Suínos
Vacinação massal controla e estabiliza sanidade do plantel de suínos
A suinocultura enfrenta o desafio de encontrar soluções ecológicas e éticas para garantir a saúde e o bem-estar dos animais, ao mesmo tempo em que preserva a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

O confinamento de suínos na produção tecnificada favoreceu a população de patógenos importantes e de grande impacto econômico. Com isso, a suinocultura ainda enfrenta uma série de desafios sanitários, especialmente devido à resistência de alguns patógenos no sistema de produção atual. Para enfrentar esses desafios, têm sido adotadas diversas abordagens, incluindo práticas de manejo aprimoradas, melhorias nas condições de ambiência e instalações, bem como estratégias antimicrobianas e vacinais, com objetivo de controlar doenças e minimizar os prejuízos econômicos, buscando uma produção mais eficiente.
Contudo, uma preocupação cada vez mais presente é a integração da saúde animal, humana e ambiental, conhecida como Saúde Única. Essa abordagem questiona o uso indiscriminado de antibioticoterapia na produção animal, levantando a necessidade de revisão das práticas atuais.
Nesse contexto, a suinocultura enfrenta o desafio de encontrar soluções ecológicas e éticas para garantir a saúde e o bem-estar dos animais, ao mesmo tempo em que preserva a saúde pública e o equilíbrio ambiental. “Uma das principais estratégias de controle de doenças em suínos é, e continuará a ser, o uso de protocolos vacinais, que, de forma geral, conferem proteção parcial aos animais, resultando na diminuição dos sinais clínicos e lesões, além de controlar a excreção e transmissão de patógenos”, afirmou a professora adjunta da Universidade Feevale, Karine Ludwig Takeuti, durante sua palestra sobre os aspectos básicos da vacinação massal em suínos no 15º Simpósio Internacional de Suinocultura, realizado em meados de maio, em Porto Alegre, RS.
Embora as vacinas sejam aplicadas individualmente, conferindo proteção ao animal em si, os protocolos vacinais possuem um efeito de rebanho, em que toda a população se beneficia. “A vacinação massal consiste na aplicação de vacinas em toda a população de suínos, independente da fase em que se encontra, com o objetivo de gerar proteção tanto individual quanto de rebanho”, pontua.

Professora adjunta da Universidade Feevale, Karine Ludwig Takeuti – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Apesar da imunidade do plantel estar geralmente associada às vacinas utilizadas ao desmame, Karine diz que geralmente o conceito de vacinação massal está relacionado ao plantel reprodutivo, como leitoas e porcas em fase gestacional, no pré-parto ou lactantes. De acordo com a profissional, a aplicação dos protocolos massais podem ter como objetivos a estabilização sanitária do plantel através da diminuição das taxas de excreção e circulação do patógeno entre indivíduos, aumento de imunidade e redução de sinais clínicos e lesões, ou ainda podem ser utilizados na erradicação de um agente infeccioso.
Estabilização sanitária do plantel
Apesar de escassos os estudos sobre o efeito da vacinação massal no controle de doenças nas granjas, alguns autores têm apresentado pesquisas nos últimos anos que demonstram os benefícios do seu uso para controlar os efeitos causados pelo Circovírus Suíno Tipo 2 (PCV2). “A vacinação do plantel reprodutivo contra PCV2 a cada ciclo produtivo em um período de três anos resultou no aumento do número de leitões nascidos vivos, no peso dos leitões ao nascimento e no número de leitões desmamados”, exalta Karine.
De acordo com um docente da Feevale, em um estudo recente realizado com quatro grupos de leitoas e porcas, sendo cada grupo vacinado contra PCV2 em diferentes momentos: pré-cobertura, meio da gestação, fim da gestação e um grupo não vacinado. Essa abordagem buscou simular uma vacinação massal, permitindo a observação dos efeitos da imunização em cada categoria de fêmeas. “Mesmo que a granja utilizada no estudo tivesse infecção subclínica para PCV2, alguns benefícios foram observados nas matrizes vacinadas e sua progênie, como aumento da imunidade, redução da circulação do vírus ao parto e de transmissão vertical para os fetos”, evidencia Karine, acrescentando: “Além disso, houve um aumento no peso dos leitões ao nascimento e ao desmame, e uma redução no número de leitões uniformizados, o que poderia contribuir no melhor controle na transmissão do vírus entre leitegadas nos grupos cujas mães foram vacinadas. Também foi observada uma tendência na redução do número de mumificados no grupo vacinado pré-cobertura”.
