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Últimas 24 horas são cruciais para abate produzir carne suína de melhor qualidade

Especialista chama a atenção às últimas horas de vida do animal, durante palestra na qual explanou sobre como o bem-estar animal impacta na produção de carne suína.

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Produzir alimentos de qualidade é o desejo de todo produtor. No caso do suinocultor este trabalho de produção pode levar até 11 meses se levarmos em conta o momento no qual o leitão nasce até ficar pronto para o abate. É claro que muitas granjas executam apenas uma parte deste trabalho, seja maternidade, crechário, crescimento ou terminação, o fato é que todas estas etapas são muito importantes e em todas elas é possível afetar a qualidade da carne do estágio final. Entretanto, quando pensamos nas últimas 24 horas antes do abate é preciso reconhecer que este é um momento crucial para impactar, de forma positiva ou negativa, a produção da carne de qualidade. Quem aponta para este detalhe é o consultor da área de suínos Cleandro Dias Pazinato, que participou da 2ª edição do InovaMeat, realizado em meados de abril, em Toledo, PR.

Cleandro Dias Pazinato durante o InovaMeat, em Toledo, PR, no mês de abril – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural

O palestrante chamou a atenção às últimas 24 horas de vida do animal, durante palestra na qual explanou sobre como o bem-estar animal impacta na produção de carne suína. Ele discorreu sobre o conceito de bem-estar animal, acerca da importância do bem-estar, a respeito dos impactos da etapa da granja na produção de carne, bem como os impactos do transporte, além dos impactos do abate, enaltecendo que todos estes pontos são cruciais e que é nas últimas 24 horas que o trabalho de 11 meses pode consolidar-se como efetivo ou pode ser perdido, no caso de uma condenação do animal. “Eu sempre saliento que as últimas 24 horas do suíno são muito importantes, pois é o momento no qual você pode jogar fora todo o trabalho que teve”, afirma.

Pazinato discorreu sobre o conceito de bem-estar da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) que aponta o “Bem-estar animal como o estado físico e mental de uma animal em relação às condições em que vive e morre”, ou seja, BEA é quando o animal é tratado com respeito pelos produtores e indústria, que buscam evitar todo e qualquer sofrimento desnecessário. “Falamos bastante em bem-estar porque é necessário primar e zelar por uma vida melhor e mais produtiva do animal, pois animais abatidos com estresse severo não trazem renda, pois a carne não fica com boa qualidade”, informou.

O palestrante enumerou alguns benefícios quando se busca o bem-estar animal enaltecendo que isso gera mais saúde, melhor comportamento e consequentemente ganho de produtividade. “Quando agimos de forma ética, buscando com que o animal não sofra, estamos evitando perdas de produção, porque menos animais serão perdidos por condenações, bem como estamos evitando a perda de qualidade do produto final, como as carne PSE e DFD”. A carne PSE apresenta propriedades como cor pálida e baixa capacidade de retenção de água. A carne DFD apresenta características escura, firme e seca e são mais suscetíveis a alterações microbianas. “Essas perdas de qualidade e de quantidade possuem um aspecto econômico muito grande, o que influencia muito na rentabilidade do plantel”, menciona.

Outro ponto enumerado pelo consultor é a importância da confiança e transparência do processo. Cleandro apresentou uma pesquisa científica que comprovou, nos Estados Unidos, que mais de 57% dos entrevistados possuíam interesse em saber se as carnes adquiridas no supermercado eram fruto de um trabalho ético com os animais. “E isso não é só nos EUA, todos os anos observamos que existe um acréscimo de pessoas que buscam informações sobre a forma e os padrões com que as carnes são produzidas. Isso mostra que o consumidor precisa ter confiança e busca que a cadeia de suprimentos alimentícios trabalhe sempre com transparência e respeitando as legislações. É por isso que vemos um avanço nos programas de certificação e também em consumidores bem informados, que procuram adquirir produtos que tragam confiança na procedência e no cuidado com os animais”, pontua.

