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Dilvo Grolli

Carne bovina brasileira para os EUA

Este acordo diante do cenário econômico brasileiro é extremamente importante e também uma excelente oportunidade para todo o Brasil

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A entrada da carne bovina brasileira in natura nos EUA é uma conquista que se arrasta desde 1999. Há 17 anos o Brasil está negociando com os americanos, isto demonstra claramente a falta de estratégia nas negociações do governo brasileiro e a falta de ousadia da cadeia da carne para pressionar e com isso outros países aproveitam melhor as oportunidades.

Este acordo diante do cenário econômico brasileiro é extremamente importante e também uma excelente oportunidade para todo o Brasil e não somente para os treze estados e Distrito Federal, onde está incluindo o Paraná. A decisão permite a exportação para os EUA de 64,8 mil toneladas de carne in natura, ou seja, 4% das exportações brasileiras. E até hoje era permitido ao Brasil somente a exportação de carne bovina industrializada, com valor de US$ 286,8 milhões em 2015 e este valor será ampliado para US$ 1,2 bilhão.

O estado do Paraná tem frigoríficos habilitados e com condições para exportar carne bovina in natura para os EUA. Isto é uma grande oportunidade para a bovinocultura do estado, vai possibilitar o crescimento da pecuária, com maior estabilidade de comercialização, geração de emprego e renda para toda a sociedade.

Há quatro anos o Paraná está investindo e conscientizando os produtores rurais para enquadrar o estado com livre de Febre Aftosa sem vacinação. Será mais uma oportunidade muito grande para consolidar a carne bovina e também a suína para o mundo.

O Paraná tem o 10º rebanho bovino de corte do Brasil, com abate de 400 mil animais por ano e a produção de 1 milhão de toneladas de carne de excelente qualidade, devido todo o cuidado que os pecuaristas e agroindústrias tem em toda a cadeia desde a genética, o manejo, a qualidade das pastagens, o treinamento das pessoas e o abate em frigoríficos aprovados para a exportação.

E, quando teremos a liberação de área livre de Aftosa, o estado que é o 3º produtor de carne de suínos do Brasil com 600 mil toneladas por ano, poderemos acessar a todos os mercados mundiais, também será uma vitória mais significativa. Mas este reconhecimento e a abertura do mercado dos EUA, mostra o caminho e que a área livre de Aftosa sem vacinação vai ampliar as oportunidades para os outros mercados mundiais para as carnes bovina e suína.

O Brasil vem buscando crescer no mercado internacional de carne, na carne de frango e bovina somos o primeiro exportador mundial e na carne suína somos o quinto exportador. A marca da carne brasileira está presente em mais de 200 países e precisamos ampliar esta conquista do acordo entre Brasil e EUA onde abre o mercado para a carne bovina in natura para o Brasil e o Paraná, para outros mercados e também concretizar as lideranças políticas e empresariais do Paraná para uma área livre de Aftosa sem vacinação.

O Oeste do Paraná está investindo bilhões de reais na produção de carnes de frango e de suíno, mesmo diante de um canário econômico extremamente desafiador e estamos identificando mais uma oportunidade para a cadeia da carne.

O reconhecimento e a abertura do mercado com os EUA precisa ser comemorado e ampliado, e o Oeste do Paraná que é líder na produção de carnes de frango e suínos, tem potencial para o crescimento da bovinocultura de corte com produção de animais precoces e com carne de alta qualidade, inclusive aproveitando a sinergia com a bovinocultura de leite.

A produção de carne bovina mundial é de 68 milhões de toneladas e a produção brasileira de 10 milhões de toneladas e somos o país do mundo que tem o maior rebanho comercial, por isso, possuímos condições de crescimento na produção.

A produção de carne de suíno mundial é de 118 milhões de toneladas e a produção brasileira é de 3,5 milhões de toneladas, também temos grandes condições de crescimento pois a produção de milho e soja possibilita o crescimento da produção de carne suína.

