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Três lições para reduzir os antimicrobianos em suínos

Os estudos de campo mostram que uma abordagem multissetorial pode ajudar a atingir os objetivos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Maartje Wilhelm. Co-autores: Nienke de Groot e Javier Roques Mata – Trouw Nutrition

Por conta da resistência antimicrobiana e a ameaça a saúde humana, está aumentando a pressão sobre os suinocultores para reduzir o uso dos antimicrobianos. Os desafios estão em reduzir o uso sem comprometer a saúde e o desempenho dos animais. Em diferentes condições de produção, estruturas, instalações e em climas variados, os produtores enfrentam muitos desafios. Os estudos de campo a seguir mostram que uma abordagem multissetorial pode ajudar a atingir os objetivos.

Alguns produtores da União Europeia têm sido bem-sucedidos na redução dos antimicrobianos sem prejudicar a produtividade ou o desempenho dos animais. Listamos três lições para a redução antimicrobiana, inspirado pelo sucesso desses produtores.

  1. benchmarking otimiza o sucesso

A legislação, bem como fatores de mercado podem direcionar os objetivos de produção. Um produtor pode visar o “uso responsável dos antimicrobianos” para cumprir a legislação, enquanto outro produtor pode prosseguir “livre de antibióticos” como um ponto de diferenciação competitiva. Uma vez que as metas são definidas, é hora de avaliar e identificar pontos críticos de controle. O progresso só é real quando é mensurável.

Primeira etapa:

Uma criação na Espanha reduziu o tratamento com antibióticos na alimentação das porcas e teve um aumento de diarreia neonatal seguido de uma taxa de mortalidade pré-desmame de 21%. Quando as análises mostraram que Clostridium foi o responsável no desafio da diarreia, e as vacinas não conseguiram alcançar a melhoria desejada, a granja determinou não vacinar matrizes contra Clostridium.

Para iniciar e estabelecer metas de desempenho, amostras de ração líquida foram coletadas em diferentes etapas do processo. Os dados da análise inicial (antes de Outubro) determinaram metas para reduzir a presença de Clostridium e outros contaminantes.  Foram utilizadas misturas de ácidos orgânicos para higienizar as linhas de ração (SCFA – Ácidos Orgânicos de Cadeia Curta e MCFA – Ácidos Orgânicos de Cadeia Média).

A abordagem também incluiu a introdução de aditivos alimentares na dieta para estabilizar a microflora e melhorar a integridade intestinal. Apenas um mês mais tarde (após novembro), a análise revelou níveis reduzidos de Clostridium e de Enterobacteria na alimentação das matrizes. O protocolo de limpeza foi repetido, após a realização de outra análise (após novembro). As melhorias levaram a granja a adaptar sua rotina de gestão padrão para incluir o monitoramento periódico de linhas de fabrica de ração, garantindo a segurança alimentar.

  1. Trata-se de prevenção

Os sistemas de produção devem ser estáveis e previsíveis e os esforços para manter esses fluxos normais são essenciais. Uma vez que o problema ocorreu, tudo o que resta a fazer é tentar minimizar o impacto e voltar a um estado de equilíbrio o mais rápido possível. Investir tempo e esforço na identificação do problema é crucial para que ele não ocorra novamente. Prevenir é melhor que remediar.

Segunda etapa:

O processo de desmame tem um grande impacto sobre o desempenho dos leitões. Os padrões de ingestão de ração antes e logo após o desmame são os maiores fatores de risco para causar diarreia pós-desmame. A prevenção deste processo é essencial para garantir uma boa saúde e o desempenho dos animais. O baixo consumo de água e de ração são fatores de risco que causam disbiose (alteração da microbiota). E por isso devem ser monitorados.

Um grupo de leitões recebeu ração antes da desmama (Creep), enquanto o outro grupo não recebeu. Embora ambos os grupos tenham ido ao cocho com a mesma frequência, o que recebeu ração antes do desmame apresentou maior taxa de sucesso nas idas ao cocho: consumiu mais ração.

