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Vedação e isolamento de granjas de frangos de corte

As aves comerciais de hoje têm em sua genética um potencial de ganho de peso, conversão alimentar cada vez mais eficiente e uma capacidade alta para transformar alimento em rendimento de carne

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Montagem de material isolante de lã de vidro granja no Brasil, com telhado, espaço de ar e uma espessura em torno de 10 centímetros de lã de vidro, garantindo um R13 ao menos no isolamento. - Fotos: Divulgação

Artigo de: José Luís Januário é médico veterinário e especialista em Frango de Corte e Ambiência da Cobb-Vantress na América do Sul.

Os temas ventilação e ambiência de aviários de reprodutoras e de frangos de corte são discutidos e de compreensão de todos que trabalham na produção animal há algumas décadas. As aves precisavam de ambiência para demonstrar o máximo potencial. O melhor exemplo é o que a galinha faz na natureza com seus pintos, colocando-os debaixo dela para manter o conforto.

As aves comerciais de hoje têm em sua genética um potencial de ganho de peso, conversão alimentar cada vez mais eficiente e uma capacidade alta para transformar alimento em rendimento de carne. Mas, para expressar estas características de maneira cada vez mais eficiente, elas requerem viver em um ambiente com o maior conforto possível, desde a incubação dos ovos até o frango na espera para o processo do abate nos frigoríficos.

A avicultura americana, modelo que escolhemos e copiamos no Brasil e na América do Sul, produziu tecnologia de construção de equipamentos para aquela realidade do hemisfério Norte, onde as temperaturas são bem definidas. Embora as estações do ano se misturem no Brasil, com diferenças é claro pelo imenso território, convivemos com invernos e umidade relativa do ar alta no Sul, como também frio de menor intensidade e mais seco no Sudeste, por exemplo. E as aves alojadas, seja no verão ou inverno, não devem sofrer com as mudanças de temperatura que ocorrem do lado de fora dos aviários. Elas devem ficar dentro da zona de conforto ideal para cada idade.

 

Nos Estados Unidos

Modelo usado nos Estados Unidos faz uma vedação considerada excelente, seja abaixo do telhado, ou acima do forro, com valor R20 de isolamento de telhado.

Nos Estados Unidos os produtores usam madeira de reflorestamento para erguer as colunas e vigas nas construções, empregam a madeira compensada para fazer o fechamento interno dos aviários. As paredes laterais externas são de chapas galvanizadas pintadas. No espaço interno, entre o compensado, eles usam materiais de isolamento, como a lã de vidro.

Os telhados também são de chapa galvanizada ou com zinco. Embaixo, instalam forro de plástico resistente e, acima desse forro, também usam uma camada de lã de vidro. Tudo isso para chegar ao coeficiente de troca térmica ideal (R20), tanto para a insolação de fora, quanto para as perdas de calor de dentro para fora dos aviários.

Lá de vidro usada no forro e entre as paredes laterais em granjas dos Estados Unidos

Todo esse material usado por eles oferece um custo de instalação bem parecido com o nosso aqui no Brasil, mas com uma vantagem muito grande, pois é mais fácil de fazer a vedação adequadamente. Com isso, eles minimizam o uso de energia elétrica, ligando menos os exaustores, aproveitando ao máximo o calor gerado dentro do aviário pelas aves.

Os norte-americanos automatizaram suas granjas, modernizaram as construções e usam a ventilação tipo túnel em quase a totalidade das granjas. As empresas de equipamentos têm produtos similares em todo o mundo.

 

 

No Brasil e na América do Sul

O Brasil está construindo granjas mais modernas e climatizadas. As integradoras e empresas brasileiras têm produtores antenados com a evolução da avicultura. Cada dia mais, os produtores percebem a diferença na eficiência produtiva entre galpões simples e climatizados.

