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Suínos / Peixes Custos de produção

Suinocultores brasileiros têm prejuízos que chegam a R$ 300 por animal

O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas regiões e o que esperar para próximos meses

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Arquivo/OP Rural

Os custos de produção da suinocultura estão assustando produtores de todas as regiões do país. O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas suas regiões e o que esperar para os próximos meses. Prejuízos passam fácil de R$ 100 por animal nos estados, chegando a R$ 300 no Paraná. E a situação para os próximos meses não é nada boa.

Minas Gerais

João Carlos Bretas Leite, presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), “os próximos meses vão ser desafiadores porque as perspectivas continuam ruins. E a gente não vê perspectiva de aumento no preço do suíno, nem na baixa no preço do milho ou do farelo de soja”. E completa: Devemos continuar com prejuízo até o fim do ano”.

O presidente quantifica esses prejuízos. “Nossos custos de produção giram em torno de R$ 7 a R$ 7,50 o quilo. Como estamos vendendo para receber líquido cerca de R$ 6,60, estamos com prejuízo de quase R$ 1 por quilo de suíno produzido”.

Ele destaca que os custos começaram subir muito desde o segundo semestre de 2020 e que alguns fatores contribuíram para chegar a esse cenário, além do preço dos insumos para as dietas dos animais. “Baixa produção, muita exportação de grãos, estoques mundiais de soja baixando, a nossa inflação, entre outras situações, contribuíram para esse aumento nos custos”, destaca o presidente da Asemg.

Rio Grande do Sul

A situação é a mesma no Rio Grande do Sul, onde a quebra da safra 20/21 só piorou o cenário. “Realmente os custos de produção estão nas alturas. Se fizermos uma pequena retrospectiva, começando pelo mês de julho de 2020, tínhamos milho em torno de R$ 50 a saca e o farelo de soja a R$ 1,6 mil a tonelada. Hoje falamos do preço do milho a cerca de R$ 100 e o farelo de soja em R$ 2,3 mil. O milho praticamente dobrou de preço e o farelo subiu ente 30 e 40%. Saímos de custo de produção em julho de 2020 de cerca de R$ 4,50 o quilo para algo em torno de R$ 7,30 a R$ 7,50 o quilo hoje em dia”, evidencia o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador.

“Realmente é um desafio, tudo vem por conta da alimentação dos animais, por conta de questões climáticas que quebraram a safra do Rio Grande do Sul. A safra 2020/21 teve quebra de quase 50%. Isso puxou o preço do milho para cima, aliado a forte demanda pelo cereal, tanto no mercado interno quanto externo. O produtor está tendo que se virar nos 30. Alguns tinham estoque de milho com preço mais baixo. Mas a partir de agora o que se adquirir vai ser o preço que temos hoje. Por outro lado o preço do suíno não reage. Tínhamos uma perspectiva positiva para o segundo semestre, mas houve recuo, mesmo com exportações maiores que ano passado”, explica o presidente da Acsurs.

De acordo com ele, não fossem as exportações, especialmente para a China, que compra cerca de 50% de toda a exportação brasileira, a situação seria insustentável. “Nossa produção cresce ano a ano cerca de 3 a 4% e precisamos colocar essa carne no mercado. Se não fossem as exportações para a China, o setor suinícola estaria em uma crise sem precedentes”, pontua Folador.

O presidente da Acsurs explica que o consumo está bom, mas os preços estão baixos. “O consumo interno não está ruim. A população brasileira vê a carne suína como alternativa ao preço da carne bovina, que está cara. Mas o preço pago na carne suína não reage”, aponta.

Para ele, a situação só vai melhorar com a entrada de uma boa safra no inverno e o plantio da safra de milho no verão. “Temos que aguardar agora, a partir de agosto, para ver o que vai acontecer, se o mercado vai ter força de reação, se vai aumentar volume e preço da carne suína exportada. Sobre 2022 é cedo para fazer uma previsão, mas posso visualizar que vamos entrar o ano novo com custo de produção alto, não vai ter refresco, ao que tudo indica. Temos que aguardar o que vai acontecer com plantio da primeira safra de milho a partir de agosto/setembro, principalmente no Rio Grande do Sul, que não tem segunda safra. E aguardar para ver como o clima vai se comportar. Se o clima favorecer e tivermos mais oferta de milho e soja, consequentemente pode cair o custo de produção das carnes”, destaca, ampliando: “o momento é bem complicado para o suinocultor gaúcho e brasileiro, sem margem de rentabilidade”.