Fatores que ocorrem antes do desmame, podem afetar o desempenho dos leitões mais tarde. O sofrimento ao nascer é um fator de risco. Os leitões que tiveram um nascimento ‘normal’ apresentaram taxas de crescimento significativamente maiores antes e após o desmame em comparação com os leitões que sofreram no nascimento.

Ambas as situações (não fornecer ração no pré-desmame e sofrer ao nascer) são fatores de risco que têm um grande impacto no desempenho e podem ser evitados, tornando o processo produtivo mais estável e previsível.

  1. Uma abordagem integrada é fundamental

Focar em todos os fatores que interferem na saúde dos suínos, como controles da qualidade da ração, da água, do nascimento dos leitões e do ambiente são fundamentais para a redução no uso dos antibióticos.

Terceira etapa

A produção de suínos é inter-relacionada, portanto uma mudança na alimentação, na sanidade, no manejo da granja irá impactar outras áreas. Um bom exemplo é a influência que a saúde do intestino de um suíno pode ter na eficácia da vacinação. O trato gastrointestinal dos suínos funciona como uma barreira entre o animal e o ambiente. A saúde e o equilíbrio deste sistema são afetados pela qualidade, segurança e composição da água e da ração, que por sua vez influenciam o crescimento, a resposta imune e a saúde sistêmica.

Pequenas mudanças no manejo das rações, como a redução da carga microbiana, melhorando a higiene alimentar, podem influenciar a resposta imune sistêmica do animal e, assim, a eficácia vacinal e performance produtiva.

Na granja espanhola mencionada neste artigo a colaboração entre o gerente da granja, o veterinário e o consultor de nutrição melhorou a higiene da ração líquida das matrizes, o que levou à melhoria da eficácia dos protocolos de vacinação da granja. A integração de misturas de ácidos orgânicos (SCFA-MCFA) juntamente com uma vacina de Clostridium mostrou melhorias na relação Lactobacillus/Clostridium nas fezes das fêmeas. Esta relação é considerada uma das medidas para determinar a saúde do intestino.

Uma análise subsequente da diarreia dos leitões mostrou que poucos eram positivos para E. coli e Clostridium Perfringens. O programa de vacinação contra o Clostridium foi retomado com sucesso, resultando na redução da mortalidade pré-desmame de 21% para 7%.

Planeje, faça, verifique e aja

Olhando para o futuro, a União Europeia está avançando para restrições ainda mais rigorosas relacionadas à utilização de antimicrobianos. Estas são motivadas principalmente por preocupações com a resistência antimicrobiana e contaminação do ambiente com antibióticos e metais pesados. Em 2022, uma nova proibição dos níveis farmacêuticos de óxido de zinco será implementada. Haverá também restrições sobre o uso metafilático de antibióticos (tratamento grupal assim que a doença ocorrer em um animal) e a possibilidade de reservar certos antibióticos somente para uso humano.

Trabalhos científicos aplicados a práticas em granjas mostram que uma abordagem multissetorial, integrando o manejo de rações, da granja e da saúde, pode ajudar os suinocultores a atingir metas de produção, reduzindo ou eliminando a dependência de antimicrobianos.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Especialista explica

Cuidados essenciais para garantir uma boa ambiência na creche

Especialista aponta principais desafios enfrentados pelas granjas brasileiras e dá dicas sobre como garantir conforto térmico adequado aos leitões

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Proporcionar um ambiente térmico adequado aos leitões na creche é fundamental. Afinal, trata-se de uma etapa que pré-determina o desempenho dos animais em todas as outras fases. A tarefa, porém, apesar de essencial, é desafiadora. Leitões precisam estar dentro de uma faixa estrita de temperatura para expressar seu completo potencial produtivo. Em entrevista exclusiva ao Presente Rural, Gustavo Lima, supervisor de Serviços Técnicos da Agroceres PIC, fala sobre o assunto, aponta os principais desafios enfrentados pelas granjas brasileiras e dá dicas sobre como garantir conforto térmico adequado aos leitões.

