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Suínos / Peixes

Perdas gestacionais em matrizes suínas

A compreensão da etiologia, sintomas, lesões fetais, aliados aos métodos de diagnóstico, são cruciais para o controle e prevenção destas afecções.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Perdas gestacionais em suínos podem ser atribuídas a fatores infecciosos e não infecciosos. As taxas de abortamento no Brasil variam de 1% a 2,5%, e diversos patógenos, como Circovírus Suíno, Parvovírus, Leptospira sp., Brucella suis, entre outros, podem causar distúrbios reprodutivos, assim como fatores não infecciosos incluindo ingestão de micotoxinas, nutrição inadequada, genética, altas temperaturas e manejo inadequado.

A compreensão da etiologia, sintomas, lesões fetais, aliados aos métodos de diagnóstico, são cruciais para o controle e prevenção destas afecções.

Neste artigo serão abordadas algumas das causas de perdas gestacionais envolvendo etiologias não-infecciosas e infecciosas.

Causas não infecciosas

Micotoxinas:

As micotoxinas são metabólitos tóxicos produzidos por fungos em grãos e cereais usados na alimentação animal, sendo a zearalenona, alcaloides do ergot e tricotecenos mais rejudiciais para suínos. A zearalenona é originária de fungos Fusarium, e atua como o estrógeno, causando efeitos hiperestrogênicos que levam à morte embrionária, abortos, natimortos e malformações em leitões. Alcaloides do Ergot são produzidos por fungos do gênero Claviceps, e causam agalaxia em matrizes, impactando a lactação e levando a problemas de saúde neonatal. Tricotecenos são produzidos por vários fungos, incluindo Fusarium, Stachybotrys e outros, podem causar degeneração ovariana, atrofia uterina, abortos, redução de peso fetal e problemas de ossificação em leitões.

Estresse calórico e Sazonalidade:

As raças suínas utilizadas no Brasil são pouco adaptadas ao clima tropical, o que pode refletir na reprodução devido ao estresse calórico e fotoperíodos prolongados. A infertilidade de verão pode estar relacionada à interrupção precoce da gestação, possivelmente devido ao reconhecimento materno inadequado. Estudos mostraram que o calor afeta negativamente o papel do corpo lúteo na secreção de progesterona e no desenvolvimento embrionário, mas a relação exata permanece incerta.
Mudanças no fotoperíodo entre as estações têm impactos negativos, como aumento nos retornos irregulares ao estro, abortos e redução no tamanho das leitegadas. A redução do fotoperíodo afeta a síntese de melatonina, diminuindo a liberação de GnRH, LH e progesterona, prejudicando o desenvolvimento embrionário e a manutenção da gestação.

Efeito da nutrição e do escore corporal:

O desempenho reprodutivo das matrizes suínas está diretamente ligado à sua nutrição. A alimentação com aminoácidos, vitaminas, minerais e outros nutrientes é essencial para o ambiente intrauterino, e deficiências desses nutrientes podem levar ao crescimento retardado do feto.
A condição corporal das matrizes no momento da cobertura também é crítica para o desempenho reprodutivo. Porcas que passam por restrição alimentar na última semana de lactação têm uma taxa de sobrevivência embrionária reduzida. Estudos mostraram que uma menor espessura de toucinho nas fêmeas no final da gestação está relacionada a um maior número de natimortos. Portanto, é importante evitar a perda de gordura durante a lactação para obter bons resultados reprodutivos após o desmame.

Causas infecciosas

Parvovirose Suína:

Fetos mumificados de tamanhos variados, indicando morte fetal em momentos diferentes – Foto: Mariela Aparecia Claro Martines

A parvovirose suína afeta principalmente marrãs e resulta na mumificação de fetos. Ela é causada pelo parvovírus suíno (PPV), que é resistente ao ambiente e endêmico na maioria das granjas. A infecção do feto ocorre via fluídos corporais, replicação nos tecidos placentários ou células do sistema imune. Se a infecção ocorrer antes de 30 dias de gestação, pode causar morte embrionária e retorno irregular ao estro. Entre 30 e 70 dias de gestação, pode levar à morte fetal e mumificação, mas a transmissão se dá de forma lenta entre os fetos, fazendo com que seja possível o nascimento de leitões saudáveis juntamente com os mumificados. Após 70 dias, o sistema imunológico fetal é capaz de combater o vírus. A vacinação de matrizes é importante para prevenção da infecção.

