Conectado com
OP INSTAGRAM

Suínos / Peixes Custos de produção

Suinocultores brasileiros têm prejuízos que chegam a R$ 300 por animal

O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas regiões e o que esperar para próximos meses

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Os custos de produção da suinocultura estão assustando produtores de todas as regiões do país. O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas suas regiões e o que esperar para os próximos meses. Prejuízos passam fácil de R$ 100 por animal nos estados, chegando a R$ 300 no Paraná. E a situação para os próximos meses não é nada boa.

Minas Gerais

João Carlos Bretas Leite, presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), “os próximos meses vão ser desafiadores porque as perspectivas continuam ruins. E a gente não vê perspectiva de aumento no preço do suíno, nem na baixa no preço do milho ou do farelo de soja”. E completa: Devemos continuar com prejuízo até o fim do ano”.

O presidente quantifica esses prejuízos. “Nossos custos de produção giram em torno de R$ 7 a R$ 7,50 o quilo. Como estamos vendendo para receber líquido cerca de R$ 6,60, estamos com prejuízo de quase R$ 1 por quilo de suíno produzido”.

Ele destaca que os custos começaram subir muito desde o segundo semestre de 2020 e que alguns fatores contribuíram para chegar a esse cenário, além do preço dos insumos para as dietas dos animais. “Baixa produção, muita exportação de grãos, estoques mundiais de soja baixando, a nossa inflação, entre outras situações, contribuíram para esse aumento nos custos”, destaca o presidente da Asemg.

Rio Grande do Sul

A situação é a mesma no Rio Grande do Sul, onde a quebra da safra 20/21 só piorou o cenário. “Realmente os custos de produção estão nas alturas. Se fizermos uma pequena retrospectiva, começando pelo mês de julho de 2020, tínhamos milho em torno de R$ 50 a saca e o farelo de soja a R$ 1,6 mil a tonelada. Hoje falamos do preço do milho a cerca de R$ 100 e o farelo de soja em R$ 2,3 mil. O milho praticamente dobrou de preço e o farelo subiu ente 30 e 40%. Saímos de custo de produção em julho de 2020 de cerca de R$ 4,50 o quilo para algo em torno de R$ 7,30 a R$ 7,50 o quilo hoje em dia”, evidencia o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador.

“Realmente é um desafio, tudo vem por conta da alimentação dos animais, por conta de questões climáticas que quebraram a safra do Rio Grande do Sul. A safra 2020/21 teve quebra de quase 50%. Isso puxou o preço do milho para cima, aliado a forte demanda pelo cereal, tanto no mercado interno quanto externo. O produtor está tendo que se virar nos 30. Alguns tinham estoque de milho com preço mais baixo. Mas a partir de agora o que se adquirir vai ser o preço que temos hoje. Por outro lado o preço do suíno não reage. Tínhamos uma perspectiva positiva para o segundo semestre, mas houve recuo, mesmo com exportações maiores que ano passado”, explica o presidente da Acsurs.

De acordo com ele, não fossem as exportações, especialmente para a China, que compra cerca de 50% de toda a exportação brasileira, a situação seria insustentável. “Nossa produção cresce ano a ano cerca de 3 a 4% e precisamos colocar essa carne no mercado. Se não fossem as exportações para a China, o setor suinícola estaria em uma crise sem precedentes”, pontua Folador.

O presidente da Acsurs explica que o consumo está bom, mas os preços estão baixos. “O consumo interno não está ruim. A população brasileira vê a carne suína como alternativa ao preço da carne bovina, que está cara. Mas o preço pago na carne suína não reage”, aponta.

Para ele, a situação só vai melhorar com a entrada de uma boa safra no inverno e o plantio da safra de milho no verão. “Temos que aguardar agora, a partir de agosto, para ver o que vai acontecer, se o mercado vai ter força de reação, se vai aumentar volume e preço da carne suína exportada. Sobre 2022 é cedo para fazer uma previsão, mas posso visualizar que vamos entrar o ano novo com custo de produção alto, não vai ter refresco, ao que tudo indica. Temos que aguardar o que vai acontecer com plantio da primeira safra de milho a partir de agosto/setembro, principalmente no Rio Grande do Sul, que não tem segunda safra. E aguardar para ver como o clima vai se comportar. Se o clima favorecer e tivermos mais oferta de milho e soja, consequentemente pode cair o custo de produção das carnes”, destaca, ampliando: “o momento é bem complicado para o suinocultor gaúcho e brasileiro, sem margem de rentabilidade”.

