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Cooperativas agropecuárias enxergam, na sucessão estratégica, continuidade e progresso para o futuro

É essencial que a sucessão seja baseada em critérios transparentes e objetivos, levando em consideração a experiência, o conhecimento e a capacidade de liderança dos candidatos.

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Foto: Shutterstock

A sucessão de presidentes em cooperativas agropecuárias desempenha um papel fundamental na continuidade e no progresso dessas organizações. Essa transição é um momento crucial que exige planejamento estratégico, habilidades de gestão e compromisso com os valores cooperativistas.

Em primeiro lugar, é essencial que a sucessão seja baseada em critérios transparentes e objetivos, levando em consideração a experiência, o conhecimento e a capacidade de liderança dos candidatos. É importante que os líderes sejam eleitos democraticamente pelos membros da cooperativa, garantindo a representatividade e a participação de todos.

Além disso, a sucessão deve ser um processo gradual, permitindo que o sucessor seja preparado e treinado para assumir as responsabilidades do cargo. A sucessão também deve levar em consideração a continuidade estratégica e o sucesso da cooperativa, pois o próximo presidente necessita estar alinhado com a missão, visão, valores e as metas da organização, assegurando a preservação da identidade cooperativista e a adaptação às mudanças do mercado.

Outro ponto importante é que a sucessão não se trata apenas da figura do presidente, mas também envolve a renovação dos conselhos e demais cargos de liderança. É importante garantir a diversidade e representatividade nos órgãos de governança, para que diferentes perspectivas e habilidades contribuam para a tomada de decisões e o fortalecimento da cooperativa.

Esses requisitos puderam ser observados nas mudanças de presidente que aconteceram recentemente nas cooperativas Frimesa, Copagril e Primato, todas com sede no Paraná. Após 26 anos como diretor-presidente da Frimesa, Valter Vanzella, no início deste ano passou a condução da cooperativa para Elias José Zydek. Neste ano também, depois de 20 anos a frente da Copagril, Ricardo Chapla deixou o cargo para o comando de Elói Darci Podkowa. No ano de 2021, Anderson Léo Sabadin assumiu a Presidência da Primato, no lugar de Ilmo Werle Welter.

Conforme divulgado pelas cooperativas, todos os processos de sucessão seguiram um bom planejamento, foram harmoniosos e bem estruturados, e estão garantido uma liderança sólida e comprometida, capaz de enfrentar os desafios e promover o crescimento sustentável dessas importantes organizações, com a intenção de continuar com ações de incentivo pró-agro.

Frimesa

Presidente da Frimesa, Elias José Zydek – Foto: Sandro Mesquita/OP Rural

O nove presidente da Frimesa, Elias José Zydek, é formado em engenharia agronômica, tendo em seu sangue o DNA do agronegócio cooperativista. Natural do meio rural do Rio Grande do Sul, estudou agronomia e chegou ao Paraná trabalhar como extensionista no serviço público. Logo em seguida passou para o serviço privado, em uma cooperativa. “Eu digo que o cooperativismo está na minha alma. Considero o cooperativismo muito além de uma forma de gestão e mais uma forma de organização social. É nobre porque ela considera a eficiência do capital, mas considera a essência do social, que é o ser humano, que é o produtor rural, que tanto precisa de organização, de apoio para que ele desenvolva suas atividades. Então, resumidamente, acredito que eu sou rural, sou do agronegócio e sou cooperativista”, afirma.

O gestor da Frimesa evidencia ainda a importância da profissionalização das empresas cooperativas. “É importante lembrar que no início da Frimesa, a gestão não foi muito profissional, o que acarretou o rompimento da sociedade que havia iniciado. A partir do momento em que a profissionalização foi sendo trabalhada na empresa houve uma evolução. Ampliamos os abates, construímos mais laticínios, e assim fomos crescendo cada vez mais. Essas ampliações são o resultado de aperfeiçoamentoo e profissionalização da gestão e dos nossos colaboradores”, observa.

Zydek reforça que as cooperativas se tornaram grandes empresas competidoras no mundo e naturalmente isso exige uma gestão cada vez mais profissional. “Esse é o desafio do cooperativismo. Se você olhar a história de cooperativas do Brasil todo, e se você olhar as que não deram certo, eu diria que 90% dos casos foi problema de gestão técnica, gestão financeira, gestão econômica e problemas de ordem comercial. Não tem como não estar preparado para a gestão. É muito importante que esses gestores tragam em seu sangue o DNA do produtor rural, do meio rural”, reflete.

Ele explica que a sucessão para tornar-se o presidente foi uma grande parceria, de 26 anos, com o presidente anterior. “Eu atuei como diretor- executivo, ao lado do presidente Vanzella. Passaram-se 26 anos dessa nossa parceira e nesse período conseguimos, junto com o Conselho de Administração, traçar a visão de futuro dos planejamentos para continuar crescendo. É muito gratificante para mim, como um técnico, um profissional participar da criação de um projeto chamado Cooperativa Central e poder chegar hoje na Presidência dessa cooperativa. Isso, de um lado, é uma realização profissional muito grande. De outro lado, é um orgulho em poder participar do cooperativismo e de fazer parte dessa filosofia cooperativista, que é muito forte no Paraná, especialmente no Oeste. É motivo de muita satisfação e de realização”, argumenta. Zydek participou desde a criação da Central Frimesa.

