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Suínos / Peixes

Avanço tecnológico permite maior produtividade e incrementa rentabilidade de produtores de tilápias

A tilapicultura ainda é uma atividade recente em nível de escala industrial, o que faz com que o pacote tecnológico, baseado em genética, nutrição e estrutura precise ser mais desenvolvido.

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Fotos: Divulgação/C.Vale

Os 90 mil metros quadrados de lâmina d’água são a base para a excelente produção de piscicultura da Família Burin, de Palotina, PR, que produz 600 mil tilápias em ciclos de 10 a 12 meses. Integrados a C.Vale, a família aproveita os benefícios que a cooperativa oferece e amplia a produção de tilápias de forma sustentável, segura e com o auxílio de muitas tecnologias.

Rafael (ao lado da mãe), Inês, Edemar e o Renato num dos onze açudes da família em Palotina

Antes, sem a cooperativa, nada tinha segurança. “O início do trabalho não foi fácil. Mesmo que a nossa propriedade era abundante em água logo percebemos que a parte operacional era bastante difícil, pois a ração era fornecida manualmente, sendo uma atividade diária e cansativa. Outra dificuldade era a assistência técnica, pois tínhamos que nos virar para encontrar e também precisávamos tomar empréstimos bancários para comprar a ração. Depois de tudo isso, vinha a maior tarefa: conseguir vender a produção sem levar calotes”, relembra seu Edemar.

Depois, com a integração à C.Vale, o serviço foi ganhando maior profissionalização e também mais segurança, isso porque a cooperativa se responsabiliza com a entrega de alevinos, ração, retirada dos peixes e também oferece a assistência técnica de qualidade. “Não tinha como continuar trabalhando manualmente. Agora o tratador é automático, a gente sabe o dia que vai alojar e quando vai carregar (despesca). Mudou 100% a nossa forma de trabalhar e de ter mais eficiência nos produtos produzidos”, opina.

No interior de um barracão, um gerador de energia assegura que os aeradores funcionem em caso de queda no fornecimento de luz e assim evita prejuízos à atividade que garante 30% da renda da propriedade. Próximo ao enorme motor a diesel, está um painel de controle dos equipamentos e um monitor que mostra imagens de 17 câmeras instaladas nas margens dos tanques, que também podem ser vistas pelo celular. “Hoje precisa ter tecnologia para produzir”, avalia o filho Renato Burin. Ele revela que o alojamento dos peixes é escalonado para facilitar o controle de eventuais doenças e também para que a renda da comercialização entre em intervalos menores de tempo.

Gerente do Departamento de Peixes da C.Vale, Paulo Roberto Poggere

O gerente do Departamento de Peixes da C.Vale, Paulo Roberto Poggere, reforça que o avanço tecnológico tem contribuído significativamente para a produção de tilápias, trazendo aperfeiçoamento na produtividade e renda aos produtores. “As tecnologias aplicadas no dia-a-dia possibilitam melhorias na eficiência produtiva, tornando possível a otimização de recursos naturais disponíveis, bem como a mão-de-obra e insumos para a qualidade da água. Com esses avanços, é possível preservar os recursos naturais e insumos de produção, melhorando a eficiência do processo como um todo”, destaca o gerente.

Eficiência produtiva

Por outro lado, Paulo também enaltece as oportunidades que o mercado da piscicultura possui, pois apesar do avanço tecnológico, a tilapicultura ainda é uma atividade recente em nível de escala industrial, o que faz com que o pacote tecnológico, baseado em genética, nutrição e estrutura precise ser mais desenvolvido. “Acredito que hoje as tecnologias da parte estrutural e de nutrição estão mais desenvolvidas em relação à genética, existem empresas que já estão trabalhando em linhagens melhoradas e específicas para o cultivo de alta performance, o que é uma grande oportunidade de mercado”, indica.

A propriedade da família Burin é exemplo de produção eficiente, como explica o gerente Paulo Roberto Poggere, que é engenheiro de pesca. “A eficiência produtiva é otimizar ao máximo todos os recursos disponíveis, bem como a estrutura física, produzindo ao máximo, respeitando sempre as condições ambientais e o bem-estar animal. No caso da piscicultura ainda temos o pilar essencial de ser beneficiado dos recursos hídricos, mas sempre preservando a sua qualidade e o seu volume, pois esse é o meio de cultivo e sem a água a piscicultura não vive”, reforça.

