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Exportações do agronegócio batem recorde em dezembro e no ano de 2021
Em 2021, o total exportado com o agronegócio resultou em US$ 120,59 bilhões, alta de 19,7%

As exportações do agronegócio alcançaram valores recordes para o mês de dezembro passado e também para o ano de 2021. Foram US$ 9,88 bilhões, valor recorde para os meses de dezembro: 36,5% superior aos US$ 7,24 bilhões de 2020. Em 2021, o total exportado com o agronegócio resultou em US$ 120,59 bilhões, alta de 19,7%, em relação ao ano anterior, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (13) pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Embarques em dezembro/2021
O mês de dezembro de 2021 teve desempenho favorável devido ao forte aumento dos preços dos produtos exportados (22,5%) e, também, da expansão do volume destas exportações (11,4%).
Além dos preços elevados, houve recorde no volume exportado pelo Brasil no agronegócio (15,62 milhões de toneladas). De acordo com os analistas da SCRI, os destaques foram para soja em grãos (2,71 milhões de toneladas; +889,5%); farelo de soja (1,72 milhão de toneladas; +82%); celulose (1,64 milhão de toneladas; +28,8%); e carnes (667 mil toneladas; +3,3%).
Com este cenário, preços elevados e aumento do volume exportado, a participação do agronegócio nas exportações brasileiras voltou a crescer. Em dezembro de 2020, as exportações do agro foram responsáveis por 39,2% do valor total vendido ao exterior, e, em dezembro de 2021, a participação alcançou 40,6%.
Exportações em 2021
As exportações do agronegócio brasileiro somaram valor recorde em 2021: US$ 120,59 bilhões (+19,7%). Somente os meses de janeiro e fevereiro deste ano não registraram recordes, explicados pela forte queda da quantidade exportada de soja em grão nesses meses, em virtude do baixo estoque de passagem em 2020, e do atraso no plantio da safra 2020/2021 (seca), com posterior atraso nas áreas de colheita em decorrência das chuvas.
A partir de março, a soja em grãos é exportada influenciando no resultado total observado. O crescimento das exportações brasileiras do agronegócio ocorreu em função do aumento do índice de preços dos produtos (+21,2%), enquanto o volume embarcado se reduziu (-1,2%), conforme nota publicada pela secretaria.
Apesar do recorde nas exportações, as vendas externas de produtos do agronegócio representaram 43% das exportações brasileiras em 2021, participação 5,1 pontos percentuais inferior à verificada em 2020.
Resultados do mês (comparativo Dezembro/2021 – Dezembro/2020)
As exportações do agronegócio em dezembro de 2021 foram de US$ 9,88 bilhões; valor recorde
para os meses de dezembro: 36,5% superior aos US$ 7,24 bilhões de 2020. O montante resulta
do forte aumento dos preços dos produtos exportados (+22,5%) e, também, da expansão do
volume destas exportações (+11,4%).
O índice de preços das commodities agropecuárias do Banco Mundial observou comportamento semelhante de alta em dezembro de 2021, com elevação de 15,3% relativo a dezembro de 2020, e aumento de 0,8% comparado a novembro de 20211 . Ou seja, as commodities do agronegócio exportadas pelo Brasil observaram crescimento do preço médio superior à média de incremento das commodities agropecuárias mensuradas pelo Banco Mundial. No caso do índice de preços de alimentos da FAO, observou-se queda de 0,9% relativo a novembro de 2021, e expansão de 23,1% em relação a dezembro de 20202. Logo, o aumento dos preços internacionais das commodities agropecuárias é o principal fator que influencia as exportações brasileiras do agronegócio neste momento.
Além dos preços elevados, houve recorde no volume exportado pelo Brasil no agronegócio (15,62 milhões de toneladas). Destaques para: soja em grãos (2,71 milhões de toneladas; +889,5%); farelo de soja (1,72 milhão de toneladas; +82,0%); celulose (1,64 milhão de toneladas; +28,8%); e carnes (667 mil toneladas; +3,3%).
Com este cenário, preços elevados e aumento do volume exportado, a participação do agronegócio nas exportações brasileiras voltou a crescer. Em dezembro de 2020, estas exportações foram responsáveis por 39,2% do valor total vendido ao exterior, e, em dezembro de 2021, a participação alcançou 40,6%. Os produtos exportados pelo Brasil que não fazem parte do agronegócio registraram US$ 14,48 bilhões, ou 59,4% do total exportado. Os principais também foram commodities: óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos – SH 2709 (US$ 2,88 bilhões; +81,5%) e minérios de ferro e seus concentrados – SH 2601 (US$ 2,40 bilhões; -20,3%), com alta expressiva dos preços médios em ambos os casos.
