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Verminoses em galinha caipira causam sérios prejuízos ao produtor

As endoparasitoses (verminoses) causam sérios prejuízos sanitários e econômicos aos criadores

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Foto: O Presente Rural

 Artigo escrito por Guilherme Augusto Vieira, médico veterinário, doutor em História das Ciências, professor de produção animal e coordenador do Farmácia na Fazenda

Você sabia que as galinhas caipiras tem vermes e precisam ser vermifugadas?

As verminoses ou endoparasitoses são patologias causadas por vermes em todos os animais domésticos, sendo evidenciadas com grande visualização de sinais e sintomas nos animais de produção como os bovinos, nos equinos, ovinos, caprinos e principalmente nos cães (filhotes).

Quanto as aves, Fortes (1993,2004) ratifica que as aves domésticas são igualmente sujeitas a numerosas infestações de endoparasitoses.

Entretanto , segundo a Ourofino em Campo (2018), o controle de vermes em criações industriais (granjas industriais) de frangos de corte são negligenciados e alguns criadores entendem que o período de produção curto ( 35 a 40 dias) não é necessário a utilização de vermífugos. Já a produção de poedeiras, por possuir um período produtivo mais longo nota-se uma infestação maior e o controle é realizado de forma sistemática (Vasconcelos, 2000).

E o controle de verminoses em galinhas caipiras?

Aí é que está o grande problema. Pelo fato destes animais serem rústicos, criados soltos e a falta de informações, os criadores “acham” que as galinhas não precisam ser vermifugadas. Contudo, é comum as galinhas caipiras criadas soltas ( ou semi-intensivo) e as aves selvagens apresentarem infestação por vermes , muitas vezes não diagnosticadas e os animais morrem sem um diagnóstico adequado.

Atualmente ocorreu uma mudança na produção da galinha caipira, tornando-a tecnificada, com produção em galpões e aumentando a densidade (aglomeração) de aves nestes ambientes.

Neste novo modelo produtivo, há introdução de cama (maravalha, casca de arroz, café, etc ), alguns galpões possuem piso de chão batido, na grande maioria das criações as galinhas permanecem um período no galpão e outro período são soltas, com isso se alimentam de insetos, há um aumento de besouros e moscas nos galpões, todos estes fatores  favorecem a incidência de vermes chatos e redondos em criações de galinhas  caipiras.

A infestação das galinhas caipiras (granjas também) ocorrem por ciclo direto via transmissão horizontal (aves para aves), através da ingestão de larvas, ou pelo ciclo indireto requerendo um hospedeiro intermediário como insetos e moluscos (Vasconcelos, 2000; Back,2004)

A transmissão de maneira geral ocorre mediante a ingestão de ovos de parasitas, através de água e alimentos contaminados (BENEZ, 2004).

Outros fatores que favorecem a infestação dos animais são : higiene inadequada dos galpões, alta densidade de aves, erros de manejo sanitário e principalmente a vermifugação preventiva.

Existe uma variedade muito grande de helmintos que parasitam as aves. São dois grupos os de maior importância, os cestoides e os nematoides.

A tabela mostra os principais vermes que acometem as galinhas (caipiras e de granja).

Gênero Localização Sinais Clínicos
Nematódeos
Ascaridia spp Intestino Delgado Perda de apetite, diarreia, perda de peso,
Trichostrongylus tenuis Intestino Delgado
Syngamus trachealis Traqueia Problemas respiratórios, perda de peso, enfraquecimento
S. strongylina Intestino delgado Perda de peso, diarreia
Cestódeos
R.laticanalis Intestino Delgado Diarreia, perda de peso, enfraquecimento
TREMATÓDEOS
Echinostossoma revolotum Intestino delgado e ceco Enfraquecimento, emagrecimento, diarreias

 

Como verificar se os animais estão infestados?

O primeiro passo para o criador é verificar o estado de saúde dos animais. Segundo verificar a presença de parasitos nas fezes e na cama onde animais se encontram. Geralmente os áscaris (lombrigas) estão presentes nas fezes e no ambiente. Se possível consultar o Médico Veterinário para orientações.

Como tratar a verminose nas galinhas caipiras?