Genética

O gerente da C.Vale defende que o melhoramento genético na tilapicultura é bastante recente e que atualmente existem algumas linhagens consolidadas que oferecem ganhos, mas que já estão defasadas. Entretanto, com o avanço exponencial da atividade estão surgindo empresas focadas no melhoramento, que ofertam linhagens melhoradas geneticamente com o foco em rendimento de carcaça, filé, crescimento e sanidade. “O que eu preciso chamar atenção é que ainda não é possível reunir todos os melhoramentos em apenas uma linhagem, desta maneira, o produtor necessita ter atenção na hora de escolher a sua linhagem para que a mesma consiga atender as especificidades de onde eles estão inseridos, tendo olhar nas estratégias de mercado, atrelando a escolha da genética para atender aos requisitos de produção e de custo”, recomenda.

O engenheiro de pesca reforça ainda as particularidades que os peixes, em especial a tilápia, possuem por conta do clima. “Ainda sobre as linhagens é importante frisar que as tilápias são muito influenciadas com o clima da região onde são produzidas, isso porque elas são pecilotérmicas, ou seja, elas não têm a capacidade de ajustar a temperatura corporal, mas dependem muito do meio ambiente ser propício para o desenvolvimento delas”, explica.

Segurança

A boa estrutura e o manejo cuidadoso dos peixes permitem que a família Burin entregue ao abatedouro da C.Vale tilápias com 950 a 1.000 gramas cada. Renato assegura que a piscicultura deixa uma boa margem de lucro ao integrado. O pai Edemar completa destacando a segurança de operar com a cooperativa. “Dois ou três dias depois que a gente entrega, o dinheiro está na conta”, um contraste com a situação da maioria dos produtores independentes. Além de tilápias a família produz grãos e aves. Edmar acrescenta que a diversificação de atividades viabilizou a permanência no campo. “Se não fosse a C.Vale não estaríamos todos aqui”, avalia. Além de gerar renda aos Burin, a diversificação é responsável por cinco empregos com carteira assinada na propriedade.

Boas práticas

Uma produção eficiente perpassa por um conjunto de medidas que visam garantir a qualidade e a sustentabilidade da produção, bem como a segurança alimentar dos consumidores e o bem-estar dos animais. Essas boas práticas estão relacionadas com o local de cultivo, o manejo alimentar, controle sanitário e o bem-estar animal. “É preciso evidenciar que essa metodologia precisa estar em consonância com a produção. Tendo foco na rentabilidade e produtividade, mas respeitando o bem-estar animal e os recursos naturais, as boas práticas fornecem condições favoráveis para que o peixe possa se desenvolver da melhor forma, preservando os recursos e evitando a poluição desnecessária do meio ambiente”, esclarece o engenheiro de pesca.

Segredo do sucesso

Quem conhece a família Burin enxerga que é por meio do amor ao trabalho dedicado e da preparação técnica que eles obtém o grande sucesso na propriedade. O gerente Paulo confirma que a tilapicultura tem segredo para ser bem sucedida. “Ter conhecimento técnico sobre a importância técnica da ambiência e trabalhar com seriedade e amor é o segredo para uma produção eficiente. Aqueles que trabalham neste ramo precisam estudar e conhecer as particularidades de cada espécie, para possibilitar que os animais tenham condições de expressar o seu melhor potencial de crescimento, pois isso vai possibilitar a preservação do meio ambiente e consequentemente a sustentabilidade de uma excelente produção”, finaliza o gerente Paulo.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor aquícola acesse gratuitamente a edição digital de Aquicultura. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural

Suínos / Peixes Em Toledo

IFC Brasil 2024 será lançado durante o Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná

Para a edição 2024, a Comissão Organizadora prepara uma programação impactante, semeando o terreno para novas alianças e aprofundamento do conhecimento técnico essencial para o avanço do setor

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De 24 a 26 de setembro de 2024, Foz do Iguaçu, no Paraná, recebe a sexta edição do International Fish Congress & Fish Expo Brasil

De 24 a 26 de setembro de 2024, Foz do Iguaçu, no Paraná, recebe a sexta edição do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil 2024). O evento anual, reconhecido como o maior fórum de debates e negócios do setor de aquicultura e pesca, projeta superar os resultados recordes do ano anterior. Os organizadores pretendem entregar para um público altamente especializado o maior IFC Brasil da história. O lançamento será feito na próxima quarta-feira (24), a partir das 09h40, durante o Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), que acontece Yara Country Clube, em Toledo (PR).