Santa Catarina

Os produtores de Santa Catarina, detentores da maior suinocultura do país, amargam prejuízos que chegam a R$ 270 por animal, como explica o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi. “Os custos estão muito altos. A gente fala do milho, mas não é só isso. O farelo de soja, as vacinas, tudo é baseado em dólar. Conforme o dólar sobe, os insumos também sobem. E quando o dólar cai os custos continuam lá em cima”, destaca.

Para o presidente da ACCS, os produtores estão nas mãos do mercado, sem poder de reação. “Os suinocultores têm que vender porque não dá para estocar dentro da granja. Temos que vender pelo preço que o mercado está ofertando nesse momento. Hoje temos um custo de R$ 8 ou mais, dependendo da região e produtividade da granja, e comercializando a R$ 6,30. Dá para ter uma noção do prejuízo, que chega a R$ 270 por animal”, revela. “Até quando vamos conseguir manter nossa atividade com tamanho prejuízo? Não há esperança de melhora tão logo na questão dos custos, pois as safras foram ruins. Embora as exportações não estejam estão elevadas, o produtor de grãos está capitalizado, não oferta milho ao mercado, mantendo o preço em alta”, amplia.

Os produtores independentes estão tendo prejuízos, mas a dificuldade com os custos chega também a quem é integrado. O independente não está tendo lucro, mas a gente observa que no modelo de integração ou cooperativismo, o produtor não está conseguindo se manter. Há uma reclamação generalizada quando se fala nesses modelos integrados. Por mais que se tenha garantia de receber o acordado em contrato, o produtor não consegue ter sobra para fazer adequações e mudanças dentro da propriedade rural. E são altos e vários investimentos que precisam ser feitos dentro da propriedade para se adequar às normas, como bem-estar animal, por exemplo. Há um prejuízo também dentro desses modelos de integração e cooperativismo”, pontua Losivanio.

Para ele, esse cenário de custos elevados deve perdurar por muitos meses ainda. “Não está sendo um ano fácil e a gente não sabe nem quanto nem como recuperar esse prejuízo já acumulado. Enquanto não tiver safra promissora, e ajuda do governo para zerar tributos, como estamos pedindo do PIS e Cofins para importar milho do Paraguai e Argentina, mas que até agora não fomos atendidos, a gente não vê perspectiva de lucro tão rápido dentro da propriedade rural. Os custos tendem a se manter porque a gente não tem estoque regulador na Conab, não temos previsão de safra agradável. A perspectiva para 2022 não é das melhores quando se fala em custos. Tudo isso vai continuar por dois ou três anos”, lamenta o presidente da ACCS.

Para ele, outros dois pontos merecem atenção: a concorrência das usinas de produção de etanol com milho e a biosseguridade que, se arruinada, poderia causar uma catástrofe na suinocultura brasileira. “Observando outro horizonte, sabemos que o milho está indo para dentro do tanque de combustível. É uma preocupação forte que temos. Há hoje disputa de milho para produzir proteína animal e etanol. Mas friso que o maior desafio que temos é manter a sanidade dos planteis. O alerta é para os produtores isolarem a propriedade, não deixar ninguém entrar. Só quem dá assistência técnica, mesmo assim respeitando todos os requisitos sanitários para garantir a sanidade daquela propriedade. Se chegar uma peste em nosso país, vamos perder exportações e o caos será instalado dentro da propriedade rural e do país”, frisa.

Mato Grosso

O cenário se repete mesmo no Estado de Mato Grosso, maior produz de milho do país, responsável por mais de 30% de todo milho do Brasil, segundo a Conab. A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), alerta para um cenário preocupante. “Nós produtores rurais, pecuaristas, temos a preocupação em relação ao futuro da atividade, pois com os custos de produção elevados, a proteína tende a ficar ainda mais cara para o consumidor. Neste caminho, a proteína animal, um dos principais alimentos do ser humano, vai ficar cada vez mais escassa na mesa do brasileiro. Se não houver um recuo no custo de produção em alguns meses o preço irá disparar nos supermercados e cada vez menos pessoas terão condições de comprar”, destaca o presidente da entidade, Itamar Antônio Canossa.