As importações de produtos do agronegócio foram de US$ 1,43 bilhão em dezembro de 2021 (+5,6%). Em alguns casos, também se observou alta expressiva de volumes e preços médios como: trigo (+56,4% em volumes e +20,8% em preços), malte (+32,4% em volumes e 13,5% em preços), borracha natural (+16,4% em volumes e 12,8% em preços médios) e óleo de palma (+0,9% em volumes e +74,1% em preços médios importados).
É importante ressaltar, no entanto, que no valor destas importações não são registrados os insumos necessários à produção agropecuária. Somente em fertilizantes, foram adquiridos US$ 1,73 bilhão em dezembro de 2021 (+155,8%). Tal valor se explica pela elevação do preço médio de importação destes produtos (+132,2%), uma vez que o volume importado cresceu 10,2%.
Setores do Agronegócio
Os cinco principais setores exportadores do agronegócio em dezembro de 2021 foram: complexo soja (participação de 22,9% nas exportações totais do agronegócio); carnes (participação de 16,9%); produtos florestais (participação de 14,1%); cereais, farinhas e preparações (10,6%); e complexo sucroalcooleiro (8,7%). Em conjunto, estes setores foram responsáveis por 73,2% do valor total exportado pelo Brasil em produtos do agronegócio, e registraram crescimento de 46,8% comparando-se os períodos analisados. Em 2020, estas exportações representaram 68,0% do valor total.
Os vinte demais setores do agronegócio também aumentaram as vendas externas, passando de US$ 2,31 bilhões em dezembro de 2020 para US$ 2,65 bilhões em dezembro de 2021 (+14,6%). Porém, a participação dos vinte demais setores reduziu-se de 32% para 26,8% em dezembro de 2021.
O principal setor exportador do agronegócio brasileiro foi o complexo soja. Quase um quarto do valor exportado pelo Brasil em produtos do agronegócio em dezembro decorreu das vendas externas dos produtos deste grupo (US$ 2,26 bilhões; +341,4%). A primeira razão para o resultado expressivo destas exportações é a safra brasileira recorde em 2020/21: 137,3 milhões de toneladas de soja em grãos. Além disso, o preço do grão de soja no mercado internacional alcançou patamares também recordes, superiores a US$ 500 por tonelada em 20215, explicado por previsões para baixa produção e baixos estoques de passagem em todo o mundo, em todo o conjunto de oleaginosas, cenário que deve se repetir na safra 2021/226 , período em que a demanda deverá permanecer em patamares semelhantes ao anterior.
As exportações de soja foram de US$ 1,36 bilhão em dezembro (+1.210,9%). A colheita tardia da já mencionada safra recorde de soja em grão (2020/2021) explica o fenômeno: atraso no plantio (seca) e excesso de chuva na colheita. Nesse contexto, as exportações cresceram US$ 1,25 bilhão em valores absolutos comparando-se 2020 e 2021, com vendas externas de 2,71 milhões de toneladas em dezembro (+889,5%). A China permanece como principal país importador da soja em grão brasileira, com importações de 2,08 milhões de toneladas das 2,71 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, o que significou a aquisição de 76,8% da quantidade total exportada da oleaginosa em dezembro.
Além das fortes exportações de soja em grão, o setor registrou vendas externas recordes de US$
698,21 milhões em farelo de soja (+79,9%), com volumes também recordes de 1,72 milhão de toneladas (+82,0%). A União Europeia é o principal mercado importador com 54,7% do volume exportado pelo Brasil. Outros mercados com participação acima de 5% nas exportações brasileiras e farelo de soja foram: Vietnã (9,0%) e Coreia do Sul (7,2%). A retomada da produção de proteína animal nestes países, após períodos de interrupção causados pela pandemia de COVID 19, e a vacinação em larga escala, explicam a alta demanda.
As exportações de óleo de soja também foram recorde para os meses de dezembro, com US$ 200,18 milhões (+930,1%). Os preços do óleo de soja subiram em 2021 influenciados pela firme demanda por indústrias de biodiesel no mercado global, segundo o CEPEA7 , registrando aumento de 49,5% em relação a dezembro de 2020. Com a oferta global apertada e preços elevados, a Índia reduziu o imposto de importação para óleos vegetais em setembro de 20218, para controle da inflação interna. A Índia adquiriu US$ 92,0 milhões de óleo de soja em bruto brasileiro em dezembro de 2021 ou cerca da metade do volume exportado pelo Brasil. No mesmo mês de 2020, a Índia não adquiriu o produto brasileiro, assim como o Egito, que comprou US$ 35,04 milhões em dezembro de 2021 ou 19,3% do volume exportado, e a Argélia, que adquiriu US$ 23,53 milhões em dezembro de 2021 ou 13,9% do volume exportado.