Evento anual, reconhecido como o maior fórum de debates e negócios do setor de aquicultura e pesca, projeta superar os resultados recordes do ano anterior – Fotos: Divulgação/IFC Brasil

Para o IFC Brasil 2024, a Comissão Organizadora prepara uma edição impactante, semeando o terreno para novas alianças e aprofundamento do conhecimento técnico essencial para o avanço do setor. O evento promete ser um marco importante, não só para os envolvidos diretamente na aquicultura, mas para toda a cadeia de produção de alimentos no Brasil e no mundo. “Queremos fazer do pescado brasileiro uma proteína competitiva com os maiores players globais”, destaca a CEO do IFC Brasil & Fish Expo, Eliana Panty.

Altemir Gregolin, presidente do IFC Brasil: “O Brasil tem capacidade para produzir mais de 20 milhões de toneladas de pescado por ano”

Em 2023, o IFC Brasil alcançou a marca de R$ 180 milhões em negócios, com feira envolvendo 150 empresas expositoras e patrocinadoras. O evento teve a participação de 3,1 mil congressistas presenciais e online, de todo o Brasil e países vizinhos. Desta forma, o IFC Brasil se consolidou como plataforma de lançamento para inovações e parcerias estratégicas no mercado global de pescados.

A última edição do IFC Brasil destacou-se pela geração de significativas cifras comerciais, quase dobrando os valores de 2022. Este sucesso sublinha o potencial do Brasil como líder emergente na produção aquícola, capitalizando sobre suas vantagens naturais e a crescente demanda global por pescados.

Tecnologia e inovação em foco

A Fish Expo, feira de negócios, figura como uma das principais vitrines para tecnologias avançadas na área de aquicultura. A edição de 2023 atraiu empresas relevantes para o setor. Destaque ainda para participantes dos Estados Unidos, Chile e do Oriente Médio, interessadas nas inovações brasileiras que promovem a eficiência e sustentabilidade na produção de pescados.

 Para participar

O IFC Brasil é correalizado pela Fundep e Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Para mais informações acesse o site ifcbrasil.com.br. Vendas e reservas de estandes: executiva@ifcbrasil.com.br.

Fonte: Assessoria Simpop
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Suínos / Peixes

Desafios sanitários na era da hiperprolificidade: o novo paradigma da suinocultura brasileira

Ao mesmo tempo em que o maior número de leitões nascidos elevou o patamar de produtividades das granjas produtoras de leitões, houve um incremento paralelo de leitões de baixo peso ao nascimento e de menor viabilidade.

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Fotos: Shutterstock

Nas últimas décadas, a suinocultura testemunhou uma grande evolução no tamanho das leitegadas por matriz suína, impulsionada pela seleção genética. Com médias ultrapassando 15 leitões nascidos vivos, a hiperprolificidade trouxe consigo uma realidade que redefine os padrões da indústria. Entretanto, por trás desse avanço, surge uma série de desafios como uma maior heterogeneidade da leitegada, menor viabilidade de leitões, capacidade de amamentação da matriz suína, produção de colostro e, consequentemente, transferência de uma boa imunidade passiva a sua progênie.

Da mesma forma, a hiperprolificidade impacta diretamente nas fases subsequentes de produção, em razão da presença de uma população de leitões com maior coeficiente de variação ao desmame e a formação de subpopulações imunologicamente distintas. Por isso entender dos desafios sanitários oriundos da hiperprolificidade passa a ser um obstáculo da produção moderna de leitões.

