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Suínos / Peixes Suinocultura

Nutrição avançada de vitamina D melhora desempenho de fêmeas suínas

Suplementação de fêmeas com metabólito bio-ativo de D3 resulta em valor econômico significativo graças à melhora de desempenho ao longo de sua vida produtiva

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Brian Fisker, Rene Bonekamp e Antoine Meuter da DSM Nutritional Products

Com inúmeros aditivos nutricionais à disposição, os suinocultores dispõem de uma crescente variedade de oportunidades para otimizar o potencial genético e a produtividade de seus animais. A rentabilidade dos suínos aumenta quando fêmeas e leitoas produzem um maior número de leitões saudáveis ao longo de sua vida produtiva, o que pode ser influenciado pela otimização da suplementação de vitamina D3.

Ainda que o papel da vitamina D na manutenção da estrutura e saúde ósseas seja amplamente conhecido, os produtores estão se voltando cada vez mais para a vitamina D3 como uma solução mais ampla, que ajuda as fêmeas a expressarem seu pleno potencial reprodutivo. Diversos estudos demonstram que fêmeas mais longevas não só vivem mais tempo, como também produzem e desmamam um maior número de leitões mais pesados por leitegada. Como a rentabilidade depende da otimização da produção e do desempenho das fêmeas, estes efeitos combinados resultam em maior retorno financeiro.

Rentabilidade das fêmeas

A rentabilidade das fêmeas é aumentada quando fêmeas e leitoas produzem mais leitões ao longo de sua vida produtiva. Isto significa manter as fêmeas no rebanho por um número maior de parições, produzindo leitegadas maiores de leitões saudáveis, com peso elevado ao nascimento e ao desmame. É importante que os leitões nasçam com maior peso, pois terão maior probabilidade de apresentar maior ganho de peso e menor mortalidade pré-desmame.

Para expressar seu potencial genético e produzir leitões mais saudáveis, as fêmeas hiperprolíficas exigem maior suporte nutricional de nutrientes vitais como vitaminas e minerais. A vitamina D3 não é bio-ativa por si só e precisa ser metabolizada até sua forma funcional. Em um primeiro passo, o fígado converte a vitamina D3 em 25(OH)D3. O composto final, calcitriol ou 1,25(OH)2D3, é formado então nos rins. Algumas vezes, entretanto, este primeiro passo é suprimido nas fêmeas hiperprolíficas e a vitamina D3 nem sempre é totalmente transformada em sua forma funcional. Desta forma, como a quantidade efetiva de vitamina disponível para o animal é reduzida, os suínos apresentam maior incidência de problemas locomotores devido à mineralização óssea deficiente, desenvolvimento muscular fetal inadequado e contrações musculares menos intensas durante o trabalho de parto. Como consequência, o desempenho e rentabilidade do rebanho são afetados.

Considerando o quadro acima descrito, os suinocultores estão recorrendo ao metabólito bio-ativo de D3 que é prontamente absorvido e utilizado pelo animal. Otimizando a disponibilidade da vitamina D3 Ao incorporar diretamente a forma ativa da vitamina D3, 25(OH)D3, à ração da fêmea, os suinocultores podem evitar os passos metabólicos críticos envolvidos na degradação da vitamina D3 padrão, aumentando assim sua biodisponibilidade.

Um estudo recente realizado pelo centro SEGES (Danish Pig Research Center, Dinamarca), conduzido em um rebanho comercial com 650 fêmeas/ano, teve como objetivo determinar se a inclusão de 50mg de 25(OH)D3 por kg de ração durante todo o período de gestação (correspondendo a 2.000 UI de vitamina D3) poderia aumentar o peso da leitegada ao desmame, se comparada a níveis padrão de vitamina D3 na ração (800 UI por kg de ração).

Foram utilizadas 800 UI de vitamina D3, pois um estudo anterior havia demonstrado um efeito limitado quando o teor de vitamina D3 passava de 800 para 2.000 UI por fêmea. Além disso, o estudo teve como objetivo avaliar se o ganho diário de peso e a mortalidade, indicadores-chave da rentabilidade dos suínos, eram afetados positivamente nos leitões nascidos e criados pelas fêmeas que receberam o metabólito bio-ativo de D3 durante a gestação.

