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Suínos / Peixes Nutrição

Utilização eficiente dos óleos e gorduras pelo suíno

Desafio do nutricionista é atender os requerimentos utilizando matérias primas com variabilidades na composição química

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Mara Costa, doutora em Medicina Veterinária e gerente de Serviços Técnicos em Suinocultura da Kemin

Um dos fatores para a máxima performance é o uso eficiente dos nutrientes pelo animal, obtido com rações balanceadas. O desafio do nutricionista é atender os requerimentos utilizando matérias primas com variabilidades na sua composição química.

Utilizar fontes de lipídeos nas dietas permite aumentar a densidade energética e, consequentemente, promover performance zootécnica, principalmente em fases com alto requerimento nutricional ou consumo limitado. Incluir óleos/gorduras nas rações permite o fornecimento de ácidos graxos essenciais e vitaminas lipossolúveis e o aumento do consumo ocorre pela melhora na palatabilidade. A diminuição na formação de pó e melhora do processo de peletização são outros benefícios no uso.

A maioria dos óleos/gorduras utilizados na nutrição animal são coprodutos de indústrias e classificados apenas pela sua origem (ex. óleo de soja e gordura suína). A origem, processamentos, qualidade e características químicas são responsáveis pela variabilidade do valor energético.

A escolha da fonte, muitas vezes, se limita à disponibilidade e ao custo. A referência do valor de energia vem de tabelas, e geralmente, é a média de um número pequeno de amostras analisadas.

Digestibilidade e valor energético

A digestão dos lipídeos ocorre efetivamente no duodeno. Os lipídeos na forma de triglicerídeos são emulsificados pelos sais biliares e hidrolisados em monoglicerídeos e ácidos graxos livres pela lipase. Os monoglicerídeos formarão as micelas que serão absorvidas e convertidas em energia.

Diversos fatores podem atuar na efetividade e velocidade do processo. O fator inerente ao animal é sua idade, leitões na fase de creche (jovens) produzem menos sais biliares e lipase e, com isso, a digestibilidade dos lipídeos é menor.

Os fatores relacionados à composição química são grau de saturação, tamanho da cadeia e quantidade de ácidos graxos livres. Em relação à origem e processamento, tem-se o grau de oxidação e quantidade de impurezas.

Os ácidos graxos insaturados são mais digestíveis que os saturados, as cadeias polares são mais solúveis e facilmente incorporadas às micelas. Ao aumentar o grau de insaturação, a relação de ácido graxo insaturado/saturado aumenta com aumento da digestibilidade, entretando esse aumento não é linear.

Os triglicérideos têm valor energético superior aos ácidos graxos livres. Ao aumentar a proporção de ácidos graxos livres tem-se redução linear no valor.

O perfil de ácidos graxos permite qualificar e quantificar as diferentes cadeias presentes no óleo/gordura. As cadeias possuem diferentes rotas metabólicas e diferentes valores de digestibilidade.

Os fatores de diluição diminuem o valor energético e eles podem ser gerados durante o processamento. Os diluentes utilizados na extração e purificação são considerados contaminantes quando presentes.

Grande parte dos processos para obtenção dos óleos/gorduras são com tratamento quente e presença do oxigênio. Os radicais lipídicos são instáveis, principalmente quanto mais insaturado e propensos à oxidação. A oxidação lipídica pode oxidar vitaminas e produzir substâncias toxicas com comprometimento da integridade intestinal. O uso de antioxidantes quanto mais cedo possível é indicado para proteção.

Diante da variabilidade das fontes, analisar esses fatores permite calcular a digestibilidade e estimar o valor energético. Essa avaliação auxilia na escolha, permitindo formulações mais balanceadas e precisas.

Benefícios do uso na suinocultura

Com linhagens prolíferas e alta capacidade de ganho de peso, a exigência nutricional aumentou. Fêmeas em lactação necessitam de alto nível de energia para manutenção e produção de leite. O estresse calórico contribui para o baixo consumo, e o requerimento de energia/dia não é alcançado. O déficit de energia terá efeito na gestação seguinte, aumentando o intervalo desmame cobertura e diminuição da longevidade da fêmea. A produção de leite será afetada, diminuindo a performance dos leitões na maternidade.