Nesse contexto, Paulo Eduardo Bennemann, médico-veterinário com mestrado e doutorado em Ciências Veterinárias em Fisiopatologia da Reprodução em Suínos, traz ao 16º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) sua expertise para tratar sobre os novos desafios sanitários associados com a hiperprolificidade. O evento acontece de 23 a 25 de julho, no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Saúde reprodutiva das matrizes

Bennemann afirma que o entendimento sobre os impactos da hiperprolificidade vai além do âmbito reprodutivo, uma vez que a hiperprolificidade acarreta não apenas desafios na reprodução, mas também problemas sistêmicos nas matrizes suínas. “A sobrecarga metabólica durante a lactação, devido ao aumento no número de leitões, resulta em um maior catabolismo nas matrizes, levando a uma significativa perda de peso corporal” expõe o especialista.

Muitas informações foram geradas a respeito da importância do manejo e da quantidade de colostro ingerido pelo leitão neonato, no entanto, Bennemann diz que pouco tem sido explorado a respeito da qualidade do colostro ingerido. “Sendo assim, há possibilidade de que fêmeas hiperprolíficas apresentem maior heterogeneidade em relação a transferência de imunidade passiva a seus leitões, ocasionando subpopulações de leitões susceptíveis a doenças ao desmame” menciona.

Um estudo recente, avaliando a qualidade do colostro de matrizes suínas, revelou que 40,37% das matrizes não apresentavam concentração suficiente de imunoglobulinas para conferir uma imunidade passiva adequada aos leitões, levando a maior desafio sanitário na fase subsequente.

Ao mesmo tempo em que o maior número de leitões nascidos elevou o patamar de produtividades das granjas produtoras de leitões, houve um incremento paralelo de leitões de baixo peso ao nascimento e de menor viabilidade. “Tal fato trouxe um impacto direto na capacidade de ingestão de colostro, apresentando um coeficiente de variação entre 15% e 110% dentro da mesma leitegada e de 30% entre diferentes leitegadas, o que naturalmente compromete o desenvolvimento de uma imunidade eficaz. Além disso, esses fatores estão relacionados à intensificação da competição entre os leitões pelos tetos, resultando em atrasos na ingestão de colostro” explica Bennemann.

Uniformização de leitegadas

Segundo o especialista, medidas de manejo como a uniformização de leitegadas foi uma alternativa encontrada para suprir a demanda por tetos viáveis, uma vez que um maior número de leitões surgiu com a hiperprolificidade. No entanto, ao mesmo tempo em que o manejo de uniformização é uma ferramenta que auxilia na redução da variação de peso dos leitões e reduz a mortalidade pré-desmame, existe a possibilidade de uma maior incidência de desafios sanitários decorrentes do estresse social entre os leitões.

Um artigo recente cita que a prática de uniformização foi relacionada à maior utilização de antimicrobianos, maior prevalência de artrite e diarreia, fatores que podem estar atribuídos a maior transmissão de determinados agentes patogênicos devido a movimentação de leitões.

Consequências sanitárias da hiperprolificidade

Médico-veterinário, doutor em Ciências Veterinárias em Fisiopatologia da Reprodução em Suínos, Paulo Eduardo Bennemann: “Somente através da oferta de colostro de qualidade e de um bom manejo inicial do leitão neonato é que vamos poder realmente aproveitar os benefícios proporcionados pela hiperprolificidade” –  Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o especialista, a hiperprolificidade acarreta como principal consequência um aumento significativo no desgaste da matriz, resultando em uma maior demanda metabólica. Isso, por sua vez, requer um manejo mais adequado da matriz de acordo com suas necessidades. “Hoje damos total atenção a categoria de leitoas no que tange ao atendimento às necessidades e deixamos em segundo plano as matrizes. Isso pode explicar, em parte, o porquê um grande número das fêmeas de segundo parto (40,52%) e das multíparas (37,88%) apresentaram baixa qualidade do colostro” salienta Bennemann, enfatizando a importância de dedicar mais atenção às matrizes, a fim de identificar a necessidade de intervenção medicamentosa, além de estar atento à condição corporal deficiente, incluindo possíveis casos de obesidade.