Circovirose Suína:

O circovírus suíno (PCV) é um vírus que pertence à família Circoviridae, sendo o PCV2 e PCV3 os mais ligados a perdas reprodutivas em suínos. Esses vírus estão associados a outras doenças reprodutivas, e podem infectar embriões suínos, levando a morte embrionária e retorno ao estro. Pelo menos três critérios devem ser considerados para o diagnóstico de PCV: 1) abortos tardios e natimortos, às vezes com hipertrofia evidente do coração fetal; 2) presença de lesões cardíacas caracterizadas por extensa miocardite fibrosante e/ou necrotizante; 3) presença de grandes quantidades de PCV2 em lesões miocárdicas e outros tecidos fetais. A vacinação de matrizes é recomendada para prevenir a infecção em leitões e evitar perdas reprodutivas.

Leptospirose:

A leptospirose em suínos gera impactos econômicos e sanitários significativos, por se tratar também de uma zoonose, é causada por diferentes sorovares de Leptospira, sendo os mais importantes para suínos o Pomona e o Bratislava. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com a urina de animais infectados, especialmente de ratos. A infecção intrauterina pode ocorrer durante a fase de bacteremia após a infecção, resultando em abortos, natimortos e doenças neonatais, principalmente quando a infecção ocorre na última metade da gestação. O controle da doença envolve vacinação de animais reprodutores, controle de vetores e tratamento dos suínos afetados.

Brucelose:

Leitões natimortos, etiologia desconhecida – Foto: Mariela Aparecia Claro Martines

A brucelose em suínos, causada principalmente pela Brucella suis, é uma doença com potencial zoonótico. A transmissão ocorre pelo contato direto com suínos infectados, fetos contaminados, membranas fetais, corrimento ou via venérea. A capacidade de Brucella spp. de invadir, sobreviver e proliferar em macrófagos e trofoblastos placentários é essencial para a infecção.

A infecção no início da gestação leva à morte embrionária com retorno irregular ao estro, enquanto a infecção no final da gestação resulta em aborto, fetos de vários tamanhos, natimortos ou leitões nascidos vivos infectados e com baixa vitalidade. Não existe vacina disponível, portanto, a prevenção depende de medidas rigorosas de biossegurança.

Doença de Aujeszky:

Doença causada pelo Herpesvírus Suíno Tipo I, que tem o suíno como hospedeiro natural e reservatório. Pode causar doenças neurológicas, respiratórias, além de perdas reprodutivas. A infecção começa nas células epiteliais da mucosa nasal e orofaríngea, espalhando-se para os neurônios do sistema nervoso periférico. Também pode se disseminar para o útero, onde causa vasculite e trombose, levando a abortos. Os sinais clínicos em matrizes variam de acordo com a fase da gestação e incluem morte embrionária, reabsorção fetal, fetos mumificados, aborto, natimortos, sintomas respiratórios e febre. A vacinação é fundamental para o controle e prevenção da doença e de perdas econômicas.

Peste Suína Clássica (PSC):

Marina L. Mechler Dreibi – Foto: Divulgação/Ourofino

Causada por um Pestivírus que acomete suínos domésticos e suídeos selvagens, a doença é altamente contagiosa e de notificação obrigatória no Brasil e pela OIE devido à sua importância econômica. O Brasil tem uma zona livre de PSC que abrange grande parte da produção de suínos, mas há surtos limitados em estados das regiões Norte e Nordeste.

Feto mumificado, etiologia desconhecida – Foto: Arquivo pessoal do autor

A transmissão ocorre por via oral ou nasal, com replicação nas tonsilas, linfonodos regionais e em outros órgãos. O vírus pode atravessar a barreira placentária e afetar fetos em qualquer fase da gestação, ocasionando retorno ao estro, aborto, mumificação fetal, natimortos e malformações congênitas. A vacinação é permitida apenas em países ou áreas não livres de PSC e sua implementação depende da situação epidemiológica e econômica local.

