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Você sabe quanto custa uma dose de sêmen na suinocultura?

Especialista frisa que valor pode ser diluído ou inflado ao longo de todas as etapas do processo produtivo.

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Fotos: Sarah Nunes

Quanto vale uma dose sêmen na complexa cadeia suinícola brasileira? Essa foi umas das interessantes perguntas que o médico-veterinário mestre em Reprodução Animal e consultor sênior da GBR consultoria, Guilherme Brandt, respondeu durante o painel sobre gestão, tecnologia e bem-estar animal, com o foco na produção, no evento híbrido do Pork Meet Rio Verde. O profissional apresentou a palestra impacto das doses de sêmen no cevado frigorífico e discorreu a respeito da complexidade da cadeia suinícola, enfatizando os efeitos que o sêmen acarreta durante todo esse percurso, desde sua coleta até o momento do abate.

Guilherme relembrou a importância da suinocultura para o Brasil, expondo que o país possui 2 milhões de fêmeas, é o 4º maior produtor de suínos do mundo, exporta cerca de 1,2 milhão de toneladas por ano e consome aproximadamente 20 quilos per capita ao ano. “Tanto o consumo como a produção de suínos vem aumentando ano após ano. Se considerarmos o número de 2 milhões de fêmeas, nós produzimos 1,5 leitão a cada segundo”, disse.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O médico-veterinário afirmou que ao buscar responder a pergunta sobre qual é o preço de uma dose de sêmen para a produção de suínos, de forma mais estruturada, seria a busca por manter os indicadores produtivos em níveis de alta performance dos animais, das pessoas, dos processos e dos resultados. “Em termos zootécnicos estamos falando de prolificidade, conversão alimentar, e viabilidade”, enaltece. Brandt mencionou que estas perguntas estão relacionadas ao número de leitões que são produzidos por cada fêmea, com respeito a conversão alimentar e o ganho de peso diário, que também varia conforma o preço dos insumos, principalmente do milho, além da viabilidade e da qualidade final do produto. “Quem produz precisa produzir com viabilidade e com qualidade”, destaca.

Esses apontamentos trazem à tona os desafios que este mercado possui que estão ligados aos aspectos financeiros e que impactam no preço da dose do sêmen, como a importância de baixar o custo de produção, aumentar a eficiência e ampliar o valor agregado do produto final. “Nosso objetivo, em qualquer uma das etapas, é produzir de forma eficiente e que traga renda e lucro para toda a cadeia”, afirma.

O profissional também chamou a atenção sobre a importância de entender que a produção final do leitão não é na entrega dos terminados, mas sim, a carne suína na casa dos consumidores. “A nossa atividade não termina no leitão ou na terminação, o nosso produto deve estar no prato do consumidor”, disse.

Rendimento da carcaça

De acordo com ele, o sêmen pode possibilitar o bom rendimento da carcaça, mas isso vai depender de algumas variáveis. Desta forma, para responder a pergunta sobre qual o impacto das doses de sêmen no terminado? O palestrante reforçou que existem 4 possíveis respostas que devem ser observadas e analisadas.
A primeira é de um impacto nulo. “Isso acontece quando o produtor possui o sêmen correto, faz todo o procedimento, mas fica sem o animal. Pode ser que ele não tenha nascido ou mesmo que tenha morrido”, pontua.

A segunda resposta é o impacto ruim. “Esse fato ocorre quando tenho o animal errado. Na prática, podemos observar que as vezes as genéticas estão misturadas de forma incorreta e estão produzindo animais errados”, sustenta Brandt. A terceira resposta é o impacto bom. “Isso se verifica quando o produtor tem o produto certo no lugar certo, mas é uma produção apenas boa, porque é pouca”, destaca.

A quarta resposta é o impacto ótimo. “Este é o ponto que nós queremos e é quando nós temos um grande número de animais certos. Basicamente são estes os impactos do sêmen no frigorífico e eles fazem muita diferença e existem muitas variáveis que definem qual deles será o maior em cada produção”, evidencia.

Ano do suinocultor inicia em 17 de março

Foto: Shutterstock

O profissional alertou para a importância de os produtores de suínos atentarem-se às datas de produção. Para ele, o ano para o produtor de suíno inicia no dia 17 de março, porque esta data vai impactar na produção do ano seguinte. “A cadeia da produção suína leva cerca de 290 dias para ter o produto final, desta forma, é necessário ter este conhecimento pra conseguir um planejamento efetivo do impacto do sêmen”, observa.

Evolução da reprodução suína

O médico-veterinário também apresentou um panorama de como a reprodução suína vem evoluindo e tornando-se mais eficiente. “Nas década de 70 e 80 a inseminação era experimental no Brasil. Em 1990 inseminávamos com 4 bilhões de espermatozoides, fazíamos 12 doses por fêmea e dava cerca de 12 milhões de terminados. Isso foi evoluindo, em 2000 baixamos para 3 bilhões, em 2010 para 2 bilhões. Esse foi um avanço espetacular, porque baixamos a concentração, mas a produtividade aumentou. Vimos então que a genética começou a ter o valor maior dentro da produção na indústria”, destaca revelando que para 2030 a expectativa dele é trabalhar com menos de 2 bilhões de espermatozoides e produzir 15 mil terminados por macho.

Onde estão as perdas?

