Notícias 16ª ExpoGenética
ABCZ vai homenagear personalidades que contribuem para o desenvolvimento da pecuária zebuína com o ‘Mérito ExpoGenética’ e ‘Mérito ABCZ Mulher’
A cerimônia de premiação será realizada no Pavilhão Multiuso, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), antecedendo o anúncio dos touros PNAT 2023.

Nesta quinta-feira (24), durante a programação da 16ª ExpoGenética, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), irá homenagear personalidades que têm desempenhado papéis significativos no avanço da pecuária zebuína.
Através das comendas ‘Mérito ExpoGenética’ e ‘Mérito ABCZ Mulher’, a Associação pretende reconhecer e destacar o trabalhado incansável para o desenvolvimento e aprimoramento do setor.
A cerimônia de premiação será realizada no Pavilhão Multiuso, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), antecedendo o anúncio dos touros PNAT 2023.
Confira abaixo a lista de homenageados:
Mérito ABCZ Mulher:
Cláudia Helena Monteiro: Cláudia iniciou sua trajetória na agropecuária há 20 anos, na extinta revista O Zebu no Brasil. Em 2014, fundou, juntamente com seu marido, Gustavo Miguel, a Revista Pecuária Brasil, publicação especializada em pecuária com foco nas raças zebuínas. Cláudia conheceu e divulgou o trabalho de pecuaristas em todos os estados do Brasil, e também da Bolívia e Paraguai. Em 2020, idealizou, editou e publicou o livro Genética de Ouro – O DNA da Pecuária, obra biográfica de Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, que reúne a história dos mais importantes pecuaristas da história do Zebu na América do Sul. Cláudia tem três filhos: Arthur, Augusto e Matheus. Em síntese, uma mulher do agro, que muito se orgulha do seu trabalho em prol das raças zebuínas.
Giovana Alcantara Maciel: Giovana é graduada em Zootecnia pela Universidade Federal de Lavras, tem mestrado e doutorado em Solos e Nutrição de Plantas. Trabalha na Embrapa desde 2008 com forragicultura e pastagens, sistemas integrados de produção. Em 2015 foi agraciada com o Prêmio Jabuti, na categoria Meio Ambiente, pela edição técnica do livro Agricultura Conservacionista no Brasil. Desde 2019, através de um acordo cooperação técnica entre Embrapa Cerrados e ABCZ, está lotada na ABCZ desenvolvendo pesquisa e inovação na Fazenda Experimental da ABCZ, Epamig e IFTM. Também faz parte do conselho gestor do Parque Tecnológico de Uberaba.
Maria do Carmo dos Mares Guia Dias: Maria do Carmo, carinhosamente chamada de Dona Zicaca, é mineira de Santa Bárbara, formada em Ciências Biológicas pela UFMG e em espanhol como língua estrangeira, com diploma superior de espanhol expedido por El Ministro de Educación y Ciencia del Reino de Espanha, tendo lecionado o idioma durante 16 anos. Casada há 58 anos com Milton Dias Filho, tem 3 filhas e 5 netos, encontrou tempo para se dedicar de corpo e alma à família e ao trabalho voluntário em uma comunidade rural na fazenda ICIL, município de Itacarambi (MG). Criou grupos de aulas voluntárias de bordados e costura, com o objetivo de organizar um bazar de bordados voltado para gerar renda para as famílias envolvidas. Em 2022, publicou o livro ‘O Dom de Cuidar’, após se dedicar a acompanhar e perceber as nuances de sua mãe em idade avançada e que necessitou de cuidadores ao viver até os 110 anos. Continua prestando assistência e ajuda às pessoas que têm familiares idosos e cadeirantes que necessitam de acompanhamento de cuidadores.
Milena Menezes Palhares Corrêa: Milena se formou em Nutrição no ano de 2000, após exercer durante anos a profissão, viu seus olhos brilharem em uma nova direção, quando conheceu, durante um dia de campo na fazenda Tabaju, a raça Sindi. O encanto foi imediato. Em 2014 começa a criação da raça com a compra, através do Sr. Adaldio Castilho, de duas espetaculares doadoras, duas filhas da Jangada da Estiva. Sua primeira participação em pistas foi na inauguração da raça Sindi na Expogrande de 2017, já levando premiações. Participou da criação do Núcleo de Criadores da Raça Sindi, pela Acrissul, também no ano de 2017, em Campo Grande (MS). Realizou seu primeiro leilão Sindi da própria marca em 2020, com 100% de liquidez. Também participou como convidada de vários leilões de reprodutores pelos estados do MS e MG, contribuindo para a divulgação da raça e todo o seu potencial.