A ampla maioria dos aviários sul-americanos são de estrutura simples, abertos, convencionais, com ventiladores e nebulizadores. Mesmo assim, entregam excelentes resultados zootécnicos. Nossa cultura é de alto ganho de peso diário, conversões alimentares cada vez melhores, custo mais alto da ração com níveis nutricionais elevados e pessoas trabalhando de forma braçal para compensar as deficiências por falta de equipamentos e tecnologia.

Mas a tendência das empresas e dos técnicos, cada vez mais capacitados e atuantes em parceria com os produtores, é o aprimoramento constante nos galpões com mais equipamentos disponíveis.

Sabemos que alguns incentivos na implantação da melhoria estrutural das integrações, bem como as dificuldades em momentos de altos custos de produção, retardaram o fomento de mais galpões. Mas também sabemos que galpões mais modernos facilitam o trabalho e tornam o resultado dos lotes mais constantes em diferentes climas e estações do ano.

As granjas mais convencionais requerem atenção extra, pois a falta de tecnologia nos obriga a trabalhar com mais intensidade, com melhor manejo de cortina, mais gasto no aquecimento, mais atenção ao comportamento das aves e às mudanças de estratégias de atuação devido as condições climáticas mudarem a cada minuto e este galpão mais simples está desprotegido contra essas mudanças externas.

Nestas granjas convencionais, sem grandes materiais de vedação e isolamento, é importante usufruir das cortinas laterais e internas, conjunto de cortina dupla, bem como as cortinas transversais dentro dos pinteiros, e a vedação, um envelopamento, sempre com mecanismo que possibilite abrir de cima para baixo, mecanizado ou manual, e sempre manejar esta abertura para garantir a entrada de ar fresco e renovado.

É importante que os produtores de frango de corte busquem aviários melhor climatizados, com painéis evaporativos nas entradas, inlets ou janelas de entrada de ar ao longo da lateral, telhados com isolamento, empregando o completo entendimento do processo de ventilação para a ambientação das aves.

Nosso trabalho dedicado faz do Brasil a avicultura mais competitiva do mundo, com o primeiro lugar nas exportações de carne de frango do planeta. Quando os produtores ampliarem os aviários climatizados e darem qualificação constante à mão de obra, o Brasil será ainda mais competitivo.

Devemos buscar ser eficientes energeticamente, economizar em custos de energia e aquecimento nas granjas. E a vedação e isolamento dos aviários é uma poderosa condição para contribuir com custos de produção mais competitivos, ampliando ainda a alta performance das aves.

Fonte: Assessoria Cobb
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Avicultura Balanço de 2021 e Novas perspectivas

Com recordes históricos, ABPA analisa cenário de aves e prevê crescimento de 4% em 2022

Diante de várias adversidades para manter a rentabilidade da cadeia, os produtores e as agroindústrias arregaçaram as mangas e mostraram a força dos setores, contribuindo para o Brasil alcançar novos patamares em produção, consumo per capita e exportações.

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Fotos: Arquivo OP Rural

“Verás que um filho teu não foge à luta” é uma frase do hino nacional brasileiro que teve significado ainda maior para os avicultores e suinocultores do país no último ano. Diante de várias adversidades para manter a rentabilidade da cadeia, os produtores e as agroindústrias arregaçaram as mangas e mostraram a força dos setores, contribuindo para o Brasil alcançar novos patamares em produção, consumo per capita e exportações.

Em entrevista ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, comemorou o crescimento das atividades, que consolida ainda mais o país como uma potência na produção

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Quebramos todos os recordes em exportação de aves, suínos e ovos” – Foto: Divulgação/ABPA