O uso de óleo/gordura nesta fase é indicado para a alta produção de leite e menor desgaste corporal da fêmea. Antes do parto, o uso aumenta a porcentagem de gordura no colostro/leite, com repercussão na saúde e no desenvolvimento do leitão.

O desempenho dos leitões após o desmame é fundamental para sua performance futura. O estresse do desmame leva a baixa capacidade de ingestão, não permitindo o consumo ideal. A consequência é o baixo ganho de peso e aumento das diarreias. O uso de óleos/gorduras nas dietas é indicado para atender o requerimento.

Conforme se desenvolve, o animal estabiliza o consumo com os níveis de energia da dieta. Na fase de engorda, o uso permite níveis adequados de energia e a resposta é a melhor conversão alimentar e carcaça. Em estresse calórico, o consumo é comprometido, e aumentar a densidade energética é essencial.

Melhoradores de absorção

Produtos que aumentem a digestibilidade e aproveitamento dos lipídeos são indicados para aumentar a performance e rentabilidade, já que a energia é um dos itens de maior custo nas rações.

Os fosfolipídeos, classificados como emulsificantes, atuam apenas na emulsificação e a melhora da digestibilidade é a consequência deste processo. A indústria de emulsificantes tem evoluído e novos compostos, como os lisofosfolipídeos, comprovaram ser mais efetivos.

Estudos recentes demonstraram que ao incorporar outros componentes aos emulsificantes, a emulsificação se torna mais rápida e estável, e a ação direta destes no processo de hidrólise e absorção permitem absorção dos demais nutrientes. Devido a essas ações e o efeito positivo na integridade intestinal, a nova geração passa a ser conhecida como melhoradores de absorção.

Os melhoradores de absorção permitem aumentar a energia disponível na ração,  assim como o uso mais eficaz pelos animais com benefícios mensuráveis  de acordo com a  fase utilizada.

Na fase de lactação houve aumento da produção e qualidade do leite, com menor desgaste corporal das fêmeas ao final da lactação. O aumento da produção de leite foi comprovado com leitegadas mais uniformes e pesadas no desmame.

Em animais jovens, o efeito será sobre os níveis de sais biliares e lipase. Em dietas de creche, o benefício foi melhor conversão alimentar, devido ao aumento no ganho de peso com menor consumo de ração.

Em crescimento e terminação, o uso atende diversos cenários. Quando usado “on top”, os animais tiveram aumento da performance e melhor conversão alimentar. Com o benefício do aumento da digestibilidade, uma outra forma de uso é a substituição de parte do óleo/gordura, mantendo o resultado com menor custo de formulação através de valorização da matriz nutricional.

Melhorar a digestibilidade dos nutrientes permite promover saúde intestinal, uma estratégia essencial  diante do uso restrito de melhoradores de desempenho. Ao aumentar a absorção, diminui-se a oferta de nutrientes que quando em excesso são utilizados como substrato para as bactérias patogênicas.  A diminuição da excreção dos nutrientes em excesso também contribuem com o meio ambiente, promovendo uma produção mais sustentável.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Antimicrobianos, seu uso e desafios

Grandes desafios ainda estarão por vir se não adotarmos o uso criterioso de antimicrobianos nos rebanhos destinados à produção

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Julio Pupa, médico veterinário, doutorado em Alimentação e Negócios, consultor na área de monogástricos

Como médico veterinário e com especialização em nutrição animal, diria que a retirada ou a redução dos antibióticos na criação de suínos, principalmente por meio das rações, poderá ser alcançada com uma dieta balanceada, com um consumo de alimentos eficientes nas fases e categorias da criação. Esta seria uma das soluções mais prudentes junto às outras medidas bem citadas na zootecnia: genética, higidez, instalações e manejo sanitário. O uso de ingredientes de boa qualidade nutricional e livres de contaminantes, juntamente com o uso de aditivos com foco na saúde intestinal, na digestibilidade e na imunidade dos animais é fundamental para manter a granja sustentável e lucrativa no futuro.

