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Sem categoria Volume igual a 881milhões de litros

Balança comercial de leite e derivados fecha 2021 com déficit de US$ 378 milhões

Em dezembro de 2021 foram importados 81 milhões de litros ante 181 milhões em dezembro de 2020.

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Arquivo OP Rural

O Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite divulgou, nesta sexta-feira (14), o primeiro Boletim Indicadores Leite e Derivados do ano de 2022.

A balança comercial de leite e derivados fechou o ano com déficit de US$ 378 milhões, volume equivalente a 881 milhões de litros. Em dezembro de 2021 foram importados 81 milhões de litros ante 181 milhões em dezembro de 2020.

O preço do leite ao produtor registrou queda no pagamento de dezembro/2021, em função de maior oferta sazonal de leite e demanda fraca. O preço médio nacional pago ao produtor foi de R$ 2,13 por litro.

Em dezembro houve aumento na relação de troca de litros de leite/mistura. Foram necessários 49 litros de leite para aquisição de 60 kg de mistura a base de milho e farelo de soja. Esse volume foi praticamente o mesmo observado em dezembro/2020.

No varejo, o preço da cesta de lácteos teve queda mensal de -1,4%, com destaque para a redução nos preços do leite UHT e do queijo. Por outro lado, leite condensado e iogurte apresentaram maiores aumentos. Em 12 meses, a inflação no grupo de leite e derivados foi de 5,7%, ficando abaixo da inflação oficial brasileira, de 10,1%.

Fonte: Embrapa Gado de Leite
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Sem categoria Boletim Agropecuário

Santa Catarina fecha 2021 com saldo positivo na produção de trigo, frango e suínos

Boletim traz uma análise econômica das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense.

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O Boletim Agropecuário de janeiro mostra que Santa Catarina fechou o ano de 2021 com uma estimativa de crescimento de 76% na área plantada de trigo em relação à safra anterior e uma produtividade 15% maior. A publicação também destaca crescimento de 10,5% nas exportações catarinenses de carne suína e de 6,3% na exportação de frangos em relação a 2020. O Boletim Agropecuário é um documento emitido mensalmente pela Epagri/Cepa com a análise econômica das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense.

Confira como o mercado se comportou na produção de grãos, carnes, leite e hortaliças em dezembro de 2021.

Trigo

No mês de dezembro, as cotações de trigo tiveram ligeira alta no mercado catarinense com aumento de 1,08% em relação a novembro, fechando o mês em R$ 86,70/saca 60 kg. A variação anual de preços, em termos nominais, foi 20,23% superior ao preço médio praticado em dezembro de 2020.

Em relação a área plantada, Santa Catarina fechou o ano com uma estimativa de crescimento de 76% em relação à safra anterior. A produtividade também cresceu em média 15%. Como resultado, estima-se uma safra maior de 102%, com uma produção total estimada de 348 mil toneladas. Condições climáticas extremas, como ventos fortes, estiagem e granizo, marcaram a última safra e esses fatores comprometeram a qualidade e quantidade dos grãos colhidos.

Feijão

O preço médio pago aos produtores catarinenses de feijão-carioca no mês de dezembro recuou 5,45% em relação ao mês anterior, fechando a média mensal em R$216,61/sc 60kg. Já para o feijão-preto, os preços tiveram variação positiva de 2,57% no último mês, fechando a média de outubro em R$237,64/sc 60kg. Neste mês, as cotações do feijão-preto superaram as do feijão-carioca carioca, o mercado passou a valorizar mais o feijão-preto em função da perda de qualidade do feijão-carioca.

Nas primeiras semanas de dezembro, que marcam o fim da primavera e o início do verão no hemisfério sul, o clima tem apresentado forte influência das condições de La Niña, com o registro de baixas precipitações na Região Sul. Em Santa Catarina, até a última semana de dezembro, 100% da área destinada ao plantio da safra 2021/22 de feijão 1ª safra já havia sido plantada. Por outro lado, em função de uma janela de plantio bastante ampla no estado, as operações de colheita avançaram, chegando a 17%.

