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Sem subvenção, agricultor abre mão do seguro rural

Programa do governo federal tem menor área segurada desde 2019 e menor índice de contratações e produtores beneficiados desde 2020. Orçamento para 2024 é parecido com 2023, que se mostrou insuficiente, gerando insegurança no campo.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Nesta safra de verão, o produtor rural Wolfgang Graf, de Engenheiro Beltrão, município no Noroeste do Paraná, teve uma surpresa um tanto desagradável: recebeu um boleto de cobrança da apólice de seguro agrícola que havia contratado para 120 hectares de soja. O valor é referente ao subsídio ofertado pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que, desta vez, não contemplou o produtor. Essa é a primeira vez desde o início do PSR em 2006, que Graf não consegue acessar os recursos.

Pela primeira vez desde o início do PSR, o produtor Wolfgang Graf não conseguiu subsídio para o seguro rural – Fotos: Divulgação/Faep

Por causa do financiamento, o produtor não teve escolha senão pagar a diferença. Além do gasto não planejado, Graf também reclama que a apólice encareceu e o nível de cobertura diminuiu em relação aos últimos anos. Nesta safra, a cobertura máxima garantida pela seguradora foi de 33 sacas por hectare. Em 2021/22, a mesma apólice contratada oferecia cobertura de 45 sacas por hectare. “Além de subir o valor, ainda corre o risco de chegar a hora de colher e não ter subvenção. A gente conta com uma coisa e depois não tem. Eu sempre faço a solicitação com antecedência, mas esse ano, infelizmente, não deu certo. É um custo a mais que eu não esperava”, frisou o produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Engenheiro Beltrão, Wolfgang Graf.

Em 2023, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) disponibilizou apenas R$ 933 milhões para o PSR – menos da metade dos R$ 2 bilhões pedidos pelo setor produtivo. Com esse valor, foram segurados 6,25 milhões de hectares, a menor área subvencionada pelo programa desde 2019. Se compararmos com 2021, maior cobertura atingida desde a implementação do PSR, com 13,69 milhões de hectares, a redução é superior a 50%.

Além de insuficiente para atender à demanda, o montante disponibilizado foi menor que o inicialmente divulgado pelo governo federal, de R$ 1,06 bilhão. A situação foi agravada pela rejeição de solicitações de suplementação orçamentária, levando a cancelamentos de contratos e/ou onerando ainda mais os produtores que precisaram arcar com o valor integral das apólices.

Em 2024, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a previsão é que o governo destine R$ 964,5 milhões para o PSR. Diante de um valor similar ao do ano passado e que se mostrou insuficiente – os recursos se esgotaram em setembro –, o cenário se mostra desafiador e preocupante para o setor produtivo. “O produtor do Paraná é quem mais contrata seguro rural no país, resultado do nosso trabalho constante para difundir a cultura do seguro. Com o aumento da demanda, a expectativa era de que houvesse mais recursos disponibilizados para atender os agricultores, não apenas do Paraná. Infelizmente, não é o que vem acontecendo desde o ano passado, mesmo com os nossos pedidos de suplementação de orçamento”, ressaltou o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette.

Restrição de acesso
Desde 2021, quando o PSR atingiu seu auge, cada vez menos produtores estão conseguindo acessar os recursos do programa. No Paraná, a contratação caiu de 82,26 mil para 36,91 mil apólices em três anos. No mesmo período, deixou de contemplar metade dos produtores – caiu de 41,6 mil em 2021 para 21,33 mil beneficiados na temporada atual. O tamanho de área segurada também seguiu a mesma tendência de queda, saindo de 3,84 milhões de hectares para 1,85 milhão de hectares.

“No ano passado, identificamos que cerca de 40% dos agricultores que contrataram seguro no inverno não tiveram subvenção. Foi a primeira vez em muitos anos que faltou subsídio para a safra de inverno. Para o verão, houve ainda menos verba”, elenca Joaquim César Neto, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Considerando os produtores que tiveram seus pedidos negados e acabaram pagando o custo integral da apólice, o mercado estima que o déficit no orçamento do PSR foi de R$ 500 milhões – R$ 150 milhões para as culturas de inverno e R$ 350 milhões para a safra de verão. Para este ano, o mercado espera que a demanda do programa seja de pelo menos R$ 2 bilhões – o dobro do orçamento previsto até agora.

