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Cenários ajudam a entender melhor hora para comprar ou vender milho

país vive um cenário econômico volátil e incerto, em função dos últimos eventos internos e externos; entender a lógica do mercado de grãos é uma questão de sobrevivência

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As incertezas do mercado internacional e a volatilidade da política brasileira são alguns dos principais fatores que estão contribuindo para que a compra/venda futura de milho esteja estacionada no Brasil. Problema para agroindústrias produtoras de proteína animal e para o produtor. Ambos podem negociar o cereal – ou não – em momento inadequado, comprometendo suas margens de lucro. Riscos externos e internos tornam o mercado do milho nos próximos meses extremamente volátil. Esse foi o tom da palestra que o engenheiro agrônomo e doutor em Economia Aplicada pela Esalq/USP, especialista em agronegócio brasileiro, Alexandre Mendonça de Barros, no seminário sobre a nova dinâmica do mercado de grãos e o desafio da sustentabilidade econômica da suinocultura.

O evento, proposto pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e outras entidades do setor, debateu o cenário desafiador da suinocultura brasileira integrando a programação da PorkExpo 2018, que aconteceu dias 26 e 27 de setembro, em Foz do Iguaçu, PR.

A ação reuniu cerca de 350 participantes, entre suinocultores, especialistas, estudantes e representantes de entidades do setor para discutir o mercado de grãos, importante tema que influencia diretamente nos custos de produção do suinocultor e reflete na sustentabilidade da atividade.

De acordo com Mendonça de Barros, o país vive um cenário econômico volátil e incerto, em função dos últimos eventos internos e externos. E entender a lógica do mercado de grãos é uma questão de sobrevivência. “A suinocultura sofreu inúmeros reverses, primeiro, a alta nos custos de produção ao mesmo tempo em que perdeu um mercado importante, que é a Rússia, até então o nosso maior parceiro comercial. Além disso, os eventos internacionais também influenciaram bastante este cenário, principalmente com a guerra comercial travada entre Estados Unidos e China, que elevou o preço dos grãos brasileiros contra o mercado internacional. Como complicação, nós não sabemos até quando isso vai durar. Aqui no país, nós tivemos o tabelamento de fretes, reprecificou as cargas no Brasil, principalmente dos grãos, fora a incerteza do cenário político. Então, a combinação desses fatores gerou muitas incertezas em relação ao futuro do milho, farelo de soja que, por consequência, redefine o jogo para os suinocultores. Assim, é de vital importância para os suinocultores se atentarem à inteligência do mercado de grãos”, destacou o especialista.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, pontua a importância de o suinocultor estar sempre atento a informações sobre grãos para ser estratégico em seu planejamento. “Nosso objetivo é sensibilizar da importância de se estar atento ao mercado de grãos, sua influência e impacto na produção suinícola, para que possamos trazer sempre melhores resultados para a nossa cadeia. Para isso, a ABCS investe continuamente na capacitação dos suinocultores”.

Cenários internos

Alexandre Mendonça de Barros abordou em sua apresentação as perspectivas do mercado de grãos e carnes em 2019, que, em sua avaliação, dependem de alguns fatores, especialmente o que ele categoriza como trágica tabela de fretes. Ele alerta para os custos que o agronegócio pode encontrar caso esse tabelamento seja mantido.

“A tabela de fretes está distorcendo a formação de preços no Brasil. O tabelamento do frete é uma aberração. Em algumas regiões, tem ajudado a represar as exportações (de milho). Se não consegue rentabilidade para exportar porque o frete está caro, está dando vantagem para quem é comprador de milho”, avalia. No entanto, para o produtor do grão é um mal negócio. “A greve dos caminhoneiros foi um horror. Com a tabela ficou muito caro transportar, mas mais caro ainda quando a distância é maior que 500 quilômetros”, exemplificou. De acordo com ele, o mercado estima ter R$ 36 bilhões a mais de custo. “Vai encarecer a produção agrícola brasileira”, frisa.

No entanto, com o passar das eleições, o especialista entende que o tabelamento possa ser derrubado. “Espero que a tabela do frete possa cair entre novembro e dezembro. Seria um sonho”, expõe Mendonça de Barros.