de alimentos, com projeções de recordes históricos para as atividades. “Quebramos todos os recordes em exportação de aves, suínos e ovos. As exportações de ovos só não foram maiores porque o ovo cresceu 120% e até o fim de 2021 cogita-se mais 80% de crescimento, porém essa proteína representa menos que 1% das vendas no mercado internacional e já teve exportação maior no passado. Por outro lado, quebramos paradigmas que não tinham sido alcançados, aumentando o consumo per capita para 255 ovos, de carne suína para 16 quilos e de carne de frango para 46 quilos, ou seja, números bastante expressivos. Nas exportações crescemos tanto em volume como em receita com a carne suína e a de frango, isso é um grande feito para o Brasil em um ano de pandemia, em um ano que a gente teve que ser resiliente para não deixar de produzir, para não parar as plantas e não faltar comida na mesa dos brasileiros”, enaltece Santin, e acrescenta: “Além de ofertar mais comida para os brasileiros, porque teve mais disponibilidade de alimento no mercado interno, também conseguimos cooperar com mais de 150 mercados no mundo complementando as indústrias locais para garantir a segurança alimentar desses países”.

Resultados x projeções

A produção da carne de frango deverá alcançar em 2021 até 14,35 milhões de toneladas, número 3,5% superior ao registrado no ano anterior, com 13,85 milhões de toneladas. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 14,9 milhões de toneladas, volume 4% maior em relação ao ano passado. Com crescimento de 2% na oferta do mercado interno em relação ao ano anterior, 2021 deverá fechar com disponibilidade de 9,82 milhões de toneladas, projetando-se um aumento de produto interno em 5,5% nesse ano, podendo chegar a 10,25 milhões de toneladas.

A estimativa da ABPA é alcançar o consumo per capita de 46 quilos, número 2% maior que o registrado em 2020, com 45,27 quilos. Para esse ano, o consumo per capita está projetado em 48 quilos, 4% maior que o esperado para 2021.

Nos primeiros 11 meses do ano passado, as exportações cresceram 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, gerando uma receita 25,3% maior que a alcançada em 2020. “Isso mostra que o aumento do preço do frango nas prateleiras dos supermercados brasileiros também está acontecendo para as exportações, decorrente de uma pressão de custos de insumos de produção que precisam ser repassados tanto nos produtos do mercado interno quanto do mercado externo para dar mais equilíbrio à produção”, explica Santin.

E nas importações, a entidade cogita um crescimento de 23% com a compra de produtos para consumo interno em cinco principais países: Japão, China, México, União Europeia e Arábia Saudita. “Esse crescimento previsto para 2022 é com base na retomada da economia brasileira, reforçando que teve algumas substituições sobre a proteína por conta da pandemia e que devem agora se consolidar como hábito de consumo, levando ao aumento do consumo de carne suína e de aves no mercado interno em 2022”, almeja o presidente da ABPA.

A China detém 14% do share das exportações da avicultura brasileira, tendo sido embarcadas 589,71 mil toneladas de janeiro a novembro de 2021, acumulando uma queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas com número superior as exportações do Japão, que cresceram 8,8%, passando de 371 mil para 403,5 mil de toneladas até novembro; e dos Emirados Árabes, que aumentou em 26,4% suas exportações, saltando de 272,2 mil toneladas para 344 mil toneladas. Completam o ranking dos dez principais destinos da carne de frango Arábia Saudita, África do Sul, União Europeia, Filipinas, Iêmen, Coreia do Sul e México, que juntos representam 31% do volume exportado.

Principais Estados exportadores

Maior produtor de carne de frango, o Paraná se firma também como principal exportador da proteína, respondendo por 40% do produto enviado para fora do país. Até novembro, o Estado havia exportado 1,640 milhão de toneladas, 9% a mais que em 2020 (1,508). Compõe o ranking dos dez principais Estados exportadores Santa Catarina (23%), Rio Grande do Sul (16%), Goiás (5%), São Paulo (5%), Mato Grosso do Sul (4%), Minas Gerais (3%), Mato Grosso (2%), Distrito Federal (1,1%) e Espírito Santo (0,2%). Todos os Estados apresentaram crescimento no share das exportações brasileiras no ano passado. Tanto a produção quanto as exportações projetadas para 2021 e 2022 são recordes históricos.

