Suínos Custos de produção
Suinocultores brasileiros têm prejuízos que chegam a R$ 300 por animal
O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas regiões e o que esperar para próximos meses

Os custos de produção da suinocultura estão assustando produtores de todas as regiões do país. O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas suas regiões e o que esperar para os próximos meses. Prejuízos passam fácil de R$ 100 por animal nos estados, chegando a R$ 300 no Paraná. E a situação para os próximos meses não é nada boa.
Minas Gerais
João Carlos Bretas Leite, presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), “os próximos meses vão ser desafiadores porque as perspectivas continuam ruins. E a gente não vê perspectiva de aumento no preço do suíno, nem na baixa no preço do milho ou do farelo de soja”. E completa: Devemos continuar com prejuízo até o fim do ano”.
O presidente quantifica esses prejuízos. “Nossos custos de produção giram em torno de R$ 7 a R$ 7,50 o quilo. Como estamos vendendo para receber líquido cerca de R$ 6,60, estamos com prejuízo de quase R$ 1 por quilo de suíno produzido”.
Ele destaca que os custos começaram subir muito desde o segundo semestre de 2020 e que alguns fatores contribuíram para chegar a esse cenário, além do preço dos insumos para as dietas dos animais. “Baixa produção, muita exportação de grãos, estoques mundiais de soja baixando, a nossa inflação, entre outras situações, contribuíram para esse aumento nos custos”, destaca o presidente da Asemg.
Rio Grande do Sul
A situação é a mesma no Rio Grande do Sul, onde a quebra da safra 20/21 só piorou o cenário. “Realmente os custos
de produção estão nas alturas. Se fizermos uma pequena retrospectiva, começando pelo mês de julho de 2020, tínhamos milho em torno de R$ 50 a saca e o farelo de soja a R$ 1,6 mil a tonelada. Hoje falamos do preço do milho a cerca de R$ 100 e o farelo de soja em R$ 2,3 mil. O milho praticamente dobrou de preço e o farelo subiu ente 30 e 40%. Saímos de custo de produção em julho de 2020 de cerca de R$ 4,50 o quilo para algo em torno de R$ 7,30 a R$ 7,50 o quilo hoje em dia”, evidencia o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador.
“Realmente é um desafio, tudo vem por conta da alimentação dos animais, por conta de questões climáticas que quebraram a safra do Rio Grande do Sul. A safra 2020/21 teve quebra de quase 50%. Isso puxou o preço do milho para cima, aliado a forte demanda pelo cereal, tanto no mercado interno quanto externo. O produtor está tendo que se virar nos 30. Alguns tinham estoque de milho com preço mais baixo. Mas a partir de agora o que se adquirir vai ser o preço que temos hoje. Por outro lado o preço do suíno não reage. Tínhamos uma perspectiva positiva para o segundo semestre, mas houve recuo, mesmo com exportações maiores que ano passado”, explica o presidente da Acsurs.
De acordo com ele, não fossem as exportações, especialmente para a China, que compra cerca de 50% de toda a exportação brasileira, a situação seria insustentável. “Nossa produção cresce ano a ano cerca de 3 a 4% e precisamos colocar essa carne no mercado. Se não fossem as exportações para a China, o setor suinícola estaria em uma crise sem precedentes”, pontua Folador.
O presidente da Acsurs explica que o consumo está bom, mas os preços estão baixos. “O consumo interno não está ruim. A população brasileira vê a carne suína como alternativa ao preço da carne bovina, que está cara. Mas o preço pago na carne suína não reage”, aponta.
Para ele, a situação só vai melhorar com a entrada de uma boa safra no inverno e o plantio da safra de milho no verão. “Temos que aguardar agora, a partir de agosto, para ver o que vai acontecer, se o mercado vai ter força de reação, se vai aumentar volume e preço da carne suína exportada. Sobre 2022 é cedo para fazer uma previsão, mas posso visualizar que vamos entrar o ano novo com custo de produção alto, não vai ter refresco, ao que tudo indica. Temos que aguardar o que vai acontecer com plantio da primeira safra de milho a partir de agosto/setembro, principalmente no Rio Grande do Sul, que não tem segunda safra. E aguardar para ver como o clima vai se comportar. Se o clima favorecer e tivermos mais oferta de milho e soja, consequentemente pode cair o custo de produção das carnes”, destaca, ampliando: “o momento é bem complicado para o suinocultor gaúcho e brasileiro, sem margem de rentabilidade”.
Santa Catarina
Os produtores de Santa Catarina, detentores da maior suinocultura do país, amargam prejuízos que chegam a R$ 270 por animal, como explica o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi. “Os custos estão muito altos. A gente fala do milho, mas não é só isso. O farelo de soja, as vacinas, tudo é baseado em dólar. Conforme o dólar sobe, os insumos também sobem. E quando o dólar cai os custos continuam lá em cima”, destaca.