Apesar dos custos mais baixos em relação a outras regiões produtoras por conta da maior oferta de milho, o produtor já começou a trabalhar no vermelho. “O custo de produção hoje na suinocultura mato-grossense é de aproximadamente R$ 5,50 por quilo produzido, hoje estamos trabalhando sem margem de lucro, e no nos últimos dias do mês (julho) trabalhamos no prejuízo, pois o poder de compra do consumidor diminui e consequentemente o consumo de carne também, o que derruba o preço pago ao suinocultor”, destaca.

Canossa explica que o custo de produção na suinocultura se baseia praticamente no preço da ração, que é composta em sua maioria pelo milho e farelo de soja, que foram os que tiveram um aumento significativo nos últimos meses. “Há dois anos a ração era responsável por 70% do nosso custo de produção, hoje ela é responsável por 80% dos custos na suinocultura. Os outros componentes do custo seguem com pouca variação de preços. O milho e a soja, principais componentes da ração, subiram muito de preço. Essas commodities estão muito valorizadas, principalmente aqui no Brasil, já as vitaminas, minerais, enzimas, ácidos e aminoácidos que completam a alimentação dos suínos são comprados em dólar, e normalmente importados, logo, também tiveram aumento dos preços”, menciona.

Para ele, os custos elevados devem permanecer durante meses ainda, mas o produtor tem que se preocupar ainda com o consumo. “A perspectiva dos suinocultores é de pelo menos até o próximo ano os custos de produção permaneçam elevados, pois o dólar continua valorizado e com poucas oscilações, o milho com uma quebra razoável de safra e com muita demanda, vai permanecer com custo alto, assim como a soja, que não demonstra recuo nos valores para os próximos meses. Em contrapartida o preço de venda do suinocultor é uma incógnita, pois depende muito do poder de compra do consumidor e do consumo”.

Sem muito a fazer em relação ao mercado, Canossa explica que o produtor deve se atentar a melhorar seus índices de produtividade. “Não vejo muitas oportunidades na questão da suinocultura ou até mesmo na cadeia da proteína animal, pois quando a combinação de custo elevado de produção e preço de venda dessa proteína por um preço que flutua pela demanda e oferta, não enxergamos muitas oportunidades para se investir na área e ampliar a produção. Temos que melhorar nossos índices para sermos mais eficientes e diminuir o custo de produção dentro da granja. A saída é essa, melhorar nosso índice de produtividade na própria granja para diminuir os custos fixos, para que a atividade seja no mínimo viável”, frisa. O dirigente da Acrismat destaca que algumas propriedades podem deixar de produzir caso algo não mude nos próximos meses. “Com o atual cenário, as previsões não são das melhores, pois com o produtor trabalhando no prejuízo, a tendência é que a atividade diminua ou até mesmo acabe”, pontua.

Ele cita que até mesmo produtores integrados não estão escapando da fúria do mercado. “As mesmas questões que preocupam o suinocultor independente preocupam também o suinocultor integrado. Na questão do integrado existe o apoio da empresa, mas também há limites, pois as empresas também trabalham com margens de lucro, e chega uma hora que ela terá que repassar também para o seu integrado. Já temos a confirmação de suinocultores integrados também trabalhando sem margem de lucro, isso já acontece aqui em Mato Grosso, e também em alguns casos lá em Santa Catarina”, acrescenta Canossa.

