Conectado com
VOZ DO COOP

Avicultura

Sustentabilidade com iminência da Influenza aviária é cuidar da saúde dos planteis, destaca diretora da ABPA

Boas práticas de manejo sanitário asseguram a produtividade das aves de postura nas granjas brasileiras.

Publicado em

em

Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

A sustentabilidade aplicada ao setor de ovos é um pilar importante para garantir a continuidade e o desenvolvimento da avicultura de postura a longo prazo, por meio da adoção de práticas sustentáveis e da garantia da saúde e do bem-estar das aves. Isso contribui para a produção de ovos de qualidade, com menor impacto ambiental e maior segurança alimentar para os consumidores.

Boas práticas de manejo sanitário para prevenir e controlar doenças, programa rígido de biosseguridade, alimentação equilibrada, o acesso a água limpa e fresca, espaço suficiente para que elas possam se movimentar e se alimentar adequadamente, além de condições ambientais adequadas, como temperatura, umidade, luminosidade e ventilação asseguram a produtividade das aves de postura nas granjas brasileiras.

Assim como a sustentabilidade na avicultura de postura também envolve a adoção de práticas que visem à redução do impacto ambiental da produção de ovos, que pode ser feito por meio da redução do uso de recursos naturais, como água e energia, e da minimização da geração de resíduos e poluentes.

Diretora técnica da Associação Brasileira de Nutrição Animal (ABPA), Sula Alve – Foto: Mario Castello

Sobre a sustentabilidade aplicada ao setor de ovos, a saúde animal como pilar primordial para a sustentação do setor e a iminência da Influenza aviária, a diretora técnica da Associação Brasileira de Nutrição Animal (ABPA), Sula Alves, concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, que você confere abaixo.

O Presente Rural – Qual a importância da sustentabilidade e da ambiência na produção de ovos de consumo?

Sula Alves – A ambiência, assim como a sustentabilidade, vai muito além do conforto térmico em si, diz respeito a um aspecto social e também econômico. Quando pensamos em ambiente, na questão de sustentabilidade para produção de ovos de consumo, nos remete ao bem-estar animal e na forma como a produção é vista pelo consumidor, inclusive a avicultura de postura foi, de certo modo, uma vanguardista das instruções acerca de bem-estar animal ao trazer para dentro do setor a importância da cadeia avícola se atentar para o bem-estar das aves, adotando uma nova abordagem nos processos produtivos.

A avicultura quando comparada com outras atividades agropecuárias é uma atividade de baixo impacto ambiental em decorrência da sua eficiência produtiva, uma vez que adota maior controle sanitário sobre a produção, realiza o monitoramento da qualidade da água, a iluminação e a ventilação das granjas, adota programas de biosseguridade e automação dos processos, o que tem contribuído para o aumento dos coeficientes de produção da atividade avícola.

Outra questão está relacionada há uma necessidade de modernização dos galpões, que muitas vezes é impulsionada pelo mercado consumidor, porém a modernização para a eficácia da produção não necessariamente passa pela demanda do consumidor, mas, sim, diz respeito a tecnificação para o aumento dos coeficientes de produção, que, por sua vez, também melhoram a sustentabilidade do negócio e contribuem para a própria evolução da avicultura ao aprimorar índices zootécnicos e aumentar sua eficiência produtiva, o que demonstra o caráter de sustentabilidade do avanço tecnológico da nossa atividade, porque se hoje se produz mais ovos por poedeira/ano é em função de uma eficiência zootécnica da produção.

E muitas vezes pensamos em tecnificação e na mecanização de processos, na adoção de sistemas modernos, mas não podemos esquecer que a modernização começa pela própria genética avícola, que tem evoluído cada vez mais ao longo das últimas décadas, com índices zootécnicos mais eficientes, resultando em maior produtividade, isso também é pensar em sustentabilidade, em como eu consigo produzir alimentos com menor necessidade de recursos, menor quantidade de input para produzir um produto cada vez mais acessível, que mantém a sua qualidade nutricional. O ovo é um dos mais completos alimentos em termos nutricionais e também um dos produtos mais democráticos.

O Presente Rural – Como a adoção de práticas sustentáveis impacta a produção de ovos de consumo no Brasil?

Sula Alves – Já temos alguns benchmarks de empresas que adotam práticas ambientais e produtivas em questões relacionadas ao bem-estar animal, independente de obrigações legais. A indústria tem avançado muito com seu compromisso em ser mais sustentável e isso logicamente tem impulsionado uma indústria que antes tinha um nicho muito pequeno e agora cada vez mais está alcançando espaço de mercado, ao passo que o consumidor também percebe o valor agregado destes produtos.

