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Lideranças formalizam carta aberta sobre questão indígena
A
preocupação com a possibilidade da demarcação de reserva indígena no Oeste do
Paraná externada durante o Encontro de Posicionamento realizado ontem (19), em
Marechal Cândido Rondon, culminou com a formalização de uma carta aberta à
sociedade.
O
documento – assinado por senador, deputados federais, estaduais, prefeitos,
presidentes de entidades regionais, sindicatos e outros – visa chamar a atenção
coletiva sobre o risco dos produtores rurais serem expropriados de suas terras.
O teor da carta será levado à Câmara do Deputados, Senado Federal, Assembleia
Legislativa, dentre outros órgãos públicos para conscientizar as autoridades e
a população quanto à problemática que envolve a questão.
No
texto, as lideranças pedem senso de justiça na análise do caso, que vem gerando
insegurança nos produtores rurais.
Além
deste clamor, o encontro também estabeleceu o acompanhamento político e
jurídico da questão, visando à defesa dos interesses da comunidade do Oeste do
Paraná, garantindo e fazendo prevalecer o direito à propriedade.
Estiveram
presentes ao evento o senador Sérgio Souza, os deputados federais Dilceu
Sperafico e Nelson Padovani, estaduais Ademir Bier, Elio Rush e Elton Welter,
assim como os prefeitos de Marechal Cândido Rondon, Moacir Froehlich; de Entre
Rios do Oeste, Jones Heiden, Mercedes, Cleci Loffi; Pato Bragado, Arnildo
Rieger; de Guaíra, Fabian Vendrúsculo; e de Terra Roxa, Ivan Reis; assim como o
vice-prefeito de Diamante do Oeste, Antônio Prodózimo.
O
evento ainda teve a participação da representante da Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep) Marlise Ricardi; presidente da Coordenadoria das
Associações Comerciais e Industriais do Oeste do Paraná (Caciopar), Mário César
Costenaro; do presidente da Adeop, de Foz do Iguaçu, Sebastião Claudio Santana;
do representante da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha em Brasília,Werner
Wanderer, além de presidentes de Câmaras de Vereadores, sindicatos rurais,
cooperativas, empresas e outras entidades e associações.
Marco temporal
Durante
o encontro, o senador da República, Sérgio Souza, ressaltou que trata-se de um
tema nacional e que tem trazido instabilidade para o meio rural. Na visão dele,
para conter as invasões de propriedades deve-se fazer o mesmo que foi feito
para o caso de invasões de sem terras: impor que propriedades invadidas não
serão motivo de desapropriação e demarcação de terras indígenas.
Na
avaliação de Souza, é necessário que haja um marco temporal: 1988, fazendo
valer o que está na Constituição. Desse modo, o que era terra de índio naquele
ano, continuaria sendo deles, pois os respeitamos, mas também queremos que seja
respeitado o direito à propriedade, salienta.
O
senador lembra que o marco temporal da constituição está colocado dentro do
acórdão federal proferido pelo ministro Ayres Britto quando do julgamento da
reserva Raposa Serra do Sol, de Roraima. Estivemos nesta semana com o ministro
Joaquim Barbosa tratando do assunto, uma vez que há embargos de declaração
apostos no acórdão e que têm efeito suspensivo, expôs. Segundo Souza, enquanto
o Supremo Tribunal Federal não julga o caso, há uma corrida de antropólogos,
ONGs e entidades que se aproveitam de uma lacuna da legislação para ocupar
terras de produtores rurais.
Recentemente,
o senador esteve reunido na Casa Civil, com Gleisi Hoffmann, a ministra do
Planejamento Miriam Belchior, ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, ministra
Isabela Teixeira, além de outros senadores. Do encontro saiu uma pauta, a
partir da qual o governo vai emitir um parecer através da Advocacia Geral da
União, e nós senadores mantivemos a reunião com o Supremo, fazendo a nossa
parte, relatou.
Durante
sua passagem por Marechal Rondon, o senador revelou que está em andamento um
