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Suínos / Peixes

Suinocultores do Sul temem pela falência da atividade nos próximos dias

Produtores afirmam que o setor necessita de uma medida emergencial para não ser dizimado no PR, RS e SC

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 A suinocultura da região Sul do Brasil, conhecida mundialmente por ser o berço da atividade no País, está perto de entrar em colapso total, segundo a opinião de diversos produtores do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Na região onde estão as unidades federativas que mais produzem suínos, seja para o mercado interno ou de exportação, os produtores já cogitam deixar a atividade por conta do alto custo de produção, impulsionado pela inflação do milho e a baixa remuneração pelo quilo do suíno.

 

Produtores das três unidades federativas são categóricos ao afirmar que, se o cenário não mudar imediatamente, os suinocultores estarão fadados à falência em um prazo de no máximo 40 dias. Na visão deles, a situação é ainda mais alarmante para os produtores independentes, que já não conseguem arcar com as despesas e também não encontram mais linha de crédito para esperar o momento tempestuoso passar.

 

Região de Braço do Norte

 

No Vale do Braço do Norte, uma das regiões onde se concentra a maioria dos produtores independentes de Santa Catarina, o alto custo de produção praticamente inviabiliza a atividade suinícola. Conforme Adir Engel, presidente da Regional, a saca do milho custa ao suinocultor R$ 52,50 – valor semelhante a outras regiões do Sul do Brasil.

 

Ele também destaca a tendência de baixa no preço pago pelo quilo do suíno, que durante a semana era de R$ 3,20, mas com projeção de queda até o fim da semana. Em contrapartida, o preço para produzir o quilo do suíno passa da casa dos R$ 4,00 – o que representa um prejuízo entre R$ 90 e R$ 100,00 por animal de 100 Kg. "Infelizmente são fatores que fazem os produtores falar em abandonar a atividade. Alguns terminadores já disseram aos criadores de leitão que não pegarão mais animais, pois encerrarão a atividade. É preocupante a situação".

 

O presidente da Regional de Braço do Norte também enfatiza que a maioria dos suinocultores não tem mais dinheiro para pagar as contas, uma vez que as negociações de milho e soja são transações mediante pagamento à vista. "O produtor não sabe o que fazer. O que ele ganha não paga as contas. Não sabemos o que vai acontecer nos próximos dias porque o produtor está em desespero. Os bancos também já começam a restringir crédito para o setor".

 

Com o cenário de dificuldade nos primeiros meses do ano, muitos produtores da região de Braço do Norte deixaram de fazer o ciclo completo para fazer apenas a terminação. "Isso reduziu bastante o número de matrizes de ciclo completo. O suinocultor só não abandona completamente a atividade porque a bovinocultura leiteira é muito forte na região. Vaca produz pelo o que ela come. Como o produtor sabe que a fértil irrigação nas pastagens é importante, ele não abandona a atividade".

 

A classe dos suinocultores lembra que já houve crises graves, mas nunca por causa do alto custo de produção, conforme analisa Engel, principalmente pelo alto volume de exportação do milho brasileiro e a baixa área de plantio no território nacional. "O estopim da crise é o alto custo de produção. É claro que o Governo Federal depende das exportações por conta da balança comercial. Só que em contrapartida, está se matando o produtor brasileiro".

 

Engel afirma que é muito mais fácil para o produtor de milho levar o cereal para o porto para ser exportado ao encarar a precariedade da malha viária brasileira.

 

Os suinocultores aguardam que o consumo interno de carne suína melhore após o período de quaresma. Contudo, como o grande entrave para a atividade na região Sul é a aquisição de milho e seu frete caro, Engel ressalta que o País precisa adotar medidas urgentes para baratear o cereal. "Talvez seja necessário também frear um pouco a exportação. Não podemos deixar o nosso produtor morrer”.

 

Região de Videira

 

O momento dramático vivenciado pelo setor não é diferente para os suinocultores do Núcleo Regional de Videira. Conforme Marcos Spricigo, presidente da Regional, a crise que afetou o setor entre os anos de 2011 e 2012 voltou à tona, mas com agravantes: o caos generalizado na economia brasileira associado ao sensível momento político.

 

Na análise do presidente da Regional de Videira, o consumidor tem medo de gastar por não ter segurança sobre o futuro do País, o que impacta também no consumo da carne suína e seus derivados. "Todo mundo está envergonhado e preocupado com todo esse caos político de Brasília. Outras atividades também estão sofrendo, como o pessoal da área de transporte".