As carnes figuraram na segunda posição entre os principais setores exportadores do agronegócio em dezembro de 2021, com US$ 1,67 bilhão em vendas externas (+10,9%). Dentre as carnes, a principal exportada foi a bovina, com US$ 725,41 milhões (-2,0%). O volume comercializado de carne bovina caiu 9,9%, 151 mil toneladas, compensado em grande parte pela elevação de 8,7% no preço médio de exportação do produto, que atingiu US$ 4.805 por tonelada. Em dezembro de 2021, os principais mercados importadores de carne bovina in natura brasileira foram: Estados Unidos (US$ 129,06 milhões ou 21,1% de participação); União Europeia (US$ 70,51 milhões ou 11,5%); Egito (US$ 70,0 milhões ou 11,4%); Chile (US$ 56,19 milhões ou 9,2%); e China (US$ 41,14 milhões ou 6,7%). Os chineses importaram US$ 410,82 milhões ou 64,0% do valor exportado pelo Brasil em dezembro de 2020 de carne bovina in natura. A redução das vendas à China em dezembro de 2021 (-90,0% em valores e 92,4% em volumes) foi reflexo da suspensão temporária das importações do Brasil (entre 04 de setembro e 14 de dezembro de 2021), devido a casos isolados de Encefalopatia Espongiforme Bovina (“vaca louca”). O mercado chinês foi totalmente reaberto em 15 de dezembro de 20219.
As exportações de carne de frango subiram 29,9%, chegando a US$ 701,80 milhões no período analisado (+7,7% no volume exportado e +20,7% nos preços médios de exportação). A carne de frango in natura foi o principal produto, US$ 678,5 milhões exportados (+32,7%). Os principais mercados foram: China (US$ 104,16 milhões; 13% do volume exportado pelo Brasil); Japão (US$ 88,98 milhões; 11,4% do volume); Emirados Árabes Unidos (US$ 85,92 milhões; 11,7% do volume); e Arábia Saudita (US$ 38,47 milhões; 5,1% do volume). Entre os principais mercados, apenas a Arábia Saudita apresentou queda nos valores e volumes exportados (-48,4% e -59,0%, respectivamente). O país que já foi o principal destino das exportações do Brasil, registrou a suspensão de 11 plantas exportadoras brasileiras em maio de 202110. Como resultado, as exportações que cresciam em valor e volume para a Arábia Saudita, entre janeiro e maio de 2021 (+30,8% e +17,5%, respectivamente), passaram a cair entre maio e novembro de 2021 (- 11,3% e -36,3%, respectivamente).
As exportações de carne suína alcançaram US$ 189,37 milhões (+0,6%), com crescimento de 7,4% no volume exportado e queda de 6,3% no preço médio de exportação. Os preços internacionais da carne suína caíram pelo sexto mês consecutivo, em virtude da queda nas importações chinesas do produto. Assim, as exportações brasileiras de carne suína in natura para a China refletiram o cenário de recuperação da produção de porcos no mercado chinês. A China importou do Brasil, US$ 59,70 milhões em dezembro de 2021 (-44,3%). Por outro lado, houve crescimento das exportações para diversos mercados: Hong Kong (US$ 20,53 milhões; +45,7%); Argentina (US$ 13,46 milhões; +131,9%); Cingapura (US$ 10,28 milhões; +30,7%); e Vietnã (US$ 9,56 milhões; +314,2%).
Outro setor que exportou acima de USD$ 1 bilhão foi o de cereais, farinhas e preparações, com vendas externas de US$ 1,05 bilhão (+4,3%). O principal produto exportado pelo setor é o milho, US$ 795,03 milhões (-12,4%). A projeção inicial da safra brasileira do cereal, para 2020/21, era de produção superior a 100 milhões de toneladas. Em função de secas e geadas no Brasil, o valor foi reduzido para 87,0 milhões de toneladas (CONAB), cerca de 15 milhões de toneladas inferior à safra 2019/2020. Diante desses números, houve baixa disponibilidade interna de milho para exportação, e consequente redução do volume exportado, mesmo com o aumento dos preços médios de exportação do cereal (+24,7%).
Por fim, de modo a apurar novamente a concentração das exportações do agronegócio brasileiro, observam-se os dez principais produtos exportados em dezembro de 2021: soja em grãos (US$ 1,36 bilhões ou 13,8% de participação); milho (US$ 795,03 milhões; 8,0% de participação); café verde (US$ 719,64 milhões; 7,3% de participação); farelo de soja (US$ 698,21 milhões; 7,1% de participação); carne de frango in natura (US$ 678,46 milhões; 6,9% de participação); celulose (US$ 647,05 milhões; 6,8% de participação); carne bovina in natura (US$ 612,25 milhões; 6,2% de participação); açúcar de cana em bruto (US$ 607,43 milhões; 6,1% de participação); algodão não cardado nem penteado (US$ 487,66 milhões; 4,9% de participação); e papel (US$ 216,02 milhões; 2,2% de participação). Estes dez produtos foram responsáveis por 69,3% do valor total exportado pelo agronegócio em dezembro de 2021. No mesmo mês de 2020, os mesmos produtos responderam por 68,0% do valor exportado.