De acordo com o palestrante, as eleições brasileiras, no entanto, devem ter o maior impacto sobre os preços das commodities nos próximos meses. Isso porque o resultado das urnas, em sua opinião, vai interferir drasticamente na cotação da moeda americana – palestra feita em setembro e esta edição fechada em 24 de outubro, antes do segundo turno das eleições. “Se (Jair) Bolsonaro foi eleito, o mercado sinaliza que o dólar fica próximo a R$ 3,80. Se (Fernando) Haddad eleito, pode chegar a R$ 5”. “Tudo vai depender do câmbio e sua volatilidade”, amplia.

Índices econômicos

Para Mendonça de Barros, o Brasil goza de um cenário econômico propício para o crescimento. “Temos um cenário de inflação que deve fechar o ano em 4% e manter em 6,5% taxa de juros. É raro na história termos os dois índices baixos. E isso é maravilhoso, é uma oportunidade de crescimento espetacular”, acentuou. “Outro ponto: o Brasil está muito bem nas contas externas, acumulou US$ 380 bilhões em reservas. As empresas brasileiras têm saldo de US$ 50 bilhões (diferença entre o que devem e o que recebem)”, aponta.

No entanto, cita a redução dos gastos públicos como preponderante para o crescimento econômico. “O difícil é resolver o rombo das contas públicas. Esse é o foco. De 2003 a 2013 o Brasil tinha superávit nas contas públicas. No entanto, o Estado foi crescendo, a dívida começou a subir. Em 2014 tinha 3% de déficit. Em 2015 o governo soltou preço da gasolina, a inflação foi a 11%, os bancos puxaram o juro para 14,5%, o déficit ampliou para 5%. Hoje a dívida está chegando a 85% do PIB”.

Aspectos exteriores

De acordo com o palestrante, o mundo tem produzido mais milho, no entanto, tem consumido mais em virtude do aumento da produção de proteína animal. “Primeiro aspecto que precisamos entender é que estamos vindo de safra excepcional. Aliás, nos últimos quatro anos o mundo todo foi bem (produção de milho), o que gerou expansão da oferta. Entretanto, houve muita expansão de carne. Os Estados unidos tiveram a maior produção da história de suínos, bovinos e aves”, aponta. De acordo com ele, “o bom momento econômico americano engatou com um ciclo favorável de produção agrícola nos Estados Unidos”, calibrando o mercado.

De acordo com ele, esse crescimento na produção e consumo vem da política econômica proposta pelo presidente norte-americano. “(Donald) Trump foi eleito prometendo emprego, porque diversas companhias americanas foram para a China. Primeiro ele cortou impostos de grandes companhias (10%), que acabaram tendo maior lucro e voltaram a investir nos EUA. Hoje os Estados unidos estão com 4% de desempregados, o que é muito pouco. O PIB do último trimestre cresceu 4%, o que isso é muito para países desenvolvidos”, mencionou. “Com a economia americana muito forte, com juros mais altos, todo mundo voltou a investir lá”, apontou.

Duas medidas tomadas por Donald Trump, mencionou o palestrante, foram decisivas para a retomada do crescimento. “Limitação de acesso de estrangeiros para tornar a concorrência de trabalho mais acirrada e aumentar o salário das pessoas, limitação das importações, principalmente chinesa”, pontuou. Assim, sugere, “o produtor de carne americano está mais competitivo”.

China tem fome de milho

Se por um lado as super safras foram demandadas pelo aumento da produção de proteína, por outro um dos maiores consumidores do planeta está com escassez do cereal. Pela primeira vez na história, aponta Mendonça de Barros, a China pode importar milho em grandes quantidades de outros países, oportunidade para quem vende o grão e preocupação para quem produz suínos, aves, bovinos, ovos e leite. “Os chineses estão com o menor estoque de milho em uma década. Eles nunca importaram milho, mas em 2019 pode ser que tenham que importar. Então, se o milho americano estiver sobretaxado pela guerra comercial, o mercado vai pagar prêmio para o milho brasileiro”. Ou seja: nesse cenário, o milho vai ficar caro. “É um alerta pra quem compra”, apontou.

Carnes

O especialista em agronegócio também falou sobre as oportunidades que a carne bovina, suína e de aves tem no mercado internacional e seu turbulento cenário. “O Preço do boi está elevando, e isso é bom para a precificação de suínos e aves. Tivemos boas exportações de carne de gado para China e Hong Kong. Há também uma melhora no mercado interno, o que deve sustentar os preços”, destacou.

