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Sistema ILP associa desempenho econômico e menor custo ambiental

A lavoura se mostrou mais lucrativa, porém, com alto custo ambiental. Já a ILP, além de lucrativa, foi mais sustentável

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Gabriel Faria

Pela primeira vez, uma pesquisa relacionou dados econômicos com indicadores ambientais em uma análise comparativa de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), lavoura de soja seguida de milho e pecuária extensiva em localidades do Cerrado e da Amazônia. O trabalho desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e de instituições parceiras mostrou que a sucessão agrícola é mais rentável do que a ILP e a pecuária, porém, com um custo ambiental maior. Com menor impacto ambiental, a ILP é lucrativa, o que torna essa alternativa mais sustentável para a produção de alimentos nos dois biomas.

Baseado em dados coletados em fazendas de Mato Grosso na safra 2017 e 2018, o trabalho reforça a noção de que com o preço elevado de commodities, os monocultivos agrícolas são mais rentáveis. Entretanto, ao considerar aspectos ambientais da produção, como o uso de recursos renováveis, não renováveis e de insumos externos, o sistema integrado se mostra mais interessante, devido ao menor impacto ambiental por unidade produzida.

A comparação do custo ambiental de cada sistema de produção foi feita utilizando uma abordagem metodológica inovadora, baseada no conceito de emergia. Nessa metodologia, todos os insumos, sejam eles renováveis, como luz solar, chuva, vento e fixação biológica de nitrogênio, ou não renováveis, como a perda de solo, e insumos externos usados na produção, como combustíveis, eletricidade, sementes, fertilizantes, pesticidas e maquinário, são transformados em equivalentes de energia solar.

Da mesma forma, a produção final também é convertida nessa mesma unidade de medida, possibilitando então fazer a correlação da eficiência em termos de emergia e a comparação entre diferentes culturas.

Indicadores econômicos e de sustentabilidade

De acordo com a pesquisa, a sucessão agrícola de soja e milho apresentou um lucro líquido de US$ 295 por hectare, contra US$ 235,69 do sistema ILP. Mas no indicador de sustentabilidade de emergia, a ILP obteve 0,67 contra 0,46 da lavoura, em uma escala em que quanto maior o número, mais sustentável é a atividade.

A pecuária extensiva, por sua vez, como utiliza poucos insumos e grandes extensões de terra, obteve um índice superior, com 5,62. Porém a atividade obteve prejuízo financeiro de US$ 0,58 por hectare no período avaliado, e apresentou baixo desempenho na avaliação das emissões de carbono equivalente.

De acordo com os resultados de carbono-emergia, o sistema integrado apresentou sequestro de 2,71 toneladas de CO2eq para cada joule produzido (unidade de medida da energia), enquanto o sistema agrícola emitiu 3,70 t CO2eq e a pecuária extensiva apresentou uma emissão de 7,98 t CO2eq para cada joule produzido.

 Conforme a pesquisa, os indicadores de emergia mostraram que o custo social da sucessão soja/milho é maior do que os benefícios para a sociedade. O lucro da atividade está relacionado ao intenso uso de insumos externos, fator que reduz o nível de sustentabilidade do sistema a longo prazo.

“Para manter altos índices produtivos, são necessários cada vez de mais insumos externos. Isso gera um círculo vicioso, no qual, embora se aumente a produtividade, o custo ambiental fica cada vez mais elevado”, explica o coordenador do estudo, Júlio César dos Reis, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril (MT).

Já no caso da pecuária extensiva, o baixo desempenho produtivo e a elevada emissão de gases de efeito estufa tornam o sistema mais insustentável. De acordo com o pesquisador da Embrapa Acre Judson Valentim, essa é uma atividade de baixa produtividade dos recursos naturais (solo, água e radiação solar), de mão de obra e capital, aspecto que interfere na eficiência.

“No sistema de pecuária de corte tradicional a produtividade obtida é de seis arrobas de carne/hectare/ano. Quando essa mesma área é utilizada em sistemas de integração lavoura-pecuária, o produtor consegue obter uma safra de soja, uma safrinha de milho e ainda produzir boi safrinha. Isso resulta em maior eficiência no uso dos recursos naturais e do capital investido”, ressalta Valentim, ao frisar também o papel ambiental da atividade.

“Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, por unidade de produto, contribui para diminuir a pressão por desmatamentos, ajudando a manter a floresta em pé. Esses ganhos indicam que os sistemas integrados são mais eficientes na conversão de recursos ambientais e econômicos em produtos finais”, conclui.

Apoio a políticas públicas

As avaliações mostraram que os sistemas ILP se mantiveram lucrativos, com grande redução nos impactos ambientais. Dessa forma, os autores do estudo consideram os sistemas integrados como uma alternativa viável para uso em grande escala, possibilitando suprir a demanda pela produção de alimentos, com um menor impacto ambiental.

Para o coordenador da pesquisa, o resultado serve como base para o desenvolvimento de políticas públicas que incentivem a maior adoção de sistemas integrados.

“Para convencer as pessoas na perspectiva ambiental, é preciso valorar esse serviço. Do contrário, o produtor continuará usando a forma que dá mais lucro. É preciso criar outros mecanismos de financiamento e de compensação pelos serviços ambientais”, analisa Reis.

De acordo com os autores do estudo, políticas públicas como o Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC) ajudam, mas ainda estão aquém da meta estipulada em sua criação. A desburocratização, facilitação do crédito, disponibilidade e capacitação de assistência técnica são algumas das ações que contribuiriam para o aumento da adoção dos sistemas mais sustentáveis.

A metodologia 

Para realizar a contabilidade emergética e a avaliação de sustentabilidade das fazendas estudadas, os cientistas usaram uma plataforma metodológica composta por um conjunto de planilhas capaz de considerar informações sobre os fluxos de matéria e energia nos processos produtivos. Esses dados envolveram: as características produtivas e ambientais das propriedades rurais, os aspectos regionais do município e, de uma forma mais abrangente, as características produtivas do sistema agropecuário do País.

As informações das fazendas, processadas no estudo, foram obtidas em trabalhos de campo e de dados pré-existentes. Já as informações utilizadas no escopo amplo (município e País), foram obtidas em levantamentos censitários oficiais e de fontes secundárias.

Os pesquisadores organizaram sistematicamente a linguagem dos fluxos de energia associados aos processos de mudança que ocorrem quando da introdução de novas práticas ou intervenções nos estabelecimentos rurais, como tipo de manejo ou tecnologias agropecuárias inseridas nos sistemas.

 Como os processos produtivos agropecuários e florestais envolvem fluxos financeiros e de estoques de materiais e energia bem específicos, os pesquisadores classificaram os balanços energéticos para determinar o estado de sustentabilidade das fazendas, com dados específicos para cada tipo de insumo, recurso e produto, com seus respectivos ”valores de unidade energética”. Esses dados foram então transportados para figuras que representaram diagramas de sistema e gráficos analíticos, com os quais se realiza a contabilidade energética e que possibilitaram a análise das assinaturas emergéticas e a avaliação detalhada dos índices de sustentabilidade dos sistemas estudados.

Como explicam os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente Geraldo Stachetti, e da Embrapa Gado de Leite Inácio de Barros, pôde-se comparar, por exemplo, o papel da erosão do solo, que impõe grandes déficits energéticos, devido à relevância dos insumos e dos processos naturais que promovem a fertilidade. A expressão desse serviço ambiental é favorecida nos sistemas pecuária e ILP, menos sujeitos à erosão que as lavouras. Já a fixação biológica de nitrogênio se faz mais presente nas lavouras, e favorecem a ILP com efeito residual, mas não as pastagens.

Esses exemplos explicam o porquê do maior custo energético, e do maior contraste entre os sistemas, estar representado pelos fertilizantes e corretivos do solo, empregados em maiores volumes nas lavouras, seguido da ILP e da pecuária. Assim, os custos energéticos (medidos como ”joules solares totais”) se mostraram maiores nas lavouras, 10% menores na ILP e 64% na pecuária. Por outro lado, recursos renováveis ofertados pela natureza conformam 25% da energia nas lavouras, frente a 31% na ILP e até 66% na pecuária.

“Ao se integrarem os índices dos fluxos de energia dos diferentes sistemas, e contrastá-los com os resultados econômicos, demonstram-se claramente as vantagens ambientais do sistema ILP”, analisa Stachetti.

Avaliação econômica

O trabalho de avaliação econômica de sistemas integrados em Mato Grosso já vem sendo realizado por meio de uma parceria entre a Embrapa Agrossilvipastoril, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e a Rede ILPF.