Alternativas para a redução do uso de antimicrobianos vêm sendo utilizadas a algum tempo, como o uso dos acidificantes, probióticos, prebióticos, herbais, óleos essenciais, enzimas, adoçantes, adsorventes de micotoxinas e melhorias no programa vacinal.

As várias regiões de produção tecnificada do Brasil possuem altas densidades de granjas e de animais por m², com práticas de mistura de leitões de origens diferentes, além de outras atividades que dificultam a biosseguridade dos lotes e rebanhos. Nesse contexto, temos os desafios das doenças endêmicas – as emergentes e as reemergentes – a serem controladas pelos antimicrobianos. Esse assunto vem levantando debates quanto ao real potencial de risco à saúde humana, onde já ouvimos autoridades no assunto garantirem que na cadeia de produção e no consumo de carne não há como fomentar as bactérias de resistência. Porém, há pesquisas desenvolvidas a partir de técnicas de genomas que afirmam que bactérias intestinais alteraram seus genes funcionais, principalmente por dosagens sub terapêuticas e do uso contínuo de promotores de crescimento.

A resistência a agentes físicos e químicos pelos microrganismos é um fenômeno conhecido desde o início da era microbiana. No entanto, nos tempos atuais, a produção de antibióticos diminuiu de forma bastante considerável, visto que a velocidade com que tem surgido bactérias multirresistentes, capazes de inativar a ação destas substâncias, é superior à velocidade com que eles estão sendo desenvolvidos. E, ao mesmo tempo, a disponibilidade de antimicrobianos no mercado, acompanhada da publicidade, ou mesmo de fontes duvidosas (sejam estas por indicação, ou mesmo a automedicação), acentua o uso abusivo e, assim, acaba por promoverem-se os quadros de resistência.

Há duas formas de resistência, uma natural e a outra adquirida. A primeira, também denominada de resistência intrínseca, é uma propriedade específica que certas espécies possuem mesmo antes da exposição ao antimicrobianos. A segunda ocorre quando cepas resistentes surgem de mutações (alterações na sequência de bases cromossômicas), ou pela transmissão de material genético extra cromossômico de outras bactérias já resistentes. Contudo, apesar desse mecanismo ser inerente à perpetuação de inúmeras espécies, a resistência a drogas específicas era pouco frequente no início do uso dos antimicrobianos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) possui o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Animal – PNCRC baseado no Codex Alimentarius (FAO/OMS) que regulamenta a quantidade de resíduos aceitáveis nos tecidos dos animais, determinando o limite máximo de resíduo (LMR) e os respectivos períodos de carência mínimos que estes antimicrobianos devem respeitar para a sua comercialização e seu uso via rações, água e/ou injetáveis,  como a pratica da metafilaxia.

O fato é que o uso indiscriminado desses antimicrobianos é apenas uma das causas de resistência bacteriana à classe mencionada, pois a medicação ocupa posição de destaque quando aproveitamos prescrições anteriores sem a devida confirmação pelo profissional sanitarista do rebanho.

Se por um lado a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Pecuária e Abastecimento e as próprias enfermidades nos pressionam, não podemos permitir que instruções normativas imponham formas inadequadas de se corrigir e aplicar uma terapia condizente à gravidade do problema, levando em consideração principalmente o tempo que será gasto até que a terapia se inicie.

Dentre o que já foi citado, a biosseguridade é fator primordial, bem como o envolvimento laboratorial prestando apoio aos diagnósticos de campo com o uso correto dos antimicrobianos, respeitando o tempo de terapia para as infecções agudas e crônicas com a dosagem correspondente ao peso e consumo (ração e ou água). Grandes desafios ainda estarão por vir se não adotarmos o uso criterioso de antimicrobianos nos rebanhos destinados à produção.

Precisamos por a campo uma ação mais intensa e um diagnóstico preciso e eficaz para um direcionamento correto do princípio ativo do antimicrobiano a ser utilizado. “Quanto mais rápido, mais completo e correto melhores serão os resultados”.