Mercado Interno

A ABPA projeta um panorama um pouco mais otimista sobre o cenário atual do mercado interno para a carne de frango. De acordo com as estimativas da disponibilidade interna mensal no gráfico Brasil: Cenário Atual, é possível perceber que com a entrada do auxílio emergencial na economia no início da pandemia do Coronavírus gerou um aumento de consumo das proteínas, muitas delas elevadas como efeito de substituição.

No período em que não teve o auxílio emergencial, entre janeiro e abril de 2021, o consumo apresenta uma queda drástica, retomando seu crescimento a partir de maio de 2021 quando o governo federal liberou uma nova remessa do benefício. “Estima-se que 50% a 60% do dinheiro dos auxílios foram utilizados em consumo de alimentos, quando a população não teve esse benefício o consumo caiu”, analisa Santin, acrescentando: “E agora com a entrada do Auxílio Brasil prevemos que, apesar dos custos elevados continuarem no decorrer do ano de 2022, haverá uma sustentação do consumo esse ano, por conta da chegada do Auxílio Brasil, do aumento do salário mínimo e também da própria retomada do crescimento da economia do país. Esse é um panorama ocorrerá de maneira muito positiva para os setores de aves, suínos e ovos, consolidando um crescimento no consumo dessas proteínas principalmente no segundo semestre de 2022”, sugere Santin.

Panorama Global

Os Estado Unidos têm um custo de produção estável no nível atual, apesar da maior oferta de milho prevista para o ano safra 2021/2022. A estimativa é que a demanda deva continuar em alta.

Na Europa, a avicultura deve melhorar com a reabertura das economias impulsionada pelo avanço da vacinação contra a Covid-19, apesar dos custos de produção mais elevados, impactado principalmente pela mão de obra, energia e ração.

Com uma produção mais lenta neste ano, principalmente no primeiro semestre, os preços da carne suína devem permanecer estáveis na China, apresentado uma reação no segundo trimestre de 2022, cenário que impacta na produção local de carne de frango com chance de manutenção ou crescimento das exportações brasileiras da proteína para o país.

Com o fim do estado de emergência em virtude da pandemia, a expectativa é que o Japão aumente a demanda por produto importado, visto que o país está com os estoques locais ainda mais baixos do que historicamente, o gera uma grande oportunidade para o Brasil.

Produção de ovos cresce e estimativa para 2022 aumenta em 3% 

A produção de ovos deverá alcançar até 54,5 bilhões de unidades em 2021, número 1,8% superior ao registrado no ano anterior, com 53,5 bilhões de unidades. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 56,2 bilhões de unidades, volume 3% maior em relação a 2021.

A estimativa é encerrar 2021 com o consumo per capita a 255 unidades, número 1,5% maior que o consumo registrado em 2020, com 251 unidades, contudo superior à média mundial que é de 230 ovos por habitante/ano. E em 2022, o consumo per capita projetado deve alcançar 262 unidades, número 2,5% maior que o esperado para 2021.

Em exportações, as projeções para 2021 apontam para embarques totais de 9,5 mil toneladas, número 52,9% superior ao alcançado em 2020, com 6,2 mil toneladas. Em 2022, as vendas internacionais poderão chegar a 10,2 mil toneladas, volume que supera em 6,5% as exportações projetadas para 2021. Tanto a produção quanto o consumo per capita projetados para 2021 e 2022 são recordes históricos.

De janeiro a novembro, as exportações de ovos atingiram 8,8 mil toneladas, o que representa um crescimento de 84,2%, gerando uma receita de R$ 14 milhões no período. “Esse crescimento se deu basicamente consolidando os Emirados Árabes como principal destino das exportações de ovos do Brasil, como também do Japão, do Catar, entre outros, demonstrando que o setor está crescendo”, considera Santin.

O principal Estado exportador é o Mato Grosso, com share de 45%, seguido de Rio Grande do Sul (19%), Minas Gerais (17%), São Paulo (11%) e outros com 8%. No entanto, o total das exportações de ovos do país é menor que 0,5%. “O ovo ainda tem seu foco principal no mercado interno”, evidencia o presidente da ABPA.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Avicultura Protagonista

Na avicultura, Paraná tem crescimento acima da média e responde por 34% da produção nacional

Setor cresce mais de 6% no Estado e gera 89 mil postos de trabalho diretos em 2021, de acordo com Sindiavipar.