 

No Meio-Oeste do Estado o custo da saca de milho também passa os R$ 50,00. A remuneração ao suinocultor pelo quilo do animal está entre R$ 2,80 e R$ 3,10. "Esse fator torna a atividade insustentável, independente da eficiência ou não do produtor. Precisamos novamente da união da classe como fizemos em 2012, quando todas as associações do Brasil se juntaram em Brasília para lutar pela causa", analisa Spricigo.

 

Ele ainda constata que a suinocultura está se "esfacelando" e garante que se o cenário atual permanecer por 30 dias, "nós não vamos mais ouvir falar em produtores de suínos". Spricigo afirma que todos os envolvidos na atividade estão em situação de risco, desde o pequeno produtor até a grande agroindústria. "A produção vai se desmantelar. Há produtores desistindo da atividade".

 

Os produtores da Regional de Videira também necessitaram fazer mudanças no plantel para conseguir ter sobrevida na atividade. Spricigo explica que está ocorrendo o descarte das matrizes e que não são repovoadas. "Estão sendo cancelados todos os pedidos de matrizes até que a situação tenha uma melhor perspectiva".

 

Santa Catarina é reconhecida como o Estado que tem o melhor plantel de suínos quando o assunto é status sanitário. Contudo, conforme Spricigo, a unidade federativa pode ser a primeira a "quebrar" por falta de políticas públicas que viabilizem o setor.

 

Em Iomerê

 

A suinocultura de Iomerê também é a grande responsável pela movimentação econômica do município, sendo que mais de 150 famílias dependem da atividade. O mini-integrador Alfonso Mugnol teme em não conseguir mais absorver a demanda de animais dos produtores. "Se a gente não absorver os leitões desse pessoal eles vão morrer aos poucos".

 

Mugnol constata que para mudar a delicada situação será necessário diminuir o número de suínos no País, importar milho da Argentina e que a economia brasileira volte a funcionar. "O produtor independente já está morrendo e as agroindústrias também estão no prejuízo. Se não acontecer nenhum fato novo, em questão de 40 dias estará todo mundo falido. Eu nunca vi uma situação tão grave como essa".

 

Análise do Paraná

 

De acordo com o produtor da região de Guarapuava, no Paraná, Wienfried Mathia, a crise no Estado não se difere da catarinense, sendo que os preços dos insumos estão inflacionados e o suíno com valor depreciado. Ele avalia que a falta de diálogo entre os elos da cadeia produtiva agrava a situação. Nesse contexto, Mathia avalia que as agroindústrias deveriam colocar um preço mínimo pela carcaça do animal, com a tarifação tipo exportação. "Isso permitiria ao produtor cobrir o custo. Para isso deve haver um entendimento entre as agroindústrias e frigoríficos independentes".

 

Mathia diz que muitos produtores do Paraná não têm mais condições de comprar rações para manter o plantel, de modo que acabam expulsos da atividade. "O suinocultor não tem como suportar. Se ele for independente e não fez caixa nos últimos dois anos quando o preço estava bom, está numa situação muito mais grave".

 

Análise do Rio Grande do Sul

 

De acordo com o vice-presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Mauro Antonio Gobbi, ainda há oferta de milho no Estado e com preço melhor na comparação com o Paraná e Santa Catarina. Mas, de forma geral, ele avalia que as dificuldades enfrentadas pelos gaúchos são as mesmas, sendo que a atividade também está em risco de extinção, sendo que muitos suinocultores já pensam em desistir da atividade, mas não conseguem se desfazer do plantel. "Nós estamos em uma situação sem saída a não ser esperar essa crise passar".

 

Contudo, apesar do momento conturbado, Gobbi acredita que a suinocultura irá se recuperar a partir do segundo semestre, assim como ocorreu em 2015, quando o setor começou o ano com dificuldades. "O setor deve se reequilibrar, mas vai ficar gente pelo caminho, que não vai conseguir arcar com os prejuízos até a estabilidade voltar".

 

Avaliação da ACCS

 

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, avalia que o momento é desesperador, agravado principalmente pela briga política em Brasília. “Os políticos estão preocupados em não perder seus assentos. Para equilibrar a balança comercial e minimizar o déficit, o governo exporta tudo. A crise se agrava ainda mais para quem produz proteína animal”.

 

Losivanio também é categórico ao afirmar que se nenhuma atitude emergencial for adotada pelo governo, em breve, o Brasil terá de importar carne. “Todos pagarão de novo o alto custo desta proteína, pois a inflação será novamente a vilã neste País da impunidade e da incompetência de muitos políticos”.