A produção de carne de frango mundial é de 112 milhões de toneladas e a produção brasileira é de 13,6 milhões de toneladas, somos o terceiro produtor e o primeiro exportador mundial e temos condições de crescimento de 4% ao ano, pois a carne de frango será a mais consumida no mundo nos próximos anos.

No comércio internacional a abertura de mercado é uma conquista que deve ser comemorada, pois indica o reconhecimento, da marca de um país, mas a manutenção de uma grande conquista também exige muito trabalho e muito cuidado em toda a cadeia de produção e no caso da pecuária a sanidade é o principal desafio. 

Fonte: Assessoria, exclusivo para O Presente Rural

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Dilvo Grolli Opinião

Empresas estatais vs empresas privadas: O dilema da eficiência

No que diz respeito às concessões, é evidente a falta de infraestrutura logística e de saneamento no país, e que isto somente será resolvido com capital privado

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Artigo escrito por Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Coopavel

As décadas 1960 e 1970 representaram o fim da recuperação econômica pós-guerra e o início das transformações que nos movem até hoje. Enquanto os países desenvolvidos, não pertencentes ao chamado “núcleo-capitalista hegemônico”, estabeleceram como estratégia para o crescimento um pacto tripartite, englobando governo, empresários e trabalhadores, os países em desenvolvimento, Brasil entre eles, acreditaram que através de empresas estatais, tendo os governos um papel preponderante de gestão dos negócios, se conquistaria o desenvolvimento econômico.

A razão da participação do estado foi no sentido de equilibrar a economia em diferentes setores. Esta tese teve como base a crença de que sob o controle do estado as empresas se defenderiam de certas falhas de mercado, decorrentes dos monopólios. A gestão de Margareth Thatcher, no Reino Unido, marcou uma mudança de paradigmas nos conceitos geoeconômicos, a partir da constatação que crescimento demanda fugir das amarras do governo, onde empresas estatais são usadas e abusadas pelos governantes, como cabide de emprego e de poder político.

Os professores Andrei Schleifer e Robert Vishny da Harvard University, em Governança Corporativa no Setor Público demonstram que as consequências da má gestão pública são perfeitamente evitáveis, por quê: “Se o governo sabe exatamente o que deseja, pode explicar seus objetivos em um contrato ou através de uma regulação bem-feita, obrigando a empresas públicas ou concessionárias a produzirem de acordo com as condições a elas impostas. Um exemplo original é a regulação que impede que a uma concessionária de rodovias, explore o seu poder de monopólio”.

A diferença da administração de uma empresa privada e de uma estatal está na estratégia e na operacionalização. A empresa privada está alinhada aos seus valores e estimula a eficiência e a produtividade para um resultado social. A empresa estatal precisa atender, primeiramente, os interesses dos governantes. Um exemplo disto é o escândalo de corrupção na Petrobrás, onde os gestores buscavam recursos para retribuir o apoio dado pelos partidos aliados ao governo.

As empresas estatais são ineficientes, não só porque seus gestores têm pouco ou nenhum incentivo para reduzir os custos, por exemplo, e sim porque a ineficiência resulta da política deliberada dos governos em transferir benefícios aos que lhe dão suporte político.

Nas empresas privadas, o desafio, a inovação, o desenvolvimento e o comprometimento, fazem parte do dia-a-dia dos gestores. As lideranças se sustentam pelos valores e pela missão da organização, com fim nos resultados.

As mudanças e as inovações de hoje são muito rápidas e as empresas estatais têm dificuldade em acompanhar a realidade devido ao seu atrelamento à política. E as mudanças seguem um processo de evolução que precisa de continuidade. Para agravar, as empresas estatais geralmente mudam de gestores a cada novo governo, interrompendo qualquer processo de mudança.

No período de 1940 a 1970, o governo brasileiro investiu em áreas como: siderúrgicas, petróleo, indústria aeronáutica e pesquisa agropecuária. Somente o estado podia mobilizar os recursos necessários e assumir os riscos dos investimentos que criaram as bases da industrialização do país.

O ano de 2021 começou com grandes desafios para se definir o melhor caminho para o Brasil: – preservar a democracia; – promover a sustentabilidade; – manter o governo com pouca ingerência na economia.