A cultura do feijão foi uma das mais atingidas pela estiagem durante o mês de dezembro. As chuvas que ocorreram após o dia 20 de dezembro não amenizam as perdas, uma vez que a maioria das lavouras de feijão do estado tiveram concentração das fases de floração e granação em dezembro. Da mesma forma, a ocorrência de chuvas no início de janeiro não reverteu as perdas já confirmadas.

Soja

Foto: Fabio Ulsenheimer

A estiagem reduz a expectativa da produção de soja no Estado. A estimativa de perdas feita até dia 15 de janeiro demonstra cerca de 29% de redução da produção do Estado em média em relação ao prognóstico inicial para safra 2021/2022. Em termos absolutos representa mais de 700 mil toneladas.

A estiagem está afetando diferentemente as regiões, os cultivares de ciclo precoce foram os mais afetados. O preço médio na primeira quinzena de janeiro de 2022 reage para próximo de R$170,00. O cenário atual mostra uma tendência de sustentação dos preços nos mercados externo e interno associada a estoques/consumo global e clima adverso para as lavouras da região Sul do Brasil e na Argentina, em decorrência do fenômeno La Niña.

Milho

Para o período de 2021/2022 foi estimada uma produção de 2,79 milhões de toneladas (MT) de milho grão na primeira safra. O déficit hídrico em dezembro e janeiro/2022 se intensifica em várias regiões. O impacto no rendimento das lavouras já está sendo registrado em diferentes intensidades nas regiões. As chuvas irregulares e mal distribuídas no período levam a um cenário distinto nas regiões e até entre localidades próximas. Em várias regiões o efeito da estiagem acarreta perdas na produção. No âmbito estadual as perdas estão em média de 43% relativo ao prognóstico inicial e produção em safras normais.

Em janeiro de 2022, com as incertezas da atual safra de verão os preços avançam, registrando R$95,00 a saca. A forte estiagem em curso (dezembro/21 e janeiro/22) em toda região Sul do Brasil e Mato Grosso do Sul estão provocando a alta do produto, conforme o registro das cotações diárias de preço ao produtor no Estado.

Arroz

Preços do arroz seguem em queda. A maior parte das lavouras estão em floração e com bom desenvolvimento. Seguem as preocupações com relação às altas temperaturas, que podem prejudicar a produtividade.

Alho

Em 2021, o alho nacional se manteve em alta no mercado. O produto teve boa aceitação pelos consumidores em função da qualidade e também pela perda de competitividade do alho importado, seja pelo aumento do custo do frete marítimo ou pela relação cambial favorável ao produto nacional. O Brasil fechou o ano com a importação de 125,7 mil toneladas, a menor dos últimos anos. Nesse sentido, 2021 pode ser considerado um bom ano para a cultura do ponto de vista produtivo e da rentabilidade da atividade, embora o aumento do custo de produção para a atual safra.

Em Santa Catarina foram plantados 1.808 hectares, crescimento de 5,3% em relação à estimativa inicial da safra. A expectativa de produção da hortaliça em Santa Catarina para esta safra é de 19.109,5 toneladas, com um rendimento médio esperado de 10.569 kg/ha. A comercialização da atual safra está no início e os preços ao produtor desde dezembro estão na faixa de R$6,00/kg para as classes 2 e 3, R$10,00/kg para as classes 4 e 5 e, R$12,25/kg para as classes 6 e 7.

Cebola

O ano de 2021 foi positivo para a cultura da cebola em Santa Catarina. A comercialização da safra 2019/20, apesar das perdas ocorridas pela estiagem e granizo, obteve preços médios acima de R$2,00/kg. Com isso, a maioria dos produtores comercializaram a produção com boa rentabilidade. A comercialização da safra 2020/21 segue normal com preços entre R$1,80/kg e R$1,90/kg, embora a margem seja menor que na safra passada, a atividade é rentável para a maioria dos produtores.

