Conectado com
VOZ DO COOP

Suínos / Peixes

Impactos negativos das micotoxinas na produção de suínos e as novas tecnologias

Alguns fatores como variação climática, aprimoramento de softwares para melhor interpretação, metodologias para identificação do perfil das micotoxinas e mudanças relacionadas à segurança alimentar fizeram com que aumentasse a consciência do risco das micotoxinas para a saúde e desempenho dos animais.

Publicado em

em

Foto: Arquivo/OP Rural

Micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos presentes em alimentos contaminados. Em suínos, a exposição a micotoxinas pode ter efeitos adversos significativos na saúde, no desempenho e na produção dos animais. Podem ser encontradas em diferentes alimentos, como grãos (milho, trigo, cevada), farelos e silagens. Os principais tipos de micotoxinas que afetam os suínos incluem aflatoxinas, deoxinivalenol (DON), zearalenona, ocratoxina A, fumonisinas e toxina T-2.

Alguns fatores como variação climática, aprimoramento de softwares para melhor interpretação, metodologias para identificação do perfil das micotoxinas e mudanças relacionadas à segurança alimentar fizeram com que aumentasse a consciência do risco das micotoxinas para a saúde e desempenho dos animais. Em um relatório de 2023 com amostras de milho na América Latina, foram estudadas as contaminações por micotoxinas na matéria prima milho utilizada na nutrição animal, sendo que a maior parte das 12.443 amostras estavam contaminadas por micotoxinas. Nesse estudo 92,3% dos espectros preditos para Fumonisinas (FUMO), Aflatoxina (AFLA), Zearalenona (ZEA) e Deoxinovalenol (DON) apresentaram contaminação com pelo menos uma micotoxina conforme demonstrado nas figuras 1 e 2.

Outro estudo também relata a micotoxina Fumonisina sendo a de maior incidência em anos anteriores, e que cada vez mais sua presença esta associada a presença das demais micotoxinas, indicando aumento de policontaminação ao logo dos anos. A policontaminação em grãos por micotoxinas está associada ao fato de que um único gênero de fungo poder contaminar culturas alimentares em qualquer estágio, desde o desenvolvimento da planta no campo até o grão no silo.

Imunosupressão é aumentado com sinergismo 

Aflatoxinas são produzidas por fungos do gênero Aspergillus e são extremamente tóxicas. Elas podem causar problemas no fígado, redução do crescimento, imunossupressão e até a morte dos suínos. A ocratoxina A é produzida por fungos do gênero Aspergillus e Penicillium e pode afetar principalmente os rins dos suínos, resultando em danos aos órgãos, redução do crescimento e supressão do sistema imunológico.

Zearalenona é outra micotoxina produzida por fungos do gênero Fusarium e pode afetar o sistema reprodutivo dos suínos, levando a problemas como infertilidade, aborto e distúrbios no ciclo estral. Os tricotecenos são produzidos por fungos do gênero Fusarium e podem causar distúrbios gastrointestinais, problemas reprodutivos, supressão do sistema imunológico e redução do desempenho produtivo dos suínos. Por fim, As fumonisinas são produzidas por fungos do gênero Fusarium e podem causar distúrbios do sistema nervoso, redução do ganho de peso e problemas renais em suínos, além também de supressão do sistema imunológico.

Os impactos negativos das micotoxinas na produção animal é tema de diversas pesquisas há décadas, bem como os efeitos sinérgicos que trazem ainda mais prejuízos ao setor. Um exemplo disso é a interação entre a Fumonisina e a DON. Diversos autores relatam este fato, sendo que as fumonisinas impedem a renovação das células epiteliais que podem ser danificadas pela DON, a qual promove redução da área de superfície de absorção e regulação negativa da expressão gênica de transportadores de nutrientes, levando a uma redução na absorção de nutrientes, aumento na permeabilidade das células intestinais e redução da produção de muco, facilitando assim translocação e passagem da microbiota do intestino para o lúmen intestinal.