Elias Zydek disse ainda que a Frimesa sempre trabalhou com uma visão ampla, buscando elaborar planejamentos estratégicos a longo prazo, não deixando de realizar alinhamentos estratégicos que visem considerar as alterações do ambiente socioeconômico do país, bem como da região e do mundo. “Essa atualização constante é necessária para que consigamos evoluir, conforme as demandas. Em 2015 fizemos um grande estudo nas cadeias do leite e do suíno e estabelecemos a meta de que deveríamos chegar entre as três ou quatro maiores empresas de suinocultura do Brasil, porque a gente tinha produtor para produzir, estamos em uma área que produz alimentos, grãos para alimentação de suínos, tecnologia conhecida e o produtor também conhecedor da atividade. O mercado é crescente, tanto interno quanto em exportações. Temos um produto que é competitivo a nível mundial”, assegura.

Copagril

Presidente da Copagril, Elói Darci Podkowa – Foto: Divulgação

O novo presidente da Copagril, Elói Darci Podkowa, diz que teve a oportunidade de preparar-se para assumir a Presidência da cooperativa com o seu antecessor e que a Copagril vai continuar buscando oportunidades disponíveis no mercado visando o sucesso da cooperativa. “A missão da nossa cooperativa continua a mesma, porém eu tenho um outro perfil de lidar com as demandas. Vamos continuar trabalhando em prol da nossa cooperativa, primando pela segurança, credibilidade, enfim, fazendo tudo com os pés no chão”, reflete.

Elói reforça que ele tem a intenção de deixar uma marca positiva como gestor. “Estou nesta função para servir a sociedade. Tenho um propósito muito forte de que aquilo que eu quero pra mim eu quero para os outros. Eu quero fazer com que a cooperativa possa ter um crescimento exponencial e que eu possa ter uma conectividade maior com o associado para que nós possamos ouvir mais o cooperado e trazer as soluções apontadas por eles para fazer parte das estratégias da cooperativa. A minha disposição, minha vontade é que eu possa realmente cumprir aquilo tudo o que eu tenho em mente e que possa deixar essa cooperativa melhor do que está hoje”, afirma.

Planejamento estratégico

Podkowa informa que o plano estratégico da Copagril está alinhado para os próximos cinco anos. “Nossa visão é de uma cooperativa mais compartilhada, com gestão um pouco mais junto ao nosso produtor, junto ao nosso funcionário, para que nós possamos trabalhar de uma forma mais unida, de uma forma mais otimizada. Trabalhando de maneira mais compartilhada, ouvindo mais, escutando mais as sugestões, pois temos muita gente, diversos funcionários que têm uma capacidade boa, pessoas que já fazem parte da cooperativa e que querem participar mais ativamente. Vamos fazer de uma forma compartilhada para que nós possamos ter mais ideias, mais sugestões e, com isso, sermos mais assertivos nas nossas decisões”, expõe.

Elói também fala sobre o planejamento da cooperativa que visa atingir um faturamente de R$ 5 bilhões em cinco anos. “Nós estamos trabalhando para aprimorar os nossos resultados, pois um faturamento mais alto pode propiciar uma melhor rentabilidade, o que favorece a liquidez. Desta forma, estamos avaliando e verificando quais melhorias podemos adicionar aos nossos processos, porque essas atualizações sempre mehoram os resultados, o que beneficia a nossa cooperativa”, reflete.

O presidente da Copagril também lembra sobre os desafios dos últimos anos, marcados pela pandemia e guerra na Ucrânia, bem como a quebra da safra de verão. “Vivemos um período difícil, pois nós tínhamos uma boa expectativa e colhemos muito pouco, e com uma qualidade muito inferior. Isso foi muito ruim, pois tínhamos uma indústria de óleo aguardando para processar a matéria-prima, mas que não foi produzida com grande eficiência. Foi um momento ruim, mas agora é hora de olhar para frente, pois esses desafios foram superados. Vejo o ano de 2023 com muito otimismo, pois acredito em uma boa safra e novas oportunidades, que vão oferecer mais resultados e renda para o setor”, assegura.

Primato

O presidente da Primato, Anderson Léo Sabadin, eleito em 2021, atua há 23 anos na cooperativa e afirma que a sua forma de gestão, enquanto presidente, é seguir o planejamento estratégico da cooperativa, que busca ações que estejam sempre alinhadas com sua missão, visão e valores. “Os últimos três presidentes da Primato trabalharam na mesma linha. Isso favorece muito o trabalho e o crescimento da nossa cooperativa. Nossa gestão também está seguindo este planejamento feito a longo prazo, sendo que revisamos este material de forma contínua para que todos possam trabalhar de forma coesa e assertiva”, pondera.