Na safra 2020/21 da cebola em Santa Catarina foram plantados 17.458 ha com expectativa de produção em torno de 500 mil toneladas. A boa recuperação das lavouras no final de novembro propiciou a produção de bulbos de excelente qualidade para o mercado, facilitando o processo de comercialização para os produtores, tanto pela valorização da mercadoria quanto pela possibilidade de armazenamento por tempo maior. A colheita das lavouras está praticamente concluída e a comercialização da safra já supera os 35% da produção na região do Alto Vale do Itajaí.

Bovinos

Os preços do boi gordo em Santa Catarina acompanharam o cenário nacional, que apresentou oscilações ao longo do ano passado, decorrentes do baixo volume de animais disponíveis para abate e do crescimento das exportações, além da ocorrência de dois casos de encefalopatia espongiforme bovina (“vaca louca”), que interromperam as exportações brasileiras para a China durante alguns meses.

Na comparação entre os preços de dezembro de 2021 e aqueles praticados no mesmo mês do ano anterior, há variações bastante significativas nas duas praças de referência do boi gordo em Santa Catarina: 27,2% em Lages e 17,7% em Chapecó. A média estadual, elaborada a partir dos preços de 10 praças de coleta, apresentou alta 20,3%.

Frango

Santa Catarina, por sua vez, exportou 1,03 milhão de toneladas em 2021, crescimento de 6,3% em relação da 2020. As receitas foram de US$1,84 bilhão, alta de 22,8% em relação ao ano anterior. O estado respondeu por 24,5% do valor das exportações brasileiras de carne de frango em 2021, percentual semelhante ao ano anterior, quando a participação catarinense foi de 25,0%.

No âmbito do mercado interno, o ano de 2021 foi marcado, entre outras coisas, pela elevação das cotações do frango vivo e dos preços de atacado da carne de frango, na comparação entre dezembro/2020 e dezembro/2021: 29,6% e 33,4%, respectivamente. Também se registrou alta expressiva nos custos de produção nesse período (18,0%).

Suínos

As exportações catarinenses de carne suína apresentaram crescimento significativo em 2021: foram

embarcadas 578,52 mil toneladas, aumento de 10,5% em relação ao ano anterior. As receitas apresentaram incremento ainda mais expressivo: US$1,40 bilhão, alta de 19,0%. Tais resultados representam recordes históricos nas exportações de carne suína do estado, tanto em valor como em quantidade.

Santa Catarina foi responsável por 51,7% da quantidade e 53,4% das receitas brasileiras com exportação de carne suína em 2021. China e Hong Kong responderam por 64,1% do valor das exportações catarinenses de carne suína no ano passado.

Leite

Resumo de 2021: produção em queda, preço médio recebido pelos produtores catarinenses parecido com o de 2020, custos de produção em alta, redução da rentabilidade dos produtores, importações diminuindo e exportações aumentando.

Fonte: Assessoria
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Notícias Infraestrutura e Logística

Ibama aprova Estudo de Impacto Ambiental da Nova Ferroeste

O relatório do projeto foi distribuído para 49 prefeituras do PR, MS e mais 11 entidades. Nos próximos dias o Ibama abrirá o prazo para as prefeituras solicitarem a realização das audiências públicas.

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Divulgação/Ferroeste

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou no Diário Oficial da União de sexta-feira (21) a aprovação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) da Nova Ferroeste, executado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O relatório com mais de 3 mil páginas estava em análise desde novembro, quando o Governo do Paraná protocolou o resultado final.

“É uma etapa fundamental porque o aceite reconhece a integridade e o valor dos trabalhos realizados, e também abre uma janela para começar a trabalhar a questão das audiências públicas”, destaca Luiz Henrique Fagundes, coordenador do Plano Estadual Ferroviário.

Uma cópia física do Relatório de Impacto Ambiental, com 129 páginas, e o link para o acesso digital do EIA foi enviada para as prefeituras do 49 municípios (oito do Mato Grosso do Sul e 41 do Paraná) contidos no traçado da futura estrada de ferro.

Outras entidades federais (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, Fundação Nacional Funai do Índio – Funai e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio) e estaduais (Ibama do PR e MS, Ministério Público dos dois estados, Instituto Água e Terra – IAT e Instituto de Meio Ambiente do MS – IMASUL) receberam uma cópia do documento.

