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Pedágio, a justiça sempre vence

O maior impacto do pedágio do Anel de Integração foi para o Oeste do Paraná, pois somos a região mais distante do Porto de Paranaguá.

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Recentemente, o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) determinou reduções dos valores do pedágio nos lotes rodoviários administrados pelas concessionárias caminhos do Paraná (redução de 25,7%) e Viapar (19,02%). Os trechos que elas gerem, têm, respectivamente, praças de pedágio nos seguintes municípios: Prudentópolis, Irati, Porto Amazonas, Imbituva e Lapa (Caminhos do Paraná), e Corbélia, Campo Mourão, Floresta, Presidente Castelo Branco, Marialva e Arapongas (Viapar)

A concessão do Anel de Integração no Estado do Paraná foi em 1997, no governo de Jaime Lerner, e encerra em novembro de 2021. Na iniciativa privada, o pedágio é uma forma de se ter rodovias em melhores condições, com custo de manutenção reduzido e com execução de obras necessárias, evitando assim acidentes e fazendo com que as rodovias tenham mais segurança.

Há uma proposta de entendimento para que o governo federal tenha a responsabilidade da licitação já que o Anel de Integração Rodoviário é formado basicamente por rodovias federais. E também para que a licitação seja transparente e com o maior número possível de empresas interessadas, inclusive com a participação de empresas de cada região.

Em 1997, por falta de conhecimento da sociedade e de divulgação, as licitações dos trechos tiveram pouco interesse e os ganhadores das concessões foram grandes empreiteiras e empresas estrangeiras que estabeleceram no estado do Paraná o pedágio com o valor mais elevado do Brasil.

O maior impacto do pedágio do Anel de Integração foi para o Oeste do Paraná, pois somos a região mais distante do Porto de Paranaguá. O custo maior da tarifa para a região foi de R$ 1 bilhão, atingindo em cheio os produtores rurais que necessitam de rodovias para o transporte da produção. Poucas pessoas e entidades manifestaram repúdio ao absurdo valor do pedágio, entre as quais a Fiep (Federação das Indústrias Estado do Paraná) e a Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná). E também a Assembleia Legislativa do Paraná por ter aprovado um dispositivo que obriga que qualquer mudança sobre as concessões, inclusive renovação, tenha a anuência da Casa.

A Ocepar foi representada na maioria das vezes pelo presidente da Coopavel, que participou de mais de dez audiências públicas. Além de representar a Ocepar, ele também representava a Coopavel e os produtores rurais de várias cidades da região. No Oeste do Paraná, Caciopar, Acic, Acamop e POD (Programa Oeste em Desenvolvimento) também participaram ativa e corajosamente contra a exploração econômica de toda a sociedade pelo elevado valor praticado nas praças de pedágio, principalmente pelas concessionárias Ecocataratas e Viapar.

O MPF (Ministério Público Federal) em análise a várias denúncias e estudos que alertavam e comprovavam irregularidades, abriu inquéritos que culminaram inclusive com prisões de pessoas do governo e das concessionárias. Essa foi a prova maior da exploração da sociedade e dos produtores rurais, esses os mais afetados, pelas concessionárias do Anel de Integração.

Além da redução do valor do pedágio, os processos que estão trâmite na Justiça fizeram com que algumas concessionárias buscassem acordos de leniência. Os valores alcançados nos acordos dessas duas concessionárias já ultrapassam a casa de R$ 1,25 bilhão, e há possibilidade de se chegar a mais de R$ 2,5 bilhões.

O pedágio é a melhor forma e a mais empregada no mundo para que se tenha rodovias seguras, mas sem a exploração da sociedade. Agora, com o fim dos atuais contratos, os governos estadual e federal vão realizar novas licitações com transparência e com a participação de toda a sociedade. E a expectativa é que essas licitações garantam grandes benefícios econômicos e sociais para a sociedade.

Busca-se um processo sem corrupção e com fiscalização estratégica e operacional em que todas as partes sejam devidamente respeitadas. É grande também a expectativa para que as parcerias público-privadas sejam ampliadas no estado do Paraná para as ferrovias, aeroportos e portos. E esperamos que esse seja o melhor caminho para uma economia mais forte para o agronegócio e para toda a sociedade paranaense.

