Notícias
Eventos do pós-colheita impulsionam cadeia produtiva de grãos no Centro-Oeste
Abertura oficial dos dois eventos ocorreu hoje em Rio Verde (GO), atraindo participantes de várias regiões do Brasil e autoridades locais e estaduais.

Com o auditório lotado com cerca de 600 participantes, a abertura oficial da 8ª Conferência Brasileira de Pós-Colheita e do 5º Simpósio Goiano de Pós-Colheita de Grãos ocorreu na manhã de terça-feira (24), em Rio Verde (GO), reunindo diversas lideranças e autoridades municipais e estaduais
O objetivo da conferência, que traz como tema central a gestão de pós-colheita de grãos para sustentabilidade do agronegócio, é fomentar o debate e a troca de informações entre os profissionais envolvidos na cadeia produtiva dos grãos, contribuindo para o desenvolvimento e a competitividade do agronegócio brasileiro. O evento atraiu participantes de 12 estados brasileiros (Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins) e do Distrito Federal.
Os eventos continuarão até quinta-feira (26) no Centro Tecnológico Comigo, com uma agenda que inclui diversas palestras, sessão de pôsteres e a participação de 40 expositores. A conferência é promovida pela Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos) e realizada em colaboração com a Caramuru Alimentos, Cooperativa Comigo, Instituto Federal Goiano e Sindicato de Armazéns Gerais de Goiás.
O presidente da Abrapos, José Ronaldo Quirino, expressou sua gratidão pela presença de todos e destacou a qualidade da programação do evento em um discurso emocionado. “Aproveitem cada palestra, pois o conhecimento adquirido oferecerá uma visão mais profunda sobre a questão da qualidade de grãos no Brasil”, disse. Quirino enfatizou ainda a missão da Abrapos em mitigar as perdas qualitativas e quantitativas de grãos, especialmente na fase de armazenamento.
A etapa de pós-colheita desempenha um papel fundamental na garantia da qualidade e segurança dos grãos produzidos no Brasil, trazendo soluções e inovações para o setor. O coordenador geral do evento, Osvaldo Resende, professor do Instituto Federal Goiano (Campus Rio Verde), destacou a realização desta edição como a concretização de um sonho. “Para nós é uma grande honra e orgulho trazer pela primeira vez este evento para a região Centro-Oeste. Todas as outras edições ocorreram no Sul do País”, disse.
Antonio Chavaglia, presidente da Cooperativa Comigo, enfatizou a importância do evento para o estado, especialmente no que diz respeito à troca de informações e conhecimento sobre o tema da pós-colheita. Ele salientou os desafios enfrentados pelo Brasil em relação ao armazenamento e logística de grãos, enfatizando a capacidade limitada de armazenamento no país.
O presidente da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), Rafael Magalhães Gouveia, representando o Governador Ronaldo Caiado, enfatizou a importância do evento para o agronegócio e o compromisso do governo de Goiás em relação ao pós-colheita e à infraestrutura para escoar a produção, abrindo novas fronteiras agrícolas. O secretário Executivo Denimarcio de Oliveira, representando o prefeito Paulo Faria do Vale, também lembrou a importância do evento para o município e os investimentos da prefeitura no setor rural.
Thiago José dos Santos, diretor-executivo de Operações e Abastecimento da Conab, realçou a preocupação com o déficit de armazenamento e a necessidade de desenvolver políticas públicas em parceria com instituições financeiras e entidades como a Abrapos. Para ele, é importante unir esforços, conhecimento, pesquisa e tecnologia para avançar em novas soluções para o setor.
Além disso, várias outras autoridades compuseram a mesa, incluindo o diretor-geral do Instituto Federal Goiano (Rio Verde), Fabiano Guimarães Silva, o presidente do Sindicato dos Armazéns Gerais do Estado de Goiás, Pedro Adalberto Tasinaffi, o diretor da Caramuru Alimentos SA, Celio Garcia de Oliveira, e o Comandante Regional do 2º Comando Regional Bombeiro Militar – Rio Verde, coronel Hélio Cristiano do Carmo.
Ao final da solenidade de abertura, a Abrapos prestou homenagem ao ex-comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO), coronel Carlos Helbingen Júnior, que por motivo de saúde não pôde comparecer ao evento. O secretário executivo do Sindicato de Armazéns Gerais de Goiás (SGG), Pércio Orcy Costa Schervenski recebeu a homenagem em nome de Helbingen. Também foi homenageado o coronel Amilton de Souza Conceição, comandante da regional do Corpo de Bombeiros em Caldas Novas (GO).