Resistência a agentes físicos e químicos

A resistência a agentes físicos e químicos pelos microrganismos é um fenômeno conhecido desde o início da era microbiana. No entanto, nos tempos atuais, a produção de antibióticos diminuiu de forma bastante considerável, visto que a velocidade com que tem surgido bactérias multirresistentes, capazes de inativar a ação destas substâncias, é superior à velocidade com que eles estão sendo desenvolvidos. E, ao mesmo tempo, a disponibilidade de antimicrobianos no mercado, acompanhada da publicidade, ou mesmo de fontes duvidosas (sejam estas por indicação, ou mesmo a automedicação), acentua o uso abusivo e, assim, acaba por promoverem-se os quadros de resistência.

Há duas formas de resistência, uma natural e a outra adquirida. A primeira, também denominada de resistência intrínseca, é uma propriedade específica que certas espécies possuem mesmo antes da exposição ao antimicrobianos. A segunda ocorre quando cepas resistentes surgem de mutações (alterações na sequência de bases cromossômicas), ou pela transmissão de material genético extra cromossômico de outras bactérias já resistentes. Contudo, apesar desse mecanismo ser inerente à perpetuação de inúmeras espécies, a resistência a drogas específicas era pouco frequente no início do uso dos antimicrobianos.

O fato é que o uso indiscriminado desses antimicrobianos é apenas uma das causas de resistência bacteriana à classe mencionada, pois a medicação ocupa posição de destaque quando aproveitamos prescrições anteriores sem a devida confirmação pelo profissional sanitarista do rebanho.

Se por um lado a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Pecuária e Abastecimento e as próprias enfermidades nos pressionam, não podemos permitir que instruções normativas imponham formas inadequadas de se corrigir e aplicar uma terapia condizente à gravidade do problema, levando em consideração principalmente o tempo que será gasto até que a terapia se inicie.

Fator principal

Dentre o que já foi citado, a biosseguridade é fator primordial, bem como o envolvimento laboratorial prestando apoio aos diagnósticos de campo com o uso correto dos antimicrobianos, respeitando o tempo de terapia para as infecções agudas e crônicas com a dosagem correspondente ao peso e consumo (ração e ou água). Grandes desafios ainda estarão por vir se não adotarmos o uso criterioso de antimicrobianos nos rebanhos destinados à produção.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Profissional explica principais pontos de limpeza, desinfecção e vazio sanitário em granjas

Médica veterinária Anne de Lara explica que processo é extremamente importante para contribuir com a saúde animal e econômica

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A sanidade do rebanho é um dos pontos mais importantes da suinocultura. Adotar os melhores métodos de manejo que garantam este status é um ponto fundamental para atingir melhores resultados. Porém, ainda existem casos em que por falta de planejamento ou conhecimento, alguns detalhes que são importantes são deixados de lado quando o assunto é a limpeza e desinfecção do ambiente antes de receber um novo lote. Para esclarecer dúvidas sobre este assunto, a médica veterinária e doutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Anne de Lara, fala sobre “Pressão de infecção: quais os melhores métodos de lavagem, desinfecção e vazio sanitário a serem adotados na suinocultura” durante o Seminário Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu em maio, em Porto Alegre, RS.

A profissional explica que o tema é bastante amplo porque é utilizado em várias áreas, seja humana, farmacêutica ou produção animal. Dessa forma, o objetivo é tratar qual a realidade hoje, o que pode ser feito para reduzir a pressão de infecção no campo, de que forma esse processo de limpeza e desinfecção pode contribuir e quais as ferramentas que existem hoje para isso.

Anne comenta que atualmente a suinocultura possui vários processos e manejos que no decorrer do tempo fizeram com que aumentasse a pressão de infecção. Entre eles estão a densidade animal e o aumento da produtividade. “Os animais contaminam as instalações com agentes da microbiota e também com agentes patogênicos, quando presentes no rebanho. Associado a isso, há muitos locais onde a estrutura da granja não tem o melhor tipo de piso. Estas particularidades podem fazer com que os agentes permaneçam nas instalações”, afirma. Adotando melhores processos, isto pode ser resolvido, mas ainda é um desafio para a suinocultura, esclarece a profissional.