Há inúmeras publicações para suínos onde são relatadas co-infecções relacionadas com micotoxinas, como por exemplo tanto a DON como a Fumonisina relacionadas à Salmonela typhimurium, Escherichia coli, Clostridium, Bordetella e Pasteurella, PCV2, Brachyspira hyodysentariae, PRRSV entre outros.

Em estudo examinou o efeito da exposição alimentar a Fumonisinna na colonização intestinal por patógenos Escherichia coli associada à infecção extraintestinal, onde encontraram que a micotoxina Fumonisina B1 aumenta a colonização intestinal por Escherichia coli patogênica em suínos.

Em outros dois estudos, foi investigado o impacto de DON e FB1 na microflora intestinal. Dieta contaminada com estas micotoxinas transitoriamente afetou o equilíbrio da microbiota digestiva durante as primeiras quatro semanas de exposição, conforme perfis da microbiota fecal; uma co-infecção com S. typhimurium amplificou este fenômeno e alterou o perfil da microbiota.

Novas tecnologias, materiais modificados

Além da prevenção, a estratégia mais comum para reduzir a exposição dos animais às micotoxinas é diminuir sua biodisponibilidade, incorporando adsorventes de micotoxinas na dieta, visando uma redução da absorção e distribuição das toxinas para o sangue e órgãos-alvo.

Novas tecnologias atualmente disponíveis permitem a modificação de materiais que podem ser utilizados para nutrição animal e adsorção de micotoxinas simples e complexas (FUMO e DON) – imagem 1. Algumas tecnologias específicas, baseadas em extratos de esmectita e algas, podem modificar a estrutura das argilas, aumentando o espaço interlaminar, modificando a capacidade de adsorção, e assim ligar moléculas complexas como desoxinivalenol e fumonisinas e uma grande variedade de micotoxinas. Esses tipos de modificações permitem que 100% da superfície da argila seja acessível, aumentando sua capacidade de adsorção ao mesmo tempo que reduz o tempo necessário para adsorver as micotoxinas.

Imagem 1

Conclusão

Divulgação/Olmix

A presença de micotoxinas pode levar ao aumento de desafios sanitários, bem como a redução no aproveitamento ótimo da nutrição, sendo essencial adotar mecanismos para a proteção dos animais e segurança das dietas. Os métodos existentes para reduzir as contaminações por micotoxinas são através do manejo e tratamento das matérias primas, bem como utilizando um adsorvente de micotoxinas na ração.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: fgiacobbo@olmix.com.

 

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Fonte: Por Franciele Clenice Navarini Giacobbo, zootecnista, doutora em Produção e Nutrição de Monogástricos, zootecnista na Olmix

Suínos / Peixes Em Toledo

IFC Brasil 2024 será lançado durante o Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná

Para a edição 2024, a Comissão Organizadora prepara uma programação impactante, semeando o terreno para novas alianças e aprofundamento do conhecimento técnico essencial para o avanço do setor

Publicado em

em

De 24 a 26 de setembro de 2024, Foz do Iguaçu, no Paraná, recebe a sexta edição do International Fish Congress & Fish Expo Brasil

De 24 a 26 de setembro de 2024, Foz do Iguaçu, no Paraná, recebe a sexta edição do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil 2024). O evento anual, reconhecido como o maior fórum de debates e negócios do setor de aquicultura e pesca, projeta superar os resultados recordes do ano anterior. Os organizadores pretendem entregar para um público altamente especializado o maior IFC Brasil da história. O lançamento será feito na próxima quarta-feira (24), a partir das 09h40, durante o Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), que acontece Yara Country Clube, em Toledo (PR).

Evento anual, reconhecido como o maior fórum de debates e negócios do setor de aquicultura e pesca, projeta superar os resultados recordes do ano anterior – Fotos: Divulgação/IFC Brasil

Para o IFC Brasil 2024, a Comissão Organizadora prepara uma edição impactante, semeando o terreno para novas alianças e aprofundamento do conhecimento técnico essencial para o avanço do setor. O evento promete ser um marco importante, não só para os envolvidos diretamente na aquicultura, mas para toda a cadeia de produção de alimentos no Brasil e no mundo. “Queremos fazer do pescado brasileiro uma proteína competitiva com os maiores players globais”, destaca a CEO do IFC Brasil & Fish Expo, Eliana Panty.