Sônia Maria de Paula Rezende: Sônia é filha de Geraldo Soares de Paula e Carmen Mascarenhas de Paula. Casada com Luiz Carlos Carvalho Rezende, mãe de Guilherme de Paula Rezende e André de Paula Rezende. Como sucessora do legado genético então deixado por Geraldo, ao tempo em que esse ano se comemoram 145 anos de linhagem Lemgruber no Brasil, Soninha, como é conhecida carinhosamente por todos, segue firme, com tecnicidade, intuição e sensibilidade, na seleção do Nelore GP na Fazenda Papagaio, distrito de Tomás Gonzaga, Curvelo (MG). Além de associada da ABCZ, participa ativamente da difusão da linhagem Lemgruber no cenário nacional, assim o fazendo como diretora do Núcleo dos Criadores de Nelore do Centro de Minas, bem como da Associação Mineira dos Criadores de Zebu (AMCZ). Por seu trabalho, foi, em 2015, laureada pela Federação da Agricultura e Pecuária do estado de Minas Gerais (Faemg) com a medalha de Mérito Rural, então instituída pela Assembleia Legislativa mineira.
Tatiane Almeida Drummond Tetzner: Tatiane Tetzner é Médica Veterinária pela Famev-UFU, Mestre e Doutora em Reprodução Animal pela Unesp, tem MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e Organizações Sustentáveis pela USP. É especialista em julgamento das raças zebuínas pela Fazu e jurada efetiva pela ABCZ e Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Atualmente membro do Conselho Deliberativo Técnico (CDT) da ABCZ. É Diretora de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e Diretora e proprietária da Padma Consultoria Pecuária. É orientadora e co-orientadora de teses de estudantes de pós-graduação e de cursos de graduação em Medicina Veterinária e Zootecnia. Já atuou como jurada efetiva nas raças Gir Leiteiro, Guzerá, Nelore, Sindi, Tabapuã, Brahman e Indubrasil, bem como na raça Girolando. Teve atuação técnica em cursos e julgamentos no exterior em vários países da América Latina: México, Colômbia, Equador, Venezuela, Bolívia, Panamá, Costa Rica, Honduras, El Salvador, Guatemala e República Dominicana. Tatiane soma diversas publicações científicas e técnico-científicas em revistas especializadas, de extensão, anais de congressos e capítulos de livros. Autora do livro Gir Leiteiro: A Nossa Raça e co-autora no livro Grandezas do Gir Leiteiro.
Valéria Cunha Campos Guimarães: Valéria Guimarães é Doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina de São Paulo e pela Universidade de Chicago. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, onde desenvolveu, liderou e contribuiu com inúmeras realizações na saúde pública de nosso país. Teve participação na elaboração do documento que implantou a estratégia global da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre dieta, atividade física e saúde, e auxiliou na redação da emenda à Constituição Brasileira que abriu o caminho para que o pet-scan pudesse ser usado hoje. Por estes feitos e por muitas contribuições em várias sociedades científicas das quais participa ativamente, a Dra. Valéria recebeu o prêmio máximo da Sociedade Americana de Endocrinologia. Também foi premiada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e recebeu a medalha Brasília 60 anos. Nos últimos três anos, abraçou a tradição familiar na pecuária, que soma 70 anos sob a bandeira do Tabapuã. Agora, na quarta geração, com prática de cientista e DNA de pecuarista, lidera o projeto ‘Mais Carne, Mais Rápido e de Melhor Qualidade’ de sua propriedade, utilizando inovação e tecnologia aliadas à genética de ponta na Fazenda Balsas – Onda Verde, em Mimoso (GO).
Mérito ExpoGenética 2023:
Categoria Criador
Eduardo Folley Coelho: Eduardo é Engenheiro Civil, pós-graduado em Marketing, proprietário da Genética Aditiva Agropecuária. É p
residente do Instituto das Águas da Serra da Bodoquena e Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Miranda. Atua como conselheiro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Mato Grosso do Sul. É proprietário de passeios de ecoturismo na região de Bonito (MS), entre eles o Recanto Ecológico Rio da Prata, Estância Mimosa Ecoturismo e Lagoa Misteriosa Ecoturismo.