Ela diz que em alguns casos, não ocorre o planejamento para o intervalo adequado entre lotes. “Existem desafios em relação ao tempo hábil para fazer esse processo. Então, quanto mais otimizado e mais assertivo for a etapa de limpeza e desinfecção, especialmente quando não há muito tempo para executar, melhor será o resultado para reduzir a contaminação nas instalações”, conta. A profissional explica que para que o próximo lote a ser alojado tenha uma condição de ambiente favorável para o desempenho dos leitões, é necessário que o procedimento de limpeza e desinfecção seja realizado da melhor forma possível e aproveitando o tempo disponível. “Por isso também a importância da adoção de processos padronizados”, reitera.

Entendendo cada um dos processos

A médica veterinária diz que a limpeza da matéria orgânica residual é a parte mais importante de todo o processo, pois a efetividade das etapas seguintes são dependentes desse processo inicial. “Deve ser realizada de forma criteriosa com a utilização de ferramentas adequadas como detergentes, água de boa qualidade sob pressão e por pessoas treinadas”, afirma.

Já a desinfecção, conta Anne, deve ser realizada em instalações secas, após a limpeza prévia, utilizando produtos com espectro conhecido e na concentração adequada. “Vários são os fatores que podem reduzir a eficiência dos desinfetantes, portanto deve-se atentar às características de diluição, estabilidade, aplicação, tempo de contato e qualidade da limpeza das instalações”, alerta.

O vazio sanitário, acrescenta a profissional, é um processo complementar. “Portanto, este é totalmente dependente da qualidade dos processos anteriores. O objetivo do vazio sanitário é permitir a ação residual dos desinfetantes e o processo de dessecação”, conta.

Repetibilidade 

Anne informa que o processo de limpeza e desinfecção deve ser realizado no intervalo entre o alojamento dos animais. “Portanto, quanto melhor a execução desse processo, melhor o aproveitamento do tempo e o resultado final. A padronização de processos é importante para que se obtenha repetibilidade, por meio de métodos seguros e efetivos”, conta.

Ela cita alguns detalhes que são importantes para estabelecer um programa de limpeza e desinfecção. “Inicialmente, o treinamento das pessoas envolvidas é essencial. Esse treinamento deve deixar claro para quem realiza o processo e qual a importância de ser feito da melhor forma, mostrando o impacto que isso tem no resultado do lote”, afirma. Anne explica que esse processo vai reduzir a exposição dos agentes aos animais que serão alojados e, com isso, a probabilidade de desencadear doença clínica reduz. “Essa comunicação é bastante importante”, assegura.

Quanto a realização do procedimento em si, a profissional explica que é preciso ter as ferramentas adequadas para a realização do mesmo, ou seja, um detergente e desinfetante com efetividade comprovada. “Uma série de fatores contribuem para o sucesso do processo, como utilização das concentrações adequadas e respeitar o tempo mínimo de contato dos desinfetantes com as instalações”, diz.

Outra questão importante destacada pela médica veterinária, e que impacta bastante, é o intervalo de tempo hábil para os processos serem realizados. “Isso depende do tamanho da instalação, mas pelo menos seis dias de intervalo entre lotes são necessários para executar o processo de limpeza e desinfecção e ter um mínimo de vazio sanitário”, afirma. Ela diz que este tempo varia bastante conforme a realidade de cada granja, porém, se o tempo for limitado e reduzido não será possível executar todas as etapas.

Após a limpeza, desinfecção e vazio sanitário, destaca a profissional, é importante estabelecer inspeções para definir se o processo foi realizado corretamente e se obteve o resultado esperado. Anne destaca que o principal benefício ao realizar corretamente cada um dos processos é a redução da pressão de infecção, fornecendo assim um melhor ambiente aos animais. “Além de favorecer o bem-estar, há uma redução na probabilidade de desencadeamento de doenças clínicas nos animais e por consequência um melhor desempenho do rebanho”, garante. Deve-se considerar ainda que um programa básico de limpeza e desinfecção custa em média 1 a 2% do custo total do lote, comenta. Enquanto que o tratamento de doenças clínicas normalmente é superior a isso.