Existem muitos ganhos quando uma empresa tem melhoria nos processos, redução de perdas ou desperdício na produção e utilização de uma cadeia de ciclo fechado, uma vez que por estarem tecnificando a sua produção, por exemplo, conseguem ter mais eficiência no aproveitamento de resíduos e geram renda com isso. A exemplo de uma produção de ovos em que a empresa utiliza o esterco das galinhas para fertilização do solo e isso é uma prática altamente sustentável. Qual indústria consegue praticamente fechar sua cadeia com aproveitamento de tudo como a gente constata na avicultura de postura? Então isso impacta muito positivamente a escala de um produto, por ter uma simplicidade e uma acessibilidade tão grande como é o caso do ovo em todos os aspectos.

O Presente Rural – Quais são os principais aspectos ambientais que devem ser considerados na avicultura de postura?

Sula Alves – Devem ser considerados aspectos desde da ambiência de produção – uma vez que só consegue ter eficiência produtiva quando se oferece o mínimo de conforto para o animal -, que incluem ventilação, temperatura e iluminação, assim como os aspectos ambientais da estrutura do galpão também exigem atenção, deve ser todo vedado e telado para evitar a entrada de outros animais. Então não tem como você desconsiderar o cuidado, embora não esteja diretamente ligado à eficiência produtiva vai trazer retorno.

A ambiência, conforto térmico e bem-estar dos animais tem se evoluído muito nos últimos anos. Outro ponto muito importante gira em torno de eficiência energética, que não deixa de ser importante também na cadeia produtiva. Hoje têm muitas granjas evoluindo não só na parte de produção, mas na parte estrutural como sala de ovos, com sistema de luz através da geração de energia limpa, gerada por painéis solares, o que contribui na redução do consumo energético da propriedade. Não se consegue produzir de forma eficiente se tem perdas e desperdícios e isso vai permear por toda a cadeia.

O Presente Rural – Quais são os sistemas de produção que garantem melhor eficiência produtiva na avicultura de postura?

Sula Alves – O animal responde diretamente pelo conforto térmico e ambiental, então não há como o avicultor investir em sistemas produtivos que vão zelar pelo conforto e o bem-estar dos animais e não ter retorno produtivo. Contudo, caso o produtor verifique baixa eficiência produtiva do seu plantel possivelmente os índices zootécnicos das aves devem ter sido afetados pela qualidade do ambiente em que elas estão. Ao longo dos últimos anos, a ambiência evoluiu muito, tanto na qualidade do meio quanto da criação animal até a arquitetura da instalação, o tipo de material que é utilizado e o atendimento das necessidades fisiológicas das aves, fatores esses que, com a modernização do sistema produtivo, tem tido cada vez mais atenção.

Modelos de gaiolas mais modernos, ou mesmo em outros sistemas de criação livre de gaiolas, tem se priorizado esse ambiente mais social atrelado ao conforto dos animais, no entanto é preciso destacar que quando falamos de sustentabilidade não podemos deixar de pensar na parte da sanidade, principalmente no atual momento que a nossa avicultura vive, na iminência da Influenza aviária (IA), com vários países vizinhos enfrentando uma crise em decorrência da doença, percebemos o quanto tem se buscado priorizar as questões sanitárias confinando as aves.

Em relação aos animais criados soltos, que muitas vezes se entende terem melhor condição de bem-estar, não necessariamente, porque o risco da criação de aves soltas no atual momento é muito maior, então é preciso priorizar a saúde dessas aves evitando sua exposição, o que também está ligado ao bem-estar do animal.

A criação de sistemas alternativos merece uma atenção nestes momentos. Então, o que você vai priorizar para o animal, ainda mais neste contexto de IA, há uma necessidade de colocar em escala de priorização o que é preciso oferecer para este animal em função do ambiente em que ele vive, para que possa ter um retorno o mais positivo possível.
Neste momento de iminência da IA é preciso pensar que o risco para a saúde animal também é aspecto do bem-estar, sendo que as galinhas criadas em ambiente aberto correm um risco mais alto de contágio, por isso, é necessário cuidar dessa parte, pois a parte da ambiência também envolve você avaliar a exposição do animal e as necessidades que ele tem naquele momento.

O Presente Rural – Quais são os principais desafios enfrentados na busca pela sustentabilidade na produção de aves de postura?