Conclusão
A gestação em suínos pode ser acometida por doenças infecciosas e não infecciosas, que, em geral, levam ao retorno ao estro, abortos, natimortos, mumificados e leitões fracos. Além do impacto reprodutivo, é importante ter em mente que essas doenças também estão associadas a perdas econômicas devido aos dias extras não produtivos de porcas e marrãs no rebanho.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

 

Fonte: Por Marina L. Mechler Dreibi, médica-veterinária, mestra e doutora com ênfase em Sanidade de Suínos Pesquisadora P&D Desenvolvimento Bioanalítico na Ourofino Saúde Animal

Suínos / Peixes

Especialista alerta para três pontos críticos no carregamento e transporte de suínos

O bem-estar animal é tema fundamental na indústria agropecuária, uma preocupação compartilhada por 183 países signatários da OIE. O médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, doutor em Bem-estar Animal, professor, autor e consultor, Cleandro Pazinato Dias, destaca a importância de entender como os animais lidam com seu ambiente e como isso afeta seu quadro.

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Fotos: Shutterstock

O médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, doutor em Bem-estar Animal, professor, autor e consultor Cleandro Pazinato Dias compartilhou suas experiências com especialistas e profissionais do setor suinícola, durante o Encontro Regional da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves). O encontro aconteceu em Toledo, no Paraná.

O bem-estar animal é tema fundamental na indústria agropecuária, uma preocupação, segundo Dias, compartilhada por 183 países signatários da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Ele destaca a importância de entender como os animais lidam com seu ambiente e como isso afeta seu quadro. “O conceito de bem-estar animal é central para a OIE e para a comunidade internacional. Trata-se de garantir que os animais estejam saudáveis, confortáveis, bem alimentados, seguros e livres de dor, medo ou angústia”, iniciou. Para o palestrante, “a vida dos animais está em harmonia quando todas essas condições são atendidas”.

médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, doutor em Bem-estar Animal, professor, autor e consultor Cleandro Pazinato: “O conceito de bem-estar animal é central para a OIE e para a comunidade internacional” Dias – Foto: Francieli Baumgarten

Entretanto, Cleandro Dias ressalta que, muitas vezes, apesar de todo o cuidado prévio, o momento do carregamento e transporte dos animais pode comprometer todo o trabalho realizado em onze meses. “Esse processo apresenta uma série de estressores que podem impactar negativamente o bem-estar dos animais”. Ele detalha os principais desafios encontrados nessa fase e, um dos primeiros estressores destacados é a mistura de suínos não familiares. “Quando suínos de diferentes grupos são reunidos durante o transporte, isso pode levar a brigas devido à necessidade de estabelecer uma nova hierarquia social”.

Manejo

Outro ponto crítico mencionado pelo profissional é o uso inadequado de métodos e objetos de manejo, como o choque elétrico, que pode causar estresse nos animais e é proibido no Brasil. “Aproveito a oportunidade para destacar que é proibido conduzir suínos em granjas ou em transporte utilizando choque elétrico ou o sistema de caneta elétrica”, frisa. Além disso, Cleandro aponta deficiências estruturais nas instalações de transporte, como o uso de baias de expedição ou de transbordo. “Em alguns locais, aqui no Brasil, ou em algumas situações são utilizados esse tipo de instalação, onde você reúne os animais numa baia, prévia ao embarque. Se isso for feito também de uma maneira inadequada, perdemos boa parte do trabalho que foi feito antes. Algumas unidades brasileiras estão cogitando ainda novos projetos utilizando esse esquema. Existe uma forma de fazer que reduz o estresse”, relata.

A inexperiência ou falta de treinamento dos manejadores também foi uma circunstância considerável apontada pelo palestrante. “Se as pessoas que fazem o trabalho não sabem como fazê-lo corretamente, já se tem um ponto crítico que está fora de controle. Carregar suínos, embarcar e transportar exige muito jeito e não é complexo. É simples, mas tem que ser feito de uma maneira cuidadosa para que o animal não se estresse”, aponta Dias.