Eficácia das vacinas

Em uma pesquisa, a vacinação massal do plantel reprodutivo foi realizada em uma granja que passava por um surto de Influenza A H1N2 em leitões lactentes e de creche. Após uma tentativa de controlar o surto com uso de vacinas autógenas pré-parto, optou-se por vacinar de forma massal todo o plantel reprodutivo com duas doses de uma vacina comercial. Depois das aplicações, o rebanho reprodutivo e sua progênie foram monitorados por 13 semanas através de PCR e sorologia. “Após a vacinação massal foi observado que os índices de anticorpos contra Influenza aumentaram de forma expressiva no plantel reprodutivo e a prevalência de porcas e leitões lactentes que estavam excretando o vírus reduziu progressivamente até que nenhum leitão de maternidade ou de creche fosse detectado positivo para Influenza por PCR, indicando que houve uma redução significativa na circulação viral, controlando os casos clínicos na granja”, explica Karine, ampliando: “Além disso, como os anticorpos maternos para Influenza podem promover uma proteção dos leitões por até oito a 10 semanas pós-nascimento, a progênie teria uma maior imunidade nas fases subsequentes, embora não se exclua a possibilidade dos animais se contaminarem nestas fases, já que há mistura de leitegadas e até mesmo de origens”.
No Brasil, outro pesquisador realizou um estudo comparativo entre duas granjas produtoras de leitões, uma que fazia a vacinação massal do plantel reprodutivo contra Mycoplasma (M.) hyopneumoniae há 13 anos, enquanto a outra não tinha histórico de vacinação massal. O objetivo era avaliar o efeito da vacinação de matrizes na imunidade humoral gerada em primíparas, multíparas e sua progênie.
Os resultados revelaram que as primíparas da granja com vacinação em massa apresentaram índices de ingestão para M. hyopneumoniae significativamente maiores do que as multíparas da mesma granja e também em comparação às primíparas e multíparas da granja sem histórico de protocolos vacinais em massa. “Da mesma forma, os leitões filhos dessas primíparas da granja com vacinação massal também apresentavam maiores índices de anticorpos 24 horas pós-parto, indicando que houve passagem de anticorpos maternos para os leitões pelo colostro nas primeiras horas de vida. Como as leitoas tiveram intervalos vacinais mais curtos quando comparadas às porcas, sugere-se que tenha ocorrido um efeito booster vacinal”, expõe Karine.
Embora não tenha sido avaliado no estudo, a palestrante diz que é possível que essa maior imunidade conferida às matrizes e a seus leitões tenha um efeito benéfico em reduzir a excreção da bactéria pelas mães, diminuindo a colonização de suas leitegadas durante a lactação.
Protocolos de vacinação massal
A docente da Feevale afirma que protocolos de vacinação massal são importantes para serem usados durante o processo de aclimatação de leitoas, quando elas são introduzidas na granja e também na preparação para o início da vida reprodutiva. “Os índices de anticorpos das vacinas realizadas no pós-desmame conferem cobertura limitada e começam a declinar com o início do ciclo reprodutivo, sendo, em alguns casos, recomendada a realização de exames laboratoriais para análise dos níveis de anticorpos ou para detectar possíveis enfermidades, a fim de avaliar a necessidade de proteção vacinal”, admite Karine.
Entre alguns exemplos práticos e que eventualmente ocorrem, a profissional cita a contaminação por M. hyopneumoniae ou Actinobacillus (A.) pleuropneumoniae em granjas que anteriormente eram consideradas negativas para esses patógenos. “Além disso, pode ocorrer a entrada de um novo sorotipo bacteriano ou viral em uma granja cujas variantes não possuem proteção cruzada entre si, como é o caso de Glaesserella (G.) parasuis e A. pleuropneumoniae”, pontua.