Existem dois tipos de tratamentos das verminoses:

Tratamento curativo (para os animais infestados e doentes) e o preventivo através de vermifugação preventiva, a adoção de medidas higiênico sanitárias e manejo eficiente.

Entre as medidas preventivas a serem adotadas destacam-se:

  • Limpeza dos galpões após a saída das galinhas para o “passeio” diário;
  • Realizar o vazio sanitário após a saída do lote;
  • Limpeza do terreiro e pasto onde as galinhas realizam o passeio diário;
  • Limpeza dos ninhos onde as galinhas realizam a postura;
  • Revolver a cama sistematicamente;
  • Retirada dos animais doentes

E os prejuízos causados pelas verminoses nas galinhas caipiras?

As endoparasitoses (verminoses) causam sérios prejuízos sanitários e econômicos aos criadores.

Os prejuízos sanitários além da perda de peso, falta de apetite, diarreias e problemas respiratórios, desenvolvimento tardio e predisposição a outras doenças, pois o organismo fica vulnerável tornando-se portas de entrada para bactérias, vírus e fungos levando os animais a morte.

Os prejuízos econômicos destacam-se ao emagrecimento dos animais, diminuindo o peso e consequentemente aumenta o tempo de abate dos animais gerando mais custos e despesas. Quanto a postura há diminuição ou perdas nas produções de ovos além dos problemas mencionados. Em ambos os casos os criadores tem muito gastos com medicamentos, tratamentos auxiliares, despesas com veterinários além da falta de renda dos produtos que a granja comercializa e a reposição de pintos.

Ao terminar este artigo observou-se a necessidade de vermifugar as galinhas caipiras pois os prejuízos provocados pelas verminoses são muito grandes além de um aumento de custo da produção.

Caso o Leitor deseje conhecer mais sobre a produção ou até mesmo melhorar a sua produção de galinhas caipiras temos na Farmácia na Fazenda – o Manual Tratamento de Verminoses em Galinhas Caipiras disponível em www.farmacianafazenda.com.br/produtos 

Fonte: Assessoria
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Avicultura Protagonista

Na avicultura, Paraná tem crescimento acima da média e responde por 34% da produção nacional

Setor cresce mais de 6% no Estado e gera 89 mil postos de trabalho diretos em 2021, de acordo com Sindiavipar.

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Arquivo OP Rural

Responsável por um terço da produção avícola nacional, o Paraná se firma também como principal exportador da carne de frango, respondendo por 40% do produto enviado para fora do país. Até novembro, o Estado havia exportado 1,6 milhão toneladas do produto, 9% a mais em relação a 2020, movimentando no período mais de U$S 2 bilhões, segundo informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A proteína também é um dos principais contribuintes para o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira, gerando um faturamento de R$ 108,6 milhões, o que representa 9,75% do total da receita gerada, figurando em quarto lugar no ranking entre os principais contribuintes para a formação do índice. Maior produtor de carne de frango, o Paraná movimenta R$ 36 milhões em receita para o VBP do Estado, um crescimento e 19,27% em relação ao ano anterior.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano passado, foram abatidas 1,6 bilhão de aves. A produção em solo paranaense está concentrada em cerca de 18,5 mil aviários, distribuídos em 8,7 mil propriedades rurais. A atividade gera 89 mil empregos diretos na indústria e estima-se que outros 12 a 17 postos de trabalho são gerados de forma indireta, impactando mais de um milhão de paranaenses no setor.

Presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues: “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura” – Foto: Divulgação

Elevação no custo da energia elétrica, falta de mão de obra, alta no preço dos insumos, embalagens e combustíveis foram algumas das dificuldades que precisaram ser superadas ao longo de 2021 pela cadeia produtiva. Mesmo com esses desafios, o setor apresentou um crescimento superior a 6% no último ano, segundo o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar). “A avicultura paranaense teve um desempenho positivo em 2021, apesar do forte impacto gerado pelo aumento dos grãos e dos custos para conseguir se manter na atividade, ainda assim, houve ampliação nos negócios, com novos produtores entrando na atividade e outros modernizando as instalações dos aviários, mas foi um ano de dificuldade, onde o setor se mostrou ser bem resiliente, aguentou firme, gerou mais empregos e cresceu”, afirma o presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues.