Os leilões e privatizações do mês de abril podem representar R$ 48 bilhões em investimentos. Isto dependerá do que a sociedade deseja em termos de desenvolvimento e de serviços públicos, e atentem, do quanto esta sociedade se dispõe a pagar em impostos ou a se endividar.

No que diz respeito às concessões, é evidente a falta de infraestrutura logística e de saneamento no país, e que isto somente será resolvido com capital privado. Então, cabe ao governo a responsabilidade de ativar as agências reguladoras, para que fiscalizem e exijam o cumprimento do que está escrito nos contratos de concessões, cujas cláusulas e obrigações são frutos das participações da sociedade através das audiências públicas, e, assim é que deve ser.

Fonte: Assessoria
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Dilvo Grolli Opinião

O pedágio e as questões não explicadas

O desafio dos líderes do Oeste nessa missão é mudar a proposta do Ministério de Infraestrutura

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Artigo escrito por Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Coopavel

A proposta apresentada pelo Ministério de Infraestrutura para a licitação das concessões do pedágio no Paraná deixou muitos questionamentos. Assim, somos obrigados a algumas considerações:

Primeiro: O Ministério de Infraestrutura apresentou uma estimativa de arrecadação, nos próximos 30 anos de concessões, de R$ 156 bilhões, sofrendo reajustes baseados na inflação. Desses valores prevê-se destino de R$ 42 bilhões para obras e manutenção.

Segundo: O INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor -, no período de 2010 a 2020, teve aumento de 75%. Vamos que esse índice permaneça nos próximos períodos, só aí é possível perceber que os valores de arrecadação do pedágio de 2021 a 2051 serão de aproximadamente R$ 400 bilhões e não de R$ 156 bilhões divulgados pelo Ministério de Infraestrutura. Onde está a lógica?

Há que se considerar ainda que no período (2010 a 2020) o PIB – Produto Interno Bruto -, no Brasil, cresceu 2,7%, índice que não servirá para o reajuste dos valores do pedágio que serão, de acordo com a proposta, corrigidos pela inflação que chegou a 75%.

Isso se traduz em perda de competitividade aos nossos produtos e serviços e na transferência de patrimônio da sociedade paranaense para as concessionárias. Algo muito grave!

Terceiro: Os investimentos divulgados pelo Ministério de Infraestrutura a serem feitos no período de 2021 a 2030 importam em R$ 42 bilhões e serão totalmente acrescidos aos valores do pedágio até 2051. Isto é: todos os investimentos serão reembolsados para as concessionárias nos pagamentos das tarifas das praças de pedágio feitos pelos usuários.

Quarto: A população do Paraná é de 11,6 milhões de habitantes, com uma frota de 8 milhões de veículos, isto é, uma média 1,5 habitante/veículo. Temos de considerar ainda os veículos que são emplacados em outros estados e aqueles que transitam pelas rodovias paranaenses que vem de outras regiões do País, e que passarão pelas 42 praças de pedágio dos 3.327 quilômetros de estradas pedagiadas. Projetando um crescimento anual de 80 mil veículos, quantos veículos serão em 2051? Então, de quanto será a arrecadação total das concessionárias de 2021 a 2051?

Quinto: O modelo proposto pelo Ministério de Infraestrutura é mais desastroso e muito mais nocivo que o atual por vários aspectos:

1º – aumento de 2.800 para 3.327 quilômetros de rodovias pedagiadas;

2º – aumento de 27 para 42 praças de pedágio;

3º – projeção de arrecadação que pode ultrapassar R$ 400 bilhões;

4º – inexplicavelmente, os valores do pedágio no Paraná continuarão como os maiores do Brasil.

Isso é absurdo e inaceitável. Será o comprometimento do futuro de duas gerações de indivíduos e a lenta destruição da economia do Paraná.

O Oeste do Estado, grande produtor de bens e serviços, com ações focadas e determinadas pela necessidade de competitividade, vive e manifesta a imensa preocupação com o futuro da região, com os valores do novo pedágio e com a logística para a comercialização da sua produção.