Fonte: Dilvo Grolli - Presidente da Coopavel
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José Luiz Tejon Megido Opinião

O agro procura um pacificador

Lideranças que não adorem a ideia da briga de rua, dos palavrões e do fazer a guerra

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Artigo escrito por José Luiz Tejon Megido, mestre em Educação Arte e História da Cultura pelo Mackenzie, doutor em Educação pela UDE/Uruguai e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS)

Os humores no Brasil andam exaltados. Chacrinha, o velho guerreiro, dizia: “Quem não se comunica, se estrumbica”. Aproveito o estrumbica, que significa se complica, e dizer: país onde só tem briga, todo mundo se estrumbica.

Estamos em uma fase complicada. Acabei de formar 40 alunos internacionais, nesta semana. Jovens da África, Ásia, Europa, de todos os continentes. Um master science em food agribusiness management. Gestão de agronegócio e alimentos.

Esses jovens chegam para estudar sobre o Brasil e vêm com uma percepção muito ruim, de que produzimos carne desmatando a Amazônia, de que nossa agricultura é intensiva e que esgota os recursos naturais; uma péssima imagem. Depois de três meses com aulas ministradas por professores e especialistas do Brasil, eles escrevem nas suas apresentações de avaliação finais: “o governo brasileiro e a política roubam a boa imagem das realidades brasileiras. O Brasil é muito melhor do que parece”.

A ilegalidade de 5% na Amazônia acaba sendo usada por vozes brasileiras como “vocês não têm nada que se meter nisso, pois já desmataram toda a Europa”. Quer dizer, não comunicamos, afrontamos os clientes.

Um assunto velho, alguém disse no exterior: “Florestas aí, agricultura aqui”, e logo respondemos ao ataque generalizando como se o mundo lá fora estivesse contra nós. Supermercados fazem restrições a produtos do Brasil pelas barreiras de reputação. Logo esbravejamos aqui que isso não passa de concorrentes inimigos para nos prejudicar.

O agronegócio precisa de um pacificador. Lideranças que não adorem a ideia da briga de rua, dos palavrões e do fazer a guerra.

Falar mal da China, hoje nosso maior parceiro, que tem sustentado nossa economia nas importações e, ainda mais, de quem dependemos de princípios ativos para vacina e também defensivos agrícolas, é no mínimo uma burrice comercial astronômica. Falar mal da Europa, nosso segundo maior cliente, é outra imprudência.

Dentro do país, diversas entidades não se entendem e também brigam entre si, colocando política e ideologias no molho da separação. Quando as palavras “clima” e “meio ambiente” são pronunciadas em vão e todos se esquecem de falar do plano ABC +, o sonho de consumo de qualquer consumidor de qualquer parte do planeta. E temos aqui. O Brasil precisa de pacificação.

Aos que querem o comércio, que tapem os ouvidos aos briguentos como Ulisses, na Odisseia, voltando para casa depois da Guerra de Tróia o fez para não ouvir o canto das sereias. No caso dos briguentos brasileiros, não seria exatamente o canto, e sim berros e palavrões de espíritos zombeteiros e mal-educados.

Dentro do agronegócio do país, a fruticultura que vai in natura ao mundo precisa ser protegida. A nossa reputação como marca Brasil será sagrada para que um consumidor do mundo saboreie um cacho das nossas uvas, um mamão com limão, coma uma banana, cuja embalagem já nasce com ela e esparrame pelos seus lábios uma laranja de mesa, a melancia, além de morder suavemente as nossas maçãs, o melão e os frutos do sertão.

A sensorialidade das frutas brasileiras se tornará realidade a partir da imagem assegurada da nossa origem. A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e seu presidente, Guilherme Coelho, têm plena consciência dessa missão.

Ao Brasil, a paz. Que Alysson Paolinelli receba o Nobel da Paz, com sua obra da agricultura tropical, e que possa simbolizar a pacificação, pois precisamos de um pacificador. A tortura mental nos destrói e cria obstáculos comerciais. Como o poeta Luís de Camões escreveu e repito: “Quem faz o comércio, não faz a guerra”.

