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Avicultura R$ 5,5 BILHÕES

Só 18% do custo com coccidiose é com prevenção

Entre os métodos preventivos de controle para garantir e manter a sanidade das aves é fundamental realizar um programa de biosseguridade com todos os elos da corrente bem trabalhados, para que o parasita seja eliminado por completo do ambiente.

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Entre as enfermidades mais comuns da avicultura industrial, mas que causam grandes impactos econômicos na produção devido ao atraso no desenvolvimento e mortalidade de animais, está a coccidiose, doença transmitida por protozoários do gênero Eimeria spp. que atacam o intestino das aves.

Recentes estudos estimam que o custo global da indústria avícola gerados com o patógeno pode chegar a 10,4 bilhões de euros, sendo que no Brasil esse valor se aproxima de 1 bilhão de euros, em torno de R$ 5,5 bilhões. “Apenas 18% deste custo é para prevenção, outros 82% são prejuízos que a doença pode acarretar quando não bem controlada, o que demonstra o quanto é importante que sejam consideradas todas as opções disponíveis no mercado para prevenção dessa enfermidade de forma assertiva e de acordo com a realidade, para que se consiga reduzir o percentual de prejuízo que possa causar”, expõe a médica-veterinária e mestra em Ciência Animal, Bruna Cereda de Oliveira, durante a 6ª edição do Congresso e Central de Negócios Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Laticínios (Avisulat), evento realizado de 28 a 30 de novembro, em Porto Alegre, RS. Ela participou do Painel Saúde intestinal e imunidade para palestrar sobre “Presente, passado e futuro no controle da coccidiose em frangos de corte”.

São reconhecidas sete espécies com capacidade de infectar as aves de produção, sendo cinco causadoras da coccidiose clínica, a qual é mais prevalentes em aves de ciclo curto como de frango de corte, devido ao período pré-patente – decorrente entre a penetração do agente etiológico e o aparecimento das primeiras formas detectáveis do agente etiológico do ciclo de vida desses parasitas dentro do intestino: Eimeria acervulina, Eimeria maxima, Eimeria tenella. Enquanto a Eimeria mitis e Eimeria praecox são causadoras da coccidiose subclínica. “Estudos demonstram que a prevalência dessas Eimerias spp. podem, sim, impactar negativamente nos resultados produtivos de frangos de corte. Em relação a casos de ciclo longo, que incluem reprodutoras e poedeiras, precisamos incluir mais duas, que são a Eimeria brunetti e Eimeria necatrix. Elas possuem um período de vida pré-patente mais longo e, dessa forma, causam problemas significativos na avicultura”, ressalta.

Resistentes no ambiente, as Eimerias spp. possuem uma dupla camada proteica e lipídica que protege os parasitas contra agentes químicos, do calor e do frio. Além disso, a produção avícola em larga escala favorece a multiplicação deste parasita no ambiente. “Se não controlado adequadamente pode causar um impacto na saúde intestinal muito significativo e consequente prejuízo econômico”, comenta Bruna.

A coccidiose é transmitida quando os oocistos são levados em partículas de fezes contaminadas carregadas por vetores, fômites e alimentos contaminados, por isso a alta densidade de aves e o contato com fezes são indícios para manutenção da coccidiose nas criações, aliados a fatores ambientais, como a umidade e a temperatura, que também propiciam aumento do problema no aviário.

Métodos de controle

Entre os métodos preventivos de controle para garantir e manter a sanidade das aves é fundamental realizar um programa de biosseguridade com todos os elos da corrente bem trabalhados, para que o parasita seja eliminado por completo do ambiente.

Algumas medidas podem contribuir para evitar surtos da doença como a limpeza e desinfecção dos aviários, adoção de um programa de controle sanitário, de biosseguridade e boas práticas de manejo. Os oocistos dos protozoários Eimeria spp. podem permanecer por cerca de um ano ou mais no galpão caso estejam em condições favoráveis, sendo assim é de suma importância que se mantenha uma avaliação contínua e periódica do desempenho do programa anticoccidiano.

