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Cooperativas agropecuárias enxergam, na sucessão estratégica, continuidade e progresso para o futuro

É essencial que a sucessão seja baseada em critérios transparentes e objetivos, levando em consideração a experiência, o conhecimento e a capacidade de liderança dos candidatos.

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A sucessão de presidentes em cooperativas agropecuárias desempenha um papel fundamental na continuidade e no progresso dessas organizações. Essa transição é um momento crucial que exige planejamento estratégico, habilidades de gestão e compromisso com os valores cooperativistas.

Em primeiro lugar, é essencial que a sucessão seja baseada em critérios transparentes e objetivos, levando em consideração a experiência, o conhecimento e a capacidade de liderança dos candidatos. É importante que os líderes sejam eleitos democraticamente pelos membros da cooperativa, garantindo a representatividade e a participação de todos.

Além disso, a sucessão deve ser um processo gradual, permitindo que o sucessor seja preparado e treinado para assumir as responsabilidades do cargo. A sucessão também deve levar em consideração a continuidade estratégica e o sucesso da cooperativa, pois o próximo presidente necessita estar alinhado com a missão, visão, valores e as metas da organização, assegurando a preservação da identidade cooperativista e a adaptação às mudanças do mercado.

Outro ponto importante é que a sucessão não se trata apenas da figura do presidente, mas também envolve a renovação dos conselhos e demais cargos de liderança. É importante garantir a diversidade e representatividade nos órgãos de governança, para que diferentes perspectivas e habilidades contribuam para a tomada de decisões e o fortalecimento da cooperativa.

Esses requisitos puderam ser observados nas mudanças de presidente que aconteceram recentemente nas cooperativas Frimesa, Copagril e Primato, todas com sede no Paraná. Após 26 anos como diretor-presidente da Frimesa, Valter Vanzella, no início deste ano passou a condução da cooperativa para Elias José Zydek. Neste ano também, depois de 20 anos a frente da Copagril, Ricardo Chapla deixou o cargo para o comando de Elói Darci Podkowa. No ano de 2021, Anderson Léo Sabadin assumiu a Presidência da Primato, no lugar de Ilmo Werle Welter.

Conforme divulgado pelas cooperativas, todos os processos de sucessão seguiram um bom planejamento, foram harmoniosos e bem estruturados, e estão garantido uma liderança sólida e comprometida, capaz de enfrentar os desafios e promover o crescimento sustentável dessas importantes organizações, com a intenção de continuar com ações de incentivo pró-agro.

Frimesa

Presidente da Frimesa, Elias José Zydek – Foto: Sandro Mesquita/OP Rural

O nove presidente da Frimesa, Elias José Zydek, é formado em engenharia agronômica, tendo em seu sangue o DNA do agronegócio cooperativista. Natural do meio rural do Rio Grande do Sul, estudou agronomia e chegou ao Paraná trabalhar como extensionista no serviço público. Logo em seguida passou para o serviço privado, em uma cooperativa. “Eu digo que o cooperativismo está na minha alma. Considero o cooperativismo muito além de uma forma de gestão e mais uma forma de organização social. É nobre porque ela considera a eficiência do capital, mas considera a essência do social, que é o ser humano, que é o produtor rural, que tanto precisa de organização, de apoio para que ele desenvolva suas atividades. Então, resumidamente, acredito que eu sou rural, sou do agronegócio e sou cooperativista”, afirma.

O gestor da Frimesa evidencia ainda a importância da profissionalização das empresas cooperativas. “É importante lembrar que no início da Frimesa, a gestão não foi muito profissional, o que acarretou o rompimento da sociedade que havia iniciado. A partir do momento em que a profissionalização foi sendo trabalhada na empresa houve uma evolução. Ampliamos os abates, construímos mais laticínios, e assim fomos crescendo cada vez mais. Essas ampliações são o resultado de aperfeiçoamentoo e profissionalização da gestão e dos nossos colaboradores”, observa.

Zydek reforça que as cooperativas se tornaram grandes empresas competidoras no mundo e naturalmente isso exige uma gestão cada vez mais profissional. “Esse é o desafio do cooperativismo. Se você olhar a história de cooperativas do Brasil todo, e se você olhar as que não deram certo, eu diria que 90% dos casos foi problema de gestão técnica, gestão financeira, gestão econômica e problemas de ordem comercial. Não tem como não estar preparado para a gestão. É muito importante que esses gestores tragam em seu sangue o DNA do produtor rural, do meio rural”, reflete.