E como os jovens alunos internacionais afirmam: “o Brasil é muito melhor do que parece”.

Fonte: Assessoria
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Luiz Vicente Suzin Opinião

Muito além dos serviços financeiros

O cooperativismo de crédito, muito além dos serviços financeiros, exercita um ideário fundamentado no bem-estar e no crescimento de todos

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

As mudanças e transformações que afetam todos os setores da atividade laboral e empresarial atingiram, de forma particular, o segmento de serviços financeiros. A intermediação, a gestão de crédito e a oferta de centenas de produtos financeiros deixaram de ser privilégio dos Bancos. As novas tecnologias viabilizaram o surgimento das fintechs e dezenas de novas plataformas para pagamentos e movimentação de recursos.

Utilizando as tecnologias mais avançadas e seguras sem abrir mão do atendimento humano – presencial ou à distância – convivem nesse ambiente as Cooperativas de Crédito. Elas são mais que instituições financeiras. Elas são, durante todo o ano, parceiras ativas de seus usuários-correntistas-cooperados, ou, em outra definição, seus verdadeiros proprietários.

O caso do cooperativismo de crédito em Santa Catarina é muito emblemático porque consegue expressar como esse vitorioso segmento está entranhado na vida social e econômica dessa singular unidade da Federação brasileira. Atuam em todas as regiões do território estadual 62 cooperativas de crédito que, juntas, representam 2,2 milhões de catarinenses. Esse imenso capital humano corresponde a 1/3 da população e a 73% de todos os associados/cooperados entre todas as cooperativas (de todos os ramos) registradas na OCESC.

Nesse período de pandemia, as cooperativas de crédito demonstraram grande capacidade de superação e resiliência, inovaram em serviços. Foram muito além do básico. Interpretaram cenários, diagnosticaram situações, modularam produtos e serviços e foram a campo oferecer soluções. Muitas atividades foram essencialmente assistenciais, em razão da gravidade do momento, mas outras foram de assessoramento, apoio e soerguimento.

Na análise desse cenário notabiliza-se, de forma natural, a expressiva presença de mulheres e de jovens no cooperativismo de crédito: quase um milhão de mulheres (exatamente 941.264) e 355 mil jovens estão associados às cooperativas de crédito em Santa Catarina. Nenhum outro setor do associativismo empresarial tem presença humana tão marcante e isso explica em boa medida o protagonismo desse ramo do cooperativismo barriga-verde. Essas duas personagens (mulher e jovem) são mais frequentemente seduzidas pelas iniciativas de natureza social/assistencial, cultural e empresarial, razão pela qual são figuras onipresentes no chamado terceiro setor.

A sociedade em geral e os gestores públicos em particular já perceberam o papel crucial das cooperativas no crescimento brasileiro e na geração de emprego e renda. Paralelamente à intensa atuação urbana, as cooperativas de crédito são tradicionais financiadoras da atividade rural.

Cresce a cada dia o reconhecimento das cooperativas de crédito como fomentadoras da economia local, indutoras da adoção de novas tecnologias, levando oportunidades de desenvolvimento e ofertando produtos e serviços em localidades remotas, onde promovem a inclusão e a educação financeira. Números do Banco Central do Brasil, recentemente divulgados, testemunham esse novo estágio: crescimento de 21% nos ativos, 19,8% na carteira de crédito e 23,7% de depósitos. Na pavimentação da retomada econômica, o cooperativismo cumpre importante papel, respondendo por 60% de cartel de crédito para micro e pequenas empresas, além de excelente desempenho em programas governamentais.

O cooperativismo de crédito, muito além dos serviços financeiros, exercita um ideário fundamentado no bem-estar e no crescimento de todos.