A partir da comprovação dessas entregas, o Ibama fará uma nova publicação no Diário Oficial da União, na qual vai indicar o início do prazo de 45 dias para a realização das audiências públicas.

“O Ibama analisou se a forma de apresentação do EIA/RIMA atende aos requisitos do órgão licenciador, se está claro para compreensão da população”, explica o coordenador-geral do EIA/RIMA, Daniel Macedo Neto. “É nesse momento em que serão definidos os municípios. O Ibama vai avaliar o volume de inscrições e determinar os locais e as datas dos encontros de acordo com as regiões”.

Fagundes classifica essa nova etapa como crucial para o projeto. “Nas audiências a gente vai apresentar para a sociedade o resultado do Estudo de Impacto Ambiental. Ali estão contidas todas as ações mitigadoras das interferências ambientais”, diz o coordenador.

O projeto da Nova Ferroeste prevê a ampliação nos dois sentidos da atual Ferroeste S/A, que tem 248 quilômetros, entre Cascavel e Guarapuava. A ligação de 1.304 quilômetros vai partir de Maracaju, no Mato Grosso do Sul com destino a Paranaguá, no Litoral, além de um ramal para Foz do Iguaçu, formando o Corredor Oeste de Exportação.

Os estudos de viabilidade apontam a circulação de cerca de 38 milhões de toneladas de grãos e contêineres refrigerados no primeiro ano de operação plena. O empreendimento deve ir a leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) no segundo trimestre desse ano. O investimento estimado é de R$ 29,4 bilhões. O vencedor do leilão vai executar a obra e explorar o trecho por 70 anos.

Estudo

Algumas visitas técnicas ao traçado acontecem nessa nova etapa do licenciamento ambiental. Funcionários do Ibama vão percorrer o trajeto para avaliar os lugares observados no estudo, que levou cerca de um ano, analisando o comportamento da fauna e da flora durante quatro estações. O resultado obtido no EIA também será apresentado por equipes da Funai e do Incra para Terra Indígena de Rio das Cobras de Nova Laranjeiras (região central do Paraná) e uma comunidade quilombola de Guaíra (Oeste).

O estudo foi conduzido por uma equipe multidisciplinar com 150 pessoas da Fipe, responsável pela coleta e análise dos dados. Biólogos e geólogos percorreram 1.280 quilômetros para levantar informações sobre a flora, os meios físicos e geológicos, além de avaliar a qualidade da água nas bacias hidrográficas e do ar ao longo do traçado. O estudo contém dados referentes ao ruído, formação das cavernas, bem como a vida existente nestes lugares.

Durante o estudo de fauna, os biólogos analisaram oito locais do traçado onde há a maior cobertura verde. Nas quatro estações eles registraram e capturaram animais de inúmeras espécies. Animais ameaçados de extinção no Brasil também foram catalogados. A construção e operação do empreendimento vão usar as informações do EIA. Esse trabalho resultará na concessão da licença prévia do projeto.

Fonte: AEN Paraná
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Sem categoria Desenvolvidas pela Embrapa

Novas cultivares de soja para a região Centro-Norte do Brasil estão disponíveis para a próxima safra

As variedades apresentam elevado potencial produtivo, estabilidade de produção, ampla adaptabilidade e indicação para regiões produtoras do Brasil Central, incluindo Mato Grosso e o Matopiba, proporcionando rentabilidade para o produtor e sustentabilidade aos sistemas de produção.

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Fabiano Bastos

Uma nova cultivar de soja convencional (BRS 7582) e três novas transgênicas (BRS 7080IPRO, BRS 7482RR e BRS 8383IPRO) já podem ser utilizadas pelos produtores na próxima safra. As variedades apresentam elevado potencial produtivo, estabilidade de produção, ampla adaptabilidade e indicação para regiões produtoras do Brasil Central, incluindo Mato Grosso e o MATOPIBA, proporcionando rentabilidade para o produtor e sustentabilidade aos sistemas de produção.