Notícias
Setor produtivo do Paraná apresenta proposta para concessão da Malha Sul ferroviária
Documento defende nova licitação da ferrovia, divisão em três trechos e maior retorno de investimentos ao estado.

O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, entregou, no dia 24 de junho, em Umuarama, ao ministro dos Transportes, George Santoro, o posicionamento do setor produtivo paranaense em relação a nova concessão da Malha Sul ferroviária. O documento, elaborado em conjunto pelo G7 Paraná, reúne propostas relacionadas ao modelo atualmente em discussão para a futura operação da ferrovia, cujo contrato vigente encerra em 2027.
O Sistema Faep defende a realização de uma nova licitação para a Malha Sul, com foco na ampliação da capacidade de transporte, na modernização da infraestrutura ferroviária e na eliminação dos principais gargalos logísticos que afetam a competitividade do Paraná. Os estudos apresentados pelo Governo Federal preveem a divisão da Malha Sul em três segmentos: Paraná-Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mercosul.

O documento entregue ao ministro reúne propostas relacionadas ao modelo atualmente em discussão para a futura operação da ferrovia, cujo contrato atual se encerra em 2027
Embora a entidade apoie a separação das operações, considera inadequado o modelo proposto para distribuição dos recursos gerados pela concessão, que prevê outorga de R$ 8,7 bilhões. A malha ferroviária do Paraná concentra aproximadamente 78% da carga movimentada por trens. No entanto, a proposta prevê que parte significativa desses recursos seja utilizada para financiar investimentos e déficits em outras concessões ferroviários.
“Somos favoráveis à modernização da ferrovia e à nova licitação, mas entendemos que os recursos gerados pelos usuários paranaenses precisam retornar em investimentos para o próprio Paraná. Não é razoável que a região responsável pela maior parte da movimentação de cargas financie gargalos de outras malhas enquanto seus próprios problemas permanecem sem solução”, afirma Meneguette.
Outro ponto de preocupação é a ausência de investimentos considerados estratégicos para ampliar a capacidade do transporte ferroviário no Estado. Entre as obras prioritárias defendidas pelo Sistema Faep estão a construção de um novo traçado ferroviário na Serra da Esperança, entre Guarapuava, Irati e Lapa; a implantação do Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba; e a ampliação dos pátios de cruzamento, estruturas que permitem aumentar a fluidez do tráfego ferroviário.
De acordo com a entidade, os estudos atualmente apresentados não contemplam essas intervenções de forma adequada nem estabelecem cronogramas compatíveis com a demanda crescente por transporte de cargas.

Foto: Jonathan Campos
“Precisamos de uma concessão que aumente a capacidade operacional da ferrovia. O Paraná produz cada vez mais e necessita de uma infraestrutura logística capaz de acompanhar esse crescimento. Algumas obras consideradas fundamentais aparecem apenas para o 27º ano da concessão, quando deveriam ser tratadas como prioridade”, destaca o presidente do Sistema Faep.
Durante a reunião, Santoro afirmou que o governo federal já reconhece a necessidade de investimentos em dois dos principais gargalos apontados pelo setor produtivo paranaense: o Contorno Ferroviário de Curitiba e as intervenções na Serra da Esperança.
“As duas demandas a gente já tinha mapeado e temos clareza de que vamos incluir como um investimento obrigatório no projeto. Então, já estão resolvidas”, afirma o ministro.
Além das obras estruturantes, o documento entregue ao Ministério dos Transportes propõe a integração da Malha Paraná-Santa Catarina com a Ferroeste, ampliando a eficiência operacional do sistema e fortalecendo a ligação entre as regiões produtoras do Oeste do Paraná e o Porto de Paranaguá.
Os investimentos previstos (Capex) somam cerca de R$ 6,8 bilhões e incluem a substituição de dormentes e trilhos, além da construção de sete novos pátios ferroviários.
O que o Sistema Faep defende para a nova Malha Sul
- Nova licitação da Malha Sul, em vez da prorrogação do contrato atual;
- Divisão da malha em três segmentos independentes;
- Integração da Malha Paraná-Santa Catarina com a Ferroeste;
- Reinvestimento dos recursos gerados no Paraná em obras dentro do próprio Estado;
- Construção do novo trecho Guarapuava-Irati-Lapa (Serra da Esperança);
- Implantação do Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba;
- Ampliação dos pátios de cruzamento na Serra do Mar;
- Cronograma de investimentos antecipado para eliminar gargalos;
- Garantias que evitem aumento tarifário aos usuários;
- Possibilidade de aportes dos governos estadual e federal para acelerar as obras prioritárias.
Notícias
Linha de crédito de R$ 10 bilhões amplia acesso à tecnologia no campo
Recursos serão operados pela Finep e voltados à compra de máquinas e implementos agrícolas por produtores rurais pessoas físicas e jurídicas.

