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Suínos / Peixes Nutrição

Utilização eficiente dos óleos e gorduras pelo suíno

Desafio do nutricionista é atender os requerimentos utilizando matérias primas com variabilidades na composição química

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Mara Costa, doutora em Medicina Veterinária e gerente de Serviços Técnicos em Suinocultura da Kemin

Um dos fatores para a máxima performance é o uso eficiente dos nutrientes pelo animal, obtido com rações balanceadas. O desafio do nutricionista é atender os requerimentos utilizando matérias primas com variabilidades na sua composição química.

Utilizar fontes de lipídeos nas dietas permite aumentar a densidade energética e, consequentemente, promover performance zootécnica, principalmente em fases com alto requerimento nutricional ou consumo limitado. Incluir óleos/gorduras nas rações permite o fornecimento de ácidos graxos essenciais e vitaminas lipossolúveis e o aumento do consumo ocorre pela melhora na palatabilidade. A diminuição na formação de pó e melhora do processo de peletização são outros benefícios no uso.

A maioria dos óleos/gorduras utilizados na nutrição animal são coprodutos de indústrias e classificados apenas pela sua origem (ex. óleo de soja e gordura suína). A origem, processamentos, qualidade e características químicas são responsáveis pela variabilidade do valor energético.

A escolha da fonte, muitas vezes, se limita à disponibilidade e ao custo. A referência do valor de energia vem de tabelas, e geralmente, é a média de um número pequeno de amostras analisadas.

Digestibilidade e valor energético

A digestão dos lipídeos ocorre efetivamente no duodeno. Os lipídeos na forma de triglicerídeos são emulsificados pelos sais biliares e hidrolisados em monoglicerídeos e ácidos graxos livres pela lipase. Os monoglicerídeos formarão as micelas que serão absorvidas e convertidas em energia.

Diversos fatores podem atuar na efetividade e velocidade do processo. O fator inerente ao animal é sua idade, leitões na fase de creche (jovens) produzem menos sais biliares e lipase e, com isso, a digestibilidade dos lipídeos é menor.

Os fatores relacionados à composição química são grau de saturação, tamanho da cadeia e quantidade de ácidos graxos livres. Em relação à origem e processamento, tem-se o grau de oxidação e quantidade de impurezas.

Os ácidos graxos insaturados são mais digestíveis que os saturados, as cadeias polares são mais solúveis e facilmente incorporadas às micelas. Ao aumentar o grau de insaturação, a relação de ácido graxo insaturado/saturado aumenta com aumento da digestibilidade, entretando esse aumento não é linear.

Os triglicérideos têm valor energético superior aos ácidos graxos livres. Ao aumentar a proporção de ácidos graxos livres tem-se redução linear no valor.

O perfil de ácidos graxos permite qualificar e quantificar as diferentes cadeias presentes no óleo/gordura. As cadeias possuem diferentes rotas metabólicas e diferentes valores de digestibilidade.

Os fatores de diluição diminuem o valor energético e eles podem ser gerados durante o processamento. Os diluentes utilizados na extração e purificação são considerados contaminantes quando presentes.

Grande parte dos processos para obtenção dos óleos/gorduras são com tratamento quente e presença do oxigênio. Os radicais lipídicos são instáveis, principalmente quanto mais insaturado e propensos à oxidação. A oxidação lipídica pode oxidar vitaminas e produzir substâncias toxicas com comprometimento da integridade intestinal. O uso de antioxidantes quanto mais cedo possível é indicado para proteção.

Diante da variabilidade das fontes, analisar esses fatores permite calcular a digestibilidade e estimar o valor energético. Essa avaliação auxilia na escolha, permitindo formulações mais balanceadas e precisas.

Benefícios do uso na suinocultura

Com linhagens prolíferas e alta capacidade de ganho de peso, a exigência nutricional aumentou. Fêmeas em lactação necessitam de alto nível de energia para manutenção e produção de leite. O estresse calórico contribui para o baixo consumo, e o requerimento de energia/dia não é alcançado. O déficit de energia terá efeito na gestação seguinte, aumentando o intervalo desmame cobertura e diminuição da longevidade da fêmea. A produção de leite será afetada, diminuindo a performance dos leitões na maternidade.

O uso de óleo/gordura nesta fase é indicado para a alta produção de leite e menor desgaste corporal da fêmea. Antes do parto, o uso aumenta a porcentagem de gordura no colostro/leite, com repercussão na saúde e no desenvolvimento do leitão.