Paraná

No Paraná, a Associação Paranaense dos Suinocultores (APS) tem registrado prejuízo de R$ 300 por animal entregue para o abate. “A suinocultura prossegue com situações recorrentes nos últimos anos, alternando períodos de altos e baixos, com margens positivas e negativas, muito embora na maior parte do tempo o produtor tem sofrido com o esmagamento das margens, e isso ocorre tanto no mercado independente quanto no sistema de integração. Os custos de produção têm pesado bastante, com sucessivas altas nos seus componentes, enquanto o preço pago ao produtor está bem aquém das margens de lucro verificadas em outras fases da cadeia, incluindo o varejo. O consumo permanece numa fase crescente, com maior aceitação por parte do consumidor, que por sua vez já reconheceu os benefícios do consumo da carne suína como fonte de proteína animal. Enquanto isso, nas granjas há cada vez mais investimentos em tecnificação, bem-estar animal e em biosseguridade, garantindo maior sanidade animal possível. Se olharmos os números mais recentes, no caso do mercado independente, o prejuízo tem chegado à casa dos R$ 300, pois enquanto o preço pago em média por quilo ao produtor gira em torno dos R$ 6,50, o custo de produção por quilo está em torno de R$ 9. É muita diferença, e em palavras simples, o produtor está pagando para criar seus animais e ofertá-los ao mercado. Isso se dá em um verdadeiro contrassenso ao que acontece no mercado mundial de carnes, que está aquecido desde que a China passou a comprar mais, em razão da PSA em seu plantel. Esse fato elevou grandemente as exportações brasileiras. O mercado interno já deveria estar mais favorável ao produtor e o varejo mantém o preço com boas margens”, cita o presidente da APS, Jacir Dariva.

“Os custos de produção sempre estiveram alto e desafiando o produtor, mas passaram a aumentar ainda mais quando o preço da soja e do milho dispararam nas safras passadas, já que são os principais componentes da ração animal. Somam-se a isso o aumento dos demais insumos, com muitos itens de consumo regular nas granjas com altas elevadas. Houve casos de 100% e até mesmo de 200%. Os insumos alimentares impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a ração é o principal componente de custos na suinocultura. No Sudoeste do Paraná, por exemplo, os gastos com ração representam mais de 60% na maioria das modalidades analisadas pelo recente levantamento de custos de produção realizado do Sistema Faep/Senar-PR. Mas há também outras questões nas granjas que preocupam os produtores do sistema de integração, como a depreciação de equipamentos e edificações e, ainda, a remuneração do capital investido na atividade. Essas questões compõem a pauta de negociação com a agroindústria integradora”, amplia Dariva.

O presidente cita, no entanto, que é preciso acreditar na atividade, mesmo que seja a partir de 2022, destacando a nova condição sanitária do Paraná, segundo maior produtor do Brasil. “Apesar desse quadro de coisas, tanto na suinocultura pelo sistema de integração, quanto no mercado independente, a cadeia se mantém otimista em relação aos próximos anos, diante do recente reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação e de Peste Suína Clássica (PSC) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O novo status sanitário do Paraná promete a abertura de novos mercados para o estado, que remuneram melhor pela carne suína que produzimos com base nas melhores condições de segurança alimentar e de biosseguridade. Isso sem contar que a Peste Suína Africana na China deve continuar repercutindo nas importações daquele país, que vão continuar aquecidas ainda por um bom tempo”, menciona o dirigente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 + quatro =

Suínos / Peixes Suinocultura

Diagnóstico de cio e o uso de feromônios

Falha em detectar o cio, ou erros no manejo de diagnóstico de cio, são duas principais causas de mau desempenho reprodutivo na suinocultura tecnificada

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por André Buzato, médico veterinário/M.Sc e gerente de Serviços Técnicos Suínos da Vetoquinol

O diagnóstico de cio ou estro é um dos manejos mais importantes em qualquer sistema de criação de suínos. É através deste manejo que determinamos o intervalo-desmame-cio (IDC) que já foi identificado como o fator chave da duração do estro (DE) e do intervalo estro-ovulação (IEO).

O manejo deficiente em estimulação sexual, combinado com uma avaliação inadequada da reposta de imobilização da fêmea, resulta num baixo nível de detecção do cio e consequentemente em momento inadequado de inseminação artificial. A falha em detectar o cio, ou os erros no manejo de diagnóstico de cio, são as duas principais causas de mau desempenho reprodutivo na suinocultura tecnificada.

O diagnóstico de cio requer a presença de um macho que proporcione adequados estímulos sexuais para a fêmea. Os principais aspectos que trazem êxito no manejo de diagnóstico de cio são: macho sexualmente maduro, macho que apresente salivação abundante com alto nível de feromônios para estimulação olfatória; manejo que permita um adequado contato entre focinho-focinho entre macho e fêmea; equipe treinada e capacitada para observar os comportamentos de cio.

