Suínos
Player global da carne de suína, Aurora Coop projeta expansão nas próximas décadas
Composta por 14 cooperativas singulares, a estrutura do segmento de suínos da cooperativa conta atualmente com 3.625 produtores rurais integrados no campo, responsáveis pelo alojamento de 300 mil matrizes produtivas. As Unidades Disseminadoras de Genes (UDGs) abrigam 1.147 machos reprodutores, que garantem o fornecimento de 1,7 milhão de doses de sêmen por ano.

Do sonho de fundar uma cooperativa para industrializar a produção de suínos no Oeste catarinense nasceu a Aurora Coop, que após cinco décadas se tornou a cooperativa que mais produz suínos do Brasil e o terceiro maior conglomerado industrial do setor de carnes no país, atrás apenas das empresas privadas JBS e BRF.
Composta por 14 cooperativas singulares, a estrutura do segmento de suínos da cooperativa conta atualmente com 3.625 produtores rurais integrados no campo, responsáveis pelo alojamento de 300 mil matrizes produtivas. As Unidades Disseminadoras de Genes (UDGs) abrigam 1.147 machos reprodutores, que garantem o fornecimento de 1,7 milhão de doses de sêmen por ano.
Nas oito unidades industriais de suínos, localizadas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, foram abatidos 7,376 milhões de suínos em 2023, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior. A produção de carne suína in natura evoluiu 2,9%, atingindo 705,9 mil toneladas, enquanto a industrialização de carnes suínas cresceu 6%, totalizando 428,4 mil toneladas.
A Aurora Coop se firmou como a maior exportadora de carne suína do país, respondendo por quase ¼ das exportações brasileiras do setor. São mais de 80 destinos que são comercializados os produtos da cooperativa, entre os principais estão China, Cingapura, Ásia, Américas, Japão, África, Rússia, Eurásia, Europa, Hong Kong, Coreia do Sul e Canadá. “Graças ao trabalho de um grande time em cooperação, conseguimos atender os mercados mais exigentes e agregar valor a todo o sistema. Os resultados obtidos são distribuídos de maneira equitativa entre produtores, cooperativas filiadas e a própria Aurora Coop” afirma o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.
O início de tudo

Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton: “Estamos avançando cada vez mais na produção de alta performance, qualidade de carne, sanidade dos rebanhos, segurança alimentar, sustentabilidade e produção eficaz e respeito ao meio ambiente”.
A história da Aurora Coop começou em 1969 e é um exemplo claro de como a união de esforços e a cooperação podem revolucionar o setor agroindustrial. “A Aurora Coop iniciou suas atividades no setor para dar amparo industrial e agregar valor à produção de suínos dos produtores associados das cooperativas filiadas. Na época, a venda do suíno vivo representava baixos ganhos, além de expor os produtores à sazonalidade e especulação dos atravessadores. Com essa necessidade, a Aurora Coop foi fundada e iniciou seus abates na cidade catarinense de Chapecó” relembra Canton.
Na época, a produção de suínos era tradicional, com pequenas criações em ciclo completo e baixa tecnologia empregada, predominando o “suíno tipo banha”. A ampliação da produção e o crescimento gradativo dos abates ao longo dos anos marcaram o desenvolvimento da suinocultura na Aurora Coop. “Um dos principais marcos foi o melhoramento genético, que passou de suínos ‘tipo banha’ para os suínos ‘tipo carne’, resultando em maior rendimento de carcaça e produção de carne mais magra e saudável, elevando a eficiência na produção” ressalta.
Com o passar das décadas, grandes transformações foram feitas na produção. Foi implantando o sistema de integração, com produtores tendo papéis definidos. Foi organizada a produção de leitoas de genética melhorada e reprodutores machos para atender o campo. “Adotamos melhorias substanciais na nutrição: no início eram concentrados e, depois, com advento dos núcleos vitamínicos minerais, produzimos diferentes rações para as distintas fases de criação, realçando ainda mais o potencial genético dos animais e a produção precoce”, descreve.
Mais tarde surgiram as grandes transformações das instalações, equipamentos mais avançados, fábricas de rações modernas, preocupação com ambiência e bem-estar animal, modernos veículos de transportes com carrocerias bem construídas para proporcionar conforto aos animais durante o transporte, seja dos leitões para recria, terminação ou mesmo para abate. “Nas plantas industriais muita coisa evoluiu e mudou para melhor, com equipamentos mais avançados, melhorando o aproveitamento da produção, proporcionando melhorias nos processos e com resultado final cada vez melhor em qualidade, produtividade, segurança alimentar e eficácia produtiva” salienta Canton.
Desafios do setor
Canton destacou que os maiores desafios enfrentados pela Aurora Coop foram, sem dúvida, a evolução da produção para atender as crescentes demandas do mercado interno e externo. Hoje, a Aurora Coop está presente em dezenas de países com rigorosas exigências de qualidade, sanidade, padrão documental e segurança. “Esse trabalho constante em busca de maior eficiência e qualidade colocou a Aurora Coop em uma posição de destaque na exportação brasileira de carne suína, fornecendo para mercados exigentes como Japão, Estados Unidos, Canadá, México, China, Singapura, entre outros” enaltece o presidente.
Ao longo dos anos, a atividade suinícola passou por transformações significativas e esta evolução contínua exigiu, e ainda exige, grandes investimentos, disposição para inovação e foco em resultados para cumprir as exigências do mercado global. “A Aurora Coop superou esses desafios e se posicionou como um exemplo de excelência e compromisso com a qualidade, contribuindo para o fortalecimento da presença brasileira no mercado internacional de carne suína” salienta Canton.
Força da cooperação
A Aurora Coop, em estreita colaboração com suas 14 cooperativas, se destaca pela robustez e eficiência no fortalecimento da produção e comercialização de suínos. Todo sistema de produção da cooperativa é formado por mais de 100 mil famílias, desde o campo até chegar ao consumidor final.
No campo as famílias cooperadas cuidam das criações, em suas diferentes fases de produção para garantir uma produção eficaz e de alta qualidade. “O cuidado, atenção, empenho e zelo de quem também é dono do negócio, pois associado de fato é dono, fazem com que os resultados sejam muito mais consistentes e sempre buscando a melhoria contínua” afirma Canton.
Para dar suporte a essa rede de produção, a Aurora Coop conta com equipes técnicas especializadas, compostas por técnicos agropecuários, médicos-veterinários, zootecnistas, agrônomos e outros profissionais. Essas equipes realizam um trabalho de extensão rural, levando tecnologia moderna, inovações e boas práticas às famílias cooperadas. “O sucesso do nosso sistema vai além da soma dos esforços individuais; é a multiplicação dos resultados graças ao alinhamento e à cooperação de todos,” ressalta o presidente.
Crescimento constante no mercado externo
A Aurora Coop vem obtendo avanços constantes no mercado externo, se consolidando como um dos principais players no cenário global. Em 2023, a cooperativa alcançou 65,5% de suas receitas no mercado interno, totalizando R$ 14,6 bilhões, enquanto o mercado externo respondeu por 34,5% das receitas, com R$ 7,5 bilhões.

