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Bovinos / Grãos / Máquinas Airton Spies avalia

Cadeia do leite precisa fazer o que fizeram as cadeias de aves e suínos

Consultor acredita que nova era do leite vai eliminar muitos produtores, mas profissionalizar os que ficam e atingir o mercado externo

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Arquivo/OP Rural

Nos anos 1980 Santa Catarina tinha cerca de 26 mil produtores de suínos. Hoje conta com cerca de 10 mil, mas produz quatro vezes mais. A indústria se profissionalizou, dividiu a produção em fases, ganhou eficiência, lucratividade, conquistou o mundo, mas só em Santa Catarina penalizou 16 mil propriedades rurais que não seguiram a profissionalização do setor. Assim vai acontecer com a cadeia do leite. Nos próximos anos, milhares de famílias rurais em todo o país vão deixar a atividade. Quem ficar, terá pela frente um caminho de mudanças desde a forma de produzir até na hora de receber o dinheiro. O preço do litro pouco vai importar. Haverá produtor de leite sem sala de ordenha, ou aquele que sequer tem uma vaca.

Quem explica melhor é o consultor Airton Spies, que foi secretário de Agricultura de Santa Catarina por nove anos e fez seu doutorado na Nova Zelândia, referência mundial na produção leiteira e que hoje responde por 45% das exportações mundiais dessa proteína. Spies falou a produtores de leite da cooperativa Copagril durante Seminário Anual, que aconteceu em maio, em Marechal Cândido Rondon, PR. Para ele, a nova era é de mais qualidade e abertura do mercado externo para o leite brasileiro. “No Brasil hoje o leite ainda lembra a suinocultura da década de 1980 no Sul”, sustenta.

“O leite está cheio de bons problemas, que são aqueles que têm solução. Já fizemos essa profissionalização com aves, boi, suínos, cana-de-açúcar, mas a cadeia do leite ainda está acanhada, tem muito dever de casa para fazer. No entanto, temos ótimas perspectivas. Uma verdadeira revolução está acontecendo na cadeia do leite. Queremos que o leite do Brasil possa bater as portas do mercado internacional. Para isso, precisamos produzir com qualidade, sustentabilidade e credibilidade do ponto de vista sanitário”, introduziu o consultor, que fez um paralelo entre a produção brasileira e neozelandesa.

O pequeno país da Oceania está em linha reta com a região Sul do Brasil e tem as mesmas características, por exemplo, de clima e regime de chuvas. Os três estados do Sul representam 40% da produção leiteira do Brasil. De acordo com Spies, até 2025 Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná serão responsáveis por 50% da produção nacional. De acordo com ele, há muito o que aprender com modelos como da União Europeia, Austrália e Nova Zelândia, país que exporta 94% de toda sua produção. “São os concorrentes que vamos encontrar no mercado internacional”, justifica.

“A Nova Zelândia tem um leite a custo baixo, qualidade alta e logística para vender a produção para o mundo inteiro. Eles exportam 94% dos 22 bilhões de litros produzidos. De cada 100 litros de leite exportados no mundo, a nova Zelândia é responsável por 45”, cita. É mais, por exemplo, do que toda a União Europeia (30% das exportações mundiais de lácteos).

Desafios do Brasil

Hoje o Brasil produz 35 bilhões de litros de leite, mas praticamente não exporta. No ano passado, de acordo com ele, o país exportou 1% de toda sua produção, mas importou 3% do leite consumido. Ou seja, ainda é importador. Como o crescimento da produção é maior do que o do consumo, avalia, a tendência é que em pouco tempo o Brasil tenha que vender o “excedente” no mercado internacional. “Em breve teremos que exportar. E para ser competitivo nesse mercado precisa leite de alta qualidade, a custo baixo, em pequenas propriedades, à base de pasto, em cadeias produtivas organizadas e eficientes, como a do frango e a do suíno, respeitando o meio ambiente e o bem-estar animal. A lógica do modelo da Nova Zelândia é produção a base de pasto, porém usando todo insumo que der lucro (ração, aditivos, solo, clima, planta, animal, mercado).

