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Avicultura catarinense está otimista com 2019

Análise é do presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior

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Arquivo/OP Rural

O ano de 2018 foi um dos mais difíceis para o agronegócio, com insumos em alta, consumo em baixa e os problemas potencializados pela greve dos transportadores. Agora, porém, o otimismo e a confiança estão voltando ao mercado. A retomada do crescimento iniciará em 2019, mas, o período ainda será de dificuldades. A análise é do presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior, que avalia os cenários brasileiro e mundial para a carne de frango.

 José Antônio Ribas Júnior é considerado um dos maiores especialistas na área. Atua há 25 anos na produção de aves e suínos: 20 anos na Sadia e cinco anos na JBS. Engenheiro agrônomo de formação, concluiu pós-graduação em Gestão Empresarial pela USP/Unicamp. Preside a Câmara Nacional de Integração das duas principais entidades nacionais do agronegócio – a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Por favor, faça uma avaliação de como foi o ano de 2018 para a avicultura brasileira e catarinense?

O ano de 2018 foi desafiador para o setor. Tivemos no primeiro semestre uma greve dos caminhoneiros que dilacerou o sistema de produção de aves e suínos. Perdemos produção, comprometemos produtividades, aumentamos custos e todos estes impactos não se restringiram apenas ao período de greve. O pós-greve seguiu trazendo suas consequências, entre elas a tabela de frete mínimo ainda em debate.  Custos que se adicionam a uma conta que o setor não consegue pagar. Ainda vivemos embargos de mercados e uma reacomodação do sistema oficial de fiscalização que precisa de ajustes, sob pena de inviabilizar a produção nacional. Somos defensores de níveis elevados de qualidade, pois foram com estas competências, que atingimos mais de 150 mercados no mundo. Tivemos um ano ainda com grãos caros, fato que também agrega custos relevantes aos nossos produtos. Nestas dificuldades mostramos nossa resiliência e certamente aprendemos muito. No final do ano 2018 tivemos a abertura de novos mercados, o que ilustra que temos qualidade, e nos dá uma expectativa positiva para 2019. Este ano tivemos em SC a certificação do 1° Compartimento de Frango para abate do Mundo, para a Unidade Seara de Itapiranga. Cito isso para reforçar que temos uma produção de qualidade diferenciada. Em resumo, desafios relevantes,  muito aprendizado e a certeza que o setor precisa voltar a gerar lucro, pois é isso que sustenta a continuidade dos processos e investimentos.

A greve dos caminhoneiros arrebentou, de forma irrecuperável, muitos setores da economia nacional, inclusive a avicultura?

Foi um episódio que gerou sacrifícios e prejuízos irreparáveis ao setor. Houve perdas de plantéis, comprometimento da qualidade, da produtividade e repercussões que se arrastaram por todo o segundo semestre. Falamos em SC de prejuízos acima da centena de milhões. Não discutimos as motivações, mas a conta ficou para o setor, que foi o mais afetado. Infelizmente a politização do movimento atrapalhou o processo de negociação. O pós-greve ainda deixou uma herança pesada. A tabela do frete mínimo precisa de ajustes. O setor não suporta mais pagar as contas que nos são impostas. Corremos o risco de inviabilizar nosso setor e torná-lo menor do que hoje. Nosso setor quer focar em produzir e gerar riqueza para o País.

Quais as lições que essa greve deixa para um setor tão complexo e vulnerável como a avicultura industrial, tendo em vista que pairam ameaças de uma nova greve em 2019?

Todos os episódios do ano geraram lições duras e importantes. O setor precisa fazer sua voz ser ouvida pelo Governo. Todos precisamos ter contingências mais efetivas para as crises. E, por fim, colocar todas as estruturas público e privada trabalhando a serviço de ampliar nosso setor e ganhar mais espaço no mercado mundial. Crescimento gera riqueza e é o caminho para o desenvolvimento econômico e social do Pais. Sabemos fazer, só precisamos de convergência de objetivos. Com este modelo mental, todos entenderão que o setor precisa ser blindado. Não podemos ficar vulneráveis como a greve dos caminhoneiros nos deixou. Os risco foram imensos, poderíamos perder até nosso status sanitário, o que seria uma catástrofe econômica e social. Esta missão é de todos. Esperamos que em quaisquer episódio de greve, todos tenham a competência de tratar proativamente.

As exportações brasileiras de carne de frango foram duramente prejudicadas com a perda do mercado europeu… Poderemos recuperar?

