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Método detecta resíduos de diferentes herbicidas em capim-elefante

Capaz de detectar resíduos de sete químicos diferentes, método ajudará a dar segurança à produção do capim usado em geração de energia e alimentação de gado leiteiro

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Francisco José da Silva Ledo

Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) aprimoraram um método capaz de detectar múltiplos resíduos de produtos químicos por meio de uma única análise. O procedimento é voltado a identificar a presença e a quantidade de herbicidas usados para controlar plantas daninhas em cultivo de capim-elefante. Conhecida por produzir grande quantidade de biomassa, a gramínea é usada na geração de energia e muito empregada na alimentação de gado leiteiro. Por isso, é importante saber se os animais estão consumindo alimento seguro. De olho nessa aplicação, o método deve ser empregado em um projeto em parceria com a Embrapa Gado de Leite (MG).

Publicado em uma edição especial sobre herbicidas do periódico internacional Austin Environmental Science, o método multiresíduo é capaz de detectar resíduos dos sete herbicidas estudados (metsulfurom-metilico,atrazina, clorimurom-etilico, halossulfurom-metilico, metsulfurom-metilico, nicossulfurom e S-metolacloro). “Pelo que sabemos, esse é o primeiro artigo sobre a determinação de resíduos desses herbicidas nesse tipo de planta. O método poderá ser utilizado por cientistas que trabalham nessa linha de pesquisa,” conta a analista da Embrapa Marcia Assalin.

O capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum) é uma forragem tradicionalmente utilizada na alimentação animal e matéria-prima na produção de álcool, carvão e geração de eletricidade, devido ao fato de sua biomassa possuir elevado poder energético.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Alexandre Brighenti, a produtividade e a qualidade da forragem de capim-elefante são afetadas diretamente pela interferência de plantas daninhas. Essa perda pode chegar a 42% de matéria seca, caso não sejam empregadas as práticas adequadas de controle de plantas daninhas. Embora o controle químico, utilizando herbicidas, seja uma das estratégias eficientes para o controle das plantas daninhas, não existem produtos registrados específicos para capim-elefante no Brasil.

Por isso, pesquisas visando o controle químico de espécies infestantes em cultivos desse capim são extremamente importantes a fim de evitar perdas de produtividade e de qualidade de forragem. Além disso, esses estudos poderão subsidiar os trabalhos visando a obtenção de registros de herbicidas para capim-elefante no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Entretanto, quando se faz a aplicação de herbicidas no campo, há a necessidade de realizar o monitoramento de seus resíduos nas pastagens para evitar a possível contaminação de alimentos derivados da pecuária, como leite e carne, afirma a pesquisadora da Embrapa Sonia Queiroz. Além disso, o uso inadequado deagroquímicos é uma ameaça potencial ao meio ambiente e a organismos não alvo, reforçando a necessidade de pesquisas para conhecer o destino desses produtos e estabelecer doses seguras de aplicação.

A maioria dos herbicidas avaliados nesse estudo é aplicada sobre o solo (pré-emergentes) e não diretamente sobre o capim-elefante. Isso, de acordo com a pesquisadora, implica menor risco de deixar resíduos em comparação aos herbicidas pós-emergentes, que são aplicados diretamente sobre as culturas. A aplicação de herbicidas sobre o solo possibilita que as moléculas sejam degradadas, principalmente por microrganismos.

Além disso, existe um intervalo de aproximadamente 120 dias entre a aplicação dos herbicidas e a colheita do capim-elefante. Queiroz explica que, durante esse período, outros processos de degradação dos herbicidas, além do microbiano, estariam também atuando. Desse modo, as chances de não mais haver resíduos são grandes. Por outro lado, caso algum resíduo de determinado herbicida ainda persista nas plantas no momento da colheita, o método desenvolvido irá revelar a quantidade presente do químico, sendo possível avaliar se é segura para o consumo animal.

De acordo com a Assalin, o objetivo foi otimizar e validar um método multiresíduo confiável para a  determinação e quantificação de resíduos de herbicidas em capim-elefante utilizando cromatografia líquida de alta eficiência acoplada à espectrometria de massas de alta resolução (LC-QTof-MS). A implementação de um método analítico envolve um processo de avaliação que estima a sua eficiência na rotina do laboratório e assim garante que as análises reproduzam valores consistentes se comparadas a um valor de referência.