estudo de 200 páginas produzido pela Consultoria do Senado, visando à criação
de uma legislação específica para que haja pagamento pelas áreas desapropriadas
em caso de demarcação de reservas indígenas. O que não pode é continuar do
jeito que está: propriedades legítimas cujos títulos foram vendidos pelo
próprio governo, passados para famílias por sucessão e hoje elas serem
invadidas por índios, lamenta.
PEC 215
Atribuir
exclusivamente ao Congresso Nacional a análise e homologação final da
demarcação de terras indígenas, conforme propõe a Proposta de Emenda
Constitucional PEC 215, é cabível atualmente, avalia o senador. Do jeito que
está hoje, a PEC é necessária. Já se estabelecermos o marco temporal, deixa de
ser preciso repassar ao Congresso essa responsabilidade, analisa Souza.
CPI da Funai
A
princípio, o parlamentar é contra a instalação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar a atuação da Fundação Nacional do Índio
(Funai), pois ele não crê que uma CPI possa representar uma solução para o caso
das invasões. Não sei se ela não traria mais conflitos ainda. A CPI tem ameaça
de chegar à Câmara dos Deputados e o Senado não tem pensado nesse sentido,
desconversa.
Na
opinião de Souza, é preciso oferecer melhores condições de vida aos índios e
não mais terras. As reservas como são hoje não atendem às necessidades deles.
Não temos fauna que favoreça a sobrevivência deles e, de outro lado, não cabe
ficar repassando cestas básicas. Vemos que em cada esquina de Curitiba,
Cascavel e outros grandes centros brasileiros, tem um índio. Significa que algo
está errado. Não é que precisam de mais terras, mas sim de tecnologia, de
qualidade de vida, explica o senador.
Lindeiros
Também
presente ao evento, o presidente do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios
Lindeiros ao Lago de Itaipu, Jucerlei Sotoriva, destacou o trabalho
desenvolvido pelos deputados, na pessoa de Dilceu Sperafico, para que a
segurança jurídica e o direito à propriedade sejam mantidos. Admiramos a forma
pacífica e ordeira, mas ainda assim firme, como conduziram a questão da invasão
em Brasília. É esta postura que esperamos, pois se for derramada uma gota de
sangue sequer, não terá valido à pena, explanou, enfatizando que o Conselho
soma-se ao movimento de garantia à propriedade e à produção agrícola.
O
prefeito anfitrião do evento, Moacir Froehlich, também ressaltou a necessidade
de respeito entre ambas as partes, para que nenhuma delas fique prejudicada.
Temos que dizer não ao arco e flecha, mas também dizer não ao extrativismo.
Queremos que os nossos produtores tenham condições de continuar tranquilos em
suas terras, produzindo riquezas para este país, conforme a sua vocação,
enfatizou.
Manipulação
O
deputado Nelson Padovani relatou que ainda em 2011 ele fez a denúncia de que
havia pessoas trazendo ossadas de cemitérios indigenistas (tais quais do Xingu)
e enterrando em terras produtivas do Brasil. O índio está sendo vítima de uma
entidade chamada Funai, que está usando-os para procedimentos como o que
ocorreu nesta semana na Câmara dos Deputados, a invasão do local por 600 índios
armados, opinou.
Padovani
considerou absurdo o acontecimento na Casa. Enquanto nossos assessores são
revistados para entrar na Câmara, os índios entraram armados, comparou. Conforme
ele, os indígenas hoje detêm 12,5% do território nacional do Brasil, sendo que
a população indigenista não chega a 0,5% do total. Eles detêm uma área maior
que a França e a Inglaterra juntas, no nosso país, e o nosso bem produtivo já
teve problemas sérios com invasões, afirmou Padovani.
Ele
acredita que o caminho para conter a demarcação de novas terras é a aprovação
da PEC 215. É dever do governo federal cuidar da vida dos índios e não somos
nós, agricultores, que vamos pagar esse preço, enfatizou.
Grave
A
situação é crítica e preocupante, na análise do deputado federal Dilceu
