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Status sanitário cria embaraço entre PR e MS

Paraná pode conseguir status de livre de aftosa sem vacinação em 2017, mas selo pode causar imbróglio sobre trânsito de animais com o vizinho Mato Grosso do Sul

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O Paraná deve conseguir no início de 2017 o status sanitário de Estado livre de febre aftosa sem vacinação, o que deve abrir o mercado de carnes e lácteos para países que hoje impõem barreiras comerciais por conta aplicação do medicamento nos bovinos. Além de ampliar as possibilidades de exportação, a carne produzida em Estados livres da aftosa sem vacinação são mais valorizadas, o que deve gerar mais lucros para toda a cadeia paranaense. Todo o processo, entretanto, tem causado um mal-estar entre produtores e lideranças do agronegócio dos Paraná e do vizinho Mato Grosso do Sul (MS). Isso porque o trânsito de animais entre os dois Estados pode ser inviabilizado, já que o MS está mais distante de conseguir a certificação internacional. Atualmente, apenas Santa Catarina detém o título de livre da aftosa sem vacinação.

“Estamos vislumbrando oportunidades. No fim do ano, a Coreia do Sul abriu suas portas para importação de carne suína. Eles importam mais de 600 mil toneladas por ano. Então tá a irmã Aurora (cooperativa catarinense) vendendo para Japão, daqui há pouco para a Coreia do Sul, e vamos ficar aqui escondidos no Paraná, chupando o dedo porque temos dificuldades em fazer um avanço coletivo para decretar fim da aftosa?”, questionou o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, em evento agropecuário realizado em fevereiro, em Cascavel (PR).

Ele destacou que há necessidade de avanço para conseguir o selo, apesar da delicada relação com o Estado vizinho. “Pra que ficar picando bicho (vacinando), causando estresse, gastando R$ 30 milhões por ano? Vamos cuidar de outras coisas”, apontou. “Entendo e respeito a dificuldade da simbiose com o Mato Grosso do Sul, sei disso, mas temos que avançar”, ampliou.

Em 2014, de acordo com os dados mais recentes já compilados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), 68 mil cabeças de gado entraram no Estado para cria e engorda. Para presidente da entidade, médico-veterinário Inácio Afonso Kroetz, o número é muito pequeno se comparada à produção de carnes e, sobretudo, ao número de bovinos levados do Paraná para abate em outros Estados do país. “Em 2014, 68 mil animais entraram para cria e engorda no Paraná, o que representa nem 5% do nosso abate, que chega a 1,6 milhão de cabeças ao ano. Além disso, naquele ano houve saída de 220 mil bois gordos para abate em São Paulo. Temos que deixar de ser Estado de passagem. Chega de passar boi gordo. Hoje temos um parque industrial ocioso e ainda mandamos bois pra fora. São distorções que acontecem e que ainda temos que corrigir”, destacou Kroetz.

Para ele, ter produto de qualidade e o selo internacional são necessidades “indissociáveis”. “Temos que ter produto de qualidade, que o mercado quer, e passaporte de sanidade. Se quisermos ter um produtor de qualidade e colocarmos no mercado mundial, temos que ter passaporte. Tenos que criar um selo da carne paranaense. Nós temos condições para isso. Temos que parar de ir a reboque de outros Estados”, justificou. “Se não avançarmos, vamos ficar excluídos”, ampliou.

Trâmites

O status de livre de aftosa sem vacinação é dado somente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). De acordo com as normas do organismo internacional, o pleito para que uma determinada área seja decretada livre de uma doença sem vacinação precisa ser feito 12 meses após a retirada do processo de imunização. A última dose deve ser aplicada em maio deste ano, de acordo com o presidente da Adapar. Se a Organização aprovar o requerimento, em 2017 o Paraná pode ser o mais novo Estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação.