Nos anos anteriores, as normas de destinação dos recursos de subvenção eram repassadas às seguradoras em fevereiro. Até março, data de fechamento desta reportagem, a FenSeg informou que não havia definição do montante e dos valores a serem destinados aos diferentes grupos de culturas. “Não sabemos se haverá recursos para as contratações já realizadas para a safra de inverno de 2024 e as que ainda serão contratadas. A previsão de que o orçamento será ainda menor em relação ao disponibilizado em 2023 é um mau sinal. O que fica claro é que o agricultor tem tido dificuldades de ser atendido pelo PSR”, menciona o presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Joaquim César Neto.

Se considerarmos o mercado de seguro agrícola como um todo, ou seja, somando as apólices privadas e aquelas com recursos do PSR, também é possível observar uma queda na área segurada no país, ainda que em menor proporção. De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), no último ano, a cobertura total foi de 11,37 milhões de hectares, 30% a menos que o recorde de 16,27 milhões de hectares de 2021.

Isso mostra que outros fatores além do PSR influenciaram a menor contratação por parte dos produtores rurais no ano passado, como margens de lucro reduzidas e eventos climáticos aquém do esperado. Os preços das commodities agrícolas vêm enfrentando uma queda acentuada desde 2022, impactando diretamente na receita dentro da porteira. Somado a isso, estão as próprias condições dos produtos das seguradoras, como elevação de taxas e menores níveis de cobertura ofertados devido à quebra da safra 2021/22 e a descapitalização ocasionada pelas sucessivas perdas.

“Não fazer seguro é uma decisão cada vez mais arriscada. Em caso de perdas, o produtor não terá outra saída senão renegociar suas dívidas. Neste cenário, o governo vai acabar pagando a equalização da taxa de juros destas operações pelos próximos cinco anos. Então, a longo prazo, é muito mais vantajoso para o governo investir em recursos para o programa de subvenção”, afirma Luiz Antonio Digiovani, consultor em seguro rural.

Riscos para o produtor

A situação vivida pelo produtor de Engenheiro Beltrão se repetiu em diversas regiões do Paraná. Em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, João Honório Muller também teve o acesso à subvenção negado às vésperas da colheita, depois de já ter feito a contratação da apólice. Assim como o colega Graf, Muller recebeu um boleto com o valor da diferença a ser pago e não teve escolha, também por causa de um financiamento. O produtor era contemplado pelos recursos do PSR há mais de 10 anos. “O clima mudou muito, então preciso do seguro. De 2022 para cá, está chovendo mais. Nisso, o custeio do seguro também subiu bastante. A gente já veio com uma descapitalização das últimas safras, com os insumos caros. Não conseguimos nem repassar no preço do produto direito e agora os subsídios estão sendo tirados. Estou de mãos atadas”, afirma o produtor rural de Piraí do Sul, João Honório Muller.

O produtor João Honório Muller teve o acesso à subvenção negado às vésperas da colheita da soja 

No inverno do ano passado, o produtor enfrentou perdas nas lavouras de cevada e trigo devido ao excesso de chuvas e arcou com prejuízos por conta da falta de cobertura na apólice. “As seguradoras alegaram que não podiam fazer seguro cheio por causa da última safrinha de milho. Fiz só de granizo e geada, o que praticamente não é problema se eu seguir o Zarc [Zoneamento Agrícola de Risco Climático]. Tive perda de 40 hectares de trigo e 35 hectares de cevada com chuva”, conta. O prejuízo foi em torno de R$ 250 mil para cada lavoura, além de outros gastos com colheita e frete.

Embora qualquer lavoura esteja sujeita à interferência dos eventos climáticos, em algumas regiões do Paraná, não contratar seguro rural é um risco ainda maior. Graf, por exemplo, também já precisou recorrer a indenizações diversas vezes devido a perdas de produção. Nesta safra, ele calcula que a quebra da soja seja em torno de 30%. Na safrinha, ele também registrou redução de 10% a 20% na produtividade. “Vou ter dificuldade para pagar as contas. Provavelmente vou ter que renegociar o financiamento. A insegurança está grande”, constata. “Na região de Engenheiro Beltrão podemos considerar que 100% dos produtores tiveram problemas por causa dos veranicos”, aponta Graf, que também é presidente do sindicato rural do município.