Outro aspecto destacado por Dias é a importância da composição adequada das equipes envolvidas no transporte de suínos. Desde os produtores até os transportadores, passando pelos funcionários e equipes especializadas, cada membro desempenha um papel fundamental na garantia do bem-estar dos animais. “Precisamos olhar para as pessoas que estão fazendo esse trabalho com o carinho e respeito que elas merecem, se não, teremos dificuldades em reverter os resultados ruins que temos nessa fase”, observa.

Deficiências estruturais

Deficiências estruturais, como nas instalações do caminhão, corredor, rampa ou pátio, também são citadas por Dias como fatores estressores para os suínos. “Todas essas instalações que estão nesse fluxo dos

animais podem interferir no bem-estar deles e nas perdas que nós temos. Então, precisam estar em boas condições e serem desenhadas dentro de um layout que seja favorável à condução e ao transporte de animais. Quero deixar bem claro que são pontos críticos em termos de infraestrutura: o local onde o animal embarca, a conexão dele com o veículo de transporte e, também, o local onde o veículo transita dentro da propriedade rural, para que ele possa ter uma boa acoplação”, exemplifica.

Transporte

O professor acrescenta ainda que condução inadequada do veículo, estradas em más condições, microclima do caminhão e más condições ambientais também são fatores que precisam ser observados para evitar o estresse dos suínos durante o carregamento e transporte. “Os animais sofrem muito, de dor, de calor. Um dia que apresenta 30º C de temperatura, por exemplo, é um dia inadequado para transportar suínos. Independente da categoria, precisamos de veículos que sejam semi climatizados ou climatizados”, reforça. “Não podemos eliminar esses estressores, mas podemos tentar reduzir ou mitigar o impacto deles, para que essa viagem, esse carregamento, seja menos traumático possível”, complementa o médico veterinário.

“Muitas vezes, durante a viagem, o suíno tem sede, fome, tem calor e tudo isso faz com que ele tenha algum tipo de situação que o leva a ter desconforto, frustração ou fadiga”, cita o especialista. “Importante ressaltar que a superestimulação sensorial – ruídos, odores desconhecidos, luzes, variações abruptas de velocidade, oscilações térmicas, vibrações do veículo, tudo isso vai estressando o suíno”, salienta o doutor em Bem-estar Animal.

Reforçando pontos críticos

Durante a palestra, Cleandro reforçou os três pontos que ele considera mais críticos na etapa de carregamento e transporte de animais. “O primeiro deles é o manejo inadequado, que vai provocar o estresse de manejo e, para prevenir, é necessário treinamento e capacitação das pessoas para que elas saibam como devem trabalhar, carregar os animais e transportá-los”, especifica. “O segundo ponto são as altas temperaturas, que causam ao animal o estresse térmico, que pode ser evitado não realizando carregamento em horas de calor. O outro ponto importante é a questão das instalações. Novamente menciono a superestimulação sensorial e, nesse momento, a manutenção das instalações é um ponto crítico”. Segundo Cleandro, “é sempre válido lembrar que atraso no embarque ou desembarque é um risco que pode aumentar as consequências negativas do bem-estar”, ampliou.

Categorização dos animais

Ele também chama atenção para a categorização dos animais transportados e a importância de prepará-los adequadamente para a viagem, incluindo períodos de jejum específicos de acordo com as características individuais. “Categorizamos o transporte por peso, idade, destino, por característica de veículo que vai transportar. É muito útil essa especialização dos transportes que a agroindústria faz”. O consultor detalha que “as categorias são divididas em cinco: leitões desmamados, leitões descrechados, descartes (porcas e cachaços), abate, reprodução”. E acrescenta: “o jejum pré-estabelecido, o mínimo para os reprodutores é de 10 horas, e as outras categorias, no mínimo, 5 horas. Claro que cada agroindústria tem a sua regra, mas isso é o que tem escrito na ciência”.