 

Audiência Pública

 

A ACCS programa para o dia 4 de abril uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). A entidade espera a participação dos produtores, lideranças políticas e representantes correlacionados com a área.

 

Fonte: Ass. de Imprensa da ACCS

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Suínos / Peixes

Produtor acredita em suinocultura “mais justa” para 2024

Produtor Leonor Buss, suinocultor e agricultor com uma propriedade de 50 alqueires, enfrentou desafios em 2023, e agora, no início de 2024, compartilha suas experiências, desafios e perspectivas para o setor.

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Foto: Arquivo pessoal

O produtor Leonor Buss, suinocultor e agricultor com uma propriedade de 50 alqueires na Linha São Marcos, interior do município de Mercedes, no Oeste do Paraná, enfrentou desafios em 2023, e agora, no início de 2024, compartilha suas experiências, desafios e perspectivas para o setor.

Há 13 anos na suinocultura, possui 1,7 mil matrizes e entrega em média 2,8 mil leitões a cada três semanas para a Cooperativa Agroindustrial Copagril, a qual é associado, totalizando uma produção anual de 48 mil animais. Além disso, diversifica suas atividades com a produção de grãos, especialmente milho e soja, em uma área de 35 alqueires.

O ano de 2023 foi particularmente desafiador para o produtor. Operando por conta própria, enfrentou prejuízos mensais de R$ 100 mil, acumulando uma dívida de R$ 2 milhões com os suínos. Após uma conversa com os técnicos da Copagril, optou por um comodato, transferindo para a cooperativa a responsabilidade pelas despesas com a criação, o que permitiu aliviar suas finanças e investir na expansão da granja.

A propriedade, que possui seis galpões, ainda está sujeita às flutuações do mercado. Leonor destaca a baixa margem de lucro devido aos preços pouco atrativos praticados pelo mercado no ano passado, que impactam diretamente a capacidade de investimento. “Não penso em expandir, mas tudo depende. Se o negócio começar a dar lucro, a gente se anima a aumentar a capacidade, mas hoje a Frimesa, cooperativa para a qual repasso os leitões, está com o preço base muito baixo. Há alguns meses pagavam R$ 6,97 pelo quilo e há meio ano está a R$ 6,15, valor que tem deixado a margem do produtor bem estreita”, afirma Leonor.

Perspectivas para 2024

Ao abordar as perspectivas para 2024, o suinocultor é cauteloso. “Espero ter um lucro para pagar o financiamento da granja. Acredito que devagar as coisas vão se ajeitando e a cooperativa conseguirá uma remuneração melhor para o suíno, porque é preciso ter uma relação mais justa entre produtor e cooperativa para garantir uma cadeia sustentável”, salienta.

O mercado, segundo Leonor, apresentou algumas melhorias em dezembro, mas a instabilidade persiste. “Para o produtor ficar mais tranquilo está precisando que haja um preço justo pelo produto que se entrega”. Ele destaca a disparidade entre o investimento na granja, avaliada em quase R$ 20 milhões, e os retornos financeiros. “O que estou ganhando é pouco diante do dinheiro aplicado, então espero que haja uma valorização melhor para que a gente enquanto produtor consiga honrar com os compromissos assumidos”, ressalta.

Custos com a produção

Ao ser questionado sobre os custos, Leonor aponta pela falta de uma gestão detalhada do seu negócio, mas destaca o elevado investimento necessário para construir uma nova granja com sistema de produção de matrizes. “Eu não tenho esta gestão de custo, mas eu sei que para construir uma granja nova e implementar um sistema de produção com matrizes você precisa investir R$ 15 mil por fêmea, ou seja, para colocar mil fêmeas em uma granja isso implica em um investimento de R$ 1,5 milhão. É um custo alto para uma rentabilidade baixa”, avalia, destacando que a falta de novos empreendimentos reflete a atual incerteza no setor.

Apesar dos desafios, o suinocultor acredita na resiliência do setor. “Acredito na atividade, porque altos e baixos sempre têm. Uma hora vamos voltar a ter uma valorização maior e vamos voltar a ganhar dinheiro”, diz, esperançoso.

Produção de grãos

Na agricultura, Leonor também enfrenta dificuldades, especialmente devido à recente seca que afetou a produção. O preço baixo da soja complica ainda mais a situação. “O preço do produto está muito baixo, e se continuar assim, será como o milho safrinha em 2023, que teve quebra e desvalorização. São grandes os desafios do produtor no campo”, afirma.