O Presente Rural (OP Rural) – Quais são as exigências de termorregulação dos leitões?

Gustavo Lima (GL) – É preciso revisar alguns conceitos quando se trata de traçar objetivos para o conforto térmico. Sob o ponto de vista fisiológico há, por exemplo, o conceito de zona termoneutra, que é a faixa de temperatura ambiente na qual o desvio energético para produção de calor, como produto fisiológico e metabólico, é mínimo. Suínos são animais homeotérmicos, ou seja, têm capacidade de regular a temperatura corporal a um nível constante e possuem uma faixa de temperatura ótima para sua sobrevivência, também conhecida como zona de conforto térmico. Posto isso, basicamente, o desafio, nos sistemas de produção, é colocar os suínos dentro da faixa de termoneutralidade, pois nessa condição o animal vai desviar o máximo de energia para o crescimento. A produtividade está diretamente ligada ao tempo em que o animal está submetido à zona termoneutra.

OP Rural – E o que é preciso levar em consideração para garantir conforto térmico aos leitões na fase de creche?

GL – Em primeiro lugar, conforto térmico não pode ser confundido com temperatura ambiente. Não necessariamente uma sala com 28ºC e, portanto, dentro da termoneutralidade do leitão, garante conforto térmico. É preciso considerar outra variável de controle que é temperatura efetiva, temperatura real que o animal está efetivamente sentindo.

OP Rural – E como se faz para aferir isso?

GL – Através de alguns instrumentos, como o termômetro de bulbo seco ou convencional, e da observação do comportamento dos animais. Por exemplo, leitões na creche, dentro de uma sala com temperatura de 28ºC, mas ainda assim amontoados, indica que estão sentindo frio. Isso pode estar acontecendo por várias razões. O isolamento do galpão, a qualidade dos materiais, como piso, e dos equipamentos usados para o aquecimento dos leitões, tudo isso tem influência na garantia do conforto térmico. Por isso, é essencial estar atento ao comportamento dos animais para fazer os ajustes necessários.

OP Rural – Existe uma configuração mínima de equipamentos para garantir um conforto térmico adequado aos leitões?

GL – A ambiência na creche vai depender do foco produtivo do suinocultor. Não existe a temperatura ideal para o suíno em si, e sim uma faixa de temperatura ideal, que é a zona de conforto térmico. Existem tecnologias para manter um galpão dentro de uma faixa restrita de temperatura efetiva. Ao mesmo tempo, pode-se tolerar uma variação um pouco maior de temperatura efetiva. É tudo uma questão de custo-benefício.

OP Rural – Mas quais os cuidados mínimos que o produtor deve tomar?

GL – O produtor deve estar atento a quatro variáveis: a condutividade de calor dos materiais, pois estes apresentam diferenças em calor específico, as estratégias de ventilação, de aquecimento e o isolamento térmico do galpão. No caso da primeira, é preciso preconizar o uso de pisos plásticos. Os de concreto são recomendados apenas em situações em que se quer trabalhar com pisos térmicos ou como base para comedouro. É preciso também definir estratégias de ventilação, que podem ser natural – que permite trabalhar com galpões mais estreitos e cortinas manuais ou automáticas. O produtor pode optar ainda pela ventilação mecânica, que pode apenas envolver ventilação mínima, ou a ventilação completa por pressão positiva ou negativa.

OP Rural – Quais as diferenças?

GL – No caso da ventilação mínima, o galpão pode ser um pouco mais largo e trabalha-se com as cortinas totalmente fechadas e exaustores para manter os níveis de gases dentro de limites aceitáveis. Já os galpões que trabalham com pressão positiva são equipados com cortinas automáticas e ventiladores. E há também os galpões com pressão negativa, nos quais a ventilação é 100% mecânica, com a entrada de ar pelos inlets. O terceiro item se refere às estratégias de aquecimento. É possível trabalhar com fornos – a gás, lenha ou elétricos -, de maior ou menor capacidade. O uso de campânulas, nos galpões maiores, e de lâmpadas infravermelhas nos menores, também são soluções efetivas. E por fim, é preciso checar o isolamento térmico do galpão, sempre preconizando o uso de telhas de poliuretano ou sanduíche.