Santa Catarina

Os produtores de Santa Catarina, detentores da maior suinocultura do país, amargam prejuízos que chegam a R$ 270 por animal, como explica o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi. “Os custos estão muito altos. A gente fala do milho, mas não é só isso. O farelo de soja, as vacinas, tudo é baseado em dólar. Conforme o dólar sobe, os insumos também sobem. E quando o dólar cai os custos continuam lá em cima”, destaca.

Para o presidente da ACCS, os produtores estão nas mãos do mercado, sem poder de reação. “Os suinocultores têm que vender porque não dá para estocar dentro da granja. Temos que vender pelo preço que o mercado está ofertando nesse momento. Hoje temos um custo de R$ 8 ou mais, dependendo da região e produtividade da granja, e comercializando a R$ 6,30. Dá para ter uma noção do prejuízo, que chega a R$ 270 por animal”, revela. “Até quando vamos conseguir manter nossa atividade com tamanho prejuízo? Não há esperança de melhora tão logo na questão dos custos, pois as safras foram ruins. Embora as exportações não estejam estão elevadas, o produtor de grãos está capitalizado, não oferta milho ao mercado, mantendo o preço em alta”, amplia.

Os produtores independentes estão tendo prejuízos, mas a dificuldade com os custos chega também a quem é integrado. O independente não está tendo lucro, mas a gente observa que no modelo de integração ou cooperativismo, o produtor não está conseguindo se manter. Há uma reclamação generalizada quando se fala nesses modelos integrados. Por mais que se tenha garantia de receber o acordado em contrato, o produtor não consegue ter sobra para fazer adequações e mudanças dentro da propriedade rural. E são altos e vários investimentos que precisam ser feitos dentro da propriedade para se adequar às normas, como bem-estar animal, por exemplo. Há um prejuízo também dentro desses modelos de integração e cooperativismo”, pontua Losivanio.

Para ele, esse cenário de custos elevados deve perdurar por muitos meses ainda. “Não está sendo um ano fácil e a gente não sabe nem quanto nem como recuperar esse prejuízo já acumulado. Enquanto não tiver safra promissora, e ajuda do governo para zerar tributos, como estamos pedindo do PIS e Cofins para importar milho do Paraguai e Argentina, mas que até agora não fomos atendidos, a gente não vê perspectiva de lucro tão rápido dentro da propriedade rural. Os custos tendem a se manter porque a gente não tem estoque regulador na Conab, não temos previsão de safra agradável. A perspectiva para 2022 não é das melhores quando se fala em custos. Tudo isso vai continuar por dois ou três anos”, lamenta o presidente da ACCS.

Para ele, outros dois pontos merecem atenção: a concorrência das usinas de produção de etanol com milho e a biosseguridade que, se arruinada, poderia causar uma catástrofe na suinocultura brasileira. “Observando outro horizonte, sabemos que o milho está indo para dentro do tanque de combustível. É uma preocupação forte que temos. Há hoje disputa de milho para produzir proteína animal e etanol. Mas friso que o maior desafio que temos é manter a sanidade dos planteis. O alerta é para os produtores isolarem a propriedade, não deixar ninguém entrar. Só quem dá assistência técnica, mesmo assim respeitando todos os requisitos sanitários para garantir a sanidade daquela propriedade. Se chegar uma peste em nosso país, vamos perder exportações e o caos será instalado dentro da propriedade rural e do país”, frisa.

Mato Grosso

O cenário se repete mesmo no Estado de Mato Grosso, maior produz de milho do país, responsável por mais de 30% de todo milho do Brasil, segundo a Conab. A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), alerta para um cenário preocupante. “Nós produtores rurais, pecuaristas, temos a preocupação em relação ao futuro da atividade, pois com os custos de produção elevados, a proteína tende a ficar ainda mais cara para o consumidor. Neste caminho, a proteína animal, um dos principais alimentos do ser humano, vai ficar cada vez mais escassa na mesa do brasileiro. Se não houver um recuo no custo de produção em alguns meses o preço irá disparar nos supermercados e cada vez menos pessoas terão condições de comprar”, destaca o presidente da entidade, Itamar Antônio Canossa.

Apesar dos custos mais baixos em relação a outras regiões produtoras por conta da maior oferta de milho, o produtor já começou a trabalhar no vermelho. “O custo de produção hoje na suinocultura mato-grossense é de aproximadamente R$ 5,50 por quilo produzido, hoje estamos trabalhando sem margem de lucro, e no nos últimos dias do mês (julho) trabalhamos no prejuízo, pois o poder de compra do consumidor diminui e consequentemente o consumo de carne também, o que derruba o preço pago ao suinocultor”, destaca.

