Avicultura
Uso de monoglicerídeos em galinhas poedeiras longevas
Ingredientes sem antibióticos, que não sejam geneticamente modificados e nem de origem animal, tendem a ser mais aceitáveis para consumidores, órgãos reguladores e produtores

O ovo, desde a sua formação, está sujeito a diversos fatores intrínsecos e extrínsecos à galinha poedeira. Dentre esses fatores estão a genética, a idade e as condições tanto sanitárias quanto nutricional da ave. O desempenho produtivo e a qualidade dos ovos de aves diminuem com o passar do tempo. À medida que as galinhas envelhecem, o desempenho reprodutivo é diminuído devido à redução tanto da síntese da gema quanto de hormônios sexuais. Além disso, a qualidade do ovo também é afetada devido ao aumento do tamanho do ovo, cascas mais finas, maior taxa de quebra, diminuição da altura do albúmen, shelf life reduzido e consequências negativas no sabor associado à menor eficiência de utilização dos nutrientes e estado sanitário de galinhas.
Para mitigar este problema é importante adotarmos medidas de bem-estar e conforto das aves, como programa de luz adequado, água com qualidade, nutrição customizada (correta suplementação de vitaminas e minerais), bem como atividades relacionadas à biosseguridade.
Num contexto em que a indústria avícola global busca por produtos e métodos de produção que ajudem a atender à demanda por alimentos seguros, acessíveis e produzidos de forma sustentável, há diversas oportunidades que visam maiores cuidados e otimização da produção de poedeiras mais velhas.

Ricardo Hayashi, médico-veterinário, mestre e doutor em Ciências Veterinárias e Gerente Global de Desenvolvimento da SAN Vet
Hoje, ingredientes sem antibióticos, que não sejam geneticamente modificados e nem de origem animal, tendem a ser mais aceitáveis para consumidores, órgãos reguladores e produtores. Os monoglicerídeos têm o potencial de melhorar a saúde, o bem-estar, a produtividade e reduzir a prevalência de patógenos humanos e animais, diminuindo o impacto ambiental, sem gerar resistência antimicrobiana.
Os lipídios antimicrobianos são compostos por um grupo de moléculas lipídicas anfifílicas que têm a capacidade de impactar diretamente bactérias, vírus envoltos em membrana e alguns fungos por lise direta da membrana celular e uma variedade de mecanismos adicionais. Alguns dos lipídios mais estudados em aplicações de produção animal e avícola são os ácidos graxos e glicerídeos. Os ácidos graxos são um grupo de compostos orgânicos construídos por cadeias variadas de hidrocarbonetos com um grupo ácido carboxílico em uma extremidade. Monoglicerídeos são compostos de glicerol ligados a um ácido graxo geralmente na posição 1 ou ⍺. A ligação covalente que une o ácido graxo ao glicerol é extremamente estável e permite que os produtos sejam resistentes à altas temperaturas e diferentes pH, atuando não somente a nível intestinal, mas também sistemicamente. Os monoglicerídeos são conhecidos por terem ação antimicrobiana seletiva a patógenos, ação imunomoduladora, modulação benéfica do microbioma, bem como atividade angiogênica.
Trabalhos científicos
Trabalhos científicos observaram que o uso de monoglicerídeos melhorou significativamente a performance produtiva, densidade e resistência da casca de ovos provenientes de aves poedeiras mais velhas. Além disso, a melhora produtiva foi associada ao aumento de índices bioquímicos séricos (cálcio e fosfatase alcalina) e hormônios sexuais (FSH, LH e estradiol). O FSH (hormônio folículo-estimulante) é o principal hormônio responsável pelo desenvolvimento e maturação dos pequenos folículos, enquanto o LH promove principalmente a secreção de progesterona. O estradiol também pode promover o desenvolvimento folicular via efeitos de feedback no hipotálamo e hipófise. A justificativa destes resultados se dá pela modulação da microbiota intestinal. Os monoglicerídeos reduziram o filo Proteobacteria, sabidamente um indicador de disbioses, além de estimular o crescimento de outros grupos bacterianos benéficos. Em outros trabalhos, monoglicerídeos também mostraram a capacidade de melhorar a diversidade geral e atuar seletivamente em grupos considerados patogênicos.
Conclusão
Monoglicerídeos pode ser uma ferramenta eficaz na otimização da produção de ovos em aves poedeiras mais velhas, principalmente pela melhora da saúde intestinal. No entanto, é imprescindível que fatores básicos e fundamentais como ambiência, boas práticas de produção, ações de biosseguridade e uma dieta adequada sejam rotineiramente executadas e monitoradas para um melhor resultado.
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Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




