Suínos
Especialista apresenta alternativas para garantir maior conforto e bem-estar das matrizes e leitões na maternidade
A condição de bem-estar animal (BEA) dos suínos criados em sistemas intensivos ganhou atenção, visando equilibrar o desempenho produtivo com a preocupação ética e sustentável em relação ao tratamento dos animais, reconhecendo a importância de garantir seu conforto e qualidade de vida.

A fim de atender às demandas contínuas de melhoria nos sistemas produtivos, o setor suinícola passa por uma evolução tecnológica constante. Ao longo das últimas décadas, a atividade teve avanços importantes nas áreas de nutrição, melhoramento genético, sanidade e também nos sistemas de alojamento e instalações utilizadas em diferentes fases de produção.
Neste contexto, a condição de bem-estar animal (BEA) dos suínos criados em sistemas intensivos ganhou atenção, visando equilibrar o desempenho produtivo com a preocupação ética e sustentável em relação ao tratamento dos animais, reconhecendo a importância de garantir seu conforto e qualidade de vida. “O BEA não é apenas uma oportunidade de investimento e uma maneira de conquistar novos mercados domésticos e internacionais, mas também é considerado parte da responsabilidade social corporativa pela indústria agropecuária. Além disso, atender aos requisitos de bem-estar animal é uma exigência imposta pela sociedade, para isso, é necessário que todos os segmentos do setor produtivo estejam alinhados com as melhores práticas de produção animal”, destacou a PhD em Etologia Animal Aplicada e professora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Sertão, Rosangela Poletto, durante sua participação no 15º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsiu), realizado em meados de maio, na capital gaúcha.
No entanto, a especialista afirma que a atenção dada à fase de maternidade tem sido relativamente menor no que diz respeito à adoção de alternativas às gaiolas convencionais, a fim de que atendam de forma mais adequada as necessidades físicas e mentais das matrizes e dos leitões.
As gaiolas são amplamente utilizadas na indústria suinícola brasileira para abrigar as fêmeas de cinco a sete dias antes do parto. Essas gaiolas oferecem algumas vantagens, entre as quais permite um maior número de matrizes por área construída e oferece um controle mais preciso sobre os índices produtivos e reprodutivos. Essa prática é adotada pela grande maioria dos criadores de suínos comerciais no Brasil durante o período de parto e lactação.
Em média, o rebanho comercial brasileiro apresenta uma taxa de 13,20 leitões nascidos vivos e 11,99 leitões desmamados por parto, o que representa uma taxa de 9,2% de mortalidade na maternidade. Como padrão da indústria, as instalações de maternidade geralmente incluem uma baia com uma área total média de 3,54m². No centro dessa baia, uma gaiola é fixada para proteger a matriz, fornecendo à porca uma área de 1,26m² (2,25m x 0,90m). “A configuração das gaiolas para maternidade é composta por uma estrutura metálica que restringe os comportamentos naturais da fêmea. Essas gaiolas possuem barras de proteção para os leitões, com bebedouro e comedouro posicionados na parte frontal. Além disso, há uma parte lateral que pode incluir tapetes térmicos ou escamoteadores, que são usados para aquecer a leitegada. No entanto, apesar da ampla utilização das gaiolas, um extenso volume de publicações científicas ao longo de várias décadas comprovou que esse sistema de alojamento das matrizes em baias na maternidade impede comportamentos naturais da espécie, uma vez que as gaiolas dificultam a construção do ninho pela fêmea no período pré-parto e a interação entre a fêmea e sua cria”, detalhou Rosangela.

PhD em Etologia Animal Aplicada e professora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Rosangela Poletto – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Além disso, a especialista diz que pelo confinamento físico excessivo decorrente da área limitada e da estrutura física da gaiola, a locomoção no período que antecede o parto e após ele, na fase de lactação, também é bastante limitada pela impossibilidade do animal girar em torno do seu próprio eixo, podendo apenas se deslocar alguns passos para frente e para trás. “Decorrente do alojamento individualizado da matriz, há ainda a restrição de contato social com outros animais. Como consequência, sob estas condições, as matrizes na maternidade são mantidas sob um baixo grau de bem-estar, em especial quando se considera que o estado físico e mental de um animal é parte intrínseca da avaliação de bem-estar”, avalia Rosangela.