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Arquivo OP Rural

Responsável por um terço da produção avícola nacional, o Paraná se firma também como principal exportador da carne de frango, respondendo por 40% do produto enviado para fora do país. Até novembro, o Estado havia exportado 1,6 milhão toneladas do produto, 9% a mais em relação a 2020, movimentando no período mais de U$S 2 bilhões, segundo informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A proteína também é um dos principais contribuintes para o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira, gerando um faturamento de R$ 108,6 milhões, o que representa 9,75% do total da receita gerada, figurando em quarto lugar no ranking entre os principais contribuintes para a formação do índice. Maior produtor de carne de frango, o Paraná movimenta R$ 36 milhões em receita para o VBP do Estado, um crescimento e 19,27% em relação ao ano anterior.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano passado, foram abatidas 1,6 bilhão de aves. A produção em solo paranaense está concentrada em cerca de 18,5 mil aviários, distribuídos em 8,7 mil propriedades rurais. A atividade gera 89 mil empregos diretos na indústria e estima-se que outros 12 a 17 postos de trabalho são gerados de forma indireta, impactando mais de um milhão de paranaenses no setor.

Presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues: “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura” – Foto: Divulgação

Elevação no custo da energia elétrica, falta de mão de obra, alta no preço dos insumos, embalagens e combustíveis foram algumas das dificuldades que precisaram ser superadas ao longo de 2021 pela cadeia produtiva. Mesmo com esses desafios, o setor apresentou um crescimento superior a 6% no último ano, segundo o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar). “A avicultura paranaense teve um desempenho positivo em 2021, apesar do forte impacto gerado pelo aumento dos grãos e dos custos para conseguir se manter na atividade, ainda assim, houve ampliação nos negócios, com novos produtores entrando na atividade e outros modernizando as instalações dos aviários, mas foi um ano de dificuldade, onde o setor se mostrou ser bem resiliente, aguentou firme, gerou mais empregos e cresceu”, afirma o presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues.

Protagonista na produção avícola, o Estado representa 34% do que é produzido no país e ano após ano vem apresentando crescimento acima da média nacional. Para Rodrigues, essa evolução é reflexo da concentração da atividade pela agricultura familiar, característica fundamental para o desenvolvimento da avicultura na região Sul do país.  “A região Sul do país se destaca pela agricultura familiar, no entanto, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não tem uma produção de grãos tão farta quanto o Paraná, que produz em grande quantidade e tem uma agricultura familiar muito forte, que possibilita o desenvolvimento da avicultura. Enquanto na região Centro-Oeste tem fartura de grãos, mas não tem a agricultura familiar que nós temos, então o Paraná tem as melhores condições para o setor crescer de forma contínua”, destaca Rodrigues.

Outra característica do Estado que fortalece a atividade é a integração produtor-cooperativa, o que contribuiu para que os avicultores não fossem tão afetados pela alta dos custos de produção, uma vez que neste modelo da cadeia produtiva, a empresa integradora oferta a ração e demais insumos para a produção e os produtores são responsáveis pela mão de obra e energia elétrica da propriedade.

De olho no presente com foco no futuro

Um dos grandes desafios do setor é com os custos da energia elétrica, item que mais pesa no bolso do produtor. Com o fim do subsídio do programa Tarifa Rural Noturna (TRN), que será extinto em dezembro, o Sindiavipar busca junto as integradoras alternativas para oferecer aos avicultores, como a geração de energia solar ou a biogás. “A partir de janeiro de 2023 a conta de energia será mais cara, então é urgente a necessidade do produtor buscar novas fontes de energia a fim de minimizar seus custos e a energia solar ou a biogás são duas alternativas para isso”, salienta, exemplificando: “Um produtor que tem uma propriedade grande terá um impacto entre R$ 7 a R$ 8 mil mensal com a energia elétrica sem o subsídio, por outro lado, com a energia solar esse custo pode cair entre 60% a 90%, então é fundamental que o produtor encare a energia como um custo que pode mitigar com uma energia alternativa”.