OP Rural – De que forma uma ambiência adequada na etapa de creche deixa a produção de leitões mais eficiente?

GL – A adoção de um bom sistema de ambiência na creche é importante para manter a qualidade do ar dentro de parâmetros adequados, esse é o primeiro ponto. O segundo é manter uma oscilação menor de temperatura no galpão, independente da temperatura externa. Isso, nos primeiros 15 dias, é um grande determinante da saúde animal. Boas condições de ambiente e temperatura reduzem significativamente o número de refugados, de leitões que não têm acesso à ração, e os casos de diarreia. Com isso, há melhoras no ganho de peso e redução drástica na mortalidade.

OP Rural – Como são as granjas brasileiras quanto ao uso de sistemas e equipamentos para a ambiência de creche?

GL – As granjas brasileiras são bastante heterogêneas. Essa variação está muito ligada ao conceito econômico de produção.

OP Rural – Quais os modelos predominantes?

GL – A maioria trabalha com ventilação natural, com investimento em exaustores, em qualidade de entrada de ar, de forno etc. Ainda existem novos projetos sendo construídos dentro desse conceito. Existem também projetos com ventilação híbrida, natural e mecânica, nos quais os galpões são equipados com exaustores e cortinas automáticas. Há  galpões completamente fechados em pressão negativa, porém, sem entradas de ar pelo teto e, portanto, feito via placa evaporativa, que não é o ideal, e projetos com exaustores para pressão negativa normal e inlets de teto. E, claro, existem sistemas de produção de alta tecnologia, com galpões em pressão negativa, equipados com exaustores menores e maiores trabalhando em conjunto, que proporcionam ventilação suave, inlets de teto e fase de transição para entrar em túnel, que promove a entrada de ar pela cortina central ou por placa evaporativa.

OP Rural – Quais as principais deficiências quando a assunto é ambiência em creche de suínos?   

GL – Insistir em trabalhar com exaustores grandes. A exigência de troca de ar dos leitões na creche é pequena. Por exemplo, um leitão, no inverno, precisa de 3 m³ por hora de troca de ar para manter os níveis de gases dentro do limite adequado. Tomemos como exemplo um galpão com 3 mil animais, seriam 9 mil m³ por hora. Um exaustor grande, de 50 polegadas, troca 39 mil m³/hora. Acontece que nenhum exaustor, por questões mecânicas e elétricas, pode rodar abaixo de 50% de sua capacidade. E como o equipamento não se auto resfria, se rodar abaixo de 30% ele queima. Isso significa que a maioria dos galpões trabalha em ciclos de liga e desliga, consequentemente, alternando períodos de acúmulo e dispersão de gás e aumento e redução de temperatura na sala. Isso prejudica o desempenho dos leitões. Dessa forma, a maior oportunidade que existe é o uso de exaustores menores, trabalhando num raio de 12 metros.

OP Rural – Quais indicadores podem apontar se as condições ambientais estão adequadas na creche?

GL – Primeiro, os níveis de CO2 e amônia. No galpão, os níveis de CO2 devem ser inferiores a 3 mil ppm e os de amônia entre 15 a 20 ppm. O segundo ponto é checar a temperatura de bulbo seco. É preciso manter os galpões secos. Em ambientes frios, é possível reduzir a umidade do galpão aumentando a taxa de ventilação. E terceiro, é observar o comportamento dos animais. Se os leitões estão muito magros, se estão se alimentando, conferir a incidência de animais em jejum na primeira semana. É a partir dessa análise que o produtor vai saber se terá que fazer alguma intervenção e de que tipo.

OP Rural – Que intervenções podem ser feitas para melhorar os sistemas de ambiência de creche?