Sperafico. No Rio Grande do Sul os produtores tinham escrituras da época da
imigração de 1908 e os seus herdeiros foram expropriados porque foi demarcada
uma gleba que deixou mais de 300 famílias abandonadas, exemplificou. Da
mesma forma, a demarcação da Raposa Serra do Sol é considerada uma vergonha
pelo deputado. Ele ainda expôs que a função da Funai seria de cuidar dos
índios, sua educação e saúde. Mas não, desvirtuou-se de uma forma tão grande
que a Funai e as ONGs estão agindo com desrespeito ao Brasil e ao próprio
índio, afirma.
Sperafico
acredita que existe uma orquestração ocorrendo por trás das demarcações. Essa
situação começou há décadas, passou pelos sem-terra, agora foi para os índios e
vai chegar nos quilombolas, pois existem interesses de ONGs por trás: estão
querendo diminuir a nossa produção nacional, alertou.
A
destinação de áreas de terra para reserva indígena não seria problema, segundo
o parlamentar, se não fossem reivindicadas as produtivas. Ocupamos apenas 20%
do território nacional com a produção agrícola e pecuária então tem 80% onde é
possível demarcar reservas (se há tradição indígena), mas não onde produzimos,
bradou.
Poder
Por
sua vez, o deputado estadual Elio Lino Rusch acredita que a Constituição
Federal de 1988 atribuiu muitos poderes para a Funai. Vejo que hoje temos que
tirar o poder dessa instituição e quem pode fazer isso é o Congresso Nacional,
comentou.
Ele
enfatizou que os produtores são fortes e podem fazer valer os seus direitos.
Todos nós nos sentimos prejudicados com a situação, mas temos certeza que as
lideranças políticas da nossa região buscarão reverter esse quadro em favor dos
nossos produtores. Queremos ordem e progresso para a produção do Brasil,
exclamou.
Jurídica
O
deputado Ademir Bier compartilhou com os presentes o fato de estar convencido
de que trata-se de uma questão jurídica, razão pela qual deve ter o devido
acompanhamento. Fico feliz que o Conselho dos Lindeiros vai colocar à
disposição do movimento o setor jurídico da entidade, enalteceu. Apesar
de a questão indígena não ser matéria estadual, Bier ressaltou que está
participando de uma série de encontros com essa temática. Estamos juntos com
os produtores para fazer a nossa parte na defesa do setor produtivo. É hora de
resolver definitivamente essa questão para dar tranquilidade a todos. Para isso
confiamos nos nossos deputados e senadores, garantiu.
Desacredita
O
deputado Elton Welter não acredita que haverá novas demarcações de terra. Mesmo
assim, certamente as demandas dos gestores e lideranças serão encampadas pela Presidência
da República, que tem uma Constituição Federal para ser seguida. O Congresso é
que precisa alterá-la, afirmou.
Ele
defende que a questão seja analisada sem paixão, e que busque os
encaminhamentos constitucionais, de modo que não seja preciso haver novas
demarcações e nem desapropriações de áreas produtivas.
Entidades
Representando
52 municípios esteve presente o vice-presidente da Associação dos Municípios do
Oeste do Paraná (Amop), prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto. Ele
frisou, na ocasião, que muitos produtores têm direito garantido há mais de 100
anos, que a região é a mais produtiva do Estado e onde mais se abate frango em
todo o país. E ainda assim temos que lidar com essa insegurança jurídica
diante dos índios querendo tomar as nossas terras, lamentou. Queremos que
acabe essa insegurança jurídica que assola os produtores. A Amop está do lado
deles e nos colocamos à disposição para estarmos juntos e apoiar a defesa da
propriedade e da produção, declarou Micheletto.
O
presidente da Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (Acamop),
Amauri Ladwig, explanou, durante o evento, que os vereadores também apoiam a
defesa dos direitos dos produtores rurais. Já estamos nos mobilizando e se
precisarmos ir a Brasília para defender os agricultores, estes podem contar
conosco, pontuou.
Fonte: O Presente