De acordo com ele, a Rússia, autossuficiente em frango, também deve se tornar independe do mercado suíno de outros países. No entanto, os surtos de Peste Suína Africana no Leste Europeu e Ásia pode ser um fator positivo para a carne suína brasileira. “A PSA pode ser a grande oportunidade brasileira no mercado mundial de carne suína, além de guerra comercial entre Estados Unidos e China”, citou. “É uma oportunidade interessante para compensar o protecionismo russo. Temos que encontrar novos parceiros comerciais que substituam a Rússia”, sugeriu o palestrante.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição Animal

Adsorventes de micotoxinas: aditivo é indispensável em todas as fases de produção

Intoxicação dos animais pode provocar danos à saúde, queda do desempenho zootécnico e consequente perda financeira

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Um dos maiores desafios na alimentação animal é o controle de micotoxinas. A intoxicação dos animais pode provocar danos à saúde, queda do desempenho zootécnico e consequente perda financeira. O jornal O Presente Rural entrevistou Mateus Morgan, gerente de produto – adsorventes de micotoxinas – da Agrifirm, para saber onde estão, como prevenir e como tratar adequadamente esse tema. Boa leitura.

O Presente Rural – O que são micotoxinas e onde estão presentes?

Mateus Morgan – Micotoxinas são substâncias tóxicas resultantes do metabolismo secundário de diversas linhagens de fungos filamentosos. São compostos orgânicos de baixo peso molecular e baixa capacidade imunogênica. A sua ocorrência está presente em todo mundo principalmente em climas tropicais e subtropicais, o desenvolvimento fúngico é favorecido pela excelente condição ambiental como umidade e temperatura. Mais de setecentos metabólitos produzidos por aproximadamente uma centena de fungos são conhecidos atualmente.

Os principais fungos produtores de micotoxinas são do gênero Aspergillus, Penicillium e Fusarium, responsáveis pela produção dos três principais grupos de micotoxinas: aflatoxinas, ocratoxina e as fusariotoxinas que são representadas pelas fumonisinas, tricotecenos e zearalenona (tabela1). Os fungos dos gêneros Claviceps, Alternaria, Pithomyces são de baixa frequência, mas não de menor importância.

O Presente Rural – Porque elas são um problema para o agronegócio?

Mateus Morgan – A alta prevalência das micotoxinas nos alimentos acaba trazendo graves problemas para atividade agropecuária. Com os elevados custos de produção e das matérias primas, além de uma demanda por alimentos de alta qualidade para a nutrição animal, sempre que nos deparamos com alimentos contaminados acabamos tendo perdas significativas na qualidade destes alimentos, que impactam diretamente nos custos financeiros e produtivos nas propriedades e agroindústrias e que, necessariamente, tende ser repassado ao consumidor, afetando diretamente o agronegócio.

Como podemos ver na tabela 2, as contaminações de micotoxinas em volumosos são significativas e impactam diretamente nos resultados e qualidade dos alimentos.

Tabela 2 – Amostras de volumosos (julho 2020 a fevereiro de 2021)

O Presente Rural – Em que fases elas afetam a produção de gado de corte e leite?

Mateus Morgan – De maneira geral as micotoxinas afetam os ruminantes em todas as fases de produção dos animais quando expostos a estes metabólitos. Especificamente, os animais em produção são mais acometidos, devido ao maior consumo de alimentos (concentrado e volumosos) conservados que ficam armazenados por longos períodos, o que possibilita uma maior contaminação destes alimentos.

No gado de corte, animais em fase de confinamento e semiconfinamento e suplementados com altos níveis de concentrados são os mais propensos a contaminação. Já na produção de leite, os animais em produção e recria são mais predispostos às intoxicações devido a dieta estar 100% atrelada a alimentos armazenados, como os volumosos, que tendem a ter contaminações que causam efeitos deletérios aos animais.

O Presene Rural – Quais os prejuízos na produção de gado de corte e de leite?

Mateus Morgan – A problemática denominada micotoxinas, muitas vezes oculta dentro da produção, acaba trazendo prejuízos de grande monta no gado de corte e leite por agir de maneira silenciosa e muitas vezes negligenciada por profissionais desta área.