Outra frente fomentada pelo sindicato é o Programa de Cereais de Inverno, que visa buscar outras culturas para a composição da ração em alternativa ao milho, principal componente da alimentação para aves. “Vivemos uma escassez de milho com novo patamar de preço. Pensando nisso, o Paraná tem cerca de 2.730 mil hectares que ficam em pousio (fase sem plantio) durante o inverno, área que pode ser plantada grãos como trigo, triticale, sorgo e aveia, culturas que podem substituir parte do milho na ração”, pontua.

Uma das grandes preocupações elencadas pelo presidente do Sindiavipar é em relação a sanidade avícola do plantel paranaense. “Não podemos em hipótese nenhuma correr o risco de uma enfermidade no plantel por um descuido, por isso é necessário que os produtores sigam à risca as recomendações de biosseguridade”, ressalta Rodrigues.

Otimismo

Apesar de não haver boas perspectivas para a safra de verão na região Sul, em razão da escassez hídrica que tem gerado períodos longos de estiagem, e já apresenta redução de produtividade em lavouras de milho, sobretudo no Rio Grande do Sul, Rodrigues é otimista quanto a safra de soja, plantada mais cedo, e o próximo ciclo da safra de milho, que deve ter melhores condições climáticas para o desenvolvimento da planta. “Não teremos uma safra de verão satisfatória em virtude dos problemas com a seca, mas como plantamos soja mais cedo, com perspectiva de colher no fim de janeiro acredito que teremos uma boa safra. Em seguida, vamos plantar uma grande safra de milho, em situações climáticas mais amenas, que vai beneficiar o cultivo do grão e vamos conseguir reduzir a médio prazo os custos na produção da ração, dando um fôlego para avicultura”, anseia Rodrigues.

Ele ainda diz que há muito espaço para o setor crescer em solo paranaense e que novos investimentos estão sendo projetados, no entanto a escassez de grão para produção de ração é um dos fatores que preocupa a cadeia produtiva. “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura, tanto no Estado como no país”

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Avicultura Aves, suínos e bovinos

Moduladores biológicos para inibição competitiva de patógenos no ambiente de criação

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados.

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Arquivo/OP Rural

O gênero Bacillus são bactérias Gram-positivas, produtoras de catalase e em forma de bastonete, onipresentes no solo, ar e água. Sua principal vantagem sobre outras espécies é sua capacidade inerente de formar esporos que retomam a viabilidade em condições favoráveis.

Os produtos à base de Bacillus possuem diversas aplicações de trabalho na indústria, com aplicações em quase todos os setores de produção de aves, suínos, bovinos, peixes, caprinos, etc. Como resultado, esses microrganismos estão ganhando mais interesse para uso como moduladores biológicos em processos de criação de animais, auxiliando na melhora do bem-estar animal e consequentemente melhora no desempenho zootécnico.

As bactérias do grupo Bacillus são historicamente conhecidas por sua capacidade de esporular, e os endósporos são notavelmente estáveis ​​e resistentes a agressões externas, produzindo esporos que permanecem viáveis por um longo período. As espécies de Bacillus demonstraram possuir melhores propriedades atribuíveis à sua capacidade de produzir substâncias antimicrobianas que são efetivas contra muitos microrganismos e são não patogênicas e não tóxicas, juntamente com sua capacidade de esporulação (ou seja, que estender seu período de eficácia), dá-lhes uma vantagem dupla em termos de sobrevivência (tolerância ao calor e maior vida útil) em diversos ambientes.