O desempenho dos leitões após o desmame é fundamental para sua performance futura. O estresse do desmame leva a baixa capacidade de ingestão, não permitindo o consumo ideal. A consequência é o baixo ganho de peso e aumento das diarreias. O uso de óleos/gorduras nas dietas é indicado para atender o requerimento.

Conforme se desenvolve, o animal estabiliza o consumo com os níveis de energia da dieta. Na fase de engorda, o uso permite níveis adequados de energia e a resposta é a melhor conversão alimentar e carcaça. Em estresse calórico, o consumo é comprometido, e aumentar a densidade energética é essencial.

Melhoradores de absorção

Produtos que aumentem a digestibilidade e aproveitamento dos lipídeos são indicados para aumentar a performance e rentabilidade, já que a energia é um dos itens de maior custo nas rações.

Os fosfolipídeos, classificados como emulsificantes, atuam apenas na emulsificação e a melhora da digestibilidade é a consequência deste processo. A indústria de emulsificantes tem evoluído e novos compostos, como os lisofosfolipídeos, comprovaram ser mais efetivos.

Estudos recentes demonstraram que ao incorporar outros componentes aos emulsificantes, a emulsificação se torna mais rápida e estável, e a ação direta destes no processo de hidrólise e absorção permitem absorção dos demais nutrientes. Devido a essas ações e o efeito positivo na integridade intestinal, a nova geração passa a ser conhecida como melhoradores de absorção.

Os melhoradores de absorção permitem aumentar a energia disponível na ração,  assim como o uso mais eficaz pelos animais com benefícios mensuráveis  de acordo com a  fase utilizada.

Na fase de lactação houve aumento da produção e qualidade do leite, com menor desgaste corporal das fêmeas ao final da lactação. O aumento da produção de leite foi comprovado com leitegadas mais uniformes e pesadas no desmame.

Em animais jovens, o efeito será sobre os níveis de sais biliares e lipase. Em dietas de creche, o benefício foi melhor conversão alimentar, devido ao aumento no ganho de peso com menor consumo de ração.

Em crescimento e terminação, o uso atende diversos cenários. Quando usado “on top”, os animais tiveram aumento da performance e melhor conversão alimentar. Com o benefício do aumento da digestibilidade, uma outra forma de uso é a substituição de parte do óleo/gordura, mantendo o resultado com menor custo de formulação através de valorização da matriz nutricional.

Melhorar a digestibilidade dos nutrientes permite promover saúde intestinal, uma estratégia essencial  diante do uso restrito de melhoradores de desempenho. Ao aumentar a absorção, diminui-se a oferta de nutrientes que quando em excesso são utilizados como substrato para as bactérias patogênicas.  A diminuição da excreção dos nutrientes em excesso também contribuem com o meio ambiente, promovendo uma produção mais sustentável.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

A importância do pH dos detergentes na higienização das granjas

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta

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 Artigo escrito por Rildo Belarmino, biólogo e gerente Técnico Neogen Brasil

A higienização possui dois objetivos: Preservar a saúde dos animais e evitar a proliferação de microrganismos patogênicos, evitando assim o risco eminente a possíveis doenças transmitidas por fungos, bactérias e vírus. As medidas higiênicas e de profilaxia ambiental dos locais representam um aspecto essencial na economia e contribuem para a inocuidade dos alimentos, deixando-os assim livres de salmonelas, E. coli, Campylobacter entre outros.  Simultaneamente também previnem ou reduzem a difusão de patógenos. É importante ressaltar que uma superfície que não foi suficientemente limpa não pode ser desinfetada, pois os resíduos presentes protegem os microrganismos da ação dos desinfetantes.

“Um programa básico de limpeza e desinfecção tem um baixo custo, sendo que os custos com tratamentos antimicrobianos normalmente são superiores, sem considerar o prejuízo com queda no desempenho zootécnico”, cita a doutora Anne de Lara, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

  • Dentro de conceito de limpeza temos
  • Limpeza seca: Varredura e retirada de todos os resíduos antes da limpeza úmida.
  • Limpeza Úmida: jateamento de água e utilização dos detergentes.
  • É imprescindível lembrar que uma não substitui a outra.
  • Outro fator importante é rotação dos pH dos detergentes nas limpezas úmidas, sendo 3 semanas com pH alcalinos e uma semana com pH ácido, e assim sucessivamente.
  • O uso de detergente na limpeza úmida é essencial para o sucesso da higienização, reduzindo em até 90% a carga de microrganismos patogênicos.

