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Vacinação massal controla e estabiliza sanidade do plantel de suínos

A suinocultura enfrenta o desafio de encontrar soluções ecológicas e éticas para garantir a saúde e o bem-estar dos animais, ao mesmo tempo em que preserva a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

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O confinamento de suínos na produção tecnificada favoreceu a população de patógenos importantes e de grande impacto econômico. Com isso, a suinocultura ainda enfrenta uma série de desafios sanitários, especialmente devido à resistência de alguns patógenos no sistema de produção atual. Para enfrentar esses desafios, têm sido adotadas diversas abordagens, incluindo práticas de manejo aprimoradas, melhorias nas condições de ambiência e instalações, bem como estratégias antimicrobianas e vacinais, com objetivo de controlar doenças e minimizar os prejuízos econômicos, buscando uma produção mais eficiente.

Contudo, uma preocupação cada vez mais presente é a integração da saúde animal, humana e ambiental, conhecida como Saúde Única. Essa abordagem questiona o uso indiscriminado de antibioticoterapia na produção animal, levantando a necessidade de revisão das práticas atuais.

Nesse contexto, a suinocultura enfrenta o desafio de encontrar soluções ecológicas e éticas para garantir a saúde e o bem-estar dos animais, ao mesmo tempo em que preserva a saúde pública e o equilíbrio ambiental. “Uma das principais estratégias de controle de doenças em suínos é, e continuará a ser, o uso de protocolos vacinais, que, de forma geral, conferem proteção parcial aos animais, resultando na diminuição dos sinais clínicos e lesões, além de controlar a excreção e transmissão de patógenos”, afirmou a professora adjunta da Universidade Feevale, Karine Ludwig Takeuti, durante sua palestra sobre os aspectos básicos da vacinação massal em suínos no 15º Simpósio Internacional de Suinocultura, realizado em meados de maio, em Porto Alegre, RS.

Embora as vacinas sejam aplicadas individualmente, conferindo proteção ao animal em si, os protocolos vacinais possuem um efeito de rebanho, em que toda a população se beneficia. “A vacinação massal consiste na aplicação de vacinas em toda a população de suínos, independente da fase em que se encontra, com o objetivo de gerar proteção tanto individual quanto de rebanho”, pontua.

Professora adjunta da Universidade Feevale, Karine Ludwig Takeuti – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Apesar da imunidade do plantel estar geralmente associada às vacinas utilizadas ao desmame, Karine diz que geralmente o conceito de vacinação massal está relacionado ao plantel reprodutivo, como leitoas e porcas em fase gestacional, no pré-parto ou lactantes. De acordo com a profissional, a aplicação dos protocolos massais podem ter como objetivos a estabilização sanitária do plantel através da diminuição das taxas de excreção e circulação do patógeno entre indivíduos, aumento de imunidade e redução de sinais clínicos e lesões, ou ainda podem ser utilizados na erradicação de um agente infeccioso.

Estabilização sanitária do plantel

Apesar de escassos os estudos sobre o efeito da vacinação massal no controle de doenças nas granjas, alguns autores têm apresentado pesquisas nos últimos anos que demonstram os benefícios do seu uso para controlar os efeitos causados pelo Circovírus Suíno Tipo 2 (PCV2). “A vacinação do plantel reprodutivo contra PCV2 a cada ciclo produtivo em um período de três anos resultou no aumento do número de leitões nascidos vivos, no peso dos leitões ao nascimento e no número de leitões desmamados”, exalta Karine.