Nos últimos 10 anos, a Aurora Coop experimentou um crescimento impressionante de mais de 700% em sua presença no mercado mundial. Em 2013, as exportações representavam apenas 18,6% da receita operacional bruta, contribuindo com R$ 1,055 bilhão para o caixa da empresa. Já em 2023, as vendas externas corresponderam a um terço das receitas totais.
Para atender à demanda internacional, a Aurora Coop destinou 36,3% dos volumes produzidos ao mercado externo, o que equivale a 678,5 mil toneladas. Este crescimento robusto reflete a capacidade da cooperativa de adaptar-se às exigências dos mercados globais e de manter um alto padrão de qualidade em seus produtos.
Estrutura da Aurora Coop
Com uma força de trabalho de aproximadamente 44.336 empregados diretos, a cooperativa garante a produção de alimentos de alta qualidade e fomenta o desenvolvimento econômico e social das regiões em que atua. As 14 cooperativas agropecuárias filiadas – Cooperalfa, Caslo, Coopervil, Colacer, Copérdia, Cooperitaipu, Cooasgo, Auriverde, Cooper A1, Copercampos, Cocari, Frísia, Castrolanda e Capal – englobam juntas cerca de 85.600 famílias rurais, que são a base produtiva que alimenta a vasta operação industrial da Aurora Coop.
A cooperativa possui um parque industrial que inclui além das plantas frigoríficas de suínos, nove indústrias de processamento de aves, processando 1,6 milhão de aves diariamente, uma planta industrial de lácteos, com processamento de 1,5 milhão de litros de leite por dia, além de 10 unidades de rações e armazenamento, nove incubatórios e granjas, 27 unidades comerciais e 12 distribuidores regionais. Essa infraestrutura robusta permite à cooperativa oferecer um mix de mais de 850 itens, abrangendo produtos à base de carne, leite, massas e vegetais, que chegam tanto ao mercado interno quanto externo.
Em 2023, a Aurora Coop registrou uma receita operacional bruta de R$ 21,7 bilhões. Desse montante, o mercado interno foi responsável por 65,5% da receita operacional bruta e absorveu 63,7% da produção. O mercado externo, por sua vez, contribuiu com 34,5% das receitas, com a marca sendo comercializada para mais de 80 países, o que representa 36,6% da produção total. Os números de produção são igualmente relevantes: foram abatidas 7,3 milhões de cabeças de suínos, 320,8 milhões de cabeças de aves e processados 472,3 milhões de litros de leite ao longo do ano.
A Aurora Coop também é um exemplo de como o cooperativismo pode promover a sustentabilidade e a responsabilidade social. O modelo cooperativo permite que milhares de pequenos produtores se integrem a uma cadeia produtiva de alto valor, garantindo não apenas a viabilidade econômica, mas também a preservação das tradições rurais e a promoção do desenvolvimento sustentável. As 14 cooperativas filiadas são a base desse modelo de sucesso, garantindo que a produção seja realizada de maneira ética e sustentável, respeitando o meio ambiente e as comunidades locais.
Com uma base sólida construída ao longo de cinco décadas, a Aurora Coop continua a investir em tecnologia, inovação e expansão de suas operações, buscando sempre a excelência na produção e a satisfação de seus consumidores.
O percurso da Aurora Coop na suinocultura é um exemplo de como a inovação e o investimento contínuo podem transformar uma atividade tradicional em um modelo de eficiência e sustentabilidade. Cada etapa dessa trajetória reflete o compromisso da cooperativa com a excelência, desde as pequenas criações iniciais até a moderna e complexa cadeia produtiva atual, que não apenas sustenta milhares de famílias no campo, mas também coloca a Aurora Coop como uma gigante do setor de carnes do Brasil.
Objetivos em vista
Visando manter a posição de terceiro maior grupo agroindustrial brasileiro do segmento da proteína animal, a Aurora Coop investiu R$ 2,7 bilhões no último triênio para a modernização e ampliação das unidades fabris e a aquisição de novas plantas industriais.
O plano de investimentos da Aurora Coop permitiu inversões de R$ 1,021 bilhão em 2021, R$ 793,6 milhões em 2022 e de R$ 973,9 milhões em 2023 com a criação de cerca de cinco mil novos postos de trabalho. “Com isso, a cooperativa busca a diversificação de seu portfólio, acompanhando as tendências de consumo, consolidando-se como player global, adotando a filosofia da inovação contínua e gerando valor para cooperados, colaboradores, clientes e consumidores em uma gestão sustentável da cadeia produtiva” sustenta Canton.
Para 2024, uma ampla gama de ações estão sendo desenvolvidas, entre elas o presidente cita a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, MS, o atendimento à rampa de crescimento de abate do Frigorífico Aurora Guatambu, SC, cuja ampliação foi concluída, a reavaliação do mix produzido em cada planta industrial com foco em otimização e maximização de resultados e a otimização das linhas do recém-adquirido Frigorífico Aurora Castro, PR. “Simultaneamente vai entrar em produção a Unidade Industrial Aurora Chapecó II para a produção de empanados, peito cozido e peito desfiado”, aponta Canton, enfatizado que essas ações sustentam um plano arrojado de crescimento no mercado interno e externo nas próximas décadas. “Estamos avançando cada vez mais na produção de alta performance, qualidade de carne, sanidade dos rebanhos, segurança alimentar, sustentabilidade e produção eficaz e respeito ao meio ambiente”.
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Suínos
ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra
Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.
O desafio dos custos de produção
O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.
A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.
Principais propostas para o Plano Safra
Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:
Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.
Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.
Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.
Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.
Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).
Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.
Importância econômica e segurança alimentar
Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.
Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.
Suínos
Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira
Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra
Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.
Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).
Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.
A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.
Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.
Sinais clínicos
Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico
O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.
Prevenção
A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.
Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.
Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.
Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.
Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.
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Suínos
Exportações de suínos do Paraná atingem 21,36 mil toneladas em março
Volume cresce 10,1% em relação a 2025, com forte demanda internacional.

