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Uma análise das doenças da soja na safra 2017/18
Safra de soja no Sul do Brasil teve diversos cenários de clima, os quais influenciaram as doenças e a produtividade da cultura
Artigo escrito por Carlos Alberto Forcelini, engenheiro agrônomo, Ph.D. em Fitopatologia, professor titular da Universidade de Passo Fundo (RS) e consultor da divisão agrícola da Bayer
A safra de soja no Sul do Brasil teve diversos cenários de clima, os quais influenciaram as doenças e a produtividade da cultura. Houve presença de doenças iniciais, afetando o estabelecimento da soja, posteriormente podridões radiculares, oídio, mofo-branco e a ferrugem asiática. Seu impacto sobre o rendimento de grãos da cultura variou de intensidade conforme a região, por isso é necessária uma análise regionalizada.
No Rio Grande do Sul, houve excesso de chuvas no mês de outubro, retardando a implantação da soja. Condições de solo encharcado, associadas à compactação do mesmo, resultaram em morte de plântulas de soja logo após a emergência, a qual foi principalmente associado ao fungo Phytophtora, presente habitualmente no solo. Estas mesmas condições também favoreceram à podridão vermelha, causada por espécies de Fusarium. Ambas as doenças variaram de intensidade em função das cultivares utilizadas, por isso é importante conhecer seu comportamento. No final do ciclo, especialmente entre fevereiro e março, houve uma estiagem mais prolongada, com temperaturas mais altas, que favoreceram à podridão de raízes por outro fungo de solo, Macrophomina phaseolina.
Entre os meses de dezembro a março houve ocorrência de períodos secos, acompanhados de temperaturas noturnas amenas, favoráveis ao oídio, causado por Erysiphe diffusa. Este fungo não necessita molhamento foliar para infecção das plantas, e sua preferência é por temperaturas máximas menores que 29 oC, por isso sua presença foi maior nesta safra. A intensidade variou entre cultivares e locais, mas atingiu severidades superiores a 50% em alguns deles, acentuando a desfolha das plantas. O oídio se manifesta já a partir da fase vegetativa da soja, por isso as primeiras aplicações devem contemplar fungicidas eficazes no seu controle.
Em alguns experimentos conduzidos na Universidade de Passo Fundo e em lavouras comerciais no Planalto Médio do RS, a ausência da primeira aplicação de fungicida no pré-fechamento das entrelinhas resultou em diferenças de -3 a -6,8 sc/ha na produtividade final. Tais diferenças estão associadas ao controle do oídio, manchas foliares, antracnose e prevenção da ferrugem.
Também é importante não atrasar este primeiro tratamento. Em três anos de comparação, na UPF, entre manejos com quatro aplicações, a primeira iniciada antes ou após o fechamento das entrelinhas (diferença média de 7 a 9 dias), as variações na produtividade final da soja atingiram 8 sc/ha (2016), 4,5 sc/ha (2017) e 5 sc/ha (2018) a favor do pré-fechamento.
A ferrugem asiática ocorreu mais tarde nesta safra. A presença das plantas de soja guaxas, responsáveis pela manutenção do agente da doença (Phakopsora pachiryzzi) na entressafra, foi mínima após a geadas ocorridas em julho. Nestas situações, o início da doença depende dos esporos liberados a partir de lavouras em outras regiões. A infecção das plantas provavelmente ocorreu na segunda quinzena de janeiro, cuja frequência de chuvas foi quase diária. Sua percepção no início é dificultada pela emissão de folhas novas pela planta, pela latência da doença (tempo entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas e sinais), e pela limitação do olho humano em encontrar a doença quando abaixo de 5% de incidência em folíolos.
A evolução da ferrugem ocorreu entre fevereiro e março, portanto, na fase final da cultura. Sua severidade atingiu entre 20 e 70% conforme a época de semeadura e cultivar. O comprometimento da produtividade foi menor, mas ainda assim significativo, especialmente nos plantios mais tardios. Em experimento conduzido na Cotripal, em Condor-RS, a diferença de produtividade entre quatro aplicações de fungicida e nenhuma, variou de 6,9 sc/ha (semeadura em setembro) a 17,9 sc/ha (outubro), 17,7 sc/ha (novembro) e 20,0 sc/ha (dezembro).
O controle da ferrugem asiática na safra 2017-18 atingiu melhores resultados que no ano anterior. Vários fatores podem ser associados a este desempenho superior. Em função da ocorrência mais tardia da ferrugem, as primeiras aplicações foram mais preventivas, os produtores conseguiram manter intervalos regulares de 14-15 dias entre as aplicações, houve inserção maior dos reforços com outros fungicidas (triazóis, morfolinas e, principalmente, os multissítios) e, possivelmente, uma menor frequência dos mutantes resistentes aos fungicidas. A capacidade destes em sobreviver na entressafra está sendo avaliada, mas é possível que os mesmos tenham sido mais afetados pela eliminação da soja guaxa pelo frio. Como consequência, especialmente em relação aos fungicidas do grupo químico carboxamida, seu desempenho na safra 2017/18 foi bem superior ao ano anterior.
Contrariamente, no estado do Paraná, especialmente na região Oeste, houve maior dificuldade para o manejo da ferrugem. Nesta safra ocorreu atraso na implantação da cultura devido à falta de chuvas, expondo a soja a um período maior de contato com o patógeno da ferrugem. A frequência de chuvas em alguns períodos foi quase diária, favorecendo à infecção. A proximidade com o Paraguai também pode ter contribuído, na medida que o cultivo da soja em segunda safra favorece a perenização da ferrugem e a seleção de indivíduos mais resistentes aos fungicidas.
O estado do Paraná, nas safras anteriores, apresentou médias ≤ 3 nas aplicações de fungicidas em soja. Em algumas regiões do estado possivelmente menos ainda, assim como foi menor também a inserção dos reforços com multissítios. Com o agravamento do quadro da ferrugem na safra 2017/18, os programas de manejo que vinham sendo praticados foram, provavelmente, insuficientes.
Uma doença muito importante na safra 2017/18, em vários locais no Sul do Brasil, foi o mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum. O mesmo se beneficia de períodos com chuvas frequentes e temperaturas médias menores que 21oC durante a floração da soja, o que ocorreu em dezembro (PR) e janeiro (PR e RS). O prejuízo à produtividade é proporcional à incidência do mofo-branco entre as plantas, que atingiu até 30 a 40% das plantas em alguns locais. Nestas áreas, a doença pode se manifestar novamente nas próximas safras, desde que repetida a combinação favorável de chuva e temperaturas amenas na floração. Por isso é importante a adoção de medidas preventivas (cobertura do solo com palha, arranjo de plantas menos adensado, cultivares com menor ramificação, …), deixando a decisão pela aplicação dos fungicidas específicos ao mofo-branco condicionada à previsão de ambiente favorável à doença na floração.
Em resumo, a safra de soja 2017/18 foi bastante variável, entre regiões, quanto à ocorrência de doenças, com presença principal do oídio, da ferrugem e do mofo-branco. O controle de tais doenças requer fungicidas e manejos diferentes, por isso a atualização técnica, o monitoramento da lavoura e a atenção às condições climáticas são fundamentais. Medidas de controle preventivas são mais seguras e efetivas, por isso devem ser priorizadas no planejamento e condução da lavoura de soja, especialmente em relação às doenças.
Fonte: Assessoria