Dentro da pecuária de corte os prejuízos estão mais relacionados a queda de imunidade, danos às funções hepáticas e a saúde do trato gastrointestinal, que refletem em queda nos parâmetros zootécnicos e estão atrelados principalmente a Afla, Fumo e Don. Estudos relatam que altas doses destas micotoxinas podem trazer perda na casa de 150g/animal/dia dentro de confinamentos.

Na atividade leiteira, os problemas são muito similares aos bovinos de corte. A grande diferença para os bovinos leite está relacionada a problemas de cunho reprodutivo que estão diretamente relacionados a Zearalenona e a presença de Aflatoxina M1 no leite, oriundo da contaminação de Aflatoxina nos alimentos.

No gráfico 1 podemos identificar as perdas reprodutivas, associada as taxas de concepção de novilhas de corte em um estudo na Universidade de Santa Maria.

Gráfico 1 – Taxas de concepção após intoxicação de novilhas tradadas com T1 – dieta basal (controle), T2 – dieta basal + 5 mg/kg de ZEA, T3 – dieta basal + 5 mg/kg de ZEA + 2,5 kg/tonelada de AAM e T4 – dieta basal + 5 mg/kg de ZEA + 5,0 kg/tonelada de AAM que foram submetidas a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

O Presente Rural – Que tipos de práticas é preciso lançar mão para evitar prejuízos?

Mateus Morgan – Para evitar os prejuízos causados pelas micotoxinas devemos estar atentos a produção, armazenamento, pré e pós colheita e principalmente na produção manutenção dos silos de volumosos, evitando assim a proliferação dos fungos e aumento da contaminação das micotoxinas. Boas práticas nestas fases são fundamentais para evitar maiores contaminações.

É imprescindível o uso dos aditivos adsorventes de micotoxinas (AAM) para minimizar os impactos negativos destes contaminantes, pois estes são os grandes responsáveis pela proteção dos animais, quando há contaminação nos alimentos. Vale lembrar que nem todos os adsorventes do mercado apresentam eficiência protetora.

O Presente Rural – O que são adsorventes e como eles agem para a pecuária de corte e leite?

Mateus Morgan – Os AAM são aditivos tecnológicos com alta capacidade de adsorção dos metabólitos fúngicos presentes na ração, evitando a sua adsorção pelo trato gastrointestinal dos animais, eliminando-os de forma natural via fezes. Existem adsorventes específicos para determinadas micotoxinas e espécie animal, sendo de extrema importância, conhecer os resultados de eficácia (estudos) in vivo para cada micotoxina na espécie que está sendo usado estes aditivos.

A forma de ação dos AAM é muito idêntica em todas as categorias animais, sendo a sua principal função evitar que as micotoxinas sejam absorvidas no TGI, causando perdas a saúde dos animais e humanos. Outra função importante dos AAM é evitar a formação dos metabólitos tóxicos, produzidos a partir da absorção das micotoxinas, como por exemplo, a presença de Aflatoxina M1 no leite.

O Presente Rural – Que benefícios práticos têm no gado de corte e no gado de leite?

O Presente Rural – Como eles são administrados e em que níveis?

Mateus Morgan – As recomendações de uso são de duas formas; top dress e via ração. Já as doses de inclusão (gramas/animal/dia ou Kg/ton) é um tema que devemos ter total atenção, levando em consideração se as doses recomendadas pelo fornecedor realmente serão efetivas ao controle das micotoxinas.

A melhor maneira de certificar se a dose recomendada está correta e protegendo os animais é solicitar as avaliações de eficácia in vivo, assim, não corremos o risco de usar subdosagens que muitas vezes são um atrativo comercial.

O Presente Rural – Quais são as tecnologias em adsorventes de última geração? E quais as novas fronteiras sobre o tema?

Mateus Morgan – As novas tecnologias de adsorventes estão surgindo aos poucos no mercado, principalmente na produção tecnológica de adsorventes capazes de capturar mais de uma micotoxina. Nestas inovações, podemos citar uma tecnologia onde mudamos a estrutura da sílica através de processos químicos e térmicos tornando-as capazes de capturar Zearalenona, Doeoxinivalenol e Endotoxinas.