A Instrução Normativa nº 113, publicada em 16 de dezembro de 2020 pela Secretaria de Defesa Animal, vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estabelece diretrizes para o manejo e bem-estar animal em granjas de suínos de criação comercial. Essa normativa determina o prazo de 10 anos para a realização de adequações específicas no alojamento na maternidade em projetos novos. De acordo com os Artigos 17 e 18, o uso de gaiolas é permitido, desde que as matrizes possam se levantar e descansar sem tocar simultaneamente as laterais e as barras superiores da estrutura.
Sistemas alternativos
Conforme a especialista, paralelamente estão sendo estudados sistemas alternativos de alojamento na maternidade, os quais fornecem às matrizes espaço para se movimentar, além de recursos para mantença, enriquecimento ambiental e zonas de fuga para os leitões. “Para atender aos requisitos de bem-estar animal, as baias de maternidade são projetadas de forma a permitir o livre movimento das matrizes e incluem uma superfície de descanso adequada ao tamanho do animal. De acordo com as diretrizes do programa de certificação internacional de bem-estar animal Certified Humane, a área exigida na maternidade é de 3,5 m² por matriz adulta e 2,5 m² por matriz de primeiro e segundo parto. Ainda para certificação, a área de descanso deve ser pelo menos igual ao quadrado do comprimento da fêmea, o que corresponde a no mínimo 1,5 m² para matrizes multíparas e 1 m² para fêmeas de primeiro e segundo partos”, detalha Rosangela.
Tão importante quanto o bem-estar das matrizes é o atendimento às necessidades da leitegada, reforça a docente da IFRS. “Além de um local aquecido com temperatura mantida entre 30 e 32°C para descanso, é necessário oferecer áreas de proteção contra o esmagamento, especialmente ao redor das paredes das baias. A manutenção das condições ambientais adaptadas na maternidade pode ser um desafio, considerando que existem duas exigências de zona de termoneutralidade diferentes para atender as necessidades tanto das matrizes quanto dos leitões”, relata, complementando: “É preferível que a superfície aquecida destinada aos leitões esteja posicionada próxima à cabeça da matriz, permitindo o contato visual entre ela e sua leitegada. A restrição dos movimentos da matriz na gaiola parideira tem como objetivo principal proteger os leitões, perdas por esmagamento e mortalidade”.
É evidente que as tecnologias têm evoluído e devem continuar progredindo para encontrar um equilíbrio prático em que o bem-estar de uma categoria animal não seja comprometido em detrimento da outra. “É fundamental que todos os animais dentro de um sistema produtivo tenham suas necessidades de bem-estar animal plenamente atendidas, sem comprometer a boa produtividade”, salienta.
Mais espaço físico para a matriz
Atualmente, os modelos alternativos utilizados são adaptações da gaiolas de maternidade convencionais ou já adquiridas prontas comercialmente. Esses modelos consistem em fornecer à matriz e sua leitegada uma área aberta com mais espaço físico para a movimentação da matriz. Eles são projetados e manejados com o objetivo de mitigar as perdas de leitões, ao mesmo tempo em que oferecem melhores condições de bem-estar animal para as matrizes. “Um exemplo é a gaiola com lateral removível, que utiliza a área normal da estrutura convencional de parto ou até mesmo uma área maior. No entanto, uma das laterais da gaiola pode ser deslocada, permitindo que a fêmea tenha liberdade de movimento em 360 graus. Nessa estrutura, a área de acesso da matriz pode ser reduzida, podendo ser semelhante a uma gaiola convencional, ou pode ser aumentada de acordo com o manejo dos suínos”, explica Rosangela, afirmando que uma vantagem desse tipo de alojamento é a restrição de espaço disponível para a fêmea antes e durante o parto. “Isso mantém a matriz em uma área semelhante a uma gaiola convencional, visando reduzir os riscos de perda de leitões por esmagamento e permitindo a assistência ao parto e a segurança do operador”, justifica.
Após o parto, geralmente do 5º ao 7º dia de lactação, a lateral da gaiola deve ser removida, permitindo que a fêmea tenha acesso ao restante da baia para se movimentar e interagir com a leitegada.
