Conectado com

Suínos

Suinocultura tem alívio, mas segue no vermelho

Apesar de melhoras tímidas em 2023, produtores continuam freando investimentos para fechar as contas. Mercado externo não trouxe alento ao setor.

Publicado em

em

Os produtores de suínos do Paraná seguiram firmes, ao longo de 2023, em uma caminhada rumo à saída da crise que assola a cadeia desde 2021. Mesmo com a melhoria no valor do animal pago pelas empresas integradoras, o resultado ainda está longe de ser lucrativo para os pecuaristas.

Para se manter na atividade, suinocultores precisam queimar gordura, segurar investimentos e até deixar de fazer algumas manutenções na propriedade para fechar as contas. Este cenário está detalhado no levantamento dos custos de produção da suinocultura, realizado pela Sistema Faep/Senar-PR, em novembro. “O levantamento de custos de produção tem uma série histórica com mais de 12 anos de dados. Nós investimos sistematicamente nisso porque conhecer quanto custa produzir faz parte da gestão de qualquer propriedade rural. Esses números são cruciais para a tomada de decisão, avaliação da saúde do negócio e para subsidiar as negociações a nível de Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração [Cadec]”, menciona o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette.

Para a presidente da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura da Faep, Deborah Gerda de Geus, o ano de 2023 começou preocupante e termina “menos pior”. Apesar da reação nos repasses aos suinocultores, o cenário ainda traz apreensão, na visão de Deborah, pois a maioria das granjas está com as contas no vermelho. “O setor segue em alerta, pois existem especulações de que os grãos podem subir, dependendo do resultado da próxima safra. E temos ainda outras questões, como o gargalo histórico da falta de mão de obra, os altos custos com energia, a economia do país que segue com demanda em baixa e a conjuntura internacional”, resume a dirigente.

Terminação como pior resultado
Dentre as fases produtivas analisadas, a terminação registrou os piores resultados para o saldo sobre o custo total de produção. Na região Oeste, o produtor integrado contabiliza prejuízo de R$ 24,15 por suíno terminado. Os integrados nos Campos Gerais também amargam rombo de R$ 20,46 por cabeça.

Fotos: Arquivo/OP Rural

Em Toledo, no Oeste, o valor recebido por suíno cobre apenas os custos variáveis, o que reflete diretamente na continuidade do produtor na atividade a longo prazo. Essa é a situação da pecuarista Geni Bamberg, que aloja 1,7 mil animais no sistema de terminação em uma propriedade de cinco hectares. “Para nós, foi um ano positivo porque houve melhorias, conseguimos reajustes na remuneração junto à integradora a nível de Cadec. Mas ainda seguimos com dificuldades. Temos que deixar de lado até mesmo algumas manutenções menos urgentes, como a trocas de equipamentos que vamos remendando, sem fazer benfeitoria na estrutura”, afirma Geni Bamberg, suinocultora em Toledo.

Geni encontra problemas para gerenciar a mão de obra, um dos principais gargalos enfrentado pelos suinocultores. Ela não consegue contratar um funcionário fixo e precisa recorrer a diaristas – disputados na região e nem sempre com disponibilidade. Diante deste cenário, Geni e o marido realizam as atividades na propriedade. “A gente precisaria ampliar a granja, para ter remuneração melhor e poder dividir com algum colaborador fixo, ou ainda atrair uma das nossas duas filhas que poderiam terminar os estudos e se interessar em voltar para a granja. Mas, nesse momento, não há viabilidade econômica para isso”, lamenta Geni.

Segundo o suinocultor Paulo Moresco, de Ipiranga, na região dos Campos Gerais, as dificuldades encontradas na atividade são ainda piores para quem está há mais tempo na atividade. “Hoje, o produtor antigo não tem condição de melhorar sua infraestrutura, fazer as reformas necessárias e adquirir novos equipamentos. Quando entram novas tecnologias, ele não consegue acompanhar”, observa.