GL – Existem as ações urgentes e as estratégicas. Entre as urgentes estão os investimentos em aquecimento local da baia, em cortina dupla, no leitoeiro, que é aquela lona usada para cobrir as baias, porém este último com algumas ressalvas. São medidas inadiáveis para garantir o mínimo de conforto térmico. Já entre as estratégicas estão os investimentos em zona de conforto térmico, em forno, em bons isolantes térmicos, em cortinas tecnológicas, em forros que seguram um pouco mais o calor e material de piso. As ações estratégias são mais racionais e eficazes.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Piscicultura

Intensificação na produção de peixes deve respeitar limite do ambiente

Apesar de ser uma tendência na piscicultura, é preciso que o produtor tenha muita atenção na produção para não ter problemas futuros

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Arquivo/OP Rural

A piscicultura é uma atividade que vem ganhando cada vez mais notoriedade. Cada vez mais produtores, empresas e cooperativas se interessam pela produção. Assim, a quantidade produzida ao longo dos anos vem crescendo no Brasil. Especialmente no Oeste do Paraná, principal polo produtor da tilápia no país, a piscicultura vem ganhando cada vez mais espaço nas propriedades rurais. Os bons resultados fazem com que os produtores busquem mais desempenho.

Com esta ânsia de melhores resultados, alinhada à boa genética e nutrição de qualidade, a piscicultura tem ido pelo mesmo caminho que outro setores, utilizando o mesmo espaço para a criação de mais animais. Porém, a intensificação nesta atividade pode causar muitos problemas para o produtor que não tomar todos os cuidados necessários ao longo de toda a produção. “Como medimos a intensificação? É a quantidade de animais por metro quadrado, quanto mais animais, mais intensificado, mas também maior o uso de ração e melhor deve ser a qualidade da água”, explica o engenheiro de pesca Arcangelo Augusto Signor, do Instituto Federal do Paraná (IFPR). O profissional falou sobre o assunto com piscicultores durante o 1° Fórum de Piscicultura das Cooperativas Paranaenses, que aconteceu em junho em Toledo, no Oeste do Estado.

Um dos pontos cruciais para uma boa produção, de acordo com o profissional, é a qualidade da água. “Vamos produzir peixe? Então precisamos cultivar água. Porque se a água não estiver boa, não vai ter um peixe bom. Eu posso ter a melhor tecnologia, melhor ração ou genética, mas se a minha água é ruim, eu vou ter um peixe ruim”, afirma. Porém destaca que o contrário é fato: o piscicultor pode ter uma água boa e um peixe ruim. “Isso porque o peixe pode ter problemas com doença ou outras diversas questões”, comenta.

Signor chama ainda a atenção do piscicultor quanto ao modelo e forma de produção que será feito. “As condições variam muito de uma propriedade para outra. Não adianta pegar o modelo de produção X porque ele funcionou em algum lugar, porque é algo que pode dar certo ou pode dar muito errado. Isso porque existe a variação de solo, de água e de conhecimento do produtor quanto à produção”, informa. “É o produtor que precisa conhecer as interações que acontecem dentro da sua propriedade e do sistema de criação, porque o técnico pode ser o mesmo nas duas produções, mas ele não está todo dia lá, como o produtor está”, completa.

Estes detalhes são importantes uma vez que a intensificação que está acontecendo nas propriedades pode trazer problemas ao piscicultor. Um dos problemas mais comuns, segundo Signor, é de sanidade. Ele destaca que é necessário lembrar que produtividade é diferente de lucratividade. “O custo de energia elétrica, por exemplo, sobe muito, porque quem usa bombeamento ou a areação tem os custos da energia lá em cima. Será que é viável continuar intensificando com o aumento dos custos? É preciso avaliar isso”, alerta.

Segundo o engenheiro de pesca, é preciso que o produtor estabeleça limites de produção, além de conhecer a capacidade de suporte da propriedade, do ambiente e do tanque. “Sabemos que a intensificação em determinado produtor pode ser de oito peixes por metro quadrado, mas em outro pode ser diferente, sendo menos ou mais. Além do mais, é muito importante ter conhecimento da disponibilidade de água na propriedade”, conta. O profissional alerta que o aumento da densidade acaba aumentando outros quesitos, como o uso de água, areação, descarga de efluentes, uso de medicamentos, a possibilidade de desencadear alguma doença e o aumento da conversão alimentar.