No entanto, as exportações dos demais produtos do setor, que subiram de US$ 2,31 bilhões em dezembro de 2020 para US$ 3,03 bilhões (+31%), indicaram maior dinamismo da pauta brasileira. Dentre esses produtos destacaram-se: óleo de soja em bruto (+US$ 174,21 milhões em valores absolutos); trigo (+US$ 106,78 milhões); madeira perfilada (+US$ 33,47 milhões); suco de laranja (+US$ 33,43 milhões); e arroz (+US$ 30,52 milhões).
Quanto à importação de produtos agropecuários, o valor importado alcançou US$ 1,43 bilhões (+5,6%). Os dez principais produtos agropecuários importados foram: trigo (US$ 126,41 milhões; +88,9%); milho (US$ 106,37 milhões; +181,7%); óleo de palma (US$ 85,88 milhões; +75,6%); malte (US$ 82,01 milhões; +50,2%); papel (US$ 66,08 milhões; +1,0%); salmões, frescos ou refrigerados (US$ 52,81 milhões; +12,8%); álcool etílico (US$ 52,48 milhões; +32,0%); vestuário e outros produtos têxteis de algodão (US$ 41,27 milhões; +29,7%); borracha natural (US$ 37,59 milhões; +31,3%); e azeite de oliva (US$ 35,89 milhões; -15,3%).
Blocos Econômicos e Regiões Geográficas
A Ásia é a principal região geográfica parceira do agronegócio brasileiro. As aquisições do continente asiático subiram de US$ 3,09 bilhões em dezembro de 2020 para US$ 3,82 bilhões em dezembro de 2021 (+23,7%). O aumento das exportações foi inferior ao incremento do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, de 36,5%. Com efeito, a participação da Ásia diminuiu 42,7% em dezembro de 2020 para 38,7% em dezembro de 2021.
Os principais produtos exportados para a Ásia foram: soja em grãos (US$ 1,16 bilhão, +3.667,2%); algodão não cardado nem penteado (US$ 435,01 milhões, -15,9%); celulose (US$ 383,04 milhões, +43,0%); carne de frango in natura (US$ 266,24 milhões, +20,7%); farelo de soja (US$ 224,23 milhões, +34,6%). Somente esses cinco produtos foram responsáveis por 64,6% do valor total das exportações do agronegócio para o continente asiático.
A União Europeia foi a segunda principal parceira do agronegócio brasileiro, com elevação da participação no total das exportações do agronegócio para 16,3%. Tal fato deveu-se à forte expansão dos valores exportados para o bloco, que passaram de US$ 965,65 milhões em dezembro de 2020 para US$ 1,61 bilhão em dezembro de 2021 (+66,8%).
Os principais produtos responsáveis por esse crescimento foram: farelo de soja (US$ 375,14 milhões; +124,2%); café verde (US$ 370,91 milhões; +48,7%); e celulose (US$ 142,42 milhões; +249,5%). A reabertura da economia europeia e a vacinação da população nos países da comunidade, explicam o desempenho em 2021.
Países
Os vinte principais países importadores do agronegócio brasileiro estão arrolados na Tabela 3, responsáveis pela aquisição de 73,0% do valor exportado pelo Brasil em dezembro de 2021. No mesmo mês do ano anterior, a participação destes produtos foi de 69,6%. Os países que apresentaram maior ganho de participação das exportações do agronegócio brasileiro foram: Países Baixos (de 2,9% para 4,6% de participação) – principal entrada para a União Europeia – Roterdã; Egito (de 3,0% para 4,4% de participação); Espanha (de 1,2% para 2,4% de participação); e Turquia de (1,4% para 2,0% de participação).
Os Países Baixos aumentaram as importações de US$ 209,16 milhões em dezembro de 2020 para US$ 451,55 milhões em dezembro de 2021 (+115,9%). As aquisições que mais colaboraram para esse incremento foram: farelo de soja (US$ 152,61 milhões, +780,0%); e celulose (US$ 70,30 milhões, +431,7%).
No caso do Egito, as aquisições de produtos do agronegócio brasileiro foram de US$ 433,60 milhões (+102,5%). Quatro produtos explicam essa forte expansão: milho (US$ 217,90, +35,1%); açúcar de cana em bruto (US$ 84,49 milhões, +466,1%); carne bovina in natura (US$ 70,0 milhões, +386,3%); e óleo de soja em bruto (US$ 35,04 milhões, não houve importação em 2020).
A Espanha aumentou as importações de produtos do agronegócio brasileiro de US$ 89,19 milhões em dezembro de 2020 para US$ 237,43 milhões em dezembro de 2021 (+166,2%). Os produtos com crescimento absoluto superior a US$ 10 milhões, nas exportações, foram: farelo de soja (US$ 71,49 milhões, +191,3%); milho (US$ 53,03 milhões, +135,2%); açúcar de cana em bruto (US$ 24,32 milhões; +45.129,7%); café verde (US$ 22,50 milhões, +201,7%); e celulose (US$ 12,99 milhões, 1.172,2%).
