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Seleção genômica identifica touros mais resistentes a carrapato

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Pesquisadores no Rio Grande do Sul analisaram mais de três mil animais das raças Hereford e Bradford com o objetivo de identificar os indivíduos com características genéticas que os tornam menos suscetíveis ao carrapato. 
Realizada pela Embrapa em parceria com a associação de produtores Conexão Delta G e a empresa GenSys, e com o apoio da Associação Brasileira de Hereford e Braford, o trabalho utilizou ferramentas modernas como a seleção genômica, que utiliza informações de milhares de marcadores moleculares para identificar animais mais resistentes ao ectoparasita. 
A pesquisa possibilita também, através dos marcadores, prever a transmissão de genes associados ao mecanismo de resistência que, a partir de uma equação, pode ser aplicada na seleção de animais das mesmas raças.
 
Liderado pelo pesquisador da Embrapa Pecuária Sul (RS) Fernando Flores Cardoso, o trabalho resultou na elaboração e publicação de um sumário com indicação dos touros analisados mais resistentes ao carrapato, documento que pode ser considerado como o primeiro do mundo nessa área. 
Segundo Cardoso, para a realização do trabalho, os touros passaram por genotipagem de marcadores moleculares do tipo Simple Nucleotide Polymorphism (SNP), por meio de painéis de alta densidade. 
Os SNPs podem estar associados a um polimorfismo do gene relacionado a características de difícil mensuração. Paralelamente à genotipagem, foram realizadas até três contagens de carrapatos nos animais. 
Os dados, juntamente com informações de pedigree, resultaram na atribuição de valores genômicos, em forma de DEPG (Diferença Esperada na Progênie aprimorada pela Genômica) para resistência ao carrapato. Esse indicador prediz com maior precisão a habilidade de transmissão genética de cada animal, conforme a característica buscada.
 
Além da publicação do sumário, a pesquisa gerou outro resultado importante: a elaboração de uma equação que pode ser aplicada em outros animais das mesmas raças que foram inicialmente avaliadas. 
A equação de predição de valores genéticos é uma ferramenta que possibilita a identificação de animais geneticamente mais resistentes sem a necessidade de coletar informações sobre contagem de carrapato, ou seja, o fenótipo, ajudando os produtores a selecionar touros reprodutores que tenham mais resistência ao parasita, possibilitando a formação de linhagens menos suscetíveis ao carrapato. "Essa equação em breve estará disponível para os produtores. 
A Embrapa está estudando modelos de negócio para disponibilizar no mercado, e será mais uma ferramenta que o pecuarista terá para melhorar seu rebanho", ressalta Fernando Cardoso.
 
Depois de encerrado esse primeiro trabalho, pesquisadores da área de melhoramento animal e sanidade iniciaram um novo projeto, o Sanigene. A pesquisa, além de dar continuidade à seleção para diminuir a suscetibilidade dos animais ao carrapato, está aplicando a seleção genômica para avaliar animais resistentes a outros problemas de sanidade que afetam os bovinos. 
O projeto busca, por exemplo, mecanismos de resistência e desenvolve testes genômicos para selecionar bovinos de raças taurinas puras e cruzadas com zebuínos mais resistentes à tristeza parasitária bovina (TPB), cujos agentes transmissores são passados aos animais pelo carrapato, à ceratoconjuntivite e ao carcinoma ocular.
 
"São doenças que causam muitas perdas econômicas para os produtores, especialmente quem cria raças taurinas. Mantendo linhagens mais resistentes a esses problemas, é possível aumentar a rentabilidade da pecuária e diminuir a presença de resíduos químicos na carne com a diminuição no uso de medicamentos", explica Cardoso. Além das raças Hereford e Braford, o projeto também está avaliando animais angus e brangus e conta com a parceria das associações de criadores dessas raças. 
 