Naquele país, citou, a produção é subdividida. Há fazendas só para bezerras, outras só com vacas em lactação e até produtor que não tem vaca nem terra, mas trabalha cobrindo férias dos fazendeiros. A organização com a indústria foi fundamental, citou Spies, para que a Nova Zelândia chegasse a esse nível de profissionalização. “Temos que fazer isso no Brasil, ter contratos bem definidos com as especificidades de ambas as partes (indústria e produtores)”, defende.

Menos e maiores produtores

Para Spies, uma tendência é no Brasil a pecuária leiteira ter menos e maiores produtores. “Muitos vão deixar a atividade, mas vai surgir emprego em outras áreas afins, como aconteceu com a suinocultura. Hoje o Brasil tem 1,2 milhão de produtores de leite, segundo o IBGE, mas são cerca de 650 mil que entregam para a indústria. A pergunta é: Quantos sobrarão? Produtor de leite que ficar parado está andando pra trás”, aponta. “Quais as lições que veem de lá (Nova Zelândia): ênfase no pasto, escala e tecnologia. Vamos ter que aumentar escala. O que temos hoje vai mudar, vai haver uma reorganização de produtores e da indústria, teremos uma cadeia mais produtiva e eficiente”, aposta.

Os números mostram que a cadeia subdividida do leite na Nova Zelândia é muito mais eficiente que a brasileira, a começar pelo teor de sólidos no leite, que, segundo Spies, é o novo modo com o qual o produtor vai receber pelo leite. Quanto mais sólidos, melhor é o preço pago. De acordo com ele, o teor de sólidos (soma da gordura e proteína) do país da Oceania é 31% maior que no Brasil (8,9% contra 6,8%). “Leite precisa ser visto como matéria-prima para centenas de produtos industrializados. Portanto, pagamento por sólidos e por qualidade é essencial. Preço por litro um dia vai ser coisa do passado”, aposta.

Ainda, mencionou, enquanto a produção média de uma vaca na Nova Zelândia é de 4.489 litros por ano, no Brasil é de 2.050. No Paraná, chega a 3 mil litros/vaca/ano. O rebanho é de 11,6 milhões, com 4,99 milhões em lactação. O número médio de animais por propriedade é de 431. As fazendas têm em média 151 hectares e empregam uma pessoa para cada 147 vacas em lactação.

Um ponto mencionado como importante naquele país, citou Sipes, é que 27% dos produtores trabalham em parceria. Enquanto uns ficam responsáveis por uma fase, como a ordenha, outros trabalham com as vacas secas. É esse modelo, em sua opinião, o futuro da cadeia de leite no Brasil.

Papel do Sul

Spies demonstrou que a produção mundial e o consumo estão aumentando ao longo dos anos, com melhores perspectivas para os próximos anos, com a ascensão de países como China, Índia e as 55 nações do continente africano. Juntas, essas nações representam 3,75 bilhões de pessoas.  “O consumo mundial passou de 106 litros em 2010 pra 117 litros em 2018”, exemplifica.

Essa produção deve ser maior no Sul do país, onde a indústria trabalha com capacidade ociosa. “Em 2025 o Sul estará produzindo a metade do leite do Brasil. Hoje já é 40%, mas a população representa 15% do consumo. No Sul já temos capacidade ociosa. Em Santa Catarina temos capacidade industrial de 12 milhões de litros e produzimos 8,5 milhões de litros. A indústria está na frente, e o desenvolvimento da cadeia leiteira deve ocorrer mais fortemente no Sul. “O Sul será a nova meca para exportação de leite no Brasil”, sugere o consultor.

Sipes é coordenador da Aliança Láctea Sul Brasileira, órgão criado pelos três governos do Sul pra resolver problemas do leite com vistas a aproveitar as oportunidades através de ações conjuntas.