Sula Alves – A criação de aves em sistemas com acesso ao ar livre é considerada mais sustentável, entretanto, o que muitas vezes existe hoje é uma avaliação um tanto limitada sobre o que de fato é sustentável para aquela produção. Logicamente que têm alguns nichos de mercado, com produtos diferenciados, que têm essa pegada de maior sustentabilidade, no sentido amplo de dizer que se tem preocupação com a parte ambiental e também o entendimento de que é uma exigência do consumidor, mas existe uma barreira que talvez seja aquilo que hoje ainda é colocado como de interesse do consumidor e a forma como isso é traduzido em atitude de compra.

Muitos produtores, não só de ovos, colocam que muitas vezes não há um retorno sobre o que tem sido investido para entregar as práticas sustentáveis de produção e que são colocadas como prioridades ou como de valor agregado para aquela produção, o que encarece o sistema produtivo, situação que desencoraja o produtor a adotar porque o retorno é mais demorado e muitas vezes acaba que o consumidor não entende o valor daquele produto, do porque tem um custo mais alto, então o que precisa ter é além de conscientização que o consumidor tenha condições de pagar por aquele produto que, com certeza, tem um valor de mercado maior porque ele exigiu um investimento maior.

Então, talvez isso seja um dos empecilhos para se adotar práticas mais sustentáveis na produção, e isso não é uma particularidade do produtor brasileiro.

De maneira geral, o relato das indústrias é que não há uma clareza ou um retorno imediato do investimento e isso gera um empecilho, porque é preciso pensar no custo-benefício do sistema produtivo mais sustentável. Por outro lado, têm empresas avançando bastante com produtos de mercado, existe alguns nichos, mas ainda não é a realidade de todos os consumidores, então acaba não sendo uma realidade também de todos os produtores.

O Presente Rural – E como a utilização de tecnologias sustentáveis pode reduzir os impactos ambientais na produção de ovos?

Sula Alves – Assim como para qualquer outra atividade a eficiência energética é um dos fatores que pode reduzir o impacto ambiental da atividade, porque a energia é um dos custos que mais impactam a atividade, além de que a adoção de tecnologias mais sustentáveis também reduz custos ao evitar perdas e desperdícios dos insumos usados na produção, dentre outras medidas sanitárias e de biossegurança que vão trazer um maior retorno econômico e uma maior eficiência na produção. Não tem como pontuar exatamente quais aspectos em sustentabilidade e os retornos que isso traria, porque varia muito dentro da valorização de cada produto.

O Presente Rural – Quais são os benefícios econômicos que se tem a partir do momento que se adota práticas sustentáveis na produção de aves de postura?

Sula Alves – Está muito atrelado à valorização que o consumidor vai dar àquele produto com valor agregado e uma produção diferenciada. Desde que o produtor consiga vender o produto com esse valor agregado, mostrando sua diferenciação ao mercado, o que justifica seu valor, é que de fato vai ter um retorno financeiro sobre o emprego sustentável da atividade e é o que vai definir realmente o investimento que vai fazer para manter esse produto diferenciado no mercado, ou seja, os benefícios econômicos serão proporcionais aquilo que se consegue transferir para esse produto.

O que vejo que ainda falta é esclarecer a diferenciação de cada produto para que o consumidor tenha clareza para fazer uma melhor escolha na hora da compra. E isso é um processo de educação do consumidor, a exemplo da trajetória de países europeus que começaram com práticas e sistemas mais alternativos e tiveram as mesmas dificuldades que estamos enfrentando hoje. É preciso informar melhor o consumidor para que ele compreenda essa diferenciação de produto e passe a entender o seu valor agregado, do porquê está pagando mais por determinado produto.

O Presente Rural – Como a comunicação pode influenciar a percepção do consumidor em relação ao consumo de ovos?

Sula Alves – A ampla comunicação associada ao sistema produtivo mais sustentável deve ser o nosso grande diferencial, porque quando tivermos consumidores conscientes sobre a forma de produção e os benefícios de determinado produto vamos estar estimulando o consumo de produtos que ‘conversam’ mais com aquilo que os consumidores valorizam, essa seria uma boa forma de melhoria para todo o processo. O ovo é um produto que saiu da condição de vilão para hoje ser um grande aliado da nutrição humana e isso demorou a acontecer porque justamente havia mito e a falta de conhecimento. Então o ovo é um grande case nosso sobre a necessidade de se trabalhar a educação do consumidor, para que ele não acredite em crendices ou em questões mal informadas, até porque a informação é e sempre será a nossa maior aliada para desmitificar mitos.