Os materiais genéticos são, ainda, os primeiros selecionados em sistemas que utilizam bioinsumos e remineralizadores de solo. As cultivares foram lançadas pela Embrapa Cerrados (DF) e pela Embrapa Soja (Londrina, PR) em novembro do ano passado, em evento on-line transmitido pelo Canal da Embrapa no YouTube.

Sebastião Pedro, chefe geral da Embrapa Cerrados, destacou que o melhoramento genético é um trabalho de longo prazo, em que as variedades são desenvolvidas considerando as demandas de solo, de clima, de estresses bióticos e abióticos e, principalmente, de mercado, para o alcance da sustentabilidade no ponto futuro.

“E este é o ponto futuro para quatro materiais cuja genética começou a ser desenvolvida oito anos atrás, na Embrapa Soja, através de cruzamentos, continuou em Santo Antônio de Goiás (GO) e, depois, em 45 pontos em todo o Bioma Cerrado pela equipe da Embrapa Cerrados e as fundações parceiras – Fundação Cerrados e Fundação Bahia”, afirmou.

Alexandre Nepomuceno, chefe geral da Embrapa Soja, agradeceu à histórica parceria com a Embrapa Cerrados, a Fundação Cerrados e a Fundação Bahia para o desenvolvimento das cultivares para o Brasil. Ele lembrou que o País é líder mundial na produção de soja, principal fonte de proteína barata.

“É estratégico, não só para o Brasil, mas para o planeta, mantermos os níveis de produção e conseguirmos produzir cada vez mais nos mesmos locais. E aí vem a importância das parcerias da pesquisa pública com o setor privado”, disse, salientando a necessidade de desenvolvimento de materiais mais eficientes no uso da água e no aproveitamento dos insumos.

E Luiz Fiorese, presidente da Fundação Cerrados, lembrou que a Embrapa é a única empresa que ainda desenvolve variedades de soja convencional. “O país está evoluindo econômica e socialmente com as tecnologias e soluções que a Embrapa tem trazido para a toda a sociedade”, disse, agradecendo pela parceria e aos associados da fundação, que vão multiplicar e disponibilizar as sementes aos produtores.

Zirlene Pinheiro, presidente da Fundação Bahia, ressaltou que as pesquisas da Embrapa, da qual a entidade é parceira há mais de 20 anos, atendem aos anseios dos produtores de soja, com ganhos em produtividade, e que a Empresa busca resultados para enfrentar desafios como questões climáticas, nematoides, pragas e doenças.

“Temos grande orgulho de ter a Embrapa como principal parceira intelectual e de poder contribuir para o desenvolvimento da BRS 8383IPRO. Juntos, desenvolvemos outras variedades que têm nos atendido comercialmente aqui no Oeste da Bahia e em todo o Matopiba e que são destaque nos nossos ensaios em rede”.

Variedades resistentes ao estresse hídrico e adaptadas insumos regionais

“Nosso maior desafio é garantir a sustentabilidade do agricultor da porteira para dentro e contribuir com a sociedade brasileira, gerando divisas. Isso tudo por meio da ciência e do melhoramento genético”, afirmou Sebastião Pedro. Também pesquisador em melhoramento genético de soja, o chefe geral da Embrapa Cerrados apresentou as características das novas cultivares, que têm em comum eficiência fisiológica, estabilidade de produção, sanidade, resistência aos nematoides de galhas (Meloidogyne javanica e M. incognita) e de cisto (Heterodera glycines) e resistência à seca e a altas temperaturas.

Testada nas macrorregiões sojícolas 3 e 4 (Centro-Oeste, Rondônia, Minas Gerais, Sul de Tocantins e Oeste da Bahia), a cultivar convencional BRS 7582 apresenta ciclo de 103 a 113 dias, sendo considerada precoce, o que permite a safrinha de algodão no Mato Grosso e de milho no Planalto Central.

Nos ensaios de competição, foi vitoriosa em 62% das vezes, apresentando média de produtividade 5,7% acima dos padrões. De boa sanidade foliar, tem resistência ao acamamento, altura média de planta de 80 cm e é responsiva à fertilidade do solo.