Canossa explica que o custo de produção na suinocultura se baseia praticamente no preço da ração, que é composta em sua maioria pelo milho e farelo de soja, que foram os que tiveram um aumento significativo nos últimos meses. “Há dois anos a ração era responsável por 70% do nosso custo de produção, hoje ela é responsável por 80% dos custos na suinocultura. Os outros componentes do custo seguem com pouca variação de preços. O milho e a soja, principais componentes da ração, subiram muito de preço. Essas commodities estão muito valorizadas, principalmente aqui no Brasil, já as vitaminas, minerais, enzimas, ácidos e aminoácidos que completam a alimentação dos suínos são comprados em dólar, e normalmente importados, logo, também tiveram aumento dos preços”, menciona.

Para ele, os custos elevados devem permanecer durante meses ainda, mas o produtor tem que se preocupar ainda com o consumo. “A perspectiva dos suinocultores é de pelo menos até o próximo ano os custos de produção permaneçam elevados, pois o dólar continua valorizado e com poucas oscilações, o milho com uma quebra razoável de safra e com muita demanda, vai permanecer com custo alto, assim como a soja, que não demonstra recuo nos valores para os próximos meses. Em contrapartida o preço de venda do suinocultor é uma incógnita, pois depende muito do poder de compra do consumidor e do consumo”.

Sem muito a fazer em relação ao mercado, Canossa explica que o produtor deve se atentar a melhorar seus índices de produtividade. “Não vejo muitas oportunidades na questão da suinocultura ou até mesmo na cadeia da proteína animal, pois quando a combinação de custo elevado de produção e preço de venda dessa proteína por um preço que flutua pela demanda e oferta, não enxergamos muitas oportunidades para se investir na área e ampliar a produção. Temos que melhorar nossos índices para sermos mais eficientes e diminuir o custo de produção dentro da granja. A saída é essa, melhorar nosso índice de produtividade na própria granja para diminuir os custos fixos, para que a atividade seja no mínimo viável”, frisa. O dirigente da Acrismat destaca que algumas propriedades podem deixar de produzir caso algo não mude nos próximos meses. “Com o atual cenário, as previsões não são das melhores, pois com o produtor trabalhando no prejuízo, a tendência é que a atividade diminua ou até mesmo acabe”, pontua.

Ele cita que até mesmo produtores integrados não estão escapando da fúria do mercado. “As mesmas questões que preocupam o suinocultor independente preocupam também o suinocultor integrado. Na questão do integrado existe o apoio da empresa, mas também há limites, pois as empresas também trabalham com margens de lucro, e chega uma hora que ela terá que repassar também para o seu integrado. Já temos a confirmação de suinocultores integrados também trabalhando sem margem de lucro, isso já acontece aqui em Mato Grosso, e também em alguns casos lá em Santa Catarina”, acrescenta Canossa.

Paraná

No Paraná, a Associação Paranaense dos Suinocultores (APS) tem registrado prejuízo de R$ 300 por animal entregue para o abate. “A suinocultura prossegue com situações recorrentes nos últimos anos, alternando períodos de altos e baixos, com margens positivas e negativas, muito embora na maior parte do tempo o produtor tem sofrido com o esmagamento das margens, e isso ocorre tanto no mercado independente quanto no sistema de integração. Os custos de produção têm pesado bastante, com sucessivas altas nos seus componentes, enquanto o preço pago ao produtor está bem aquém das margens de lucro verificadas em outras fases da cadeia, incluindo o varejo. O consumo permanece numa fase crescente, com maior aceitação por parte do consumidor, que por sua vez já reconheceu os benefícios do consumo da carne suína como fonte de proteína animal. Enquanto isso, nas granjas há cada vez mais investimentos em tecnificação, bem-estar animal e em biosseguridade, garantindo maior sanidade animal possível. Se olharmos os números mais recentes, no caso do mercado independente, o prejuízo tem chegado à casa dos R$ 300, pois enquanto o preço pago em média por quilo ao produtor gira em torno dos R$ 6,50, o custo de produção por quilo está em torno de R$ 9. É muita diferença, e em palavras simples, o produtor está pagando para criar seus animais e ofertá-los ao mercado. Isso se dá em um verdadeiro contrassenso ao que acontece no mercado mundial de carnes, que está aquecido desde que a China passou a comprar mais, em razão da PSA em seu plantel. Esse fato elevou grandemente as exportações brasileiras. O mercado interno já deveria estar mais favorável ao produtor e o varejo mantém o preço com boas margens”, cita o presidente da APS, Jacir Dariva.