É preciso se avaliar muito bem quais melhores meios para se chegar aos consumidores, para que eles entendam o valor de um produto e possam, com este entendimento, privilegiar aqueles produtos que estão investindo em melhores produções e em boas práticas de bem-estar animal.

Tanto a ABPA quanto o Instituto Ovos Brasil têm feito um trabalho de comunicação importante sobre a qualidade do ovo, tirando o estigma sobre o que é o ovo e transformando-o em um produto como ele de fato deve ser visto e valorizado, para então se gerar um senso crítico sobre o produto e, quem sabe, trazer à mesa um equilíbrio para a percepção dos consumidores.

O Presente Rural – Mesmo com tantas notificações em países vizinhos, o Brasil segue livre da Influenza aviária. Até quando isso será possível controlar?

Sula Alves – Não temos como evitar a entrada da Influenza aviária por meio de aves silvestres, que é um dos principais vetores da doença e justamente onde permeia a nossa vulnerabilidade, uma vez que não conseguimos deter a entrada de aves silvestres no país, ou seja, é uma questão que não está necessariamente sob o nosso controle. Entretanto, o que podemos controlar para evitar a entrada da doença em uma criação de subsistência está sendo adotado, com intensificação dos programas de biosseguridade e protocolos rigorosos de sanidade nas unidades de produção e em seu entorno.

Uma vez que a doença entrar no país por aves silvestres sem atingir lotes comerciais não haveria um impacto tão grande para a cadeia produtiva brasileira em relação ao comércio internacional e ao abastecimento interno, cenário diferente se considerarmos em uma escala de produção de subsistência geraria um impacto comercial enorme. Então a gente não tem como garantir, mas é lógico que a biosseguridade é uma ferramenta importante que a gente tem o compromisso de cuidar, não elimina o risco de uma ocorrência, mas mitiga bastante.

Existem medidas de biosseguridade que são muito simples como a higienização de equipamentos, veículos e das instalações, isolamento das granjas e uso de telas para evitar entrada de animais e pessoas estranhas acessando o plantel, medidas mínimas que já adotamos há muito tempo visando qualquer outro tipo de doença visível ou invisível. A questão de trânsito de caminhões, temos tido bastante cuidado. Para onde exportamos aves tomamos o cuidado de não importar animais vivos e nem de países que foram atingidos pela Influenza aviária, bem como existe todo um controle sobre entrada e saída do Brasil de animais. Nós exportamos material genético para a Bolívia, por exemplo, mas existe um protocolo que vem sendo aplicado pelas empresas que circulam com esses caminhões para que esses veículos sejam higienizados em seu retorno, minimizando desta forma o risco de trazer contaminação por essa via.

O Presente Rural – Você tem mais alguma contribuição para fazer referente essa importância sustentabilidade aplicada ao setor de ovos e a saúde animal como pilar primordial pra sustentação do setor?

Sula Alves – Estamos vivendo um momento muito complexo com a iminência da Influenza aviária, por isso é preciso lembrar que a sustentabilidade ela passa primeiro pela saúde animal, é preciso cada vez mais termos uma abordagem multisetorial, integrada e unificadora do conceito de saúde única na cadeia produtiva brasileira, para que possamos equilibrar e otimizar de forma sustentável a saúde de pessoas, animais e do sistema produtivo e seu entorno. Por sua vez, o conceito de sustentabilidade é uma base que depende de um tripé, que envolve fatores sociais, econômicos e ambientais, que estão atrelados à saúde única.

Este momento de crise sanitária, como estamos vendo em diversos países, tem nos mostrado a importância de termos em nossa cadeia esse equilíbrio. Esse é um recado importante para pensarmos em quais são as prioridades de cada momento, porque é isso que vai dar o caráter sustentável de uma atividade e vai mostrar o quão preparados estamos para enfrentar os desafios que nos são impostos.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

 

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Congresso APA debate avanços e desafios na avicultura de postura

Em uma maratona de 30 horas de conteúdo técnico, mais de 850 congressistas de vários estados brasileiros e países tiveram acesso a uma variedade de temas através de 25 palestras distribuídas nos painéis sobre Genética, Influenza aviária e Inspeção.