Notícias Energia no campo
Copel e Ocepar unem equipes para melhorar fornecimento de energia às cooperativas
Grupo técnico vai mapear gargalos na rede elétrica e definir ações para ampliar a qualidade e a confiabilidade do serviço no campo.

A Copel e o Sistema Ocepar vão integrar equipes técnicas para mapear o sistema elétrico, que atende a cooperativas, e atuar em conjunto para ampliar a eficiência, a qualidade e a confiabilidade da distribuição de energia.

Foto: Divulgação/Copel
A iniciativa foi anunciada pelo diretor Comercial da Copel Distribuição, Julio Omori e o coordenador Gerencial Técnico e Econômico da Ocepar, Silvio Krinski, durante o Fórum de Energia, na sede da Copacol, em Cafelândia.
Realizado na última quinta-feira (18), o evento reuniu representantes de diversas cooperativas da região Oeste paranaense. “Este fórum foi extremamente positivo, pois tivemos a oportunidade de sinalizar soluções de melhorias que já havíamos mapeado internamente na Copel”, afirmou Omori.
Silvio Krinski ressaltou a estratégia definida no evento. “Em grupo, temos a possibilidade de identificar com clareza os principais desafios que o setor produtivo enfrenta atualmente. Com isso, buscamos, de forma colaborativa, construir soluções viáveis e alinhadas à realidade de todos os envolvidos. Acreditamos que os melhores resultados surgem quando há integração”, disse.
O grupo de trabalho, a ser formado entre as partes, será encarregado de promover o alinhamento técnico entre as instituições para desenvolver alternativas conjuntas de melhorias fornecimento de energia. Copel e Ocepar definirão um cronograma de reuniões para a formatação das equipes. “Compreendemos a real prioridade das cooperativas relacionadas à energia. A integração técnica nos permitirá direcionar ações pontuais para gerar maior impacto e resultados em menor tempo, atendendo de forma mais efetiva às expectativas dos produtores rurais”, reforçou o diretor Comercial da Copel. “Esses feedbacks reforçam ainda mais a responsabilidade e o compromisso da Copel em evoluir continuamente, sempre antecipando demandas e se preparando para desafios cada vez maiores”, completou Julio Omori.
Fórum de Energia

Foto: Divulgação/Copel
Com a participação de mais de 40 pessoas, entre representantes da Copel e de cooperativas do Oeste paranaense, o Fórum de Energia tratou de ações relacionadas ao fornecimento de energia nas propriedades rurais e de melhorias na qualidade da distribuição.
Anfitriã do encontro, a Copacol conta atualmente com 10,5 mil cooperados e mais de 16,8 mil colaboradores e exporta para mais de 85 países.
No evento, gestores da cooperativa aproveitaram para apresentar os números do Planejamento Estratégico Cooperar para Crescer 2024-2028 e destacaram a importância da Copel para os cooperados. “À medida que a Ocepar viabiliza o encontro entre técnicos e gestores da Copel e das cooperativas, cria-se um espaço qualificado para discutir temas relevantes, muitas vezes complexos e até sensíveis, como a qualidade da energia. Esse ambiente promove o diálogo, a escuta ativa e o aprofundamento das questões, permitindo que as discussões saiam do campo da percepção e avancem para uma análise mais técnica e orientada à solução. Esta é uma construção conjunta”, pontuou o superintendente de Logística da Copacol, Itamar Ferrari.
Visita a campo
Como parte do Fórum de Energia, os técnicos da Copel e da Ocepar visitaram uma propriedade de produção de tilápias de um cooperado da Copacol, no município de Nova Aurora. A produção de pescados é atendida pelo Copel Agro, que dá suporte a cerca de 76 produtores da cadeia de proteína, que inclui ainda leite, frango e porcos.

Foto: Divulgação/Copel
Para o piscicultor Pedro Gurski, a proximidade entre Copel, cooperativa e produtor rural é fundamental para que, diante de qualquer necessidade ou eventual problema, seja possível atuar de forma mais rápida e eficiente. “É positivo para todos. Essa troca de informações permite a compreensão mais profunda da nossa realidade no campo. Hoje, dependemos diretamente da energia para garantir a produtividade e a entrega do produto final. Qualquer falha no fornecimento pode gerar prejuízos financeiros significativos, além de outros impactos relevantes”, observou Gurski.

