h50 – Questionamentos

12h – Sorteios e encerramento

Fonte: Ascom Nucleovet
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Notícias Palestra de abertura

Amyr Klink compartilha experiências e lições de superação no 14º SBSS

O 14º SBSS é realizado em formato híbrido, com transmissão também on-line, ao vivo. Reconhecido como um dos principais fóruns de discussão do setor na América Latina, o evento vai até esta quinta-feira (18).

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Criar soluções para vencer desafios com criatividade foi o tema da palestra de abertura do 14º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), na terça-feira (16), no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC). O navegador e escritor Amyr Klink compartilhou suas experiências de viagens ao redor do mundo com o público e trouxe lições de superação.

O 14º SBSS é realizado em formato híbrido, com transmissão também on-line, ao vivo. Reconhecido como um dos principais fóruns de discussão do setor na América Latina, o evento vai até esta quinta-feira (18).

Navegador e escritor Amyr Klink palestra na abertura do 14º SBSS – Fotos: Divulgação/Nucleovet

Amyr ficou conhecido por suas expedições marítimas. Carrega no currículo mais de 2,5 mil palestras proferidas no Brasil e no exterior. Dos relatos de viagem, relembra de todos os obstáculos e aprendizados que conduziram sua jornada. Em 1984, ele partiu da Namíbia, no Sudoeste da África, em seu primeiro grande desafio: atravessar o Oceano Atlântico a remo.

Na época, ele se planejou muito e analisou com afinco várias empreitadas como a que estava prestes a embarcar para garantir o sucesso da sua viagem. “Gosto de aprender com exemplos de fracasso, não só de sucesso. Vi que todas as tentativas que falharam não haviam fracassado por causa das ondas, das tempestades, da falta de GPS, mas por erros de planejamento que teriam solução, como erros de estratégia, de uma dieta balanceada, de higiene, e então me encantei com as falhas. Percebi que para cada problema havia uma solução simples, era só alinhar as soluções, e foi assim que comecei a desenhar uma rota no Atlântico Sul e comecei a construir meu barquinho”.

Os desafios na construção foram inúmeros e Amyr dedicou anos para construir um barco que desse conta da travessia. “Você tem que dormir com o problema, abraçar o problema, o problema faz parte do teu desafio”.

Navegador e escritor Amyr Klink: “Gosto de aprender com exemplos de fracasso, não só de sucesso”

No bate-papo com os congressistas, ele recordou o medo que passou na viagem, mas principalmente o prazer de sair do mundo da intenção, de uma viagem que havia idealizado tanto, e entrar no mundo da ação. “Essa sensação, de finalmente ser um protagonista de um plano de dois anos, foi extremamente gratificante e acho que todos aqui passam por isso quando entregam um lote, cumprem uma meta. As primeiras semanas da viagem foram muito duras, mas aos poucos, com paciência, descobri que tudo aquilo que fizemos ontem, amanhã podemos fazer melhor. É essa a necessidade intrínseca de evoluir que nos diferencia dos animais. Sempre é possível incrementar o desempenho e ninguém sabe melhor disso do que as pessoas que estão aqui neste evento”.

Hoje, ele faz barcos que são referência no mundo todo. Misturando conhecimento acadêmico com as experiências práticas de quem vive no mar, construiu embarcações que carregam a simplicidade como diferencial. Soluções simples, mas complexas de serem alcançadas. “Cada um de nós sempre tem um exército de fornecedores invisíveis, provedores invisíveis e nunca paramos pra prestar atenção em quem são eles. Essa é a beleza de pertencer a uma comunidade, a uma instituição. O ser humano faz coisas incríveis por ter a capacidade de aprender com os erros, de ser mais eficiente, mais criativo e o fato é que só somos criativos quando temos uma crise batendo a porta. É nesse momento que colocamos em prática a busca por soluções”.