Leitegadas maiores e com maior peso ao desmame

Estudos anteriores indicaram que os leitões de baixo peso ao nascer apresentavam menor ganho de peso, baixa produtividade e maior mortalidade prédesmame, importantes causas de baixa rentabilidade da produção de suínos. Neste estudo, os principais efeitos do metabólito bio-ativo de D3 foram observados entre as leitoas.

Os resultados mostraram que o peso da leitegada foi significativamente mais alto no grupo (19,8 kg em comparação com 18,8 kg no grupo controle) e o peso da leitegada ao desmame foi 3,6 kg maior em comparação com o grupo que recebeu vitamina D3 (Fig. 1).

O ganho da leitegada foi usado como um indicador da produção de leite das fêmeas. Como o peso ao desmame foi maior, os resultados indicam que a vitamina D3 teve um efeito positivo sobre a eficiência reprodutiva ao ajudar as fêmeas a parir mais rapidamente leitões mais sadios, de melhor desempenho e vida mais longa. Isto foi confirmado pelo maior número de leitões desmamados no grupo suplementado.

Elevação dos níveis de vitamina D3

Níveis ideais de vitamina D obtidos através da suplementação com a forma bio-ativa da vitamina D3 permite que as fêmeas atinjam as metas reprodutivas, tenham melhor desempenho ao longo de sua vida produtiva, contribuindo para máxima rentabilidade geral da granja. Este estudo demonstrou claramente que o nível sérico de 25(OH)D3 foi duplicado nas fêmeas que receberam a forma bio-ativa de D3 ao longo de todo o ciclo reprodutivo (Tabela 1) em comparação com o grupo suplementado com vitamina D3. Este resultado é altamente significativo, considerando que as fêmeas foram alimentadas com doses equivalentes de vitamina D3 (2.000 UI por unidade de ração).

A Tabela 2 mostra que fêmeas suplementadas com a forma bio-ativa de D3 durante duas semanas apresentaram níveis séricos de 25(OH) D3 no momento da parição 2,3 vezes maiores que as fêmeas suplementadas com vitamina D3 comum. Além disso, depois de sete semanas de suplementação, os níveis séricos foram 3,2 vezes mais elevados que nas fêmeas do grupo controle (46,7 ng/ml).

Um estudo similar conduzido com fetos de 90 dias mostrou elevação dos níveis de vitamina D3 depois da inclusão do suplemento na ração de gestação das leitoas, em comparação com o uso de vitamina D3 comercial. Os resultados também demonstram aumento de 9,3% no número total de fibras musculares dos fetos, fator que indica leitões saudáveis e fortes.

Além disso, as leitoas suplementadas produziram maior número de leitões de maior peso por leitegada. Outros testes também enfatizaram os efeitos positivos da suplementação sobre outras funções essenciais do organismo, como reprodução, desenvolvimento muscular e modulação da resposta imune, todos fatores importantes e que contribuem para melhora do desempenho do plantel.

Conclusão

Podemos concluir que a suplementação de fêmeas com metabólito bio-ativo de D3 resulta em valor econômico significativo graças à melhora de desempenho ao longo de sua vida produtiva. É evidente que a vitamina D desempenha um papel-chave para melhor desempenho, sustentabilidade e rentabilidade das fêmeas, além de beneficiar a saúde e o ganho de peso dos leitões.

Os suinocultores estão sempre buscando novas soluções que permitam otimizar a saúde e a produtividade de fêmeas hiperprolíficas. Estudos recentes suportam o uso metabólito bio-ativo de D3 eleva os níveis séricos de vitamina D, que resulta em produção de leitegadas com maior número de leitões mais viáveis, com maior peso ao nascer e ao desmame.

Já está comprovado que essa suplementação é a forma mais biodisponível de vitamina D, garantindo maior eficiência de assimilação do metabólito 25(OH)D3, resultando em esqueleto mais forte e saudável, animais mais produtivos, chave para maior rentabilidade dos rebanhos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Coccidiose e rotavirose são principais causas de diarreia na maternidade

Sabendo o que precisa controlar, é preciso conhecer as doenças e saber como diagnosticá-las

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Arquivo/OP Rural

As diarreias em maternidades é uma grande dor de cabeça para o suinocultor. É preciso atenção nos manejos e sanidade do plantel para preveni-las. Duas são as mais importantes e que mais acometem os suínos no Brasil: a coccidiose e a rotavirose. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu pela primeira vez de forma totalmente online, o médico veterinário e gerente técnico de Monogástricos da Elanco, Pedro Ernesto Sbardella, falou sobre estas duas diarreias e quais são os impactos que elas tem na maternidade e no período pós-maternidade.