Equilíbrio

Outro ponto que foi destacado pelo palestrante foi a importância do equilíbrio. “Quando trabalhamos o bem-estar na produção de carne suína temos que lembrar que são vários os fatores importantes, sendo que todos são significativos e merecem ser trabalhados de forma integrada. A produção de suínos envolve a granja, o transporte, o abate, o frigorífico, sendo que quando tudo isso está bem alinhado nós temos o êxito: isto é, a carne de qualidade. Para que tudo isso dê certo é necessário interagir todos estes fatores, não esquecendo da necessidade de qualificação das pessoas que trabalham em cada etapa”, pontua.

Existem muitos fatores que afetam o bem-estar animal e consequentemente a qualidade da carne nas últimas 24 horas antes do abate. “Estes fatores envolvem a harmonia entre os três elos principais desta produção que são: os animais, a granja e as pessoas que trabalham e zelam por estes animais. Tudo isso precisa estar alinhando para que a produção da carne atinja o melhor potencial possível. De acordo com trabalhos científicos, observamos que 25% das causas de animais mortos e não ambulatoriais estão relacionados com instalações e manejo na granja, 16% com o transporte e 16% com o manejo na chegada ao frigorífico. Esses dados são interessantes e mostram o que precisamos melhorar para termos uma produção mais eficiente”, expõe.

Manejo pré-abate

A preparação para o abate é um momento bastante crítico para o animal. Estudos mostram que a ocorrência de animais exaustos pode reduzir até 30% do valor da carcaça. “Sabemos que este é um momento difícil para o suíno, desta forma precisamos buscar técnicas que amenizem o sofrimento desta etapa final. Uma das primeiras alternativas que são benéficas de se usar é cuidar com o jejum correto dos animais. Diversos estudos apontam a importância de fazer o jejum de 18 horas, porque este preparo mostrou-se adequado, oferecendo menos risco de patógenos, fortalecendo o sistema de higiene, bem como propiciando economia de ração que seria desperdiçada, oferecendo, desta forma, segurança alimentar e qualidade da carne produzida”, reforça.

Este limite máximo de 18 horas de jejum também é estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que emitiu uma atualização da Portaria Nº 365/21 que diz respeito às técnicas humanitárias de manejo pré-abate e abate de animais para consumo humano. Essas novas regras serão implementadas em todo o território brasileiro a partir do dia 1º de agosto de 2023. “Estas recomendações não são uma equação fácil de atingir, mas elas precisam ser uma meta de excelência. Temos que lembrar que estas diretrizes irão trazer benefícios para os animais, mas também benefícios para a indústria”, pondera.

Além da importância do jejum, Cleandro chamou a atenção às instalações da granja. “Também temos diretrizes importantes que dizem respeito ao tamanho do grupo que é transportado pela granja, de acordo com o tamanho das instalações. “Estudos mostram que o transporte dos animais pela granja também precisa ser cuidadoso para evitar fraturas e machucados. Também gostaria de chamar a atenção para as partes das granja que possuem obstáculos, como paredes, etc. A visão dos suínos é diferente e desta forma, ângulos de 30 graus levam a um melhor movimento dos animais em comparação com os ângulos de 90 graus, criando um caminho mais suave em direção à rampa”, reflete.

O bem-estar também está relacionado com os degraus, pois os mesmos são fatores estressantes que afetam o fluxo dos animais. “As recomendações são para que as rampas sejam menos íngremes possíveis. Quando as superfícies são antiderrapantes o transporte é facilitado, bem como quanto mais pesado o animal, mais difícil será o manejo. Outro ponto que chamo a atenção é com relação à IN 113, que permite que as rampas tenham ângulos de até 25°, entretanto, minha recomendação é que a inclinação máxima da rampa seja reduzida para 15°”, recomenda.