Ainda que o seguro rural seja uma ferramenta indispensável aos produtores, principalmente diante do aumento da incidência de eventos climáticos extremos, muitos já demonstram desinteresse em fazer contratações para a safra 2024/25 se não conseguirem acesso à subvenção. Especialistas entendem que, apesar da demanda crescente, à medida em que não há recursos, o agricultor pode deixar de contratar.

Carlos Luhm é um dos produtores que não pretendem contratar seguro enquanto não tiverem acesso ao subsídio

Caso do produtor Carlos Eduardo dos Santos Luhm, de Guarapuava, nos Campos Gerais, que também enfrentou dificuldades no último ano. Na safra de inverno, ele conseguiu subsídio para os 100 hectares de trigo e 100 hectares de milho. No verão, não teve a mesma sorte. Dos 450 hectares de soja, foi liberada subvenção para apenas 200 hectares. “Esse ano, eu vou repensar. Se não tiver cobertura, nem me interessa. Sem subsídio, o custo eleva demais”, salienta o produtor rural em Guarapuava, Carlos Eduardo dos Santos Luhm.

Melhores condições
Diante dos prejuízos por conta das quebras de safra, as indenizações pagas pelo seguro rural garantem a estabilidade financeira e a continuidade das atividades agrícolas frente a adversidades climáticas e outros riscos. No entanto, a alta sinistralidade da safra 2021/22 impulsionou os prêmios do seguro rural. Foram indenizados mais de R$ 7 bilhões em 2021 e, no ano seguinte, pela primeira vez na história, as indenizações superaram os R$ 10 bilhões, conforme dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

No Paraná, um dos Estados mais afetados pela quebra, a sinistralidade disparou, registrando aumento de mais de 500% em 2021, com indenizações na ordem dos R$ 2,6 bilhões. Em 2022, os pagamentos foram ainda maiores, de R$ 3,2 bilhões.

“Com as indenizações, os produtores permanecem capitalizados para pagar seus financiamentos e continuar na atividade, garantindo a produção agrícola nas próximas safras”, aponta Digiovani.

Agora, com a sinistralidade caindo significativamente em 2023 – mais de 76% na média nacional e quase 90% no Paraná –, a tendência é que o valor das apólices diminua. Além disso, muitas resseguradoras devem voltar a atuar no mercado. “As seguradoras ainda estão quantificando as perdas desta safra, mas foram estáveis. Eu acredito que a tendência seja de diminuição dos preços das apólices. Algumas seguradoras já estão ajustando suas condições, não somente de preço, mas principalmente de cobertura”, avalia Daniel Nascimento, vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg.

A estimativa da CNseg é que o setor cresça 23% em 2024, com aposta em outros produtos, como o seguro pecuário, no retorno das seguradoras ao mercado e em melhores condições ofertadas para os produtores rurais. “As restrições impostas com as perdas de 2021/22 frearam o mercado. Em 2022/23, tivemos uma boa safra. Com a queda da sinistralidade, é natural que as seguradoras revejam suas condições”, observa o vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Daniel Nascimento.

O que diz o Mapa
Procurado pela reportagem do Boletim Informativo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que está atento à ocorrência de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos e que impactam diretamente a produção agrícola. O órgão reconhece que houve aumento expressivo do custo das apólices, em decorrência da elevada sinistralidade registrada em 2021 e 2022 e causada por eventos climáticos severos, principalmente na região Sul. No entanto, ressalta que “o PSR manteve, em 2023 e 2024, o orçamento no mesmo patamar dos anos anteriores, o que demonstra que este programa continua sendo uma política prioritária para o governo federal”.

Além disso, o Mapa confirmou que vai modernizar o seguro rural com base no modelo mexicano, a fim de ampliar o número de produtores atendidos pelo programa a custos mais baixos. A previsão é que a iniciativa seja apresentada no próximo Plano Safra. “A partir desta nova alternativa mais moderna e seus benefícios, o Ministério da Agricultura torna-se mais autônomo e menos dependente da disponibilidade de orçamento para o PSR. Ou seja: o seguro será ampliado e atenderá um maior número de produtores, com preços mais acessíveis “, disse a pasta, em nota.

Mobilização política busca mais recursos para o seguro rural
Os desafios do seguro rural têm sido pauta de diversos debates na esfera pública. Por um lado, o Mapa reforça o discurso de que o PSR continua sendo uma política prioritária para o governo federal e que uma nova modalidade de seguro rural deve ser apresentada em breve, para melhorar as condições de acesso e atender mais produtores.