Estratégias de produção

A produção da piscicultura é como uma engrenagem, depende como o produtor atuar ela vai rodar para um lado ou para o outro, diz Signor. “Por isso, é preciso que o piscicultor tenha o conhecimento técnico mínimo para atuar, desenvolvendo uma estratégia de produção, e tenha infraestrutura”, afirma. Ele acrescenta que o que mais influencia no crescimento da produção é a qualidade da água, que está relacionada ao manejo. “Conforme o piscicultor vai tendo estratégias, a produção vai se encaminhando de determinada forma”, conta.

Algo essencial, de acordo com o engenheiro de pesca, é que o produtor precisa buscar o equilíbrio na propriedade. “Porque é isso que determina se ele terá lucro ou prejuízo”, avalia. E algo em que o piscicultor deve se atentar é na capacidade de suporte da sua propriedade. “E o que é isso? É o máximo que aquele ambiente pode suportar, e isso varia em relação a ração, quantidade e qualidade de água, manejo e equipamentos”, informa. O profissional ainda aconselha que seria adequado o piscicultor produzir um pouco abaixo da sua capacidade de suporte. “A capacidade é o máximo que aquele ambiente pode suportar. Quando eu atinjo essa capacidade, o crescimento passa a ser nulo. Por isso é muito importante conhecermos essa informação”, afirma.

Bom manejo é essencial

Segundo Signor, o grande desafio do produtor é entender as interações que acontecem na propriedade e tomar as decisões mais assertivas. “Em muitos locais temos produtores muito capacitados. Porém, tem muita gente entrando na piscicultura porque acha que é “moda”, que é fácil. Por isso entender da atividade e as capacitações são tão importantes”, comenta.

O profissional ainda acrescenta que dois pontos essenciais que o piscicultor não pode esquecer estão relacionados à sanidade e enfermidades. “Algo que devemos começar a fazer no ambiente aquático é o vazio sanitário. Porque, se não fizer, podemos levar o problema de um cultivo para o outro. Para não ter problemas com patógenos e doenças, a solução mais fácil é prevenir”, diz. Prevenir, cita Signor, é oferecer uma nutrição adequada e boa qualidade água. “Patógenos estão no meio, devemos aprender a conviver com eles. Mas, peixes saudáveis, alimentados com ração que atenda as exigências, em uma água de qualidade e que tem um manejo adequado, os impactos são bastante reduzidos”, expõe.

Outro ponto importante que o produtor deve fazer é ter o controle de seus viveiros. “É preciso controlar as séries históricas de cada um deles. Estamos fazendo isso? Por exemplo: meu viveiro um deu problema há dois anos, o viveiro três tem um comportamento diferente do dois. É preciso fazer estas anotações para sabermos o que acontece em cada um para saber como agir se acontecer algum problema, além de saber se prevenir”, alerta.

Signor destaca que é imprescindível que o piscicultor cultive primeiro a água para depois somente cultivar o peixe. “Precisamos saber tratar da água, porque ele é o bem mais precioso para o produtor. O peixe vive lá, por isso precisamos cultivá-la, porque se ela estiver ruim, eu vou ter um peixe ruim”, assegura.

Para o engenheiro de pesca, é preciso que o piscicultor mantenha o equilíbrio entre todas as questões que envolvem a atividade: qualidade de água e de produtividade, nutrição, atenção às doenças, boas práticas de manejo e bom planejamento no começo da produção. “São pontos fundamentais”, assegura. Outra boa estratégia que deve ser utilizada é uma análise sobre o que deu certo e o que não deu após a despesca de cada lote. “As vezes em um tanque aconteceu surtos de problemas. Analisando, o produtor entende o que aconteceu e busca as melhores soluções para não dar problema nos próximos”, diz.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Custo x benefício

Segregar leitões em categorias de peso pode ser injustificável, sustenta especialista