“Os custos de produção sempre estiveram alto e desafiando o produtor, mas passaram a aumentar ainda mais quando o preço da soja e do milho dispararam nas safras passadas, já que são os principais componentes da ração animal. Somam-se a isso o aumento dos demais insumos, com muitos itens de consumo regular nas granjas com altas elevadas. Houve casos de 100% e até mesmo de 200%. Os insumos alimentares impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a ração é o principal componente de custos na suinocultura. No Sudoeste do Paraná, por exemplo, os gastos com ração representam mais de 60% na maioria das modalidades analisadas pelo recente levantamento de custos de produção realizado do Sistema Faep/Senar-PR. Mas há também outras questões nas granjas que preocupam os produtores do sistema de integração, como a depreciação de equipamentos e edificações e, ainda, a remuneração do capital investido na atividade. Essas questões compõem a pauta de negociação com a agroindústria integradora”, amplia Dariva.

O presidente cita, no entanto, que é preciso acreditar na atividade, mesmo que seja a partir de 2022, destacando a nova condição sanitária do Paraná, segundo maior produtor do Brasil. “Apesar desse quadro de coisas, tanto na suinocultura pelo sistema de integração, quanto no mercado independente, a cadeia se mantém otimista em relação aos próximos anos, diante do recente reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação e de Peste Suína Clássica (PSC) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O novo status sanitário do Paraná promete a abertura de novos mercados para o estado, que remuneram melhor pela carne suína que produzimos com base nas melhores condições de segurança alimentar e de biosseguridade. Isso sem contar que a Peste Suína Africana na China deve continuar repercutindo nas importações daquele país, que vão continuar aquecidas ainda por um bom tempo”, menciona o dirigente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Tecnologia permite monitoramento da instalação e do plantel

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves fala sobre as tecnologias emergentes para a automação da ambiência nas instalações e controle de consumo de ração e água dos suínos.

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Foto: Shutterstock

Presente no dia a dia da maior parte da população, a tecnologia permite hoje feitos outrora considerados inimagináveis. A constante evolução tecnológica presente em praticamente todos os segmentos profissionais há muito tempo é rotina para produtores rurais, familiarizados com ferramentas que proporcionam praticidade e economia para quem vive e trabalha no campo.

As tecnologias emergentes para a automação de ambiência em granjas e aviários contribuem para as boas práticas relacionadas ao bem-estar animal, quesito indispensável ao mercado consumidor e fator importante para atingir bons resultados na produção de proteína animal.

Paulo Armando Oliveira, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves: “Hoje é possível fazer tudo o que se imagina dentro de uma granja em termos de controle, temos tecnologia para isso, mas o problema talvez seja a falta recursos em muitos casos” – Foto: Sandro Mesquita/OP Rural

Para o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Paulo Armando de Oliveira, a modernização das edificações na produção de proteína animal é um fator indispensável para a competitividade. “As condições ambientais internas são importantíssimas, tanto do ponto de vista da ambiência como para a saúde e sanidade animal”, destaca Oliveira. Ele destaca que hoje já existe tecnologia que permite o monitoramento em tempo real das condições ambientais das instalações e também do consumo de água e ração de cada animal, individualmente.

De acordo com Paulo, existem dois processos de automação; o primeiro é o contínuo, quando acontece o monitoramento e controle da temperatura e umidade ambiente (aquecimento ou resfriamento ambiental), velocidade do ar, temperatura da água e concentração de gases, entre outros. Esse é o que está mais difundido na suinocultura.

Já o segundo processo de automação tem relação com o monitoramento dos animais que estão na granja, individualmente. “O segundo é o processo discreto, que serve para o produtor saber qual é o consumo diário de ração e água, por exemplo”, menciona.

Oliveira ressalta o aumento do número de granjas investindo em tecnologias de automação, fator influenciador para diminuir o preço desses equipamentos. “Acredito que teremos uma melhora em relação a utilização dessas tecnologias”, pontua o pesquisador.

Paulo reforça, no entanto, que conceitos de ambiência devem ser observados no espaço interno e externo das edificações, onde o uso de tecnologias de monitoramento desempenha papel primordial no controle da temperatura, da unidade relativa e velocidade do ar, concentração de gazes, entre outros. “Precisamos fazer esse monitoramento nas instalações para termos controle sobre esses parâmetros que possibilitam maior conversão alimentar e ganho de peso”, afirma.

