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Indústria de carnes da Aurora em Joaçaba reabre dia 6 de janeiro
Fonte: MB Comunicação

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El Niño deve elevar risco de enchentes e temporais no Rio Grande do Sul nos próximos meses
Boletim climático aponta chuvas acima da média, maior frequência de tempestades e possibilidade de ciclones extratropicais mais intensos, sobretudo na metade Norte do Estado.

As consequências do fortalecimento do El Niño já começam a desenhar um cenário de maior atenção para o Rio Grande do Sul. O fenômeno deve provocar chuvas acima da média nos próximos meses, aumentar a frequência de temporais e elevar o risco de enchentes e inundações, principalmente na metade norte do Estado.

Foto: Divulgação
O alerta consta no prognóstico climático para o trimestre julho-agosto-setembro divulgado pelo Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs).
Segundo o boletim, os efeitos do El Niño tendem a se intensificar ao longo do inverno e da primavera, favorecendo a ocorrência de episódios de chuva intensa e eventos meteorológicos extremos.
A previsão indica que as precipitações devem se tornar mais frequentes e volumosas, sobretudo na segunda metade do trimestre. A metade norte do Estado concentra a maior preocupação, embora todo o território gaúcho esteja sujeito a períodos de instabilidade mais severa.

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De acordo com os metereologistas da Copaaergs, esse comportamento climático está relacionado ao fortalecimento da corrente de jato subtropical e dos chamados jatos de baixos níveis, que intensificam o transporte de umidade da Amazônia para o Sul do Brasil.
Essa combinação favorece a formação de grandes sistemas de tempestades, conhecidos como sistemas convectivos de mesoescala, além do desenvolvimento de ciclones extratropicais mais intensos.
Tempestades, granizo e rajadas de vento
O boletim destaca que, além do excesso de chuva, o Rio Grande do Sul poderá registrar episódios mais frequentes de tempestades acompanhadas de rajadas de vento forte e queda de granizo.
Esses eventos podem ser provocados tanto pelos ciclones extratropicais quanto por áreas de instabilidade e frentes semi-estacionárias que costumam se formar entre a Argentina, Uruguai, Paraguai e o Sul do Brasil.
A recomendação é que produtores rurais e órgãos de defesa civil acompanhem os avisos

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meteorológicos, especialmente durante a segunda metade do trimestre, quando a instabilidade tende a ser mais intensa.
Inverno ainda terá frio, mas temperaturas devem subir
Embora o inverno tenha começado oficialmente em 21 de junho, ainda há possibilidade de ocorrência de ondas de frio nas próximas semanas.
Segundo o Copaaergs, a primeira metade da estação ainda poderá registrar incursões de massas de ar polar, com redução acentuada das temperaturas e possibilidade de geadas em algumas regiões.
Ao longo do trimestre, porém, a tendência é de temperaturas ligeiramente acima da média histórica, principalmente no norte do Estado. Na região Sul e na faixa de fronteira, os valores devem permanecer próximos da normal climatológica.
O boletim também prevê forte contraste térmico entre as massas de ar quente predominantes nas regiões Central e Norte do Brasil e as incursões de ar frio vindas do sul do continente.

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Além da queda de temperatura, o inverno segue marcado por fenômenos típicos da estação, como a formação de nevoeiros e névoa úmida nas primeiras horas da manhã, reduzindo a visibilidade em estradas e aeroportos.
Maior umidade aumenta risco de doenças nas lavouras
No campo, o excesso de chuvas combinado com temperaturas ligeiramente mais elevadas poderá criar condições favoráveis para a proliferação de doenças fúngicas.
O Copaaergs alerta que produtores devem reforçar o monitoramento fitossanitário e avaliar a necessidade de aplicações preventivas para evitar perdas de produtividade.
Por outro lado, a maior nebulosidade prevista para a segunda metade do trimestre tende a reduzir o

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risco de geadas tardias, um dos eventos climáticos mais temidos por produtores de culturas de inverno e de lavouras perenes.
Recomendações aos produtores
Entre as orientações técnicas, o conselho recomenda manter o solo sempre protegido, seja com plantas de cobertura, espécies forrageiras ou culturas destinadas à produção de grãos.
A medida reduz processos erosivos e ajuda a preservar nutrientes, especialmente em períodos de chuvas intensas.
Mesmo com a previsão de precipitações acima da média, os especialistas também orientam produtores a ampliar a capacidade de armazenamento de água nas propriedades e investir em práticas que aumentem a infiltração e a retenção de água no solo.
A justificativa é que, apesar da influência do El Niño, a distribuição das chuvas pode ser irregular ao longo do ano e a demanda hídrica tende a aumentar novamente durante o verão.
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O paradoxo da suinocultura em 2026
Produção cresce, exportações seguem em alta e os custos recuam, mas o aumento da oferta mantém as cotações pressionadas e amplia as perdas nas granjas.

