Notícias
Lucas Piroca avalia gestão à frente do Nucleovet
Durante seu mandato foram realizadas duas edições de cada evento tradicionalmente promovidos pela associação.

Relembrando o plantio de uma árvore Sakura feita em 2012 na sede da associação, Lucas Piroca encerrou o seu mandato como presidente do Nucleovet com uma analogia à força e à perseverança. “Mesmo depois de tantas tormentas e temporais, as flores permanecem firmes. Assim é e continuará a ser o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas”.
O médico-veterinário esteve à frente da entidade durante o biênio 2022-2023 e transmitiu o cargo para Tiago José Mores, que presidiará de janeiro de 2024 a dezembro de 2025. Durante o mandato de Lucas foram realizadas duas edições de cada evento tradicionalmente promovidos pela associação: o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) e o Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL). Em 2022, o SBSA e o SBSS atingiram seus recordes de público. Em novembro deste ano o SBSBL também recebeu sua maior participação. Além disso, 2023 foi marcado pela criação e realização de duas edições do Encontro Pets, evento desenvolvido pelo Núcleo voltado à área dos pets. Feitos que demonstram o avanço e relevância da entidade. Confira o relato de Lucas Piroca:
Como você avalia o mandato de modo geral?
Lucas Piroca – Assim como o tempo, o mandato passou como um relâmpago. No início, parecia que seria uma eternidade, mas tudo passou a fluir mais rápido ao longo dos dias. Hoje, olhando para trás, sinto que foi ontem que assumi o cargo. No entanto, quando começo a pensar em tudo o que aconteceu durante esse tempo, em tudo o que pudemos realizar, vejo que não foi pouco tempo. Conseguimos fazer muito e trazer várias melhorias para a entidade.
Quais foram as principais dificuldades enfrentadas?
Lucas Piroca – Os fatos mais marcantes são aqueles que nos causam mais dificuldade, pelo menos para mim. Encontramos muitos desafios, mas conseguimos superá-los. Realizamos três grandes Simpósios, mas acabamos perdendo o espaço onde os realizávamos, que é o Centro de Eventos, pois ele foi transformado em um hospital de campanha e passou por reformas em 2022. Tivemos que organizar o evento em um local diferente, com outra realidade e uma estrutura distinta. Esse desafio nos ensinou muito. Aprendemos a lidar cada vez melhor com adversidades, a sermos mais flexíveis e a trabalhar melhor em equipe, como também a valorizar o nosso trabalho e a capacidade de superação. O trabalho do time fez a diferença!
E as principais conquistas?
Lucas Piroca – Creio que as maiores conquistas foram conseguir superar as adversidades e nós conseguimos felizmente superar todos os desafios que apareceram no decorrer desses dois anos. Também realizamos importantes ações e atingimos marcas memoráveis. Cito aqui a passagem de 123 para 192 associados e a criação de dois eventos paralelos que auxiliaram a engrandecer o SBSBL, o Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte e o Simpósio Catarinense de Pecuária de Leite à Base de Pasto. Obtivemos recorde de participação nos três eventos, um grande feito que revela que estamos no caminho certo. Acho importante destacar as campanhas beneficentes que promovemos e apoiamos nesses dois anos. Realizamos com sucesso duas edições da campanha do agasalho e proporcionamos uma feijoada solidária para o Programa Viver. Algo que me orgulha muito é a criação da NucleoStore. Agora, além de doarmos parte do valor das inscrições dos Simpósios para entidades beneficentes, do mesmo modo fazemos a doação de todo o lucro arrecadado com as vendas durante os eventos. Todas essas são pequenas ações, mas que fazem grande diferença a quem recebe.
Como o senhor definiria hoje os desafios dos médicos-veterinários e zootecnistas?
Lucas Piroca – Considero que o maior desafio atual é demonstrar o compromisso que as classes profissionais têm com o Brasil e com a sociedade brasileira. Ambas as profissões são essenciais e relevantes, contudo, ainda são subestimadas e desvalorizadas. Portanto, acredito que um dos principais desafios dessas classes é mostrar sua importância e o impacto positivo que têm na sociedade. Nesse sentido, o Nucleovet desempenha um papel fundamental ao defender as classes, fomentar o conhecimento e aproximar profissionais.
Quais os conselhos que daria ao seu sucessor?
Lucas Piroca – O Nucleovet é uma grande entidade, composta por pessoas com diferentes ideias e perspectivas, mas com o mesmo objetivo. Para que o Núcleo siga funcionando de forma harmoniosa e equilibrada, é essencial que seu líder seja capaz de mediar conflitos e tomar decisões assertivas. É com esse espírito que eu anseio que Mores continue a dirigir o Nucleovet. Um líder ao ser virtuoso, ao se colocar no lugar do próximo e buscar o consenso ouvindo atentamente as diferentes partes envolvidas em um conflito irá encontrar soluções que sejam justas e adequadas para todos. Creio que o mais importante estando à frente de uma entidade como essa é não ter medo de tomar decisões difíceis, mas que sejam necessárias. Meus votos de sucesso a nova gestão e meu desejo em especial para o Mores, para que possa liderar inspirando, motivando e encorajando toda a diretoria, os colegas e associados a seguir na busca do crescimento e do desenvolvimento do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas.

Notícias
Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
Notícias
Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