Por fim, a Turquia importou US$ 197,31 milhões em produtos do agronegócio brasileiro em dezembro de 2021 (+98,7%). Seis produtos registraram importação acima de US$ 10 milhões: soja em grãos (US$ 55,59 milhões, não houve importação em dezembro de 2020); algodão não cardado (US$ 50,20 milhões, +14,8%); café verde (US$ 33,34 milhões, +120,3%); celulose (US$ 14,86 milhões, +1.165,3%); carne de frango in natura (US$ 14,29 milhões, +1.151,8%); e carne bovina in natura (US$ 10,15 milhões, +120,9%).
Resultados do Acumulado do Ano (comparativo Janeiro-Dezembro/2021 – JaneiroDezembro/2020)
As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram valor recorde em 2021: US$ 120,59 bilhões (+19,7%). Somente os meses de janeiro e fevereiro deste ano não registraram recordes, explicados pela forte queda da quantidade exportada de soja em grão nestes meses, em virtude do baixo estoque de passagem em 2020, e do atraso no plantio da safra 2020/2021 (seca), com posterior atraso nas áreas de colheita em decorrência das chuvas. A partir de março, a soja em grãos é exportada influenciando no resultado total observado. O crescimento das exportações brasileiras do agronegócio ocorreu em função do aumento do índice de preços dos produtos (+21,2%), enquanto o volume embarcado se reduziu (-1,2%).
Assim, 2021 foi marcado por inflação de preços de commodities agrícolas, motivada pelo rápido crescimento da demanda mundial (mesmo com a recuperação econômica limitada por diferentes níveis de vacinação entre os países) e por restrições na oferta destes produtos (sobretudo por questões climáticas, problemas na mobilidade de mão de obra devido à pandemia, problemas nas cadeias de suprimentos, custos logísticos, crise de contêineres e alta dos preços do petróleo).
Diversos analistas observam que a pandemia precipitou uma nova era de uso intensivo de commodities, à medida em que os governos enfatizaram a criação de empregos e a sustentabilidade ambiental14 como políticas de recuperação. A formação internacional de preços agrícolas foi influenciada pela forte demanda chinesa por grãos, como milho e soja, destinados à recomposição e ampliação dos rebanhos suíno e de frango no país asiático15, pela depreciação de moedas frente ao dólar em grandes exportadores destas commodities (caso do Brasil), e pelas recorrentes quebras de safra e problemas de oferta ocasionados por fenômenos climáticos (secas, geadas e furacões como nos Estados Unidos).
Há evidências de estabilização futura destes preços, porém, há riscos para previsões acertadas sobre este comportamento em virtude da trajetória dos custos da energia (petróleo e gás natural), no curto prazo, e das políticas de biocombustíveis em resposta à transição energética no longo prazo, como as planejadas pelos Estados Unidos e União Europeia. Além disso, também há riscos sobre outras ondas de COVID 19, que podem suscitar novas medidas de restrição nos países e afetar diretamente a demanda por produtos.
Apesar do recorde nas exportações, as vendas externas de produtos do agronegócio representaram 43,0% das exportações brasileiras em 2021, participação 5,1 pontos percentuais inferior à verificada em 2020. Os demais produtos exportados pelo Brasil demonstraram maior dinamismo, sobretudo devido ao comportamento de outras duas commodities não agrícolas: petróleo e minério de ferro, que foram afetadas pelo forte crescimento do preço médio de exportação, +58,9% e +64,9%, respectivamente. As exportações de minério de ferro e seus concentrados subiram 62,4%, passando de US$ 49,1 bilhões em 2020, para US$ 79,6 bilhões em 2021. A participação relativa do minério de ferro e seus concentrados nas exportações totais subiu de 23,4% em 2020 para 28,4% em 2021. No caso dos óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus, o valor exportado cresceu para US$ 44.6 bilhões (+72,9%). Neste caso, a participação relativa subiu de 12,3% em 2020 para 15,9% em 2021. Como comparação, a soja em grão foi o principal produto do agronegócio, com US$ 38,63 bilhões (+35,2%) exportados em 2021 e participação relativa praticamente igual, passando de 13,7% em 2020 para 13,8% em 2021.
Pelo lado das importações, registrou-se um total de US$ 15,53 bilhões no ano (+19,0%). Os principais produtos importados pelo agronegócio também registraram forte oscilação de preços em 2021 como: trigo (+23,0%), borracha natural (+25,9%), salmões frescos (+59,8%), e óleo de palma (+54,6%).