A equipe do projeto acompanha os custos de produção de fazendas que utilizam sistemas ILP ou ILPF. Para as comparações, são usados dados de fazendas de referência, ou fazendas modais, de cada região.

Em trabalhos anteriores, esse grupo já identificou o efeito poupa-terra dos sistemas ILPF e também como a diversificação desses sistemas reduz os riscos financeiros para o produtor.

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril

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Competitividade é pauta de encontro multidisciplinar no Siavs 2024

Segmentos diversos debatem perspectivas e gargalos para a capacidade competitiva do Brasil.

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Foto: Divulgação/Arquivo ABPA

Os desafios competitivos para a manutenção da liderança global da proteína animal brasileira é tema de debate programado durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), maior evento dos setores no Brasil, que acontecerá entre os dias 06 e 08 de agosto no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).

Programado para o último dia do evento (08), o painel “desafios conjunturais para a competitividade sustentável” reunirá representantes do governo, órgãos de pesquisa e empresas do setor para abordar vertentes distintas que impactam diretamente a capacidade competitiva da cadeia agroindustrial, como logística ferro-portuária, oferta e comercialização de grãos e entraves tributários

O secretário Nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, abrirá o painel com desafios e perspectivas sobre os avanços da logística portuária e acesso ferroviário aos portos do Brasil. Em seguida, o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Dirceu Talamini, abordará pontos estratégicos do abastecimento de grãos e a investida setorial nas culturas de inverno como alternativas ao abastecimento.

Presidente da Câmara de Assuntos Legislativos e Tributários da ABPA e membro da Seara Alimentos, Fernando Zupirolli apresentará pautas atuais que representam desafios tributários para a produção e competitividade do Brasil.

Mediado pelo coordenador do grupo de Logística da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), José Perboyre, o painel contará ainda com uma análise das oportunidades de desafios do mercado internacional para a proteína animal do Brasil, que serão apresentadas pelo Consultor Guillermo Henderson. “Reuniremos diversas frentes de atuação competitiva para construir insights sobre os problemas e soluções possíveis para a cadeia de proteína animal que buscamos para o futuro, com mais competitividade e capacidade de superação de obstáculos, focada na manutenção de sua posição como líder global”, destaca Perboyre.

Fonte: Assessoria ABPA
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ABPA e Apex Brasil promovem seminário com foco no apoio à segurança alimentar dominicana

Evento realizado em Santo Domingo contou com ampla participação de autoridades e stakeholders locais.

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Foto: Divulgação/ABPA

Terminou bem sucedida a ação organizada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Embaixada Dominicana no Brasil, com a realização de um seminário sobre integração e promoção de segurança alimentar, realizado na última semana, em Santo Domingo (RD).

O Encontro Agropecuário Dominico Brasileiro – como foi nomeada a ação – contou com ampla cobertura da imprensa local e a presença de autoridades dominicanas – incluindo o Ministro de Agricultura, Limber Cruz Lopez – e brasileiras – como o Secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Julio Ramos.

Mais de 80 importadores e stakeholders locais estiveram presentes, juntamente com representantes brasileiros, com o objetivo reforçar a ampliação de laços entre Brasil e República Dominicana, com foco na segurança alimentar do país caribenho.

Durante o evento organizado pela equipe de marketing e promoção comercial da ABPA – representado pela coordenadora Nayara Dalmolin – o diretor de mercados da ABPA, Luís Rua, reforçou características relevantes da produção brasileira para o fortalecimento desta parceria – por meio das marcas setoriais Brazilian Chicken e Brazilian Pork.

Entre os pontos destacados estiveram o perfil sustentável da produção, os mais elevados critérios sanitários empregados pelo Brasil e ampla oferta de produtos de alta qualidade embarcados pela avicultura e pela suinocultura do Brasil para mais de 150 nações em todo o mundo. “Tivemos uma sólida interação com as lideranças dominicanas e com a sociedade.  Foi um momento ímpar para reforçarmos a nossa principal mensagem:  somos parceiros e queremos auxiliar a segurança alimentar dos dominicanos.  É dentro deste perfil de ação que o Brasil se construiu como grande player global das proteínas, e assim seguiremos com os parceiros caribenhos”, ressalta Rua.

