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Atenção ao bem-estar animal melhora resultados econômicos da produção de suínos
Para avaliar o problema, uma equipe de pesquisadores identificou os principais fatores de riscos para as ocorrências de condenação de carcaças nos frigoríficos
As melhorias nos tratos dos animais geram impactos econômicos na cadeia da carne suína, a mais consumida do mundo. “Calculamos que as perdas causadas por problemas relacionados ao bem-estar cheguem a 0,15% dos animais desembarcados nos frigoríficos”, revela o pesquisador Osmar Dalla Costa, gestor do Núcleo Temático de Produção de Suínos daEmbrapa Suínos e Aves (SC).
O índice pode parecer pequeno, mas como a cadeia tem proporções gigantescas (o Brasil é o quarto maior produtor mundial de carne suína), esse percentual representa perdas anuais de cerca de R$ 30 milhões. Apenas em 2017, o País produziu 3,76 milhões de toneladas de carne suína, um mercado de grande relevância econômica sujeito a perdas que podem ser evitadas. Os especialistas ressaltam que animais machucados podem provocar perdas na produção e suínos sob estresse geram carne com qualidade inferior.
Para avaliar o problema, uma equipe de pesquisadores identificou os principais fatores de riscos para as ocorrências de fraturas, fraturas sacrais ou hematomas, principais causas de condenação de carcaças nos frigoríficos. De acordo com Dalla Costa, foram selecionados 22 fatores, número elevado que evidencia, porém, os vários fatores e a complexidade das causas ligadas às perdas.
Para essa análise, foram estudados os eventos que ocorrem nas 24 horas que antecedem o abate dos animais nos frigoríficos. “Parece pouco tempo, mas não é. A maneira como os animais são tratados nesse período influencia, inclusive, a qualidade da carne que é colocada na mesa”, enfatiza Dalla Costa. Os animais que chegam até a indústria devem estar limpos, saudáveis, sem hematomas nem machucados, não estressados, aptos ao manejo, com adequado desenvolvimento muscular e capacidade motora.
O trabalho de pesquisa levou em conta 96 variáveis relacionadas ao ambiente, às instalações e ao manejo dos animais na granja, no embarque, no transporte, no desembarque e no período de descanso no frigorífico, e à tipificação das carcaças. “Os resultados evidenciaram que a incidência de fratura sacral foi a maior causa de condenações de carcaças nos frigoríficos estudados”, revela o pesquisador, afirmando que esse tipo de fratura acontece devido à forte contração muscular que pode ocorrer durante o atordoamento elétrico dos suínos. Portanto, grande parte das condenações foram causadas quando os animais já estavam dentro do frigorífico, na última fase desse manejo. As condenações por fratura, fratura sacral e hematomas representaram 40% do total.
Especialista em bem-estar animal da Proteção Animal Mundial (World Animal Protection), Paola Rueda diz que a cadeia produtiva dos suínos é uma das mais delicadas nesse aspecto. Para ela, uma das primeiras e fundamentais ações seria abolir as gaiolas em todas as fases de produção. Geralmente as gaiolas são empregadas na gestação e na lactação. “Além disso, é preciso usar densidades adequadas de animais nas baias e diminuir o uso das mutilações e, se necessárias, usar analgesia e anestesia. Além disso, definir protocolos adequados de eutanásia e planos de contingência para situações críticas como a greve dos caminhoneiros”, recomenda.
Avanços na indústria e no campo
A Proteção Animal Mundial observa avanços nas ações das agroindústrias visando o bem-estar animal. “[Essa evolução é percebida] principalmente em temas que afetam diretamente o consumidor. É notório que nos últimos anos as empresas desenvolveram muito seus protocolos de bem-estar no transporte e no frigorífico e também no campo”, relata Paola.
A Cooperativa Frimesa, por exemplo, tem um programa chamado Suíno Certificado Frimesa, que abrange cinco grandes pilares de produção, sendo um deles o bem-estar animal. Fabiane Bachega, da gerência de suínos da empresa, diz que são realizados treinamentos para os produtores de suínos e auditorias periódicas das granjas.