Ractopamina

A Ractopamina é um aditivo que traz ótimos benefícios na produção de suínos, uma vez que ela ajuda na obtenção de músculos e desta maneira, ajuda a produzir mais carne e de forma mais rápida e eficaz. Essa prática é bastante difundida na suinocultura brasileira, entretanto, o palestrante chamou a atenção para uma utilização consciente e eficaz deste produto. “A Ractopamina ajuda na produção, mas deixa o animal agitado. Embora os benefícios econômicos sejam bem conhecidos deve-se considerar os riscos desse aditivo para o bem-estar animal. Isso porque os estudos mostram que os animais ficam mais agitados e desta forma são mais difíceis de manejar, o que pode ocasionar uma maior número de intervenções físicas para a manipulação dos animais, aumentando as brigas e até mesmo as condenações por carcaça. Desta forma, a recomendação é que a mesma seja utiliza com cautela e é importante fazer um estudo sobre o término do uso deste ingrediente”, indica.

O peso do transporte

Após a entrega do animal para o caminhão do transporte segue uma nova etapa que é muito séria e que precisa de muita atenção, pois o transporte ineficiente pode trazer muitos problemas para o momento do abate. “É no momento do transporte que surgem novos desafios, pois temos os estresses do agrupamento e do manejo, o estresse térmico, podem acontecer lesões, tem a questão da fome, da sede, falta de baias que podem gerar problemas de descanso, verifica-se uma super estimulação sensorial, bem como a restrição de movimentos. Tudo isso pode experenciar um ou mais estados emocionais negativos associados com estas consequências, incluindo medo, dor, desconforto, frustração, fadiga e diestresse. Esses estressores que o animal passa, na hora do transporte, colocam em risco a qualidade da carne”, observa o palestrante.

Desta maneira é preciso ter um cuidado muito especial com os animais, já que a tendência natural é eles serem expostos ao estresse antes, durante e depois do transporte. “As formas de amenizar esse sofrimento são, além do cuidado nas granjas, cuidar com a densidade utilizada no transporte, ou seja, carregar um número de animais adequado. Além de uma boa condução por parte do motorista é fundamental, uma vez que as vibrações durante a viagem também interferem no nível do estresse”, argumenta o profissional.

O controle da temperatura na viagem é outro fator importante. Para reduzir o risco das consequências no bem-estar animal devido à exposição a altas temperaturas efetivas, a temperatura interior dos veículos de transporte de suínos não deve exceder o UCT estimado em 30°C para desmama, 25°C para terminação e 22°C para reprodutores. No entanto, recomenda-se manter as temperaturas abaixo do limite superior da ZTC, estimada em 25°C para leitões, 22°C para terminados e 20°C para reprodutores, a fim de proteger o bem-estar dos animais durante o transporte. “O controle da temperatura é muito importante em virtude de que estudos comprovam que viagens longas no período do verão tendem a propiciar uma maior fadiga muscular nos animais”, adverte.

Manejo na indústria

Por fim os animais chegam na indústria, onde serão abatidos e serão transformados em produtos que estarão aptos para serem vendidos ao consumidor final. Nesta etapa, é preciso ficar atento ao tempo de espera para o descarregamento do caminhão. “Infelizmente este procedimento pode variar de 5 minutos a 4 horas, sendo que neste período os animais são expostos a diferentes fatores estressantes, além de diferentes condições ambientais e microclimáticas, como ventilação insuficiente, densidade exacerbada, falta de camas, privação de água e alimentos, todos estes fatores podem trazer complicações. A recomendação é que estes animais sejam retirados do caminhão e encaminhados à sala de espera o mais rápido possível e sempre dentro de 30 minutos após a chegada no frigorífico”, sugere.

É oportuno ressaltar que a condição fisiológica dos animais quando chegam à indústria reflete o estado acumulado em sua jornada desde a granja, incluindo as condições de criação, manejo nas baias, transporte misto com animais desconhecidos, métodos de carregamento, condições das estradas e tempo de espera para descarregar”. A respiração ofegante em resposta ao estresse térmico durante o desembarque na planta de abate foi classificado como um importante fator de risco para uma taxa mais rápida de acidificação da carne após o abate, lembrando que se o pH da carne diminuir muito rapidamente, isso pode afetar a qualidade, textura e sabor da carne”, adverte.