João Cruz Reis Filho: João Cruz é natural de Belo Horizonte (MG), mas tem raízes familiares e afetivas na Zona da Matta mineira. Possui graduação em Agronomia (2003), mestrado (2006) e doutorado (2009) em Genética e Melhoramento – todos pela Universidade Federal de Viçosa. É pós-doutor pelo Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável da UFV. Criador de Gir Leiteiro, Girolando e Mangalarga Machador (Fazenda Sumaúma) e ex-presidente do Sindicato Rural de Miradouro. Servidor afetivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no cargo de auditor fiscal federal agropecuário. No Ministério, foi chefe da assessoria de Gestão Estratégica (2013/2014). Foi Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (2015/2016) e presidiu o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Agricultura – Conseagri (2016). De 2019 a 2022 foi diretor técnico do Sebrae Minas. É ex-diretor da Abraleite, ABCGIL e ABCZ.
Shiro Nishimura: Shiro é filho de imigrantes japoneses e viveu uma infância simples em Pompéia (SP). Junto à sua família, migrou para o Mato Grosso. É Engenheiro Agrônomo pela Unesp de Jaboticabal e pecuarista. Contribuiu para fortalecer a Jacto, empresa do segmento de máquinas e implementos agrícolas fundada pelo seu pai, o senhor Shunji Nishimura. Tornou-se presidente da Jacto e destacou-se na seleção da raça Nelore. Foi presidente da CSMIA (Câmaras Setoriais de Máquinas e Implementos Agrícolas) e Abismaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Atualmente é presidente da Confraria da Carcaça Nelore. Shiro é uma das personalidades de destaque do agronegócio brasileiro.
Categoria Especial
Fernando Augusto S. Santos: Fernando é formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). É chefe da unidade técnica regional do Ministério da Agricultura em Uberaba (MG) e, dentro de suas atribuições, está a fiscalização de todo o processo relacionado à exportação e importação de animais vivos, material de multiplicação animal (sêmen, embriões, ovos férteis de galinha), junto a empresas, bem como ao porto seco de Uberaba. Com relação ao porto seco de Uberaba, destacam-se ainda as atividades relacionadas à exportação / importação de produtos destinados à alimentação animal e medicamentos de uso veterinário, fiscalização dos centros de coleta e processamento de sêmen bovino, centros de coleta e processamento de embriões, centros de produção in vitro de embriões e registrados no Mapa e fiscalização das quarentenas relacionadas à exportação / importação de bovinos vivos. É membro do Conselho Deliberativo Técnico (CDT) da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Categoria Pesquisador
Fábio Luiz Buranelo Toral: Fábio Toral é natural de Jandaia do Sul (PR). É formado em Zootecnia pela Universidade Estadual de Maringá, mestre em Genética e Melhoramento Animal pela Universidade Estadual Paulista, Jabotical. É doutor em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa, além de pós-doutor em Genetics And Genomics pelo Instituto Roslin da Universidade de Edimburgo, Escócia. Atua como professor titular do departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária, UFMG. É coordenador do programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFMG, bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), Coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Programa de Melhoramento Genético Embrapa – Geneplus e assessor técnico de melhoramento genético PMG2B.
Categoria Técnico
Fernando J. Garcia de Carvalho: De Pouso Alegre (MG), Fernando Garcia de Carvalho, também conhecido como Fernando Bigode, é Zootecnista, formado pela Fazu em 1986. É jurado efetivo da ABCZ com pós-graduação em Julgamento das Raças Zebuínas. Foi gerente pecuário da Fazenda Moradas do Prata (Batatais/SP) de 1991 a 2010. Atualmente é técnico habilitado do PMGZ e faz parte do Conselho Deliberativo Técnico da ABCZ, RAÇA Tabapuã. É diretor proprietário da FB-GAP (Fernando Bigode – Gestão e Assessoria Pecuária) atuando na área de melhoramento genético (acasalamentos dirigidos/PMGZ) e gestão de fazendas e manejo de rebanhos nos estados de SP, MG, BA, GO e MS).
Vanessa Barbosa: Vanessa é graduada em Zootecnia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Tem mestrado em Medicina Veterinária e Sanidade e Produção Animal pela Universidade Federal de Goiás, e especialização em Zootecnia pela mesma instituição. Sua experiência em Zootecnia, com Ênfase em Produção Animal e Melhoramento Genético, a trouxeram para a ABCZ. De 2008 a 2011 foi Responsável Técnica do Escritório Técnico Regional (ETR) de Belo Horizonte (MG). Desde 2012 é Responsável Técnica pelo ETR de Goiânia (GO), e Supervisora do PMGZ na região Centro-Norte.