Em um trabalho realizado recentemente se avaliou o efeito desinfetante do gás amônia em diferentes concentrações em cama de aviário contaminadas com Eimeria spp., cujos resultados demonstraram que, independente da concentração de amônia na cama, todos os oocistos esporulados foram eliminados. Em relação aos oocistos não esporulados, quanto maior a concentração de amônia menor a quantidade de oocistos esporulados detectados.

“Dessa forma nós podemos utilizar os métodos sanitários como um auxílio para reduzir a pressão de infecção das nossas granjas, mas infelizmente não podemos usá-lo isolado para controle da coccidiose, somente associada a outras ferramentas de controle”, frisa Bruna.

Segundo a médica-veterinária, os produtos anticoccidianos são os métodos de controle mais utilizados na avicultura atualmente. Classificados em ionóforos e químicos, são utilizados de acordo com os desafios da região em que está localizado o aviário.

Os primeiros anticoccidianos lançados no mercado foram na década de 50, sendo que o último lonóforo foi a Salinomicina em 1995, e o último químico foi o Diclazuril em 1989. “Desde então nenhum novo produto foi lançado e essa falta associada à utilização de um mesmo medicamento por muito tempo ou até mesmo em alta frequência pode contribuir para problemas relacionados à resistência das Eimerias em relação à utilização destes medicamentos”, enfatiza Bruna.

Conforme a mestra em Ciência Animal, existe uma grande necessidade de se preservar a rotação de moléculas para que se tenha efetividade no controle da coccidiose. Entre as novas abordagens estão as vacinas anticoccidianas. “Quando falamos de vacinas anticoccidianas existem experiências passadas com o uso de vacinas com cepas selvagens, no entanto, essas vacinas se mostraram ineficientes devido ao perfil das Eimerias serem totalmente deletérias para um campo intestinal, o que gerou o mito de que vacinas antioxidantes são ineficazes para o controle de coccidiose em frangos de corte”, relembra Bruna.

Atualmente existem as vacinas atenuadas por precocidade, fabricadas a partir de passagens por atenuação. Os estudos são realizados com Eimerias de ciclo de vida menor, ou seja, que geram menos indivíduos e vão entrar em muito menos células intestinais. “Porém apenas uma passagem não é suficiente, é preciso que sejam realizadas essas passagens várias vezes até que se tenha uma vacina que elimine rapidamente do intestino esses parasitas. O número de células intestinais que a vacina vai estimular no sistema imunológico é muito sutil, porém suficiente para que se tenha uma resposta imune e celular efetiva. Então, as vacinas do presente e do futuro conseguem estimular o sistema imune e manter a integridade intestinal”, exalta Bruna.

No gráfico 1 são demonstradas a diferença entre as vacinas com as cepas selvagens e as atenuadas por precocidade. No eixo X a cada sete dias são considerados um ciclo da coccidiose e no eixo Y é o pico de excreção de oocistos que cada cepa é capaz de produzir. A linha vermelha é considerada a cepa selvagem, a qual além de ter um pico reprodutivo mais tardio, entre 28 e 35 dias, tem uma capacidade reprodutiva muito grande, impactando negativamente na mucosa intestinal, uma vez que gera muitos descendentes. Por sua vez, quando falamos de uma cepa vacinal atenuada por precocidade, o pico de excreção se desloca para a esquerda de forma muito sutil, com a formação de imunidade precoce entre 14 e 21 dias, não conseguindo estimular a imunidade celular, mas mantendo então a integridade do intestino.

 

Qual estratégia usar?

A médica-veterinária recomenda a estratégia de rotação entre vacinas anticoccidianas para o combate ao agente etiológico. Segundo ela, estudos experimentais demonstram que a utilização de vacinas em uma mesma granja, em pelos três lotes consecutivos, altera o perfil de Eimerias do ambiente. “É possível substituir as Eimerias selvagens e as Eimerias de campo, que são resistentes aos produtos anticoccidianos disponíveis no mercado, por cepas vacinais, que são totalmente sensíveis a tais medicamentos. Dessa forma, as Eimerias selvagens vão perdendo espaço, passando a serem substituídas pelas Eimerias vacinais, gerando uma efetividade maior no controle da coccidiose com os produtos anticoccidianos”, afirma Bruna.
Uma outra estratégia é o uso contínuo da vacina, pelo fato dela ser atenuada por precocidade não existe possibilidade de se tornar patogênica novamente. “Atualmente existem essas duas estratégias para o uso da vacina, porém há uma preocupação que os químicos e ionóforos possam ter seu uso proibido a qualquer momento. Nos Estados Unidos, por exemplo, os ionóforos estão classificados como promotores de crescimento. Então, até quando vamos poder utilizar os químicos e ionóforos não sabemos”, expõe.