Desafios da Limpeza são eles:

  • Presença de Biofilme
  • Presença de matéria orgânica
  • Tipos de superfícies
  • Desafios microbiano
  • Surtos de doenças

Biofilme

É uma fina camada geralmente resistente de microrganismos (como bactérias) que se formam e revestem várias superfícies. Estas células aderentes são frequentemente incorporadas dentro de uma matriz de Substância Polimérica Extracelular (EPS). Biofilme é uma substância polimérica extracelular, que também é referido como limo.

Abordando especificamente a questão do rodizio de pH dos detergentes, temos 4 tipos de matéria dentro das granjas que precisam ser removidas, para que a ação dos desinfetantes seja o mais efetiva possível, e também para que estas sujidades não neutralizem a ação dos desinfetantes por diferença de carga eletrostática, uma vez que a matéria orgânica é  aniônica (-) e a maioria dos desinfetantes são catiônicos(+).

Como podemos observar, os detergentes alcalinos têm uma maior ação sobre matéria orgânica (esterco, restos de ração, pelos, penas) e lipídios , e os detergentes ácidos tem uma melhor ação sobre matéria biológica (bactérias, vírus, fungos e principalmente biofilme), atuando através da oxidação, e também sobre matéria mineral (carbonatos de cálcio e magnésio) presentes principalmente em granjas onde temos “água dura”. Quando utilizamos um detergente alcalino, alternando com um detergente ácido, estamos removendo os quatro tipos de matéria que encontramos dentro da granja. Como já foi dito anteriormente, nossa recomendação é realizar 3 limpezas com detergente alcalino e uma limpeza com detergente ácido, sucessivamente, variando conforme o protocolo da granja.

Modo de Ação dos detergentes

  • Solubilizar sujidades/ partículas de sujeira
  • Deslocar matéria orgânica
  • Emulsificar partículas sólidas/sujas
  • Diminuir tensão superficial entre a sujeira e a superfície
  • Combater os fatores de dureza de água
  • Hidrólise da Biopelícula

Conclusão

Uma excelente higienização depende de bons detergentes e de um protocolo de trabalho com etapas bem definidas, realização da rotação dos pH dos detergentes na rotina de higienização das granjas, com utilização de produtos de qualidade e registrado nos órgãos regulatórios para suas finalidades.

Além da preocupação de uma excelente higienização, precisamos nos preocupar com os resíduos dos detergentes pós limpeza, e para isso dependemos de uso de detergentes biodegradáveis.

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta. Todos os dias nós protegemos as pessoas e os animais que gostamos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Manejo

Diarreias na maternidade: como diagnosticar o agente que está causando o problema?

A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Sarah Rodrigues Chagas, médica veterinária, doutoranda em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás; Lívia Mendonça Pascoal, médica veterinária, professora de Sanidade de Suínos da Universidade Federal de Goiás; e Mariana Dall’Agnol, médica veterinária, especialista em Sanidade Animal pela Universidade Federal de Goiás

As diarreias na maternidade são causas recorrentes de preocupação para produtores rurais e veterinários. Em geral, quando ocorrem acometem grande parte dos leitões, causando aumento de mortalidade, perda de peso, desuniformidade e aumento dos gastos com medicamentos. A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial. Para isso, existem algumas particularidades que devem ser levadas em consideração na coleta e envio da amostra dependendo da suspeita diagnóstica.

Suspeita de colibacilose neonatal

Causada pela Escherichia coli, essa doença é talvez a mais comum na maternidade de granjas de suínos. A suspeita recai sobre a colibacilose neonatal quando a diarreia tem início nas primeiras horas de vida do leitão, podendo também surgir até o terceiro dia de vida. Em geral, toda a leitegada é acometida, apresentando diarreia aquosa amarelada, rápida desidratação e “aspecto sujo”. A mortalidade é alta.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se enviar pool de fezes de leitões acometidos, colhidas diretamente da ampola retal, utilizando suabe ou coletor universal esterilizado evitando o contato do frasco coletor com a pele do leitão. Em caso de necropsia, pode-se enviar também alças intestinais. O material deve estar refrigerado e chegar ao laboratório em até 48 horas.

Suspeita de clostridioses

Existem três espécies de Clostridium mais conhecidas por causarem diarreias em maternidade: C. perfringens tipo A, C. perfringens tipo C e C. difficile. O tipo C é raro no Brasil e se diferencia das demais por causar diarreia sanguinolenta. Os outros dois causam diarreias amareladas, que variam de aquosa à pastosa, e acometem leitões na primeira semana de vida, mas em geral C. difficile leva à uma maior mortalidade.