Notícias
Biometano ganha espaço na política energética e amplia demanda por novos projetos no Brasil
Regulamentação da Lei do Combustível do Futuro cria metas de descarbonização para o setor de gás natural e deve impulsionar investimentos, certificação e expansão da produção.

O biometano passou a ocupar uma posição estratégica na política energética brasileira após a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024). Com a implementação do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, produtores e importadores de gás natural passaram a ter metas anuais de redução das emissões de gases de efeito estufa, criando uma nova demanda para o combustível renovável.

Biometano pauta 13º Fórum do Biogás – Fotos: ABiogás
Regulamentado pelo Decreto nº 12.614/2025, o programa prevê que o cumprimento dessas metas poderá ocorrer por meio da aquisição dos Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGOBs), mecanismo que comprova a origem e a rastreabilidade do combustível. A medida também amplia o papel da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na regulamentação, certificação e fiscalização do mercado.
Na avaliação do setor, o novo marco regulatório tende a fortalecer o ambiente de negócios ao criar demanda para o biometano e oferecer maior previsibilidade aos investimentos em produção, infraestrutura, certificação e comercialização. “O Brasil reúne todas as condições para liderar a produção de biometano, mas essa liderança depende de transformar potencial em projetos, conectar oferta e demanda e construir um ambiente regulatório que dê previsibilidade aos investimentos. O biometano já demonstrou sua capacidade de contribuir para a descarbonização, a segurança energética e a economia circular. Agora, o desafio é acelerar sua inserção na matriz energética e consolidá-lo como um ativo estratégico para a competitividade do país”, afirma a presidente-executiva da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), Josiani Napolitano.
Fórum discute expansão do mercado
As mudanças regulatórias estarão entre os principais temas da 13ª edição do Fórum do Biogás, promovido pela ABiogás nos dias 11 e 12 de agosto, no São Paulo Expo, na capital paulista.
O encontro vai reunir representantes do governo, especialistas, investidores e empresas para discutir os avanços regulatórios, oportunidades de negócios, inovação, segurança energética e o papel do biometano na descarbonização da matriz energética brasileira.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o programa tem como objetivo incentivar a pesquisa, a produção, a comercialização e o uso do biogás e do biometano, ampliando a participação dessas fontes renováveis na matriz energética nacional.
Vetor estratégico da segurança e transição energética

Tiago Santovito, diretor-executivo da ABiogás: “O biogás e o biometano deixaram de ser um tema técnico de nicho para ocupar a agenda de investimentos do país”
O biometano é o segmento que mais cresce dentro desse universo. Embora represente apenas 11% do número total de plantas em operação, já concentra cerca de 34% de todo o volume de biogás aproveitado no país, reflexo da escala superior das unidades de purificação (upgrading). Segundo dados da ANP, o Brasil tem, até junho de 2026, 69 unidades produtoras de biometano cadastradas, sendo 21 já autorizadas para comercialização e outras 48 em processo de autorização, o que deve levar o país a ter cerca de 3,37 milhões de Nm³/dia de capacidade instalada de biometano até 2028.
De acordo com o Panorama do Biogás 2025, estudo anual elaborado pelo CIBiogás, o Brasil soma atualmente 1.803 plantas de biogás cadastradas, das quais 1.727 já estão em operação, um crescimento médio de 15% ao ano (CAGR) nos últimos cinco anos, ritmo que o próprio estudo aponta como aproximadamente cinco vezes superior à expansão média do PIB nacional no período. A capacidade instalada de produção de biogás no país chega a aproximadamente 4,96 bilhões de Nm³ por ano.
Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) citados pelo Panorama indicam que a meta de descarbonização prevista na Lei do Combustível do Futuro, a ser definida anualmente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), pode elevar a demanda por biometano a aproximadamente 7 bilhões de metros cúbicos anuais antes de 2035, um salto de até 15 vezes em relação ao patamar atual.
Uma trajetória de recordes