Karine reforça que quando um novo patógeno ou sorotipo entra em um plantel sem imunidade, isso pode desestabilizar a sanidade da granja, provocando uma exacerbação dos sinais clínicos e lesões. Isso, por sua vez, pode levar a um aumento significativo nas perdas por mortalidade e redução no desempenho dos animais.
No caso da contaminação por M. hyopneumoniae, Karine diz que a vacinação em massa do plantel reprodutivo pode ser utilizada como uma medida para estabilizar a granja e minimizar os efeitos causados pela entrada do patógeno. “Essa estratégia é adotada até que seja tomada uma decisão sobre a convivência com a bactéria ou a implementação de um plano de erradicação”, sublinha.
No caso da entrada de novos sorotipos, como G. parasuis e A. pleuropneumoniae, embora o impacto direto não seja no plantel reprodutivo, a vacinação em massa pode ser aplicada como uma estratégia para aumentar a imunidade passiva fornecida aos leitões durante o período lactacional.
Erradicação de agentes infecciosos
Entre as estratégias de erradicação de doenças. Karine adianta que podem envolver uma série de manejos, incluindo a aplicação de vacinação em massa. Um exemplo é a Espanha, onde a Doença de Aujeszky foi oficialmente erradicada em 2011 após a vacinação compulsória de todo o plantel reprodutivo simultaneamente, com no mínimo três vezes por ano; das terminações com no mínimo duas doses; e das leitoas três vezes antes de iniciarem a vida reprodutiva.
Outro exemplo citado pela professora é a aplicação dos principais protocolos de erradicação de M. hyopneumoniae, que envolvem medidas como medicação com e sem o fechamento do plantel. “Nesses protocolos, a vacinação de todo o plantel e o uso de antibioticoterapia são etapas fundamentais para o sucesso dos programas. Essas estratégias são adotadas porque os animais são expostos a um inóculo positivo da bactéria e as vacinas podem auxiliar na redução de sinais clínicos e lesões ou até mesmo no tempo de excreção da bactéria”, descreve Karine.
Em um estudo realizado por outro pesquisador sobre o PCV2, foi avaliado se seria possível erradicar o vírus de um plantel com infecção subclínica por meio de uma estratégia de vacinação em massa. Nessa abordagem, o plantel reprodutivo foi vacinado a cada três meses e os leitões receberam duas doses da vacina após o desmame, durante um período total de 12 meses. Durante esse período de vacinação, os resultados mostraram que a pressão de infecção do PCV2 foi reduzida significativamente, chegando ao ponto em que o vírus não era mais detectável.
No entanto, após um ano de avaliação, o uso da vacina em massa foi suspenso e o vírus passou a ser detectado quatro meses depois, sugerindo duas hipóteses: uma reinfecção do plantel ou que o PCV2 nunca havia sido eliminado de fato da granja.
As ações estratégicas oficiais de vacinação em massa são também empregadas para controlar e erradicar doenças que podem afetar a saúde do plantel nacional e ter impacto nos processos de exportação para outros países. Um exemplo disso é o Plano Estratégico Brasil Livre de Peste Suína Clássica, que atualmente inclui o uso estratégico de vacinação em massa em estados onde a doença está presente. “O objetivo principal desse plano é erradicar a Peste Suína Clássica na zona não livre, com o intuito de reduzir as perdas diretas e indiretas causadas pela doença e, ao mesmo tempo, gerar benefícios por meio do status sanitário de país livre. A erradicação da doença através da vacinação em massa é uma medida essencial para proteger a indústria suinícola nacional, garantir a segurança alimentar e viabilizar a exportação de produtos suínos para mercados internacionais”, enfatiza Karine.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Suínos
Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol
Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”
Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.
Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.
Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.
Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock
A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.
A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.
Produção segura e rentável
De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.
Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.