A geração de subpopulações de animais suscetíveis inevitavelmente resulta em uma instabilidade sanitária dentro do sistema de produção. Neste contexto, conforme Bennemann, o principal foco deve ser o desenvolvimento de uma imunidade robusta, o que implica em um esforço contínuo e de longo prazo em que deve ser considerado a saúde geral da matriz, protocolo/manejo vacinal e vacinas utilizadas, nutrição e estado nutricional, microbiota e saúde intestinal. “É fundamental compreender que tudo se trata de uma interrelação de causa e consequência. Uma matriz com boa imunidade, colostro de qualidade, com a transferência eficaz dessa imunidade para os leitões e a exposição adequada dos leitões aos antígenos vacinais são fatores-chave na condição de hiperprolificidade” ressalta o médico-veterinário.

Bennemann relembra que a experiência adquirida com a Circovirose ensinou a minimizar a disseminação de agentes patogênicos. “É fundamental recordar e aplicar esses ensinamentos para garantir o sucesso contínuo na produção animal” reforça.

Implicações sanitárias da hiperprolificidade

A hiperprolificidade implica em uma nutrição que atenda às novas necessidades das matrizes e que considere a interação com a sua microbiota intestinal. “A nutrição vai além de fornecer nutrientes específicos para a matriz e o leitão, evoluiu para uma condição complexa onde interrelações microbianas não podem deixar de serem consideradas” salienta Bennemann, frisado que a nutrição animal evoluiu muito com o advento de hiperprolificidade. “O avanço da nutrição animal, impulsionado pela hiperprolificidade, introduziu o conceito de modulação da microbiota por meio de aditivos alimentares, representando uma significativa evolução no campo”.

Desafios de manejo e biosseguridade

A biosseguridade e o manejo geral, especialmente no que diz respeito ao ambiente, são destacados como áreas prioritárias pelo especialista. Ele ressalta que lidar com animais susceptíveis, mistura de diferentes origens e uma alta pressão de infecção são condições fundamentais a serem trabalhadas. “A biosseguridade diz respeito a minimizar o risco de exposição ou disseminação de agentes com potencial patogênico, ou seja, melhorar a condição ambiental evitando situações estressantes que culminam com queda de imunidade, reduzir a subpopulação de leitões susceptíveis através do desenvolvimento de uma imunidade robusta e reduzir a pressão de infecção através de programas de limpeza e desinfecção adequados são pontos que não podem ser desconsiderados nos sistemas de produção onde a hiperprolificidade é uma realidade” evidencia.

Bennemann reforça que a imunidade robusta e os agentes patogênicos têm a capacidade de se adaptar a condições adversas, desenvolvendo estratégias de sobrevivência. Ele destaca que pesquisas voltadas para compreender as interações entre sanidade e microbiota são essenciais para o progresso na área.

Custos

O especialista levanta uma questão fundamental: enquanto o setor busca a hiperprolificidade, focando no aumento do número de leitões desmamados por fêmea por ano, será que estamos no caminho certo? Será que deveríamos direcionar nossa atenção para a qualidade dos leitões desmamados e até mesmo para a qualidade de sua microbiota?

Bennemann diz que embora o objetivo seja maximizar a produção e diluir os custos por meio de um maior número de leitões, muitas vezes são negligenciados o custo sanitário decorrente de instabilidades ou subpopulações de animais susceptíveis. “É fundamental buscar não apenas a eficiência máxima das matrizes, mas também manter a eficiência ao longo de toda a cadeia de produção. O valor máximo do leitão no final da cadeia será o reflexo do equilíbrio sanitário alcançado” menciona.

Segundo Bennemann, assegurar a saúde geral da matriz, incluindo a saúde intestinal, uma nutrição balanceada e a exposição adequada a antígenos vacinais, é fundamental para garantir a qualidade do colostro. “Este é o primeiro passo na formação de leitões mais resistentes aos desafios sanitários” afirma.

Da mesma forma, manter uma condição ambiental adequada e promover o bem-estar animal, evitando situações que possam causar imunossupressão, é essencial para garantir uma resposta mais eficaz dos animais diante desses desafios.