Qualidade do pasto à indústria

Para Spies, um dos principais deveres de casa é melhorar a qualidade da pastagem. “Sabemos bem tratar a lavoura de soja e milho, e o pasto? Temos dado o mesmo tratamento? Temos que chegar à agricultura de precisão também na produção de pastagem, aplicar os princípios agronômicos para otimizar a produção de pasto. É preciso produzir muita biomassa, mas ainda precisa converter, para isso usamos a genética, queremos máquinas (vacas) que convertem melhor a nossa biomassa”, garante. “No Brasil estamos bastante acostumados (ainda) com padrões da raça. A Nova Zelândia mostrou que a melhor vaca é aquela que mais converte pasto em leite e dinheiro. Hoje ainda somos pagos por litro de leite. Esqueça isso, no futuro não vai ser assim. A água do leite só serve pra fazer leite longa vida, mas para a indústria é ‘problema’. A indústria vai pagar por qualidade (Contagem de Células Somáticas – CCS – e Contagem Bacteriana Total – CBT) e por sólidos para exportar queijo, manteiga e leite em pó. Esse é o futuro”, expõe.

Um dos destaques, que segundo Spies garante maior eficiência na CBT, é resfriar o leite o mais rápido possível. Na Nova Zelândia, expôs, eles utilizam um pré-resfiador, que permite gelar o leite a 4º C praticamente quando a ordenha é finalizada. “A qualidade depende muito do frio eficiente. O segredo deles é o pré-resfriador. O leite chega a 4 graus praticamente quando acaba de ordenhar. As bactérias não têm chances com o frio. Hoje no brasil leva de três a quatro horas para chegar a 4 graus. E logo que chega vem o leite da outra ordenha. Para ter qualidade só tem um jeito, o frio tem que ser eficiente”, garante. “Toda vaca saudável dá leite bom, nós que estragamos depois que sai do ubre. A única forma de conservar é o frio”, reforça.

Dever de casa

O consultor cita cinco pontos para a cadeia do leite perseguir como dever de casa a ser feito. “1 – qualidade: aumenta o teor de sólidos e reduzir CBT e CCS, melhorar a refrigeração do leite e sanear brucelose, tuberculose e febre aftosa sem vacinação. 2 – custos: aumentar a escala de produção, com segmentação, alimentação e genética. 3 – organização setorial: formalização das relações entre os elos da cadeia, rotas de coleta e parceria entre produtores. 4 – infraestrutura: estradas para 4 eixos, energia trifásica e internet. E 5 – equilíbrio: eliminar assimetrias tributárias (estados e países)”.

Para cumprir o dever de casa, cita, é preciso “fodo, pesquisa e assistência técnica especializada e defesa agropecuária robusta”. Para Spies, o futuro é ganhar com o uso da terra, a produtividade dos animais e a produtividade da mão de obra, usando a estruturas e logística certas.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Safra 19/20

Aplicativo orienta a semeadura de verão

Aplicativo ZARC – Plantio Certo permite acessar pelo celular a melhor data para plantio em cada município

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Luiz Henrique Magnante

A semeadura da soja tem início em outubro na região fria dos estados do RS e SC. Seguir o zoneamento agrícola pode reduzir perdas por adversidades climáticas ao longo da safra de verão e garantir a adesão aos programas de seguro rural no Brasil. O aplicativo ZARC – Plantio Certo permite acessar pelo celular a melhor data para plantio em cada município.

O Zoneamento Agrícola de Risco Agroclimático (ZARC) foi criado em 1996 como suporte às políticas de crédito e seguro rural. O estudo, coordenado pela Embrapa com apoio de diversas instituições públicas e privadas, permite verificar as melhores datas de plantio de mais de 40 culturas no Brasil. Por meio de quatro variáveis – município, tipo de solo, cultura e ciclo da planta – o sistema apresenta a época do ano mais indicada para a semeadura e as taxas associadas de risco de perdas – até 20%, 30% e 40%.

A soja foi a primeira cultura de verão a contar com suporte do ZARC no Brasil. Hoje, o atendimento às recomendações do ZARC é obrigatório para o agricultor acessar os recursos do Programa de Garantia de Atividade Agropecuária (Proagro), do Proagro Mais e do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Atualmente, as seguradoras privadas também seguem as informações do ZARC para liberar a contratação do seguro.