“São verificados os princípios do bem-estar animal, como boa alimentação, bom alojamento, boa saúde e comportamento adequado. Já no frigorífico, temos o médico veterinário responsável pelo bem-estar animal que acompanha as etapas do desembarque, alojamento dos animais em baias de descanso e abate e são realizadas auditorias diárias que avaliam desde o manejo até o momento em que os suínos são insensibilizados”, conta.
Assim mesmo, Fabiane reconhece a dificuldade de aplicar os preceitos de bem-estar na produção. Por isso, diz que são feitos treinamentos periódicos para os funcionários do frigorífico, equipe técnica de suínos e transportadores dos animais vivos. “Precisamos capacitar e conscientizar constantemente as pessoas envolvidas no processo, e aplicar isso no dia a dia,” afirma.
Machucados e estresse aparecem na carne
Além das perdas quantitativas, o quadro de estresse apresentado pelos suínos tem impacto também sobre a qualidade da carne. É que os animais submetidos a estresse crônico terão suas reservas de glicogênio, principal fonte energética nas células animais, precocemente esgotadas, produzindo pouco ácido láctico e insuficiente acidificação post-mortem, o que provoca uma carne classificada como DFD (do inglês "escura, firme e seca").
Já se o agente causador do estresse aparecer próximo ao abate, o metabolismo muscular aumenta, causando aumento da concentração de lactato e a queda do pH no músculo. O resultado é uma carne PSE (do inglês "pálida, flácida e exsudativa”, que libera um líquido de aparência viscosa). "Em qualquer desses dois casos, esses problemas resultam em menor aceitação dos cortes 'in natura' por parte do consumidor, uma vez que essas características são visíveis, além de aumentar o risco de contaminação microbiana das carcaças e reduzir o tempo de prateleira do produto", explica o pesquisador da Embrapa.
Os cuidados da granja até o frigorífico
O trabalho da equipe da Embrapa envolveu muitas atividades de campo. “Desenvolvemos vários estudos na área de bem-estar a partir dessa primeira avaliação e um deles foi a definição dos cuidados que se deve ter da granja ao frigorífico”, conta o pesquisador Osmar Dalla Costa.
Esses procedimentos começam com o agendamento do horário do embarque. "É fundamental ser organizado quanto ao embarque porque é preciso programar também o jejum dos animais. Em média, são necessárias de 8 a 12 horas de jejum antes do embarque e de 16 a 24 horas no total, até o abate", recomenda o especialista.
Durante esse período, o animal apenas bebe água à vontade. O estômago vazio não é apenas para facilitar o trabalho na linha de produção na indústria. O jejum ajuda a evitar o vômito e a congestão dos animais no caminhão, facilita o manejo, reduz o risco de escorregões e quedas diminuindo a quantidade de dejetos na instalação e no caminhão e melhora o controle da inocuidade alimentar, uma vez que previne a liberação e a disseminação de bactérias (principalmente salmonela) durante a evisceração.
Os pesquisadores recomendam também uma maneira adequada de se conduzir os animais até o caminhão. Primeiro, é preciso limpar as baias, para evitar escorregões e quedas dos animais e funcionários pelo acúmulo de fezes e urina. "O embarque envolve esforço físico, mudança de ambiente e exposição a ruídos aos quais os animais não estão acostumados. E isso causa estresse nos suínos. Por isso, é preciso que os manejadores tenham calma na condução, organizem pequenos grupos, de dois a três suínos, e que usem equipamentos adequados, como luvas, lona, tábua de manejo e chocalhos", explica o pesquisador.
O modelo de embarcador também faz diferença. "Até alguns anos atrás, a última coisa em que o produtor pensava quando construía a granja era no embarcador. Hoje, é a primeira. Afinal, é de lá que ele tira a produção, o resultado de tanto trabalho e investimento ", comenta Dalla Costa. O indicado é que as rampas não superem 21 graus de inclinação. Se forem muito íngremes, os suínos não vão conseguir subir, causando estresse, possíveis lesões por escorregões e até mesmo fraturas por quedas. Por isso, o piso também deve ser feito com material antiderrapante, coberto, cercado com paredes sólidas e altas e com iluminação. O suíno é naturalmente curioso e tudo o que for diferente ao que está acostumado vai chamar sua atenção e interferir no processo de embarque.
