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Desafios locais e recordes nas exportações desenham cenário complexo da soja em outubro
Sojicultores do Sul e do Sudeste tiveram as atividades interrompidas pelo excesso de umidade em algumas áreas. Já os agricultores do Centro-Oeste do País tiveram problemas como altas temperaturas e os baixos índices pluviométricos.

A liquidez envolvendo a soja esteve menor em outubro no Brasil, devido à maior disparidade entre os valores pedidos por vendedores e os ofertados por compradores. De um lado, sojicultores estiveram focados nas atividades de campo no Brasil, sem interesse em comercializar grandes volumes no spot nacional. Esses agentes estiveram cautelosos, por conta das irregularidades climáticas no País.
Por outro lado, os consumidores domésticos, abastecidos para o médio prazo, estiveram ausentes nas aquisições. Esses demandantes também estiveram atentos ao elevado excedente da safra 2022/23 e ao maior índice pluviométrico no final do mês, que, por sua vez, reforçou as expectativas de produção recorde de soja na temporada 2023/24.
Já a demanda externa pela soja esteve aquecida em outubro. Em outubro, as exportações brasileiras da oleaginosa somaram 5,5 milhões de toneladas, segundo dados da Secex, um recorde para o mês, e ampliando para 92,8 milhões de toneladas a somatória do volume escoado em 2023 (até outubro). Somente neste segundo semestre, foram exportadas mais de 30 milhões de toneladas de soja, superando em 16,7% o volume exportado em todo o segundo semestre de 2022.
A Secex indica também que, em outubro, a receita média foi equivalente a US$ 31,37/saca de 60 kg (ou R$ 158,91/sc de 60 kg), o maior faturamento nominal desde abril deste ano. Vale observar que o preço médio do spot nacional esteve significativamente abaixo do recebido pelas exportações em outubro.
Campo
Sojicultores do Sul e do Sudeste tiveram as atividades interrompidas pelo excesso de umidade em algumas áreas. Já os agricultores do Centro-Oeste do País tiveram problemas como altas temperaturas e os baixos índices pluviométricos.
De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), 40% da área de soja havia sido semeada no Brasil até 29 de outubro, abaixo dos 47,6% há um ano. Dentre as regiões, 70,9% da área foi semeada em Mato Grosso; 52%, em Mato Grosso do Sul; 58% em São Paulo e no Paraná. Em Mato Grosso do Sul, a semeadura da soja alcançou 52% da área e em Goiás, 31%. Os produtores de Minas Gerais cultivaram 17,8% da área de soja, os de Santa Catarina, 16%, e os do Rio Grande do Sul, 1%.
A região de Matopiba deve intensificar as atividades de campo a partir de novembro. Mas a probabilidade de chuvas para esta região é baixa. A Conab mostra que 3% foi da área foi cultivada no Maranhão e 15% no Tocantins. Os produtores do Piauí ainda não iniciaram as atividades. Na Bahia, 4% da área de soja foi semeada até 29 de outubro.
Preços
De setembro para outubro, o Indicador Esalq/BM&FBovespa – Paranaguá da soja recuou 2,1%, com a média do último mês a R$ 144,09/sc de 60 kg. Entre outubro/22 e outubro/23, a média caiu 17,7%, em termos reais (IGP-DI, de set/23). O Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná teve média R$ 139,91/sc de 60 kg em outubro, quedas de 1,6% frente à de setembro e de 20% em relação à de outubro/22, em termosreais.
Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, o preço da soja cedeu 2% no mercado de balcão (pago ao produtor) e 1,7% no de lotes (negociações entre empresas). Em um ano, os preços recuaram expressivos 25% e 23,7%, respectivamente.
Derivados
A maior demanda por farelo de soja elevou os preços do derivado em outubro. Vale lembrar que, na primeira quinzena do mês, os consumidores estavam cautelosos nas aquisições, esperando por melhores oportunidades de compra – esses agentes estavam fundamentados na maior oferta no Hemisfério Norte, devido à entrada de soja da safra 2023/24. Entretanto, ao passar dos dias, a demanda global começou a se aquecer, o que elevou os preços futuros negociados na Bolsa de Chicago e, consequentemente, a paridade de exportação de farelo de
soja no Brasil.
Atentos a este cenário, representantes das indústrias esmagadoras elevaram os valores ofertados pelo derivado no Brasil. E, diante dos estoques reduzidos, os consumidores nacionais precisaram ir às compras, mesmo diante dos preços mais altos. Consequentemente, esse cenário elevou a disputa nas negociações entre os compradores domésticos e internacionais. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, as cotações do farelo de soja subiram 1,2% de setembro para outubro. Em um ano, contudo, observa-se queda de 11,1%, em termosreais.
O óleo bruto e degomado na região de São Paulo (com 12% de ICMS incluso) se valorizou 0,7% entre as médias de setembro e de outubro, a R$ 5.281,57/tonelada no último mês. Esta é a maior média mensal desde março deste ano, em termos reais, porém, ainda ficou 23,2% abaixo da de outubro/22.
Front externo
Diante da entrada da safra 2023/24 de soja no Hemisfério Norte, o contrato da soja operou abaixo dos US$ 13,00/bushel em grande parte de outubro. Assim, o preço médio do mês foi o menor desde novembro/21, em termos nominais, a US$ 12,8438/bushel (US$ 28,32/sc de 60 kg), sendo também 3% inferior ao de setembro/23 e 7% abaixo do de outubro/22.
Segundo o relatório de acompanhamento de safras do USDA, 85% da área cultivada com soja foi colhida nos Estados Unidos até o dia 29 de outubro, inferior aos 87% do mesmo período do ano passado, mas acima dos 78% colhidos na média dos últimos cinco anos.
A queda no preço externo está atrelada, também, à menor demanda externa pelo grão norte-americano. De acordo com o relatório de inspeção e exportação do USDA, os Estados Unidos escoaram 9,95 milhões de toneladas de soja na parcial desta safra (de 1º de setembro a 26 de outubro), 2,7% a menos que em igual período de 2022.
A queda do óleo foi mais significativa, uma vez que a firme demanda global por farelo de soja pode gerar maior excedente de óleo. O preço médio de outubro deste derivado caiu 11,9% na comparação mensal e 22,1% na anual. Quanto ao farelo de soja, a média avançou 0,5% frente à de outubro, mas cedeu 2,8% em relação a outubro/22.


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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