Desta forma é apropriado ressaltar que a chegada dos animais na indústria necessita de um trabalho sério e eficiente, que proporcione o descanso adequado aos animais, bem como uma insensibilização de acordo com as normas que são permitidas, visando o bem-estar animal e a qualidade do produto que estará sendo produzido. “Preciso chamar a atenção para os acessórios que são permitidos na indústria, como o bastão elétrico e o remo de plástico, enaltecendo que as falhas de manejo destes materiais podem acarretar sérios prejuízos ao produto, além de dor e sofrimento para os animais. Estudos mostram que a utilização dos bastões elétricos altera a concentração de lactato no sangue dos animais”, observa.

Principais causas de carne PSE e DFD

A carne PSE e DFD, consideradas de baixa qualidade para o consumo humano, possuem textura e sabor comprometidos. O palestrante enumerou algumas causas da carne ser classificada como PSE e DFD, enaltecendo o transporte inadequado, o manejo com choque elétrico, a falta de descando após a viagem, um nível de som alto e um longo tempo de aplicacao do sistema elétrico, bem como o jejum prolongado. “Todos estes fatores impactam a qualidade da carne nesta etapa final e fazem muita diferença na rentabilidade econômica dos planteis”, afirma.

O médico veterinário finalizou a sua fala relacionando o bem-estar animal com o ESG, refletindo que práticas de bem-estar contribuem para o ESG, pois ambos fazem referência a aspectos relacionados à sustentabilidade e responsabilidade social em relação à produção animal. “Precisamos enxergar o bem-estar e o ESG como oportunidades de desenvolvimento que vão trazer grandes e significativas melhorias para a produção de carne suína e que primam pela preservação eficiente do meio ambiente e que podem influenciar em novas práticas de produção e de consumo”, avalia Pazinato.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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ABCS aposta em campanha para impulsionar consumo de carne suína

Iniciativa busca ampliar demanda interna diante da pressão sobre preços e aumento da produção.

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) decidiu lançar uma edição especial da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” como resposta estratégica ao atual cenário da suinocultura, marcado pelo aumento da produção, retração do consumo interno e pressão sobre os preços pagos ao produtor, apoiando assim os produtores em um cenário desafiador.

Apesar do bom desempenho das exportações em 2026, que cresceram expressivamente no primeiro trimestre, o volume exportado não tem sido suficiente para equilibrar o mercado doméstico. Isso ocorre porque o setor enfrenta dois fatores simultâneos: o aumento da produção e a retração do consumo interno. Essa combinação pressiona as cotações e impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo ações coordenadas para estimular a demanda dentro do país.

É nesse contexto que a ABCS antecipa a campanha Bom de Preço, Bom de Prato,  apostando de forma rápida e certeira no fortalecimento do consumo interno como principal alavanca para reequilibrar o mercado. A iniciativa reforça ao consumidor brasileiro que a carne suína é uma proteína com excelente custo-benefício, acessível, versátil, saborosa e adequada ao dia a dia, buscando ampliar sua presença na mesa das famílias e, consequentemente, aumentar sua venda no pequeno, médio e grande varejo.

A edição especial da campanha intitulada “A melhor escolha do momento” tem início imediato e deve alcançar milhões de consumidores com ações coordenadas em todo o país. A estratégia está estruturada em três frentes principais: varejo, influência digital e mobilização da cadeia produtiva. No varejo, a iniciativa prevê materiais de ponto de venda e comunicação em loja, com foco em destacar o custo-benefício e a versatilidade da carne suína, incentivando a decisão de compra e o aumento do giro da proteína.