Até o momento, não há comprovações científicas de que alta homogeneidade de peso em baias ao alojamento resulte em baixa variação e/ou melhor performance nas fases de creche e terminação

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Acervo Pessoal

Segregar leitões por peso no alojamento de creche e terminação é uma prática amplamente utilizada na suinocultura global. O principal objetivo deste manejo é reduzir a variação de peso do lote de animais ao final de cada fase. Nas últimas duas décadas, a produção de suínos intensificou o foco em estratégias para aumentar a homogeneidade de peso final dos animais ao abate. Muito desse esforço em consequência de ganhos com um padrão de cortes e produtos, mas também com uma possível associação com melhoria de performance zootécnica. Neste cenário, o manejo de segregação de leitões por peso ao alojamento surgiu como uma prática que supostamente auxiliaria no atingimento de maior uniformidade e também melhor desempenho dos animais. No entanto, é importante considerar que este manejo demanda tempo e é exaustivo para os funcionários, especialmente em granjas que praticam mais de um desmame por semana. Até o momento, não há comprovações científicas de que alta homogeneidade de peso em baias ao alojamento resulte em baixa variação e/ou melhor performance nas fases de creche e terminação.

As afirmações são do médico veterinário Jamil Elias Ghiggi Faccin, mestre em estratégias de manejo para maximizar desempenho na fase de creche e doutorando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade do Estado do Kansas, nos Estados Unidos. Faccin explicou em palestra os desafios e benefícios na segregação de leitões durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que aconteceu em agosto, em Chapecó, SC.

“A tentativa de minimizar a variabilidade de peso de um lote de animais tem como base a melhoria de performance de uma fração de leitões com menor peso. Porém, dos raros estudos que comprovaram a possibilidade de se reduzir o coeficiente de variação de peso final de um lote, somente através do manejo de abate segregado a redução foi possível. Vale salientar que este manejo é realizado nas últimas três semanas de terminação. Diversos estudos foram realizados com o intuito de melhorar a performance de leitões de menor peso e, consequentemente, reduzir a variação de peso. Nesses trabalhos foram testadas diferentes estratégias nutricionais e/ou de manejo para esta classe de leitões na fase de creche. Na maioria dos trabalhos, os autores são categóricos em afirmar que enquanto o tratamento em questão esteve presente, por exemplo, uso de sucedâneo lácteo nas primeiras semanas pós-desmame, foi possível observar melhor performance dos leitões pequenos. No entanto, os autores enfatizam ainda que após o término do fornecimento do tratamento, a diferença de peso não se sustenta e, em poucas semanas, leitões pequenos expostos a um suplemento/manejo especial já não apresentam performance equivalente. Estudos similares utilizaram tratamentos relacionados ao uso de dietas complexas, antimicrobianos, densidade, espaço de comedouro, entre outros, com resultados se comportando de maneira semelhante ao discutido”, aponta o especialista.

“Devido à dificuldade de se reduzir a variação de peso final ou melhorar o desempenho de leitões leves, cabe salientar que todo investimento realizado na fase de creche, seja em estrutura, manejo ou nutrição, deve atingir o breakeven nesta mesma fase. Considerar que a multiplicação dos pesos ocorrerá na terminação para justificar tal investimento pode ser um equívoco. Diante disso, os sistemas têm dado cada vez mais importância à taxa de mortalidade e de leitões descarte, e não somente ao desempenho zootécnico. É neste contexto que a segregação de leitões por categorias de peso ao desmame e outras práticas devem ser avaliadas na creche, como ferramentas para melhoria da sobrevivência e não propriamente de aumento de ganho de peso e/ou redução da sua variação”, defende Faccin.