Amyr ainda deu uma lição sobre o tempo. “Vocês são líderes de um segmento extremamente competitivo no mundo, mas não podem perder tempo, o tempo passa rápido e a gente não recupera o tempo que passou”.

De todas as expedições que percorreu pelo mundo, todos os países que já conheceu, tem orgulho de contar que sempre levou consigo a bandeira do Brasil hasteada. E destacou que precisamos valorizar o que produzimos nacionalmente. “Nós tendemos a não valorizar as coisas fantásticas que a gente faz aqui, mas é um orgulho genuíno o reconhecimento ao trabalho que vocês fazem aqui, que é reconhecido e visto como referência no mundo”, pontuou.

Solenidade de abertura

Presidente do Nucleovet, Lucas Piroca, durante a cerimônia de abertura frisou o esforço conjunto para a realização do 14º SBSS

A palestra de Amyr Klink, patrocinada pela Farmabase, marcou a abertura oficial do 14º SBSS. Na solenidade, o presidente do Nucleovet, Lucas Piroca, destacou o lançamento da campanha do selo “Coma Mais Carne Suína”, para incentivar o consumo dessa proteína. Nos dias de simpósio, inclusive, em todos os coquetéis servidos haverá alimentos que têm como base a carne suína.

Lucas fez um agradecimento a todos os fornecedores, parceiros, associados e congressistas que tornam possível o evento. “Essa soma de esforços permitiu que nós tivéssemos esse momento de conexão e de troca. Queremos fazer nossa parte para permitir com que nosso setor siga evoluindo,” encerrou.

Na mesa de honra, também se pronunciaram a vice-governadora do estado de Santa Catarina, Daniela Reinehr, o secretário de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, Ricardo Miotto Ternus, representando o governador Carlos Moisés, o diretor de Desenvolvimento Econômico de Chapecó, Élio Cella, representando o prefeito João Rodrigues, e o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

Parte do valor das inscrições foi doado para HRO e AVHRO

Doação

A cada simpósio, o Nucleovet doa parte do valor das inscrições pagas para entidades locais. Nesta edição do SBSS, as entidades contempladas foram o Hospital Regional do Oeste (HRO) e a Associação de Voluntários do HRO (AVHRO). O presidente do Nucleovet entregou um cheque simbólico à presidente a AVHRO, Édia Lago, e à voluntária Odila Moretto Folle.

Scrapbook

Ainda durante a solenidade, foi lançada a versão virtual do scrapbook que resgata a história do Nucleovet e marca a comemoração aos 50 anos da entidade, com pronunciamento do autor da obra, o jornalista Julmir Ceccon.

Oinc Music Brasil Sul

Atração musical embalou coquetel de abertura

Para encerrar a noite, o coquetel de abertura da 14ª edição do SBSS contou com o Oinc Music Brasil Sul, um momento de confraternização, apresentações musicais e espaço para os congressistas se apresentarem junto com a banda.

Inscrições

As inscrições para o 14º SBSS estão no terceiro lote. O investimento é de R$ 600 (para o evento presencial) e R$ 500 (virtual) para profissionais e R$ 460 (presencial) e R$ 400 (virtual) para estudantes. Na compra de pacotes a partir de dez inscrições serão concedidos códigos-convites. Nessa modalidade há possibilidade de parcelamento em até três vezes.

O acesso para a 13ª Brasil Sul Pig Fair, que ocorre em paralelo ao 14º SBSS, é gratuito, tanto presencial quanto virtual. As inscrições ainda podem ser feitas pelo site www.nucleovet.com.br.

Somando forças

O 14º SBSS tem apoio da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV/SC), da Embrapa Suínos e Aves, da Prefeitura de Chapecó e da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc). O Jornal O Presente Rural é veículo de comunicação oficial do evento.