Os procedimentos de rotina para a detecção do estro envolvem o teste de pressão dorsal ou teste de monta na presença de um macho. As fêmeas que reagem à pressão em seu dorso exibindo o reflexo de imobilidade ou a resposta de lordose por, pelo menos, 10 segundos são, em geral, classificadas como sexualmente receptivas.

Fatores de risco na detecção do cio

Certos fatores podem levar à falha na detecção do estro:

  • Níveis reduzidos de feromônios liberados pelo macho por conta de imaturidade sexual ou variações individuais.
  • Dimuição da libido, cansaço ou interesse pelo alimento.

Por que é imprescindível melhorar o desempenho da detecção do cio?

O melhor desempenho da detecção do cio diminui o risco de perdas reprodutivas que podem representar enormes prejuízos financeiros ao sistema de produção:

Nem todos os estímulos são iguais

A importância do odor 

Um macho sexualmente maduro produz uma ampla variedade de estímulos. Dentre eles, os estímulos olfatórios desempenham um papel importante no comportamento do estro.

Nos casos em que há o risco de comprometimento dos estímulos olfatórios, análogos sintéticos de feromônios da saliva do macho podem ajudar a garantir o máximo nível de estimulação.

Por muitas décadas, havia a crença de que o sinal das moléculas olfatórias do macho, capazes de estimular os sinais comportamentais de estro em fêmeas da espécie suína, era produzido apenas por dois feromônios salivares: androstenol e androstenona.

Pesquisas recentes revelaram que uma terceira molécula volátil denominada quinolina também está presente na saliva do macho e exerce um efeito de feromônio, atuando de forma sinérgica com o androstenol e a androstenona para obter o máximo comportamento sexual em fêmeas no cio.

O gatilho olfatório

O macho sexualmente maduro emite três moléculas de feromônios em sua saliva.

Essas moléculas são transferidas para a fêmea por meio de contato próximo.

Os feromônios alcançam o epitélio olfatório principal, um conjunto de células sensoriais dentro da cavidade nasal, onde são reconhecidos por receptores específicos.

Os neurônios sensoriais olfatórios transformam os sinais químicos em um sinal elétrico que é rapidamente transmitido para o sistema nervoso central.

Cada receptor reconhece especificamente uma determinada estrutura química. Desse modo, a mensagem sexual máxima é transmitida ao cérebro se todos os três tipos de receptor forem estimulados.

O uso de feromônios: uma nova tecnologia para a detecção do cio

Uma nova tecnologia contém uma combinação de análogos sintéticos das três moléculas de feromônios presentes na saliva do macho suíno (Androstenona, Androstenol e Quinolina). A atuação sinérgica dessas moléculas desencadeia o comportamento sexual máximo em fêmeas no cio mimetizando o efeito do macho (cachaço). Esta tecnologia incorpora um corante azul para fácil aplicação e já vem pronto para uso até a manifestação do cio na fêmea. Um recente estudo demonstrou que a combinação dos três feromônios presentes na tecnologia desencadeou uma resposta comportamental sexual máxima em fêmeas no estro quando comparação com a aplicação isolada de cada feromônio, sendo 64% mais eficiente que os demais.

Como a tecnologia pode beneficiar seu rebanho 

Resultados de um estudo a campo em uma granja comercial, comparando o desempenho de combinação de análogos sintéticos das três moléculas de feromônios presentes na saliva do macho suíno (Androstenona, Androstenol e Quinolina)  + áudio de grunhido e um macho sexualmente maduro para a detecção do cio.

O uso da tecnologia foi capaz de detectar 9 em cada 10 fêmeas no cio sem o auxílio de um macho sexualmente maduro, isto traz novas perspectivas para o manejo de diagnóstico de cio; mais rapidez, otimização e maximização através de uma exposição consistente e confiável aos feromônios sexuais na rotina de detecção do cio.

A tecnologia pode auxiliar nos protocols de inseminação artificial, pois ajuda a identificar a melhor janela de fertilização (> 90% de fertilização), ou seja, durante um período de 24 horas antes da ovulação.