Setores do Agronegócio
Em 2021, os cinco principais setores do agronegócio brasileiro em valor exportado foram: complexo soja, com vendas externas de US$ 48,01 bilhões e participação de 39,8%; carnes, com US$ 19,86 bilhões e 16,5%; produtos florestais, com US$ 13,94 bilhões e 11,6%; complexo sucroalcooleiro, com exportações totais de US$ 10,26 bilhões e participação de 8,5%; e café, com US$ 6,37 bilhões e 5,3%. Em conjunto, os cinco setores foram responsáveis por 81,6% de todas as exportações do agronegócio brasileiro nos últimos doze meses.
Como já mencionado, o complexo soja foi o principal setor exportador do agronegócio brasileiro em 2021, com vendas externas de US$ 48,01 bilhões (+36,3%) e 104,96 milhões de toneladas comercializadas (+3,9%). O setor foi principalmente impactado pela alta dos preços médios de exportação (+31,2%). O principal produto exportado pelo segmento foi a soja em grãos, com a soma recorde de US$ 38,63 bilhões (+35,2%). Em quantidade, houve expansão de 3,8%, alcançando novo recorde com 86,10 milhões de toneladas embarcadas. O preço médio do produto brasileiro vendido no mercado internacional subiu 30,3% no período, totalizando US$ 449 por tonelada. Os países que mais aumentaram suas compras de soja em grão do Brasil foram: China (+US$ 6,30 bilhões), União Europeia (+US$ 1,10 bilhão), Tailândia (+US$ 377,61 milhões), Irã (+US$ 315,23 milhões) e Vietnã (+US$ 313,93 milhões).
O bom desempenho das exportações entre março e dezembro deveu-se ao atraso no plantio e colheita da soja, em função de condições climáticas adversas, e à safra recorde da oleaginosa (137,3 milhões de toneladas em 2020/2021). Logo, as exportações do grão foram postergadas, e, em função do recorde de safra, ainda havia disponibilidade para as vendas externas no fim de 2021. Outro fator importante, foi o excelente preço médio internacional do grão, também influenciado pelo atraso da oferta brasileira, por problemas climáticos nos Estados Unidos, e pelas melhores condições de demanda após o afrouxamento de políticas de distanciamento social em função da pandemia, que elevaram a necessidade de mais ração para criação animal.
A análise da série de preços do Banco Mundial deixa claro que somente em três momentos deste século a cotação internacional da soja em grão esteve acima de US$ 500/tonelada: em um curto período antes da crise internacional de 2008; entre 2011 e meados de 2014; e neste ano, em 2021.
O cenário observado para a soja em grãos, também afetou as vendas externas de farelo de soja, que alcançaram a soma recorde de US$ 7,37 bilhões, com crescimento de 24,7% em função da expansão do preço (+22,7%) e do crescimento de 1,6% no quantum também recorde comercializado (17,21 milhões de toneladas). Os destinos que mais influenciaram no crescimento das vendas no período foram: União Europeia (+US$ 448,46 milhões), Vietnã (+US$ 292,70 milhões), Tailândia (+US$ 266,66 milhões) e Irã (+US$ 194,83 milhões). Já as exportações de óleo de soja somaram US$ 2,02 bilhões (+164,9%), para um total de 1,65 milhão de toneladas comercializadas (+48,8%). O preço médio do produto também registrou alta em 2021 (+78,0%), com a cifra de US$1.222 por tonelada, cotação somente igualada em 2011, em toda a série histórica (1997-2021). O óleo de soja em bruto, representou 85,6% deste valor, com exportações de US$ 1,73 bilhão. O principal destino foi a Índia, responsável por 45,0% deste valor, US$ 779,64 milhões (+215,2%). Em um contexto de aumento de demanda global por óleos vegetais e perspectivas de maior utilização de biocombustíveis, os preços internos dos óleos vegetais na Índia influenciaram a alta da inflação de alimentos no país, o que levou o governo local a reduzir o imposto de importação de óleos vegetais, como já observado, em setembro de 2021.
O setor de carnes foi o segundo colocado entre os maiores exportadores do agronegócio brasileiro em 2021, com a cifra de US$ 19,86 bilhões (+15,7%). O crescimento observado foi resultado tanto do incremento da quantidade comercializada (+4,4%), quanto da elevação da cotação dos produtos do setor (+10,8%). As exportações brasileiras enfrentaram um cenário em geral pressionado por alta demanda e restrições de oferta no mundo, como também por alta dos custos e insumos de produção de animais.
A redução da produção mundial de carne bovina em 2021, para 60,8 milhões de toneladas (- 1,1%), devido ao menor abate na Argentina, Austrália e Brasil, pressionou fortemente os preços internacionais. A Argentina enfrentou os altos preços internos da carne bovina restringindo exportações para estimular o abastecimento doméstico. A Austrália objetivou reconstruir o menor rebanho bovino dos últimos 23 anos, em virtude da seca que atinge o país desde 2020, e dos incêndios que reduziram a área de pasto, além da retenção de fêmeas para recomposição deste rebanho17. No Brasil, a fraca demanda interna e os altos custos de produção pressionaram margens dos frigoríficos, resultando em incentivos menores para o abate de gado em 2021.