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Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade começa formação prática em Toledo
Capacitação organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná treina equipes municipais para readequação de estradas rurais, conservação de solo e recuperação de nascentes.

O Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade inicia nesta quinta-feira (16), às 14 horas, em Toledo, a etapa prática de formação de técnicos municipais que atuam no meio rural. O curso será realizado no Centro de Eventos Ismael Sperafico e marca o início das atividades após o lançamento institucional ocorrido em dezembro, em Curitiba (PR).

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
A formação é direcionada principalmente a profissionais das prefeituras envolvidos na operação de máquinas da chamada “linha amarela” e na readequação de estradas rurais. A proposta combina orientação técnica para manejo de solo e drenagem com ações de recuperação de nascentes e educação ambiental.
A coordenação geral do projeto está a cargo de Altair Bertonha. A organização do curso foi estruturada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), que indicaram articuladores locais.
De acordo com o engenheiro agrônomo Samuel Mokfa, o objetivo é alinhar práticas de conservação ambiental às rotinas operacionais das prefeituras. “A proposta é qualificar tecnicamente as equipes municipais para que as intervenções em estradas rurais considerem critérios de conservação do solo, da água e da paisagem”, afirma.
O evento também marca o lançamento de dois materiais didáticos que serão utilizados no curso: um Manual de Boas Práticas e uma

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
história em quadrinhos voltada à educação ambiental. A intenção, conforme a organização, é alcançar tanto técnicos quanto estudantes da rede escolar. “Os materiais foram pensados para traduzir conceitos técnicos em linguagem acessível e apoiar as ações nas comunidades”, menciona Mokfa.
A equipe de instrutores reúne engenheiros agrônomos, agrícolas, ambientais e de produção, além de biólogos, geógrafos e economistas. A abordagem é interdisciplinar e inclui aspectos produtivos, ambientais, sociais e de planejamento público.
O projeto prevê ainda a produção de trabalhos acadêmicos e a criação de uma plataforma digital para registro de demandas dos municípios, com foco na organização das informações sobre intervenções em estradas e pontos críticos de erosão e drenagem.
A cerimônia contará com representantes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), além de lideranças municipais e instituições de ensino superior.
Além da programação presencial, o evento também será transmitido de forma remota pelo link https://meet.google.com/iam-oxvj-bmu, ampliando o acesso e permitindo a participação de interessados de diferentes regiões.
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Mapa e CVM firmam acordo para ampliar financiamento do agro via mercado de capitais
Parceria prevê compartilhamento técnico e ações para facilitar acesso de produtores a instrumentos financeiros fora do crédito tradicional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Comissão de Valores Mobiliários formalizaram um Acordo de Cooperação Técnica com foco na ampliação do financiamento ao setor agropecuário por meio do mercado de capitais.
A iniciativa ocorre em um contexto em que uma parcela relevante dos recursos destinados ao agro já tem origem em operações com títulos e valores mobiliários, como instrumentos de securitização e crédito privado. A parceria busca aprofundar esse movimento, ampliando o uso dessas ferramentas no financiamento da produção.
O convênio prevê o compartilhamento de conhecimento técnico entre as instituições, além do desenvolvimento de diagnósticos, estudos e análises voltadas ao aprimoramento do ambiente de financiamento do setor. Também estão previstas ações para promover o acesso de produtores e empresas agropecuárias ao mercado de capitais.
A coordenação ficará sob responsabilidade da Secretaria de Política Agrícola do ministério, com apoio do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, e da área de securitização e agronegócio da CVM.
O acordo tem vigência inicial de dois anos, contados a partir da publicação no Diário Oficial da União, com possibilidade de prorrogação. A expectativa é que a cooperação contribua para diversificar as fontes de recursos do agro e reduzir a dependência exclusiva das linhas tradicionais de crédito rural.
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Milho se mantém em R$ 69/sc com mercado travado por compradores retraídos
Cotações recuam pontualmente diante de estoques nas mãos da demanda e expectativa de novas quedas.