Fonte: Assessoria ABPA
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Tecpar assina acordo com empresa para ampliar produção da vacina antirrábica veterinária

Para o governador Carlos Massa Ratinho Junior, que participou da assinatura, o acordo entre o Tecpar e o laboratório argentino Biogénesis Bagó coloca o instituto em sinergia com parceiros privados no objetivo de fortalecer o polo biotecnológico paranaense.

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Fotos: Gilson Abreu/SGAS

Como forma de aumentar a sua capacidade produtiva e para ampliar a garantia do fornecimento de vacina antirrábica veterinária, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) assinou, nesta quinta-feira (20), um acordo de cooperação tecnológica para transferência de tecnologia com a empresa argentina Biogénesis Bagó Saúde Animal. A assinatura foi realizada junto ao governador Carlos Massa Ratinho Junior, no Palácio Iguaçu.

Governador Carlos Massa Ratinho Junior assina dacordo Ade Cooperação Técnica entre Biogénesis Bagó e Instituto de Tecnologla do Paraná para a Transferência de Tecnologia da produção de vacinas antirrábicas para cães e gatos

O Tecpar é um dos precursores no controle da raiva, por meio da fabricação de vacinas antirrábicas para uso animal e humano, desde 1944. Em 1973, com a criação do Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR), foi implantada a vacinação antirrábica canina e felina em todo País e as campanhas nacionais de vacinação para estes animais, que acontecem uma vez por ano.

O instituto paranaense historicamente atende a demanda do Ministério da Saúde, que distribui gratuitamente a vacina por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco no conceito de Saúde Única. Com base nesta concepção, ao imunizar animais, indiretamente diminui-se a incidência da doença em humanos. Para atender o Ministério da Saúde, o Tecpar já conta com uma parceria de quatro anos com a Biogénesis Bagó, que passa a ser fortalecida a partir de agora.

Para o governador Carlos Massa Ratinho Junior, o acordo entre a empresa e o Tecpar coloca o instituto em sinergia com parceiros privados com o objetivo de fortalecer o polo biotecnológico paranaense. “Essa relação que se fortalece agora moderniza o Tecpar, que está em contato com o setor privado para apoiar o desenvolvimento econômico e atender a sociedade com novos produtos e serviços. O Paraná tem uma forte vocação industrial e a parceria com a Biogénesis Bagó ajuda a fortalecer também o Estado como um polo de biotecnologia, com impacto na geração de emprego e renda no Paraná”, salientou.

A partir desse novo acordo, segundo o diretor-presidente do Tecpar, Celso Kloss, o instituto passa a ampliar a oferta de imunizantes e

também permite a chegada da vacina antirrábica veterinária a novos públicos. “A empresa Biogénesis Bagó Saúde Animal foi selecionada por meio de edital para compor junto ao Tecpar um fortalecimento da capacidade produtiva para fazer frente às campanhas de vacinação. Além disso, o Tecpar se colocou à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde para fornecer a vacina aos países do continente que precisam do imunizante”, pontuou.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Aldo Bona, salientou que a parceria vai potencializar a capacidade produtiva do Tecpar e ajudar a atrair investimentos

 

para o Paraná. “Essa parceria atrai para o Estado novos negócios e reforça o papel do Tecpar como laboratório público estratégico na área da saúde, na sua relação com a política pública de saúde brasileira”, observou.

Marcelo Alejandro Bullman, presidente da Biogénesis Bagó no Brasil e América Latina, destacou que a companhia argentina é líder no segmento de biotecnologia e busca, por meio desse acordo com o instituto, fortalecer a presença da empresa no Paraná.

“Há quatro anos atuamos junto ao Tecpar para oferecer soluções para a raiva, em especial com a vacina antirrábica veterinária, e queremos continuar colaborando no fornecimento da vacina para o Ministério da Saúde. Com esse acordo, estamos mais próximos para melhorar a capacidade produtiva do Tecpar e também para atuar no segmento de biotecnologia no Estado do Paraná”, pontuou.

Presenças

Participaram da cerimônia de assinatura do termo de cooperação os diretores do Tecpar Iram de Rezende, Giovani Brito, Lindolfo Luiz Junior e a procuradora jurídica Adrianne Correia; Fabrício Hoffelder Bortolanza, da empresa argentina; a deputada estadual Flavia Francischini; Guilherme Piratello, chefe de Gabinete da Vice-Governadoria; e, Eduardo D’Alécio, chefe de gabinete, e Jean Torres, coordenador de Desenvolvimento da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços.

Fonte: AEN-PR
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