Houve crescimento da produção global de carne suína para 105 milhões de toneladas (+3,0%), devido à maior produção na China (+8,0%, alcançando 43,8 milhões de toneladas; maior produtor mundial). Desde o início de 2021, o abate de suínos no país asiático tem mantido ritmo elevado, reduzindo rapidamente os preços internos da carne após longo período de alta nos preços (restrições de oferta causadas pela peste suína africana). Mais recentemente, o abate de animais reprodutores, os desafios contínuos de produtividade e as margens reduzidas do produtor desaceleraram o crescimento da produção na China, que deve permanecer em um ritmo menor em 2022.
A produção global de carne de frango também se reduziu em relação a previsões anteriores para 101 milhões de toneladas (-1,0%), impulsionada por um declínio acentuado na China (-7%), o que pressionou os preços internacionais do frango em um momento de reabertura de estabelecimentos após o início do processo de vacinação contra a COVID 19 nos principais centros consumidores no mundo em 2021. A produção de carne de frango chinesa reduziu-se devido à demanda mais fraca, já que o rebanho suíno se recuperou e os preços da carne suína caíram rapidamente, o que afetou a preferência dos consumidores chineses. Outros países também apresentaram redução de produção, todavia, devido a impactos causados por casos de Gripe Aviária Altamente Patogênica (União Europeia, Coréia, Japão), o que impediu a expansão da produção global. O Brasil, no entanto, como principal exportador mundial da carne, manteve expansão de produção (+2,2%), impulsionada pela demanda externa e interna, mesmo com altos preços de grãos para ração.
Neste contexto internacional, o principal destaque das exportações brasileiras entre as carnes foi a bovina, cujas vendas externas totalizaram US$ 9,20 bilhões (+8,5%) em 2021. O volume negociado da mercadoria decresceu 8,3%, atingindo 1,85 milhão de toneladas. No entanto, o preço médio aumentou 18,3% no ano, alcançando US$ 4.986 por tonelada. Com exportações recordes em valor, o principal destino da carne bovina in natura brasileira em 2021 foi a China, com a soma de US$ 3,90 bilhões (-3,3%) e market share de 49,0%, mesmo com a redução dos volumes exportados (-16,8%), seguida por Hong Kong, com aquisições totais de US$ 587,14 milhões (-27,6%), e participação de 7,4%. Os valores para a China foram impactados pela suspensão das exportações brasileiras em setembro de 2021, por casos isolados de “vaca louca” no Brasil, como observado anteriormente. A China foi o principal importador de carne bovina in natura brasileira em novembro de 2020 (95,4 mil toneladas ou praticamente 60% do volume exportado; US$ 440,77 milhões). Em novembro de 2021, as exportações ao país asiático praticamente zeraram. A suspensão temporária do mercado chinês, até a reabertura em 15 de dezembro, ocasionou um pequeno processo de diversificação de mercados para a carne bovina, com destaques para: Chile (US$ 563,26 milhões; +50,4%), Estados Unidos (US$ 465,30 milhões; +384,3%) e União Europeia (US$ 432,32 milhões; +27,6%). Nos últimos doze meses, os Estados Unidos aumentaram as compras de carne bovina in natura brasileira em US$ 369,22 milhões, sendo o maior responsável pelo crescimento verificado no período.
Em seguida, observam-se as vendas de carne de frango, de US$ 7,49 bilhões (+25,0%), em um total de 4,47 milhões de toneladas (+8,3%). Como resultado, a alta do preço médio das exportações no período, de 15,4%. Restrições do lado da oferta, especialmente escassez internacional de contêineres e casos de gripe aviária na Europa e na Ásia, influenciaram a formação de preços. Com vendas recordes em valor e quantidade em 2021, o principal comprador da carne de frango in natura do Brasil também foi a China, com US$ 1,27 bilhão (+0,3%) e 639,49 mil toneladas, seguida pelo Japão (US$ 831,34 milhões; +26,4%), Emirados Árabes Unidos (US$ 690,21 milhões; +63,3%) e Arábia Saudita (US$ 648,03 milhões; -5,3%).
Interessante notar o caso da Arábia Saudita, tradicional compradora dessa proteína animal e que já respondeu sozinha por mais de um quarto das vendas brasileiras do produto. Desde 2016, o país árabe vem reduzindo as aquisições do produto brasileiro e perdeu o posto de principal destino nacional em 2019 para a China. Em 2021, apresentou o menor market share de toda a série histórica, com 9,0%.