Fonte: Assessoria
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Dilvo Grolli Opinião

Empresas estatais vs empresas privadas: O dilema da eficiência

No que diz respeito às concessões, é evidente a falta de infraestrutura logística e de saneamento no país, e que isto somente será resolvido com capital privado

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Artigo escrito por Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Coopavel

As décadas 1960 e 1970 representaram o fim da recuperação econômica pós-guerra e o início das transformações que nos movem até hoje. Enquanto os países desenvolvidos, não pertencentes ao chamado “núcleo-capitalista hegemônico”, estabeleceram como estratégia para o crescimento um pacto tripartite, englobando governo, empresários e trabalhadores, os países em desenvolvimento, Brasil entre eles, acreditaram que através de empresas estatais, tendo os governos um papel preponderante de gestão dos negócios, se conquistaria o desenvolvimento econômico.

A razão da participação do estado foi no sentido de equilibrar a economia em diferentes setores. Esta tese teve como base a crença de que sob o controle do estado as empresas se defenderiam de certas falhas de mercado, decorrentes dos monopólios. A gestão de Margareth Thatcher, no Reino Unido, marcou uma mudança de paradigmas nos conceitos geoeconômicos, a partir da constatação que crescimento demanda fugir das amarras do governo, onde empresas estatais são usadas e abusadas pelos governantes, como cabide de emprego e de poder político.

Os professores Andrei Schleifer e Robert Vishny da Harvard University, em Governança Corporativa no Setor Público demonstram que as consequências da má gestão pública são perfeitamente evitáveis, por quê: “Se o governo sabe exatamente o que deseja, pode explicar seus objetivos em um contrato ou através de uma regulação bem-feita, obrigando a empresas públicas ou concessionárias a produzirem de acordo com as condições a elas impostas. Um exemplo original é a regulação que impede que a uma concessionária de rodovias, explore o seu poder de monopólio”.

A diferença da administração de uma empresa privada e de uma estatal está na estratégia e na operacionalização. A empresa privada está alinhada aos seus valores e estimula a eficiência e a produtividade para um resultado social. A empresa estatal precisa atender, primeiramente, os interesses dos governantes. Um exemplo disto é o escândalo de corrupção na Petrobrás, onde os gestores buscavam recursos para retribuir o apoio dado pelos partidos aliados ao governo.

As empresas estatais são ineficientes, não só porque seus gestores têm pouco ou nenhum incentivo para reduzir os custos, por exemplo, e sim porque a ineficiência resulta da política deliberada dos governos em transferir benefícios aos que lhe dão suporte político.

Nas empresas privadas, o desafio, a inovação, o desenvolvimento e o comprometimento, fazem parte do dia-a-dia dos gestores. As lideranças se sustentam pelos valores e pela missão da organização, com fim nos resultados.

As mudanças e as inovações de hoje são muito rápidas e as empresas estatais têm dificuldade em acompanhar a realidade devido ao seu atrelamento à política. E as mudanças seguem um processo de evolução que precisa de continuidade. Para agravar, as empresas estatais geralmente mudam de gestores a cada novo governo, interrompendo qualquer processo de mudança.

No período de 1940 a 1970, o governo brasileiro investiu em áreas como: siderúrgicas, petróleo, indústria aeronáutica e pesquisa agropecuária. Somente o estado podia mobilizar os recursos necessários e assumir os riscos dos investimentos que criaram as bases da industrialização do país.

O ano de 2021 começou com grandes desafios para se definir o melhor caminho para o Brasil: – preservar a democracia; – promover a sustentabilidade; – manter o governo com pouca ingerência na economia.

Os leilões e privatizações do mês de abril podem representar R$ 48 bilhões em investimentos. Isto dependerá do que a sociedade deseja em termos de desenvolvimento e de serviços públicos, e atentem, do quanto esta sociedade se dispõe a pagar em impostos ou a se endividar.

No que diz respeito às concessões, é evidente a falta de infraestrutura logística e de saneamento no país, e que isto somente será resolvido com capital privado. Então, cabe ao governo a responsabilidade de ativar as agências reguladoras, para que fiscalizem e exijam o cumprimento do que está escrito nos contratos de concessões, cujas cláusulas e obrigações são frutos das participações da sociedade através das audiências públicas, e, assim é que deve ser.

Fonte: Assessoria
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CONBRASUL/ASGAV

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