Do outro lado, o setor produtivo continua cobrando mais recursos e a garantia de que o montante anunciado no Plano Safra esteja disponível ao longo de todo o ciclo, sem interrupção.

Em dezembro de 2023, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aprovou emenda, apresentada pelo deputado federal Sergio Souza, para que os recursos destinados ao PSR fossem blindados de cortes ou contingenciamentos em 2024. No início deste ano, o trecho foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, a FPA está trabalhando para derrubar o veto.

Em 2024, com as consequências da seca nas lavouras de soja, vemos um cenário de quebra de safra iminente e a necessidade de seguro urgente para os produtores.

Pedro Lupion, deputado federal e presidente da FPA
O parlamentar também faz críticas às tentativas do governo, via Conselho Monetário Nacional (CMN), de alocação dos recursos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) para o PSR. “Não são mais recursos para os produtores, é apenas uma transferência de valores, que mascara, mas não vai resolver o problema. O ideal é que o governo, além da existência do Proagro, garanta os recursos necessários ao PSR”, conclui.

O deputado federal Tião Medeiros também demonstra preocupação com o atual cenário. Na sua avaliação, o governo federal vem demonstrando, desde o ano passado, que o seguro rural não é prioridade. “A redução de verba tem impacto direto na nossa economia. A segurança do produtor é a garantia de faturamento e de cumprimento dos seus financiamentos e, consequentemente, dinheiro circulando. Quando não acontece, cria-se uma instabilidade na economia, que depende do agronegócio”, afirma.

Mudanças climáticas reforçam necessidade de seguro rural
O Brasil nunca foi tão afetado por eventos climáticos como nos últimos anos. Em 2023, a Defesa Civil Nacional recebeu mais de 6,4 mil notificações de ocorrências com danos e prejuízos. Esse é um retrato do que os especialistas vêm afirmando sobre as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. Além disso, fenômenos como La Niña e El Niño também contribuem para ocorrência de eventos extremos em diferentes partes do Brasil.

Em decorrência disso, boa parte das lavouras de verão do Paraná tem apresentado produtividade abaixo do esperado durante a colheita da safra 2023/24. No início do atual ciclo, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) estimava colheita de 25,5 milhões de toneladas de grãos. A expectativa atual é de 21,1 milhões de toneladas, 17% a menos.

A quebra na soja é de 16,4%, segundo relatório do Deral. A produção está estimada em 18,2 milhões de toneladas, ante projeção inicial de 21,8 milhões. Para o milho, a expectativa atualizada é de 2,6 milhões de toneladas, 12,6% a menos do que as 2,9 milhões de toneladas iniciais.

Na avaliação de Ana Paula Kowalski, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR, em meio às incertezas do clima e quebras sucessivas de safra, a insuficiência de recursos para o PSR traz ainda mais insegurança para o produtor rural paranaense. “Depois da quebra de 2021/22, as seguradoras passaram a ofertar menos produtos, mais caros e restritivos. Nas safras 2022/23 e 2023/24, tivemos uma melhoria desse cenário, com maior oferta de seguro com melhores taxas e coberturas, em contrapartida, o recurso liberado para a subvenção foi menor”, explica. “O produtor que já está descapitalizado, diante dos preços das commodities em queda, fica com o seguro mais caro e acaba não contratando ou cancelando sua apólice quando recebe a informação que não foi subvencionada”, complementa a técnica do Sistema Faep/Senar-PR, Ana Paula Kowalski.

A perspectiva climática para os primeiros seis meses de 2024 é que o El Niño continue exercendo influência, podendo causar alterações no regime de chuvas. Para o segundo semestre, os modelos meteorológicos se dividem sobre a possibilidade da volta do La Niña ou neutralidade climática. Em caso de La Niña, o inverno e parte da primavera podem ser marcados por dias mais frios e secos no Sul do país. No entanto, de acordo com a meteorologista Angela Beatriz Costa, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), ainda é cedo para cravar uma projeção. “Com La Niña, a tendência é um inverno com temperaturas mais baixas e ondas de frio com maior frequência, diferente do que ocorreu em 2023. As chuvas também devem diminuir na região Sul. O produtor pode esperar geadas, principalmente no Sul do Paraná. Mas ainda precisamos acompanhar a condição climática que vai predominar”, observa. “As mudanças climáticas realmente estão acontecendo. Por isso, o produtor rural deve fazer um acompanhamento ainda mais frequente, buscar informações qualificadas e não deixar de contratar seguro”, conclui Angela.