Base de Dados

As informações contidas no ZARC são organizadas a partir da base de dados para cada cultura, como série histórica das últimas 30 safras, simulação de riscos e observações de mais de 3 mil estações meteorológicas distribuídas em todo o País.

De acordo com o agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha, o ZARC é atualizado todos os anos, acompanhando as melhorias do sistema de simulação de riscos, a ampliação da base de dados e o surgimento de novas tecnologias de produção. O pesquisador destaca que a tecnologia aplicada no campo hoje tem maior capacidade de resiliência em suportar os impactos do clima, mas não elimina totalmente os riscos de adversidades climáticas e o produtor rural precisa adotar o que existe de melhor no conhecimento disponível: “Não podemos comparar as frustrações de hoje com as perdas sofridas nas décadas de 1970, 80 e 90. O uso da tecnologia, atualmente, permite potencializar os bons rendimentos em anos favoráveis e atenuar os impactos negativos em situações adversas”.

Segundo Gilberto Cunha, tem aumentado a quantidade de chuvas no Sul do Brasil, favorecendo a exploração agrícola durante os meses de verão. Um exemplo é a produção de soja na Metade Sul do Rio Grande do Sul, que está há 8 anos sem perdas significativas por seca.

Acesso mais fácil

Para verificar as melhores datas de semeadura, a assistência técnica e o produtor rural precisavam buscar as informações no site do Ministério da Agricultura através de uma série de planilhas que exigem intepretação do usuário.

Para facilitar o acesso e a compreensão das informações contidas no zoneamento, a Embrapa Informática Agropecuária desenvolveu um aplicativo móvel, o ZARC-Plantio Certo, que permite consultar a base de dados de qualquer aparelho celular em sistema operacional Android.

O ZARC-Plantio Certo está disponível gratuitamente na loja de aplicativos da Embrapa.

Confira e entrevista com o pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha sobre a gestão de riscos na agricultura:

Quais os nossos desafios em gestão de riscos na agricultura?

Cunha – A disponibilidade de recursos naturais, algumas políticas públicas diferenciadas, a competência técnico-cientifica instalada no País e o empreendedorismo dos agricultores nos diferencia, por um lado, mas não nos assegura que não há necessidade de que estejamos atentos ao que está acontecendo no mundo e suas possíveis implicações de risco à atividade. Não podemos mais ignorar algumas mudanças ora em curso, tanto de ordem social quanto econômica, que mudam o perfil de consumo de alimentos no mundo e configuram um novo papel de protagonismo aos consumidores, as questões ambientais e de relações de trabalho que podem ser entraves na nossa pauta de exportação e a convergência de conhecimentos e tecnologias que pode influir sobre a geografia de produção, tanto dentro das fronteiras nacionais quanto em escala global, promovendo mudanças inesperadas. Precisamos intensificar de forma sustentável a nossa produção agrícola. E para isso a gestão de riscos na atividade não pode mais ser ignorada.

Qual o trabalho da Embrapa na área de gestão de riscos na agricultura?

Cunha – Entre as prioridades de pesquisa da Embrapa está o desenvolvimento de sistemas inovadores de gestão de riscos na agricultura, integrando riscos climáticos, tecnológicos, socioeconômicos, ambientais e de mercado. Paralelamente, também estamos buscando aprimorar continuamente o zoneamento de riscos climáticos que serve de apoio e fomento às políticas públicas, com foco na intensificação produtiva sustentável, por intermédio da geração de tecnologias inovadoras para a produção de alimentos em um cenário global sob riscos crescentes.

O ZARC é usado exclusivamente pelos operadores de políticas públicas?

Cunha – Essa é uma percepção equivocada que muita gente, por não conhecer a tecnologia, ainda compartilha. Eu diria que muito mais do que aos gestores públicos, o ZARC é imprescindível para os assistentes técnicos, produtores e empresários rurais, pois permite o conhecimento do risco inerente ao seu empreendimento. É uma poderosa ferramenta de gestão de riscos em agricultura.