Os dados definitivos do IBGE para o primeiro trimestre de 2026 confirmaram o avanço da produção de carne suína no país. Embora o número de animais abatidos tenha sido mantido em relação à divulgação anterior, o instituto revisou para cima o peso das carcaças. Com isso, a produção totalizou volume 6,93% superior ao registrado nos três primeiros meses de 2025, o equivalente a 92,4 mil toneladas adicionais de carne.
Além do aumento de 5,49% no número de suínos abatidos, cerca de 794,5 mil cabeças a mais na comparação anual, os dados mostram crescimento do peso médio das carcaças. Em março de 2026, o indicador alcançou 93,54 quilos, acima dos 90,93 quilos observados em dezembro de 2025. O movimento sugere maior permanência dos animais nas granjas antes do envio para o abate.
A análise da evolução mensal reforça a consistência da expansão da atividade. A última retração no número de cabeças abatidas ocorreu em abril de 2025, enquanto a redução no volume produzido em toneladas foi registrada pela última vez em fevereiro do mesmo ano. Entre abril de 2025 e março de 2026, o abate cresceu, em média, 5,05% ao mês em número de animais e 6,5% em toneladas de carcaça na comparação com os mesmos meses do ano anterior, evidenciando um ciclo prolongado de aumento da produção.

Parte deste aumento da produção (92,4 mil toneladas) do primeiro trimestre de 2026 foi destinada às exportações de carne suína in natura que cresceram 15,15% (+44,1 mil toneladas) no mesmo período. Ou seja, a disponibilidade interna aumentou 48,2 mil toneladas (4,63%) no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025 (Tabela 2).
Na mesma tabela, analisando cada mês, observa-se que março de 2026 foi o mês de maior incremento na disponibilidade interna, com 22,8 mil toneladas (6,6%), o que equivale a quase 1,3kg per capita ano a mais de consumo.

e variação percentual de um ano para outro. Elaborado por Iuri Machado, com dados do IBGE e Secex.
Esta sobre oferta bastante significativa explica a queda consistente de preços no início do ano, porém as cotações continuaram caindo em abril e maio e na primeira quinzena de junho (Gráficos 1 e 2).


O que explica, em grande parte, a continuidade da queda de preços no segundo trimestre/26 é a redução do ritmo de crescimento percentual das exportações de carne suína in natura em relação ao mesmo período do ano passado (Gráfico 3). Geralmente, por representar, em torno de 24% da destinação da produção, a exportação de carne suína in natura precisa crescer percentualmente em torno de quatro vezes mais que o crescimento da produção para manter a disponibilidade interna no mesmo patamar, ou seja, se, por exemplo, a produção em toneladas de carcaça crescer 6% as exportações precisam crescer 24% no mesmo período para que não haja sobreoferta no mercado doméstico.
Conforme o gráfico 3, a seguir, no acumulado do segundo trimestre de 2026, até os embarques de 12 de junho, as exportações de carne suína in natura só cresceram 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda não temos dados oficiais da produção neste segundo trimestre, mas mantido o ritmo do início do ano, dificilmente o crescimento em relação ao ano passado ficará abaixo de 5%, ou seja, certamente também fecharemos o segundo trimestre com um excedente significativo de carne suína ofertada no mercado doméstico.

Custo da atividade recua, mas prejuízo aumenta
Com o início da colheita da segunda safra de milho, mesmo com expectativa de quebra considerável em estados como Goiás e Minas Gerais, as cotações do cereal continuam em queda (Gráfico 4). O farelo de soja se apresenta estável, com pequenas oscilações para baixo.

Porém, com preço do suíno ainda em queda, a relação de troca com os mix de milho e farelo de soja continua desfavorável para o suinocultor (Gráfico 5), o que tem ocasionado prejuízo considerável e crescente ao suinocultor independente (Tabela 3).


Tabela 3: Custos totais (ciclo completo – suinocultura independente), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a maio/2026 e a média anual de 2024 e 2025. Destaque para os meses de abril e maio/2026 com os três estados apresentando prejuízo na atividade. Elaborado por Iuri Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno).
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as quedas nas cotações do suíno parecem ter chegado ao seu pior momento nas últimas semanas, pois na entrada da segunda quinzena de junho, algumas praças demonstram estabilização e até reação dos preços pagos ao produtor. “Os dados definitivos de abate do IBGE referente ao primeiro trimestre, trazem a preocupação quanto ao crescimento significativo da produção, exigindo que haja um aumento também expressivo da demanda interna e externa para que determine um novo ciclo de alta nas cotações do suíno, permitindo tirar a atividade do vermelho”, ressaltou.
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De importador de tecnologia a exportador de conhecimento: a nova fronteira da agricultura tropical brasileira
Com mais de quatro décadas dedicadas ao ensino e à pesquisa, Durval Dourado Neto explica como a ciência desenvolvida nos trópicos colocou o Brasil entre os protagonistas da segurança alimentar mundial.