Segundo os parâmetros de validação avaliados no estudo, o método mostrou ser adequado para a determinação dos resíduos dos herbicidas estudados. Para o metsulfurom-metílico, o método mostrou ser capaz de determinar quantidades menores que o limite máximo de resíduos (LMR) estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 0,1 mg/Kg, sendo esse o único que apresenta registro para aplicação em pastagem no Brasil.

Assim, foi possível analisar amostras de capim-elefante coletadas no campo experimental após a aplicação dos produtos e, com isso, selecionar os herbicidas mais eficientes e que deixam menos resíduos na planta. Isso permitiu o controle das plantas daninhas com segurança em relação ao consumo de alimentos de origem bovina.

O desenvolvimento

A quantificação dos resíduos de pesticidas em capim elefante baseou-se no método QuEChERS (do inglês Quick, Easy, Cheap, Effective, Ruged and Safe), que consiste em metodologia moderna e bem conhecida de preparação de amostras na área de análise de resíduos de pesticidas, seguida da determinação por cromatografia liquida acoplada à espectrometria de massas.

Algumas modificações foram realizadas no QuEChERS de forma a otimizar o procedimento de extração em função da complexidade da matriz estudada. O método permite a extração de inúmeros compostos em uma única análise, constituída das etapas de extração, empregando um solvente orgânico; separação, por uma etapa de salting out (pela adição alguns sais); seguida da fase de limpeza, para eliminação de compostos que são coextraídos do capim-elefante e podem interferir na quantificação dos pesticidas de interesse.

A espectrometria de massas é um método de alta confiabilidade que gera resultados de forma rápida, fácil, com custo acessível e alta qualidade. A cientista salienta que no Brasil existem pouquíssimos laboratórios de análise de resíduos de agrotóxicos devido aos complexos processos envolvidos. “Para se ter uma ideia, é preciso detectar quantidades do nível de microgramas por quilo (µg/Kg), as quais exigem equipamentos sofisticados e equipe altamente especializada,” ressalta a pesquisadora ao declarar que a Embrapa Meio Ambiente abriga um dos poucos laboratórios do País desse tipo.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente

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Governo libera R$ 24,4 milhões para fortalecer cooperativas da agricultura familiar no Rio Grande do Sul

Recursos beneficiarão 24 cooperativas com investimentos em agroindustrialização, ampliação da produção e comercialização de alimentos.

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Foto: Gabriela Nataly/Ascom SDR

O governo do Rio Grande do Sul formalizou, nesta quinta-feira (02), a assinatura de 24 contratos do Programa de Apoio à Agricultura Familiar e Camponesa. A iniciativa destina R$ 24,4 milhões para investimentos em cooperativas de diferentes regiões do Estado, com foco na ampliação da produção, na agroindustrialização, na comercialização de alimentos e na geração de renda no meio rural.

Os financiamentos são realizados com recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), por meio do Badesul, com aporte do Fundo Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme o Decreto Estadual nº 58.833/2026. O programa prevê subsídio de 100% sobre os financiamentos, permitindo que as cooperativas realizem os investimentos sem custos financeiros.

Os recursos serão aplicados na ampliação da capacidade produtiva, na agregação de valor aos produtos, no fortalecimento das cadeias produtivas e na melhoria da comercialização. A iniciativa beneficia agricultores familiares, assentados da reforma agrária e comunidades tradicionais, fortalecendo a economia regional e a produção de alimentos no Estado.

Durante a cerimônia, o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, afirmou que a liberação dos contratos foi antecipada para garantir a execução dos investimentos ainda neste ano, antes do período de restrições eleitorais. “O Rio Grande do Sul nunca investiu tanto no desenvolvimento rural. Esses recursos fortalecem as cooperativas, ampliam as oportunidades para a agricultura familiar e se somam a outras iniciativas voltadas ao aumento da produção e da renda no campo”, destacou.

O presidente em exercício e diretor de Operações do Badesul, Flávio Lammel, destacou que os investimentos contribuirão para agregar valor à produção e fortalecer a estrutura das propriedades rurais. “Nosso papel é apoiar projetos que ampliem a competitividade da agricultura familiar e promovam o desenvolvimento regional”, disse.