Segundo o profissional é importante focar em manejos para evitar que as doenças aconteçam. “O manejo de animais (todos dentro todos fora), o controle de moscas e roedores, a limpeza, ambiente (a temperatura, tanto do local quanto do leitão) e a umidade são pontos importantes de serem verificados”, introduz. Ele explica que a imunidade é muito importante, assim como a saúde das fêmeas e o manejo realizado com os leitões.

Dessa forma, sabendo o que precisa controlar, o profissional afirma que é preciso conhecer as doenças e saber como diagnosticá-las. “A consistência e sinais clínicos são diferentes das diarreias. Na maternidade a diarreia pode acontecer por diferentes fatores. A fase de ocorrência pode nos dar um sinal de que tipo de diarreia está acontecendo”, comenta.

De acordo com Sbardella, é difícil chegar em um diagnóstico somente pela consistência e cheiro das fezes. “Precisamos evidências para chegar em um diagnóstico. A gente precisa continuar somando evidência, coletando amostras e enviando ao laboratório para fazer a identificação”, defende. Além disso, outro ponto importante é a coleta de amostras para o exame histopatológico. “Isso tudo ajuda a fechar o diagnóstico. Temos que levar em consideração as evidências”, afirma.

Atualmente, explica o médico veterinário, existem algumas diarreias que são as principais vistas hoje em campo. A primeira delas é a Clostridium tipo C. “Que está sob controle atualmente”, diz. Outra é a Escherichia coli. “É uma doença relevante e importante, mas hoje está mais controlada do que no passado devido as vacinas disponíveis no mercado”, menciona. Outras que ainda aparecem são a clostridium difficile e tipo A. “Ambas estão presentes em animais com e sem diarreia, então é difícil fazer uma associação”, comenta. Também a coccidiose e rotavirose, que tem uma prevalência maior. “Um trabalho realizado em 2011 mostrou que 40% das granjas apresentam problemas com estas duas”, diz.

A rotavirose

Segundo Sbardella, a rotavirose é uma infecção causada pelo rotavírus. “Um trabalho de 2019 mostra que está entre as diarreias mais encontradas na maternidade”, comenta. A principal via de transmissão é oral e fecal. “O vírus A é o mais frequente, mas o C aumentou a sua importância. Existem vacinas hoje com resultados variáveis”, comenta.

O médico veterinário explica que a doença causa fezes aquosas de cor variável e vômitos ocasionais. “Ela afeta leitões de um a oito semanas. É uma questão de um vírus entrando em granjas que não estava. Quando o vírus circula a imunidade passiva da fêmea vai diminuir e isso pode gerar um problema grande. Pode causar diarreia na creche, mesmo em leitões que tiveram diarreia na maternidade”, diz. As condições do ambiente é um ponto importante. “Na prática vemos granjas com ou sem vacina. Mas quando se trabalha o ambiente e limpeza vemos resultados significativos”, comenta.

De acordo com Sbardella, o rotavírus causa vários tipos de diarreias, mas um dos pontos em que ele vai agir bastante vai ser na destruição dos enterócitos. “O impacto vai vir de duas formas: o rebanho sem imunidade vai ser relacionado a imunidade, porque vai atingir mais animais de primeiros dias de vida. Se é rebanho com imunidade, com o vírus circulando, o problema vai ser mais a partir da segunda semana. A mortalidade vai ser variável, mas com complicação de outros agentes e impacto no desempenho dos animais”, informa.

Para o médico veterinário, o rotavírus é bastante relevante, é uma das principais diarreias de maternidade. “Ela pode causar alta mortalidade, perda de desempenho e o impacto que traz para o intestino do animal pode persistir por um bom tempo”, diz.