Vacina atenuada por precocidade, com administração em spray

Além da tecnologia de uma vacina atenuada por precocidade, Bruna diz que houve a melhoria do procedimento vacinal desses imunizantes com a administração em spray, a qual é realizada ainda no incubatório. “Para essa vacinação é necessária a administração de um spray gota grossa para que essas aves sejam estimuladas a ingerir essas vacinas, diferentes de vacinas respiratórias, onde o tamanho de gota é fina, na coccidiose o pintinho precisa ter o estímulo dessa gota grossa para que a vacina chegue no intestino e tenha a formação da imunidade”, menciona.

A mestra em Ciência conta que as vacinas de última geração estão associadas com diluentes específicos, que possuem uma cor roxa a fim de chamar mais atenção das aves, estimulando assim a visão dos animais. Também contém um aromatizador de baunilha para estimular o olfato das aves, que possuem ótimos receptores, fazendo com sejam atraídas pelo cheiro. “Em ambientes de incubatórios mais escuros ou até mesmo no empilhamento de caixa devido ao volume de frango de corte, quando a ave não consegue visualizar o corante, ela vai ser estimulada pelo olfato. Além disso, esse diluente possui imunomoduladores que são adjuvantes (componentes que ajudam na estimulação do sistema) de vacina viva, que vão acelerar a presença de macrófagos, células dendríticas para desencadear a resposta imune”, aponta Bruna.

Vacina atenuada por precocidade in ovo

O último lançamento em relação à vacina atenuada por precocidade foi a vacina in ovo. Entre as vantagens de administração desse imunizante está a forma individualizada da ave receber essa vacina, podendo ser associada na mesma injeção de uma vacina para Doença de Gumboro ou de Doença de Marek no incubatório.

Uso de vacina em casos de resistência aos anticoccidianos

O uso de vacina em casos de resistência aos anticoccidianos, essa resistência é explicada devido ao alto número de casos com coccidiose clínica, associada à utilização de um lote demandante anticoccidiano com uma dose limite, mortalidade alta, casos restritivos de medicações a campo e índices zootécnicos inferiores. “Essa realidade de campo iniciou o uso da vacina em meados de agosto de 2019 e desde então os casos de coccidiose diminuíram significativamente, assim como o uso de medicações e mortalidade”, declara.

Em relação aos resultados zootécnicos com a utilização desta vacina, Bruna diz que em casos clínicos de coccidiose por causa de ineficiência de programas anticoccidianos, devido à resistência desses produtos, há passagens de parasitas para o intestino.

Em relação aos resultados zootécnicos com a utilização de vacina em casos de resistência aos anticoccidianos, Bruna conduziu um estudo a campo em que avaliou o ganho de peso (GPD) e a conversação alimentar, como ilustrado no gráfico 2, em lotes com coccidiose clínica, comprovando que após quatro meses do uso da vacina esses índices produtivos melhoraram significativamente. “Em 2020 foi utilizada apenas a vacina anticoccidiana e o resultado foi muito interessante: foram reduzidas 100 quilocalorias na nutrição devido a melhora desses resultados zootécnicos e teve ainda uma redução do investimento nutricional, o que demonstra que em casos onde há resistência aos anticoccidianos, é possível, sim, melhorar os resultados produtivos da granja”, assegura Bruna.

Uso de vacina em casos de não resistência

Em outro experimento para avaliar o desempenho produtivo nos primeiros 28 dias de vida, foi colocado a prova a eficácia da vacina anticoccidiana comparada com um programa de medicamentos químicos e inócuos muito utilizados na avicultura, associada com um aditivo para verificar o sinergismo entre os dois programas.