De acordo com um docente da Feevale, em um estudo recente realizado com quatro grupos de leitoas e porcas, sendo cada grupo vacinado contra PCV2 em diferentes momentos: pré-cobertura, meio da gestação, fim da gestação e um grupo não vacinado. Essa abordagem buscou simular uma vacinação massal, permitindo a observação dos efeitos da imunização em cada categoria de fêmeas. “Mesmo que a granja utilizada no estudo tivesse infecção subclínica para PCV2, alguns benefícios foram observados nas matrizes vacinadas e sua progênie, como aumento da imunidade, redução da circulação do vírus ao parto e de transmissão vertical para os fetos”, evidencia Karine, acrescentando: “Além disso, houve um aumento no peso dos leitões ao nascimento e ao desmame, e uma redução no número de leitões uniformizados, o que poderia contribuir no melhor controle na transmissão do vírus entre leitegadas nos grupos cujas mães foram vacinadas. Também foi observada uma tendência na redução do número de mumificados no grupo vacinado pré-cobertura”.

Eficácia das vacinas

Em uma pesquisa, a vacinação massal do plantel reprodutivo foi realizada em uma granja que passava por um surto de Influenza A H1N2 em leitões lactentes e de creche. Após uma tentativa de controlar o surto com uso de vacinas autógenas pré-parto, optou-se por vacinar de forma massal todo o plantel reprodutivo com duas doses de uma vacina comercial. Depois das aplicações, o rebanho reprodutivo e sua progênie foram monitorados por 13 semanas através de PCR e sorologia. “Após a vacinação massal foi observado que os índices de anticorpos contra Influenza aumentaram de forma expressiva no plantel reprodutivo e a prevalência de porcas e leitões lactentes que estavam excretando o vírus reduziu progressivamente até que nenhum leitão de maternidade ou de creche fosse detectado positivo para Influenza por PCR, indicando que houve uma redução significativa na circulação viral, controlando os casos clínicos na granja”, explica Karine, ampliando: “Além disso, como os anticorpos maternos para Influenza podem promover uma proteção dos leitões por até oito a 10 semanas pós-nascimento, a progênie teria uma maior imunidade nas fases subsequentes, embora não se exclua a possibilidade dos animais se contaminarem nestas fases, já que há mistura de leitegadas e até mesmo de origens”.

No Brasil, outro pesquisador realizou um estudo comparativo entre duas granjas produtoras de leitões, uma que fazia a vacinação massal do plantel reprodutivo contra Mycoplasma (M.) hyopneumoniae há 13 anos, enquanto a outra não tinha histórico de vacinação massal. O objetivo era avaliar o efeito da vacinação de matrizes na imunidade humoral gerada em primíparas, multíparas e sua progênie.

Os resultados revelaram que as primíparas da granja com vacinação em massa apresentaram índices de ingestão para M. hyopneumoniae significativamente maiores do que as multíparas da mesma granja e também em comparação às primíparas e multíparas da granja sem histórico de protocolos vacinais em massa. “Da mesma forma, os leitões filhos dessas primíparas da granja com vacinação massal também apresentavam maiores índices de anticorpos 24 horas pós-parto, indicando que houve passagem de anticorpos maternos para os leitões pelo colostro nas primeiras horas de vida. Como as leitoas tiveram intervalos vacinais mais curtos quando comparadas às porcas, sugere-se que tenha ocorrido um efeito booster vacinal”, expõe Karine.

Embora não tenha sido avaliado no estudo, a palestrante diz que é possível que essa maior imunidade conferida às matrizes e a seus leitões tenha um efeito benéfico em reduzir a excreção da bactéria pelas mães, diminuindo a colonização de suas leitegadas durante a lactação.

Protocolos de vacinação massal

A docente da Feevale afirma que protocolos de vacinação massal são importantes para serem usados durante o processo de aclimatação de leitoas, quando elas são introduzidas na granja e também na preparação para o início da vida reprodutiva. “Os índices de anticorpos das vacinas realizadas no pós-desmame conferem cobertura limitada e começam a declinar com o início do ciclo reprodutivo, sendo, em alguns casos, recomendada a realização de exames laboratoriais para análise dos níveis de anticorpos ou para detectar possíveis enfermidades, a fim de avaliar a necessidade de proteção vacinal”, admite Karine.