Ajuda a detectar o estro nos locais onde o macho não pode estar

Os atuais modelos de produção, a eficiência do trabalho ou as regras de biossegurança podem impedir que os machos sejam levados até as fêmeas; no entanto, a produtividade da granja certamente se beneficiaria do diagnóstico do cio. Os exemplos de benefícios da tecnologia incluem diagnóstico do cio pós-inseminação, diagnóstico do cio em casos de quarentena e rápido diagnóstico do cio quando há pouco tempo disponível.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Saúde Animal

Coccidiose e rotavirose são principais causas de diarreia na maternidade

Sabendo o que precisa controlar, é preciso conhecer as doenças e saber como diagnosticá-las

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

As diarreias em maternidades é uma grande dor de cabeça para o suinocultor. É preciso atenção nos manejos e sanidade do plantel para preveni-las. Duas são as mais importantes e que mais acometem os suínos no Brasil: a coccidiose e a rotavirose. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu pela primeira vez de forma totalmente online, o médico veterinário e gerente técnico de Monogástricos da Elanco, Pedro Ernesto Sbardella, falou sobre estas duas diarreias e quais são os impactos que elas tem na maternidade e no período pós-maternidade.

Segundo o profissional é importante focar em manejos para evitar que as doenças aconteçam. “O manejo de animais (todos dentro todos fora), o controle de moscas e roedores, a limpeza, ambiente (a temperatura, tanto do local quanto do leitão) e a umidade são pontos importantes de serem verificados”, introduz. Ele explica que a imunidade é muito importante, assim como a saúde das fêmeas e o manejo realizado com os leitões.

Dessa forma, sabendo o que precisa controlar, o profissional afirma que é preciso conhecer as doenças e saber como diagnosticá-las. “A consistência e sinais clínicos são diferentes das diarreias. Na maternidade a diarreia pode acontecer por diferentes fatores. A fase de ocorrência pode nos dar um sinal de que tipo de diarreia está acontecendo”, comenta.

De acordo com Sbardella, é difícil chegar em um diagnóstico somente pela consistência e cheiro das fezes. “Precisamos evidências para chegar em um diagnóstico. A gente precisa continuar somando evidência, coletando amostras e enviando ao laboratório para fazer a identificação”, defende. Além disso, outro ponto importante é a coleta de amostras para o exame histopatológico. “Isso tudo ajuda a fechar o diagnóstico. Temos que levar em consideração as evidências”, afirma.

Atualmente, explica o médico veterinário, existem algumas diarreias que são as principais vistas hoje em campo. A primeira delas é a Clostridium tipo C. “Que está sob controle atualmente”, diz. Outra é a Escherichia coli. “É uma doença relevante e importante, mas hoje está mais controlada do que no passado devido as vacinas disponíveis no mercado”, menciona. Outras que ainda aparecem são a clostridium difficile e tipo A. “Ambas estão presentes em animais com e sem diarreia, então é difícil fazer uma associação”, comenta. Também a coccidiose e rotavirose, que tem uma prevalência maior. “Um trabalho realizado em 2011 mostrou que 40% das granjas apresentam problemas com estas duas”, diz.

A rotavirose

Segundo Sbardella, a rotavirose é uma infecção causada pelo rotavírus. “Um trabalho de 2019 mostra que está entre as diarreias mais encontradas na maternidade”, comenta. A principal via de transmissão é oral e fecal. “O vírus A é o mais frequente, mas o C aumentou a sua importância. Existem vacinas hoje com resultados variáveis”, comenta.

O médico veterinário explica que a doença causa fezes aquosas de cor variável e vômitos ocasionais. “Ela afeta leitões de um a oito semanas. É uma questão de um vírus entrando em granjas que não estava. Quando o vírus circula a imunidade passiva da fêmea vai diminuir e isso pode gerar um problema grande. Pode causar diarreia na creche, mesmo em leitões que tiveram diarreia na maternidade”, diz. As condições do ambiente é um ponto importante. “Na prática vemos granjas com ou sem vacina. Mas quando se trabalha o ambiente e limpeza vemos resultados significativos”, comenta.

De acordo com Sbardella, o rotavírus causa vários tipos de diarreias, mas um dos pontos em que ele vai agir bastante vai ser na destruição dos enterócitos. “O impacto vai vir de duas formas: o rebanho sem imunidade vai ser relacionado a imunidade, porque vai atingir mais animais de primeiros dias de vida. Se é rebanho com imunidade, com o vírus circulando, o problema vai ser mais a partir da segunda semana. A mortalidade vai ser variável, mas com complicação de outros agentes e impacto no desempenho dos animais”, informa.