Os caminhões se modernizaram e as carrocerias ganharam itens tecnológicos. "Antigamente eram três andares com baias de 80 centímetros. Hoje são plataformas móveis e hidráulicas, capazes de reduzir o ângulo de inclinação e facilitar também o acesso dos funcionários”, conta o pesquisador.
Já no frigorífico, a situação de estresse pode ser agravada pelo tempo de espera para o desembarque, a qualidade dos desembarcadouros e a intensidade do manejo, das condições e do tempo de descanso. Pesquisas mostraram que, tanto períodos muito curtos, como muito longos, podem ser estressantes para os animais. A maioria dos estudos sugere que o tempo ideal de permanência nas baias de espera, sem prejudicar o bem-estar animal, a qualidade da carcaça e da carne, é de duas a três horas. Ainda é preciso ter mais um cuidado: a mistura de lotes na área de descanso geralmente causa brigas para os animais estabelecerem uma nova ordem de dominância.
Bem-estar é investimento
Identificar essas causas e os fatores de risco foi o grande desafio da Embrapa, que precisava encontrar na parceria com as agroindústrias a saída para a realização do trabalho. "Quando começamos a pesquisar o bem-estar dos animais, em 2009, ninguém dava muita importância para isso. Até porque pouca gente sabia o que fazer. As empresas se focavam mais na produção e não percebiam quanto perdiam ou deixavam de ganhar", diz o pesquisador. No início das pesquisas em bem-estar da Embrapa, as agroindústrias ficaram reticentes com o trabalho. "Mostramos tudo o que envolvia o bem-estar dos animais e achavam que aquilo inviabilizaria o negócio, tinham receio que os custos pudessem inviabilizar a produção nacional", lembra Dalla Costa.
Hoje, a situação é diferente. A Embrapa pesquisa em parceria com as agroindústrias, que têm setores de bem-estar. "Bem-estar não é custo, é investimento. Agrega valor ao negócio das agroindústrias. Um animal que chega para o abate cansado, com hematomas e machucados, fraturado ou morto, significa perda de horas de trabalho e de dinheiro investido, uma vez que tudo isso vai levar à condenação total ou parcial das carcaças durante a inspeção sanitária", relata o cientista.
“Nós percebemos a satisfação dos nossos clientes, uma vez que quando aplicado o bem-estar animal há aumento da produtividade, redução de doenças, mortalidade e demais perdas, melhoria na qualidade da carne e, consequentemente, na qualidade dos nossos produtos”, comenta Fabiane Bachega, da Frimesa.
Mas ainda dá para evoluir. Para a Proteção Animal Mundial, o ideal seria ter o animal como centro do agronegócio. Paola Rueda acredita que é possível evoluir principalmente em três frentes: eliminação gradual dos sistemas de criação em gaiola para aves e suínos; eliminação dos ambientes pobres que não permitem que os animais se motivem e se movimentem adequadamente; e a diminuição das altas densidades em que vivem os animais. “Atualmente, as densidades para suínos de creche e terminação e de frangos e perus estão muitas vezes acima do recomendável em termos de bem-estar”, afirma Rueda.
Novo tipo de consumidor
Além disso, o consumidor também mudou. A Proteção Animal Mundial fez duas pesquisas com consumidores que mostram que o bem-estar animal no sistema de produção está na lista de preocupação no momento da compra. “Em uma dessas pesquisas, verificamos que o bem-estar é o sexto critério de compra dos consumidores. Outros fatores como qualidade do produto e validade são considerados mais importantes na decisão de compra. O que não podemos esquecer é que o estresse causado nas granjas ou no abate interfere também na qualidade da carne e no seu tempo de prateleira. Portanto, apesar de o bem-estar estar em sexto, ele pode ser inserido ou correlacionado com as primeiras posições”, analisa Paola Rueda.
Fonte: Embrapa Suínos e Aves

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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná
Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.
O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.
Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.
A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.
O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.
Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.
No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.
Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.
Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.
Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.
A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.
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Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural
Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa
A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.
André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.
O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa
meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.
Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa
O que diz o ACT
Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.
Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.
O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.
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Programa seleciona 113 projetos e amplia investimentos no cooperativismo da agricultura familiar no Paraná
Volume aprovado chega a R$ 170 milhões e supera orçamento inicial, com foco em modernização, infraestrutura e acesso a mercado para cooperativas e associações.

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) publicou, na sexta-feira (17), o resultado final das avaliações do Edital de Chamamento Público Seab/Deagro nº 001/2025, vinculado ao Programa Coopera Paraná. Após a conclusão das etapas de análise técnica, classificação preliminar e o julgamento de recursos, dos 220 projetos de negócios inscritos, 113 foram formalmente selecionados para receber investimentos que visam modernizar o cooperativismo da agricultura familiar no Estado. Confira aqui o resultado

Foto: Divulgação
Os 113 projetos selecionados e classificados somam aproximadamente R$ 170 milhões, ultrapassando o valor R$ 100 milhões reservado para este chamamento público e, marcando esta edição como a maior desde a criação do Programa Coopera Paraná, em 2019.
O edital em curso estabeleceu o teto de repasse de recursos financeiros em R$ 2,20 milhões por projeto de negócio, maior valor já viabilizado em um edital do Coopera Paraná, desde o início do programa. No edital anterior, os valores eram de até R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas. A iniciativa se firma como uma das principais políticas públicas de apoio à agricultura familiar no Estado
Avaliação rigorosa
Esta etapa encerra o ciclo de avaliação rigorosa conduzido pela coordenação do Coopera Paraná. As propostas aprovadas representam o que há de mais estratégico em termos de viabilidade econômica e sustentabilidade socioambiental, conforme as regras do edital, abrangendo diversas cadeias produtivas das 10 macrorregiões do Paraná.

Foto: Valdelino Pontes
Para a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, chegar ao número final de 113 projetos foi um desafio gratificante para toda a equipe técnica. “O critério de seleção não foi apenas o volume de investimento, mas a sustentabilidade real de cada proposta. Avaliamos detalhadamente, dentro das regras do edital, a capacidade de gestão e o impacto econômico, social e ambiental que esses recursos terão na ponta, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em negócios que realmente tenham perenidade no mercado e que tenham cumprido os quesitos eliminatórios, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável”, disse.
Próximos passos
Os interessados já podem consultar a lista final detalhada com a pontuação e a classificação de cada cooperativa e associação diretamente no site oficial da Seab. O documento apresenta a hierarquização das propostas com base nos critérios técnicos estabelecidos no edital, refletindo o esforço das organizações da agricultura familiar em profissionalizar sua gestão, buscar novos mercados para seus produtos, preservar o meio ambiente e promover a inclusão socioprodutiva. Confira aqui o resultado final do Coopera Paraná.
Com a divulgação do resultado final, as organizações proponentes dos projetos selecionados agora seguem para a fase de habilitação, em que será verificada a sua regularidade fiscal e jurídica.
Na sequência, as associações e cooperativas formalmente habilitadas e cujos projetos tenham sido selecionados serão convocadas para apresentação de plano de trabalho, seguindo-se as etapas de formalização dos termos de fomento.
Os recursos serão destinados, por exemplo, à aquisição de máquinas agrícolas, infraestrutura de processamento e logística, além de ao suporte técnico e gerencial que permite às pequenas

Foto: José Fernando Ogura/AEN
cooperativas competirem com grandes players do mercado.
Coopera Paraná
Criado em 2019, a iniciativa chega à quarta edição e está no eixo central da Política Agrícola de promover o desenvolvimento rural sustentável. Desde o lançamento, a Seab já repassou por meio do programa em torno de R$ 94 milhões para cooperativas e associações da agricultura familiar.
No edital de 2019 o repasse foi de quase R$ 30 milhões, em 2021 foram R$ 42 milhões e em 2023 R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram atendidas 116 cooperativas e 75 associações.
O programa tem parceiros importantes como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), bem como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Paraná) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).