É por isso que nos envolvemos e insistimos nessa bandeira crucial para o nosso futuro. Entendemos que a população precisa ser conscientizada da importância do debate sobre a nova concessão e sobre as tarifas do pedágio. É importante ressaltar que a economia do Oeste do Paraná e do estado do Paraná será entregue ao capital especulativo das futuras concessionárias.

Elas querem potencializar o retorno econômico para as suas corporações. E toda a sociedade ficará dependente dessas concessionárias, como estamos desde 1997, sendo explorados pelas atuais detentoras das concessões. E muita atenção, porque elas querem permanecer na exploração e parece que as coisas se alinham para tal.

O desafio dos líderes do Oeste, tendo à frente o POD – Programa Oeste em Desenvolvimento -, a Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), as Cooperativas e os políticos e os empresários empenhados nessa missão é mudar a proposta do Ministério de Infraestrutura.

Temos apenas 60 dias de prazo para a desconstrução do modelo proposto do Ministério de Infraestrutura e criarmos um modelo justo para a sociedade, que não seja uma sangria de recursos, mas que ofereça condições de logística e estratégias propositivas para melhorar a competitividade dos produtos e a prosperidade do estado do Paraná.

Fonte: Assessoria
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Dilvo Grolli Opinião

O coronavírus e a fome; a divergência e o protecionismo

A questão não é atender a sociedade de cada país, mas compreender que a pandemia do coronavírus e a fome estão colocando em risco toda a sociedade mundial

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Artigo escrito por Dilvo Grolli, presidente da Coopavel

Os líderes são fundamentais para a superação das crises. Mas na crise do coronavírus o mundo e o Brasil estão divergindo sobre o melhor tratamento da pandemia. Os interesses econômicos e o protecionismo dos países estão travando o desenvolvimento de um medicamento eficaz para o tratamento e a vacina que atenda a demanda mundial, sem emoções políticas e ideológicas.

Os grandes líderes mundiais convictos e com suas verdades absolutas e fórmulas tradicionais, nas quais impera o individualismo, estão esquecendo que a alavanca para a solução definitiva da pandemia está na associação e na união do conhecimento de vários países. O conhecimento isoladamente é insuficiente para buscar uma solução definitiva.

Não é de hoje que o protecionismo ignora as necessidades da sociedade. A maior evidência é a fome. Mais de um bilhão de pessoas não têm o que comer, não por falta de alimentos. O Papa Francisco disse: “Não se deve fugir das responsabilidades, passando-as uns para os outros, mas devem ser assumidas para oferecer soluções concretas e reais. A fome não tem presente nem futuro. Só passado, seja não um slogan, mas uma verdade”.

A Coopavel tem investido milhões de reais na proteção dos seus associados e colaboradores. A posição natural da cooperativa é a produção dos alimentos. Mas nessa pandemia o esforço primeiro é pela vida de milhares de associados e colaboradores.

Os princípios do cooperativismo nasceram da necessidade e dos desafios. Aprender com o associativismo na construção de uma nova filosofia, na qual o conhecimento deve ser agregado e compartilhado, constitui-se a maior arma para lidar com os grandes desafios. O mundo precisa aprender mais rapidamente que o associativismo e o diálogo são o caminho para a superação dos grandes desafios, buscando um enquadramento exclusivamente à necessidade da cura definitiva da pandemia.

Por isso, a triste realidade de hoje são as disputas econômicas entre as grandes potências, que estão relegando à vida a segundo plano, visto que a vacina ou a cura definitiva depende do mercado econômico e do protecionismo de cada país. O mundo necessita de um líder ousado, corajoso, audaz, atrevido, forte e rigoroso. O mundo precisa romper o padrão tradicional e entender o desespero da sociedade no momento.

A questão não é atender a sociedade de cada país, mas compreender que a pandemia do coronavírus e a fome estão colocando em risco toda a sociedade mundial pela divergência e pelo protecionismo de cada país e de cada líder.

Fonte: Assessoria
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