Coccidiose

A coccidiose é outra doença que merece a atenção do suinocultor. A infecção dela via vir principalmente do ambiente. “Instalações contaminadas, fezes de leitões com a doença vão ser os principais pontos de infecção do leitão”, informa Sbardella. Segundo ele, o coccidio tem várias fases dentro da célula. “Passa de sexuada para assexuada e vai ter com o oocisto liberado no ambiente que vai esporular. E isso está muito relacionado a temperatura, então em períodos mais quentes um local pode favorecer a esporulação de oocistos”, conta.

Esta é uma doença que pode ser clínica e subclínica. “Quando a doença é clínica vamos observar uma diarreia evidente e impacto visual na leitegada. A diarreia é transitória a partir da segunda semana e podemos observar ainda a redução do desempenho de animais e nenhuma mortalidade. Já na subclínica não vamos ver diarreia, mas a redução no desempenho vai acontecer da mesma forma”, informa.

A doença tem grande impacto nos animais, causando lesões intestinais como necrose focal no topo das vilosidades, hiperplasia das criptas e redução da altura das vilosidades. “O impacto do desempenho dos animais está muito relacionado a esta doença”, diz. Sbardella comenta que é muito claro o impacto que a doença vai causar na heterogeneidade do peso dos animais. “Vai ter uma variabilidade maior do peso dos leitões e isso vai resultar em um impacto no longo prazo”, comenta.

O médico veterinário informa que nenhuma mortalidade está diretamente ligada a coccidiose, mas ela pode ter associação com outros agentes. “É até um ponto importante a gente comentar, se for pegar hoje nas diarreias de maternidade é comum encontrar mais que um agente. Precisamos levar em consideração que mesmo a coccidiose sendo mais importante é muito provável que esteja associada com outras coisas. Talvez elas estejam até abrindo portas para outras bactérias, mas o fato é que a coccidiose não traz mortalidade, é muito mais perda de desempenho”, considera.

Dessa forma, argumenta, fica clara a importância de controlar ou fazer os manejos não negociáveis para evitar que as diarreias aconteçam. “Uma vez que elas acontecem, a gente precisa saber reconhecer e diagnosticar, somar as evidências para chegar ao diagnóstico correto”, diz.

Sbardella afirma que a rotavirose e a coccidiose são as mais importantes no Brasil no período de maternidade, que tem a maior prevalência e são similares em alguns pontos. “Há um impacto na maternidade. Na creche pode causar doença ou perda de desempenho. Ambas funcionam se associando a infecções secundárias facilmente”, conclui.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Lawsonia intracellularis: um inimigo que pode estar oculto

Medidas de prevenção são extremamente importantes para garantir o sucesso da produção

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Artigo escrito por Luciana Fiorin Hernig, médica veterinária e coordenadora Técnica da Boehringer Ingelheim

A Lawsonia intracellularis é o agente causador da ileíte ou enterite proliferativa suína. É comum associarmos este agente apenas aos casos da doença nos quais encontramos animais pálidos, com diarreia sanguinolenta (Imagem 1) e alta mortalidade. Entretanto, sabe-se que Lawsonia está disseminada pelas granjas, principalmente nas fases de crescimento e terminação.

Então, será que estamos deixando de contabilizar os prejuízos gerados, principalmente nos casos em que não há diarreia com sangue a alta mortalidade? Quando acompanhamos um lote desuniforme, com fezes amolecidas apenas (Imagem 2), associamos automaticamente a outras causas, como problemas com a qualidade da ração, ambiência etc. Entretanto, estes são também sinais clínicos da forma crônica da ileíte, mas que nem sempre é investigada. Além disso, quando a ileíte se manifesta na forma subclínica, pode haver perda do desempenho zootécnico dos suínos, como piora na conversão alimentar e redução no ganho de peso diário, levando a desuniformidade do lote, o que causa prejuízos financeiros. Nestes casos, os animais infectados ainda são fonte de disseminação do agente.

Os estudos já mostraram que a Lawsonia intracellularis é um agente altamente prevalente nas granjas no mundo, podendo ser encontrada entre 90 e 100% dessas no Brasil. A bactéria é excretada nas fezes dos suínos, contaminando o ambiente e pode ser facilmente disseminada através das botas, lâmina d’água, presença de fezes nos bebedouros/comedouros, roedores, moscas etc.