Entre alguns exemplos práticos e que eventualmente ocorrem, a profissional cita a contaminação por M. hyopneumoniae ou Actinobacillus (A.) pleuropneumoniae em granjas que anteriormente eram consideradas negativas para esses patógenos. “Além disso, pode ocorrer a entrada de um novo sorotipo bacteriano ou viral em uma granja cujas variantes não possuem proteção cruzada entre si, como é o caso de Glaesserella (G.) parasuis e A. pleuropneumoniae”, pontua.

Karine reforça que quando um novo patógeno ou sorotipo entra em um plantel sem imunidade, isso pode desestabilizar a sanidade da granja, provocando uma exacerbação dos sinais clínicos e lesões. Isso, por sua vez, pode levar a um aumento significativo nas perdas por mortalidade e redução no desempenho dos animais.

No caso da contaminação por M. hyopneumoniae, Karine diz que a vacinação em massa do plantel reprodutivo pode ser utilizada como uma medida para estabilizar a granja e minimizar os efeitos causados pela entrada do patógeno. “Essa estratégia é adotada até que seja tomada uma decisão sobre a convivência com a bactéria ou a implementação de um plano de erradicação”, sublinha.
No caso da entrada de novos sorotipos, como G. parasuis e A. pleuropneumoniae, embora o impacto direto não seja no plantel reprodutivo, a vacinação em massa pode ser aplicada como uma estratégia para aumentar a imunidade passiva fornecida aos leitões durante o período lactacional.

Erradicação de agentes infecciosos

Entre as estratégias de erradicação de doenças. Karine adianta que podem envolver uma série de manejos, incluindo a aplicação de vacinação em massa. Um exemplo é a Espanha, onde a Doença de Aujeszky foi oficialmente erradicada em 2011 após a vacinação compulsória de todo o plantel reprodutivo simultaneamente, com no mínimo três vezes por ano; das terminações com no mínimo duas doses; e das leitoas três vezes antes de iniciarem a vida reprodutiva.

Outro exemplo citado pela professora é a aplicação dos principais protocolos de erradicação de M. hyopneumoniae, que envolvem medidas como medicação com e sem o fechamento do plantel. “Nesses protocolos, a vacinação de todo o plantel e o uso de antibioticoterapia são etapas fundamentais para o sucesso dos programas. Essas estratégias são adotadas porque os animais são expostos a um inóculo positivo da bactéria e as vacinas podem auxiliar na redução de sinais clínicos e lesões ou até mesmo no tempo de excreção da bactéria”, descreve Karine.

Em um estudo realizado por outro pesquisador sobre o PCV2, foi avaliado se seria possível erradicar o vírus de um plantel com infecção subclínica por meio de uma estratégia de vacinação em massa. Nessa abordagem, o plantel reprodutivo foi vacinado a cada três meses e os leitões receberam duas doses da vacina após o desmame, durante um período total de 12 meses. Durante esse período de vacinação, os resultados mostraram que a pressão de infecção do PCV2 foi reduzida significativamente, chegando ao ponto em que o vírus não era mais detectável.

No entanto, após um ano de avaliação, o uso da vacina em massa foi suspenso e o vírus passou a ser detectado quatro meses depois, sugerindo duas hipóteses: uma reinfecção do plantel ou que o PCV2 nunca havia sido eliminado de fato da granja.

As ações estratégicas oficiais de vacinação em massa são também empregadas para controlar e erradicar doenças que podem afetar a saúde do plantel nacional e ter impacto nos processos de exportação para outros países. Um exemplo disso é o Plano Estratégico Brasil Livre de Peste Suína Clássica, que atualmente inclui o uso estratégico de vacinação em massa em estados onde a doença está presente. “O objetivo principal desse plano é erradicar a Peste Suína Clássica na zona não livre, com o intuito de reduzir as perdas diretas e indiretas causadas pela doença e, ao mesmo tempo, gerar benefícios por meio do status sanitário de país livre. A erradicação da doença através da vacinação em massa é uma medida essencial para proteger a indústria suinícola nacional, garantir a segurança alimentar e viabilizar a exportação de produtos suínos para mercados internacionais”, enfatiza Karine.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural

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ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra

Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

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A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.