Vantagens da seleção genômica 
A utilização da genômica para o melhoramento animal é voltada principalmente para características econômicas de baixa herdabilidade. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Bruna Sollero, as ferramentas tradicionais são eficazes para melhorar aspectos mais facilmente transmitidos pelos pais para seus descendentes. 
"Características como maior ganho de peso, precocidade e crescimento, entre outras, podem ser buscadas com informações disponíveis, como parentesco e avaliações de fenótipos, o que é observado no reprodutor", diz.
 Por outro lado, a biologia molecular permite atingir ganhos relacionados a questões que não são facilmente identificadas e, por isso, apesar de alta importância produtiva e econômica, não tem sido melhorada através dos processos tradicionais de melhoramento.
 
Segundo Fernando Cardoso, as possibilidades de utilização de marcadores moleculares para o melhoramento são muito grandes, principalmente por ser uma tecnologia relativamente nova. 
O uso da genômica foi intensificado depois da publicação do sequenciamento genético de bovinos, em 2009. Com isso, a disponibilidade de painéis de SNP aumentou e o preço para a aquisição caiu. 
Houve também um incremento no número de informações nos painéis, sendo que atualmente existem painéis com mais de um milhão de polimorfismos de base única, que são diferenças encontradas no genoma entre animais e que podem estar relacionadas a determinadas características. 
 
A exemplo da área de sanidade, Cardoso aponta que um dos pontos que estão sendo destacados com a seleção genômica é desenvolver linhagens de animais mais produtivos. Ou seja, aumentar a eficiência alimentar dos animais, que vão precisar de menos comida e menos tempo no ciclo de produção.
 "Um dos efeitos desse tipo de trabalho é diminuir a emissão de metano pelo uso de animais mais eficientes, dando maior sustentabilidade para a pecuária nacional", lembra o pesquisador. Cardoso acredita que, além de melhorar a renda do produtor, diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa vai ajudar a melhorar a imagem da atividade, principalmente no exterior.
 
Outras vantagens na utilização da genômica são a maior rapidez no processo de melhoramento genético e também mais precisão na escolha de reprodutores que vão transmitir a genética desejada. 
As ferramentas tradicionais de seleção geralmente precisam de duas ou três gerações de animais para surtirem efeito, enquanto  essas novas tecnologias podem apresentar resultados bem mais rápidos, encurtando o intervalo entre gerações e tendo maiores avanços em cada uma delas.
 
Perdas com o carrapato 
Estudo coordenado pelo professor da UFRRJ Laerte Grisi, com participação da Embrapa Gado de Corte (MS), apontou que o carrapato causa um prejuízo estimado em 3,24 bilhões de dólares para a pecuária brasileira por ano. 
Uma das causas dessas perdas é a tristeza parasitária bovina (TPB) que é causada por hemoparasitas transmitidos pelo carrapato. Além disso, o parasita causa perda de peso nos animais, baixa conversão alimentar, redução na produção de leite, perdas na qualidade do couro, toxicoses, lesões de pele que favorecem a ocorrência de miíases e anemia.
 
No Sul, a incidência da TPB é maior que em outras regiões do País, principalmente em decorrência do clima. Isso ocorre porque em temperaturas muito baixas, como as do Sul, a população de carrapatos diminui consideravelmente nos campos. Isso faz com que se dê uma oportunidade para uma imunização natural dos bovinos. 
"Sem contato com o carrapato, os bovinos não desenvolvem mecanismos de imunidade contra os agentes que causam a doença. Com isso, aumentam os surtos de TPB nos períodos mais quentes levando à morte vários animais", explica a pesquisadora da Embrapa Claudia Gulias Gomes. 
 
Outro problema apontado pela cientista é o aumento da resistência dos carrapatos aos antiparasitários disponíveis no mercado. Há mais de uma década não é lançado um princípio ativo para o combate aos carrapatos. 
Por seleção natural, sobrevivem os parasitas que não são afetados pelos medicamentos, criando linhagens resistentes aos produtos disponíveis. "Relatos sobre a resistência têm crescido nos últimos anos e a tendência é que aumente a população de carrapatos não afetados pelos medicamentos existentes", complementa Claudia.