Empatia

Cleandro lembra a importância de preparar adequadamente os animais para a viagem, a fim de evitar situações inapropriadas. “Se não melhorarmos a forma como carregamos e transportamos os suínos, a situação só tende a piorar, pois os animais estão se tornando cada vez mais sensíveis. Precisamos agir com responsabilidade e empatia para garantir o bem-estar desses animais”, disse o palestrante em sua mensagem final.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Pesquisa da Embrapa desenvolve salsicha, patê e apresuntado de tilápia

Perda na cadeia produtiva do pescado chega a 35%, o dobro do que é perdido na carne bovina, segundo dados da FAO. As pesquisas para aproveitamento do pescado integram o BRS Aqua, uma rede com mais de 240 integrantes da Embrapa, e mais de 60 parceiros, entre públicos e privados.

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Os novos produtos agregam valor á cadeia produtiva do pescado. Na foto, apresuntado de tilápia - Foto: Ângela Aparecida Lemos Furtado

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos desenvolveram produtos alimentícios usando tilápia (Oreochromis niloticus), o peixe mais cultivado no País, que podem agregar valor a essa cadeia produtiva: hidrolisado proteico, salsicha com fibra de abacaxi e patê com fibra de abacaxi e embutido de carne tipo apresuntado. A Embrapa procura parceiros privados para levar os produtos ao mercado consumidor.

O trabalho ainda procura aproveitar resíduos da produção, dando sustentabilidade e evitando desperdícios. A cadeia do pescado gera grande volume de resíduos e tem seu crescimento associado a um possível problema ambiental. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a perda na cadeia produtiva do pescado chega a 35%, o que representa o dobro do que é perdido na carne bovina.

Fotos: Tomas May

Em outra frente, a Embrapa Agroindústria Tropical (CE) vem atuando no desenvolvimento de hidrogéis e nanoemulsões a partir da gelatina de tilápia, produtos que podem ser utilizados, pela indústria biomédica, como biocurativos, e também pela indústria de cosméticos. O pesquisador Men de Sá Moreira explica que os produtos apresentam propriedades antioxidantes e potencial de aplicação tópica.

Para se ter uma ideia do que é desprezado, o filé, produto principal da tilápia, representa, aproximadamente, apenas 30% do peixe. Os outros 70% que sobram do processo de filetagem são considerados sem grande valor comercial, sendo utilizados principalmente na fabricação de farinha de peixe e ração.

A pesquisadora Angela Furtado, da Embrapa, explica que a intenção da pesquisa é gerar produtos que garantam maior rentabilidade, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental. “Utilizando os resíduos do processo de filetagem da tilápia chegamos a um hidrolisado com alto teor proteico e que pode ser amplamente utilizado em diferentes produtos, como alimentos, cosméticos, nutracêuticos e suplementos alimentares”, pontua Furtado.

Produtos da tecnologia do pescado
Patê de tilápia com fibra de abacaxi é preparado a partir de carne mecanicamente separada de tilápia e fibra de abacaxi. É um produto estéril comercialmente quando oferecido em latas mantidas em temperatura ambiente. É de fácil digestão e pode ser oferecido ao público infantil e terceira idade, que necessitam consumir proteína animal e que têm certa rejeição ao pescado inteiro.

O hidrolisado de gelatina de tilápia é altamente proteico; sua principal aplicação é como ingrediente em produtos alimentícios, cosméticos, em cápsulas ou em pó como produto natural, nutracêutico ou suplemento alimentar. Essa categoria de produto é reconhecida por atuar como regenerador dérmico (da pele) e de cartilagens.

O embutido de carne mecanicamente separada de tilápia na forma sólida é do estilo apresuntado. É moldado na forma cilíndrica com filme plástico do tipo cook-in, cozido e conservado sob refrigeração. Pode ser consumido sob a forma fatiada como embutidos do tipo mortadela ou presunto.

Já a salsicha de tilápia com fibra de abacaxi é processada a partir de carne mecanicamente separada (CMS) de tilápia-do-nilo e de farinha de resíduo de abacaxi (FRA), com teor reduzido de sódio e sem utilização de corantes. Trata-se de alimento que pode ser consumido diretamente.

Projeto BRS Aqua
As pesquisas para melhor aproveitamento do pescado integram o Projeto BRS Aqua, uma parceria entre Embrapa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Trata-se de uma rede, coordenada pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), e dela fazem parte mais de 240 empregados de 23 unidades da empresa, além de mais de 60 parceiros, entre públicos e privados.