A suinocultura paranaense enviou 21,36 mil toneladas para o mercado externo em março de 2026, configurando o melhor desempenho exportador para este mês, segundo o boletim semanal do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgado nesta quinta-feira (16).
O resultado foi impulsionado pela demanda do mercado filipino, que importou 4,64 mil toneladas no terceiro mês de 2026, um aumento de 86,9% (2,16 mil toneladas) em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Março registrou o quarto melhor resultado da história, ficando atrás apenas dos volumes exportados em setembro (25,18 mil t), outubro (22,18 mil t) e dezembro (22,12 mil t) do ano passado.

Foto: Fernando Dias
Os dados da plataforma Comex Stat/MDIC, que levantam os números das exportações brasileiras desde 1997, mostram que as 21,36 mil toneladas exportadas em março representam um aumento de 10,1% em relação a março de 2025. Esse padrão de resultados recordes vem sendo observado no Paraná desde julho de 2024.
O boletim traz notícias positivas também para a pecuária leiteira. Após a alta no preço do leite no varejo, evidenciada na última pesquisa elaborada pelo Deral referente ao mês de março, o valor recebido pelo produtor também passou a se movimentar no mesmo sentido na última semana. Houve um avanço de 12,8% em relação à semana anterior.
“O pecuarista passou a receber, em média, R$ 2,43 por litro posto na indústria, ante R$ 2,15 registrados na pesquisa anterior. O período de entressafra das pastagens, aliado à redução na captação, é o principal fator por trás da valorização do produto”, explicou o veterinário do Deral Thiago de Marchi da Silva.
Frango

O custo de produção do frango vivo no Paraná está estabilizado em R$ 4,72/kg, informa o técnico do Deral, Roberto Carlos de Andrade e Silva. Já o preço nominal médio pago ao produtor fechou o mês passado em R$ 4,59/kg – 2,75% menor que no mês anterior.
A alta dos insumos é a principal causa do aumento dos custos de produção. Segundo informações da Deral, o preço do milho no atacado paranaense, em março, atingiu R$ 62,92 a saca de 60 kg, representando um aumento de 2,5% em relação ao mês anterior. Roberto Carlos ressalta que os indicadores de março ainda não sofreram os impactos do conflito entre Estados Unidos/Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro.
“Como a guerra teve início no fechamento do bimestre, os números de março ainda não refletiram os custos dos insumos que tendem a subir num cenário de guerra, mesmo que bem longe do Brasil”, observou.
Óleo de soja

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Houve redução no valor do óleo de soja no varejo nos primeiros três meses do ano, em comparação ao preço médio de 2025. A redução se deve à retração do preço da soja em grão. Em março, o preço recebido pelo produtor de soja fechou em R$ 115,09 por saca de 60 quilos, 3% inferior à média de 2025.
A pesquisa de preços no varejo, realizada mensalmente pelo Deral, apontou que a embalagem de 900ml de óleo de soja foi comercializada no Estado a R$ 7,25, na média, em março, enquanto no ano passado era de R$ 7,42. Assim, os preços atuais estão 2,3% menores em relação à média de 2025. Já na comparação com fevereiro, houve alta de 2,1%.