Em relação ao ganho de peso e conversão alimentar, “os resultados demonstram que, independente do programa anticoccidiano, se é vacina ou não, houve um sinergismo entre o programa anticoccidiano e o aditivo. Então é vantajoso associar o controle anticoccidiano a um aditivo nutricional”.
Por outro lado, quando foi avaliado os programas anticoccidianos de forma isolada, Bruna salienta que a vacina anticoccidiana conseguiu maximizar a sua efetividade, protegendo as aves contra a coccidiose, ou seja, quando não existe casos clínicos de coccidiose sem resistência aos anticoccidianos é possível preveni-los com uma experiência anterior. “É imprescindível o correto controle da coccidiose, já que essa enfermidade onera muito os custos de produção. As vacinas com cepas atenuadas por precocidade são totalmente seguras, eficientes, precoces, porque estimulam o sistema imune de uma forma sutil, mantendo a integridade intestinal”, salienta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital de Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Avicultura Após oito anos

UFSM retoma tradicional Simpósio de Sanidade Avícola

Evento será realizado de forma on-line, entre os dias 05 e 07 de junho, permitindo a participação de estudantes e profissionais de diversas regiões do país.

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Foto: Julio Bittencourt

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está em clima de celebração com o retorno do Simpósio de Sanidade Avícola, que volta a acontecer após um hiato de oito anos. Este evento, anteriormente coordenado pela professora doutora Maristela Lovato Flores, teve sua última edição em 2016 e agora ressurge graças aos esforços do Grupo de Estudos em Avicultura e Sanidade Avícola da UFSM (Geasa/UFSM). O Jornal O Presente Rural será parceiro de mídia da edição 2024 do evento.

Sob a nova liderança dos professores doutores Helton Fernandes dos Santos e Paulo Dilkin, o evento chega a 11ª edição e promete manter o alto padrão técnico-científico que sempre marcou suas edições anteriores. “Estamos imensamente satisfeitos e felizes em anunciar o retorno deste evento tão importante para a comunidade avícola”, declararam os coordenadores.

O Simpósio está marcado para os dias 05, 06 e 07 de junho e será realizado de forma on-line, permitindo a participação de estudantes e profissionais de diversas regiões do país. “Com um programa cuidadosamente planejado ao longo dos últimos meses, o evento pretende aprofundar os conhecimentos sobre sanidade avícola, abrangendo temas atuais e pertinentes à Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia”, evidenciou o presidente do Geasa/UFSM, Matheus Pupp de Araujo Rosa.

Entre as novidades deste ano, destaca-se o caráter beneficente do evento. Em solidariedade às vítimas das recentes enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul, 50% do valor arrecadado com as inscrições será doado para ajudar aqueles que foram afetados por essa adversidade.

Os organizadores também garantem a presença de palestrantes de renome, que irão abordar as principais pautas relacionadas à sanidade nos diversos setores da avicultura. “Estamos empenhados em proporcionar um evento de alta qualidade, que contribua significativamente para o desenvolvimento profissional dos participantes”, afirmaram.

Em breve, mais detalhes sobre os palestrantes, temas específicos e informações sobre inscrições serão divulgados. Para acompanhar todas as atualizações, você pode também seguir  o perfil oficial do Geasa/UFSM pelo Instagram. “O Simpósio de Sanidade Avícola é uma excelente oportunidade para a comunidade acadêmica e profissional se reunir, trocar conhecimentos e contribuir para o avanço da avicultura, enquanto também apoia uma causa social de grande relevância”, ressalta Matheus.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

No Dia Mundial do Frango, foco setorial se concentra na garantia de abastecimento

Além da segurança alimentar, setor detém importante papel socioeconômico no Brasil.

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Foto: Shutterstock

Hoje, 10 de maio, é o Dia Mundial do Frango, data criada pelo Conselho Internacional da Avicultura (IPC, sigla em inglês) para celebrar a cadeia produtiva e estimular o consumo de uma das mais importantes e versáteis proteínas animais do mundo.

Neste ano, a avicultura do Brasil abordará uma perspectiva diferente dos anos anteriores. A celebração deste ano exaltará a importância desta proteína para a garantia de segurança alimentar e para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Em toda a cadeia produtiva, são 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos. Apenas nas fábricas são mais de 300 mil postos de trabalho de um setor com Valor Bruto de Produção superior a R$ 90 bilhões.