Publicado em

em

Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Considerado um dos maiores eventos avícolas do Brasil, o Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos foi mais uma vez sucesso absoluto de público. Realizado pela Associação Paulista de Avicultura (APA), a 21ª edição reuniu produtores, fornecedores, academia, profissionais da área e grandes nomes do setor no mês de março, em Ribeirão Preto (SP).

Coordenador do congresso e diretor técnico da APA, José Roberto Bottura: “O sucesso do nosso evento é resultado de cada um que trabalha, acredita e confia em nós para sua realização”

Em uma maratona de 30 horas de conteúdo técnico, mais de 850 congressistas de vários estados brasileiros e países tiveram acesso a uma variedade de temas através de 25 palestras distribuídas nos painéis sobre Genética, Influenza aviária e Inspeção. Além disso, 75 trabalhos científicos foram expostos em pôsteres, enriquecendo ainda mais o ambiente acadêmico e profissional do evento.

O coordenador do congresso e diretor técnico da APA, José Roberto Bottura, destaca a evolução do evento. “A cada ano o congresso tem crescido em tamanho, o que muito nos orgulha. Superamos todas as nossas expectativas”, enfatizou. “O sucesso do nosso evento é resultado de cada um que trabalha, acredita e confia em nós para sua realização”, frisou.

Debates

Na edição 2024 temas essenciais do cotidiano do setor foram abordados, incluindo sanidade, inovação, evolução genética, exigências nutricionais, qualidade da água na granja, práticas de manejo, uso de minerais e aditivos alternativos, qualidade de casca, análise de dados, vacinação contra coccidiose, nutrição de precisão, vacina autógena, Influenza aviária, entre outros. “O fato de estarmos em um evento que não tem um espaço de feira de negócios em paralelo contribui muito para a interação dos participantes, que aproveitam os momentos de intervalo para tirar dúvidas, compartilhar opiniões, adquirir novas ideias, até por estarmos ainda no início do ano muitos dos assuntos discutidos no congresso podem ser bem utilizados ao longo de 2024”, salientou o zootecnista Diogo Ito, membro da Comissão Organizadora.

Responsável pelo controle de qualidade na Granja Odan, localizada em Pindamonhangaba (SP), Raquel Marques: “Esse congresso oferece uma riqueza de informações que muitas vezes são difíceis de encontrar no nosso cotidiano”

Riqueza de informações

Responsável pelo controle de qualidade na Granja Odan, localizada em Pindamonhangaba (SP), Raquel Marques compartilha suas impressões sobre o congresso e destaca os aspectos que mais a impressionaram: “Esta foi a primeira vez que participei deste congresso e foi uma experiência enriquecedora. Ele oferece uma riqueza de informações que muitas vezes são difíceis de encontrar no nosso cotidiano, especialmente dada a especificidade da nossa área. Foi uma experiência repleta de aprendizados, oportunidades de networking e compartilhamento de conhecimento”, frisou.

Trabalhos premiados

Durante o evento, os melhores trabalhos científicos em cada categoria foram premiados. O estudante Felipe Dilelis, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, recebeu o prêmio na categoria Outras Áreas pelo trabalho intitulado “Biofilmes proteicos para manutenção da qualidade interna de ovos caipiras armazenados em temperatura ambiente”. Na categoria Sanidade, o prêmio foi para Viviane Amorim Ferreira, da Unesp Jaboticabal, pelo trabalho “Deleção do gene mgtC em Salmonella Gallinarum resulta em progressão retardada do Tifo Aviário”. Raully Lucas Silva, da Unesp de Jaboticabal, levou o 1º lugar na categoria Nutrição com o trabalho “Modelos não-lineares de efeito misto para predição das exigências de energia metabolizável e líquida em galinhas poedeiras na fase de postura”. Na categoria Manejo, o principal prêmio foi conquistado por Ednardo Rodrigues Freitas, da Universidade Federal do Ceará, com o trabalho “Programa de luz e forma física da ração pré-inicial sobre o desempenho de pintainhas até 35 dias de idade”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura

Desafios na integridade estrutural de frangos de corte e intervenções nutricionais

Investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento são essenciais para identificar e implementar estratégias sustentáveis que promovam a saúde e o bem-estar das aves, ao mesmo tempo em que garantam a produção eficiente e de alta qualidade na indústria avícola.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

Nas últimas décadas a indústria avícola tem feito avanços significativos, especialmente no que diz respeito às melhorias genéticas e ao manejo, resultando na produção de frangos de corte altamente eficiente e de crescimento rápido. O manejo e a nutrição foram meticulosamente ajustados para suprir as necessidades genéticas e produzir aves maiores em um período de tempo reduzido.