Normalmente, o uso de antimicrobianos na ração e/ou via água de bebida é a estratégia adotada para controle da Lawosnia nas granjas, porém esta tática não elimina o agente completamente do ambiente. Tem-se, portanto, o risco de infecção dos animais e, muitas vezes, casos de ileíte aguda na janela de retirada de antimicrobianos pré-abate, com altas perdas. Além disso, pode haver casos da doença nas formas crônica e subclínica que nem são diagnosticados ao longo das fases de crescimento e terminação.

Neste sentido, há ainda um fator importante a ser considerado, que é a busca pelo uso prudente de antimicrobianos na suinocultura. Associado a essa redução no número e quantidade de moléculas utilizadas, principalmente como preventivo, alguns patógenos que pareciam inexistentes na granja, “reaparecem” ou “são descobertos”, como é o caso da Lawsonia, e causam ainda mais perdas.

A identificação da Lawsonia na granja pode ser facilmente investigada através da análise laboratorial de fezes e sangue, identificando assim a quantidade desta bactéria que está sendo excretada (PCR quantitativo das fezes), pois há trabalhos mostrando que cargas acima de 104 de Lawsonia por grama de fezes já estão associadas a lesões no intestino. Além disso, coleta-se sangue para verificar em qual fase os suínos apresentam anticorpos contra a bactéria (sorologia). Desta forma, é possível conhecer a dinâmica do agente na realidade de cada propriedade e adequar as melhores ferramentas para redução da pressão de infecção.

Tendo em vista que a Lawsonia está presente nas granjas e causa prejuízos ao desempenho dos animais, e, por consequência, financeiras, as medidas preventivas têm ganhado força nos sistemas de produção. Além da biosseguridade, uma ferramenta de extrema importância no processo de prevenção que se destaca neste sentido é o uso de vacina. Contudo, formular um protocolo de vacinação com sucesso é um trabalho que exige conhecimento, pesquisa de agentes e clareza sobre os produtos disponíveis no mercado.

No caso da Lawsonia intracellularis, já existe vacina com tecnologia para ser fornecida por via oral que se assemelha a infecção natural pela bactéria, induz uma imunidade robusta sem causar a doença. Além disso, a vacina via oral respeita o bem-estar dos animais, pois não provoca reações adversas locais (edema no local da aplicação, por exemplo) e/sou sistêmicas (febre). Desta forma, os animais conseguem manter seu comportamento natural, tendo em vista que não ficam abatidos, nem reduzem consumo de ração, e podem expressar todo seu potencial zootécnico. Há ainda o benefício ao bem-estar dos humanos, pela facilidade de aplicação, que pode ser individual, na caixa d’água (Imagem 3), dosador, ração líquida ou até sobre a ração seca (Imagem 4).

Sabe-se ainda que a Lawsonia causa danos aos enterócitos (células do intestino) e pode estar acompanhada de outros patógenos como a Salmonella, causando consequências ainda maiores. Por isso, optar por uma vacina que além de proteger para Lawsonia, já tenha reconhecidamente estudo provando a redução da excreção de Salmonella também é uma ótima opção para proteção do rebanho.

Considerando-se, portanto, que a Lawsonia intracellularis é um agente que está presente na maioria das granjas e que este agente pode causar perdas expressivas no desempenho dos suínos, as medidas de prevenção são extremamente importantes para garantir o sucesso da produção. O uso de antimicrobianos não garante que o suíno não vá se infectar e sofrer perdas no seu desempenho. Por isso, a melhor opção é associar as medidas de biosseguridade à utilização de uma vacina que seja prática, segura e respeite o bem-estar, para imunizar e proteger os animais.

Outas notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Transparência nas relações

Cadecs conquistam avanços, mas devem combater a “caixa preta”, destaca consultor da ABCS

Iuri Pinheiro Machado destaca importância de soluções rápidas e bilaterais toda vez que as questões envolverem a rentabilidade do homem do campo

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O jornal O Presente Rural conversou com o médico veterinário e consultor de Mercado da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Iuri Pinheiro Machado, para falar sobre a evolução da relação entre integrados e integradoras após cinco anos da sanção da lei que regula o setor. Ele destaca que alguns pontos são fundamentais para que as Cadecs sejam bem sucedidas: “simetria de informações entre integradoras e integrados, transparência das fórmulas de remuneração e critérios técnicos e econômicos (sem “caixa preta”), respeito à representatividade, ética e profissionalismo na relação entre as partes, além de decisões coerentes baseadas em critérios técnicos e econômicos”.