Protagonista na produção avícola, o Estado representa 34% do que é produzido no país e ano após ano vem apresentando crescimento acima da média nacional. Para Rodrigues, essa evolução é reflexo da concentração da atividade pela agricultura familiar, característica fundamental para o desenvolvimento da avicultura na região Sul do país.  “A região Sul do país se destaca pela agricultura familiar, no entanto, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não tem uma produção de grãos tão farta quanto o Paraná, que produz em grande quantidade e tem uma agricultura familiar muito forte, que possibilita o desenvolvimento da avicultura. Enquanto na região Centro-Oeste tem fartura de grãos, mas não tem a agricultura familiar que nós temos, então o Paraná tem as melhores condições para o setor crescer de forma contínua”, destaca Rodrigues.

Outra característica do Estado que fortalece a atividade é a integração produtor-cooperativa, o que contribuiu para que os avicultores não fossem tão afetados pela alta dos custos de produção, uma vez que neste modelo da cadeia produtiva, a empresa integradora oferta a ração e demais insumos para a produção e os produtores são responsáveis pela mão de obra e energia elétrica da propriedade.

De olho no presente com foco no futuro

Um dos grandes desafios do setor é com os custos da energia elétrica, item que mais pesa no bolso do produtor. Com o fim do subsídio do programa Tarifa Rural Noturna (TRN), que será extinto em dezembro, o Sindiavipar busca junto as integradoras alternativas para oferecer aos avicultores, como a geração de energia solar ou a biogás. “A partir de janeiro de 2023 a conta de energia será mais cara, então é urgente a necessidade do produtor buscar novas fontes de energia a fim de minimizar seus custos e a energia solar ou a biogás são duas alternativas para isso”, salienta, exemplificando: “Um produtor que tem uma propriedade grande terá um impacto entre R$ 7 a R$ 8 mil mensal com a energia elétrica sem o subsídio, por outro lado, com a energia solar esse custo pode cair entre 60% a 90%, então é fundamental que o produtor encare a energia como um custo que pode mitigar com uma energia alternativa”.

Outra frente fomentada pelo sindicato é o Programa de Cereais de Inverno, que visa buscar outras culturas para a composição da ração em alternativa ao milho, principal componente da alimentação para aves. “Vivemos uma escassez de milho com novo patamar de preço. Pensando nisso, o Paraná tem cerca de 2.730 mil hectares que ficam em pousio (fase sem plantio) durante o inverno, área que pode ser plantada grãos como trigo, triticale, sorgo e aveia, culturas que podem substituir parte do milho na ração”, pontua.

Uma das grandes preocupações elencadas pelo presidente do Sindiavipar é em relação a sanidade avícola do plantel paranaense. “Não podemos em hipótese nenhuma correr o risco de uma enfermidade no plantel por um descuido, por isso é necessário que os produtores sigam à risca as recomendações de biosseguridade”, ressalta Rodrigues.

Otimismo

Apesar de não haver boas perspectivas para a safra de verão na região Sul, em razão da escassez hídrica que tem gerado períodos longos de estiagem, e já apresenta redução de produtividade em lavouras de milho, sobretudo no Rio Grande do Sul, Rodrigues é otimista quanto a safra de soja, plantada mais cedo, e o próximo ciclo da safra de milho, que deve ter melhores condições climáticas para o desenvolvimento da planta. “Não teremos uma safra de verão satisfatória em virtude dos problemas com a seca, mas como plantamos soja mais cedo, com perspectiva de colher no fim de janeiro acredito que teremos uma boa safra. Em seguida, vamos plantar uma grande safra de milho, em situações climáticas mais amenas, que vai beneficiar o cultivo do grão e vamos conseguir reduzir a médio prazo os custos na produção da ração, dando um fôlego para avicultura”, anseia Rodrigues.