Com ciclo superprecoce – de 95 dias no Oeste da Bahia a 105 dias –, a BRS 7080IPRO é tolerante ao nematoide de galhas M. javanica. Pode ser plantada com densidade de plantas mais elevada para aproveitamento da fertilidade disponível. Obteve vitória em 59% dos ensaios de competição, com produtividade 4,8% superior à média dos padrões.

Já a cultivar BRS 7482RR foi selecionada em condição de estresse hídrico no Oeste baiano e apresenta elevado teto produtivo. O ciclo varia de 102 a 114 dias. Alia os benefícios da tecnologia Roundup Ready® (RR) à resistência ao nematoide de cisto (H. glycines) raças 1 e 3. Pode ser usada no plantio de áreas de refúgio para a tecnologia Bt (composta pela inserção de genes da bactéria Bacillus thuringiensis, que produz uma proteína tóxica para alguns insetos).

Por ser do grupo de maturidade 7.4, desenvolve-se bem em todas as áreas de produção das macrorregiões sojícolas 3 e 4, sendo relativamente precoce no Oeste da Bahia e no Mato Grosso. E como pode ser plantada de modo antecipado em setembro, permite a segunda safra.

Além disso, tem alta resistência ao estresse hídrico (quando a planta demanda mais água que a quantidade disponível). Nos ensaios de competição, obteve 70% de vitórias, com produtividade 7,3% acima da média dos padrões. Na safra 2020/21, em áreas de Goiás, Distrito Federal e Oeste da Bahia, obteve rendimento diário médio de 43 kg/ha/dia, de acordo com dados de empresas de consultoria.

Também selecionada em condição de estresse hídrico, a BRS 8383IPRO é uma variedade de ciclo médio (108 a 135 dias) com alto teto produtivo (potencial acima de 5 mil kg/ha nas regiões de adaptação) e estabilidade de produção mesmo em condições de seca e elevadas temperaturas, demonstrando grande rusticidade.

A resistência ao M. incognita é uma característica estratégica no Oeste da Bahia e no Mato Grosso, regiões onde o sistema produtivo normalmente envolve a cultura do algodão, que também é afetada pelo nematoide das galhas M. incognita. Nos ensaios de competição, obteve 69% de vitórias, tendo sido 3,9% mais produtiva que a média dos padrões. De acordo com empresas de consultoria do Oeste da Bahia, obteve rendimento diário médio de 42 kg/ha/dia nas médias dos ensaios conduzidos pela Embrapa e parceiros na safra 2020/21.

Sebastião Pedro lembrou que um grande desafio na região é o estresse hídrico, fator que mais retira produtividade das lavouras. “No nosso programa de melhoramento genético, testamos na Embrapa Cerrados todos os materiais com metodologias que nos permitem diagnosticar a resistência ao estresse hídrico”, informou o chefe geral, acrescentando que as quatro novas cultivares foram aprovadas nesses testes com grau satisfatório, garantindo a produtividade nessa condição adversa.

Ele informou que as novas cultivares são as primeiras selecionadas em ambientes tratados com novos insumos agrícolas, como remineralizadores de solos e bioinsumos, tecnologias que têm sido desenvolvidas pela Embrapa, respectivamente, para melhorar a eficiência das plantas no uso dos fertilizantes e no controle de pragas e doenças, além de diminuírem a dependência tecnológica do Brasil em relação a insumos sintéticos importados.

“Gerenciar os custos é um grande desafio para o agricultor hoje. Esses quatro novos materiais foram submetidos à produção utilizando bioinsumos e remineralizadores de solo, garantindo um custo em torno de 20% a 30% menor. Então, eles já saem adaptados a essas tecnologias, que são cada vez mais adotadas pelos agricultores”, explicou.

Aproveitar a oferta ambiental do Bioma Cerrado, que tem períodos de seca e de chuva bem definidos, é outro importante desafios dos produtores. As quatro cultivares foram avaliadas quanto à eficiência (medida pela produção diária) por kg/ha/dia, visando ao melhor aproveitamento das condições ambientais. A ideia é que, além de soja, uma mesma área possa produzir uma segunda safra de algodão ou de milho e uma terceira safra com forrageiras para alimentar o gado e formar biomassa suficiente para a realização do plantio direto na palha.