Iuri Pinheiro Machado destaca ainda a importância de soluções rápidas e bilaterais toda vez que as questões envolverem a rentabilidade do homem do campo. “A Cadec não pode procrastinar decisões e respostas às demandas, pois ela tem que ser um local de resolução, com consenso entre as partes. As decisões que interferem diretamente na rentabilidade do integrado não podem ser unilaterais”, frisa o consultor da ABCS. Leia a matéria na sequência.

O Presente Rural – Porque criar uma lei para balizar a relação de produtores e integradoras?

Iuri Pinheiro Machado – Em primeiro lugar é preciso saber porque foi criada a lei de integração. Até então o sistema de integração não era regido por nenhuma lei específica. Existia um questionamento muitas vezes da relação entre integrado e indústria por parte dos órgãos jurídicos. Era uma relação que a princípio seria regida pelo Código Civil, mas o Código Civil não previa esse tipo de parceria comercial. O fato é que a lei integração veio para estabelecer um marco legal importante, mostrando que é uma relação comercial de fidelização entre as partes, porque o produtor ajuda a fornecer a matéria-prima para a indústria, que é o frango e o suíno, no caso das integrações de frangos e suínos, e estabelece algumas regras nessa relação, como também itens indispensáveis para um contrato de integração. Ao mesmo tempo, cria alguns órgãos, como o Funiagro e as Cadecs.

O Presente Rural – Quais as principais dificuldades na relação integrado/agroindústria antes da lei 13.288/2016 e qual a avaliação do senhor após cinco anos da sansão dessa lei, que estabelece regras para a relação contratual entre as partes?

Iuri Pinheiro Machado – Existia até uma interpretação da justiça em relação a essa integração de que poderia haver (se interpretou em alguns momentos), que poderia até ter vínculo trabalhista entre produtor e indústria, o que que obviamente não faz qualquer sentido, mas como não havia uma lei específica, isso chegou a ser interpretado por alguns juízes, pelo Ministério Público em algumas regiões. Isso do ponto de vista legal.

Do ponto de vista prático, as decisões ficavam praticamente todas nas mãos da indústria. As decisões acabam sendo unilaterais. A grande contribuição da lei de integração é que as decisões precisam ter consenso dentro do órgão principal da lei, que é a Cadec, que trouxe a possibilidade de maior simetria nas decisões e na gestão dos contratos de integração.

O Presente Rural – Como o surgimento de Cadecs impactou na produção de suínos? Quais os benefícios das Cadecs para produtores e agroindústrias?

Iuri Pinheiro Machado – As Cadecs são a principal contribuição da lei de integração. Impactam no sentido de que todas as decisões importantes em relação ao contrato de integração, em relação à forma de pagamento, em relação às questões técnicas, devem ser discutidas dentro das Cadecs e as decisões finais devem ser consenso entre as partes. O grande benefício é que isso trouxe mais força para o produtor na relação com a integradora, exatamente porque as decisões não podem ser tomadas de forma unilateral.

Outra questão importante é que as decisões da Cadec registradas nas atas podem ser consideradas como aditivos contratuais, então podem ter alterações ou evoluções na relação contratual através de decisões consensadas na Cadec. Isso também é ponto fundamental para que a gente tenha melhora na dinâmica dessa relação entre integrado e integradora.

O Presente Rural – A lei 13.288 deu mais garantias jurídicas às partes?

Iuri Pinheiro Machado – Sem dúvida a lei trouxe mais segurança jurídica às partes. É claro que, como a lei já tem cinco anos e nunca foi alterada, ela demonstra algumas omissões que talvez tenham que ser revisadas nos próximos anos. Mas sem dúvida trouxe garantia maior nessa relação.

O Presente Rural – A relação entre as partes envolvidas melhorou?

Iuri Pinheiro Machado – Eu diria que sim. A gente começa observar que houve mudança no nível de discussão entre produtores e integradoras. Os produtores, com as Cadecs, se obrigaram a se organizar melhor dentro de suas associações, sindicatos e federações por que a Cadec trouxe maior protagonismo para os produtores. E nesse sentido, contratar assessorias técnicas e jurídicas, juntar dados de cada integração para poder ter base para discussões técnicas e econômicas dentro das Cadecs. Sem dúvida isso fez com que houvesse até mesmo evolução no associativismo entre produtores.