Para o presidente da ACCS, os produtores estão nas mãos do mercado, sem poder de reação. “Os suinocultores têm que vender porque não dá para estocar dentro da granja. Temos que vender pelo preço que o mercado está ofertando nesse momento. Hoje temos um custo de R$ 8 ou mais, dependendo da região e produtividade da granja, e comercializando a R$ 6,30. Dá para ter uma noção do prejuízo, que chega a R$ 270 por animal”, revela. “Até quando vamos conseguir manter nossa atividade com tamanho prejuízo? Não há esperança de melhora tão logo na questão dos custos, pois as safras foram ruins. Embora as exportações não estejam estão elevadas, o produtor de grãos está capitalizado, não oferta milho ao mercado, mantendo o preço em alta”, amplia.
Os produtores independentes estão tendo prejuízos, mas a dificuldade com os custos chega também a quem é integrado. O independente não está tendo lucro, mas a gente observa que no modelo de integração ou cooperativismo, o produtor não está conseguindo se manter. Há uma reclamação generalizada quando se fala nesses modelos integrados. Por mais que se tenha garantia de receber o acordado em contrato, o produtor não consegue ter sobra para fazer adequações e mudanças dentro da propriedade rural. E são altos e vários investimentos que precisam ser feitos dentro da propriedade para se adequar às normas, como bem-estar animal, por exemplo. Há um prejuízo também dentro desses modelos de integração e cooperativismo”, pontua Losivanio.
Para ele, esse cenário de custos elevados deve perdurar por muitos meses ainda. “Não está sendo um ano fácil e a gente não sabe nem quanto nem como recuperar esse prejuízo já acumulado. Enquanto não tiver safra promissora, e ajuda do governo para zerar tributos, como estamos pedindo do PIS e Cofins para importar milho do Paraguai e Argentina, mas que até agora não fomos atendidos, a gente não vê perspectiva de lucro tão rápido dentro da propriedade rural. Os custos tendem a se manter porque a gente não tem estoque regulador na Conab, não temos previsão de safra agradável. A perspectiva para 2022 não é das melhores quando se fala em custos. Tudo isso vai continuar por dois ou três anos”, lamenta o presidente da ACCS.
Para ele, outros dois pontos merecem atenção: a concorrência das usinas de produção de etanol com milho e a biosseguridade que, se arruinada, poderia causar uma catástrofe na suinocultura brasileira. “Observando outro horizonte, sabemos que o milho está indo para dentro do tanque de combustível. É uma preocupação forte que temos. Há hoje disputa de milho para produzir proteína animal e etanol. Mas friso que o maior desafio que temos é manter a sanidade dos planteis. O alerta é para os produtores isolarem a propriedade, não deixar ninguém entrar. Só quem dá assistência técnica, mesmo assim respeitando todos os requisitos sanitários para garantir a sanidade daquela propriedade. Se chegar uma peste em nosso país, vamos perder exportações e o caos será instalado dentro da propriedade rural e do país”, frisa.
Mato Grosso
O cenário se repete mesmo no Estado de Mato Grosso, maior produz de milho do país, responsável por mais de 30%
de todo milho do Brasil, segundo a Conab. A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), alerta para um cenário preocupante. “Nós produtores rurais, pecuaristas, temos a preocupação em relação ao futuro da atividade, pois com os custos de produção elevados, a proteína tende a ficar ainda mais cara para o consumidor. Neste caminho, a proteína animal, um dos principais alimentos do ser humano, vai ficar cada vez mais escassa na mesa do brasileiro. Se não houver um recuo no custo de produção em alguns meses o preço irá disparar nos supermercados e cada vez menos pessoas terão condições de comprar”, destaca o presidente da entidade, Itamar Antônio Canossa.
Apesar dos custos mais baixos em relação a outras regiões produtoras por conta da maior oferta de milho, o produtor já começou a trabalhar no vermelho. “O custo de produção hoje na suinocultura mato-grossense é de aproximadamente R$ 5,50 por quilo produzido, hoje estamos trabalhando sem margem de lucro, e no nos últimos dias do mês (julho) trabalhamos no prejuízo, pois o poder de compra do consumidor diminui e consequentemente o consumo de carne também, o que derruba o preço pago ao suinocultor”, destaca.
Canossa explica que o custo de produção na suinocultura se baseia praticamente no preço da ração, que é composta em sua maioria pelo milho e farelo de soja, que foram os que tiveram um aumento significativo nos últimos meses. “Há dois anos a ração era responsável por 70% do nosso custo de produção, hoje ela é responsável por 80% dos custos na suinocultura. Os outros componentes do custo seguem com pouca variação de preços. O milho e a soja, principais componentes da ração, subiram muito de preço. Essas commodities estão muito valorizadas, principalmente aqui no Brasil, já as vitaminas, minerais, enzimas, ácidos e aminoácidos que completam a alimentação dos suínos são comprados em dólar, e normalmente importados, logo, também tiveram aumento dos preços”, menciona.
Para ele, os custos elevados devem permanecer durante meses ainda, mas o produtor tem que se preocupar ainda com o consumo. “A perspectiva dos suinocultores é de pelo menos até o próximo ano os custos de produção permaneçam elevados, pois o dólar continua valorizado e com poucas oscilações, o milho com uma quebra razoável de safra e com muita demanda, vai permanecer com custo alto, assim como a soja, que não demonstra recuo nos valores para os próximos meses. Em contrapartida o preço de venda do suinocultor é uma incógnita, pois depende muito do poder de compra do consumidor e do consumo”.