Por se tratarem de bactérias anaeróbias, nem todos os laboratórios de bacteriologia conseguem realizar seu isolamento. É recomendado verificar e garantir que o laboratório para o qual a amostra será enviada faz esse tipo de cultivo. O ideal é realizar necropsia de alguns animais acometidos e coletar alças intestinais com conteúdo fecal, amarrando as extremidades com barbante, antes de realizar o corte, para garantir que não haja entrada de oxigênio. Outra opção é realizar um suabe retal e acondicionar em meio de cultura específico, como o tilglicolato. Diferente da amostra com suspeita de colibacilose, o tempo entre envio e processamento deve ser o menor possível, não ultrapassando quatro horas.

O curto tempo pode ser impeditivo para a realidade do campo, de forma que a solicitação de um exame de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) pode ser mais adequado. Nesse caso a amostra pode chegar ao laboratório em até 48 horas, devendo ser encaminhada refrigerada.

Suspeita de rotavirose

Rotavírus é o principal agente viral que causa transtorno gastrointestinal em leitões de maternidade. Acomete os animais nos primeiros dias de idade, causando vômitos e diarreia branco-amarelada que não responde à antibioticoterapia. A severidade varia de acordo com manejos e grau de imunidade das matrizes, e a letalidade fica entre 3 e 30%, podendo chegar a 50%.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se colher amostras de fezes em coletor universal esterilizado nas primeiras 24h após o início da diarreia e enviar a um laboratório que realize PCR. A amostra deve ser enviada refrigerada e é recomendada a busca de outros agentes pois infecções bacterianas concomitantes são comuns.

Suspeita de Cistoisosporose

Essa doença é causada pelo protozoário Cystoisospora suis, anteriormente denominado Isospora suis. Por esse motivo, muitos ainda fazem referência à doença como isosporose. Os sinais clínicos de diarreia ocorrem entre cinco e 25 dias de vida, não ocorrendo antes do quinto devido ao ciclo de vida do agente. A diarreia é amarelada, cremosa ou pastosa, possui odor rançoso ou azedo e não responde a antibióticos. Em geral, a maior incidência se dá em períodos quentes e úmidos que favorecem a esporulação do oocisto no ambiente.

O ideal é coletar pool de fezes de vários animais diretamente da ampola retal. A coleta de fezes diretamente do piso também é possível, pois não compromete o resultado do exame parasitológico (técnica de contagem de ovos por grama de fezes – OPG). Porém, deve-se ter o cuidado de não coletar detritos do piso, pois esses sim podem afetar o correto diagnóstico. Vale lembrar também que a amostra coletada do piso não pode ser destinada a outros exames. A amostra deve ser enviada em refrigeração e chegar ao laboratório em no máximo 48 horas após a coleta.

Pontos importantes

Vale ressaltar que esses agentes patogênicos podem acometer os animais concomitantemente e, por isso, pode ser necessário mais de um teste diagnóstico.

Encaminhar junto às amostras uma ficha de identificação dos animais e da propriedade também é importante. Em geral, os laboratórios possuem uma ficha própria e, por isso, é recomendável acessar o site do seu laboratório de preferência ou entrar em contato via telefone e e-mail, solicitando esse documento. As informações pedidas incluem nome do solicitante, contato (endereço, telefone, e-mail), espécie animal, faixa etária, curso da doença e achados de necropsia.

É recomendado também contatar o laboratório antes do envio das amostras para esclarecer qualquer possível dúvida, garantindo a qualidade da amostra e seu processamento.

Existem ainda outros exames laboratoriais que podem ser solicitados para auxiliar no diagnóstico das doenças. Entre eles está o exame histopatológico, que é complementar aos exames de identificação do agente; todavia, esse não foi o foco do presente artigo.

Considerações finais

O diagnóstico laboratorial é uma importante ferramenta para o profissional de campo. Esse deve ser sempre associado à experiência do clínico para a tomada de decisão sobre a saúde da granja.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Circovirose em suínos e os genótipos do PCV2: preciso de uma vacina nova?