Fonte: Embrapa

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Bovinos / Grãos / Máquinas

Preços da arroba e da carne bovina seguem pressionados

Segundo pesquisadores do Cepea, alguns frigoríficos com escalas mais alongadas estiveram até mesmo fora das compras no início desta semana.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A demanda pós-carnaval não reagiu, e as cotações tanto dos animais quanto da carne seguem pressionadas.

Segundo pesquisadores do Cepea, alguns frigoríficos com escalas mais alongadas estiveram até mesmo fora das compras no início desta semana.

Nesse cenário, os preços maiores foram deixando de ser praticados, e as médias regionais foram sendo reajustadas negativamente.

No front externo, as exportações de carne bovina in natura registraram ritmo forte nos primeiros 10 dias úteis de fevereiro.

De acordo com dados da Secex, os embarques diários registram média de 10,49 mil toneladas, totalizando 104,91 mil toneladas já embarcadas em fevereiro.

No mesmo mês do ano passado, o volume diário foi de 7,02 mil toneladas, somando 126,39 mil toneladas no período.

Se mantido esse ritmo até o final do mês, as exportações podem se aproximar das 200 mil toneladas em fevereiro.

Fonte: Assessoria Cepea
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Exportações de 873 mil doses foram destaque do mercado de sêmen em 2023, aponta ASBIA

A venda total no mercado interno (corte e leite) foi de 22,496 milhões de doses

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Aron Sardela Ferro, Giovanni Penazzi, Cristiano Botelho, Ricardo Abreu, Ana Karla, Luis Adriano Teixeira, Eduardo Cavalin, Sérgio Saud e Thiago Carvalho.Foto e texto: Assessoria

Mais de 14 milhões de fêmeas de corte e 5 milhões de fêmeas leiteiras (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) do rebanho bovino nacional foram inseminadas com genética melhoradora em 2023, aponta o Índex ASBIA, relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) sobre o desempenho do setor no ano passado.

O balanço de 2023 também destaca a consolidação do investimento em genética bovina no rebanho nacional, além das exportações crescentes de sêmen para corte e leite. Enquanto as exportações de corte atingiram 462.837 doses, a genética leiteira embarcou 410.837 doses do material genético para outros países. Ambos foram responsáveis pela venda externa de 873 mil doses, volume 70% maior do que o praticado antes de 2020.

“Esse crescimento sólido é ainda mais evidente se compararmos ano após ano. Em 2018, a exportação de doses de sêmen para leite não chegava a 200 mil; em 2019/20 não passaram de 235 mil. O mesmo para o corte, que de 2018 a 2020 exportou menos de 283 mil doses por ano. A partir de 2021, ambos os segmentos reagiram com comercialização externa superior a 400 mil doses por ano. Essa consolidação reforça o aumento do interesse internacional pela qualidade da nossa genética bovina”, explica Cristiano Botelho, executivo da ASBIA.

A venda total no mercado interno (corte e leite) foi de 22,496 milhões de doses – redução de 3% ante 23,141 milhões de doses de 2022.

Em vendas para cliente final – quando as empresas de genética comercializam o material diretamente para os pecuaristas –, mais de 17 milhões de doses para corte foram negociadas. Já as doses de sêmen com aptidão para leite obtiveram um aumento de 6% comparado a 2022 – totalizando 5,4 milhões.

A prestação de serviço de empresas para coletar e industrializar o sêmen de animais de fazendas gerou pouco mais de 1,7 milhão de doses de animais de leite e de corte.

“Em quatro anos, o mercado de sêmen no Brasil cresceu 6 milhões em volume vendido internamente. Isso evidencia a profissionalização do pecuarista e o compromisso de agregar genética melhoradora na produção de carne e de leite. De acordo com os dados levantados pelo Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), cerca de 23% das fêmeas de corte no Brasil foram inseminadas. Na pecuária leiteira, esse percentual é de 12%. Ou seja, temos grande potencial para otimizar ainda mais a produtividade e levar o Brasil ao patamar mais alto de fornecedor de alimentos para o mundo”, finaliza Botelho.