Há 23 anos na atividade, Moresco aloja 1,8 mil suínos em fase de terminação. “Minhas estruturas ficaram velhas, tenho que me atualizar”, afirma o produtor, que investiu cerca de R$ 120 mil para automatizar suas granjas e, assim, reduzir a necessidade de mão de obra. “Mas para os produtores pequenos, sem escala, é inviável fazer melhorias como essas nas granjas”, avalia.

Prejuízo ainda dá o tom
O resultado dos produtores está alinhado com os números do levantamento de custos de novembro, que mostram, de modo geral, um saldo insuficiente com a venda dos lotes para cobrir os custos de produção. Dentre todas as fases e regiões analisadas, nenhum modal produtivo obteve saldo acima dos custos totais e apenas a UPD nos Campos Gerais conseguiu cobrir os custos operacionais.

“Hoje, a suinocultura integrada expressa inviabilidade produtiva e, a curto e médio prazos, o produtor que não tiver reservas ou outras fontes de renda para cobrir os prejuízos tende a deixar a atividade”, analisa Nicolle Wislek, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR, responsável por acompanhar a cadeia de suínos.

Apesar das perspectivas negativas, a atividade apresentou melhoria em 2023 em relação aos anos anteriores. A produção entre janeiro e setembro foi 1,9% maior em relação ao mesmo período de 2022. No mesmo movimento, as exportações de suínos tiveram aumento de 8% entre janeiro e outubro. “Durante a realização dos painéis identificamos alguns sinais de recuperação da atividade, como, por exemplo, aumento no número de fêmeas alojadas nas granjas, diminuição no tempo de intervalo de lotes e, principalmente, retomada no peso de abate padrão”, relata Nicolle.

Ricardo Adams se dedica ao sistema crechário, no Oeste do Paraná – Fotos: Arquivo pessoal

Crise nos leitões
Ricardo Adams, de Toledo, na região Oeste, aloja 10,3 mil animais em três barracões, no sistema crechário. A propriedade possui cinco funcionários, número que Adams considera o mínimo para garantir os índices zootécnicos satisfatórios. Em 2023, os negócios melhoraram, mas os repasses ainda precisam de reajustes para as contas ficarem no azul. “Ainda precisa de cautela para fazer investimento e melhorar a propriedade. Estamos envolvidos na Cadec e há negociações para conseguirmos melhorias”, aponta o suinocultor.

Diante da preocupação com o andamento da safra de grãos, o pecuarista espera que 2024 siga o ritmo de otimismo. “Se continuar estáveis os valores da soja e do milho, o custo de produção vai baixar e melhora para o suinocultor. Mas o fato preocupante é a escassez de chuva no Mato Grosso, que pode afetar a produção de grãos em 2024, atingindo em cheio o custo de produção, levando os resultados a patamares negativos”, resume Adams.

A situação está parecida na propriedade de Eloi Favero, em Toledo, que mantém 800 matrizes em uma Unidade Produtora de Leitões (UPD), com um total de seis funcionários. Para o pecuarista, 2023 foi um ano de avanços, mas as contas ainda não estão fechando. “Deu uma pequena recuperada, mas nada de extraordinário”, resume. “O mercado ainda está se equilibrando e temos uma oferta alta. Além disso, ainda não estamos conseguindo vender para novos mercados mesmo com o reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação”, problematiza.

Exportações em queda
De janeiro a junho deste ano, o Brasil enviou ao exterior 791,5 mil toneladas de carne suína, conforme números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As projeções de mercado apontam para um acréscimo de 10% em volume de janeiro a dezembro de 2023, em comparação com o período equivalente do ano anterior.

Vice-presidente da CT de Suinocultura da Faep, Wienfried Matthias Leh: “Não basta ter status sanitário e menor custo de produção do mundo para ter o mercado [internacional] na mão”

De acordo com dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), 55% das exportações brasileiras tinham destino à China em 2021. Esse percentual caiu para 36% em 2023, diante da recuperação da crise interna causada pela epidemia de Peste Suína Africana (PSA) em seu rebanho. Ainda, os resultados econômicos menores do que os esperados desaceleraram as compras chinesas de uma série de produtos, como a carne suína.

