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Dez megatendências para a pecuária de corte brasileira até 2040
Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne) da Embrapa, em parceria com o Mapa, desenvolveu estudo para projetar futuro

Menos pasto e mais carne, lucro apenas com bem-estar animal, biotecnologia transformando a pecuária e a carne, apagão de mão de obra e digital transformando a cadeia produtiva, essas são algumas das dez megatendências apontadas em um estudo feito pelo Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne) da Embrapa, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O cenário para os próximos vinte anos da cadeia produtiva da carne bovina brasileira é fruto de monitoramento do ambiente externo e busca subsidiar a agenda estratégica de instituições públicas e privadas. Os pesquisadores do CiCarne afirmam que a melhor aposta é de desenvolvimento e sucesso para os gestores eficientes e que muitos pecuaristas não conseguirão se adaptar, assim deixando a atividade pecuária. No Boletim CiCarne, do início de julho, “As dez megatendências para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040”, eles detalham.
“Os estudos prospectivos apresentam incerteza e complexidade, tendências podem ser alteradas e eventos podem surgir e mudar de forma substancial, mas é importante sempre olhar para o futuro com o objetivo de subsidiar decisões no presente”, destaca o Boletim.
Nas últimas quatro décadas, a cadeia produtiva da carne bovina sofreu modernização revolucionária, sustentada por avanços tecnológicos dos sistemas de produção e na organização da cadeia, com claro reflexo na produtividade, na qualidade da carne e, consequentemente, no aumento da competitividade. Tudo isso calcado em ativos estratégicos do país, como clima favorável, terras a preços baixos, mão de obra abundante, tecnologia adaptada às condições do país e outros. Entretanto, na última década, ocorreu uma deterioração crescente desses ativos, decorrente de forte pressão de custos.
Esta nova realidade desafia as organizações a desenvolverem novos processos, métodos, sistemas, produtos e serviços para promoção da eficiência e competitividade da cadeia, preservando o meio ambiente e reduzindo as desigualdades sociais e econômicas. Estes desafios são de grande complexidade e demandarão uma capacidade de adaptação. Considerando essas transformações e visando a subsidiar as agendas estratégicas públicas e privadas, o Centro de Inteligência da Carne Bovina da Embrapa Gado de Corte, em parceria com o Mapa, realizou um estudo sobre os próximos vinte anos da cadeia produtiva da carne bovina no Brasil, considerando os resultados do monitoramento do ambiente externo e apresentando um conjunto de sinais e tendências que impactarão na cadeia, consolidados em dez megatendências, que são vetores de transformação fortemente interligados e que deverão impactar a referida cadeia produtiva no futuro (Figura 1).

Para manter sua posição de liderança no cenário mundial – e mesmo para ampliá-la – alguns desafios serão enfrentados por toda a cadeia de produção de carne. O mercado consumidor se movimentará em duas direções. A primeira, mais óbvia, será a do crescimento, oriundo de novos mercados, em especial a Ásia. A segunda será a sofisticação, com cortes diferenciados e produtos de origem denominada que abrirão novas oportunidades de geração de valor ao mercado.
O maior grau de exigência do consumidor será um gatilho transformador da atividade. A concorrência com outras fontes de proteína também forçará toda a cadeia a produzir melhor. O bem-estar animal será mandatório, da cria ao abate. A inovação digital, por sua vez, será uma das duas forças disruptivas para o mercado nas próximas duas décadas e servirá de força catalisadora no processo de transformação da cadeia, injetando gestão e inteligência na atividade, aproximando o elo produtor do consumidor e viabilizando a rastreabilidade, certificação e qualidade do produto carne.
A busca por soluções sustentáveis será intensa, transformando a indústria de insumos. Soluções biotecnológicas ocuparão espaço no manejo. A biotecnologia impactará desde o manejo na propriedade até a qualidade do produto final, que chegará à mesa dos consumidores. Junto com o digital, a biotecnologia será a mola propulsora de transformações. O impacto social será relevante – muitos pecuaristas não conseguirão se adaptar e deixarão a atividade. A escala será um pilar da produção. Haverá importante apagão de mão de obra, levando à necessidade de formar e reter profissionais qualificados na pecuária, um dos maiores desafios para todo o setor, futuramente. A melhor aposta é de muito desenvolvimento e sucesso para os bons gestores.
Se produzirá mais carne em menos área, liberando terras para a agricultura e silvicultura; e se ocupará espaço no cenário internacional, exportando desde genética a produtos altamente especializados e de elevado valor agregado. O país terá uma pecuária altamente tecnificada, profissional, competitiva e uma referência global não só pelo gigantismo, mas também por sua tecnologia e qualidade.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

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Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março
Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.
Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.
No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.
As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.
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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%
Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.
O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.
Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.
“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.