O executivo da ASBIA pontua que com “a divulgação do Index de forma gratuita no site (www.asbia.org.br) a entidade democratiza o acesso à informação e compartilha conhecimento para que cada vez mais pecuaristas invistam em genética para melhoria da produtividade e rentabilidade, fortalecendo de forma consistente a pecuária e proporcionando segurança alimentar para cada vez mais pessoas”.

O Index ASBIA está acessível de forma gratuita no site da Asbia: https://asbia.org.br/index-asbia/

Fonte: Assessoria
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Omã abre mercado para bovinos vivos do Brasil

Os animais poderão ser comercializados ao país do Oriente Médio para abate e engorda.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Brasil conquistou o mercado de Omã para exportação de bovinos vivos para abate e engorda. A aprovação sanitária foi oficializada na quinta-feira (22), durante a missão do Ministério da Agricultura e Pecuária ao país do Oriente Médio. Essa conquista veio após uma reunião entre o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Roberto Perosa, e o subsecretário do Ministério da Agricultura de Omã.

Aprovação sanitária foi oficializada na quinta-feira (22), durante a missão do Ministério da Agricultura e Pecuária ao país do Oriente Médio – Foto: Divulgação/Mapa

Somente em 2023, o Brasil exportou ao mundo US$ 488 milhões em bovinos vivos, num total de 23 países. No ano passado, o agro brasileiro exportou cerca de US$ 330 milhões para Omã, um aumento de 70% em comparação com 2022.

As carnes foram o produto de maior destaque, representando 55% do total exportado, com a carne de frango correspondendo a 97% desse segmento. “Este novo mercado soma-se aos outros 14 abertos neste ano, totalizando 93 desde o início do ano passado, durante o terceiro mandato do presidente Lula. A pedido do ministro Carlos Fávaro seguimos com nossa missão no Oriente Médio visitando alguns países com o objetivo de ampliar o comércio agrícola brasileiro, abrir novos mercados, obter aprovações para plantas pelo sistema de pré-listagem (eliminando a necessidade de auditorias locais) e negociar a importação de fertilizantes nitrogenados”, destacou o secretário Roberto Perosa.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores.

Cooperação mútua

Ainda em Mascate, capital da Omã, com representantes dos Ministérios da Agricultura de ambos os países, os dois lados enfatizaram o interesse em ampliar a cooperação governamental e as parcerias comerciais. Foram identificadas sinergias entre o plano “Visão 2040” de Omã, que inclui a segurança alimentar, e o programa brasileiro de conversão de pastagens degradadas em áreas agricultáveis. Também foram discutidas possibilidades de parcerias nos setores de fertilizantes, açúcar, grãos para alimentação animal, animais vivos, carne de frango e pescados.

Outra importante reunião ocorreu com a subsecretária de Promoção de Investimentos do Ministério do Comércio, Indústria e Investimentos de Omã, Ibtisam Ahmed Said Al Farooji. Ela apresentou o programa omanita que visa ampliar os investimentos em Omã e no exterior, focando na segurança alimentar e no interesse do país em se tornar um hub para a região e, ainda, destacou a neutralidade e estabilidade de Omã, mencionando que o Brasil pode ser um grande parceiro.

Durante o encontro, Perosa também enfatizou as boas relações e a complementaridade entre os países, afirmando que o Brasil poderia contribuir ainda mais para a segurança alimentar de Omã e incentivar empresas brasileiras a processarem seus produtos no país, como é o caso das carnes de frango e bovina. Nesse contexto, mencionou que o programa de conversão de pastagens degradadas em áreas agricultáveis representa uma grande oportunidade para fortalecer essa parceria, incluindo também a possibilidade de aquisição de fertilizantes nitrogenados de Omã. O lado omani acolheu positivamente a ideia e disse que, conjuntamente com a Autoridade de Investimentos de Omã e o Nitaj, irá auxiliar na construção da estratégia de parceria entre os dois países.

Fonte: Assessoria Mapa
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