Faep pede R$ 2,5 bilhões para safra 2024/25

Em março deste ano, a FAEP e os sindicatos rurais, em conjunto com a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), encaminharam ao governo federal as propostas do setor agropecuário paranaense para o Plano Safra 2024/25, que deve ser apresentado em junho deste ano.

No âmbito do seguro rural, o pedido é de R$ 2,5 bilhões para o PSR, com um cronograma de liberação de acordo com calendário agrícola. Outra demanda é a alocação da verba para o caixa das operações oficiais de crédito, a chamada 2OC, para que sua aplicação seja obrigatória e não haja contingenciamentos. Essa medida já estava entre os pleitos da Faep o Plano Safra 2023/24.  “O seguro rural precisa de melhorias contínuas, com garantia de orçamento para subvenção por meio do PSR. Dessa forma, naturalmente, a abrangência de produtores rurais atendidos, a área, os tipos de cultura e a qualidade dos produtos de seguro evoluirão”, destaca Ágide Meneguette, presidente do Sistema Faep/Senar-PR.

As propostas também pedem mais condições para estimular a oferta de produtos que não constam ou têm pouco apelo comercial dentro do portfólio das seguradoras, criação de linha de crédito com juros equalizados para contratação do seguro rural, regulamentação da lei que instituiu o Fundo de Catástrofe, e incentivo aos Estados e municípios para criação de programas de subvenção.

Fonte: Assessoria Sistema Faep/Senar-PR,

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Atual situação política do Brasil abre espaço para o protagonismo da sociedade organizada

Ao analisar a atual conjuntura política nacional e a ação do Congresso Nacional, o consultor João Henrique Hummel ressaltou o empoderamento da sociedade por meio da ação parlamentar.

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Fotos: Divulgação/ABRASS

A abertura do Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja (ENSSOJA 2024) reuniu representantes do setor, pesquisadores, produtores, empresários, consultores e deputados federais que integram a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O evento começou na quinta (23) e termina nesta sexta-feira (24), no Bourbon Cataratas do Iguaçu Thermas Eco Resort, em Foz do Iguaçu (PR).

Consultor político e sócio da Action Consultoria, João Henrique Hummel

O Consultor político e sócio da Action Consultoria, João Henrique Hummel, falou sobre a evolução e o fortalecimento do Legislativo e da democracia brasileira e destacou a importância da ação das instituições representativas como a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS), por exemplo, no sentindo de apresentar e cobrar dos parlamentares a implantação de políticas públicas relevantes para o setor. “Isso representa a participação efetiva da sociedade nesse processo democrático no qual vivemos atualmente”, destacou Hummel, que falou também da necessidade do fortalecimento da cultura participativa da cidadania nesse cenário político no qual a última palavra é do Congresso Nacional.

Frente Parlamentar

Deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (PP-PR): “Nós já conseguimos um avanço importante reunindo mais de 330 votos em favor do direito da propriedade e isso é o que justifica o nosso trabalho e a nossa bancada”

A participação ativa das instituições também foi enaltecida pelo deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (PP-PR), que destacou a defesa dos interesses da agropecuária, seja em questões ambientais ou tributárias, e o trabalho para garantir o direito de propriedade no Brasil. “Nós já conseguimos um avanço importante reunindo mais de 330 votos em favor do direito da propriedade e isso é o que justifica o nosso trabalho e a nossa bancada, que funcionam porque têm o fomento e a articulação de todos aqui presentes. É a integração pelo desenvolvimento da agropecuária brasileira”, afirmou.

Mercado e desafios

Presidente da ABRASS, Gladir Tomazelli: “Apesar da busca constante por novas tecnologias, inovação e aumento da produtividade, ainda enfrentamos grandes desafios como, por exemplo, atingir os espaços onde atualmente ainda prevalecem as sementes salvas e as piratas”

O presidente da ABRASS, Gladir Tomazelli, lembrou que a Associação reúne hoje os principais multiplicadores do país, responsáveis por mais de 50% da demanda nacional de sementes. “Apesar da busca constante por novas tecnologias, inovação e aumento da produtividade, ainda enfrentamos grandes desafios como, por exemplo, atingir os espaços onde atualmente ainda prevalecem as sementes salvas e as piratas que representam entre 20% e 25% das sacas no país. Nesse contexto, o principal papel da Associação é a representatividade política, buscando uma legislação e uma tributação que auxiliem no desenvolvimento do setor”, disse.