Dificuldade ainda é grande

A médica veterinária comenta que ainda existem dificuldades em operacionalizar estes pontos na granja. “Uma questão muito importante é o tempo hábil para realizar um processo adequado. Além desse fator, a condição das instalações também impacta, especialmente no caso de granjas sem manutenção adequada, onde há muitas falhas em piso e equipamentos”, afirma.

Ela acredita que fatores importantes que dificultam a execução do procedimento é o curto intervalo entre lotes praticado e as condições estruturais das granjas. “Essa questão do tempo mínimo e a qualidade dos pisos são condições importantes atualmente no Brasil que podem dificultar a obtenção de bons resultados nos planos de desinfecção”, conta. Além do mais, a comunicação e treinamento do pessoal, informa, é outro grande obstáculo.

A médica veterinária garante que todos os processos a serem realizados são simples. “Isso desde que seja estabelecido um plano considerando os principais fatores como disponibilidade de ferramentas adequadas e equipe treinada”, assegura.

Todos dentro todos fora

Anne conta que este processo de limpeza e desinfecção deve ser realizado em todas as fases da produção, uma vez que o processo reduz a pressão de infecção por agentes que podem acometer os suínos nas diferentes fases de produção. Além disso, ela acrescenta que quando esse processo é associado ao manejo “todos dentro, todos fora”, há um ganho significativamente maior, uma vez que a medida que todos os animais são retirados das instalações é retirado também o fator colonização. “Com a saída dos animas é possível fazer um processo adequado de limpeza e desinfecção, visto que não terão mais animais colonizando e contaminando o ambiente durante essa etapa”, assegura.

Já em granjas onde não há retirada total dos animais não quer dizer que a limpeza e desinfecção não são importantes. “Mas o resultado vai ser diferente, porque ainda terá fluxo de animais e pessoas que podem contaminar a instalação. No caso de granjas de reprodutores, onde somente algumas baias ou alas passam pelo processo de limpeza e desinfecção enquanto outros animais ainda permanecem nas instalações, o processo é importante, mas a redução da pressão de infecção normalmente é inferior”, afirma. Ela acrescenta que nas fases de creche e terminação é muito relevante a adoção do sistema “todos dentro, todos fora” para viabilizar um adequado processo de limpeza e desinfecção, bem como obter outros ganhos relacionados ao desempenho dos animais.

Programa feito em equipe

Um fator importante e essencial citado por Anne é que os planos sejam desenvolvidos junto com as equipes executoras, para que as ações sejam aplicáveis à rotina. “O plano vai ficar muito mais aplicável e diretamente fácil de executar se forem consideradas a participação das pessoas que fazem esse processo e que o conhecem, para que seja aplicado para aquela realidade”, afirma.

Ela comenta que alguns planos podem não se aplicar diretamente a todos os tipos de granja. “Por isso é importante sempre trazer as pessoas que estão diretamente envolvidas no processo para discutir e elaborar os planos de desinfecção”, sustenta. Além do mais, é necessário que esta equipe entenda o porquê de estar realizando esta etapa. “É importante que os envolvidos compreendam que esse processo não é somente um preparo e sim ações que vão contribuir para a saúde do lote”, diz.

Anne destaca ainda que o programa deve ser completo. “Não podemos pensar na desinfecção sem ter uma limpeza bem realizada. A grande maioria dos desinfetantes reduz eficiência na presença de matéria orgânica. Então a limpeza deve ser bem executada, removendo toda a matéria orgânica para seguir com o processo de desinfecção”, reafirma. Da mesma forma, o vazio sanitário é um processo complementar aos dois primeiros. “Por isso é tão importante que cada etapa seja feita adequadamente”, alerta.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Leitoas de reposição em granjas de suínos

Desafios para manter a produtividade do rebanho sem aumentar a complexidade dos processos