No entanto, os frangos modernos tendem a priorizar a deposição muscular em detrimento do desenvolvimento do esqueleto e dos tecidos moles, o que pode resultar em desafios à integridade estrutural. Este artigo resume os desafios emergentes da integridade estrutural enfrentados pela indústria de frangos de corte, propondo intervenções nutricionais que podem mitigar esses problemas, incluindo pododermatite, questões relacionadas à qualidade da carcaça e incidência de claudicação.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Qualidade da carne 

O peito amadeirado (WB) é uma miopatia degenerativa observada em frangos de corte, resultando na degradação da qualidade dos filés de peito e rechaço/repúdio do consumidor. Os filés afetados exibem maior resistência antes e depois do cozimento, além de menor capacidade de retenção e absorção de água.

Apesar do significativo número de estudos conduzidos, a etiologia precisa ainda permanece obscura, indicando que a condição está associada a aves com taxas de crescimento mais aceleradas ou com filés de maior peso.

Uma das hipóteses sobre a etiologia da WB e de miopatias semelhantes é que frangos de corte com uma taxa de crescimento muscular hipertrófico demanda mais metabolicamente, o que pode resultar em maior risco de acúmulo de resíduos metabólicos, desencadeando assim um aumento do estresse oxidativo.

Os radicais livres acumulados são altamente reativos e podem danificar o DNA, RNA, proteínas e lipídios presentes nas células musculares, desencadeando inflamação e distúrbios metabólicos, que eventualmente levam à degeneração das fibras musculares. Quando os danos causados pelo aumento do estresse oxidativo excedem a capacidade regenerativa das células musculares, resulta em um acúmulo de tecido fibroso e gordura, contribuindo para miopatias como o WB.

Pododermatite

A pododermatite é uma inflamação da pele que resulta em lesões necróticas na superfície plantar das patas em aves. Foi observado que a umidade na cama é o principal fator que predispõe o desenvolvimento de pododermatite em aves. Sabe-se que minerais como Zn, Cu e Mn, desempenham um papel fundamental na manutenção da integridade estrutural de vários tecidos, incluindo a pele. Além disso, nutracêuticos como probióticos, prebióticos ou enzimas melhoram a integridade intestinal e promovem melhora na consistência fecal, consquentemente na qualidade da cama, podendo reduzir as lesões nas patas.

Diversas pesquisas foram conduzidas para investigar o papel dos minerais orgânicos na prevenção de lesões nas patas. Em um estudo conduzido em 2017 foi constatado que a suplementação de uma combinação dos oligoelementos Zn, Cu e Mn, na forma de quelato metal metionina hidroxi (MMHAC), não apenas melhorou o desempenho, mas também reduziu as lesões nas patas, aprimorando o processo de cicatrização de feridas.

Estratégias de intervenção

Diversas estratégias de intervenção estão sendo consideradas para diminuir a incidência de WB na indústria avícola, incluindo restrição alimentar, redução da densidade de nutrientes e diminuição de lisina durante a fase de crescimento. Essas estratégias têm o intuito de diminuir ou desacelerar a taxa de crescimento, no entanto, se não forem aplicadas adequadamente, essas abordagens apresentam o risco de comprometer o desempenho.

Por outro lado, estratégias baseadas em antioxidantes, como a inclusão de arginina, vitamina C, selênio e minerais na dieta, têm sido avaliadas para reduzir miopatias. O uso de antioxidantes reduz o estresse oxidativo em tecidos animais. Com o intuito de reduzir as miopatias, pesquisadores avaliaram o efeito de várias intervenções dietéticas (antioxidante dietético, mineral orgânico Zn-Cu-Mn- MMHAC e selênio) na incidência de WB quando as aves foram expostas ao estresse oxidativo.

Em resumo, sob diferentes condições de estresse oxidativo, programas de intervenção dietética podem aprimorar o desempenho e promover a integridade da carcaça, reduzindo problemas como o WB. Este efeito é provavelmente alcançado ao melhorar simultaneamente o status antioxidante, tanto exógeno quanto endógeno, reduzindo o estresse oxidativo e aprimorando o processo de cicatrização dos tecidos da ave.