De acordo com ele, aprimorar os conhecimentos nesse tema é importante por vários motivos. “A variabilidade de peso de um grupo de animais é muito importante e pouco manipulável. Muito praticado nos EUA e pouco no Brasil, a remuneração por atingimento de “janelas” de peso ao abate faz com que o tema esteja sempre em voga. Porém, o manejo de segregar os leitões por peso, ao alojamento, seja em creche ou terminação, não reduz a variabilidade de peso final e em alguns estudos em granjas comerciais, até pioram a performance geral do lote. Especificamente na creche, os primeiros dias pós-desmame são bastante impactantes na vida do leitão. Portanto, uma segregação mínima de até 15% de leitões pequenos e que não apresentam sinais de consumo de ração/água é recomendada. No entanto, segregar todo o lote em categorias de peso tende a gerar mais brigas, não interferir na performance e variabilidade de peso final e, o que julgo como maior prejuízo, desperdício do tempo da mão-de-obra priorizando uma ação que não é imprescindível que ocorra ainda mais em um momento de alto estresse para o suíno”, sugere.

As práticas que, comprovadamente resultam em uma menor variação de peso ao abate, destaca o profissional, são o aumento a idade de desmame e o manejo de abate segregado, e não a segregação por peso ao alojamento.

Mas há benefícios?

Para o professor, a segregação proporciona “benefícios relacionados à logística de carregamento e envio dos leitões à terminação em situações específicas”. “Obviamente que em creches muito grandes que abastecem muitas terminações, o fato de os leitões mais pesados já estarem separados ajuda na transferência. Porém, cada sistema deve avaliar se realmente há vantagens avaliando o resultado como um todo, do desmame até o abate, e também avaliar como o sistema remunera o produtor de creche. O fato de reduzir a amplitude de idades no momento do desmame, aumentando o número de desmames semanais, tem ajudado a reduzir a variação de peso na entrada de creche.

Para o profissional, “o manejo de simplesmente segregar os leitões por peso com o objetivo de reduzir o coeficiente de variação do peso final ou melhorar performance já foi comprovado cientificamente que é um paradigma quebrado”. No entanto, emenda, “a indústria tem focado em segregar os leitões por peso e ofertar ou manejo ou suplemento adicional à classe de leitões leves. Matematicamente é a maneira mais cabível de se reduzir a variação de peso final, aumentando o peso dos mais leves. Porém, diversos estudos com intervenções de manejo, uso de antimicrobianos, aditivos ou maior complexidade da dieta para esta classe melhora o ganho de peso enquanto esta ação “extra” estiver presente, porém, ao cessar esta intervenção, os leitões leves atingem o mesmo peso de seus pares não submetidos a este manejo/suplemento. Com isso, podemos concluir que manejos especiais para leitões leves devem ser implementados somente se houver comprovação de redução de perdas por refugagem ou mortalidade”.

Usual

Ainda segundo o especialista, muitas empresas recomendam seus técnicos para difundir esse manejo à campo. “Algumas vezes, não só ao alojamento, mas também durante o lote. Geralmente formam-se baias de leitões pequenos, médios e grandes. O relato de empresas que pararam de recomendar esta prática é de que nada mudou em performance, logística e variabilidade de peso do lote”.

O manejo é constante, admite o palestrante. “Em creches grandes e/ou que recebem leitões mais de uma vez na semana, o foco dos funcionários reside em uniformizar as baias ao alojamento ou no dia seguinte”, define.

Em outros países

Para Faccin, o desafio de menor volume de mão de obra disponível obriga os sistemas a priorizarem manejos que realmente impactam performance, sanidade e lucro. “Nos EUA, a maioria das empresas deixou de praticar o manejo de segregação por peso ao alojar creche e terminação e passou a focar em ações como criar uma equipe de primeira semana que assiste os leitões mais necessitados. Também, em um check-list pré-alojamento, onde se avalia a qualidade da limpeza e desinfecção, é garantido que 100% da estrutura e fômites já secou, se programa o aquecimento da sala 12 horas antes do alojamento e se garante que todos os comedouros e tapetes tenham ração, assim como se todos os bebedouros estão funcionando. Algumas empresas no exterior ainda segregam os leitões por peso ao alojamento. Porém, é provável que com o tempo, somente a melhoria da logística não seja suficiente para justificar a execução deste manejo”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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