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Software gratuito oferece recomendações de calagem e adubação para diversas culturas agrícolas
Usuário pode adicionar ao sistema uma nova cultura agrícola, sem auxílio de um profissional de informática

Um sistema desenvolvido pela Embrapa em conjunto com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) oferece, por meio de uma interface simples, prática e de fácil manuseio, recomendações de calagem e adubação para o cultivo de mandioca e de diversas fruteiras (abacaxi, acerola, banana, laranja, tangerina, limão, mamão, manga e maracujá), podendo ser adaptado a qualquer cultura.
Com o software AdubaTec, produtores e técnicos podem obter por conta própria e de forma gratuita a quantidade adequada de nutrientes que deve ser aplicada no solo com base nas características do seu plantio. Basta preencher os campos no aplicativo web com dados da análise química do solo e informações como sistema de cultivo, estágio de produção, clima e produtividade esperada para obter as quantidades de calcário e as recomendações, principalmente de nitrogênio, fósforo e potássio, necessárias para a cultura selecionada.
Além da grande abrangência de cultivos, o principal diferencial da ferramenta em relação às similares é a possibilidade de incorporação de recomendações de novas culturas. Isso é possível apenas com o cadastro das regras sob o conjunto de variáveis de plantio predefinidas pelo próprio administrador, sem modificar o código do sistema, ou seja, dispensa a necessidade de um especialista de tecnologia da informação para modelar os dados.
A ferramenta possibilita, assim, que um maior número de produtores tenha acesso a recomendações de calagem e adubação especializadas para os seus plantios e reduz o trabalho manual de pesquisadores, agrônomos e técnicos referentes aos cálculos de recomendação. Soluções tecnológicas como essa, que integram o escopo de ações da Embrapa no âmbito da agricultura digital, buscam mais rentabilidade e produtividade, menos custos e maior agilidade e segurança no campo.
“Nos inspiramos no FertOnline, criado pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), com recomendações para a cultura do coco, milho e laranja. O diferencial do nosso sistema é ser parametrizável, ou seja, pode ser adaptado para qualquer cultura e até mesmo variedades específicas”, conta a pesquisadora Ana Lúcia Borges, responsável pelo conteúdo do software e editora técnica da publicação “Recomendações de calagem e adubação para abacaxi, acerola, banana, laranja, tangerina, lima ácida, mamão, mandioca, manga e maracujá”, da qual foram extraídos os dados para montagem do AdubaTec. A publicação foi feita em coautoria com o pesquisador Luciano Souza, já aposentado.
Inicialmente, foram incluídas as culturas do portfólio da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) listadas acima, mas, de acordo com pesquisadora, a ferramenta pode ser utilizada por qualquer outra Unidade da Embrapa e aplicada para várias culturas sem a necessidade de modificação no código do sistema. “Requer apenas que os especialistas modelem as regras de adubação seguindo a metodologia do sistema e as cadastre na interface administrativa”, conta a pesquisadora.
Borges explica que o software já está mais enriquecido do que a publicação, pois as recomendações de adubação são atualizadas constantemente, uma vez que novos resultados foram gerados desde a publicação do livro, em 2009. Além disso, foram incluídas informações sobre variedades específicas. “Temos recomendações próprias hoje, por exemplo, para as variedades de banana BRS Platina e BRS Princesa, para os plátanos, que são as bananas tipo Terra, e para a nossa variedade de abacaxi BRS Imperial”, acrescenta.
Após o preenchimento dos dados, o sistema fornece um relatório em PDF que descreve de forma simplificada os resultados obtidos e disponibiliza observações necessárias para a aplicação correta, tanto do calcário quanto dos fertilizantes, podendo-se inclusive selecionar a fonte do nutriente. “As recomendações são baseadas no princípio dos ‘4Cs’: dose correta, fonte correta, época correta e local correto. Seriam os conhecidos ‘4Rs’ [right], em inglês.”
Com a utilização da ferramenta, ela aposta no crescimento do número de usuários. Apenas 6% das análises de solo anuais realizadas no Laboratório de Solos e Nutrição de Plantas da Embrapa Mandioca e Fruticultura seguiam para os clientes acompanhadas de recomendação de adubação, já que esse trabalho era realizado manualmente pela pesquisadora. “A ideia, com o AdubaTec, é agilizar isso. Que o cliente possa obter sua própria recomendação, de forma rápida, direta e precisa. Poderemos assim beneficiar um público bem maior”, pontua.
Banco de dados
A pesquisadora ressalta que o software também formará um banco de dados com informações sobre os solos de diversas regiões. “O AdubaTec está preparado para armazenar informações de consulta dos usuários, constituindo um banco de dados com a finalidade de, futuramente, realizar um mapeamento do solo nas regiões em que haverá análises cadastradas, o que pode ser muito útil para nossas pesquisas”, afirma Borges.
Mais independência ao usuário
O analista do Núcleo de Tecnologia da Informação da Embrapa Mandioca e Fruticultura Luciano Pontes, que desenvolveu o sistema em conjunto com dois estudantes de Engenharia da Computação da UFRB, Lucas Henrique Araújo e Maxwell Lincoln da Silva, conta que o AdubaTec segue a lógica de oferecer mais independência ao usuário, uma tendência natural, segundo ele, no mundo de desenvolvimento de softwares.
“Fizemos uma análise-piloto, que consistiu em uma avaliação exaustiva de sua performance. A pesquisadora fez diversas análises de forma manual e comparou com os resultados obtidos via sistema, verificando que a recomendação indicada pelo software era mais precisa. E muitos ajustes foram realizados para que o sistema alcançasse a eficiência esperada”, informa Pontes.
O AdubaTec é um sistema web responsivo, ou seja, adapta o seu layout ao tamanho das telas em que está sendo exibido, como de celulares e tablets. Com uma página web encarregada pela interação com o cliente, é capaz de cruzar os dados de entrada do usuário com os dados cadastrados (parâmetros) no banco de dados.
O sistema foi preparado de forma dissociada da interface a fim de que as regras de recomendação de adubação possam ser disponibilizadas em uma plataforma como serviço (AdubaAPI). “Esse potencial pode ser explorado, no futuro, para gerar diferentes produtos integrados a equipamentos ou softwares que automatizam os processos de análises de solos de laboratórios”, afirma Pontes. “Há um potencial de parceria com startups de agtech [termo utilizado para se referir a empresas de tecnologia aplicada ao agronegócio], visando a novos mercados na análise de solos,” declara.