Representando o BNDES, a chefe do Departamento de Inclusão Produtiva e Educação, Celina Rangel Tura, afirmou que os recursos integram as ações voltadas à recuperação econômica do Rio Grande do Sul. “Essa entrega representa mais um esforço conjunto para apoiar a reconstrução do Estado e fortalecer um programa estratégico para a agricultura familiar”, afirmou.

As 24 cooperativas contempladas atuam em diferentes cadeias produtivas e estão distribuídas em diversas regiões do Rio Grande do Sul, reforçando o papel da agricultura familiar no abastecimento de alimentos e no desenvolvimento econômico local.

Fonte: Assessoria BNDES
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Pequenos produtores poderão ter novas regras para vender alimentos artesanais

Proposta retira autorização prévia para fabricação e comercialização de produtos coloniais, mas mantém exigências de boas práticas, rotulagem e controle sanitário.

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Foto: Divulgação

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (08) o Projeto de Lei 3.509/2023, que altera as regras para produção, fiscalização e comercialização de alimentos coloniais e artesanais feitos por agricultores familiares.

A proposta elimina a exigência de autorização governamental prévia para a fabricação, distribuição e venda desses produtos. Com a mudança, os produtores deverão seguir normas sanitárias relacionadas a boas práticas de fabricação, rotulagem, responsabilidade pelo alimento e demais requisitos previstos na legislação.

O texto ainda prevê que produtos classificados como de maior risco possam estar sujeitos a exigências adicionais, como capacitação em boas práticas de fabricação e mecanismos de rastreabilidade.

Projeto busca reduzir burocracia para pequenos produtores

Deputado Alceu Moreira: “A proposta fortalece a agricultura familiar ao reduzir a burocracia para quem produz em pequena escala, preservando a segurança dos alimentos e o controle sanitário”

O relator na CCJ, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a proposta busca facilitar a atuação de produtores de pequena escala sem retirar os mecanismos de controle sanitário. “A proposta fortalece a agricultura familiar ao reduzir a burocracia para quem produz em pequena escala, preservando a segurança dos alimentos e o controle sanitário. Também promovemos ajustes para garantir a constitucionalidade do projeto e respeitar a autonomia dos entes federativos”, afirmou.

Na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), onde o projeto também foi analisado, o relator foi o deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Segundo ele, a simplificação das regras deve ocorrer sem comprometer a fiscalização dos alimentos. “É possível reduzir a burocracia sem abrir mão do controle sanitário, valorizando a produção artesanal e fortalecendo a agricultura familiar”, declarou.

Próximos passos

Como tramita em caráter conclusivo nas comissões, o projeto poderá seguir diretamente para o Senado Federal caso não haja recurso para votação pelo plenário da Câmara.

Fonte: Assessoria FPA
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Sucessão no campo deve ser prioridade

Organização da gestão, diálogo entre gerações e profissionalização são apontados como pilares para garantir a continuidade dos negócios no campo.

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Giuliano De Luca/Gemini/OP Rural

A sucessão nas propriedades rurais deixou de ser uma questão restrita ao âmbito privado das famílias para tornar-se tema estratégico ao desenvolvimento do cooperativismo, do agronegócio e da própria vitalidade econômica e social do campo. Em uma realidade marcada por profundas transformações tecnológicas, mercadológicas e gerenciais, a continuidade dos empreendimentos rurais depende, cada vez mais, da capacidade de planejar, com serenidade e método, a transferência de responsabilidades entre gerações.

Foto: Divulgação/UEPG

O patrimônio construído ao longo de décadas pelo trabalho das famílias rurais não se resume à terra, às máquinas, às instalações ou aos resultados econômicos. Ele compreende valores, vínculos, conhecimento acumulado, reputação, pertencimento comunitário e compromisso com a produção de alimentos. Preservar esse legado exige mais do que afeto pela história familiar: requer governança, diálogo, profissionalização e visão de futuro. A sucessão, quando devidamente planejada, protege o patrimônio, organiza a gestão, reduz conflitos e assegura que a propriedade permaneça produtiva, competitiva e integrada ao desenvolvimento regional.