Foto: Divulgação/Copel
Segundo o gerente-executivo do Copel Agro, Marcelo Gonçalves, muitas das necessidades relatadas pelos representantes das cooperativas no evento em Cafelândia são prioridades no programa. “Temos estudos e iniciativas em andamento, o que reforça que estamos no caminho certo. Ao mesmo tempo, surgiram novos pontos que abrem oportunidades para evoluirmos ainda mais no atendimento”, disse.
Pela linha direta 0800 643 76 76, o Copel Agro ultrapassou a marca de 51 mil atendimentos em junho, com 95% de aprovação dos clientes, em pouco mais de dois meses de funcionamento.
O superintendente de Engenharia da Copel, Denis Mollica, considera que estar próximo do cliente e compreender as suas necessidades auxilia na evolução dos serviços prestados. “Saímos desta visita e do encontro mais ricos em informação e com o relacionamento ainda mais fortalecido com nossos clientes. O compromisso da Copel é melhorar sempre”, ressaltou Mollica.
Notícias
Segunda safra e manejo do solo tornam vazio sanitário etapa estratégica da produção de soja
Em Mato Grosso, período de restrição ao plantio é usado para intensificar sistemas e influenciar produtividade futura.

O início do vazio sanitário da soja costuma transmitir a impressão de que as atividades nas fazendas diminuem. Em Mato Grosso, no entanto, a realidade é outra. Mesmo com a proibição do cultivo da oleaginosa, o campo segue em ritmo intenso, impulsionado pelas culturas de segunda safra e pelos manejos que definirão o desempenho da próxima temporada.

Foto: Júnior Knoff
Maior produtor de soja do Brasil, o Estado vive um período estratégico do calendário agrícola. Além do milho de segunda safra, culturas como algodão, sorgo, gergelim e milheto permanecem em desenvolvimento e exigem acompanhamento constante.
De acordo com o mestre em Agronomia Talis Melo, o vazio sanitário é uma medida essencial para o controle da ferrugem asiática, mas está longe de representar uma paralisação das atividades. “Hoje não temos soja no campo, porque o plantio é proibido durante o vazio sanitário. Mas isso não significa que a atividade para. O milho de segunda safra tem participação fundamental na rentabilidade do produtor. Além dele, culturas como algodão, sorgo, gergelim e milheto seguem em desenvolvimento e exigem manejo constante”, afirma.
Ao longo dos últimos anos, Mato Grosso consolidou um modelo produtivo baseado em duas grandes safras anuais. O que antes era chamado de “safrinha” tornou-se uma segunda safra de grande relevância econômica, responsável por ampliar a renda e a sustentabilidade financeira das propriedades rurais.
Além do retorno econômico, essas culturas exercem papel importante na preparação da próxima safra de soja. O cultivo consorciado de milho com braquiária, por

Foto: Divulgação
exemplo, contribui para a formação de palhada, melhora a estrutura do solo, conserva a umidade e favorece o desenvolvimento da lavoura subsequente.
Segundo Melo, as decisões tomadas neste período têm reflexos diretos sobre a safra 2026/27. Estratégias de controle de plantas daninhas, manejo fitossanitário, escolha de cultivares e uso de plantas de cobertura são fatores que influenciam a produtividade da soja que será semeada nos próximos meses. “Os manejos realizados agora no milho, no algodão, no sorgo, no gergelim e em outras culturas refletem diretamente na safra de soja 2026/27. Este é um momento de planejamento e preparação, em que o produtor trabalha para construir os resultados que deseja alcançar na próxima temporada”, destaca.
Controle da ferrugem asiática
Em Mato Grosso, o vazio sanitário da soja começou em 08 de junho e se estende até 06 de setembro. Durante esse período, os produtores devem eliminar todas as plantas vivas de soja existentes em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e locais onde possa ocorrer germinação espontânea.
A medida busca interromper o ciclo da ferrugem asiática, considerada a principal doença da cultura e capaz de provocar perdas de até 90% da produção quando não controlada adequadamente.
Notícias
Redução da jornada pode acrescentar R$ 11,9 bilhões aos custos do transporte de cargas no Brasil
Estudo da CNT estima alta anual de 8,66% nas despesas com mão de obra em um setor que já enfrenta déficit de mais de 100 mil motoristas.