Ele explica que a sucessão para tornar-se o presidente foi uma grande parceria, de 26 anos, com o presidente anterior. “Eu atuei como diretor- executivo, ao lado do presidente Vanzella. Passaram-se 26 anos dessa nossa parceira e nesse período conseguimos, junto com o Conselho de Administração, traçar a visão de futuro dos planejamentos para continuar crescendo. É muito gratificante para mim, como um técnico, um profissional participar da criação de um projeto chamado Cooperativa Central e poder chegar hoje na Presidência dessa cooperativa. Isso, de um lado, é uma realização profissional muito grande. De outro lado, é um orgulho em poder participar do cooperativismo e de fazer parte dessa filosofia cooperativista, que é muito forte no Paraná, especialmente no Oeste. É motivo de muita satisfação e de realização”, argumenta. Zydek participou desde a criação da Central Frimesa.

Elias Zydek disse ainda que a Frimesa sempre trabalhou com uma visão ampla, buscando elaborar planejamentos estratégicos a longo prazo, não deixando de realizar alinhamentos estratégicos que visem considerar as alterações do ambiente socioeconômico do país, bem como da região e do mundo. “Essa atualização constante é necessária para que consigamos evoluir, conforme as demandas. Em 2015 fizemos um grande estudo nas cadeias do leite e do suíno e estabelecemos a meta de que deveríamos chegar entre as três ou quatro maiores empresas de suinocultura do Brasil, porque a gente tinha produtor para produzir, estamos em uma área que produz alimentos, grãos para alimentação de suínos, tecnologia conhecida e o produtor também conhecedor da atividade. O mercado é crescente, tanto interno quanto em exportações. Temos um produto que é competitivo a nível mundial”, assegura.

Copagril

Presidente da Copagril, Elói Darci Podkowa – Foto: Divulgação

O novo presidente da Copagril, Elói Darci Podkowa, diz que teve a oportunidade de preparar-se para assumir a Presidência da cooperativa com o seu antecessor e que a Copagril vai continuar buscando oportunidades disponíveis no mercado visando o sucesso da cooperativa. “A missão da nossa cooperativa continua a mesma, porém eu tenho um outro perfil de lidar com as demandas. Vamos continuar trabalhando em prol da nossa cooperativa, primando pela segurança, credibilidade, enfim, fazendo tudo com os pés no chão”, reflete.

Elói reforça que ele tem a intenção de deixar uma marca positiva como gestor. “Estou nesta função para servir a sociedade. Tenho um propósito muito forte de que aquilo que eu quero pra mim eu quero para os outros. Eu quero fazer com que a cooperativa possa ter um crescimento exponencial e que eu possa ter uma conectividade maior com o associado para que nós possamos ouvir mais o cooperado e trazer as soluções apontadas por eles para fazer parte das estratégias da cooperativa. A minha disposição, minha vontade é que eu possa realmente cumprir aquilo tudo o que eu tenho em mente e que possa deixar essa cooperativa melhor do que está hoje”, afirma.

Planejamento estratégico

Podkowa informa que o plano estratégico da Copagril está alinhado para os próximos cinco anos. “Nossa visão é de uma cooperativa mais compartilhada, com gestão um pouco mais junto ao nosso produtor, junto ao nosso funcionário, para que nós possamos trabalhar de uma forma mais unida, de uma forma mais otimizada. Trabalhando de maneira mais compartilhada, ouvindo mais, escutando mais as sugestões, pois temos muita gente, diversos funcionários que têm uma capacidade boa, pessoas que já fazem parte da cooperativa e que querem participar mais ativamente. Vamos fazer de uma forma compartilhada para que nós possamos ter mais ideias, mais sugestões e, com isso, sermos mais assertivos nas nossas decisões”, expõe.

Elói também fala sobre o planejamento da cooperativa que visa atingir um faturamente de R$ 5 bilhões em cinco anos. “Nós estamos trabalhando para aprimorar os nossos resultados, pois um faturamento mais alto pode propiciar uma melhor rentabilidade, o que favorece a liquidez. Desta forma, estamos avaliando e verificando quais melhorias podemos adicionar aos nossos processos, porque essas atualizações sempre mehoram os resultados, o que beneficia a nossa cooperativa”, reflete.