Incidência de claudicação

A incidência de claudicação vem aumentando nas últimas décadas e está correlacionado com o rápido crescimento e peso corporal. Os machos mostram maior suscetibilidade à claudicação em comparação com as fêmeas. Ainda não está claro se a claudicação é um efeito direto do rápido aumento da taxa de crescimento e do peso corporal ou se é um efeito indireto do desenvolvimento inadequado dos ossos e tendões, ou mesmo da falha da barreira intestinal, provável é que seja uma junção dos fatores citados.

As aves com claudicação enfrentam dificuldades para acessar ração e água, o que pode levá-las à desidratação e, eventualmente, à morte. As significativas perdas econômicas atribuídas à claudicação são resultados do aumento da taxa de mortalidade e das condenações durante o processamento no frigorífico. A necrose da cabeça femoral (NCF) é uma

condição metabólica mais prevalente em frangos de corte com crescimento acelerado, sendo reconhecida como a principal causa de claudicação.

Há evidências que mostram que as bactérias associadas ao NCF se originaram no intestino Enterococcus (E.) spp. Estudos demonstraram que a fonte de infecção por Enterococcus (E.) spp pode ser tanto de transmissão vertical quanto horizontal. A ventilação inadequada no aviário cria um ambiente propício, o que leva a rápida proliferação de bactérias afetando o intestino. Além disso, o estresse oxidativo ou doenças entéricas anteriores podem comprometer a integridade mucosa intestinal.

A falha na barreira intestinal pode facilitar a invasão de bactérias patogênicas, levando à translocação dessas bactérias para os ossos. Os ácidos orgânicos e óleos essenciais podem interferir no desenvolvimento da NCF, atenuando ou reduzindo a população de bactérias patogênicas, melhorando a função da barreira intestinal e reduzindo a translocação de bactérias através da parede intestinal. Os minerais desempenham um papel crucial no desenvolvimento ósseo e na saúde das articulações.

Descobertas recentes indicam que o Zn-Cu-Mn-MMHAC são fontes orgânicas eficazes para atender às necessidades de frangos de corte, melhorarando a saúde estrutural dos ossos, tendões, patas e intestino, e reduzindo a incidência de claudicação em aves.

Conclusão

Em resumo, enfrentar os desafios emergentes na integridade estrutural de frangos de corte requer uma abordagem multifacetada que combina práticas de manejo adequadas, intervenções nutricionais eficazes e uma compreensão aprofundada dos mecanismos subjacentes aos problemas observados. Investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento são essenciais para identificar e implementar estratégias sustentáveis que promovam a saúde e o bem-estar das aves, ao mesmo tempo em que garantam a produção eficiente e de alta qualidade na indústria avícola.

As referências bibliográficas estão com as autoras via e-mail manara.grigoletti@novusint.com.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Por Mercedes Vázquez-Añón, zootecnista, doutora em Ciência Animal e diretora de Iniciativas Estratégicas e Colaboração de Contas na Novus; e Kelen Zavarize, zootecnista, doutora em Nutrição e gerente de Serviços Técnicos na Novus.
Continue Lendo

Avicultura Artigo

A importância das monitorias sanitárias no incubatório de aves

A qualidade dos pintos com um dia de vida é determinada pela interação de múltiplos fatores inerentes ao incubatório

Publicado em

em

Divulgação Zoetis

Artigo escrito por: Beatriz Silva Santos, médica veterinária, assistente técnica da Zoetis na divisão de Aves para as regiões Sudeste e Centro-oeste*

A avicultura brasileira se destaca pelo uso de tecnologia avançada, controle de qualidade e constante monitoramento microbiológico nas diversas etapas da produção. Entre essas etapas, os incubatórios de aves têm o papel fundamental de conectar diferentes origens de ovos embrionados e o destino das aves recém-nascidas em um mesmo ambiente.

A qualidade dos pintos com um dia de vida é determinada pela interação de múltiplos fatores inerentes ao incubatório, que podem gerar condições ideais para a disseminação de patógenos, com consequentes perdas embrionárias e de pintinhos, má qualidade das aves e enfermidades que levarão a grandes prejuízos.

As bactérias, de modo geral, podem penetrar no ovo pelos poros em menos de 30 minutos após a postura. Esta penetração é facilitada, nos primeiros minutos após a postura, pela umidade e temperatura natural do ovo. Durante a incubação, a umidade e a temperatura também favorecem o rápido aumento da população microbiana.

As fontes de contaminação em uma planta de incubação, além de ovos contaminados e penugem dos pintinhos, podem estar associadas a vários fatores como a qualidade do ar e da água, o fluxo de pessoas (funcionários e visitantes) e de veículos, a presença de pragas (roedores e insetos), pássaros, a remoção e tratamento de resíduos (biológicos, químicos e físicos) e a higienização de ambientes e equipamentos.