Tomazelli também ressaltou que “tudo começa pela semente e uma semente certificada e de qualidade determina uma lavoura de potencial produtivo que, aliado a outros fatores como solo e clima, beneficia toda a cadeia”.

Durante a abertura do ENSSOJA 2024, Tomazelli também reforçou, em nome da ABRASS, a campanha de arrecadação para auxiliar o Rio Grande do Sul.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRASS
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Cadeia de sementes de soja movimentou R$ 33,6 bilhões na safra 2022/23

Panorama do setor está sendo debatido no Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja.

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Foto: Divulgação/ABRASS

Com um mercado em constante crescimento, a cadeia de sementes de soja movimentou cerca de R$ 33,6 bilhões no ciclo 2022/23 no Brasil. Neste montante estão contabilizados os royalties de biotecnologia e o tratamento da semente industrial que cada vez mais vem ganhando espaço no setor.

Os números foram apresentados nesta quinta-feira, 23, pelo engenheiro agrônomo e CEO da Blink Inteligência Aplicada, Lars Schobinger, no painel Panorama do Mercado de Sementes de Soja – Relevância e Desafios que abriu o Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja (ENSSOJA). O evento segue até essa sexta-feira, 24, no Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu (PR).

Engenheiro agrônomo e CEO da Blink Inteligência Aplicada, Lars Schobinger, no painel Panorama do Mercado de Sementes de Soja – Relevância e Desafios

Conforme Lars, o mercado de sementes das principais culturas do Brasil vem evoluindo de modo consistente nos últimos anos. A movimentação que em 2015/16 era de R$ 14,8 bilhões chegou a um volume de faturamento de R$ 44,4 bilhões na safra 2022/23. Neste total, o mercado de soja representa R$ 24,5 bilhões.

A soja, ainda segundo Lars, vem todos os anos representando mais da metade do mercado de sementes do Brasil que também produz milho, algodão, trigo e arroz. Esse crescimento constante começou a acelerar a partir de 2020/21 no período da pandemia.

O avanço médio anual de área plantada de sementes de soja no Brasil foi de 3.9%, saindo de 32,4 milhões de hectares na safra 2015/16 para 42,5 milhões de hectares na safra 2022/23, um aumento de mais de 30%.

Já o volume de sementes passou de 43 milhões de sacas para 55 milhões, mostrando um crescimento médio anual de 3.4%. Nesse mesmo período, o preço do quilo da semente que era R$ 2.9 avançou até R$ 7,40 por quilo representando um aumento da qualidade da semente ofertada ao produtor.

Esse panorama ajudou a trazer um crescimento de 17% ao ano em valor de mercado, saindo R$ 8,1 bilhões e avançando até R$ 24,4 bilhões na última safra. “São números expressivos, consistentes que refletem a força do setor e a importância da atividade dentro do agro nacional”.

Quando se trata da produção regional, o estado Mato Grosso continua sendo o principal estado brasileiro, mostrando um aumento de 2,5 bilhões de sacos por consumo ao longo de 2 anos. Na safra 2022/23, o estado consumiu mais de 16 milhões de sacos, representando quase 30% do mercado nacional.

Os estados do Rio Grande do Sul e o Paraná, juntos chegam ao patamar de 30% do mercado, seguidos por Goiás com 5,2 milhões, 10% do mercado, e Mato Grosso do Sul com 4,5 milhões de sacos e Minas Gerais 2,5 milhões. Os 6 estados ultrapassam 80% do mercado brasileiro.

A produção de sementes gera mais de 10 mil empregos no Brasil e são 369 produtores de sementes de soja certificadas.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRASS
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Incertezas do mercado do trigo nacional e internacional refletirão diretamente nos preços praticados ao consumidor final

Webinar promovido pelo Sindustrigo destacou a volatilidade do cenário atual do trigo e destacou a importância da atenção redobrada dos moinhos para evitar prejuízos futuros.