A indústria do pescado vem registrando aumentos no faturamento ano após ano. Estudo realizado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), revelou que as exportações da piscicultura brasileira aumentaram 15% em faturamento em 2022, chegando a US$ 23,8 milhões.

Seja um parceiro da Embrapa
Para que esses produtos possam chegar ao mercado, a Embrapa necessita validá-los em ambiente industrial e, para isso, busca parceiros. As empresas interessadas podem procurar o setor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroindústria de Alimentos, pelo e-mail: ctaa.chtt@embrapa.br.

Conheça mais sobre os produtos de tilápia:

Fonte: Agência de Notícias Embrapa
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Suínos / Peixes

IAT apresenta ao setor produtivo adequações na regulamentação da suinocultura no Paraná

Entre as adequações estão a incorporação do Software de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS), desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, como ferramenta de apoio aos projetos de licenciamento, e a criação de uma tábua de controle para a destinação de dejetos suínos como fertilizantes para o solo.

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Após uma série de estudos internos, o Instituto Água e Terra (IAT) finalizou o texto de revisão da Resolução Sedest nº 15/2020, que regulamenta a atividade de suinocultura no Paraná. A proposta será apresentada ao setor produtivo e entidades ligadas ao agronegócio nesta terça (18) e quarta-feira (19) durante evento na sede do Sindicato Rural de Toledo, na região Oeste do Paraná. A reunião é apenas para convidados. O IAT é vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

Chefe da Divisão de Licenciamento de Atividades Poluidoras do Instituto, Rossana Baldanzi, explica que são duas as principais adequações à legislação em discussão: a incorporação do Software de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS), desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, como ferramenta de apoio aos projetos de licenciamento do IAT, e a criação de uma tábua de controle para a destinação de dejetos suínos como fertilizantes para o solo. “Já temos um termo de cooperação técnica com a Embrapa em vigência que permite a transferência, gratuita, deste software para o IAT. Mas precisamos colocá-lo na nossa legislação, por isso a revisão é necessária”, diz ela. O novo texto prevê também o treinamento e a capacitação de profissionais para a utilização da plataforma eletrônica.

Fotos: Ari Dias/AEN

O SGAS possibilita, entre outras questões, que produtores realizem cálculos para determinação da excreção, oferta, perdas e concentração de nutrientes em efluentes da suinocultura, consumo de água, dimensionamento dos sistemas de tratamento dos efluentes, recomendação de adubação para reciclagem dos efluentes como fertilizantes, determinação da capacidade de alojamento de animais e demanda de áreas agrícolas. “Com isso, o órgão ambiental ganhará ainda mais agilidade na elaboração dos licenciamentos para a atividade”, destaca a técnica.

Em relação aos cuidados com o solo, Rossana ressalta que a métrica será definida com base em uma ampla pesquisa conduzida pelo órgão ambiental em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Embrapa, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e Fundação ABC.

O estudo foi financiado pelo Grupo Frimesa como condicionante ao licenciamento ambiental para a instalação do frigorifico da cooperativa em Assis Chateaubriand, no Paraná. Considerada a maior indústria deste setor da América Latina, a planta tem capacidade de abater 7.880 suínos por dia. “Essa pesquisa foi desenvolvida com base no fósforo como elemento limitante do uso de dejetos no solo. É preciso encontrar o limite crítico, visto que esse frigorífico vai movimentar toda a cadeia da suinocultura ao redor”, afirma Rossana. “A partir deste estudo, conseguiremos colocar na lei qual é esse limite para que o solo não seja prejudicado, criando novas alternativas de decomposição como o aproveitamento para a produção de energia limpa”, acrescenta.

Suinocultura

A produção de carne suína é um dos destaques da economia paranaense. O Estado é vice-líder nacional, com 22,3% do mercado de carne de porco, atrás apenas de Santa Catarina. Foram 3,1 milhões de animais abatidos no primeiro trimestre deste ano, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: AEN-PR
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AJINOMOTO SUÍNOS – 2024

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