Os incubatórios de aves e os nascedouros também são uma área de alto risco, pois fornecem temperatura e umidade ideais para muitos microrganismos sobreviverem e se reproduzirem.

Os patógenos mais prejudiciais aos pintos de um dia que podem causar mortalidade embrionária, mortalidade ao nascer, aumento de refugos e mortalidade nas primeiras semanas de idade são: Escherichia coli, que serve como parâmetro quantitativo da contaminação bacteriana em um incubatório; Salmonella e Pseudomonas e fungos da espécie Aspergillus.

Pesquisas realizadas demostraram que 70% dos casos de onfalite e morte embrionária são causadas por Escherichia coli e quando estes embriões não morrem, os pintinhos apresentam má reabsorção do saco vitelino, não ganham peso e apresentam baixo desempenho.

O Aspergillus fumigatus é o fungo de maior importância que pode crescer em um ambiente de incubatório de aves. Existe uma associação entre a presença de grande número de colônias de Aspergillus fumigatus com o desenvolvimento de aspergilose clínica nos primeiros dias de vida do pintinho. No entanto, grande quantidade destes indica que há necessidade de uma melhor higienização dos ovos na granja ou no incubatório.

Programa sanitário

Um programa sanitário deve ser elaborado para minimizar os riscos relacionados as fontes de contaminação que prejudicam a qualidade dos produtos da “granja ao prato”, desde os ovos férteis até a carne servida a mesa do consumidor, pois afetam a saúde das aves e/ou a saúde pública, com ênfase especial aos microrganismos causadores de ETA (Enfermidades transmitidas por alimentos), como Salmonella spp, Escherichia coli, Campylobacter jejuni, Staphylococcus aureus e Clostridium sp.

O programa deve ser rotineiramente realizado e os resultados regularmente conferidos e interpretados usando processos-padrão contínuos de validação e monitoramento da população microbiológica.

Para que as aves possam expressar seu potencial genético e produtivo elas devem estar dentro de padrões de genética, nutrição, manejo, ambiente e microbiológico desde o primeiro dia de vida. A avaliação microbiológica qualitativa e quantitativa funciona como um termômetro dos processos relacionados as reprodutoras e as medidas de biosseguridade dos incubatórios a fim de conferir se o programa sanitário adotado está sendo eficaz no controle destes microrganismos.

Entre os principais itens a ser monitorados nos incubatórios estão: qualidade dos ovos, limpeza do ambiente e equipamentos utilizados nos processos (carrinhos, bandejas de ovos, caixas de pintos, triturador), limpeza e fluxo de caminhões de transporte de ovos e pintos, qualidade da água, contaminação de ovos bicados, mecônio, pintos de 1 dia, vacinas de aves, mãos dos sexadores, troca de filtros, entre outros, de acordo com a especificidade das plantas, sempre buscando cumprir as exigências sanitárias do Plano Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) e legislações do mercado brasileiro e internacional.

Outras análises utilizadas são: pesquisa de Salmonella spp. em swabs de superfícies; pesquisa de salmonellas e/ou outras bactérias em penugens, ovos bicados, mecônio e pintos de 1 dia; análise microbiológica de solução vacinal; análise bacteriológica e físico-química da água de abastecimento e água destilada; monitoramento e diagnóstico de enfermidades através de exames sorológicos, histopatológicos, biologia molecular; entre outras análises extras.

Ao analisar os resultados é possível agir na causa do problema, em casos de amostras fora dos padrões de qualidade estabelecidos. Pode ser necessário revisar o manejo dos ovos na granja, melhorar o processo de desinfecção deles e/ou do incubatório, verificar os procedimentos de sanitização de ambientes e equipamentos, avaliar a limpeza do sistema de climatização de aviários, controlar a qualidade da água e conferir a desinfecção em incubadoras e nascedouros, conforme o mapeamento das falhas encontradas.

Tão importantes quanto as análises microbiológicas, treinamentos regulares dos funcionários, a avaliação da qualidade dos ovos (AQO), embriodiagnóstico realizado por pessoas especializadas e checklists frequentes dos procedimentos de boas práticas de produção são monitorias sanitárias que garantem o sucesso do programa de biosseguridade, e consequentemente, a qualidade do produto final do incubatório de aves, os pintinhos de um dia.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo
SIAVS 2024 E

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.