Para que o Estado alcance o status, o sistema de barreiras sanitárias deve ser reestruturado, sobretudo nos 23 postos de fronteira existentes com São Paulo e Mato Grosso do Sul, além dos portos e aeroportos. “Criamos a Adapar há três anos e meio, mas isso é um processo que vem de dez anos. Temos vontade de fazer isso (conquistar o selo), mas ninguém faz nada sozinho. Iniciativa privada precisa querer e exigir do serviço público um status diferente”, comenta Kroetz.

De acordo com ele, o processo já poderia, inclusive, estar mais adiantado. “A intenção era para estar pronto (com a última dose aplicada) já ano passado (em maio) para não precisar fazer a campanha em novembro de 2015. Mas, como foi feita a imunização em novembro, e o calendário mundial para conceder os títulos é sempre em maio, vamos também fazer a vacinação em maio. A partir disso, vamos começar as discussões para ver se vamos fazer em novembro ou não. Temos ainda algumas questões para harmonizar com o setor privado, que tem que estar alinhado a essa situação”, reforça.

Termômetro

Para o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, os avanços incluem ainda benefícios para outras cadeias produtivas do Estado, que seriam beneficiadas em seguida, como a suinocultura. Ele explica que o status serve como um balizador para que outros países conheçam as (boas) práticas sanitárias de determinado centro produtor. “Somos 10º rebanho do Brasil, o nono em produção de carne bovina, mas temos também outros segmentos que se beneficiarão muito desse selo, como é o caso da suinocultura. O Paraná é o terceiro maior produtor e em breve pode chegar a ser o segundo no Brasil. Os suínos são suscetíveis à febre aftosa, mas nunca se vacinou. Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul são alguns que não compram suíno do Paraná porque ainda vacinamos bovinos. Parece estranho, mas o status serve mais como um termômetro para mensurar a qualidade do serviço sanitário. O mundo olha o seguinte: quem está livre sem vacinação, tem um bom serviço de defesa sanitária. Quem não está, não tem. O mercado não olha só a aftosa. O mercado quer saber qual é a qualidade do serviço sanitário oficial do país”, ratificou. “Se não tem aftosa, mostra que estamos cuidando bem das outras coisas”, acrescenta Kroetz.

 

Mais informações você pode encontrar na edição impressa de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Embrapa propõe políticas para reaproveitamento de pastagens degradadas

Brasil tem pelo menos 28 milhões de hectares de áreas de pastagens em degradação com potencial para conversão em agricultura, reflorestamento, aumento da produção pecuária ou até para produção. de energia.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Brasil tem pelo menos 28 milhões de hectares (ha) de áreas de pastagens em degradação com potencial para conversão em agricultura, reflorestamento, aumento da produção pecuária ou até para produção de energia. O volume de hectares equivale ao tamanho do estado do Rio Grande do Sul.

O cerrado é o bioma com o maior número de áreas em degradação. Os estados com as  maiores áreas são o Mato Grosso (5,1 milhões de ha), Goiás (4,7 milhões de ha), Mato Grosso do Sul (4,3 milhões de ha), Minas Gerais (4,0 milhões de ha) e o Pará (2,1 milhões de ha).

Para ter uma ideia das possibilidades de reaproveitamento, se toda essas áreas fossem usadas para o cultivo de grãos (arros, feijão, milho, trigo, soja e algodão) haveria uma aumento de 35% a área total plantada no Brasil (comparação com a safra 2002/2023).

A extensão do problema e as diferentes possibilidades de reaproveitamento econômico dessas áreas fizeram o governo federal a criar no final do ano passado o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (Decreto nº 11.815/2023).

Para implantar o programa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, publicou em um livro mais de 30 sugestões de políticas públicas, que o país tem experiência e tecnologia desenvolvida para implantação.

Planejamento 
Apesar da expertise acumulada, a efetivação é um desafio. Cada área a ser recuperada exige estudo local. O planejamento das ações “deve levar em consideração informações sobre o ambiente biofísico, a infraestrutura, o meio ambiente e questões socioeconômicas. Além disso, é preciso avaliar o histórico de evolução pecuária no local e entender quais fatores condicionam a adoção dos sistemas vigentes”, descreve o livro publicado pela estatal.

