Conectado com

Suínos Entrevista

Aquicultura atende mais de 50% da demanda mundial por pescado

O Jornal O Presente Rural conversou com o presidente da PeixesBR, Francisco Medeiros, para saber das oportunidades de mercado nos primeiros meses do ano para os peixes de cultivo, das perspectivas do setor ao longo de 2022 no Brasil e no mundo. Confira.

Publicado em

em

Presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros: "“Peixes de cultivo devem cada dia mais ter uma participação maior no prato do consumidor brasileiro, principalmente pelo aspecto relacionado à saudabilidade” - Foto: Arquivo pessoal

Os peixes de cultivo estão cada vez mais conquistando espaço na mesa do brasileiro e pedindo espaço para adentrar em território internacional. Prova disso é que em 2021 a piscicultura nacional produziu 841.005 mil toneladas, desempenho que alcançou cerca de R$ 8 bilhões em receita. A atividade gera anualmente mais de três milhões de empregos diretos e indiretos, profissionais que contribuem diariamente para o Brasil avançar a passos largos no setor entre os principais produtores mundiais de peixes de cultivo.

A preferida do consumidor brasileiro é a tilápia, espécie que hoje coloca o país na 4ª posição entre os maiores produtores mundiais e representa 63,5% da produção nacional. Os peixes nativos, liderados pelo tambaqui, participam com 31,2% e outras espécies com 5,3%.

Segundo levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), nos últimos sete anos a produção de peixes saltou 45,4% no país, saindo de 578.800 toneladas produzidas por ano para mais de 841 mil toneladas.

O Jornal O Presente Rural conversou com o presidente da PeixesBR, Francisco Medeiros, para saber das oportunidades de mercado nos primeiros meses do ano para os peixes de cultivo, das perspectivas do setor ao longo de 2022 no Brasil e no mundo. Confira.

O Presente Rural – As estimativas previstas pela Peixes BR para 2022 estão se concretizando ou superando as projeções iniciais?

Francisco Medeiros – No primeiro semestre de 2022 o mercado de proteína de peixe de cultivo esteve mais retraído do que a expectativa, retração essa que aconteceu também para suínos, aves e bovinos, ocasionado principalmente pela perda do poder aquisitivo. Agora no segundo semestre espera-se uma recuperação do setor, que já acumula nas três primeiras semanas de agosto uma recuperação consecutiva de preços pagos ao produtor, tendência que deve permanecer até o fim deste ano. As expectativas são de crescimento, contudo o primeiro semestre de 2023 tende a ser bastante difícil. Esperamos compensar agora no segundo semestre as vendas para que possamos manter a taxa de crescimento e de comercialização dos nossos produtos.

O Presente Rural – Nos primeiros meses as exportações de produtos da piscicultura brasileira cresceram exponencialmente. Quais foram os principais produtos que impulsionaram esse crescimento?

Francisco Medeiros – O ano de 2021 já foi um ano com bastante resultado positivo para as exportações, com um crescimento em 78% (em receita) em relação a 2020, sendo os Estados Unidos o principal cliente do Brasil. No total foram exportadas 9,9 mil toneladas em 2021 contra 6,7 mil toneladas no ano anterior, crescimento de 49%, gerando uma receita de US$ 20,7 milhões diante de US$ 11,7 milhões em 2020. Esse ano os números já são ainda melhores do que foram no ano passado.

No primeiro semestre nós tivemos um crescimento nas exportações de 100% em relação a 2021, ou seja, apesar do mercado ter sido bastante retraído nos primeiros meses do ano a cadeia apresentou crescimento, reflexo da movimentação das empresas que aproveitaram sua disponibilidade de estoque para comercializar no mercado externo.

As exportações da piscicultura brasileira totalizaram no primeiro trimestre de 2022 um montante de US$ 7 milhões, apresentando aumento de 119% quando comparadas ao mesmo período de 2021. Quando analisado em peso, o aumento verificado no primeiro trimestre de 2022 foi de 46%, atingindo 2.509 mil toneladas (Figura 1).

As tilápias inteiras congeladas foram os produtos mais exportados, apresentando um crescimento de 475% nas vendas do primeiro trimestre de 2022, com US$ 3,8 milhões em exportações, e aumento de 1.265% comparado a 2021. Na segunda posição ficaram os filés frescos ou refrigerados, com US$ 1,6 milhão; e a terceira posição foi ocupada pelos filés congelados, atingindo US$ 843 mil.