Qual o papel da Embrapa na implementação operacional do ZARC no Brasil?

Cunha – O uso do zoneamento agrícola de risco climático como ferramenta de suporte às políticas de credito e seguro rural no Brasil começou efetivamente em 1996. E coube à Embrapa, como instituição pública Federal realizar a coordenação desse trabalho na época, que envolveu diversas instituições públicas e privadas, localizadas nas diferentes unidades da Federação. Como exemplo apenas, participaram a Fepagro, no Rio Grande do Sul, a Epagri, em Santa Catarina, o IAPAR, no Paraná, o IAC e a Unicamp, em São Paulo, e assim por diante, abrangendo todo o Brasil. Definida a metodologia, os cultivos alvos, organizada a base de dados, rodadas as simulações e traçadas as cartas de risco, conforme o tipo de solo, o ciclo das cultivares e a época de semeadura, houve a etapa de validação dos resultados e de transferência dessa tecnologia aos usuários. Essa etapa inicial durou até o começo dos anos 2000. Depois o trabalho foi terceirizado pelo MAPA e, em 2015, retornou a coordenação à Embrapa.

Há quem diga que o uso do ZARC começou com o trigo. Isso é verdade?

Cunha – Sim. Isso é fato. O primeiro cultivo a ter sua política de crédito e seguro rural embasada num zoneamento de risco climático no Brasil foi o trigo, na safra de inverno de 1996. Até então os zoneamentos de aptidão de cultivo, que não quantificavam e nem levavam em consideração os riscos regionais associados, eram usados como referência nos livros de informações técnicas que são anualmente produzidos. Nós tivemos o privilégio de coordenar esse trabalho, que, por ser novo, na ocasião, suscitou muitos questionamentos, mas acabou, por ser cientificamente bem embasado, sendo aceito e vem sendo usado, com as suas atualizações anuais, desde então.

Para finalizar, por que a agricultura é uma atividade de risco?

Cunha –  A atividade agrícola hoje, em sendo caracterizada pelo uso intensivo de capital, não se pode ignorar que é praticada sob riscos iminentes. Incluam-se, além dos riscos relacionados com o clima, que dizem respeito aos riscos de produção, também os de mercado (preços) e os vinculados ao ambiente institucional (normativos, especialmente). E assim, sem qualquer margem para dúvidas, configura-se a gestão integrada de riscos como algo cada vez mais imprescindível nesse setor.

Fonte: Embrapa Trigo
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Desmama racional diminui estresse e melhora bem-estar

Essa forma de desmama, chamada de racional, diminui o estresse causado pela separação e melhora o bem-estar

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Arquivo/OP Rural

Avaliações de temperamento realizadas na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, SP, apresentaram resultados satisfatórios em bezerros desmamados de forma menos estressante. A reatividade foi menor do que a dos bovinos desmamados pelo método tradicional. Os bezerros de corte, com cerca de oito meses de idade, são separados da vaca apenas por um corredor, em pastos diferentes, onde a mãe e o filho mantêm contato visual, auditivo e olfativo. Essa forma de desmama, chamada de racional, diminui o estresse causado pela separação e melhora o bem-estar.

Segundo a pesquisadora Cíntia Marcondes, existem diversos métodos de desmama. No tradicional, o bezerro é apartado da mãe e levado a locais distantes, para que não haja nenhum tipo de contato. Para minimizar o estresse, é comum o pecuarista colocar algumas vacas (que não são suas mães) junto aos bezerros para servirem de “madrinhas”. No entanto, os problemas causados pela separação continuam.

Na desmama tradicional é comum que tanto as vacas como os bezerros permaneçam vocalizando durante dias. Muitos animais, ao ouvirem o berro dos filhos, arrebentam cercas para irem ao seu encontro. Nesse percurso, há grandes chances de sofrerem acidentes. Além disso, os animais passam mais tempo caminhando e estressados. Com isso, deixam de se alimentar, ruminar e descansar, causando prejuízos econômicos ao produtor. O estresse reduz o ganho de peso do bezerro e afeta sua imunidade, deixando-o mais vulnerável a doenças.