Oliveira cita o uso de ferramentas que possibilitam o controle dos equipamentos através de aplicativos para smartphone e o uso de chips nos animais para controlar peso e quantidade de água e ração ingerida por animal. “Saltamos rapidamente para uma tecnologia que proporciona controle da instalação e do plantel”, menciona.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde intestinal dos suínos

Butirato de sódio é aliado na retirada dos antibióticos promotores de crescimento na recria e terminação

Ácido butírico melhora a função da barreira intestinal regulando a expressão de proteínas da mucosa intestinal, pois ajuda a restaurar a proteína responsável pela expressão de mucina-2 na mucosa do cólon.

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Nos últimos anos, os ácidos orgânicos de cadeia curta, especialmente as fontes de ácido butirico, têm atraído grande atenção na alimentação de suínos e aves devido a seus efeitos na melhoria do desempenho, da saúde intestinal e digestibilidade de nutrientes.

O butirato de sódio é um sal (NaC4H7O2), sua forma confere solidez e maior estabilidade térmica para utilização nas dietas dos animais. Além disso, o butirato de sódio apresenta maior solubilidade comparado ao butirato de cálcio, o que favorece seus efeitos no epitélio intestinal. Já para a liberação do ácido butírico das butirinas é necessário a ação da lipase, o que dificulta sua liberação, principalmente em leitões. Além disso, produtos com maior peso molecular tentem a ter menor ação no controle de bactérias patogênicas decorrente da sua menor capacidade de difusão, exigindo doses maiores para que se atinja o objetivo esperado.

O ácido butírico é produzido naturalmente por microrganismos colônicos, sendo uma das principais fontes de energia para o intestino grosso e células distais do íleo. Apesar de ser produzido no intestino grosso, sua suplementação dietética confere benefícios como melhoria de desempenho, modulação da resposta imune, diminuição de microrganismos patogênicos como E. coli, Salmonella e Clostridium, e melhoria da morfologia intestinal.

Na maioria das vezes, o butirato de sódio é utilizado nas dietas de leitões, principalmente pelos desafios gerados pelo desmame, o que faz que seja necessário a utilização de aditivos com foco na melhoria da saúde intestinal e controle de desafios sanitários na fase. Entretanto, os seus efeitos sobre a saúde intestinal e desempenho fazem com que apresente um grande potencial para as fases de recria e terminação, principalmente com a necessidade de retirada dos antibióticos promotores de crescimento.

Desempenho

Nos últimos anos, o butirato tem sido amplamente utilizado na produção animal com o objetivo de melhorar o desempenho e a conversão alimentar. Pesquisadores verificaram, ao adicionar butirato de sódio à dieta de leitões desmamados, que a suplementação aumentou o consumo de ração, o ganho de peso e a taxa de conversão alimentar.

Grande parte da melhoria do desempenho dos animais com a utilização do butirato de sódio ocorre pelo melhor desenvolvimento intestinal. Pode-se verificar um aumento das alturas das vilosidades, profundidade da cripta e espessura da mucosa.

Além disso, como um importante acidificante, o butirato de sódio pode reduzir o esvaziamento gástrico, melhorar a digestibilidade da ração e estimular a maturação e diferenciação da mucosa intestinal. Por isso, é importante garantir que a fonte de ácido butírico escolhida consiga ser aproveitada ao longo de todo o trato intestinal dos animais.

Em um trabalho do ano de 2020, avaliando a inclusão de butirato de sódio na dieta de suínos em crescimento e terminação, foi possível observar que o butirato de sódio e o promotor de crescimento apresentaram resultados semelhantes de desempenho quando comparado ao grupo controle negativo. O peso final e o ganho de peso foram superiores, resultando em uma melhoria da conversão alimentar. O peso da carcaça do grupo recebendo butirato de sódio foi superior aos animais dos controles negativo e positivo (Tabela 1).

Saúde intestinal

A maioria dos estudos presentes na literatura com utilização de butirato são realizados em leitões, sendo poucos trabalhos sobre o desempenho e a saúde intestinal de suínos em crescimento e terminação. Os recentes estudos com animais nesta fase demonstram o grande potencial da utilização do butirato de sódio.

O ácido butírico melhora a função da barreira intestinal regulando a expressão de proteínas da mucosa intestinal, pois ajuda a restaurar a proteína responsável pela expressão de mucina-2 na mucosa do cólon e mantém a expressão de proteínas das “Tight junctions” da zônula ocludens-1 (ZO-1), e ativa a síntese de proteínas das “Tight junctions” induzida pela proteína quinase ativada por AMP.