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 Artigo escrito por Marcelo Frederico Antunes Pinto, consultor de serviços técnicos da divisão de suinocultura na Agroceres Multimix

As leitoas são responsáveis por introduzir o melhoramento genético no rebanho, assim como o sêmen dos terminadores, pois as marrãs têm maior potencial genético que as matrizes de outras ordens de parição, na sua maioria. Na produção tecnificada de suínos, é fundamental realizar o manejo de antecipação da puberdade, permitindo a introdução mais precoce das matrizes no plantel de reprodutoras. Os dias não produtivos (DNP) das fêmeas, aqueles em que elas não estão em gestação ou lactação, comprometem a rentabilidade da produção quando fogem do controle. A categoria de leitoas representa aproximadamente 50% dos DNPs acumulados por matriz ao ano, por isso essa categoria de animais precisa ser manejada com atenção, afim de evitar que esses dias não produtivos aumentem. Entretanto, a reposição é um dos gargalos da produção, pois exige programação de ações, acompanhamento da curva de crescimento das leitoas e atenção da equipe de trabalho, quanto aos manejos reprodutivos, formação de grupos e sincronização de cios.

Pontos que influenciam o bom desenvolvimento das leitoas de reposição

  1. Peso ao nascimento.

O peso ao nascimento (< 800 g ou < 1kg) pode determinar o potencial das leitoas de reposição, pois estudos recentes sugerem um atraso no desenvolvimento folicular em leitoas que nascem com baixo peso, provavelmente porque estes animais apresentam distúrbio na ativação dos folículos primordiais. Assim sendo, o crescimento alterado no útero, associado a um pior crescimento pós-natal, poderia prejudicar a fertilidade e a precocidade das matrizes suínas, por isso, as leitoas que nascem com baixo peso devem ser evitadas, já na seleção ao nascimento.

  1. Alojamento segregado e ambiente adequado a partir da creche.

No momento do desmame, também pode-se avaliar o peso das futuras matrizes desmamadas e estabelecer um ponto de corte que, ao menos, leve ao descarte os refugos da maternidade. Nesta fase as observações de parâmetros ambientais, de saúde e nutricionais devem ser consideradas para evitar que ocorram perdas destes animais. Além disso, nessa fase e no restante do ciclo produtivo, devem ser planejadas medidas de alojamento segregado, no qual as futuras reprodutoras tenham alojamento com espaçamento adequado, espaço de comedouros suficiente, piso de baixa abrasão para os casos, conforto térmico, baixa umidade em pisos e alimentação especificamente desenvolvida para tratar animais de reprodução.

  1. Acompanhamento da curva de crescimento.

Posteriormente, da recria até a seleção final – aos 130 dias de vida -, a principal preocupação deve ser sobre os animais que não tenham alto ganho de peso diário. A meta de ganho dos 130 aos 170 dias é de 650 a 750g de ganho ao dia, pois se as leitoas chegarem muito pesadas à cobertura, poderá ocorrer um comprometimento da longevidade e consequentemente da taxa de retenção das leitoas no plantel reprodutivo, por problemas locomotores desenvolvidos a partir do sobre peso.

Para que a curva de crescimento seja bem modulada, as estratégias de alimentação e sanidade precisam ser detalhadamente estabelecidas de acordo com cada realidade das granjas. O programa nutricional estará sempre sendo ajustado em função da condição sanitária do rebanho. Granjas de alto padrão sanitário podem exigir redução significativa da densidade das dietas de reposição ou manejos de controle de consumo diário de ração – em último caso -, afim de que a curva de crescimento das leitoas seja ajustada às exigências nutricionais das leitoas. Por outra perspectiva, em granjas de alto desafio sanitário, as preocupações com o controle das enfermidades assumem o foco do manejo das leitoas, pois as intercorrências sanitárias podem limitar consideravelmente o potencial de crescimento e maturação sexual das marrãs. Portanto, as estratégias nutricionais de suporte ao sistema imunológico passam a assumir maior importância que os controles básicos de densidade nutricional, mesmo porque, o próprio desafio sanitário é redutor de desempenho e, por consequência, de exigência nutricional, o que invalida as iniciativas de compensação nutricional direta aos fatores sanitários.