Desenvolvimento inicial dos materiais genéticos

O pesquisador Carlos Arrabal Arias, da Embrapa Soja, fez uma apresentação sobre os recursos genéticos e as bases tecnológicas do programa nacional de melhoramento genético de soja da Embrapa, do qual é líder. Ele explicou o funcionamento do programa, abordando a estrutura, os projetos componentes, a equipe e a infraestrutura.

A produtividade e a estabilidade, não só para a cultura da soja, mas para todo o sistema de produção, são os principais objetivos gerais do programa, que também busca ciclo adequado, tipo de planta adequado, resistência às doenças e aos nematoides e resistência a insetos-pragas. Entre os diversos objetivos específicos, está a obtenção de materiais com alto teor de proteína e qualidade e quantidade do óleo.

“O melhorista busca variedades BRS com plantas compactas, com entrenós curtos e grande capacidade produtiva. E uma estrutura de planta mais arejada, com folhas mais estreitas, o que vai ajudar a reduzir os problemas fitossanitários e facilitar o controle químico quando ele for necessário”, completou Arias.

Como base para o melhoramento genético, a Embrapa conta com o maior Banco Ativo de Germoplasma (BAG) em variabilidade genética de soja do mundo, com mais de 55 mil acessos convencionais e transgênicos. Em vídeo apresentado no evento, o pesquisador Marcelo de Oliveira, curador do BAG, localizado na Embrapa Soja, mostra o trabalho de conservação da diversidade genética da soja.

Arias falou sobre as plataformas de melhoramento genético da soja em andamento na Embrapa – soja convencional (desde 1973), Roundup Ready® (desde 1997), Intacta RR2 PRO® (desde 2010), Roundup Ready 2 Xtend (desde 2018) e Intacta 2 Xtend (desde 2018) –, bem como as demandas atuais e futuras, como resistência a doenças e tolerância a pragas, a nematoides, à seca e a altas temperaturas; teor de proteína acima de 39%; alto teor oleico e baixo teor linolênico.

Ferramentas de biotecnologia têm sido associadas a técnicas de melhoramento genético clássico nas plataformas de melhoramento genético da Embrapa. A pesquisadora Francismar Marcelino-Guimarães, da Embrapa Soja, explica em vídeo o trabalho do laboratório de genética molecular e seleção assistida e a contribuição das estratégias moleculares para acelerar o desenvolvimento das cultivares e para a qualidade genética dos materiais.

Entre 2015 e 2020, a Embrapa e parceiros lançaram 50 cultivares de soja, sendo 16 convencionais, 22 RR e 12 IPRO. Todas apresentam resistências obrigatórias a doenças (cancro da haste, mancha olho-de-rã, pústula bacteriana e podridão radicular fitóftora). Arias destacou variedades que agregam outras características desejáveis, como resistência à ferrugem asiática (tecnologia Shield), tolerância aos percevejos (tecnologia Block), alta produtividade e estabilidade, além de resistência a nematoides.

Como perspectiva futura para o programa de melhoramento genético de soja da Embrapa, o pesquisador citou a parceria com a empresa Alvaz Agritech para fenotipagem em larga escala.

Seleção e avanço de geração no campo

Após o desenvolvimento inicial na Embrapa Soja, as variedades indicadas para o Centro-Norte do Brasil são testadas em diversos pontos antes de serem disponibilizadas ao setor produtivo. Líder do projeto de melhoramento genético de soja da Embrapa para a região, o pesquisador André Ferreira, da Embrapa Cerrados, fez uma apresentação sobre o trabalho, focado na busca de cultivares adaptadas e com altas produtividades, conforme as demandas do setor produtivo.