Um dos modelos alternativos é conhecido como baia simples, que utiliza a mesma estrutura convencional da maternidade, porém sem a presença da gaiola. Geralmente, o piso é 100% ripado e não há áreas específicas para atividades, o que pode resultar em desempenho inferior e maior mortalidade dos leitões. Por outro lado, a baia adaptada consiste em uma área maior do que a gaiola adaptada, com uma estrutura física mais complexa, incluindo barras ou paredes móveis e fixações para a proteção dos leitões. “Nesse modelo, os animais podem designar áreas definidas para defecação, alimentação e descanso, além de permitir o uso de material para a confecção do ninho. As taxas de mortalidade de leitões na fase de maternidade (pré-desmame) são de 11,77% para uma gaiola com lateral removível e de 11,8% para uma baia adaptada”, informa Rosangela.
Maternidade coletiva
O sistema de maternidade em grupo apresenta variações, indo desde ambientes amplos e simples (com maior risco de perda de leitões) até os mais complexos, nos quais várias matrizes e suas respectivas leitegadas são alojadas em uma mesma área compartilhada. Nesse sistema, as fêmeas são mantidas em grupos e, dependendo da estrutura disponível, podem ter acesso a baias individuais para o parto, podendo retornar ao grupo entre sete e 10 dias após o parto. Esses sistemas são construídos com camas sobrepostas e permitem a mistura das leitegadas antes do desmame.
Seguindo essa abordagem, um modelo recentemente proposto e disponível comercialmente para a maternidade oferece um ambiente amplo, com piso vasado e sólido, adaptado para atender as necessidades tanto das matrizes quanto dos leitões. Essa instalação também inclui estruturas que auxiliam na interação e segurança dos leitões, além de fornecer enriquecimento ambiental para as matrizes. “O comportamento de nidificação das fêmeas suínas geralmente ocorre cerca de 24 horas antes do parto, quando elas raspam a pata no chão, movem a cabeça para agregar material e exploram as barras e comedouro no entorno da gaiola, mesmo na ausência de substrato. Esse comportamento se intensifica com a presença de substratos adequados e, no período pré-parto, leva ao aumento dos níveis circulantes de prolactina e ocitocina, o que resulta em redução da duração do parto, no número de natimortos e melhora na ejeção do leite”, expõe.
Segundo a docente do IFRS, a Diretiva Europeia 2008/120/EC exige o fornecimento de algum tipo de substrato, como palha, serragem, papel picado ou capim seco, para que as fêmeas possam construir seus ninhos. Da mesma forma, o Artigo 26 da Instrução Normativa Nº 113 estabelece que, pelo menos dois dias antes da data prevista para o parto, deve-se fornecer às fêmeas material adequado para o enriquecimento e comportamento de nidificação. “Esse manejo também tem como objetivo ajudar as fêmeas a se adaptar ao novo ambiente quando são móveis da fase de gestação para a maternidade. Para os leitões, a disponibilidade de enriquecimento ambiental na maternidade ajuda a amenizar os estressores, incluindo o momento do desmame. É importante manter a provisão de enriquecimento ambiental também na creche, a fim de evitar a transição dos leitões de um ambiente enriquecido para um ambiente sem enriquecimento”, analisa Rosangela.
A maternidade coletiva oferece a oportunidade de integração e interação social entre os leitões em um mesmo espaço físico, o que promove o desenvolvimento de habilidades sociais entre os animais. A socialização entre leitegadas antes do desmame cria familiaridade entre os animais e quando são transferidos juntos para uma creche tendem a manter seus grupos sociais. “Esse manejo, conhecido como co-mingling, traz benefícios importantes na manutenção da hierarquia social, causando menos agressividade e brigas entre os leitões durante a mistura de lotes no momento do desmame. Essa estabilidade social pode durar até a 11ª semana de idade”, enfatiza.
Contudo, a adoção de modificações nas instalações de parição ou a implementação de alternativas ao sistema de alojamento convencional na maternidade torna-se ainda mais crítica com o uso da gestação coletiva, uma prática já estabelecida no Brasil. “Priorizar o alojamento em um ambiente que prioriza o bem-estar animal das matrizes é sustentável e benéfico, pois reduz o estresse e os efeitos negativos enfrentados pelas porcas quando transferidas para as gaiolas tradicionais, embora sejam incontestáveis os benefícios produtivos das gaiolas para a parição e lactação”, avalia, acrescentando: “Uma maior área física para locomoção e substrato para a nidificação trazem benefícios para a parição e para o desempenho na lactação. Instalações mais amplas e seguras, que estimulam a interação social entre os animais, contribuem para uma melhor condição de bem-estar para as matrizes e suas leitegadas durante a fase de maternidade”.
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Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.