O Presente Rural – Há ainda pontos a serem melhorados nessa relação de produtores e integradoras? Quais e como alcança-los?

Irui Pinheiro Machado – Sem dúvida há pontos, sim, a melhorar. Um deles é justamente a questão do acesso das Cadecs a informações de resultados de lotes, os borderôs como a gente chama, ou reconhecidos na lei como Ripi, que são matéria-prima da Cadec. Para ter um funcionamento efetivo, ela precisa ter 100% de acesso aos Ripis. Esse é um ponto em que ambas as partes, especialmente a indústria, que detém a integração, devem envidar esforços para que se tenha acessão a 100% dos Ripis. Isso dá transparência ao processo, dá segurança também no estabelecimento de parâmetros de produtividade, técnicos e econômicos.

É preciso entender que no sistema de integração o produtor também tem que ter prevista a sua receita, a sua renda, tem que ter garantida a sua renda. Também a questão dos custos que são estimados devem refletir a realidade do campo. São dois pontos importantes. Essa questão do levantamento de custos, que deve ser muito bem estruturada dentro da Cadec através de levantamentos consistentes, com custos reais da produção, e também a questão da renda do produtor, que deve ser proporcional ao capital que investiu e a todo esforço que ele faz na gestão do seu negócio.

O Presente Rural – Em maio deste ano o Fórum Nacional de Integração (Foniagro) publicou o Manual de Boas Práticas para as Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs). Qual o objetivo?

Iuri Pinheiro Machado – Nós recentemente publicamos o Manual de Boas Práticas para as Cadecs, que foi elaborado a várias mãos, junto com representantes da indústria e produtores. Esse manual não somente extraiu da lei os pontos principais em relação a como deve operar uma Cadec, mas traz alguns consensos entre indústrias e produtores que não são especificados na lei. É importante que todos produtores tenham conhecimento desse Manual de Boas Práticas para as Cadecs, que com certeza vai ajudar na evolução dessa relação.

O Presente Rural – O mundo atual exige aperfeiçoamos constantes, seja na implantação de tecnologias ou outras questões. Nesse cenário, como estão as Cadecs?

Iuri Pinheiro Machado – Toda nova tecnologia exige investimentos e essas tecnologias devem, sim, ser discutidas dentro das Cadecs, observando qual o valor do investimento e o retorno que esse investimento vai dar no processo. O grande beneficiário do retorno desse investimento com certeza vai ser a indústria, seja na melhoria na eficiência de produção, seja na melhoria da qualidade do produto, que é o suíno e o frango, mas que o produtor é o investidor. Normalmente o investimento está sendo feito na propriedade do integrado, e obviamente ele tem que ter retorno desse capital investido. São pontos que devem ser discutidos e clareados nas Cadecs.

O Presente Rural – Antes você abordou o tema caixa preta, referindo-se à dificuldade que produtores de algumas Cadecs teriam de acessar as informações da agroindústria. Fale mais sobre o assunto.

Iuri Pinheiro Machado – Um ponto muito importante na relação de integradora e integrado é a transparência. E essa transparência vem através de alguns fatores, entre eles o levantamento dos custos reais, que devem espelhar a realidade do campo e que vão compor a remuneração do produtor, a questão de como são levantados os dados a partir dos Ripis, do histórico da integração e também os cálculos para fazer o cruzamento entre índices zootécnicos e os pontos relacionados à remuneração do produtor propriamente dita. Todos esses pontos devem ser compreensíveis por parte do produtor. A gente tem que eliminar o que a gente chama de caixa preta, que alguns não conseguem ter aceso e não conseguem compreender como funciona a remuneração. E a remuneração não poder ser uma surpresa. O produtor entregou o lote de animais, tendo de posse os índices de conversão alimentar, ganho de peso, mortalidade, peso final e todos os demais índices inerentes àquela atividade, deve ter compreensão de quanto vai receber, baseado em critérios claros e discutidos sobre questões técnicas e econômicas dentro da Cadec.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

 

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Fonte: O Presente Rural
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