O desafio dos custos de produção

O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.

A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.

Principais propostas para o Plano Safra

Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:

Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.

Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.

Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.

Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.

Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).

Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.

Importância econômica e segurança alimentar

Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.

Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria ACCS
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Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira

Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

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Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra

Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.

Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).

Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.

A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.

Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.

Prevenção

A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.

Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.

Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.

Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.

Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Exportações de suínos do Paraná atingem 21,36 mil toneladas em março

Volume cresce 10,1% em relação a 2025, com forte demanda internacional.

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A suinocultura paranaense enviou 21,36 mil toneladas para o mercado externo em março de 2026, configurando o melhor desempenho exportador para este mês, segundo o boletim semanal do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgado nesta quinta-feira (16).

O resultado foi impulsionado pela demanda do mercado filipino, que importou 4,64 mil toneladas no terceiro mês de 2026, um aumento de 86,9% (2,16 mil toneladas) em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Março registrou o quarto melhor resultado da história, ficando atrás apenas dos volumes exportados em setembro (25,18 mil t), outubro (22,18 mil t) e dezembro (22,12 mil t) do ano passado.

Foto: Fernando Dias

Os dados da plataforma Comex Stat/MDIC, que levantam os números das exportações brasileiras desde 1997, mostram que as 21,36 mil toneladas exportadas em março representam um aumento de 10,1% em relação a março de 2025. Esse padrão de resultados recordes vem sendo observado no Paraná desde julho de 2024.

O boletim traz notícias positivas também para a pecuária leiteira. Após a alta no preço do leite no varejo, evidenciada na última pesquisa elaborada pelo Deral referente ao mês de março, o valor recebido pelo produtor também passou a se movimentar no mesmo sentido na última semana. Houve um avanço de 12,8% em relação à semana anterior.

“O pecuarista passou a receber, em média, R$ 2,43 por litro posto na indústria, ante R$ 2,15 registrados na pesquisa anterior. O período de entressafra das pastagens, aliado à redução na captação, é o principal fator por trás da valorização do produto”, explicou o veterinário do Deral Thiago de Marchi da Silva.

Frango

O custo de produção do frango vivo no Paraná está estabilizado em R$ 4,72/kg, informa o técnico do Deral, Roberto Carlos de Andrade e Silva. Já o preço nominal médio pago ao produtor fechou o mês passado em R$ 4,59/kg – 2,75% menor que no mês anterior.

A alta dos insumos é a principal causa do aumento dos custos de produção. Segundo informações da Deral, o preço do milho no atacado paranaense, em março, atingiu R$ 62,92 a saca de 60 kg, representando um aumento de 2,5% em relação ao mês anterior. Roberto Carlos ressalta que os indicadores de março ainda não sofreram os impactos do conflito entre Estados Unidos/Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro.

“Como a guerra teve início no fechamento do bimestre, os números de março ainda não refletiram os custos dos insumos que tendem a subir num cenário de guerra, mesmo que bem longe do Brasil”, observou.

Óleo de soja

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Houve redução no valor do óleo de soja no varejo nos primeiros três meses do ano, em comparação ao preço médio de 2025. A redução se deve à retração do preço da soja em grão. Em março, o preço recebido pelo produtor de soja fechou em R$ 115,09 por saca de 60 quilos, 3% inferior à média de 2025.

A pesquisa de preços no varejo, realizada mensalmente pelo Deral, apontou que a embalagem de 900ml de óleo de soja foi comercializada no Estado a R$ 7,25, na média, em março, enquanto no ano passado era de R$ 7,42. Assim, os preços atuais estão 2,3% menores em relação à média de 2025. Já na comparação com fevereiro, houve alta de 2,1%.

Fonte: AEN-PR
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