Ele ainda diz que há muito espaço para o setor crescer em solo paranaense e que novos investimentos estão sendo projetados, no entanto a escassez de grão para produção de ração é um dos fatores que preocupa a cadeia produtiva. “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura, tanto no Estado como no país”

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Avicultura Aves, suínos e bovinos

Moduladores biológicos para inibição competitiva de patógenos no ambiente de criação

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados.

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Arquivo/OP Rural

O gênero Bacillus são bactérias Gram-positivas, produtoras de catalase e em forma de bastonete, onipresentes no solo, ar e água. Sua principal vantagem sobre outras espécies é sua capacidade inerente de formar esporos que retomam a viabilidade em condições favoráveis.

Os produtos à base de Bacillus possuem diversas aplicações de trabalho na indústria, com aplicações em quase todos os setores de produção de aves, suínos, bovinos, peixes, caprinos, etc. Como resultado, esses microrganismos estão ganhando mais interesse para uso como moduladores biológicos em processos de criação de animais, auxiliando na melhora do bem-estar animal e consequentemente melhora no desempenho zootécnico.

As bactérias do grupo Bacillus são historicamente conhecidas por sua capacidade de esporular, e os endósporos são notavelmente estáveis ​​e resistentes a agressões externas, produzindo esporos que permanecem viáveis por um longo período. As espécies de Bacillus demonstraram possuir melhores propriedades atribuíveis à sua capacidade de produzir substâncias antimicrobianas que são efetivas contra muitos microrganismos e são não patogênicas e não tóxicas, juntamente com sua capacidade de esporulação (ou seja, que estender seu período de eficácia), dá-lhes uma vantagem dupla em termos de sobrevivência (tolerância ao calor e maior vida útil) em diversos ambientes.

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados. A forma do esporo é extremamente importante para a sobrevivência das cepas e por causa de sua capacidade de produzir metabólitos os Bacillus possuem ação contra microrganismos patogênicos (Escherichia coli, Salmonella spp., Clostridium spp.). Os Bacillus apresentam atividade antimicrobiana de amplo espectro de ação e têm sido amplamente utilizados como agentes para controlar a multiplicação dessas bactérias patogênicas que estão naturalmente presentes no ambiente de criação dos animais.

Exclusão competitiva

Uma maneira de controlar a multiplicação de patógenos no ambiente de criação é a exclusão competitiva, que está relacionada à exclusão de patógenos indesejáveis ​​por microrganismos que competem com os Bacillus no ambiente. Os mecanismos usados ​​pelos Bacillus para reduzir o crescimento de espécies patogênicas variam, incluindo competição por locais físicos de fixação e espaço, competição direta e indireta por nutrientes essenciais, produção de compostos antimicrobianos, regulação do microbioma e interações sinérgicas dos mencionados mecanismos.

A produção de compostos antimicrobianos é outro mecanismo de exclusão competitiva. Os Bacillus spp. são capazes de produzir muitos peptídeos antimicrobianos como lipopeptídeos, surfactinas, bacteriocinas e substâncias inibidoras. Os mecanismos comuns de morte mediada por bacteriocina incluem a destruição de células patogênicas pela formação de poros e/ou inibição da síntese da parede celular e interrupção do DNA, RNA e metabolismo de proteínas.

Quando aplicados no ambiente, os Bacillus spp. têm a capacidade de afetar positivamente o crescimento dos microrganismos nativos, por meio do consumo de oxigênio, desenvolvendo um ambiente micro-anaeróbio mais favorável, apoiando assim o crescimento de espécies necessárias proporcionando melhoras de ambiência e consequentemente o bem-estar animal.

Outro mecanismo de exclusão competitiva é a absorção competitiva de nutrientes essenciais necessários para o crescimento do patógeno. A absorção mais rápida de nutrientes como carbono, glicose e ferro permite que ocorra inibição do crescimento do patógeno. Sendo Bacillus spp. um heterotrófico e fastidioso que têm uma maior taxa de utilização de carbono orgânico e proteína que lhes permite vencer os microrganismos patogênicos. Além disso, algumas dessas bactérias produzem ácido láctico, facilitando a exclusão de patógenos sensíveis ao pH.