Diante do cenário desafiador, Leonor Buss mantém a esperança de que o setor se estabilize e que medidas justas sejam tomadas para garantir a sustentabilidade dos produtores rurais.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Homenagem

Presidente da Frimesa recebe título de “Cidadão Honorário” de Marechal Rondon nesta sexta-feira

Comenda será à Elias José Zydek em sessão solene no plenário da Casa de Leis.

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No início de 2023, Elias Zydek foi alçado ao cargo de diretor presidente da Frimesa - Fotos: Divulgação/Frimesa

O Poder Legislativo de Marechal Cândido Rondon (PR) marcou para esta sexta-feira (23), no plenário da Casa de Leis, sessão solene para entrega de título de “Cidadão Honorário do Município” ao presidente  da Frimesa, Elias José Zydek.

A comenda é de autoria do vereador Juliano Oliveira. Segundo ele, o homenageado trabalhou intensamente pela implantação da fábrica de queijos da antiga Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste (Sudcoop), atual Frimesa, em Marechal Cândido Rondon.

Comenda é de autoria do vereador Juliano Oliveira

Quando da inauguração, em 1990, a indústria foi reconhecida como uma das mais modernas da América Latina, promovendo a divulgação do município por todo o Brasil e países sul-americanos. Inclusive, no ano passado, o parmesão da Frimesa, produzido na cidade, foi o grande vencedor do Prêmio Queijos do Paraná. “Ressalta-se, ainda, que a implantação da fábrica de queijos também marcou o início do processo de industrialização no município, bem como gerou e continua gerando centenas de empregos diretos e indiretos e impulsionando a arrecadação de impostos”, destaca Juliano Oliveira.

Biografia

Elias Zydek nasceu nem Alecrim (RS), em 12 de junho de 1951. Filho de Francisco Zydek e Gentila Golfeto Zydek, casou-se com Dirce Zydek, com quem teve a filha Diele e o filho Diego.

É formado engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Santa Maria (RS) e especialista em Planejamento e Gestão de Negócios pela Faculdade de Administração e Economia da PUC-PR.

Iniciou suas atividades profissionais na Emater-PR em 1974, onde permaneceu até 1975, quando passou a atuar até 1978 na Copersabadi como gerente técnico.

Depois, assumiu como diretor executivo da Sudcoop, participando ativamente da fundação da empresa, a qual era formada por diversas cooperativas da região Oeste do Paraná, com a finalidade de incrementar e desenvolver a economia regional.

Em 1979, coordenou a equipe que projetou a aquisição pela Sudcoop do Frigorífico Frimesa, empresa que até então atuava apenas no abate de animais, mas que a partir de então passou para várias frentes de atuação, especialmente na área de laticínios.

Zydek trabalhou intensamente pela implantação da fábrica de queijos da antiga Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste (Sudcoop), atual Frimesa, em Marechal Cândido Rondon (PR)

Como colaborador da Frimesa, Elias Zydek exerceu a função de superintendente industrial e, em 1997, foi promovido ao cargo de diretor-executivo, tendo participação decisiva na elaboração e implantação de projetos de expansão das unidades industriais da empresa, em especial em Marechal Cândido Rondon, transformando-a numa unidade modelo na fabricação de queijos.

Ainda na esteira de promover o desenvolvimento de Marechal Cândido Rondon através da geração de emprego e renda, Elias Zydek atuou junto à Frimesa para a aquisição da Unidade de Abate de Suínos da empresa Radar, localizada no distrito de Novo Horizonte, fato que gerou 700 novos postos diretos de trabalho.

Somados os 900 empregos gerados na unidade láctea instalada no município, a atuação da Frimesa em Marechal Cândido Rondon conta com 1.600 trabalhadores e proporciona outros milhares de empregos indiretos, promovendo o desenvolvimento do agronegócio local, especialmente nas atividades leiteira e suína.

A aquisição de bens e serviços do comércio local também é uma política da Frimesa, promovendo, assim, emprego e renda nesse segmento.

Após 45 anos, no início de 2023 Elias Zydek foi alçado ao cargo de diretor presidente da Frimesa.

Fonte: Assessoria Frimesa
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Suínos / Peixes Consumo e exportação

Assim como em 2023, oferta de carne bovina deve continuar a influenciar preço do suíno em 2024

Apesar da expectativa de um menor volume de produção da safra brasileira, ocasionada pelas condições climáticas, o mercado internacional de commodities com cotações em baixa deve manter os custos de produção da suinocultura em patamares que permitam margens financeiras positivas ao longo do ano.