A biotransformação, inativação e detoxificação também surgem como tecnologias inovadoras e recentes, porém necessitam estudos e comprovações de eficácia. O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) recentemente validou uma nova portaria que regulamenta o registro e uso dos AAM. Inovações e novas ferramentas de controle e mensuração da micotoxinas na produção animal têm surgido trazendo vários benéficos para o agronegócio.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição Animal

Antifúngicos de ácidos orgânicos: Lidando com a conservação da qualidade de grãos e rações

O principal objetivo do uso de antifúngicos é melhorar o desempenho dos animais e maximizar os lucros

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Divulgação/AENPr

Artigo escrito por Natália Vicentini, gerente de serviços técnicos da Kemin do Brasil

O milho é o principal grão utilizado pela indústria de nutrição animal, dentre outros insumos também utilizados em grandes quantidades, e a ocorrência de fungos se mostra um problema desde as fases de produção a campo, passando pelas fases de armazenamento desses grãos, até a ração final.

Os fatores que afetam o desenvolvimento de fungos são principalmente teor de umidade, temperatura, disponibilidade de tempo, condição física (no caso de grãos quebrados), nível de inóculo do fungo, conteúdo de oxigênio, insetos e ácaros.

Os fungos mais importantes pertencem aos gêneros Fusarium, Aspergillus e Penicillium, e sua incidência em grãos e rações reduz não só a qualidade, causando perdas fisicas e econômicas para a indústria, mas também pode esconder um outro problema: a presença de micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por algumas espécies de fungos presentes nos grãos e dessa maneira níveis de micotoxinas podem ser controlados pela limitação do crescimento de fungos – priorizando o desempenho ideal de animais e qualidade de rações.

Um claro exemplo de micotoxina é a aflatoxina, produzida pelo fungo do gênero Aspergillus, que demonstrou reduzir a atividade de enzimas digestivas: nuclease, tripsina, lipase e amilase, em frangos de corte, resultando em menor digestão e crescimento mais lento.

Proteger o grão do crescimento de fungos resultará em grãos de maior valor nutricional: Certo pesquisador demonstrou em seu trabalho que rações com presença de fungos requerem 3% de gordura adicional para superar a perda de energia, sem perdas na conversão alimentar de frangos de 28 dias de idade.

Kao e Robinson, em seu trabalho demonstraram que as consequências do crescimento fúngico também são sentidas em nivel de aminoácidos totais e lisina, com redução em 21% e 45%, respectivamente em trigo. Economicamente, o crescimento de fungos é muito custoso a indústria de nutrição animal.

Apenas o crescimento dos fungos, na ausência de micotoxinas, já é uma preocupação importante para produtores. A contagem de bolores e leveduras pode ser utilizada como uma ferramenta para uma utilização mais eficiente da ração.

Testes a campo realizados nos EUA mostram que as contagens de fungos são reduzidas em aproximadamente 75% em milho tratado com antifúngico a base de ácidos orgânicos comparando-se ao milho não tratado. Pellets de ração produzidos com este insumo tratado também apresentaram uma contagem significativamente inferior. Considerando a análise de dias para mofar observou-se um incremento de 100% do período entre rações que levaram milho tratado comparando-se com rações com milho sem nenhum tratamento.

Outra proposta dessa revisão de estudos a campo realizado nos principais produtores de frangos de corte nos EUA demonstrou que a utilização do alimento pelo animal é melhor aproveitada, melhorando de 6 a 8 pontos a conversão alimentar quando o aditivo antifúngico a base de ácidos orgânicos é adicionado ao grão inteiro a uma taxa de cerca de 1 kg por tonelada de grãos 6.

Um teste a campo realizado no Brasil demonstrou que como resultado da utilização de produtos a base de ácidos orgânicos no controle de fúngicos, também foi possível diminuir significativamente a contaminação por aflatoxinas em milho tratado e estocado aos 60 e 120 dias.

Os níveis de fungos e micotoxinas aumentam à medida que o grão é colhido, armazenado e transportado para as fábricas de ração. Níveis não controlados de fungos e micotoxinas continuarão a aumentar até que a ração seja consumida pelos animais causando prejuízos a saúde dos animais ou até mesmo a segurança dos alimentos.