Além disso, o profissional revelou que o potencial de uma dose de sêmen também está relacionado com as perdas dos animais. “Os números mostram que dos 100% dos animais que vão para a granja, apenas 71% estarão no abate, no frigorífico. Ou seja, saímos de uma taxa de possibilidade excelente e então começam as perdas com mortalidade, das mais variadas espécies, e caímos para um número de produto bem aquém do que poderíamos alcançar”, reforça.

É possível melhorar

Ele reivindica que esses números mostram uma grande possibilidade de melhorar a produção de suínos. “A fisiologia e as tecnologias nos permitem melhorar estes números, precisamos trabalhar para isso. Já saímos de 24 leitões por fêmea ao ano para 35, o potencial vem aumentando muito. Por outro lado, precisamos melhorar as nossas perdas por ineficiências”, argumenta.

Brandt diz que o ponto chave para melhorar o desempenho dos números finais da cadeia está na forma com que os produtores gerenciam suas granjas e recomenda que eles deem mais atenção aos animais. “A chegada dos animais, bem como a chegada do sêmen, devem ser promovidas de forma a serem muito rigorosas, para que consigamos melhorar os números. Além disso, é preciso muito cuidado na conservação e em todos os momentos de manejo dos materiais e animais porque esse manuseio pode ter impacto de alta fertilidade, como também não”, observa.

Mapa de cobertura

Outra recomendação pertinente feita pelo profissional é a necessidade de os produtores atentarem-se para o Mapa de Cobertura e fazer a marcação dele com muito rigor. “Devemos entender, gerenciar e não negociar o mapa de cobertura, porque fazemos parte de uma cadeia que é segmentada e cada etapa influencia as etapas seguintes. Desta forma, nossa responsabilidade não é apenas com a parte que nós trabalhamos, mas com toda a cadeia”, enaltece.

Potenciais

Médico-veterinário com mestrado em reprodução animal e consultor sênior da GBR consultoria, Guilherme Brandt

O médico-veterinário ainda disse que o potencial de animais nascidos de uma fêmea pode ser relacionado com o macho e com a qualidade dos espermatozoides, mas que é a fêmea que determina a quantidade de nascidos. “São os oócitos das fêmeas que determinam o número de ovulações que a porca terá e desta forma o potencial de nascidos está relacionado com ela. Ou seja, o sêmen precisa ser muito bem produzido, mas também temos que tratar muito bem a fêmea”, recomenda.

Ele reforçou sobre as melhorias nos indicadores zootécnicos no Brasil. “Estamos melhorando. Há mais de 20 anos eu estudo e venho acompanhando a evolução do número de leitões que são entregues por fêmea, esse número vem crescendo e mostra que estamos conseguindo ser mais eficientes na reprodução”, afirma.

O profissional também apresentou alguns números do levantamento feito pela Agriness que mostram que desde 2008 o leitão está cada vez menor. “Estamos produzindo mais animais, mas os leitões são menores. Desde 2008 a média mostra que ele perdeu 100 gramas. É importante nos atentarmos a esses números para ajustarmos qual é o limite aceitável e bom do peso ao nascer para uma produção que vamos entregar no frigorífico e na casa do consumidor”, evidencia.

Milho

Em relação à influência do milho no potencial das doses de sêmen, o médico-veterinário enfatizou que essa conexão está intrinsecamente ligada à prolificidade. Isso se deve ao fato de que é possível otimizar completamente o potencial reprodutivo das fêmeas, reduzindo ao mesmo tempo o consumo de ração. “Se eu contar com os melhores animais e uma conversão alimentar eficaz, usando a dose correta de sêmen dos melhores machos conseguirei economizar significativamente em termos de consumo de milho. Isso resultará em economia e, quando discutimos os impactos da nutrição na qualidade do sêmen, é essencial considerar o papel fundamental do milho e seu impacto na produção total”, ressaltou.

Doses de sêmen colorida

Brandt também reforçou sobre a importância de os produtores e empregados entenderem sobre como as doses de sêmen devem ser aplicadas. “Eles precisam conhecer os protocolos, ter ciência de quanto vale cada dose, das possibilidades sobre os machos de maior índice genético, pois tudo isso vai ajudar a melhorar a produção”, adverte.
O profissional reforçou a atenção aos detalhes, mesmo que sejam com números muito pequenos, pois quando é pensado em todo o volume da produção final, aquele 1% de melhora na conversão alimentar pode fazer muita diferença no impacto final. “Se o Brasil melhorar 1% nos índices de mortalidade na creche, terminação, matrizes, teremos quase R$ 1 bilhão a mais. Precisamos fazer esta conta”, recomenda.

As mudanças não devem param

O médico-veterinário finalizou a palestra reforçando que a suinocultura é uma atividade de intensa mudança e que sempre terá muitos desafios. “É preciso reconhecer que o valor específico de cada dose de sêmen é gigantesco, e é necessário ter muito cuidado com este índice genético, porque não adianta eu investir em um bom índice genético se eu não souber utilizar da melhor forma possível todo o potencial. O produtor precisa sempre lembrar que sempre há espaço para aprender mais e melhorar”.

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Fonte: O Presente Rural

Suínos

Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol

Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

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Foto: O Presente Rural

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”

Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.

Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.

Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.

Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock

A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.

A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.

Produção segura e rentável

De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.

Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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