“Há uma certa estagnação da produtividade média da soja. Temos o desafio de aumentar produtividade e área em função da demanda mundial dessa proteína. Os novos desafios vão surgindo e o nosso papel é trazer variedades que tragam resistências múltiplas a doenças, aos nematoides e aos insetos-praga”, afirmou Ferreira, acrescentando o desafio de trabalhar com novas biotecnologias como a Roundup Ready 2 Xtend e a Intacta 2 Xtend.

Ele apontou que ainda há um número limitado de cultivares com resistências múltiplas a pragas e doenças e adaptadas às condições edafoclimáticas do Centro-Norte brasileiro. Além disso, os crescentes problemas fitossanitários com pragas (sobretudo nematoides, percevejos e lagartas), doenças (principalmente a ferrugem asiática) e plantas daninhas colocam em risco a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional de soja.

Para a obtenção de variedades superiores, são observados a variabilidade genética, o número de progênies avaliados, a qualidade da pesquisa, a capacidade e a abrangência dos testes e a equipe de pesquisa. “Além do conhecimento, o trabalho envolve uma certa arte na observação das cultivares linhagens que têm características importantes e serão futuras cultivares”, explicou o pesquisador.

Ao mostrar o esquema em funil do melhoramento genético, ele acrescentou que todos os testes são feitos para garantir que um determinado material é distinguível, homogêneo, estável, tem características importantes nas macrorregiões sojícolas onde se pretende lançá-lo.

Diversos centros de pesquisa – Embrapa Roraima, Embrapa Agrossilvipastoril, Embrapa Meio-Norte, Embrapa Amapá, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Rondônia e Embrapa Cocais – no Centro-Norte do Brasil atuam em conjunto com a Embrapa Cerrados e a Embrapa Soja nos 45 pontos de testes na região, além das fundações e dos produtores, que encaminham as demandas à pesquisa.

“É importante que tenhamos essa conversa direta com o produtor para que o planejamento dos cruzamentos seja sólido e em função das necessidades que ele apresenta agora, para que possamos assim lançar cultivares com segurança e alta qualidade”, comentou Ferreira.

O pesquisador anunciou que algumas variedades com a tecnologia Shield serão lançadas em 2022. “O produtor deixará de fazer talvez uma a duas entradas (com fungicida) na área. Isso significa redução de custo na produção de soja. É uma tecnologia prioritária na Embrapa e temos nos dedicado a isso”, afirmou. Também apontou que algumas linhagens com a tecnologia Block, que confere tolerância aos percevejos, estão sendo testadas, e que possivelmente alguma variedade poderá ser lançada para o Centro-Norte no próximo ano.

Ferreira também abordou a instalação dos ensaios, os testes de progênies e os ensaios de valor de cultivo e uso (ou finais) realizados tanto na Embrapa como em fazendas de produtores parceiros, seguindo o manejo adotado nas propriedades nas regiões produtoras.

As ações locais de pesquisa, seleção e recombinação gênica baseadas nas condições dos diferentes ambientes de produção de soja do Centro-Norte foram apresentadas em depoimentos gravados pelos pesquisadores da Embrapa Soja Odilon de Mello e Roberto Zito (Goiás); pelo técnico da Nilton Almeida (Planalto Central) e pelo pesquisador Geraldo Carneiro (MATOPIBA), ambos da Embrapa Cerrados; e pelo pesquisador da Embrapa Roraima (Boa Vista, RR), Vicente Gianluppi (Cerrado de Roraima).

No encerramento do evento, o chefe geral da Embrapa Cerrados destacou a importância da conexão da Embrapa com o agricultor brasileiro tanto na percepção das demandas como na busca de soluções tecnológicas. “Falamos como pesquisadores, com base em números e dados da pesquisa científica. Mas o mais importante é o agricultor plantar os materiais e observar por ele mesmo o resultado, as soluções que eles trazem da porteira para dentro e, depois, da porteira para fora, na economia brasileira”, finalizou Sebastião Pedro.

As sementes podem ser adquiridas junto a empresas sementeiras integrantes da Fundação Cerrados (61-99649-6967 / 3387-9219 / 3387-4175) e da Fundação Bahia (77-99822-8593), que já contam com as sementes básicas para multiplicação.

Fonte: Embrapa Cerrados
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