A tilápia foi a principal espécie com maior volume embarcado no primeiro trimestre de 2022, com US$ 6,8 milhões, respondendo por 97% do total exportado. Esse valor representa um aumento de 166% comparado com o primeiro trimestre de 2021. O tambaqui ocupa o segundo lugar com US$ 153 mil, porém com queda de 24% em comparação com 2021.

Com exceção do filé congelado e dos subprodutos de tilápia impróprios para alimentação humana, todos os itens de exportação de tilápia apresentaram aumento nos seus preços médios. O maior aumento ocorreu na tilápia inteira congelada, que passou de US$ 1,96/kg para US$ 2,63/kg, ou seja, um incremento de 34%.

Entre os principais Estados exportadores de tilápia, o Paraná ocupa a primeira posição com crescimento de 330% comparado com 2021, ao alcançar nos três primeiros meses do ano US$ 3 milhões em exportação. Mato Grosso do Sul e Bahia vieram na sequência.

E os Estados Unidos continua sendo o principal cliente do Brasil, sozinho importou 78%, um aumento de 249% comparado com o primeiro trimestre de 2021. O Canadá foi o segundo principal destino, totalizando US$ 748 mil em importações, aumento de 675%. O Chile foi o terceiro principal destino, com US$ 176 mil, porém com queda de 44% comparado com 2021.

Os maiores volumes exportados foram em janeiro, que totalizaram US$ 2,5 milhões e 895 toneladas. Os dados referentes ao segundo trimestre de 2022 ainda estão sendo quantificados e analisados para posteriormente serem divulgados.

O Presente Rural – Quais outros fatores contribuíram para esse aumento significativo de embarques para o mercado externo?

Francisco Medeiros – Nós temos uma série de fatores que levam ao aumento das exportações, entre eles o dólar alto é um fator competitivo para a exportação da piscicultura brasileira; e o drawback, uma política implantada em 2019 de regime aduaneiro em que desonera de impostos federais os insumos utilizados na produção, o que traz uma vantagem competitiva ao produto brasileiro.

Foto: Arquivo/Jonathan Campos/AEN

Nós tivemos em 2021 uma mudança dos tipos de produtos exportados, antes o nosso carro chefe era o filé fresco, hoje é a tilápia inteira e o filé congelado, são produtos de menor margem, mas se faz mais volume, tanto é que hoje se considerar toda a indústria de pescado, tanto peixe de cultivo quanto a pesca, a tilápia é o produto mais exportado, ou seja, os resultados que nós estamos colhendo hoje são reflexos de decisões tomadas lá atrás, inclusive de participações em feiras internacionais, com apoio da Apex-Brasil, em que os resultados começam agora a serem colhidos.

No entanto, o mais importante é que o produtor e a indústria melhoraram de forma significativa os seus índices de competitividade, esse é um trabalho também de colheita de alguns anos em busca de aperfeiçoar todos os processos em busca de melhores os resultados na cadeia produtiva.

O Presente Rural – A cadeia da produção de peixes cultivados no Brasil cresce ano após ano. Em 2021 apresentou um crescimento de 4,7%, com os Estados do Sul assumindo a dianteira como a maior região produtora do país, esse cenário vem se mantendo em 2022?

Francisco Medeiros – A produção brasileira de peixes de cultivo, em 2021 foi de 841.005 toneladas, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior, com a tilápia liderando esse crescimento. A espécie já representa 65,3% da produção de peixes de cultivo no Brasil, sendo no ano passado produzidas 534.005 toneladas no país, aumento de 9,8% sobre o desempenho de 2020, que havia sido de 486.155 toneladas.

Já a coleta de dados sistemáticos da produção em 2022 é feita durante todo ano e disponibilizada no início do ano seguinte. Essas informações parciais nós já temos, mas ainda não estão disponíveis para serem apresentadas. O que posso dizer é que tivemos um primeiro semestre retraído, no entanto começamos o segundo semestre com um cenário mais promissor, tanto no mercado interno quanto no mercado externo.

Não tivemos uma mudança significativa de Estados produtores, a região Sul continua disparada na frente, com o Paraná sendo o grande responsável hoje pela produção de peixes de cultivo, especificamente a tilápia para o mercado externo. O Estado nos primeiros meses do ano também já assumiu a liderança nas exportações, que até 2021 era do Mato Grosso do Sul.