Já no ambiente digital, a campanha contará com conteúdos e vídeos produzidos em parceria com influenciadores, como o médico, Dr. Bruno Monteze, o nutricionista, Jefferson Jorge, a nutrichef, Clariana Colaço, e o chef de cozinha Jimmy Ogro, que juntos somam mais de 3 milhões de seguidores nas redes, ampliando o alcance da mensagem e aproximando o produto do cotidiano do consumidor.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira” – Foto: Divulgação/ABCS

A terceira frente envolve a ativação de toda a cadeia, com a disponibilização gratuita de materiais e conteúdos para o sistema ABCS os demais agentes da cadeia que queiram se juntar a força tarefa de promover o consumo, permitindo a replicação da campanha em diferentes regiões e ampliando sua escala nacional.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com essa iniciativa, a ABCS reforça seu compromisso com o setor, mostrando ao produtor que está atenta ao cenário e atuando de forma proativa para enfrentar os desafios. “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira”, concluiu.

A ABCS realizou na última quarta-feira (22), uma reunião para entregar essa campanha e explicar a estratégia de utilização para todo o Sistema, contribuintes do FNDS e varejos parceiros, onde o presidente da ABCS, reforçou a importância da participação de todos para multiplicar a campanha, convocando os presentes para que a iniciativa chegue a todos os brasileiros.

A ABCS também aproveitou a ocasião para apresentar um panorama de mercado atual, para ajudar a explicar o momento que o setor tem vivido. Ao final, o presidente da Asemg, Donizetti Ferreira, parabenizou a ABCS pela campanha e reforçou a necessidade do engajamento de todos: “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar o consumo, é só nos dedicarmos a replicar o material”. Renato Spera, presidente da Asumas, concordou: “Achei fantástico. A campanha será crucial para atravessarmos a crise.” Iuri Pinheiro Machado, diretor executivo da Agigo também parabenizou a ABCS por acelerar essa campanha diante do momento atual, e da demanda dos suinocultores, segundo ele: “A crise sempre gera oportunidade, e essa é uma grande oportunidade para ganhar mais espaço no varejo pela competitividade da carne suína”, finalizou.

Fonte: Assessoria ABCS
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Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno

Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

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O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

Considerações finais

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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Queda de 27,5% no preço do suíno vivo acende alerta no setor em Mato Grosso

Produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 60 por animal enquanto recuo não chega ao consumidor.

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A suinocultura de Mato Grosso enfrenta um momento de forte pressão econômica em 2026. Levantamento realizado pela Bolsa de Suínos da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), indica uma queda expressiva no preço pago ao produtor, sem que essa redução seja percebida pelo consumidor final nos supermercados e açougues.

De acordo com a Acrismat, em janeiro deste ano o quilo do suíno vivo era comercializado a R$ 8,00. Nesta semana, o valor caiu para R$ 5,80, uma redução de 27,5%. Trata-se do menor patamar registrado desde 25 de abril de 2024, quando o preço estava em R$ 5,60 por quilo.

Frederico Tannure Filho, presidente da Acrismat: “Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e também na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor”

Apesar da queda significativa tanto no preço do suíno vivo quanto da carcaça, o movimento não tem sido acompanhado pelo varejo. Segundo o setor produtivo, os preços da carne suína em supermercados e açougues permanecem elevados, o que impede que o consumidor final se beneficie da redução.

Outro ponto de preocupação é o aumento dos custos de produção. Atualmente, o suinocultor mato-grossense acumula prejuízo estimado em cerca de R$ 60,00 por animal enviado para abate, o que compromete a sustentabilidade da atividade.

O presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, destaca a necessidade de maior equilíbrio na cadeia produtiva e faz um apelo ao setor varejista:

“Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e também na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor. É importante que o varejo acompanhe esse movimento, reduzindo os preços na ponta. Dessa forma, conseguimos estimular o consumo de carne suína e, ao mesmo tempo, amenizar os impactos enfrentados pelos produtores”, afirma.

A entidade reforça que a redução no preço ao consumidor pode contribuir para o aumento da demanda, ajudando a reequilibrar o mercado e minimizar os prejuízos no campo. A Acrismat também pede apoio e conscientização dos elos da cadeia para atravessar o atual momento de crise no setor.

Fonte: Assessoria Acrismat
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