Além disso, o butirato tem um papel importante na manutenção do equilíbrio da microbiota intestinal. O ácido butírico se decompõe em íon butirato e íon hidrogênio após entrar na célula bacteriana, as bactérias nocivas, como Escherichia coli, Clostridium e Salmonella que não são resistentes ao ácido morrem e as bactérias benéficas, como os lactobacilos, sobrevivem devido à sua característica de resistência a ácidos.

Em pesquisa avaliando a inclusão de butirato de sódio na dieta de suínos em crescimento e terminação foi possível observar que o butirato de sódio melhora a morfologia intestinal (Tabela 2), o que favorece a digestibilidade de nutrientes e melhora resposta aos desafios entéricos.

Sistema imune

A utilização do butirato de sódio em dietas também pode reduzir a geração de citocinas pró-inflamatórias, agindo sobre vias relacionadas à inflamação, como a dos receptores acoplados a proteína G, via de sinal do NF-Kβ e via de sinal JAK/STAT, reduzindo a reação inflamatória intestinal.

Estudos em animais com baixa produção de mucina demonstram que o butirato reduz a secreção de fator de necrose tumoral-alfa (TNFα) e interleucina-18 (IL-18). Além disso, o butirato é uma das fontes preferencial de energia do epitélio intestinal, tendo assim o efeito de melhorar a morfologia do trato gastrointestinal, o controle de bactérias patogênicas, reduzindo consequentemente a ativação do sistema imune.

Considerações

Desta forma, o butirato de sódio apresenta diversas funções importantes para o melhor desempenho e saúde intestinal dos suínos na fase de crescimento e terminação, sendo elas:

  • Atividade antimicrobiana: Ação contra Salmonella spp., Clostridium e E.coli.
  • Melhoria da saúde intestinal. Melhor desenvolvimento de vilosidades e criptas intestinais. O butirato é uma fonte de energia utilizada pelo epitélio intestinal de pronta disponibilidade, melhorando a digestão e absorção nutrientes. Além de auxiliar na síntese de componentes da membrana intestinal.
  • Modulação da resposta imune: Com a redução da presença de bactérias patogênicas no lúmen intestinal e a melhoria das barreiras intestinais, o sistema imune é menos ativado, levando a uma menor reação inflamatória e secreção de citocinas que podem prejudicar o desempenho.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato via: hebertsilveira@naturalbrfeed.com.br.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: Por Herbert Silveira, engenheiro agrônomo, mestre em Ciência Veterinárias, doutor em Zootecnia e gerente técnico da Natural BR Feed.
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Suínos / Peixes Julho/Agosto

Nova edição de Suínos e Peixes está disponível na versão digital

Na matéria de capa destacamos as dificuldades da suinocultura mundial para reduzir uso de antibióticos, as reflexões decisivas para os próximos anos do setor suinícola geradas no Dia do Suinocultor, reportagens sobre o avanço de estudos para vacinas contra PSA e muito mais.

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Já está disponível na versão digital a edição de julho/agosto de Suínos & Peixes de O Presente Rural. Nesta edição você leitor vai conferir como suinocultura global empilha dificuldades para reduzir uso de antibióticos. Ouvimos especialistas que demonstram como está o uso de antimicrobianos no Brasil, América do Norte, Europa e Ásia, que são os principais produtores. Conheça as conquistas e os principais desafios que cada região do planeta tem para limitar o uso desses medicamentos nos sistemas de produção.

Nesta edição você ainda vai encontrar algumas matérias jornalísticas produzidas com as palestras que compuseram a primeira edição do Dia do Suinocultor O Presente Rural/Frimesa, o mais novo canal de comunicação e atualização do jornal O Presente Rural. O evento passa a fazer parte do nosso leque de possibilidades para o agronegócio ficar bem informado e para agroindústrias, empresas de suprimentos e profissionais do setor informarem o que estão fazendo.

Também trazemos reportagens sobre um consórcio internacional para produzir uma vacina contra PSA até outubro de 2023, além de informações sobre o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, IFC Brasil, IPVS2022, tudo que aconteceu no Simpósio Internacional de Suinocultura em Porto Alegre e muito mais.

Há ainda artigos técnicos escritos por profissionais de renome do setor falando sobre saúde animal, bem-estar e as novas tecnologias existentes no mercado.

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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