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados. A forma do esporo é extremamente importante para a sobrevivência das cepas e por causa de sua capacidade de produzir metabólitos os Bacillus possuem ação contra microrganismos patogênicos (Escherichia coli, Salmonella spp., Clostridium spp.). Os Bacillus apresentam atividade antimicrobiana de amplo espectro de ação e têm sido amplamente utilizados como agentes para controlar a multiplicação dessas bactérias patogênicas que estão naturalmente presentes no ambiente de criação dos animais.

Exclusão competitiva

Uma maneira de controlar a multiplicação de patógenos no ambiente de criação é a exclusão competitiva, que está relacionada à exclusão de patógenos indesejáveis ​​por microrganismos que competem com os Bacillus no ambiente. Os mecanismos usados ​​pelos Bacillus para reduzir o crescimento de espécies patogênicas variam, incluindo competição por locais físicos de fixação e espaço, competição direta e indireta por nutrientes essenciais, produção de compostos antimicrobianos, regulação do microbioma e interações sinérgicas dos mencionados mecanismos.

A produção de compostos antimicrobianos é outro mecanismo de exclusão competitiva. Os Bacillus spp. são capazes de produzir muitos peptídeos antimicrobianos como lipopeptídeos, surfactinas, bacteriocinas e substâncias inibidoras. Os mecanismos comuns de morte mediada por bacteriocina incluem a destruição de células patogênicas pela formação de poros e/ou inibição da síntese da parede celular e interrupção do DNA, RNA e metabolismo de proteínas.

Quando aplicados no ambiente, os Bacillus spp. têm a capacidade de afetar positivamente o crescimento dos microrganismos nativos, por meio do consumo de oxigênio, desenvolvendo um ambiente micro-anaeróbio mais favorável, apoiando assim o crescimento de espécies necessárias proporcionando melhoras de ambiência e consequentemente o bem-estar animal.

Outro mecanismo de exclusão competitiva é a absorção competitiva de nutrientes essenciais necessários para o crescimento do patógeno. A absorção mais rápida de nutrientes como carbono, glicose e ferro permite que ocorra inibição do crescimento do patógeno. Sendo Bacillus spp. um heterotrófico e fastidioso que têm uma maior taxa de utilização de carbono orgânico e proteína que lhes permite vencer os microrganismos patogênicos. Além disso, algumas dessas bactérias produzem ácido láctico, facilitando a exclusão de patógenos sensíveis ao pH.

Contudo, quanto menor o número de bactérias patogênicas presentes no ambiente, menor é a ativação do sistema imunológico, enquanto mantém a tolerância aos antígenos de alimentos e bactérias comensais, promovendo ganhos nos indicadores zootécnicos como conversão alimentar e diminuição da mortalidade detalhados na Figura 1.

Os principais efeitos benéficos dos Bacillus spp. na ambiência e bem-estar animal, os mesmos apresentam vantagens auxiliares em relação ao tratamento de resíduos desses estabelecimentos, pois a natureza intensiva da produção tem gerado preocupações ambientais, enquanto os produtores estão sob intensa pressão para cumprir os regulamentos já que os principais resíduos provenientes da indústria avícola são compostos por esterco, efluentes e emissões de amônia.

A exposição prolongada às concentrações de amônia pode levar a uma diminuição na eficiência alimentar, aumento da suscetibilidade a doenças, perda e danos desses animais. Além disso, também representa um risco para a saúde dos trabalhadores agrícolas, sendo os Bacillus uma solução eficaz e segura a esses locais.

Na mesma via, o aumento nos estudos sobre Bacillus spp. parece indicar maior prova da adequação desse gênero como modulador biológico na fase de criação de animais para produção de alimentos para obter o melhor desempenho e rentabilidade na produção animal de aves, bovinos e suínos conforme pode ser observado na Figura 1.

Figura 1 – Índice de conversão e mortalidade de aves e suínos com a utilização de moduladores biológico.

Fonte: Por Paulo Cesar Guarnieri e Vinicius Badia, da Engenutri
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ANPARIO 2021

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