Suínos
Como melhorar os resultados financeiros em uma granja de suínos
Especialista defende que várias decisões que são tomadas hoje, com base nas experiências do passado, acabam ficando obsoletas, diante de tanta transformação que estamos vivendo.

Em mais de 20 anos de vivência na atividade de produção de suínos, sempre me chamou a atenção a dificuldade que o produtor tem no tocante a gestão de custos. Muitas vezes este tipo de raciocínio que quero chamar a atenção aqui ocorre apenas no seu íntimo. Vários gestores de granja se questionam o que poderiam mudar, ou o que poderia melhorar dentro do que vêm fazendo, afim de conseguir se manter vivo e saudável dentro da atividade.
Tenho repetido muito a seguinte frase nas minhas consultorias: “dentro das alternativas possíveis de escolha, nunca vamos optar por uma que não seja a mais interessante para nós”, e é batendo de frente com isso que várias decisões que são tomadas hoje, com base nas experiências do passado, acabam ficando obsoletas, diante de tanta transformação que estamos vivendo.
Basta estudar um pouco para que tenhamos um pensamento praticamente unanime de que o correto para nosso cérebro é tomar novas decisões em cima das experiências que construímos com as decisões assertivas já realizadas no passado. Sendo assim, ousar na compra de um determinado aditivo para ração, por exemplo, com um custo maior, em um momento em que estamos praticamente no zero a zero dentro da atividade, precisa estar muito bem embasado.
Estou chegando onde quero, que é a necessidade do produtor de encontrar empresas e pessoas que lhe ajudem a medir, controlar e avaliar todas essas variáveis. Afinal, dentro de um organismo vivo como a sua granja, podemos encontrar centenas de dezenas de atividades ocorrendo simultaneamente.
Sendo assim, o primeiro passo para melhorar os resultados financeiros dentro da granja é escolher empresas parceiras pelo nível de entrega que a empresa tem, tanto em produtos como em serviços. Algumas empresas, e isso é normal em todo segmento, possuem produtos e serviços que não agregam o valor esperado e acabam comprometendo a saúde financeira de seu negócio.
Vejo diariamente compras sendo realizadas pelo preço do saco, quando na verdade temos aqui o barato saindo caro. Mas por que isso acontece tanto em uma atividade tão importante, e acontecendo em propriedades que possuem informações e relatórios gerenciais?
A resposta começa a aparecer quando vemos grandes organizações tomando decisões com base em relatórios que muitas vezes são coletados e confeccionados de maneira não apropriada, gerando decisões equivocadas e não rentáveis ao negócio. Vamos aos exemplos práticos: uma das ocorrências mais comuns é ver granjas com números de nascidos excelentes, taxas reprodutivas invejáveis, mas na hora em que vamos buscar informações – que normalmente não estão disponíveis – para cruzar ração de reprodução gasta x parto realizado, constatamos que a diferença de uma granja para outra é alarmante.
Ano passado, atendi um cliente com duas upl’s onde uma gastava 453 kg de ração por parto, e a outra 511 kg por parto, diferença de 58 kg de ração por parto realizado. Se usarmos um custo médio de R$ 1,40 por kg, estamos falando de R$ 81,20 a mais com ração reprodução por parto – isso para 14 animais nascidos vivos. Sendo assim o leitão já arranca com R$ 5,80 a mais de custo de ração reprodução, o que notoriamente, mina o resultado nesse pedacinho de toda a jornada produtiva.
Evolução
Em resumo, precisamos montar indicadores financeiros eficientes para usarmos em nosso dia a dia. Acredito que temos, sim, boas condições de rapidamente colocar em prática modelos de gestão que são comuns fora do Brasil, afim de ganharmos eficiência, inclusive já vemos esse movimento ocorrendo por aqui.
Assim como o exemplo citado, temos inúmeros, e por todo o movimento de transformação e atualização que a nossa suinocultura passou, chegando a níveis zootécnicos muito elevados, fica totalmente inviável tentar fazer a gestão dessa máquina poderosa apenas no caderno. Precisamos buscar práticas de gestão atualizadas, em conformidade com o que estamos fazendo dentro das nossas granjas.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