O presidente da Copagril também lembra sobre os desafios dos últimos anos, marcados pela pandemia e guerra na Ucrânia, bem como a quebra da safra de verão. “Vivemos um período difícil, pois nós tínhamos uma boa expectativa e colhemos muito pouco, e com uma qualidade muito inferior. Isso foi muito ruim, pois tínhamos uma indústria de óleo aguardando para processar a matéria-prima, mas que não foi produzida com grande eficiência. Foi um momento ruim, mas agora é hora de olhar para frente, pois esses desafios foram superados. Vejo o ano de 2023 com muito otimismo, pois acredito em uma boa safra e novas oportunidades, que vão oferecer mais resultados e renda para o setor”, assegura.

Primato

O presidente da Primato, Anderson Léo Sabadin, eleito em 2021, atua há 23 anos na cooperativa e afirma que a sua forma de gestão, enquanto presidente, é seguir o planejamento estratégico da cooperativa, que busca ações que estejam sempre alinhadas com sua missão, visão e valores. “Os últimos três presidentes da Primato trabalharam na mesma linha. Isso favorece muito o trabalho e o crescimento da nossa cooperativa. Nossa gestão também está seguindo este planejamento feito a longo prazo, sendo que revisamos este material de forma contínua para que todos possam trabalhar de forma coesa e assertiva”, pondera.

Presidete da Primato, Anderson Léo Sabadin – Foto: Divulgação

Anderson também explica que os planejamentos são discutidos com os cooperados. “Nossa missão é executar o projeto escolhido, pois o nosso produtor confia no plano e espera resultados positivos. Desta forma, fazer a nossa cooperativa prosperar é nossa responsabilidade, precisamos cumprir tudo aquilo que foi previsto e apresentado ao produtor. Ter o aval do produtor nos dá mais segurança na execução daquilo que foi escolhido”, comenta.

Oportunidades

A palavra eficiência está em alta, não somente nas empresas, mas em todos os campos. Com as cooperativas não é diferente. É mais do que necessário aumentar a eficiência e registrar melhores resultados. Conforme Anderson, a Primato vem conseguindo melhorar os resultados, pois eles reduziram despesas desnecessárias e desta forma, os processos tornaram-se mais eficientes. “Esse é o grande desafio, enxugar a máquina, fazendo e agregando mais, tendo uma solução ao produtor, gerando dinheiro para ele. A gente tem que facilitar a vida do produtor. Tudo que nós fazemos deve gerar renda”, afirma.

Neste ano de 2023, a Primato começou a investir no ramo financeiro e abriu uma cooperativa de crédito: a Primato Cred. “Com muita humildade, com muito aprendizado, olhando quem faz bem feito, para usar de referência. Executando boas práticas para atender o nosso cooperado, buscando auxiliá-lo naquilo que ele necessita. Investimos nisso porque quando um produtor precisa de crédito hoje ele recorre aos bancos, mas temos observado que os bancos estão encurtando as linhas de crédito aos produtores, por isso somos mais uma boa opção, já que um único banco não consegue atender todas as demandas de hoje”, expõe.

É natural

O presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, observa com bons olhos as mudanças que estão acontecendo na gestão de algumas cooperativas. Para Rodrigues, o tamanho que alcançaram as cooperativas agroindustriais do Paraná, especialmente em relação à Lar, Copagril, C.Vale, Coopacol e Primato, que fazem parte da Central Cooperativa Frimesa, está traçando um novo modelo de gestão, onde os presidentes não necessariamente sejam cooperativistas de sucesso e sim dirigentes de grandes negócios, como executivos e CEOs.

“(A troca na Presidência da Frimesa) foi uma ideia amadurecida, porque as cooperativas estão se desenvolvendo muito. Não vai ser possível que venha um agricultor empreendedor, que tenha sido bem sucedido, que até tenha estudado bastante, para pegar uma empresa deste porte. Na Frimesa vai ser assim daqui pra frente. Os cinco presidentes das filiadas formam a diretoria, só que nenhum deles vai exercer a Presidência em rodízio. Nós vamos contratar um presidente de mercado e, por sorte nossa, nós temos uma pessoa (Elias Zydek) preparada internamente para fazer isso. E pode acontecer que ele não tenha sucesso e que a gente deva buscar um presidente, digamos assim, qualificado, mas com uma história de resultado”, destacou o presidente da Lar. “E é isso que eu penso que no futuro vai acontecer com todas as cooperativas. Vejo a mudança de forma muito natural. Eu acho que a necessidade está levando a esse modelo de gestão”, destacou.

A edição Especial de Cooperativismo de O Presente Rural pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

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A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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