Josiani Napolitano, presidente executiva da ABiogás: “O Brasil reúne todas as condições para liderar a produção de biometano, mas essa liderança depende de transformar potencial em projetos, conectar oferta e demanda e construir um ambiente regulatório que dê previsibilidade aos investimentos”
A nova edição do Fórum dá sequência a uma trajetória de crescimento. Em setembro de 2025, o 12º Fórum do Biogás reuniu mais de 1.500 participantes e 55 patrocinadores no São Paulo Expo, números que, segundo a organização, confirmaram o evento como o maior encontro do setor na América Latina.
A edição anterior também marcou a assinatura de um decreto municipal pelo então prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, para ampliar o uso do biometano na frota de ônibus da cidade, além do lançamento de uma plataforma de dados em Power BI desenvolvida pela ABiogás para reunir informações regulatórias, tributárias e financeiras do setor. “O biogás e o biometano deixaram de ser um tema técnico de nicho para ocupar a agenda de investimentos do país. O Fórum é o espaço onde essa conversa acontece com a presença de quem decide: do poder público ao investidor “, afirma Tiago Santovito, diretor-executivo da ABiogás.
Com a nova regulamentação, o biometano deixa de ocupar apenas o campo das perspectivas e passa a fazer parte da engrenagem concreta de descarbonização do mercado de gás. Para a ABiogás, esse avanço reforça a relevância do Fórum como ambiente de articulação entre setor produtivo, governo, investidores e consumidores finais, em um momento decisivo para transformar políticas públicas em projetos, contratos e infraestrutura.
O 13º Fórum do Biogás será, portanto, um espaço estratégico para discutir a implementação desse novo ciclo. O evento reunirá empresas de toda a cadeia, investidores, autoridades públicas, especialistas e representantes dos mercados nacional e internacional, com debates distribuídos em duas salas simultâneas ao longo de dois dias.
A programação abordará temas como ambiente regulatório, desenvolvimento de projetos, tecnologias, modelos de contratação, financiamento e integração do biogás e do biometano às políticas climáticas e energéticas. Segundo a organização, a proposta do evento é promover negócios, apresentar soluções, ampliar o diálogo com o poder público e discutir tendências para o setor no Brasil e no exterior.
Programação 11 de agosto
- 09h – Cerimônia de abertura
- 11h – Plenária Principal – Biogás e biometano: diversificando a matriz e fortalecendo a segurança energética
- 14h – “Mandato de biometano na Lei Combustível do Futuro” e “Infraestrutura e logística do biometano”
- 16h – “Integração do biometano à política climática” e “Biometano nas cidades: mobilidade urbana e gestão de resíduos”
Programação 12 de agosto
- 09h – “CGOB: regulação e operacionalização” e “Valorização do digestato e economia circular”
- 11h – “Os benefícios tributários ao longo da cadeia do biogás e biometano” e “Biometano no transporte de carga”
- 14h – “Biometano na abertura do mercado de gás” e “Descentralização do biogás: pequenos projetos, inclusão social e sustentabilidade socioambiental”
- 16h – “Desenvolvimento tecnológico, eficiência operacional e segurança na cadeia de valor do biogás” e “Diversificação dos usos do biogás”
Inscrições
As inscrições para o 13º Fórum do Biogás já estão abertas e pode, ser feitas clicando aqui.
O Ingresso Padrão está no Lote 3, a R$ 1.690,00, válido até 12 de agosto, com acesso aos conteúdos dos dois dias, à área de exposição e ao certificado digital de participação. Associados da ABiogás contam com valor especial de R$ 990,00, mediante solicitação de código de desconto.
Há ainda o Ingresso VIP, em lote único de R$ 4.900,00, com acesso integral aos dois dias, entrada exclusiva na sala de palestrantes, acesso à área de imprensa e kit personalizado do evento.
Notícias
Chances de El Niño “muito forte” no fim de 2026 chegam a 81%, aponta NOAA
Agência climática dos Estados Unidos indica que fenômeno pode ser o mais intenso desde o início das medições, em 1950.

O El Niño se intensificou e tem 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre os meses de outubro e dezembro próximos, segundo estimativa publicada nesta quinta-feira (9) pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência de previsão climática dos Estados Unidos, uma das mais importantes do mundo.