Para confirmar os benefícios da desmama racional, são realizadas avaliações de temperamento. No teste são analisadas informações de reatividade animal em ambiente de contenção móvel. Os animais submetidos a desmama racional foram menos reativos que o grupo da tradicional. Bovinos reativos têm menor ganho de peso diário, desempenho reprodutivo inferior, resistência mais baixa a ecto e endoparasitas que animais mansos. Além disso, o manejo é mais difícil e os riscos de acidentes de trabalho são mais altos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019 ou online.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste
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Bovinos / Grãos / Máquinas Atenção!

A importância da regulagem e manutenção dos tratores agrícolas

Preparação e manutenção correta de um trator agrícola são necessárias para conservação e prolongamento da vida útil da máquina

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eder Pinheiro, coordenador de Marketing do Produto Tratores da Massey Ferguson; Saulo Ginak, coordenador de Marketing de Produtos da Massey Ferguson; Kazuo Nunes, especialista em Marketing de tratores da Massey Ferguson; Juan Paulo Barbieri, consultor técnico da Base Assessoria Agronômica e Gustavo Oliveira dos Santos, consultor técnico da Base Assessoria Agronômica

Ao longo dos anos, o conceito de tratorista foi substituído por operador de máquinas, atribuindo a esse profissional, além da função de movimentar o equipamento, a fazê-lo de forma correta, consciente, segura e de acordo com uma programação pré-estabelecida. A preparação e manutenção correta de um trator agrícola constituem operações simples, mas necessárias para a conservação da máquina e prolongamento de sua vida útil.

A manutenção pode ser dividida em corretiva ou preventiva. Na corretiva, a troca das peças acontece após a quebra. Já a preventiva segue um calendário pré-estabelecido pelo fabricante e informado no manual do operador, que deve estar sempre à mão, e pode ser diária (10h), semanal (50h), mensal (200h), semestral (500h) ou anual (1.000h). Esse procedimento se divide em lubrificações, ajustes, troca de peças e fluidos, proteção contra agentes nocivos.

Para aumentar a vida útil do motor, verifique diariamente o nível de óleo e corrija quando necessário, com o mesmo produto e conforme recomendação de fábrica. Algumas marcas já indicam o número de horas para a próxima manutenção no painel de instrumentos.

Os novos tratores incorporam novas tecnologias, e a temperatura de trabalho dos sistemas é muito importante para a sua máxima eficiência. O número de radiadores e a potência dos motores variam, mas, em geral, a manutenção do sistema de arrefecimento é simples e se aplica a todos da mesma forma. A limpeza externa é muito importante, pois o acúmulo de impurezas nas colmeias e aletas dos radiadores dificultam a circulação do ar e podem provocar superaquecimento no motor e dos demais sistemas. Motores interculados possuem ainda radiador para resfriar o ar de admissão do propulsor. Para manter a temperatura constante do diesel, alguns fabricantes usam um radiador no retorno do combustível ao tanque, isto aumenta a eficiência do sistema. Em tratores cabinados, existe o condensador do ar condicionado, que deve ser higienizado com ar comprimido ou jatos d’água no sentido inverso ao do fluxo de ar. Observe o nível do líquido de arrefecimento e complete quando necessário.

É necessário drenar diariamente a água e as impurezas do sistema de alimentação, e substituir o filtro, observando sua situação e seguindo a tabela de recomendação do fabricante, para que o motor não perca a potência e o consuma mais combustível. Ao final da jornada de trabalho realize o abastecimento para evitar a condensação de umidade no interior do tanque à noite devido à queda de temperatura.