Perspectivas

Quanto às perspectivas para lidar com os desafios sanitários relacionados à hiperprolificidade na suinocultura e à preparação da indústria para enfrentar esses desafios a longo prazo, o especialista cita diversas estratégias que podem ser consideradas, entre as quais minimizar a heterogeneidade das leitegadas ao nascimento, buscando leitões mais uniformes, através do desenvolvimento de conhecimento relacionado à eficiência placentária; reduzir a variação de peso ao desmame, visando alcançar um peso mais uniforme, o que contribui para a redução de perdas por problemas sanitários; equalização imunológica por meio da ingestão de colostro de qualidade e em quantidade adequada, o que implica no desenvolvimento da microbiota do leitão; redução da pressão de infecção por meio de medidas preventivas e de biosseguridade; além da melhoria de ambiência, incluindo o controle da temperatura e a qualidade do ar nas instalações.

A hiperprolificidade representa um avanço significativo no melhoramento genético das matrizes suínas. Contudo, o aumento do número de leitões também traz consigo grandes desafios sanitários. “É essencial implementar um manejo adequado das matrizes durante toda a gestação, garantindo sua saúde geral como parte fundamental na construção da imunidade sólida do leitão. Somente através da oferta de colostro de qualidade e de um bom manejo inicial do leitão neonato é que vamos poder realmente aproveitar os benefícios proporcionados pela hiperprolificidade” aponta Bennemann.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Biossegurança em fábricas de rações é tema de palestra no 16º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

Mestre em Medicina Veterinária Preventiva com ênfase em Virologia, Gustavo Simão, integra a programação do dia 15 de agosto, no Painel Biosseguridade.

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Nos dias de hoje a sanidade é uma das maiores preocupações na suinocultura, onde um único evento de transmissão pode ter um impacto catastrófico para as indústrias de todo o país. Desta forma, programas de biossegurança adequados são essenciais para garantir a eficiência produtiva e o bem-estar animal.

As principais precauções referentes a contaminação de ração e medidas de segurança biológica serão abordadas na palestra “Biossegurança em fábricas de rações: principais eventos de risco de contaminação do alimento às granjas”, no dia 15 de agosto, às 08 horas, em Chapecó (SC). A explanação pertence ao Painel Biosseguridade e integra o 16° Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS).

Gustavo Simão integra grupo de palestrantes do 16º SBSS – Foto: Arquivo pessoal

O palestrante Gustavo Simão é formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), possui mestrado em Medicina Veterinária Preventiva com ênfase em Virologia pela mesma instituição e MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas. É gerente de serviços veterinários da Agroceres PIC, coordenador de importação e exportação de animais para o intercâmbio genético e é responsável pelo suporte em sanidade para a rede de clientes da empresa.

Em suas pesquisas, Simão alerta para o cumprimento de boas práticas sanitárias nas propriedades. Explana que mais do que nunca a execução de um programa de biossegurança adequado deve ser tratado com prioridade máxima, que manutenção das práticas requer planejamento, políticas e diretrizes claras, disciplina e comprometimento dos envolvidos.

Para o presidente da Comissão Científica do SBSS, Paulo Bennemann, os profissionais precisam estar atentos sobre todos os possíveis riscos nas propriedades. “Todo o cuidado é pouco no que diz respeito a sanidade, pois está diretamente relacionada à saúde animal, qualidade e eficiência da produção e sustentabilidade econômica”, reforça.

Sobre o evento

O Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), acontece nos dias 13, 14 e 15 de agosto, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC). Concomitantemente acontece a 15ª Brasil Sul Pig Fair.

Em sua 16ª edição, o SBSS é considerado um dos principais fóruns de discussão do setor na América Latina. Reúne especialistas brasileiros e internacionais e contribui para o aprimoramento de médicos veterinários, zootecnistas, consultores, pesquisadores, profissionais da agroindústria, produtores rurais e demais profissionais envolvidos com a ampla e multifacetada cadeia da suinocultura.

Inscrições

As inscrições para o evento estão no segundo lote. O investimento é de R$ 680,00 para profissionais e de R$ 420,00 para estudantes. Para os congressistas que se inscreverem no Simpósio, o acesso à Pig Fair é gratuito. O valor para participar somente da 15ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100,00 até o dia 25 de julho.

Na compra de pacotes a partir de dez inscrições para o SBSS serão concedidos códigos-convites bonificados. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos de universidades têm condições diferenciadas. As inscrições podem ser realizadas no site: www.nucleovet.com.br.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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