Já as exportações de carne suína totalizaram US$ 2,62 bilhões em 2021. O crescimento de 16,1% no valor exportado foi resultado da expansão de 10,7% no quantum negociado e da elevação de 4,9% na cotação média do produto brasileiro vendido no mercado internacional. Com vendas recordes de carne suína in natura em valor e em volume no ano, os principais mercados compradores em 2021 foram: China, com aquisições de US$ 1,28 bilhão (+4,3%) e participação de 51,9%; Hong Kong, com US$ 267,47 milhões (+12,3%) e 10,8%; Chile, com US$ 149.96 milhões (+47,9%) e 6,1%; e Cingapura, com US$ 114,43 milhões (-9,3%) e 4,6% de participação. A retomada da produção de carne suína na China, afetou os preços internacionais da carne no segundo semestre de 2021, com redução excessiva de margens dos produtores chineses em função dos aumentos dos custos de produção e das quedas internas de preços20.
O terceiro principal setor do agronegócio em valor de exportação, foi o de produtos florestais, com a cifra de US$ 13,94 bilhões e crescimento de 22,1% em relação aos valores registrados em 2020 (US$ 11,42 bilhões). Tais números foram consequência do incremento de 6,4% no quantum negociado e da elevação de 14,8% no preço médio dos produtos do setor em 2021. O principal produto comercializado no período foi a celulose, com US$ 6,73 bilhões (+12,4%) para um volume recorde comercializado de 16,26 milhões de toneladas (+0,3%), e preço médio de US$ 414 por tonelada (+12,1%). As vendas externas de madeiras e suas obras alcançaram a cifra recorde de US$ 5,30 bilhões no período, um incremento de 44,2% ante os US$ 3,68 bilhões registrados em 2020. Tal patamar de vendas foi atingido em virtude da quantidade recorde comercializada (10,45 milhões de toneladas, +19,6%) e da elevação de 20,5% no preço médio dos produtos em 2021. O principal responsável pelo crescimento das vendas externas de madeira no período foram os Estados Unidos, com a variação absoluta de US$ 773,32 milhões.
Foi também o maior comprador das obras de madeira, com US$ 2,45 bilhões e participação de 46,1%, seguidos pela União Europeia, com US$ 698,84 milhões e market share de 13,2%. Fechando o setor, as exportações de papel alcançaram o montante de US$ 1,90 bilhão (+9,1%), para um volume negociado de 2,08 milhões de toneladas (-1,2%).
Importações
Quanto às importações do agronegócio em 2021, totalizaram US$ 15,53 bilhões e cresceram 19,0% em comparação a 2020 (US$ 13,05 bilhões). Os produtos que se destacaram foram: trigo (US$ 1,67 bilhão e +24,3%); papel (US$ 862,72 milhões e +24,5%); milho (US$ 722,68 milhões e +271,7%); malte (US$ 693,08 milhões e +29,4%); óleo de palma (US$ 687,47 milhões e +106,3%); salmões frescos ou refrigerados (US$ 610,20 milhões e +67,0%); vinho (US$ 477,95 milhões e +13,1%); azeite de oliva (US$ 441,22 milhões e +4,3%); vestuário e outros produtos têxteis de algodão (US$ 432,14 milhões e +17,3%); e borracha natural (US$ 420,02 milhões e +70,6%).
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Agricultura familiar pode ganhar ferramenta de inteligência artificial para gestão das propriedades
Plataforma vai integrar dados produtivos e agroambientais para auxiliar a tomada de decisões no campo.

A agricultura familiar poderá contar com uma ferramenta baseada em inteligência artificial para apoiar a tomada de decisões no campo. É o que prevê o Projeto de Lei 240/26, em tramitação na Câmara dos Deputados, que propõe a criação de um sistema voltado à organização, integração, padronização e proteção de dados agroambientais e produtivos.
A proposta altera a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais e estabelece que

Foto: Divulgação
o sistema seja utilizado como suporte à gestão das pequenas propriedades, oferecendo informações que possam contribuir para o planejamento da produção e para a tomada de decisões pelos produtores.
Na justificativa do projeto, o autor da proposta, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), afirma que o alto custo das tecnologias baseadas em inteligência artificial ainda limita o acesso dos agricultores familiares a essas ferramentas, ampliando a diferença tecnológica em relação às grandes empresas do agronegócio. “A ausência de apoio estatal nesse campo pode comprometer a competitividade, a sustentabilidade e a permanência desses produtores na atividade rural”, aponta.
Caso seja aprovado, o sistema deverá reunir informações agroambientais e produtivas em uma plataforma

Foto: Divulgação/Freepik
estruturada para subsidiar decisões relacionadas à gestão das propriedades, com foco na melhoria da eficiência e da competitividade da agricultura familiar.
O Projeto de Lei 240/26 será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para apreciação do Senado antes de eventual sanção presidencial.
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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil
Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC
Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.
Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.
Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.
Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação
permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.
Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.
O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil
sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.
O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
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