O Governo Federal publicou, na quarta-feira (01º), a Medida Provisória nº 1.374, que autoriza a destinação de até R$ 10 bilhões para uma linha de financiamento voltada à adoção de tecnologias baseadas em máquinas e equipamentos agrícolas inovadores produzidos no Brasil. A iniciativa integra o programa Move Agricultura e tem como objetivo ampliar o acesso ao crédito para modernização da produção rural.

Foto: Shutterstock
A MP altera o artigo 15-A da Lei nº 11.540/2007 e permite, de forma extraordinária no exercício de 2026, a criação da nova linha de financiamento. A gestão dos recursos ficará sob responsabilidade da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com operação por meio de crédito descentralizado, executado por agências de fomento, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras oficiais credenciadas.
O financiamento será destinado a projetos de disseminação tecnológica baseados em equipamentos agrícolas inovadores nacionais. Poderão acessar a linha produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, com enquadramento como crédito rural conforme a legislação vigente.
Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a ampliação do acesso ao crédito é central na política pública. “A verdadeira grandeza de uma política pública está na sua capacidade de fazer esse crédito chegar a mais brasileiros. Ampliamos o acesso à linha de financiamento para que não apenas pessoas jurídicas, mas também produtores rurais pessoas físicas possam adquirir máquinas e equipamentos agrícolas inovadores produzidos no Brasil”, afirmou.

Foto: Divulgação/Freepik
Com a inclusão de pessoas físicas entre os beneficiários, a medida amplia o alcance da política e permite que produtores de diferentes portes tenham acesso a equipamentos modernos, voltados à mecanização e à inovação no campo.
O Move Agricultura, que integra a nova linha de financiamento, foi lançado durante a 20ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. O programa prevê crédito para aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros implementos agrícolas, com juros de até 9,2% ao ano, prazo de até 60 meses e carência de 12 meses. A proposta é acelerar a modernização da frota agrícola e estimular o desenvolvimento de tecnologias nacionais.
A Medida Provisória também autoriza a concessão de apoio financeiro, por meio de subvenção econômica, a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste. O benefício é destinado a reduzir impactos de prejuízos associados à tributação adicional dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras ou a eventos climáticos extremos.
A MP foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, realizada na terça-feira (30).
Notícias
Acordo entre EUA e Irã reduz risco logístico no mercado global de fertilizantes
Estreito de Ormuz tem reabertura parcial após avanço diplomático, enquanto a ureia recua US$ 360 toneladas desde abril, com maior oferta no Golfo e retomada parcial das exportações da China.

O conflito no Oriente Médio teve um novo desdobramento em 14 de junho, com o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, seguido pela assinatura eletrônica do documento no dia 15. Apesar disso, o texto final do acordo ainda deve ser divulgado na sexta-feira, mantendo incertezas no cenário.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná
O Estreito de Ormuz foi parcialmente reaberto e há expectativa de liberação total até o fim da semana, embora o fluxo ainda não esteja normalizado. A região é considerada estratégica para o transporte de matérias-primas usadas na produção de fertilizantes.
No mercado de nitrogenados, a ureia registrou queda expressiva de cerca de US$ 360 por tonelada desde o fim de abril, retornando a patamares anteriores ao conflito. O movimento foi influenciado por um excesso pontual de oferta, com estoques acumulados no Golfo e o retorno parcial da China como exportadora. As cotações CFR Brasil recuaram para cerca de US$ 445/t, com negócios sendo fechados em níveis ainda mais baixos.
Nos fosfatados, o cenário segue mais pressionado. O enxofre, insumo essencial para a produção de MAP e SSP, avançou para cerca de US$ 1.250/t. Já o MAP permanece próximo de US$ 900/t CFR Brasil. Do lado da oferta, a China segue praticamente fora do mercado de fósforo, enquanto a Rússia opera com restrições ligadas a danos de infraestrutura decorrentes da guerra. No Oriente Médio, há impactos logísticos, e o Marrocos enfrenta limitação de capacidade associada à escassez de enxofre.
Nos potássicos, o mercado apresenta maior estabilidade. O KCl oscila em torno de US$ 405/t CFR Brasil, sustentado por um equilíbrio maior entre oferta e demanda globais, sem mudanças estruturais relevantes no período.