O primeiro semestre de 2026 impôs uma nova camada de desafios ao Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Responsável por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no Brasil, o setor precisou se adaptar simultaneamente a mudanças regulatórias, aumento de custos operacionais, maior rigor na fiscalização eletrônica e escassez de mão de obra, cenário que elevou a complexidade das operações e pressionou a rentabilidade das empresas.

Presidente da FETCESP, Carlos Panzan: “O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional” – Foto: Divulgação
Entre as principais mudanças estiveram as novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e a ampliação dos mecanismos de fiscalização digital.
Na avaliação da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), essas transformações exigiram investimentos em tecnologia e revisão dos processos internos. “O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional. Hoje, as empresas precisam acompanhar um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico, investir em tecnologia, reforçar controles internos e manter capacidade de adaptação rápida para preservar eficiência e competitividade”, afirma o presidente da FETCESP, Carlos Panzan.
Diesel e frete pressionam as margens
Além das adequações regulatórias, o setor continua convivendo com dificuldades estruturais. O diesel segue entre os principais fatores de pressão sobre os custos das transportadoras.
Em março, o combustível chegou a acumular alta de 19% e permanece representando entre 35% e 50% do custo

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operacional das empresas. Em algumas operações, esse percentual pode ultrapassar 70% do valor total do frete.
Ao mesmo tempo, levantamento da NTC&Logística apontou uma defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início deste ano, o que reduz a capacidade das empresas de repassar os custos e compromete as margens de operação.
Segundo a FETCESP, a adaptação às novas regras deixou de ser uma demanda pontual e passou a integrar a estratégia das empresas. Para a entidade, o segundo semestre deve ser marcado principalmente pelos desafios relacionados ao ambiente econômico, político e trabalhista.
Escassez de motoristas preocupa setor
Entre os temas que mais mobilizam as transportadoras está a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1.

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Estudo encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderá elevar em 8,66% os custos com mão de obra no setor de transporte, gerando impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.
O levantamento aponta ainda que seriam necessários cerca de 240 mil novos trabalhadores para manter os atuais níveis de operação e atendimento.
A preocupação é ainda maior no transporte rodoviário de cargas, que enfrenta um déficit estimado em mais de 100 mil motoristas profissionais, além da dificuldade para preencher outras vagas operacionais. “Estamos diante de uma discussão que exige equilíbrio. O transporte de cargas é uma atividade essencial para o abastecimento da economia e qualquer mudança estrutural precisa considerar seus impactos sobre custos, produtividade e capacidade de atendimento”, afirma Panzan.
Segundo semestre deve exigir mais planejamento
As empresas também acompanham com atenção o cenário político e econômico, especialmente diante do calendário eleitoral e da implementação gradual da Reforma Tributária.
Para a FETCESP, a previsibilidade será um dos fatores decisivos para a competitividade do setor nos próximos

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meses. “A tendência é que o segundo semestre continue exigindo elevado nível de planejamento e capacidade de adaptação das empresas. O setor precisa de previsibilidade para investir, organizar operações e manter competitividade. Quanto maior a estabilidade regulatória e o diálogo entre poder público e setor produtivo, maiores serão as condições para que as transportadoras continuem operando com eficiência e segurança”, destaca o presidente da entidade.
Diante desse cenário, a federação defende a ampliação da participação das empresas em pesquisas de confiança do setor, argumentando que um diagnóstico mais preciso sobre custos, ambiente regulatório e expectativas dos empresários pode contribuir para orientar políticas e fortalecer a representação institucional das transportadoras em um período marcado por mudanças e incertezas.