É indispensável compreender que a sucessão deve começar antes da urgência. Quando o tema é adiado, multiplica-se o risco de decisões improvisadas, disputas familiares, descontinuidade produtiva e perda de valor econômico. O primeiro passo consiste no alinhamento de expectativas entre os membros da família, respeitando a trajetória do fundador, as aptidões dos filhos, a afinidade de cada um com a atividade rural e a necessidade de construção de regras claras. A sucessão não se impõe por herança biológica; consolida-se pela preparação, pela competência e pela adesão consciente a um projeto comum.

Nesse processo, três dimensões precisam caminhar de forma integrada: família, patrimônio e gestão. A família deve amadurecer emocionalmente para tratar de temas sensíveis sem reduzi-los à ideia de morte, substituição ou perda de autoridade. O patrimônio precisa ser organizado de modo a evitar inseguranças jurídicas e patrimoniais. A gestão, por sua vez, deve avançar para padrões mais profissionais, com controles, indicadores, prestação de contas, separação entre caixa familiar e caixa do negócio, definição de papéis e critérios objetivos para a participação de familiares na empresa rural.

Novo líder

Foto: Shutterstock

Durante muito tempo, numerosos produtores foram formados sobretudo como executores, em um contexto no qual o trabalho braçal ocupava o centro da rotina produtiva. Tornaram-se excelentes produtores, mas nem sempre receberam preparo para atuar como gestores. O novo ciclo do campo, contudo, exige competências adicionais: planejamento, análise econômica, domínio tecnológico, liderança, negociação, gestão de pessoas e inserção em cadeias produtivas cada vez mais complexas. Preparar o sucessor, portanto, não é apenas transferir uma função; é formar uma liderança apta a conduzir a propriedade com responsabilidade, inovação e fidelidade aos valores de origem.

A aproximação dos jovens com a vida rural deve ocorrer desde cedo, de forma gradual e positiva. É necessário fazê-los sentir pertencimento, compreender a relevância econômica e social da propriedade, conhecer os desafios do campo e visualizar perspectivas reais de realização profissional. Quando os jovens encontram espaço para aprender, opinar, inovar e participar, a sucessão deixa de ser imposição e passa a ser escolha. Esse movimento é essencial para evitar o esvaziamento do campo, fenômeno que ameaça não apenas famílias isoladas, mas comunidades inteiras, cooperativas, cadeias produtivas e a segurança alimentar.

Vanir Zanatta, Presidente do Sistema Ocesc (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina) – Foto: Divulgação/Ocesc

O perigo do êxodo rural não pode ser subestimado. Quando a juventude se afasta por falta de oportunidade, reconhecimento ou planejamento, perdem-se lideranças, enfraquecem-se comunidades, reduzem-se a capacidade produtiva e a sucessão de saberes. O campo sem jovens torna-se vulnerável ao abandono, à concentração excessiva, à perda de dinamismo econômico e ao rompimento de laços sociais que sustentam a vida comunitária. Por isso, estimular a permanência qualificada das novas gerações é compromisso institucional com o futuro.

Também é necessário reconhecer que o sucedido precisa preparar-se para desprender-se gradualmente da centralidade da gestão. A transição bem-sucedida considera não apenas o plano de carreira do sucessor, mas também o plano de aposentadoria, participação e reposicionamento do fundador. Muitas propriedades não se fragilizam por ausência de conhecimento, mas pelo adiamento daquilo que todos sabem ser necessário. Planejar é transformar uma passagem inevitável em processo seguro, respeitoso e produtivo.

Cooperativismo tem papel papel decisivo

O cooperativismo tem papel decisivo nessa agenda. Ao promover capacitação, orientação, integração entre gerações e fortalecimento da cultura de gestão, as cooperativas contribuem para que as famílias rurais enfrentem a sucessão com maturidade. A continuidade das propriedades é também continuidade da produção, da cooperação, do desenvolvimento local e da presença humana no campo.

Planejar a sucessão é, portanto, um ato de responsabilidade com a família, com a propriedade, com a comunidade e com o futuro. O campo que se prepara para suceder é o campo que permanece vivo, produtivo e capaz de renovar-se sem renunciar à sua história.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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