O peso vivo influencia o desenvolvimento dos ovários em marrãs, mas o efeito de produção de esteroides no metabolismo pode se alterar também devido à idade e o número de cios reportados, mesmo porque – tomando como universo para discussão os modelos de criações tecnificadas -, as leitoas não sofrem subnutrição suficiente para apresentarem desenvolvimento corporal inferiores aos limites fisiológicos para manifestação da puberdade, exceto quando são acometidas por doenças crônicas.

Estes dois fatores – idade e peso – também afetam o desenvolvimento do útero em fêmeas pré-púberes. Na fêmea suína, essa relação (peso x idade) não é comumente abordada, mas em outros animais de produção esse parâmetro é bem estudado. Em suínos, a maturidade esquelética e muscular não pode ser aguardada para a introdução das leitoas no sistema de reprodução, porque o modelo de produção não comporta o tempo necessário para esse manejo, com isso, já é convencionado que o risco dessa prática faz parte do sistema de produção. A decisão do modelo de introdução de fêmas jovens em fase muito precoce do desenvolvimento corporal faz com que os animais sejam submentidos a uma produtividade desafiadora e estressante, sob o ponto de vista metabólico, pois as fêmas jovens precisam conciliar desenvolvimento corporal, com gestação e lactação. Muitas vezes, temos como consequência desse modo de produção a manifestação da síndrome do segundo parto, que é a redução da taxa de concepção e parição das fêmeas suínas na segunda gestação. Se considerarmos que a vida útil das matrizes suínas nas granjas modernas é de 6 a 7 partos, em média, dois terços de sua vida produtiva ocorrem em fase de desenvolvimento corporal.

Quando se observa as estimativas do software Inraporc®¹⁰ de ganho de peso diário (GPD) para porcas em reprodução, através do peso vivo pós-parto e a alteração deste em função da ordem de parto, é possível traçar uma curva de crescimento para essa categoria, e observar o fato discutido no parágrafo anterior. Através dessa estimativa, é possível traçar um paralelo entre o crescimento e a puberdade para fêmeas suínas; e ao correlacionar à curva de crescimento para as linhagens genéticas modernas, pode se observar que a recomendação é de que a primeira cobertura ocorra com aproximadamente 50% do peso de quando adulto. Sendo assim, ainda há muito do seu corpo a ser desenvolvido após a cobertura.

Estratégias 

Algumas estratégias alimentares são utilizadas para alcançar peso e composição corporal ideal para reprodução e longevidade no plantel, a mais prudente é o ajuste da densidade da ração, para que o crescimento dos animais seja modulado de acordo com a necessidade de desenvolvimento corporal e a maturidade sexual das marrãs. A restrição alimentar sucedida de realimentação à vontade, durante a fase anterior à cobertura, não menos que 14 dias antes da manifestação do cio, também conhecida como flushing, é descrita como alternativa para os sistemas que não podem manipular as dietas das leitoas e precisam alimentá-las com dietas mais simplificadas.  A restrição alimentar moderada, não maior que 10% do potencial de consumo, aplicada a partir dos 130 dias até os 180 dias, pode ser utilizada sem perdas reprodutivas se, posteriormente a este manejo, for adotada a alimentação à vontade. A alimentação à vontade na fase anterior à cobertura é capaz de reestabelecer a taxa de desenvolvimento folicular pré-ovulatório e garantir ovulação adequada. Porém, o flushing, precisa ser bem planejado, pois deve respeitar períodos determinados dentro do ciclo estral das marrãs e atender os níveis de nutrientes e a combinação de ingredientes específicos.

Os efeitos, a médio e longo prazo, de uma estratégia nutricional exata para o estado em que se encontram os animais, permitem que os produtores atinjam o objetivo de condições corporal (peso) e fisiológicas (idade) para a primeira cobertura da marrã, o que tem proporcionado menor incidência da síndrome do segundo parto e contribuído para aumentar a produtividade dos planteis.

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Fonte: O Presente Rural
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