Segundo a NOAA, se a previsão se confirmar, esse pode ser o maior El Niño desde 1950, ano em que começaram a ser feitas as medições.

Foto: Antonio Carlos Mafalda
Havia uma previsão de que o fenômeno pudesse se intensificar ao longo de 2026, mas não se sabia exatamente a intensidade a que poderia chegar. Esse novo boletim do instituto marca, portanto, uma mudança importante.
O fortalecimento do fenômeno climático tem ainda 97% de chance de perdurar até os meses de março a junho de 2027, quando é primavera no Hemisfério Norte e outono no Hemisfério Sul.
De acordo com o instituto norte-americano, o El Niño ganhou força no mês de junho, causando uma série de alterações na temperatura de uma grande área da superfície do Oceano Pacífico central e leste, provocando aumento superior a 1ºC nessas regiões.
Ainda segundo a NOAA, um El Niño mais forte não significa necessariamente que haverá eventos climáticos graves, mas que há uma probabilidade maior de que aconteçam mais tempestades e forte calor em diferentes regiões do planeta.
O El Niño é o fenômeno meteorológico que provoca o aquecimento acima da média da superfície do Pacífico equatorial. Essa elevação da temperatura causa alterações no ritmo das chuvas e também na circulação dos ventos.
Colunistas
Produtores mudam estratégia e priorizam investimentos com maior retorno
Decisões no campo passam a considerar desempenho operacional, tecnologia e redução de custos ao longo do ciclo produtivo.

O cenário do agronegócio atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda. O que antes era uma decisão baseada puramente na necessidade mecânica, tornou-se uma complexa equação financeira e tecnológica. No campo, o produtor rural está abandonando a visão de que a máquina é um “custo necessário” para abraçá-la como um ativo estratégico de alto rendimento.
Esta mudança de paradigma não é fruto do acaso. É a resposta direta a um mercado de margens cada vez mais comprimidas, onde a eficiência operacional dita quem permanece na atividade. O setor vive hoje a era da especificação técnica orientada ao retorno sobre investimento (ROI), na qual a potência bruta cede espaço para métricas como consumo de combustível por hectare e disponibilidade mecânica.

Artigo escrito pelo engenheiro agrícola Micael Duarte.
Historicamente, o preço de aquisição era o principal balizador de compra. Hoje, o cálculo é mais sofisticado. O produtor moderno entende que o valor nominal de um trator é apenas a ponta do iceberg. O verdadeiro custo revela-se na operação: o gasto com diesel, a frequência de manutenção e, principalmente, a confiabilidade.
Em janelas de plantio e colheita cada vez mais estreitas devido às variações climáticas, uma máquina parada por falha técnica não representa apenas um gasto com peças e sim a perda de produtividade de toda a safra. É o custo da oportunidade perdida, que muitas vezes supera, em poucos dias, a economia feita em uma compra de equipamento inferior.
A grande virada de chave nesta nova lógica é a conectividade. Se antes o trator era uma peça isolada de ferro e aço, hoje ele é um terminal de dados móvel. Sistemas de telemetria e monitoramento remoto permitem que o gestor acompanhe, em tempo real, o desempenho da frota, identificando padrões de desperdício ou falhas iminentes. Essa visão de 360 graus permite uma gestão cirúrgica dos insumos.
Com o aumento constante no preço de fertilizantes e defensivos, a precisão na aplicação torna-se o divisor de águas entre o lucro e o prejuízo. O equipamento deixa de ser apenas quem executa o trabalho para ser quem fornece a inteligência necessária para otimizar os recursos da propriedade.
Essa evolução também é impulsionada por uma mudança geracional. Novos produtores, conectados à gestão de dados, enxergam a inovação como parte intrínseca da produtividade. Eles buscam ferramentas que ofereçam previsibilidade e robustez, entendendo que máquinas mais eficientes ajudam a reduzir custos operacionais e aumentam a rentabilidade por hectare no longo prazo.
Em suma, a lógica de compra no agronegócio evoluiu para uma análise de ciclo de vida. O produtor não compra mais apenas uma máquina; ele investe em uma solução capaz de reduzir perdas e maximizar resultados financeiros. Num mercado cada vez mais competitivo, investir melhor tornou-se tão crucial quanto produzir mais.