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Foto: Gilson Abreu

Em meio a um cenário atual de incertezas e baixas expectativas para a próxima safra, o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) promoveu, na quinta-feira (23), um webinar para debater o panorama do cereal, que tem operado em alta no mercado, gerando o aumento nos custos dos moinhos, que refletirá em um ajuste significativo dos preços da farinha e seus derivados já nos próximos meses.

Como analisou o consultor em Gerenciamento de Riscos de Trigo na StoneX Brasil, Jonathan Pinheiro, o cenário global do trigo enfrenta um dos seus momentos mais emblemáticos que, mesmo com um crescimento de safra de 10 milhões de toneladas anteriormente, os estoques são menores, fazendo com que se vivencie um aperto de oferta na transição de temporadas – com recuos consideráveis nas últimas cinco.  Ao que se refere unicamente a 2024, o setor contabiliza o menor estoque de passagem nos últimos 15 anos, quando comparado ao consumo mundial do cereal. “Mesmo que a produção global apresente um crescimento gradual, o consumo tem mais que compensado esse movimento, ou seja: há uma demanda muito maior do que a capacidade de crescimento da produção atual”, explicou Pinheiro.

Fotos: Arquivo/OP Rural

Neste cenário, a América do Norte como um todo apresenta um bom desempenho produtivo nas regiões dos Estados Unidos e do Canadá. Já a Europa enfrenta problemas climáticos que podem ocasionar novos ajustes no montante global, com a Rússia e a Ucrânia resultando em produções menores em decorrência da temporada de chuvas.  “Ao que diz respeito à Rússia e à Ucrânia, o restante do mundo já olha para as produções menores desses dois países com preocupação, pois há uma dependência de oferta e de preços mais competitivos, que sobem continuamente, fazendo com que todos as outras regiões produtoras tenham que fazer o mesmo”, frisa o profissional.

Já no hemisfério Sul, até o momento, o resultando tende a ser mais positivo que negativo. A Austrália apresenta uma boa safra e a Argentina, apesar de não contar com um crescimento de área, se destaca pelos bons índices de produtividade e um potencial de safra maior, o que beneficiará o consumo interno brasileiro.

Brasil: um cenário incerto

Como também explicou o consultor, espera-se um cenário desafiador para a produção de trigo em território brasileiro, uma vez que, com a pressão do cenário externo, potencializada pela Europa, o país também enfrentará a baixa rentabilidade da última safra, os preços pressionados no momento de decisão, as dificuldades no acesso a oferta de sementes e maior competição com outras culturas de inverno.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, há um cenário muito incerto, fator que pode pressionar ainda mais o mercado, que já se encontra em um momento de atenção. Com um clima considerado arriscado e produtores descapitalizados, o recolhimento da safra de trigo na região apresenta uma tendência de ser mais prejudicado, ao contrário do Paraná, que deve aproveitar a recuperação internacional e se favorecer da situação enfrentada pelo Estado parceiro, se destacando na produção. “Estamos enfrentando um momento muito delicado para a indústria moageira nacional, que tem assistido um aumento quase que diário de sua principal matéria-prima, evidenciando assim a discrepância entre o preço de compra da commodity, o trigo, e o produto final, a farinha de trigo, que não tem acompanhado o mesmo movimento de subida nos preços”, destacou o diretor de Suprimentos da Correcta e Moinho Cruzeiro do Sul, Maurício Ghiraldelli, que moderou o webinar.

A necessidade por importação pelos moinhos brasileiros nesse cenário é cada vez maior. “O mercado doméstico já não tem uma oferta tão abundante e basicamente o que temos lá fora para comprar está um pouco mais caro, ou seja, o aumento nos custos dos moinhos é real e vai resultar no repasse aos consumidores, com o aumento de preços dos derivados de farinha aos consumidores”, frisou o consultor.

Para o presidente do Sindustrigo, João Carlos Veríssimo, “neste momento de transição entressafras, temos que tomar decisões sobre precificação de produto hoje e expectativa de reposição de produtos para o futuro. Tudo o que enfrentamos hoje e enfrentaremos nos próximos meses não representa uma situação simples para o mercado e as perspectivas são complexas”.

“É preciso cautela, pois o resultado de uma política comercial desajustada ou menos conectada com os custos de reposição pode acarretar prejuízos bastante significativos para o setor”, destacou ele.

O webinar completo está disponível no canal do Sindustrigo no Youtube e a apresentação com os dados da Stonex está disponível aqui.

Fonte: Assessoria Sindustrigo
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