Altemir Gregolin, presidente do IFC Brasil: “O Brasil tem capacidade para produzir mais de 20 milhões de toneladas de pescado por ano”

Em 2023, o IFC Brasil alcançou a marca de R$ 180 milhões em negócios, com feira envolvendo 150 empresas expositoras e patrocinadoras. O evento teve a participação de 3,1 mil congressistas presenciais e online, de todo o Brasil e países vizinhos. Desta forma, o IFC Brasil se consolidou como plataforma de lançamento para inovações e parcerias estratégicas no mercado global de pescados.

A última edição do IFC Brasil destacou-se pela geração de significativas cifras comerciais, quase dobrando os valores de 2022. Este sucesso sublinha o potencial do Brasil como líder emergente na produção aquícola, capitalizando sobre suas vantagens naturais e a crescente demanda global por pescados.

Tecnologia e inovação em foco

A Fish Expo, feira de negócios, figura como uma das principais vitrines para tecnologias avançadas na área de aquicultura. A edição de 2023 atraiu empresas relevantes para o setor. Destaque ainda para participantes dos Estados Unidos, Chile e do Oriente Médio, interessadas nas inovações brasileiras que promovem a eficiência e sustentabilidade na produção de pescados.

 Para participar

O IFC Brasil é correalizado pela Fundep e Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Para mais informações acesse o site ifcbrasil.com.br. Vendas e reservas de estandes: executiva@ifcbrasil.com.br.

Fonte: Assessoria Simpop
Continue Lendo

Suínos / Peixes

Desafios sanitários na era da hiperprolificidade: o novo paradigma da suinocultura brasileira

Ao mesmo tempo em que o maior número de leitões nascidos elevou o patamar de produtividades das granjas produtoras de leitões, houve um incremento paralelo de leitões de baixo peso ao nascimento e de menor viabilidade.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

Nas últimas décadas, a suinocultura testemunhou uma grande evolução no tamanho das leitegadas por matriz suína, impulsionada pela seleção genética. Com médias ultrapassando 15 leitões nascidos vivos, a hiperprolificidade trouxe consigo uma realidade que redefine os padrões da indústria. Entretanto, por trás desse avanço, surge uma série de desafios como uma maior heterogeneidade da leitegada, menor viabilidade de leitões, capacidade de amamentação da matriz suína, produção de colostro e, consequentemente, transferência de uma boa imunidade passiva a sua progênie.

Da mesma forma, a hiperprolificidade impacta diretamente nas fases subsequentes de produção, em razão da presença de uma população de leitões com maior coeficiente de variação ao desmame e a formação de subpopulações imunologicamente distintas. Por isso entender dos desafios sanitários oriundos da hiperprolificidade passa a ser um obstáculo da produção moderna de leitões.

Nesse contexto, Paulo Eduardo Bennemann, médico-veterinário com mestrado e doutorado em Ciências Veterinárias em Fisiopatologia da Reprodução em Suínos, traz ao 16º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) sua expertise para tratar sobre os novos desafios sanitários associados com a hiperprolificidade. O evento acontece de 23 a 25 de julho, no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Saúde reprodutiva das matrizes

Bennemann afirma que o entendimento sobre os impactos da hiperprolificidade vai além do âmbito reprodutivo, uma vez que a hiperprolificidade acarreta não apenas desafios na reprodução, mas também problemas sistêmicos nas matrizes suínas. “A sobrecarga metabólica durante a lactação, devido ao aumento no número de leitões, resulta em um maior catabolismo nas matrizes, levando a uma significativa perda de peso corporal” expõe o especialista.