Contudo, quanto menor o número de bactérias patogênicas presentes no ambiente, menor é a ativação do sistema imunológico, enquanto mantém a tolerância aos antígenos de alimentos e bactérias comensais, promovendo ganhos nos indicadores zootécnicos como conversão alimentar e diminuição da mortalidade detalhados na Figura 1.

Os principais efeitos benéficos dos Bacillus spp. na ambiência e bem-estar animal, os mesmos apresentam vantagens auxiliares em relação ao tratamento de resíduos desses estabelecimentos, pois a natureza intensiva da produção tem gerado preocupações ambientais, enquanto os produtores estão sob intensa pressão para cumprir os regulamentos já que os principais resíduos provenientes da indústria avícola são compostos por esterco, efluentes e emissões de amônia.

A exposição prolongada às concentrações de amônia pode levar a uma diminuição na eficiência alimentar, aumento da suscetibilidade a doenças, perda e danos desses animais. Além disso, também representa um risco para a saúde dos trabalhadores agrícolas, sendo os Bacillus uma solução eficaz e segura a esses locais.

Na mesma via, o aumento nos estudos sobre Bacillus spp. parece indicar maior prova da adequação desse gênero como modulador biológico na fase de criação de animais para produção de alimentos para obter o melhor desempenho e rentabilidade na produção animal de aves, bovinos e suínos conforme pode ser observado na Figura 1.

Figura 1 – Índice de conversão e mortalidade de aves e suínos com a utilização de moduladores biológico.

Fonte: Por Paulo Cesar Guarnieri e Vinicius Badia, da Engenutri
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Avicultura Produção de ovos comerciais

A influência da Bronquite Infecciosa na qualidade dos ovos

Reconhecendo que são várias as causas que afetam a qualidade dos ovos, seja a qualidade externa na casca, como a qualidade interna na gema e clara, é necessário buscar entender e minimizar ao máximo para melhorar a qualidade dos ovos: ambiência, nutrição, manejos, genética  e doenças aviárias.

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Arquivo/OP Rural

A qualidade de ovos é o ponto de maior importância dentro de uma produção de ovos comerciais. A sua composição compreende da casca, do albúmen e da gema. A propriedade principal da casca é a proteção natural e eficiente para o conteúdo do ovo. Reconhecendo que são várias as causas que afetam a qualidade dos ovos, seja a qualidade externa na casca, como a qualidade interna na gema e clara, é necessário buscar entender e minimizar ao máximo para melhorar a qualidade dos ovos: ambiência, nutrição, manejos, genética  e doenças aviárias.

Cada um desses pontos citados possui maior ou menor importância, de acordo com a realidade em que o plantel se encontra inserido nas diferentes regiões. Dessa forma, elencamos discutir um pouco sobre os impactos que uma doença aviária de grande ocorrência no Brasil pode trazer para a postura comercial: a Bronquite Infecciosa.

O vírus da Bronquite Infecciosa das galinhas (VBIG) é um coronavírus disseminado mundialmente em galinhas. Na avicultura industrial está relacionado a uma síndrome infectocontagiosa com manifestações respiratórias, renais, reprodutivas e entéricas podendo infectar aves reprodutoras (para corte e postura), frangos de corte, poedeiras comerciais e codornizes.

O VBIG possuí uma fita simples de RNA e é envelopado. Sua morfologia é característica por ser em formato arredondado e circundado por uma coroa de espículas. Sua membrana apresenta 23 diferentes tipos de proteínas para sua classificação viral completa, entretanto, sua classificação em sorotipos é baseada na região hipervariável da proteína de espícula S, utilizada como fonte de dados tanto para reações sorológicas quanto de biologia molecular. E uma mesma classificação de sorotipo não indica que o VBIG terá o mesmo tropismo celular nem uma mesma patogenicidade.

O local primário de replicação é o trato respiratório superior, independente do sorotipo. (Epitélio da traqueia, pulmão, sacos aéreos e glândula de Harder). Depois, replica-se nos sistemas renais, reprodutivos e intestinais. O vírus se dissemina pela via horizontal rapidamente por contato direto ou indireto, ou seja, acontece a transmissão entre aves, entre diferentes galpões, entre diferentes granjas e entre diferentes regiões.