Presidete da Primato, Anderson Léo Sabadin – Foto: Divulgação

Anderson também explica que os planejamentos são discutidos com os cooperados. “Nossa missão é executar o projeto escolhido, pois o nosso produtor confia no plano e espera resultados positivos. Desta forma, fazer a nossa cooperativa prosperar é nossa responsabilidade, precisamos cumprir tudo aquilo que foi previsto e apresentado ao produtor. Ter o aval do produtor nos dá mais segurança na execução daquilo que foi escolhido”, comenta.

Oportunidades

A palavra eficiência está em alta, não somente nas empresas, mas em todos os campos. Com as cooperativas não é diferente. É mais do que necessário aumentar a eficiência e registrar melhores resultados. Conforme Anderson, a Primato vem conseguindo melhorar os resultados, pois eles reduziram despesas desnecessárias e desta forma, os processos tornaram-se mais eficientes. “Esse é o grande desafio, enxugar a máquina, fazendo e agregando mais, tendo uma solução ao produtor, gerando dinheiro para ele. A gente tem que facilitar a vida do produtor. Tudo que nós fazemos deve gerar renda”, afirma.

Neste ano de 2023, a Primato começou a investir no ramo financeiro e abriu uma cooperativa de crédito: a Primato Cred. “Com muita humildade, com muito aprendizado, olhando quem faz bem feito, para usar de referência. Executando boas práticas para atender o nosso cooperado, buscando auxiliá-lo naquilo que ele necessita. Investimos nisso porque quando um produtor precisa de crédito hoje ele recorre aos bancos, mas temos observado que os bancos estão encurtando as linhas de crédito aos produtores, por isso somos mais uma boa opção, já que um único banco não consegue atender todas as demandas de hoje”, expõe.

É natural

O presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, observa com bons olhos as mudanças que estão acontecendo na gestão de algumas cooperativas. Para Rodrigues, o tamanho que alcançaram as cooperativas agroindustriais do Paraná, especialmente em relação à Lar, Copagril, C.Vale, Coopacol e Primato, que fazem parte da Central Cooperativa Frimesa, está traçando um novo modelo de gestão, onde os presidentes não necessariamente sejam cooperativistas de sucesso e sim dirigentes de grandes negócios, como executivos e CEOs.

“(A troca na Presidência da Frimesa) foi uma ideia amadurecida, porque as cooperativas estão se desenvolvendo muito. Não vai ser possível que venha um agricultor empreendedor, que tenha sido bem sucedido, que até tenha estudado bastante, para pegar uma empresa deste porte. Na Frimesa vai ser assim daqui pra frente. Os cinco presidentes das filiadas formam a diretoria, só que nenhum deles vai exercer a Presidência em rodízio. Nós vamos contratar um presidente de mercado e, por sorte nossa, nós temos uma pessoa (Elias Zydek) preparada internamente para fazer isso. E pode acontecer que ele não tenha sucesso e que a gente deva buscar um presidente, digamos assim, qualificado, mas com uma história de resultado”, destacou o presidente da Lar. “E é isso que eu penso que no futuro vai acontecer com todas as cooperativas. Vejo a mudança de forma muito natural. Eu acho que a necessidade está levando a esse modelo de gestão”, destacou.

A edição Especial de Cooperativismo de O Presente Rural pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Agricultura familiar pode ganhar ferramenta de inteligência artificial para gestão das propriedades

Plataforma vai integrar dados produtivos e agroambientais para auxiliar a tomada de decisões no campo.

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Foto: Divulgação

A agricultura familiar poderá contar com uma ferramenta baseada em inteligência artificial para apoiar a tomada de decisões no campo. É o que prevê o Projeto de Lei 240/26, em tramitação na Câmara dos Deputados, que propõe a criação de um sistema voltado à organização, integração, padronização e proteção de dados agroambientais e produtivos.

A proposta altera a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais e estabelece que

Foto: Divulgação

o sistema seja utilizado como suporte à gestão das pequenas propriedades, oferecendo informações que possam contribuir para o planejamento da produção e para a tomada de decisões pelos produtores.

Na justificativa do projeto, o autor da proposta, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), afirma que o alto custo das tecnologias baseadas em inteligência artificial ainda limita o acesso dos agricultores familiares a essas ferramentas, ampliando a diferença tecnológica em relação às grandes empresas do agronegócio. “A ausência de apoio estatal nesse campo pode comprometer a competitividade, a sustentabilidade e a permanência desses produtores na atividade rural”, aponta.

Caso seja aprovado, o sistema deverá reunir informações agroambientais e produtivas em uma plataforma

Foto: Divulgação/Freepik

estruturada para subsidiar decisões relacionadas à gestão das propriedades, com foco na melhoria da eficiência e da competitividade da agricultura familiar.

O Projeto de Lei 240/26 será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para apreciação do Senado antes de eventual sanção presidencial.

Fonte: O Presente Rural
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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil

Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

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Foto: Eufran Amaral

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC

Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.

Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.

Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.

Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação

permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.

Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.

O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil

sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.

O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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