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Tatiane Fiúza, médica veterinária, mestre em Ciências Veterinárias e coordenadora Técnica de Território da Boehringer Ingelheim

O PCV2 é o agente causador da circovirose suína e, desde 1998, tem sido associado a sinais clínicos respiratórios e entéricos, perdas reprodutivas e a Síndrome Multissistêmica do Definhamento Suíno (SMD). A circulação do circovírus é endêmica na suinocultura tecnificada e, por ser uma doença imunossupressora, leva a alta mortalidade, baixo desempenho e predispõe os animais a agentes secundários, comprometendo a produtividade e consequentemente, causando perdas econômicas expressivas. Nem sempre a doença é fácil de ser identificada, pois os sinais clínicos são inespecíficos. Além do mais, na sua maioria dos casos a doença cursa na forma subclínica, limitando discretamente o crescimento dos animais, afetando a conversão alimentar e agravando a ocorrência de outras doenças. O controle é baseado na prevenção de riscos, redução de fatores predisponentes e, principalmente, em vacinação.

Já foram identificadas diferentes variantes do PCV2 (PCV2a, PCV2b, PCV2c, PCV2d, PCV2e e PCV2f), entretanto sabe-se que a semelhança entre estas é alta (Tabela 1). A maior prevalência do PCV2a ocorreu até meados de 2003, a partir deste momento o PCV2b passou a ser o genótipo mais prevalente. Em meados de 2009, foi identificada uma nova variante, o PCV2d, que se difundiu nos rebanhos de diversos países (Imagem 1). Segundo um estudo feito por Rodrigues et al. (2018), no Brasil, a maior prevalência atualmente é do PCV2b (68,8%), seguido do PCV2d (24,9%) e PCV2a (6,3%). Ainda pouco significante para suinocultura tecnificada, o PCV2c foi identificado pela primeira vez na Dinamarca e em suídeos selvagens no Brasil, e o PCV2f em suínos no México e EUA, mas em baixa prevalência.

 

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2, de modo que a utilização de vacinas comerciais eficazes promove a redução de sinais clínicos, evitam mortalidades pela doença e melhoram os indicadores zootécnicos. No Brasil, as taxas de rebanhos vacinados ficam em torno de 98% e, de forma geral, as vacinas têm-se demonstrado eficazes em reduzir a carga viral no sangue e nos tecidos linfóides, bem como evitar manifestações clínicas da doença. A vacinação de leitões deve ser definida de forma estratégica, para que os mesmos estejam protegidos no momento de maior exposição ao agente. Além disso, para promover uma proteção mais efetiva no plantel pode-se ampliar o programa de vacinação incluindo leitoas de reposição e fêmeas gestantes/lactantes, minimizando perdas reprodutivas, reduzindo a circulação viral e a pressão de infecção.

As vacinas com PCV2a ainda são a maioria no mercado e diversos estudos mostram que estas são efetivas frente aos genótipos PCV2b e PCV2d, que têm sido mais prevalentes na atualidade. Dentre essas, há vacinas com alta tecnologia de adjuvante que permitem a imunização em uma dose única, sem causar reações adversas, onde o antígeno é liberado lentamente por 900 horas protegendo os animais até o abate. Esta vacina, composta apenas PCV2a, quando comparada à outra vacina composta por PCV2a e PCV2b, mostrou-se eficiente em reduzir o percentual de animais infectados pelo vírus frente a um desafio com o genótipo “d”.

Em um outro estudo, leitões foram desafiados com PCV2b e imunizados com vacina composta por PCV2a. Não houve depleção linfóide, assim como detecção viral por imuno-histoquímica nos linfonodos ilíacos, mesentéricos e traqueobrônquicos (Tabela 2), mostrando a eficácia da vacina na proteção dos animais. A eficácia da vacina composta pelo PCV2a também foi demonstrada frente a uma infecção simultânea de PCV2d e PCV2b. Os animais vacinados apresentaram uma mortalidade 10% menor (Gráfico 1) e um ganho de peso diário de 36,7g a mais até as 22 semanas de vida (Gráfico 2). O desempenho no crescimento dos animais e a taxa de mortalidade são os indicadores mais importantes para avaliar a eficácia de uma vacina contra a circovirose no campo. O esperado é que a mesma promova proteção dos animais, sem reações adversas, e que isso seja revertido em melhores desempenhos zootécnicos e ganhos econômicos dentro da produção.

 

 

As mutações do PCV2, até o momento, não foram tão expressivas para que as vacinas compostas pelo PCV2a tenham eficácia reduzida frente ao PCV2b e PCV2d. O que vai definir o sucesso no controle da circovirose é a escolha de uma vacina de qualidade, que promova proteção rápida e duradoura, sem causar reações adversas. O programa de vacinação deve ser adequado ao status sanitário de cada granja e deve-se garantir o manejo correto de vacinação, assegurando os protocolos indicados pelos fornecedores.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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