Na avaliação do vice-presidente da CT de Suinocultura da Faep, Wienfried Matthias Leh, que atua no regime de produção independente, existe um excedente na produção mundial, que acaba por derrubar as margens dos produtores. “A partir de 2018, do primeiro surto de PSA, a China saiu comprando e pagando caro pelo suíno. Isso criou uma confusão no mercado mundial. O mundo, preocupado em suprir o mercado chinês, produziu acima da necessidade”, analisa.

Segundo Leh, enquanto não conseguirmos regular essa oferta, “vai continuar esse sofrimento”. Na avaliação do suinocultor, nem mesmo o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, conquistado pelo Paraná em 2021, é capaz de amenizar o problema. “Não basta ter status sanitário e menor custo de produção do mundo para ter o mercado [internacional] na mão. Existe um protecionismo, barreiras tarifárias que não permitem que nós sejamos fornecedores exclusivos”, salienta Wienfried Matthias Leh, vice-presidente da CT de Suinocultura da Faep.

Levantamento foca relações de integração
Para calcular os custos de produção da suinocultura, o Sistema Faep/Senar-PR promove duas reuniões por ano com suinocultores, revendas de insumos, representantes da agroindústria, instituições financeiras e demais agentes do setor, nas principais regiões produtoras do Estado. Nestes encontros ocorre a apuração dos custos de uma propriedade modal, ou seja, tipo de propriedade que mais se repete naquela região, de modo a compor o retrato mais fiel daquela realidade produtiva.

Pela segunda vez em 12 anos, esses painéis foram realizados de forma exclusiva com os membros das Cadecs, formalizadas junto a cada unidade produtiva das empresas integradoras. Os produtores independentes e cooperados não fazem mais parte deste levantamento.

O principal benefício do levantamento dos custos de produção é a possibilidade de municiar os produtores integrados com dados econômicos reais sobre a atividade para futuras negociações junto às integradoras, que ocorrem por meio das Cadecs.

Segundo o produtor Gilberto Rentz, que aloja 2,7 mil suínos na fase de crechário em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, e integrante da Cadec formada junto à agroindústria da região, o trabalho realizado pela FAEP traz vantagens na hora da negociação. “A gente leva estes custos para serem discutidos com a integradora. É um embasamento importante que ajuda na argumentação, sem ser impositivo”, destaca.

Energia solar ajuda a reduzir custos
Historicamente, a energia elétrica é um custo que mais pesa no bolso dos produtores de suínos. Com o incentivo para o uso de fontes de energia renovável dentro das propriedades, com participação direta nas reivindicações do Sistema Faep/Senar-PR junto ao poder público, parte dos pecuaristas está investindo em projetos de geração de energia fotovoltaica.

Foto: Divulgação/Faep

De 2017 a 2023, o número de propriedades rurais paranaenses que passou a contar com esse sistema ou com usinas de biogás decolou de apenas 47 para mais de 25,6 mil. Uma parte do sucesso envolve o Programa Paraná Energia Rural Renovável (Renova Paraná), lançado em julho de 2021, que impulsionou a instalação de conjuntos de painéis fotovoltaicos e de biodigestores no campo.

Desde julho deste ano, Geni Bamberg colocou em funcionamento um conjunto capaz de gerar, por meio do sol, 1,2 mil kW/h por mês na propriedade. A benfeitoria custou R$ 50 mil, por meio do financiamento do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Renova Paraná, a juro zero. “Vamos pagar a primeira prestação somente em 2025. Antes, a conta dava R$ 500 por mês e agora pagamos R$ 20 de tarifa. Bem acessível para quitar as parcelas. Um excelente negócio”, compartilha.

A presidente da CT de suinocultura, Deborah Gerda de Geus, revela que muitos suinocultores pelo Estado têm seguido esse mesmo caminho. “Temos um movimento de investimentos em painéis de energia fotovoltaica. Os produtores estão visando ter uma fonte de renda no médio e longo prazos, para colher os frutos daqui seis ou sete anos”, avalia.

 

Fonte: Assessoria Sistema Faep/Senar-PR

Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais

Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.

O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.

Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.