Por apresentar vários sorotipos que atuam com diferentes características, foi possível visualizar em trabalho de 2011 a correlação positiva entre o nível de homologia entre diferentes sorotipos de IBV e o nível de proteção cruzada entre essas cepas.

No Brasil, o termo variante é largamente utilizado do campo aos laboratórios de diagnóstico, no qual a cepa variante do VBIG BR1, têm sido a mais prevalente. Em um trabalho realizado por em 2018 verificou-se que 74,5% dos VBIGs identificados no Brasil, sequenciados e depositados do GenBank, são pertencentes ao Sorotipo BR1.

Esse agente representa grandes prejuízos econômicos que muitas vezes não são diagnosticados com os sintomas clássicos da doença. Além de ter sua disseminação de forma rápida o agente pode permanecer viável na granja por períodos de 12 dias e concomitantemente agir em granjas vizinhas. Em aves jovens, o VBIG pode cursar com os sintomas clássicos de doença respiratória, com edemas e exsudatos nas traqueias e brônquios, além de inflamações em sacos aéreos, pericardite e pleurite. Muitas vezes está associado ao quadro de síndrome da cabeça inchada. É importante realçar que a infecção de fêmeas de menos de duas semanas de idade, pode causar lesões permanentes do sistema reprodutor, causando o que se chama de falsas poedeiras. A mortalidade nessa fase de vida dependerá da evolução dos sintomas, da carga viral, do sorotipo e da interação com outros agentes patológicos. Já no sistema renal, quadros de nefropatogenicidade tem sido associada a cepas BR1.

Para as aves de postura comercial ou reprodutoras, além dos descritos nas fases mais jovens, a sintomatologia comumente se demonstra relacionada a qualidade dos ovos. O vírus pode causar uma queda discreta de produção, abaixo do standard, que dificilmente alcançará os níveis desejados novamente, ou mesmo uma queda severa com deterioração do formato, espessura e coloração da casca, além de um efeito liquefeito do albúmen. Em reprodutores machos a BIG pode estar relacionada a diminuição da fertilidade, com cálculos epididimais e orquite, levando em alguns casos a infertilidade.

Nesse contexto, a biosseguridade é uma grande aliada da prevenção e do controle de um surto da BIG. Os programas direcionados à prevenção utilizam ferramentas de segregação, limpeza, higienização e desinfecção dos fômites como um pilar reforçado do manejo.

Adicionados ao manejo preventivo atualmente o controle da BIG é obtido por meio da vacinação das aves. Através do uso de vacinas vivas atenuadas e inativadas. Sendo que as vivas têm a função de prevenir e controlar a infecção em frangos de corte e de servir como primo vacinação de poedeiras comerciais e reprodutoras. Já as vacinas inativadas são fundamentais para a indução de níveis de anticorpos elevados, uniformes e de longa duração (gráfico).

Resultados em média aritmética para todos os lotes da granja, podendo observar que a vacinação com a associação de cepas de IBV na qualidade interna medida de forma indireta com a gravidade específica dos de ovos obteve resultados melhores

Uma vez conhecendo a realidade epidemiológica da doença na avicultura industrial, pode-se aplicar um programa vacinal que utilize um ou mais sorotipos diferentes de BIG. A intenção é sempre ampliar o espectro de proteção e ter a maior e melhor homologia com a cepa de campo, protegendo assim as aves frente aos desafios.

Caracterização da qualidade externa do ovo (ovos manchados de sangue, ovos sujos, ovos trincados, ovos com a casca deformada e ovos normais). Realizar a caracterização externa dos ovos por lotes de produção é uma técnica simples para mensurar de forma direta a saúde das aves. – Fotos: Arquivo pessoal/Jeniffer Pimenta/Vaxxinova

Gravidade específica dos Ovos – Utilização de 5 diferentes densidades, uma metodologia simples de baixo custo que quando realizada na rotina da granja auxilia no acompanhamento individual dos lotes e favorece a melhor caracterização do perfil do plantel avícola.

Fonte: Por Jeniffer Godinho Ferreira Pimenta, médica-veterinária e assistente técnica de Poedeiras Comerciais na Vaxxinova
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