Podemos e devemos fazer isso. Muitas lições foram aprendidas nos dois últimos anos. Desde os processos mais básicos de ajustes na produção até nosso posicionamento como Pais frente aos mercados. Na produção avícola temos competências e virtudes comparativas que são diferenciadoras. Por exemplo, somos o único país do mundo com relevância econômica neste setor livre das doenças de notificação obrigatória. Ainda, somos muito competitivos em custos. E, por fim, temos qualidade em toda a cadeia, do produtor à mesa do consumidor. Estes elementos todos nos fazem ter a certeza que recuperaremos mercado. Há um trabalho duro a ser feito. Governo Federal, Estadual e empresas, juntos, precisam reconstruir a confiança e, fundamentalmente, “vender” nossas virtudes. Somos muito competentes em expor nossos erros, que foram pequenos, precisamos dar visibilidade às nossas qualidades. O momento é difícil, mas iremos superar e sairemos mais fortes. O mundo sabe da avicultura profissional, competente e qualificada que fazemos aqui.

A perda do mercado europeu foi, ainda, sequela da operação Carne Fraca?

Tudo se conecta. Excluídos os exageros e imperfeições da primeira etapa, os processos subsequentes e todas as repercussões foram construídos com mais consistência. O setor entende a importância deste processo investigativo e apoia. Não somos e não seremos simpáticos aos erros que eventualmente sejam cometidos. Pelo contrário, queremos defender o nosso maior patrimônio que é a qualidade da nossa produção. Mas reforço que não se coloque tudo no mesmo pacote. Erros pontuais ou individuais devem ser tratados como tal. O setor é maior do que isso, e tem, em sua grande maioria, gente do bem produzindo, com qualidade e gerando empregos e riqueza às cidades, estados e ao País.

Quais as projeções que o Senhor faz para 2019? Vamos encerrar essa que foi é uma das maiores recessões da história republicana brasileira?

Temos a expectativa de um 2019 melhor. Sairemos desta crise política, social e econômica. O País precisa retomar o rumo do desenvolvimento. Afinal, em grande parte dependemos apenas de nós mesmos. A boa notícia é que há fatos novos, mercados se abrindo e uma reversão de expectativas em virtude do novo governo que foi democraticamente eleito. Todos os brasileiros merecem dias melhores. Somos um povo trabalhador. Nossas projeções para 2019 são realistas. Será um ano ainda difícil, mas que reverte a tendência ruim que estávamos inseridos. Lentamente, a economia deve retomar crescimento. Há um ambiente otimista para investimentos. Especificamente no setor, vamos em busca de ampliar mercados, retomar o espaço perdido na Europa e, teremos um cenário de grãos mais adequado. Fatores que colaboram com a reversão da crise. Enfim, o País precisa se unir novamente para uma agenda de desenvolvimento.

O que o setor espera do Governo de Jair Bolsonaro?

Como todos os brasileiros, antes de quaisquer expectativa mais elaborada, queremos seriedade e honestidade. O País precisa destravar agendas que permitirão crescimento e mais emprego. A reforma da Previdência, a continuidade da simplificação das relações trabalhistas, reforma política e tributária, enfim, um Estado enxuto e eficiente. Não são temas fáceis ou rápidos, mas precisamos começar a jornada de modernização do Estado e das relações de trabalho. Para distribuir riqueza, há um requisito obrigatório, gerar riqueza. O agronegócio é gerador de riqueza. O empresário brasileiro merece respeito e apoio. Com esta mentalidade iremos recolocar o País numa agenda positiva de desenvolvimento econômico e social. As políticas agrícolas para grãos e para financiamento da modernização tecnológica da cadeia produtiva são temas relevantes. Há muitos estudos e temos que implementar alternativas para os custos logísticos de movimentação dos grãos.

Qual deve ser a relação com o novo Ministério da Agricultura?

A nova Ministra da Agricultura terá todo o apoio do setor. Os desafios já citados aqui são grandes, mas juntos será mais fácil de vencer. Acreditar no Brasil é cada um fazer sua parte. Menos discurso e mais ações. Menos interesses políticos individuais ou partidários e mais coletividade. Precisamos crescer, e não há outro caminho que não seja com trabalho. Se deixarmos a iniciativa privada trabalhar e não criarmos tantos obstáculos, o resultado será um país melhor. Quero enfatizar a necessidade de investimentos na segurança sanitária em nossas cadeias produtivas, com ações de controle de fronteiras, ampliação da capacidade de diagnóstico para capacitar reações rápidas e eficientes, e qualificação das ações contingenciais para crises.

Fonte: Assessoria

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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