Muitas informações foram geradas a respeito da importância do manejo e da quantidade de colostro ingerido pelo leitão neonato, no entanto, Bennemann diz que pouco tem sido explorado a respeito da qualidade do colostro ingerido. “Sendo assim, há possibilidade de que fêmeas hiperprolíficas apresentem maior heterogeneidade em relação a transferência de imunidade passiva a seus leitões, ocasionando subpopulações de leitões susceptíveis a doenças ao desmame” menciona.

Um estudo recente, avaliando a qualidade do colostro de matrizes suínas, revelou que 40,37% das matrizes não apresentavam concentração suficiente de imunoglobulinas para conferir uma imunidade passiva adequada aos leitões, levando a maior desafio sanitário na fase subsequente.

Ao mesmo tempo em que o maior número de leitões nascidos elevou o patamar de produtividades das granjas produtoras de leitões, houve um incremento paralelo de leitões de baixo peso ao nascimento e de menor viabilidade. “Tal fato trouxe um impacto direto na capacidade de ingestão de colostro, apresentando um coeficiente de variação entre 15% e 110% dentro da mesma leitegada e de 30% entre diferentes leitegadas, o que naturalmente compromete o desenvolvimento de uma imunidade eficaz. Além disso, esses fatores estão relacionados à intensificação da competição entre os leitões pelos tetos, resultando em atrasos na ingestão de colostro” explica Bennemann.

Uniformização de leitegadas

Segundo o especialista, medidas de manejo como a uniformização de leitegadas foi uma alternativa encontrada para suprir a demanda por tetos viáveis, uma vez que um maior número de leitões surgiu com a hiperprolificidade. No entanto, ao mesmo tempo em que o manejo de uniformização é uma ferramenta que auxilia na redução da variação de peso dos leitões e reduz a mortalidade pré-desmame, existe a possibilidade de uma maior incidência de desafios sanitários decorrentes do estresse social entre os leitões.

Um artigo recente cita que a prática de uniformização foi relacionada à maior utilização de antimicrobianos, maior prevalência de artrite e diarreia, fatores que podem estar atribuídos a maior transmissão de determinados agentes patogênicos devido a movimentação de leitões.

Consequências sanitárias da hiperprolificidade

Médico-veterinário, doutor em Ciências Veterinárias em Fisiopatologia da Reprodução em Suínos, Paulo Eduardo Bennemann: “Somente através da oferta de colostro de qualidade e de um bom manejo inicial do leitão neonato é que vamos poder realmente aproveitar os benefícios proporcionados pela hiperprolificidade” –  Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o especialista, a hiperprolificidade acarreta como principal consequência um aumento significativo no desgaste da matriz, resultando em uma maior demanda metabólica. Isso, por sua vez, requer um manejo mais adequado da matriz de acordo com suas necessidades. “Hoje damos total atenção a categoria de leitoas no que tange ao atendimento às necessidades e deixamos em segundo plano as matrizes. Isso pode explicar, em parte, o porquê um grande número das fêmeas de segundo parto (40,52%) e das multíparas (37,88%) apresentaram baixa qualidade do colostro” salienta Bennemann, enfatizando a importância de dedicar mais atenção às matrizes, a fim de identificar a necessidade de intervenção medicamentosa, além de estar atento à condição corporal deficiente, incluindo possíveis casos de obesidade.

A geração de subpopulações de animais suscetíveis inevitavelmente resulta em uma instabilidade sanitária dentro do sistema de produção. Neste contexto, conforme Bennemann, o principal foco deve ser o desenvolvimento de uma imunidade robusta, o que implica em um esforço contínuo e de longo prazo em que deve ser considerado a saúde geral da matriz, protocolo/manejo vacinal e vacinas utilizadas, nutrição e estado nutricional, microbiota e saúde intestinal. “É fundamental compreender que tudo se trata de uma interrelação de causa e consequência. Uma matriz com boa imunidade, colostro de qualidade, com a transferência eficaz dessa imunidade para os leitões e a exposição adequada dos leitões aos antígenos vacinais são fatores-chave na condição de hiperprolificidade” ressalta o médico-veterinário.