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Crédito rural da agricultura empresarial soma R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026
CPR liderou as modalidades de financiamento, enquanto a Região Sul concentrou o maior volume de recursos contratados.
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Curitiba recebe 22ª Reunião da Relare sobre inoculantes microbianos para a agricultura
Evento promovido pela Embrapa vai reunir cerca de 300 especialistas e recebe resumos científicos até 10 de agosto.

A cidade de Curitiba (PR) vai sediar, nos dias 19 e 20 de agosto, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O encontro será realizado no Centro de Eventos Sistema Fiep e deve reunir aproximadamente 300 participantes, entre pesquisadores, estudantes, representantes da indústria, consultores e órgãos de fiscalização.
Promovida pela Embrapa, em parceria com a CropLife Brasil e a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio), a reunião conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Microrganismos Promotores de Crescimento de Plantas para Sustentabilidade Agrícola e Ambiental (INCT Microagro) e da Fundação Araucária.
A programação será dedicada às discussões técnicas sobre o uso de microrganismos benéficos na agricultura, com foco em protocolos para análise da qualidade de inoculantes, padronização de metodologias e validação de novos produtos biológicos. O objetivo é promover o intercâmbio de informações técnico-científicas relacionadas ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade da produção agropecuária.
A comissão organizadora também está recebendo trabalhos científicos na modalidade de resumo. O prazo para submissão termina em 10 de agosto, por meio do sistema de inscrição do evento. Os trabalhos aprovados serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais da 22º Relare.
Para submeter o resumo, o participante deve realizar previamente a inscrição no evento, clicando aqui.
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Expansão dos insumos orgânicos pauta simpósio inédito no Rio Grande do Sul
Evento vai reunir pesquisadores, autoridades e representantes da indústria para discutir mercado, regulação e o aproveitamento de resíduos na produção agrícola.

O crescimento do mercado de insumos agrícolas de base orgânica e os desafios para ampliar o uso desses produtos no campo estarão no centro dos debates do 1º Simpósio de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, marcado para 06 de agosto, em Bento Gonçalves (RS). Promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS), o encontro reunirá pesquisadores, representantes do poder público e empresas para discutir aspectos técnicos, regulatórios e econômicos do setor.

Presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari: “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio” – Foto: Divulgação/Assiferto
Segundo a entidade, a expansão da demanda por alimentos produzidos com práticas sustentáveis, aliada ao avanço das exigências ambientais e das políticas de sustentabilidade no agronegócio, tem impulsionado o mercado de fertilizantes e condicionadores de solo produzidos a partir de resíduos orgânicos.
De acordo com o presidente da Assiferto RS, Valdecir Ferrari, o simpósio foi criado para ampliar o debate sobre o papel desses insumos na agricultura brasileira. “Havia um bom tempo que se discute na Associação a realização do simpósio. O objetivo é mostrarmos à sociedade, às entidades, ao setor público e ao setor agrícola que, no Rio Grande do Sul, existem empresas organizadas e com tecnologia capazes de converter subprodutos orgânicos em insumos agrícolas de qualidade, solucionando problemas ambientais e mitigando a dependência de nutrientes importados para uso na agricultura”, afirma.
Economia circular e aproveitamento de resíduos
As empresas associadas à Assiferto RS reciclam mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano. Após o processamento, esses materiais retornam à cadeia produtiva na forma de fertilizantes sólidos e líquidos, condicionadores de solo e outros insumos utilizados na agricultura.
Segundo Ferrari, o reaproveitamento desses resíduos contribui para reduzir o desperdício de nutrientes e fortalecer modelos de economia circular. “A conexão do setor de insumos agrícolas com base orgânica com a sociedade se dá principalmente no entendimento de que o nosso planeta tem limites de recursos e que, para produzir alimentos, precisamos de nutrientes finitos. A recuperação destes nutrientes por meio do aproveitamento dos subprodutos é de fundamental importância para as futuras gerações”, diz.
Programação
A programação técnica prevê palestras e painéis sobre o mercado de insumos orgânicos, regulação ambiental, inovação tecnológica e perspectivas para o setor. O evento será realizado no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves, das 08 horas às 17h30, com inscrições gratuitas.
O simpósio também vai reunir representantes de órgãos públicos, pesquisadores e profissionais ligados à produção de insumos agrícolas de base orgânica para discutir os desafios e oportunidades da atividade no Brasil.
Manhã
08h – Credenciamento/Recepção
08h30 – Abertura: Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger
09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari – Presidente da Assiferto RS
09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo
10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual, com Marjorie Kauffmann – Secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam
11h – Mesa Redonda
12h – Almoço (por adesão)
Tarde
13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas – MAPA RS, com Henrique Bley
14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona – Pesquisador da Embrapa Trigo
15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica – UFPR, com Átila Francisco Mógor
15h45 – Intervalo
16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no RS, com Marcelo Biassusi da Emater
16h45 – Mesa Redonda
17h30 – Encerramento