Filtros descartáveis devem ser substituídos quando o indicador acusar restrição. Não retire a peça a não ser para a troca, pois pode danificar a vedação e, com isso, comprometer a vida útil do motor. Em filtros que permitem a limpeza, o número de vezes que está pode ser feita depende do fabricante, mas em geral o filtro secundário admite até cinco limpezas. Para limpá-lo, faça batendo com as mãos ou no pneu do trator, sem machucar a vedação.

Manutenções periódicas

Em manutenções periódicas, verifique o nível de óleo da transmissão e a redução final, complete caso necessário. O nível baixo faz com que os sistemas trabalhem com deficiência, provoca o superaquecimento e acelera o desgaste. É importante fazer a substituição dentro dos prazos estabelecidos pelo fabricante, pois com o tempo de trabalho, o lubrificante perde suas características originais. Para facilitar a visualização, alguns fabricantes estão substituindo as varetas por visores na carcaça do trator, e assim o produtor tem um maior controle da situação.

A lastragem influencia o desempenho de um trator e evita desgastes prematuros, compactação do solo e consumo excessivo de combustível. O procedimento consiste em adicionar ou retirar pesos no trator para garantir a estabilidade, a aderência e a capacidade de tração, de acordo com a operação que será realizada, ou seja, observando peso (kg) por potência (cv). Uma maneira simples de descobrir se a lastragem está correta é observando os rastros deixados no solo.

A lastragem hidráulica consiste na adição de água nos rodados; na lastragem metálica, são adicionados fluídos na parte frontal do trator e nas rodas traseiras, massas metálicas de aço ou ferro fundido.

Em tratores 4×2 com tração dianteira auxiliar (TDA), o avanço cinemático tem o intuito de corrigir a diferença de diâmetro entre as rodas dianteiras e traseiras, em que o eixo dianteiro deve girar com uma rotação maior que o de trás. A faixa ideal, segundo a literatura, é de 1 a 5%. Quando os valores estiverem abaixo de 1%, a TDA perde eficiência de tração; em acima de 5%, há um desgaste excessivo dos pneus dianteiros e possível causa de Power Hop (galope).

Cálculo do avanço cinemático

Um método prático e rápido para o cálculo do avanço cinemático é medir cinco voltas completas das rodas dianteira e traseira, com a tração ligada e, após, com ela desligada em um solo firme. Para isso basta fazer uma marca de giz nos pneus dianteiros e traseiros, selecionar uma marcha baixa e acionar o bloqueio do diferencial. Para contar o ponto inicial do número de voltas, quando a marca tocar o solo, coloca-se uma estaca marcando este ponto. Ao final da quinta volta, marca-se esse ponto com uma estaca, como feito anteriormente.

Após isso, medir a distância entre as duas estacas e aplicar os valores conforme a equação abaixo:

Patinagem

Ao tracionar implementos, deverá, obrigatoriamente, ocorrer patinagem dos rodados dos tratores. A patinagem serve como um escape em caso de esforço excessivo por parte do trator. A patinagem recomenda para tratores 4×2 TDA é de 8% a 15%. Quando os índices de patinagem são maiores que 15%, passa a ocorrer perda da eficiência de tração e maior desgaste dos pneus. Para calcular a patinagem na sua propriedade marque uma distância de 50 metros, e conte o número de voltas com o trator realizando operação e após o número de voltas sem carga, ou seja, com o implemento erguido. A fórmula para cálculo da patinagem é a seguinte.

Distribuição de peso

Outro ponto importante que influência a capacidade de tração do trator, e que deve ser observado, é a distribuição de peso, onde em tratores 4×2 TDA, a concentração de peso no eixo dianteiro deve estar situada entre 35% a 40%. Para aferir basta utilizar uma balança rodoviária, e auferir o trator inteiro e posteriormente o eixo dianteiro. A porcentagem de peso é a distribuição estática.

A utilização correta de uma máquina agrícola pode gerar uma significativa economia de consumo de combustível e, portanto, menor custo operacional e maior lucro, por isso é essencial a realização correta da manutenção, obedecendo os períodos e recomendações estipuladas pelo fabricante.

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Fonte: O Presente Rural
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