Bennemann relembra que a experiência adquirida com a Circovirose ensinou a minimizar a disseminação de agentes patogênicos. “É fundamental recordar e aplicar esses ensinamentos para garantir o sucesso contínuo na produção animal” reforça.

Implicações sanitárias da hiperprolificidade

A hiperprolificidade implica em uma nutrição que atenda às novas necessidades das matrizes e que considere a interação com a sua microbiota intestinal. “A nutrição vai além de fornecer nutrientes específicos para a matriz e o leitão, evoluiu para uma condição complexa onde interrelações microbianas não podem deixar de serem consideradas” salienta Bennemann, frisado que a nutrição animal evoluiu muito com o advento de hiperprolificidade. “O avanço da nutrição animal, impulsionado pela hiperprolificidade, introduziu o conceito de modulação da microbiota por meio de aditivos alimentares, representando uma significativa evolução no campo”.

Desafios de manejo e biosseguridade

A biosseguridade e o manejo geral, especialmente no que diz respeito ao ambiente, são destacados como áreas prioritárias pelo especialista. Ele ressalta que lidar com animais susceptíveis, mistura de diferentes origens e uma alta pressão de infecção são condições fundamentais a serem trabalhadas. “A biosseguridade diz respeito a minimizar o risco de exposição ou disseminação de agentes com potencial patogênico, ou seja, melhorar a condição ambiental evitando situações estressantes que culminam com queda de imunidade, reduzir a subpopulação de leitões susceptíveis através do desenvolvimento de uma imunidade robusta e reduzir a pressão de infecção através de programas de limpeza e desinfecção adequados são pontos que não podem ser desconsiderados nos sistemas de produção onde a hiperprolificidade é uma realidade” evidencia.

Bennemann reforça que a imunidade robusta e os agentes patogênicos têm a capacidade de se adaptar a condições adversas, desenvolvendo estratégias de sobrevivência. Ele destaca que pesquisas voltadas para compreender as interações entre sanidade e microbiota são essenciais para o progresso na área.

Custos

O especialista levanta uma questão fundamental: enquanto o setor busca a hiperprolificidade, focando no aumento do número de leitões desmamados por fêmea por ano, será que estamos no caminho certo? Será que deveríamos direcionar nossa atenção para a qualidade dos leitões desmamados e até mesmo para a qualidade de sua microbiota?

Bennemann diz que embora o objetivo seja maximizar a produção e diluir os custos por meio de um maior número de leitões, muitas vezes são negligenciados o custo sanitário decorrente de instabilidades ou subpopulações de animais susceptíveis. “É fundamental buscar não apenas a eficiência máxima das matrizes, mas também manter a eficiência ao longo de toda a cadeia de produção. O valor máximo do leitão no final da cadeia será o reflexo do equilíbrio sanitário alcançado” menciona.

Segundo Bennemann, assegurar a saúde geral da matriz, incluindo a saúde intestinal, uma nutrição balanceada e a exposição adequada a antígenos vacinais, é fundamental para garantir a qualidade do colostro. “Este é o primeiro passo na formação de leitões mais resistentes aos desafios sanitários” afirma.

Da mesma forma, manter uma condição ambiental adequada e promover o bem-estar animal, evitando situações que possam causar imunossupressão, é essencial para garantir uma resposta mais eficaz dos animais diante desses desafios.

Perspectivas

Quanto às perspectivas para lidar com os desafios sanitários relacionados à hiperprolificidade na suinocultura e à preparação da indústria para enfrentar esses desafios a longo prazo, o especialista cita diversas estratégias que podem ser consideradas, entre as quais minimizar a heterogeneidade das leitegadas ao nascimento, buscando leitões mais uniformes, através do desenvolvimento de conhecimento relacionado à eficiência placentária; reduzir a variação de peso ao desmame, visando alcançar um peso mais uniforme, o que contribui para a redução de perdas por problemas sanitários; equalização imunológica por meio da ingestão de colostro de qualidade e em quantidade adequada, o que implica no desenvolvimento da microbiota do leitão; redução da pressão de infecção por meio de medidas preventivas e de biosseguridade; além da melhoria de ambiência, incluindo o controle da temperatura e a qualidade do ar nas instalações.