A liderança do Brasil na agricultura tropical não surgiu por acaso. Foi construída em laboratórios, salas de aula e campos experimentais, com a dedicação de pesquisadores que desenvolveram tecnologias capazes de adaptar cultivos às condições tropicais e ampliar a produtividade no país. Se hoje o Brasil é uma potência agrícola é graças ao investimento na ciência tropical.

Engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto: “A inclusão digital permite ao agricultor criar negócios, ter maior segurança na propriedade e ampliar o acesso à educação” – Foto: Danilo Lysei CLB
Parte dessa história pode ser contata a partir da atuação do engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto. Com uma trajetória enraizada no ensino, pesquisa e extensão pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de docente a diretor, o pesquisador é uma das principais referências do Brasil e do mundo na área de agronomia, agricultura digital e sustentabilidade. Ao longo de mais de quatro décadas, liderou iniciativas focadas em transformar conhecimento em inovação para a sociedade.
Atualmente, ele coordena o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC), sediado na Esalq/USP, que reúne projetos voltados para temas estratégicos do agro brasileiro, como irrigação, conectividade rural, segurança alimentar e conservação dos biomas.
Entre os trabalhos conduzidos pelo grupo está o estudo que serviu de base para o Plano Nacional de Irrigação, além de um diagnóstico sobre conectividade no campo que identificou a necessidade de infraestrutura de internet nos municípios brasileiros sob a ótica da agricultura digital.
Segundo Durval, o acesso à conectividade vai além da produtividade no campo. “A inclusão digital permite ao agricultor criar negócios, ter maior segurança na propriedade e ampliar o acesso à educação. São benefícios que extrapolam a produção agrícola”, afirma.
Criado em 2023, durante a gestão do então reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, o STAC foi concebido para aproximar universidade, setor público e iniciativa privada na busca de soluções para a segurança alimentar global.
O centro atua na elaboração de diagnósticos sobre a cadeia mundial de alimentos, na formulação de políticas públicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento

Foto: Jonathan Campos
Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e no desenvolvimento de projetos voltados à inovação, empreendedorismo e formação de lideranças. “Basicamente, o que a gente procura fazer é utilizar todo o conhecimento científico que nós temos para resolver problemas práticos com base nas demandas da sociedade”, resume Durval.
Brasil quer liderar a ciência dos trópicos
Historicamente, a produção científica agrícola esteve concentrada em países de clima temperado, no Hemisfério Norte. Para Durval, um dos desafios do Brasil é justamente reduzir essa dependência e fortalecer a produção de conhecimento voltada às condições tropicais.
Com sede própria inaugurada em janeiro de 2026, o STAC busca se consolidar como um centro internacional de referência em agricultura tropical sustentável.
Para o pesquisador, a estrutura vinculada à Universidade de São Paulo confere credibilidade científica às tecnologias desenvolvidas no país e fortalece o papel do Brasil na chamada diplomacia científica. “Deixamos de ser vistos apenas como um grande produtor agrícola para nos firmarmos como um dos principais provedores de conhecimento agroambiental do século XXI”, destaca.

Foto: José Fernando Ogura
Na avaliação do professor, a contribuição brasileira será cada vez mais relevante diante da crescente demanda global por alimentos. A expectativa é que o país responda por uma parcela significativa da segurança alimentar mundial nas próximas décadas.
Transformar conhecimento em riqueza
Ao explicar sua visão sobre o papel da ciência, Durval recorre frequentemente à teoria tridimensional do direito, baseada nos conceitos de fato, valor e norma.
Segundo ele, a realidade gera fatos; a sociedade atribui valor a esses fatos; e, a partir dessa interpretação, surgem as normas e decisões. “Nós estamos constantemente diante desses desafios de fato, valor e norma. O grande desafio está justamente no valor. Transformar conhecimento em riqueza é, na verdade, a nossa grande missão”, enfatiza.
Para o pesquisador, a agricultura tropical brasileira chegou ao atual patamar graças à capacidade de integrar ciência, inovação e aplicação prática. E é justamente essa combinação que, na sua visão, permitirá ao país ampliar sua contribuição para a produção sustentável de alimentos no mundo.