É uma enorme força de trabalho que produziu no ano passado 14,8 milhões de toneladas em território brasileiro – desde 2013, o Brasil adicionou cerca de 2,5 milhões de toneladas em sua produção.

Quase 35% disto é direcionado a mais de 150 países nos cinco continentes – capilaridade que proporcionou ao Brasil a liderança mundial nas exportações da proteína, sendo responsável por 38% do total do comércio internacional. Para fins de comparação, as agroindústrias brasileiras exportaram no último ano mais que as vendas internacionais de Estados Unidos e União Europeia – segundo e terceiro maiores, respectivamente – somadas, e é maior do que toda a produção da Rússia (quinto maior produtor global da proteína). São embarques que geram receitas próximas a US$ 10 bilhões (dados de 2023).

O impacto econômico e social da carne de frango para o Brasil não está apenas nos dados macroeconômicos. O peso social individualizado da proteína se vê em seu consumo per capita. Cada brasileiro consome, em média, 45 quilos da proteína – índice alcançado em 2020 e que se mantém desde então. É, de longe, a proteína animal mais consumida pelo brasileiro.

São números que mostram a relevância e a missão deste setor com o Brasil – para onde é destinada 65,3% de toda a produção nacional. “Nossa cadeia produtiva é continental, e tem papel determinante nos hábitos, na economia e na cultura gastronômica de Norte a Sul. Do campo às fábricas, são bilhões em investimentos em tecnologia de ponta para garantir a qualidade e a sanidade dos produtos, com maior produtividade. É um dos alicerces alimentares do País, e pilar econômico de diversas regiões. Neste dia, celebramos um setor resiliente, que cumpre seu papel e que seguirá atuando para que não falte o acesso a este alimento de alta qualidade para as famílias de todo o país”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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Avicultura

Especialista aponta umidade e profundidade da cama como fatores críticos ao desenvolvimento das aves

Ao garantir um ambiente saudável e confortável para as aves, bem como a qualidade do produto final, os produtores não apenas protegem sua própria operação, mas também contribuem para a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor como um todo.

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O manejo adequado da cama de frangos de corte é uma peça fundamental no quebra-cabeça da produção avícola. Ao garantir um ambiente saudável e confortável para as aves, bem como a qualidade do produto final, os produtores não apenas protegem sua própria operação, mas também contribuem para a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor como um todo.

Bacharel em Ciência Animal, mestre em Nutrição de Aves e doutora em Gestão Ambiental de Aves, Connie Mou: “Não há um sistema de gestão único que funcione para todos, pois ele varia de acordo com as necessidades de produção, recursos disponíveis, mão de obra e equipamentos” – Foto: Arquivo pessoal

A bacharel em Ciência Animal, mestre em Nutrição de Aves e doutora em Gestão Ambiental de Aves, Connie Mou, elenca que o manejo correto da cama visa garantir um ambiente propício para o desenvolvimento saudável das aves. “Para alcançar esse objetivo é essencial gerenciar e manter as propriedades benéficas da cama, como absorção, evaporação, isolamento e amortecimento, com foco especial em conservar a umidade entre 20 e 25%”, ressalta Connie. Ela vai tratar deste assunto no 24º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece entre os dias 09 e 11 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó, SC.

Controlar a umidade da cama é fundamental para prevenir o crescimento de microrganismos patogênicos e garantir a saúde das aves. Uma cama bem manejada também proporciona um ambiente confortável para as aves se movimentarem, descansarem e se alimentarem, contribuindo assim para o bem-estar animal e o desempenho produtivo. Além disso, o manejo correto da cama pode ter benefícios ambientais, como a compostagem do material usado, que pode ser reaproveitado como fertilizante orgânico, contribuindo para a sustentabilidade da operação avícola.

Qualidade da cama

A qualidade da cama é de extrema importância no desempenho das aves e na saúde intestinal. A especialista em avicultura, ressalta que se a cama for mal gerida, pode se tornar um ambiente ideal para o desenvolvimento de agentes patogênicos nocivos, que podem acabar afetando as aves e provocando doenças. “Níveis excessivos de umidade na cama podem contribuir para o desenvolvimento de lesões nas patas das aves. Além disso, a cama desempenha um papel importante na produção de amônia, se não for cuidadosamente gerenciada, pode levar a níveis elevados de amônia no ambiente, o que foi demonstrado em pesquisas como prejudicial ao sistema respiratório das aves, impactando a função do sistema imunológico, podendo também aumentar o risco de proliferação de bactérias oportunistas.