Programação Científica do 14º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura:

Quarta-feira (17)

Painel Biosseguridade

08h às 08h40 – Biosseguridade: está na hora de parar com o “faz de conta”. Será que compreendemos o significado dos desafios sanitários? Uma visão de dentro da granja

Palestrante: Nelson Morés

08h45 às 09h25 – Estratégias de redução da pressão de infecção em um sistema de produção: entendendo e aplicando programas de limpeza e desinfecção

Palestrante: Anne Caroline De Lara

09h25 às 09h45 – Questionamentos

09h45 às 10h05 – Intervalo

Painel Gestão da Informação

10h05 às 10h45 – Gestão em tempos de crise: cortar custos sempre é a melhor solução?

Palestrante: Iuri Pinheiro Machado

10h50 às 11h30 – Tomada de decisão baseada em dados: experiência norte-americana na análise de informações em banco de dados de diagnósticos na suinocultura

Palestrante: Daniel Linhares

11h30 às 11h50: Questionamentos

11h50 às 14h – Intervalo para almoço

12h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade (Jurij Sobestiansky)

14h às 14h40 – Peste Suína Africana: como está o cenário mundial atual?

Palestrante: Leandro Hackenhaar

14h45 às 16h – Mesa Redonda: Agentes respiratórios? Estamos dando a real importância aos diagnósticos?

Palestrantes: Danielle Gava, David Barcellos e Karine Takeuti

Moderador: Geraldo Alberton

16h às 16h20 – Intervalo

16h20 às 17h – Estratégias de diagnóstico e controle de meningite estreptocócica: como enfrentar este agente e sua diversidade antigênica?

Palestrante: Rafael Frandoloso

17h05 às 17h45 – Resistência bacteriana: uma pandemia silenciosa!

Palestrante: Jalusa Deon Kich

17h45 às 18h05 – Questionamentos

18h15 às 19h15 – Evento Paralelo Zoetis

19h15 – Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-feira (18)

Painel Nutrição e Reprodução

08h às 08h40 – Efeito da matéria-prima no desempenho e saúde intestinal dos suínos

Palestrante: Gabriel Cipriano Rocha

08h45 às 09h25 – Imunonutrição: como manejar a imunidade através da nutrição

Palestrante: Breno Castelo Beirão

09h25 às 09h45 – Questionamentos

09h45 às 10h05 – Intervalo

10h05 às 10h45 – Perdas reprodutivas na produção de suínos: diagnóstico situacional e alternativas de correção

Palestrante: Rafael Ulguim

10h50 à 11h30 – Prolapsos uterinos: fatores predisponentes e abordagem para o controle

Palestrante: Augusto Heck

11h30 às 11h50 – Questionamentos

12h – Sorteios e encerramento

Fonte: Ascom Nucleovet
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Notícias Agosto/Setembro

Nova edição de Bovinos, Grãos e Máquinas está disponível na versão digital

Material traz uma série de reportagens sobre o agronegócio brasileiro, evidencia os atuais alvos do melhoramento genético para bovinos, análises de mercado e muito mais.

Publicado em

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A edição de agosto/setembro de Bovinos, Grãos e Máquinas do Jornal O Presente Rural já está disponível na versão digital, com acesso gratuito. Na capa destacamos como a carne de melhor qualidade e sustentabilidade ambiental são alvos atuais da genética bovina e, ainda, a queda na oferta de 10 milhões de litros/dia eleva preços e traz esperança a produtores de leite.

Também trazemos uma série de reportagens sobre os temas debatidos no 26º Seminário Nacional de Criadores e Pesquisadores da ANCP e no 21º Congresso Brasileiro do Agronegócio.

Ademais, você ainda confere nesta edição uma análise do primeiro semestre e as perspectivas para os próximos meses sobre o mercado de grãos e da pecuária de corte e de leite, realizada por consultorias especializadas.

Há ainda artigos técnicos escritos por profissionais de renome do setor falando sobre saúde animal, bem-estar e as novas tecnologias existentes no mercado.

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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