A partir do planejamento, é necessário criar condições para o reaproveitamento das áreas: crédito, capacitação dos produtores e assistência. “É preciso integrar políticas públicas, fazer com que os produtores rurais tenham acesso ao crédito, ampliar o serviço de educação no campo, e dar assistência técnica e extensão rural para a estruturação de projetos e para haja um trabalho contínuo e não uma coisa pontual”, assinala o engenheiro agrônomo Eduardo Matos, superintendente de Estratégia da Embrapa.

Nesta sexta-feira (26), a empresa faz 51 anos de funcionamento. A cerimônia de comemoração, nesta quinta-feira (25), contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um exemplar do livro foi entregue à comitiva presidencial.

No total, as áreas de pastagem ocupam 160 milhões de hectares, sendo aproximadamente 50 milhões de hectares formados por pasto natural e o restante pasto plantado. A área de produção de grãos totaliza 78,5 milhões de hectares, e as florestas plantadas para uso econômico ocupam uma área aproximada de 10 milhões de hectares.

De acordo com o IBGE, a atividade agropecuária ocupa mais de 15 milhões de pessoas no Brasil. Um terço desses empregos são na pecuária bovina (4,7 milhões). O país é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador (11 milhões de toneladas).

Fonte: Agência Brasil
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Rentabilidade ao produtor de leite melhora impulsionada pela redução dos custos de produção e pela sazonalidade da oferta

Mercado de leite enfrenta um cenário desafiador, marcado por incertezas, queda na oferta interna e nos preços ao consumidor.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O mercado nacional e global de leite ainda segue sob grandes incertezas. Na área internacional, os preços perderam um pouco o ritmo de elevação, influenciado principalmente, por uma menor demanda chinesa. Além disso, o gigante asiático vem estimulando a produção interna substituindo parte da importação.

O leite em pó integral fechou em US$3.269/tonelada no leilão GDT do dia 16 de abril. No mesmo mês em 2023 este preço estava no patamar de US$ 3.100/tonelada. Na Argentina, a oferta de leite segue complicada por uma piora na rentabilidade nas fazendas. Nos dois primeiros meses do ano, a produção de leite da Argentina caiu 13,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Foto: Ari Dias

Já no mercado interno, as cotações de leite e derivados vêm reagindo, mas o cenário de menor competitividade em preços e queda de braço com as importações permanece. No primeiro trimestre de 2024, as importações brasileiras totalizaram 560 milhões de litros, com alta de 10,8% em relação a 2023. O diferencial de preços, tanto do leite em pó quanto do queijo muçarela, está mais favorável ao derivado importado.

Enquanto isso, governos estaduais tem se manifestado com medidas tributárias e fiscais para tentar reduzir a entrada de derivados lácteos oriundos do exterior. Vale lembrar que em 2023 as importações responderam por 9% da produção doméstica e um recuo nesse volume tende a deixar a oferta mais restrita, sustentando os preços internos. Mas também irá exigir uma resposta mais rápida da produção interna, suprindo a demanda brasileira.

Sazonalidade da produção de leite

A sazonalidade da produção de leite no Brasil é bastante pronunciada, mesmo considerando o crescimento dos sistemas de produção de maior adoção de tecnologias. Os meses de abril, maio e junho são aqueles de menor produção de leite e isso acaba refletindo nos preços neste momento. Os mercados de leite UHT e queijo muçarela tem registrado valorizações, ainda que modestas.

O preço ao produtor também vem registrando elevação, pelo quarto mês consecutivo.

Do ponto de vista macroeconômico, os indicadores de crescimento do PIB vêm melhorando, com perspectivas de expansão próxima de 2% em 2024. No comércio, as vendas dos supermercados seguem positivas, com expansão de 4,7% nos últimos 12 meses, enquanto a média do comércio em geral mostrou elevação de apenas 1,7%. Os indicadores do mercado de trabalho têm registrado crescimento importante. Em janeiro o salário real médio do brasileiro cresceu 4% sobre janeiro de 2023. O número de pessoas ocupadas também aumentou.