Vários fatores podem influenciar a umidade da cama, incluindo o uso de água pelas aves, a densidade e as taxas de ventilação. De acordo com a doutora em Gestão Ambiental de Aves, a melhor maneira de abordar o manejo da cama é monitorar a umidade relativa do aviário constantemente e manter um registro histórico de qual é a umidade relativa do ar no aviário ao longo da vida do lote, entre lotes, para entender quão bem está sendo feito o trabalho dentro do aviário, a fim de garantir um equilíbrio adequado de umidade.

Connie diz que nos Estados Unidos aprendeu-se ao longo dos últimos 20 anos que o sucesso da gestão da cama é fortemente influenciado pela educação do produtor. “Existem diversos sistemas de gestão disponíveis para manejo das camas, porém, o sucesso deles depende da capacitação adequada dos produtores. Não há um sistema único que funcione para todos, pois ele varia de acordo com as necessidades de produção, recursos disponíveis, mão de obra e equipamentos”, salienta.

Quanto aos sinais de que a cama precisa ser renovada, a especialista conta que nos Estados Unidos a troca acontece quando começa a aparecer areia na cama ou quando se torna muito profunda. “Um sistema não precisa de uma cama com mais de seis polegadas, cerca de 15 cm de profundidade, pois uma cama mais profunda pode dificultar o gerenciamento da amônia e da umidade”, aponta.

Quanto ao reaproveitamento da cama, quando gerenciado corretamente, pode ser mais benéfico do que prejudicial. Isso ocorre porque a cama reutilizada já possui uma população microbiana estabelecida, o que pode acelerar o desenvolvimento da imunidade das aves. “Já em camas novas é muito mais imprevisível quais microrganismos irão povoar as aves desse alojamento, o que pode impactar o desenvolvimento do sistema imunológico dos frangos”, expõe.

Ventilação

Quanto ao manejo adequado da ventilação, seu impacto na qualidade da cama e na saúde das aves é significativo. O objetivo principal da ventilação é remover a umidade gerada pelas aves, o que está diretamente ligado à qualidade da cama e à saúde das aves. “Sem um programa de ventilação adequadamente executado, nunca será possível alcançar uma boa qualidade da cama e, consequentemente, uma boa saúde das aves. Portanto, o manejo adequado da ventilação é essencial para garantir um ambiente saudável e higiênico para as aves durante todo o ciclo de produção”, frisa a mestre em Nutrição de Aves.

Preparação do alojamento

Para garantir um ambiente saudável para as aves, as melhores práticas para a preparação inicial do alojamento antes da chegada dos pintinhos incluem o gerenciamento dos níveis de umidade, mantendo-os abaixo de 20%, e garantindo uma profundidade adequada da cama para acompanhar a deposição de umidade das aves. “É importante observar a aparência da cama, pois se ela ficar muito fina, há maior chance de níveis mais elevados de amônia. Se não houver opção de tratamento de cama para reduzir a amônia no início do lote, torna-se ainda mais crítico gerenciar”, salienta a bacharel em Ciência Animal.

Controle da proliferação de patógenos na cama

Em relação ao controle da proliferação de patógenos na cama, como Salmonella e Escherichia coli, é importante entender que nunca será possível controlar totalmente esses microrganismos, mas apenas gerenciá-los. “A área do microbioma nos aviários ainda é muito mal compreendida, e há muito a ser aprendido sobre como esses organismos interagem. No entanto, uma estratégia eficaz é gerenciar a umidade da cama, pois a água é um dos principais fatores que esses microrganismos precisam para sobreviver”, expõe Connie, acrescentando: “Mantendo a cama o mais seca possível e pelo maior tempo possível, podemos reduzir as chances de crescimento desses patógenos a níveis que impactariam negativamente nossas aves”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura

Fonte: O Presente Rural
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CBNA – Cong. Tec.

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