A hiperprolificidade representa um avanço significativo no melhoramento genético das matrizes suínas. Contudo, o aumento do número de leitões também traz consigo grandes desafios sanitários. “É essencial implementar um manejo adequado das matrizes durante toda a gestação, garantindo sua saúde geral como parte fundamental na construção da imunidade sólida do leitão. Somente através da oferta de colostro de qualidade e de um bom manejo inicial do leitão neonato é que vamos poder realmente aproveitar os benefícios proporcionados pela hiperprolificidade” aponta Bennemann.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes

Biossegurança em fábricas de rações é tema de palestra no 16º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

Mestre em Medicina Veterinária Preventiva com ênfase em Virologia, Gustavo Simão, integra a programação do dia 15 de agosto, no Painel Biosseguridade.

Publicado em

em

Nos dias de hoje a sanidade é uma das maiores preocupações na suinocultura, onde um único evento de transmissão pode ter um impacto catastrófico para as indústrias de todo o país. Desta forma, programas de biossegurança adequados são essenciais para garantir a eficiência produtiva e o bem-estar animal.

As principais precauções referentes a contaminação de ração e medidas de segurança biológica serão abordadas na palestra “Biossegurança em fábricas de rações: principais eventos de risco de contaminação do alimento às granjas”, no dia 15 de agosto, às 08 horas, em Chapecó (SC). A explanação pertence ao Painel Biosseguridade e integra o 16° Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS).

Gustavo Simão integra grupo de palestrantes do 16º SBSS – Foto: Arquivo pessoal

O palestrante Gustavo Simão é formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), possui mestrado em Medicina Veterinária Preventiva com ênfase em Virologia pela mesma instituição e MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas. É gerente de serviços veterinários da Agroceres PIC, coordenador de importação e exportação de animais para o intercâmbio genético e é responsável pelo suporte em sanidade para a rede de clientes da empresa.

Em suas pesquisas, Simão alerta para o cumprimento de boas práticas sanitárias nas propriedades. Explana que mais do que nunca a execução de um programa de biossegurança adequado deve ser tratado com prioridade máxima, que manutenção das práticas requer planejamento, políticas e diretrizes claras, disciplina e comprometimento dos envolvidos.

Para o presidente da Comissão Científica do SBSS, Paulo Bennemann, os profissionais precisam estar atentos sobre todos os possíveis riscos nas propriedades. “Todo o cuidado é pouco no que diz respeito a sanidade, pois está diretamente relacionada à saúde animal, qualidade e eficiência da produção e sustentabilidade econômica”, reforça.

Sobre o evento

O Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), acontece nos dias 13, 14 e 15 de agosto, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC). Concomitantemente acontece a 15ª Brasil Sul Pig Fair.

Em sua 16ª edição, o SBSS é considerado um dos principais fóruns de discussão do setor na América Latina. Reúne especialistas brasileiros e internacionais e contribui para o aprimoramento de médicos veterinários, zootecnistas, consultores, pesquisadores, profissionais da agroindústria, produtores rurais e demais profissionais envolvidos com a ampla e multifacetada cadeia da suinocultura.

Inscrições

As inscrições para o evento estão no segundo lote. O investimento é de R$ 680,00 para profissionais e de R$ 420,00 para estudantes. Para os congressistas que se inscreverem no Simpósio, o acesso à Pig Fair é gratuito. O valor para participar somente da 15ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100,00 até o dia 25 de julho.

Na compra de pacotes a partir de dez inscrições para o SBSS serão concedidos códigos-convites bonificados. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos de universidades têm condições diferenciadas. As inscrições podem ser realizadas no site: www.nucleovet.com.br.

Fonte: Assessoria Nucleovet
Continue Lendo
AJINOMOTO SUÍNOS – 2024

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.