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Foto: Ari Dias

O IBGE publicou no dia 09 de fevereiro os dados preliminares de abate de suínos, aves e bovinos do último trimestre de 2023. Conforme a tabela 1, comparado com 2022, o ano de 2023 foi marcado pelo aumento considerável do abate de bovinos, em toneladas de carcaça e em cabeças (11,23% e 13,17%, respectivamente), um pequeno crescimento na produção de frango (3,47% em ton. e 2,82% em cabeças) e uma relativa estabilidade na produção de suínos, com apenas 2,04% a mais em toneladas e incremento de 1,13% em cabeças abatidas.

Tabela 1 – Abate brasileiro de bovinos, aves e suínos em toneladas de carcaças e em cabeças (x 1.000) projetado para o ano de 2023, no 4º trimestre de 2023, comparado com o 3º trimestre/23 e com o mesmo período de 2022. *Dados do 4º trimestre/23 são preliminares. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE

Quanto à disponibilidade interna, no somatório das três carnes, o consumo per capita do brasileiro foi recorde em 2023, atingindo 96,56 kg/habitante/ano (Tabela 2). Novamente a carne bovina se destaca pelo crescimento do consumo doméstico, com um aumento de 4,25 kg por habitante/ano, um incremento de 880 mil toneladas (+14,54%) em relação ao ano anterior. Já o frango e o suíno aumentaram seu consumo por habitante em somente 250 g (+0,59%) e 100g (+0,49%) respectivamente, com a carne suína atingindo o valor recorde de 20,65 kg per capita ano.

Tabela 2 – Produção brasileira, exportação e disponibilidade interna mensais (em toneladas) das três carnes em 2023 e consumo per capita (kg) e diferença para 2022. População brasileira considerada p/ o cons. per capita: 203.080.756 em 2022 e 203.596.906 em 2023. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE e Secex.

Analisando o abate de suínos nos últimos dois anos (Tabelas 3), é possível observar um “freio” na produção no ano passado, ocasionado pela longa crise que se dissipou somente a partir da metade de 2023, com vários meses apresentando crescimento negativo ao longo do ano em relação ao mês anterior e com alguns meses de retração em relação ao mesmo período de 2022, algo que não acontecia há muitos anos.

Tabela 3 – Abate brasileiro mensal de suínos em cabeças e toneladas de carcaças em 2022 e 2023 e diferença percentual de cada mês em relação ao mês anterior e ao mesmo mês do ano anterior. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE.

De fato, ao se analisar o balanço da carne suína brasileira dos últimos 10 anos, conforme a Tabela 4 a seguir, o ano de 2023 foi o de menor crescimento tanto no abate em cabeças, quanto em toneladas de carcaças. Também a disponibilidade interna de carne suína foi a de menor crescimento neste período, com apenas 0,75%, enquanto em 2021 e 2022 a disponibilidade interna cresceu 8,46% e 7,44%, respectivamente. Na ocasião, o grande incremento da oferta aliado a um custo de produção relativamente alto, determinaram uma das maiores crises da suinocultura brasileira.

Tabela 4 –  Evolução anual da produção (ton. carcaças e cabeças), disponibilidade interna e exportações nos últimos 10 anos (de 2014 a 2023). *Produção de 2023 sobre resultados preliminares publicados pelo IBGE. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE e Secex.

Na mesma Tabela 4 é possível verificar que a exportação de carne suína ganhou maior peso na destinação da produção, com percentual ao redor de 20%, puxada fortemente pela China desde 2020, ano em que se aproximou de 1 milhão de toneladas. Depois de bater recorde de embarques em 2023, as vendas externas continuam em crescimento no início deste ano. Janeiro de 2024 fechou com 4,8% a mais (+3.800 toneladas de carne suína in natura) que janeiro de 2023 (Tabela 5). Já as receitas (em dólar) vêm reduzindo com uma queda de -7,65% em janeiro/24 em relação a jan/23 e de -14,6% em relação a dezembro/23.

Tabela 5 – Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2024, comparado com janeiro de 2023 e volumes e preços de dezembro de 2023. Ordem estabelecida sobre janeiro de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE e Secex.

Um movimento que já vinha ocorrendo no ano passado e que continua neste início de ano, é a redução dos volumes adquiridos pela China, com aumento para outros destinos como Filipinas e Chile (Tabela 6).