O Presente Rural – A piscicultura de cultivo está avançando para a região Norte do país, onde predomina a criação de peixes nativos, tendo apresentado em 2021 um crescimento de quase 40%. O Sudeste é outra região que vem crescendo principalmente na produção de tilápia. Qual o modelo de produção que tem impulsionado esse desenvolvimento?

Francisco Medeiros – A piscicultura brasileira cresce a passos largos nos últimos anos e deve continuar crescendo nessa década. Especificamente esse está sendo um ano em que nós vamos terminar sem mudanças significativa dos principais players.

O mais importante é que temos observado a entrada de novas empresas, que tradicionalmente são produtoras de frango, entrando na produção de tilápia e no sistema integrado, aliás, o sistema de integração hoje é o que mais cresce no Brasil, acompanhado do sistema de verticalização.

Já os produtores independentes estão com um crescimento bastante tímido, inclusive apresentando uma redução em alguns Estados em razão da perda de competitividade ocasionada principalmente pelo aumento dos custos de produção e pelo preço do produto, que não acompanhou o mesmo ritmo de elevação do custo de produção, então hoje nós verificamos que está tendo mais investimentos pelas empresas integradoras.

O Presente Rural – Qual o atual cenário da piscicultura mundial?

Francisco Medeiros – A aquicultura e a piscicultura mundial crescem a um volume bem superior à pesca, que hoje está estabilizada, com muitas regiões do planeta reduzindo a atividade pesqueira. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura fez recentemente uma projeção de que quem efetivamente está atendendo mais de 50% da demanda mundial de pescado é a aquicultura, demanda essa que vai continuar sendo atendida cada dia mais pela aquicultura, haja vista que há problemas de estoques pesqueiros no mundo inteiro, com sobrepesca.

As condições climáticas estão impactando diretamente na produção primária dos oceanos, situação que abre portas para a aquicultura, que hoje já é quem mais fornece produtos para o mercado, quando se compara com a pesca, e essa tendência não tem retorno mais, porque não é uma tendência de década, é uma tendência para o futuro, ou seja, cada vez mais o que nós vamos consumir vão ser produtos da aquicultura.

Agora produzir para atender uma demanda cada vez mais crescente é um desafio muito grande, por que diferente da pesca os insumos para a produção de ração para peixes de cultivo são limitados no mundo, uma vez que a piscicultura precisa disputar o mesmo produto com outras cadeias de proteína animal e ainda com os seres humanos, principalmente produtos como soja, milho e trigo.

O Presente Rural – Quais as perspectivas e tendências do setor para os próximos seis meses?

Francisco Medeiros – Já estamos na terceira semana de recuperação de preços da tilápia nos principais mercados brasileiros (entrevista feita no início de agosto) e nós deveremos ter um segundo semestre com melhor preço pago ao produtor. Essa é a tendência até o fim deste ano. Nos primeiros dois meses de 2023 ainda deve continuar essa tendência, com estimativa para esse cenário mudar um pouco a partir de março.

O mercado de peixe de cultivo, como da tilápia e do tambaqui, é promissor, é um setor que deve cada dia mais ter uma participação maior no prato do consumidor brasileiro, seja em função de estarmos ofertando nosso produto em mais pontos de vendas ou pela variedade e diferenciação maior de produtos, mas principalmente pelo aspecto relacionado à saudabilidade, ou seja, o consumidor hoje quer um alimento saudável, além de saciar o seu desejo por um produto saboroso que lhe traga benefícios para a saúde. E é isso que nós, produtores de peixes de cultivo, entregamos ao mercado.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na aquicultura brasileira acesse gratuitamente a versão digital 2ª edição Especial Aquicultura.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
Continue Lendo

Suínos

Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Publicado em

em

Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Continue Lendo

Suínos

Pig Fair destaca tecnologias para impulsionar a produtividade na suinocultura

Feira paralela ao Simpósio Brasil Sul reunirá empresas, pesquisadores, técnicos e produtores entre os dias 11 e 13 de agosto, em Chapecó.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Tecnologia, inovação e geração de negócios marcarão a 17ª Brasil Sul Pig Fair, feira paralela ao 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O evento será realizado de 11 a 13 de agosto, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), reunindo mais de 50 empresas nacionais e multinacionais que apresentarão as principais tendências, produtos, serviços e tecnologias voltadas à cadeia produtiva da suinocultura.

A Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de biosseguridade, diagnóstico, genética, nutrição, vacinas, aditivos, equipamentos, automação, ambiência e tecnologia, proporcionando aos participantes contato direto com soluções inovadoras para aumentar a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade das granjas. Além da exposição de produtos e serviços, a feira se destaca como um ambiente estratégico para networking, troca de experiências e fortalecimento de parcerias entre empresas, pesquisadores, técnicos, produtores e representantes da agroindústria.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que a Pig Fair complementa a programação científica do Simpósio ao aproximar o conhecimento técnico das soluções disponíveis no mercado. “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos. Essa interação entre indústria, pesquisa e campo é um dos grandes diferenciais do SBSS”, afirma.

Para o presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, a integração entre a programação técnica e a feira fortalece o papel do evento como um ambiente de atualização completa para os profissionais da cadeia produtiva. “Enquanto o Simpósio apresenta as principais discussões científicas e tendências do setor, a Pig Fair permite que os participantes conheçam, na prática, as soluções que estão sendo desenvolvidas pelas empresas. É um espaço de inovação, troca de conhecimento e geração de oportunidades para toda a suinocultura”, ressalta.

Os expositores também preparam lançamentos e novidades para esta edição, reforçando a Pig Fair como uma vitrine das principais inovações do mercado. Durante os três dias de evento, os congressistas poderão visitar os estandes, conhecer novas tecnologias, compartilhar experiências e ampliar o networking com profissionais de diferentes regiões do Brasil e da América Latina.

SBSS

As inscrições já estão disponíveis no site, acesse clicando aqui. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologias e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Programação geral

•  18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

•  17ª Brasil Sul Pig Fair

Terça-feira (11)

WORKSHOP: GESTÃO DE PROGRAMAS SANITÁRIOS NA SUINOCULTURA

9h00 – Módulo 1: A base de qualquer programa

• Conceitos de Bactericida e Bacteriostático

• Por que pensar em Farmacodinâmica e Farmacocinética

• Interações e associações de drogas antimicrobianas

Palestrante: Everson Zotti

9h40 – Módulo 2: Inteligência Sanitária e Diagnóstico

• Entendimento do conceito e desafio sanitário: qual é o meu desafio?

• Diagnóstico de rotina e análise de dados (isolamento, antibiograma, MIC)

• Aprendizado com falhas diagnósticas

Palestrante: Edison Magalhães

10h20 – Módulo 3: Desenhando Programas Factíveis

• Crítica aos protocolos de “amplo espectro”

• Impactos do uso imprudente de antimicrobianos

• O que realmente é necessário para resolver o problema

Palestrante: Augusto Heck

11h00 – Módulo 4: Farmacoeconomia e Monitoramento

• O programa que cabe no bolso (Análise de ROI)

• Como monitorar a efetividade do tratamento

• Tecnologias para detecção precoce de falhas

Palestrante: Luiz Carlos Giongo

11h30 – Mesa Redonda

13h30 – Abertura da Programação Científica

Painel Produção – A BASE

13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade

Palestrante: Rafael Ulguim

14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)

Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann

14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)

Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa

15h25 às 15h55 – Mesa Redonda

16h00 às 16h30 – Coffee break

16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína

Palestrante: Luis Rua

17h10 às 17h30 – Perguntas

17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS

18h30: Palestra de Abertura: A Nova Geopolítica dos Alimentos: Impactos nas proteínas animais e na suinocultura.

Palestrante: Marcos Jank

20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR

Quarta-feira (12)

Painel Biovigilância – Gestão Integrada

08h00 às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação

Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos

Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 – Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades

10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão

Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária

Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h00: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade

Palestrante: Ricardo Rauber

12h00 às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h00 – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade – Saúde Respiratória

14h00 às 15h00 – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação

Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h00 às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel

Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h00: Coffee Break

16h00 às 16h40 – Influenza em Foco: Impactos e alternativas de controle

Palestrante: Ricardo Yuti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura

Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h00 – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h00: Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-feira (13)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional

Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h00 – Coffee Break

Painel Pessoas – Gestão e Performance

10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados

Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance

Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação

Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
Continue Lendo
Editora O Presente 35 anos

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.