Foto: Fernando Dias

O preço dos lácteos ao consumidor, por outro lado, recuaram 2,8% nos últimos doze meses. No caso do UHT, a queda foi de 5,6%, o que acaba ajudando nas vendas. Neste mesmo período a inflação brasileira foi de 3,9%. Ou seja, os lácteos vêm contribuindo para redução da inflação brasileira neste momento.

Custo de produção

Na atividade de produção de leite, as informações de custo de produção têm mostrado um cenário mais positivo. Os preços de importantes insumos recuaram, contribuindo com queda no ICPLeite-Embrapa que, nos últimos 12 meses finalizados em março de 2024, apresentou recuo de 5,58%.

O farelo de soja recuou de 23% em relação a abril de 2023, ficando abaixo de R$2 mil/tonelada. No caso do milho, a queda foi também importante, com o cereal recuando 18,5% na comparação anual. Portanto, a combinação de recuo nos custos de produção com elevação no preço do leite vai sinalizando um ambiente de recuperação de rentabilidade para o produtor de leite, após um cenário difícil observado no segundo semestre de 2023.

Cadeia produtiva do leite

De todo modo, é importante avançar em uma agenda de competitividade da cadeia produtiva do leite, sobretudo com foco em melhorias na eficiência média das fazendas e na gestão. Tem sido observado uma heterogeneidade muito grande nos custos de produção de leite, em alguns casos com diferenças de até R$ 0,80 por litro. A importação traz perdas econômicas relevantes para o setor lácteo no Brasil, mas buscar cotações mais alinhadas ao cenário global é uma forma de reduzir estruturalmente as compras externas. Para isso a competitividade em custos é determinante. O momento ainda é de bastante incerteza, inclusive global. Internamente, a entressafra pode dar um fôlego para a alta recente dos preços de leite.

Fonte: Assessoria Centro de Inteligência do Leite
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Mais de 130 reprodutores de seis raças zebuínas participam do PNAT 2024

Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens reúne animais das raças Brahman, Guzerá, Nelore, Nelore Mocho, Sindi e Tabapuã.

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Foto: Divulgação/ABCZ

Os touros participantes da edição deste ano do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT) já estão na Fazenda Escola da Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), em Uberaba (MG). Mais de 130 reprodutores de seis raças zebuínas participam do PNAT 2024: Brahman, Guzerá, Nelore, Nelore Mocho, Sindi e Tabapuã.

Após a chegada, os animais passaram por um período de adaptação ao ambiente da fazenda, onde foram realizadas as provas do TDEA (Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar). “Todos os animais que participam da prova na Fazu foram previamente selecionados nas fazendas, sendo que somente os animais geneticamente superiores e que apresentaram um biótipo classificado como ‘Muito Bom’ ou ‘Excelente’, na avaliação visual realizada por um técnico da ABCZ,  participam dessa etapa”, afirma o superintendente técnico adjunto de Fomento do Leite da ABCZ, Carlos Henrique Cavallari Machado.

O supervisor de Provas Zootécnicas da ABCZ, Paulo Ricardo Martins Lima, explica como é feito o TDEA. “Essa etapa inclui várias avaliações, como a visual, pelo EPMURAS, ultrassom de carcaça e o consumo alimentar, com o ganho de peso e o CAR, mensurado nos cochos eletrônicos da fazenda”, aponta.

Os touros que se revelarem superiores nessas avaliações participarão da ExpoGenética, onde serão selecionados para produção de sêmen. “Esses animais terão oportunidade de ir para uma central de inseminação, no intuito de distribuir material genético entre os rebanhos colaboradores participantes do PMGZ, com o objetivo de serem efetivamente testados, confirmando o valor genético superior do reprodutor”, explica Paulo.

Desde 2010, mais de 200 touros PNAT distribuíram mais de 145 mil doses de sêmen para quase 900 criadores que participam do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ).

Fonte: Assessoria ABCZ
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