Para o médico veterinário, o rotavírus é bastante relevante, é uma das principais diarreias de maternidade. “Ela pode causar alta mortalidade, perda de desempenho e o impacto que traz para o intestino do animal pode persistir por um bom tempo”, diz.

Coccidiose

A coccidiose é outra doença que merece a atenção do suinocultor. A infecção dela via vir principalmente do ambiente. “Instalações contaminadas, fezes de leitões com a doença vão ser os principais pontos de infecção do leitão”, informa Sbardella. Segundo ele, o coccidio tem várias fases dentro da célula. “Passa de sexuada para assexuada e vai ter com o oocisto liberado no ambiente que vai esporular. E isso está muito relacionado a temperatura, então em períodos mais quentes um local pode favorecer a esporulação de oocistos”, conta.

Esta é uma doença que pode ser clínica e subclínica. “Quando a doença é clínica vamos observar uma diarreia evidente e impacto visual na leitegada. A diarreia é transitória a partir da segunda semana e podemos observar ainda a redução do desempenho de animais e nenhuma mortalidade. Já na subclínica não vamos ver diarreia, mas a redução no desempenho vai acontecer da mesma forma”, informa.

A doença tem grande impacto nos animais, causando lesões intestinais como necrose focal no topo das vilosidades, hiperplasia das criptas e redução da altura das vilosidades. “O impacto do desempenho dos animais está muito relacionado a esta doença”, diz. Sbardella comenta que é muito claro o impacto que a doença vai causar na heterogeneidade do peso dos animais. “Vai ter uma variabilidade maior do peso dos leitões e isso vai resultar em um impacto no longo prazo”, comenta.

O médico veterinário informa que nenhuma mortalidade está diretamente ligada a coccidiose, mas ela pode ter associação com outros agentes. “É até um ponto importante a gente comentar, se for pegar hoje nas diarreias de maternidade é comum encontrar mais que um agente. Precisamos levar em consideração que mesmo a coccidiose sendo mais importante é muito provável que esteja associada com outras coisas. Talvez elas estejam até abrindo portas para outras bactérias, mas o fato é que a coccidiose não traz mortalidade, é muito mais perda de desempenho”, considera.

Dessa forma, argumenta, fica clara a importância de controlar ou fazer os manejos não negociáveis para evitar que as diarreias aconteçam. “Uma vez que elas acontecem, a gente precisa saber reconhecer e diagnosticar, somar as evidências para chegar ao diagnóstico correto”, diz.

Sbardella afirma que a rotavirose e a coccidiose são as mais importantes no Brasil no período de maternidade, que tem a maior prevalência e são similares em alguns pontos. “Há um impacto na maternidade. Na creche pode causar doença ou perda de desempenho. Ambas funcionam se associando a infecções secundárias facilmente”, conclui.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Saúde Animal

Lawsonia intracellularis: um inimigo que pode estar oculto

Medidas de prevenção são extremamente importantes para garantir o sucesso da produção

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por Luciana Fiorin Hernig, médica veterinária e coordenadora Técnica da Boehringer Ingelheim

A Lawsonia intracellularis é o agente causador da ileíte ou enterite proliferativa suína. É comum associarmos este agente apenas aos casos da doença nos quais encontramos animais pálidos, com diarreia sanguinolenta (Imagem 1) e alta mortalidade. Entretanto, sabe-se que Lawsonia está disseminada pelas granjas, principalmente nas fases de crescimento e terminação.

Então, será que estamos deixando de contabilizar os prejuízos gerados, principalmente nos casos em que não há diarreia com sangue a alta mortalidade? Quando acompanhamos um lote desuniforme, com fezes amolecidas apenas (Imagem 2), associamos automaticamente a outras causas, como problemas com a qualidade da ração, ambiência etc. Entretanto, estes são também sinais clínicos da forma crônica da ileíte, mas que nem sempre é investigada. Além disso, quando a ileíte se manifesta na forma subclínica, pode haver perda do desempenho zootécnico dos suínos, como piora na conversão alimentar e redução no ganho de peso diário, levando a desuniformidade do lote, o que causa prejuízos financeiros. Nestes casos, os animais infectados ainda são fonte de disseminação do agente.