Dada a situação e o cenário atual de custos de insumos, é prudente utilizar ferramentas e boas práticas que assegurem a qualidade do produto. Tratar os grãos de maneira preventiva com antifúngicos a base de ácidos orgânicos antes do armazenamento a fim de evitar que tais condições ocorram é uma estratégia que pode trazer retornos fantásticos. O tratamento de grãos pré armazenamento pode reduzir o desafio com infestação por fungos. Outra possível oportunidade para tratamento na pós-colheita de grãos seria nas fábricas de rações, quando recebido.  O principal objetivo do uso de antifúngicos é melhorar o desempenho dos animais e maximizar os lucros, provendo alimentos de qualidade ao campo e contribuindo com a segurança dos alimentos.

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Fonte: O Presente Rural
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Metionina Protegida: Saiba o papel no desempenho de vacas leiteiras durante a fase de transição

Vacas recebendo metionina protegida tiveram maior ingestão de matéria seca quando comparado ao grupo controle

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Claudia Parys, Evonik Nutrition & Care, GmbH, Alemanha; e Tales Lelis Resende, Nutrition & Care, Evonik (CSA), Brasil

No ciclo produtivo de vacas leiteiras, o período de transição apresenta-se como a fase mais crítica, caracterizado principalmente pelo desafio ao sistema imunológico. Prevenir desordens metabólicas nesta fase é a chave para maximizarmos a performance no pico de lactação. Ao iniciar a lactação a vaca leiteira enfrenta um balanço energético e proteico negativo. Aplicar estratégias nutricionais para aumentar a ingestão de matéria seca (IMS) no pré-parto e suportar o ótimo funcionamento do sistema imunológico garantirá um bom começo de lactação e melhorará a saúde geral da vaca.

Metionina é considerada o primeiro aminoácido limitante na maioria das vacas leiteiras de alta produção. Metionina não é apenas um aminoácido essencial, mas também é responsável por manter diversas funções imunológicas. Portanto, conduziu-se o presente estudo buscando determinar os efeitos da suplementação de metionina protegida com etil-celulose na performance produtiva e saúde de vacas de alta produção durante o período de transição e o pico de lactação.

O estudo realizou-se na Fazenda Leiteira Experimental da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Sessenta vacas da raça Holandês, multíparas, foram distribuídas em dois tratamentos em blocos totalmente randomizados. Os tratamentos foram; 1. Controle, com o fornecimento de dieta base (pré-parto, pós-parto e alta produção) sem metionina protegida, e 2. Teste, dieta controle com 0,09% de inclusão de metionina protegida por kg de matéria seca (MS) no pré-parto e 0,10% de inclusão por kg de MS no pós-parto e alta produção. A suplementação assegurava uma relação 2,8:1 para lisina:metionina. As dietas pré-parto, pós-parto e alta produção foram fornecidas do dia 28 antes do parto ao parto, do dia 1 ao 30 pós parto e do 31 aos 60 pós parto respectivamente.

Os resultados demonstraram que vacas recebendo metionina protegida tiveram maior ingestão de matéria seca quando comparado ao grupo controle. A suplementação aumentou significativamente a média de IMS (P<0,05) das vacas durante o pré-parto em 1,2 kg/dia, no pós-parto em 1,6 kg/dia e alta produção em 1,5 kg/dia. No pós-parto imediato, a produção de leite diária (4,1 kg/dia), produção de proteína (0,20 kg/dia), produção de gordura (0,17 kg/dia) e produção de lactose (0,25 kg/dia) foram maiores no grupo teste (P<0,05) comparado ao controle. No período de alta produção (31 a 60 dias em lactação) a suplementação de metionina apresentou resposta similar aumentando a produção de leite em 4,4 kg, proteína em 0,17 kg, gordura em o,19 kg e lactose em 0,30 kg/vaca/dia.

Ácidos graxos não esterificados (AGNE) e γ-glutamil transferase tiveram seus teores séricos reduzidos em 25 e 37% respectivamente no grupo suplementado comparado ao grupo controle. A redução de AGNE e γ-glutamil transferase no sangue indicam melhor função hepática e status imunológico de vacas leiteiras.

Com base no s resultados obtidos neste estudo, conclui-se que suplementar metionina protegida com etil-celulose no período de transição melhora o consumo de matéria seca e a saúde de vacas leiteiras. Fornecer desde o 28° dia pré-parto melhora a performance produtiva não apenas no pós-parto imediato, mas também até o pico da lactação.

Figura: Efeito da suplementação de metionina protegida com etil-celulose do 28° dia pré-parto aos 60 dias em lactação

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Fonte: O Presente Rural
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