Tabela 6 – Percentual de participação dos principais importadores da carne suína brasileira in natura em janeiro de 2024, janeiro de 2023 e média do ano de 2023. Ordem estabelecida sobre janeiro de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Quanto ao preço do suíno, ocorreu como era esperado um recuo nas cotações em relação a dezembro de 2023 (Gráfico 1), em função da sazonalidade da demanda doméstica e internacional, mais baixas nos primeiros meses do ano. Como fatores a serem considerados ao longo do ano para que o preço pago ao produtor permita margens positivas. Além das cotações dos principais insumos, temos em favor do suinocultor uma limitação do aumento de oferta de carne suína, pois os números de 2023 indicam estabilidade e até redução de planteis, determinado um tempo maior e uma conjuntura de mercado favorável pra que volte a crescer a níveis superiores a 5% ao ano.

Gráfico 1 – Cotação da carcaça suína especial em São Paulo/SP (R$/kg), nos últimos 12 meses, até dia 16/02/2024. Fonte: Cepea

Por outro lado, a concorrência com as outras carnes, especialmente a bovina, que em 2023 com alta oferta e queda de preço (Gráfico 2), limitou a subida de preço da carne suína, deve continuar determinando grande parte da dinâmica de mercado.

Gráfico 2 – Cotação do boi gordo (B3/CEPEA) em São Paulo-SP (R$/@), nos últimos 2 anos, até dia 16/02/2024. Fonte: Cepea

Andamento da segunda safra e novas projeções de produção

A Conab divulgou dia 08 de fevereiro o quinto levantamento da safra 2023/24 que traz nova redução da expectativa de safra de milho, com previsão de um total de 113,7 milhões de toneladas a serem colhidas (Tabela 7). Ainda segundo a Conab, deste total somente 23,6 milhões de toneladas de milho devem ser produzidas na safra verão, cuja colheita, segundo MBagro, até 12/02 já ultrapassou os 20% da área a ser colhida. Para a segunda safra de milho com mais de 28% da área plantada até dia 09/02 (MBagro), a Conab projeta pouco mais de 88 milhões de toneladas, 14 milhões a menos que no ano passado.

Tabela 7 – Balanço de oferta e demanda de milho no Brasil (em mil toneladas). Dados da safra 2022/23 atualizados em 08/02/2024, sendo estoque final estimado para 31 de janeiro. Fonte: Conab

Apesar da perspectiva de redução da safra brasileira para este ano, as cotações do milho continuam estáveis (Gráfico 3). Dois fatores explicam esta estabilidade: a baixa pressão de compra no mercado doméstico e a expectativa de alta produção mundial em 2024, com a safra Argentina a ser colhida no primeiro semestre evoluindo bem e a perspectiva de alta produção do cereal no hemisfério norte no segundo semestre, puxada por EUA e China.

Gráfico 3 – Preço do milho (R$/SC 60kg) em Campinas-SP, nos últimos 12 meses, até dia 16/02/2024. Fonte: Cepea

Com a soja não é muito diferente do que está acontecendo com o milho, pois mesmo com uma evidente quebra nos volumes a serem colhidos na safra brasileira (já com quase 30% da área colhida), observa-se recuo nas cotações do grão e do farelo que em algumas praças, baixou para R$ 1.800,00 por tonelada.

As cotações atuais destas commodities variam conforme mudam as condições climáticas e a oferta e demanda efetivas se concretizam no mercado doméstico e mundial, por isso uma tendência de hoje pode mudar em alguns meses, porém espera-se para o ano de 2024 uma condição melhor do que em 2023 em termos de custos para a suinocultura.

Considerações finais

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que como normalmente existe aumento de produtividade de um ano para outro, pode-se considerar que este aumento relativamente pequeno no abate (1,13% em cabeças) é, na verdade, resultado de uma retração nos plantéis de matrizes. “Ou seja, será preciso um tempo para que o abate de suínos volte a taxas de crescimento anuais acima de 5%. Por este motivo, espera-se que a oferta de carne suína em 2024 esteja bem ajustada, permitindo preços melhores aos suinocultores”, expõe.

Ele conclui dizendo que apesar da expectativa de um menor volume de produção da safra brasileira, ocasionada pelas condições climáticas, o mercado internacional de commodities com cotações em baixa deve manter os custos de produção da suinocultura em patamares que permitam margens financeiras positivas ao longo do ano.

Fonte: Assessoria ABCS
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