Os estudos já mostraram que a Lawsonia intracellularis é um agente altamente prevalente nas granjas no mundo, podendo ser encontrada entre 90 e 100% dessas no Brasil. A bactéria é excretada nas fezes dos suínos, contaminando o ambiente e pode ser facilmente disseminada através das botas, lâmina d’água, presença de fezes nos bebedouros/comedouros, roedores, moscas etc.

Normalmente, o uso de antimicrobianos na ração e/ou via água de bebida é a estratégia adotada para controle da Lawosnia nas granjas, porém esta tática não elimina o agente completamente do ambiente. Tem-se, portanto, o risco de infecção dos animais e, muitas vezes, casos de ileíte aguda na janela de retirada de antimicrobianos pré-abate, com altas perdas. Além disso, pode haver casos da doença nas formas crônica e subclínica que nem são diagnosticados ao longo das fases de crescimento e terminação.

Neste sentido, há ainda um fator importante a ser considerado, que é a busca pelo uso prudente de antimicrobianos na suinocultura. Associado a essa redução no número e quantidade de moléculas utilizadas, principalmente como preventivo, alguns patógenos que pareciam inexistentes na granja, “reaparecem” ou “são descobertos”, como é o caso da Lawsonia, e causam ainda mais perdas.

A identificação da Lawsonia na granja pode ser facilmente investigada através da análise laboratorial de fezes e sangue, identificando assim a quantidade desta bactéria que está sendo excretada (PCR quantitativo das fezes), pois há trabalhos mostrando que cargas acima de 104 de Lawsonia por grama de fezes já estão associadas a lesões no intestino. Além disso, coleta-se sangue para verificar em qual fase os suínos apresentam anticorpos contra a bactéria (sorologia). Desta forma, é possível conhecer a dinâmica do agente na realidade de cada propriedade e adequar as melhores ferramentas para redução da pressão de infecção.

Tendo em vista que a Lawsonia está presente nas granjas e causa prejuízos ao desempenho dos animais, e, por consequência, financeiras, as medidas preventivas têm ganhado força nos sistemas de produção. Além da biosseguridade, uma ferramenta de extrema importância no processo de prevenção que se destaca neste sentido é o uso de vacina. Contudo, formular um protocolo de vacinação com sucesso é um trabalho que exige conhecimento, pesquisa de agentes e clareza sobre os produtos disponíveis no mercado.

No caso da Lawsonia intracellularis, já existe vacina com tecnologia para ser fornecida por via oral que se assemelha a infecção natural pela bactéria, induz uma imunidade robusta sem causar a doença. Além disso, a vacina via oral respeita o bem-estar dos animais, pois não provoca reações adversas locais (edema no local da aplicação, por exemplo) e/sou sistêmicas (febre). Desta forma, os animais conseguem manter seu comportamento natural, tendo em vista que não ficam abatidos, nem reduzem consumo de ração, e podem expressar todo seu potencial zootécnico. Há ainda o benefício ao bem-estar dos humanos, pela facilidade de aplicação, que pode ser individual, na caixa d’água (Imagem 3), dosador, ração líquida ou até sobre a ração seca (Imagem 4).

Sabe-se ainda que a Lawsonia causa danos aos enterócitos (células do intestino) e pode estar acompanhada de outros patógenos como a Salmonella, causando consequências ainda maiores. Por isso, optar por uma vacina que além de proteger para Lawsonia, já tenha reconhecidamente estudo provando a redução da excreção de Salmonella também é uma ótima opção para proteção do rebanho.

Considerando-se, portanto, que a Lawsonia intracellularis é um agente que está presente na maioria das granjas e que este agente pode causar perdas expressivas no desempenho dos suínos, as medidas de prevenção são extremamente importantes para garantir o sucesso da produção. O uso de antimicrobianos não garante que o suíno não vá se infectar e sofrer perdas no seu desempenho. Por isso, a melhor opção é associar as medidas de biosseguridade à utilização de uma vacina que seja prática, segura e respeite o bem-estar, para imunizar e proteger os animais.

Outas notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
ABPA – PSA

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.