Sem muito a fazer em relação ao mercado, Canossa explica que o produtor deve se atentar a melhorar seus índices de produtividade. “Não vejo muitas oportunidades na questão da suinocultura ou até mesmo na cadeia da proteína animal, pois quando a combinação de custo elevado de produção e preço de venda dessa proteína por um preço que flutua pela demanda e oferta, não enxergamos muitas oportunidades para se investir na área e ampliar a produção. Temos que melhorar nossos índices para sermos mais eficientes e diminuir o custo de produção dentro da granja. A saída é essa, melhorar nosso índice de produtividade na própria granja para diminuir os custos fixos, para que a atividade seja no mínimo viável”, frisa. O dirigente da Acrismat destaca que algumas propriedades podem deixar de produzir caso algo não mude nos próximos meses. “Com o atual cenário, as previsões não são das melhores, pois com o produtor trabalhando no prejuízo, a tendência é que a atividade diminua ou até mesmo acabe”, pontua.
Ele cita que até mesmo produtores integrados não estão escapando da fúria do mercado. “As mesmas questões que preocupam o suinocultor independente preocupam também o suinocultor integrado. Na questão do integrado existe o apoio da empresa, mas também há limites, pois as empresas também trabalham com margens de lucro, e chega uma hora que ela terá que repassar também para o seu integrado. Já temos a confirmação de suinocultores integrados também trabalhando sem margem de lucro, isso já acontece aqui em Mato Grosso, e também em alguns casos lá em Santa Catarina”, acrescenta Canossa.
Paraná
No Paraná, a Associação Paranaense dos Suinocultores (APS) tem registrado prejuízo de R$ 300 por animal entregue para o abate. “A suinocultura prossegue com situações recorrentes nos últimos anos, alternando períodos de altos e baixos, com margens positivas e negativas, muito embora na maior parte do tempo o produtor tem sofrido com o esmagamento das margens, e isso ocorre tanto no mercado independente quanto no sistema de integração. Os custos de produção têm pesado bastante, com sucessivas altas nos seus componentes, enquanto o preço pago ao produtor está bem aquém das margens de lucro verificadas em outras fases da cadeia, incluindo o varejo. O consumo permanece numa fase crescente, com maior aceitação por parte do consumidor, que por sua vez já reconheceu os benefícios do consumo da carne suína como fonte de proteína animal. Enquanto isso, nas granjas há cada vez mais investimentos em tecnificação, bem-estar animal e em biosseguridade, garantindo maior sanidade animal possível. Se olharmos os números mais recentes, no caso do mercado independente, o prejuízo tem chegado à casa dos R$ 300, pois enquanto o preço pago em média por quilo ao produtor gira em torno dos R$ 6,50, o custo de produção por quilo está em torno de R$ 9. É muita diferença, e em palavras simples, o produtor está pagando para criar seus animais e ofertá-los ao mercado. Isso se dá em um verdadeiro contrassenso ao que acontece no mercado mundial de carnes, que está aquecido desde que a China passou a comprar mais, em razão da PSA em seu plantel. Esse fato elevou grandemente as exportações brasileiras. O mercado interno já deveria estar mais favorável ao produtor e o varejo mantém o preço com boas margens”, cita o presidente da APS, Jacir Dariva.
“Os custos de produção sempre estiveram alto e desafiando o produtor, mas passaram a aumentar ainda mais quando o preço da soja e do milho dispararam nas safras passadas, já que são os principais componentes da ração animal. Somam-se a isso o aumento dos demais insumos, com muitos itens de consumo regular nas granjas com altas elevadas. Houve casos de 100% e até mesmo de 200%. Os insumos alimentares impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a ração é o principal componente de custos na suinocultura. No Sudoeste do Paraná, por exemplo, os gastos com ração representam mais de 60% na maioria das modalidades analisadas pelo recente levantamento de custos de produção realizado do Sistema Faep/Senar-PR. Mas há também outras questões nas granjas que preocupam os produtores do sistema de integração, como a depreciação de equipamentos e edificações e, ainda, a remuneração do capital investido na atividade. Essas questões compõem a pauta de negociação com a agroindústria integradora”, amplia Dariva.
O presidente cita, no entanto, que é preciso acreditar na atividade, mesmo que seja a partir de 2022, destacando a nova condição sanitária do Paraná, segundo maior produtor do Brasil. “Apesar desse quadro de coisas, tanto na suinocultura pelo sistema de integração, quanto no mercado independente, a cadeia se mantém otimista em relação aos próximos anos, diante do recente reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação e de Peste Suína Clássica (PSC) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O novo status sanitário do Paraná promete a abertura de novos mercados para o estado, que remuneram melhor pela carne suína que produzimos com base nas melhores condições de segurança alimentar e de biosseguridade. Isso sem contar que a Peste Suína Africana na China deve continuar repercutindo nas importações daquele país, que vão continuar aquecidas ainda por um bom tempo”, menciona o dirigente.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



