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Saiba quais são as principais doenças da estação chuvosa, como prevenir e tratar

Os apontamentos são do médico-veterinário da Embrapa Pecuária Sudeste, Eduardo Luiz de Oliveira.

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O Presente Rural conversou com o médico veterinário da Embrapa Pecuária Sudeste, Eduardo Luiz de Oliveira, para saber quais as principais doenças que afetam o rebanho bovino no período das chuvas. O objetivo é ajudar o pecuarista a se antecipar a possíveis problemas na estação que se aproxima e garantir mais rentabilidade na pecuária de corte e leite. Confira.

Médico-veterinário da Embrapa Pecuária Sudeste, Eduardo Luiz de Oliveira – Foto: Divulgação/Embrapa

O Presente Rural – Como o El Niño pode interferir na próxima estação chuvosa?

Eduardo Luiz de Oliveira – A influência do El Niño na próxima estação chuvosa deverá ser diferente em cada uma das regiões do país. No geral, as chuvas se intensificam com temperatura acima da média na região Sul, enquanto que no Norte tornam-se mais escassas, principalmente na Amazônia, o que aumenta o risco de incêndios. Já no Nordeste o evento poderá ocasionar secas severas da área central até o Norte, reduzindo drasticamente a oferta das pastagens e, consequentemente, a produção econômica pecuária, sendo ainda determinante na mortalidade catastrófica de grandes ruminantes, por inanição, sede e fome. Na região Sudeste o fenômeno praticamente não altera a estação chuvosa, salvo um aumento considerável na temperatura. No Centro-oeste não há mudança nas chuvas nem na temperatura, contudo, para o Sul de Mato Grosso do Sul, temperaturas elevadas com chuvas acima do esperado para a estação chuvosa.

O Presente Rural – Quais as condições da estação chuvosa que mais desafiam os bovinos, tanto de corte quanto de leite?

Eduardo Luiz de Oliveira – A estação chuvosa aliada às altas temperaturas no período de verão intensificam sobremaneira os desafios aos rebanhos em exploração pecuária para produção de leite ou carne em países de clima tropical. Geralmente, uma das piores condições que se estabelece durante as chuvas é o acumulo de água e a formação de atoleiros para bovinos na chegada e no interior dos currais de manejo ou na entrada do barracão ou sala de ordenha, em volta de bebedouros, saleiros e comedouros alocados de forma incorreta em áreas de baixada ou alagadiças, sem a devida preparação do terreno para o escoamento e a drenagem correta do volume de águas acumulado durante as chuvas. Tal situação gera inúmeras perdas, devido ao aumento do estresse e consumo de energia para mantença, redução do ganho de peso/dia em bovinos de corte e leite, com impacto na menor fertilidade, número de partos e bezerros desmamados por ano, menor produção de litros de leite/dia em rebanhos leiteiros, além do alto custo com o tratamento de doenças previsíveis que surgem em surtos, como a pododermatite infecciosa, popularmente conhecida como frieira ou unheira, ou seja, um somatório de prejuízos que impacta negativamente a viabilidade econômica dos sistemas pecuários durante a estação chuvosa.

O Presente Rural – Como a estação chuvosa interfere nos diferentes sistemas de produção, como a pasto, semi confinado ou confinado?

Eduardo Luiz de Oliveira – O sistema de produção a pasto ganha um enorme potencial de exploração durante a estação primavera-verão com clima quente e chuvas abundantes no Brasil. O aumento das chuvas aliado à maior incidência de radiação solar favorece o desenvolvimento, crescimento e perfilhamento das plantas forrageiras tropicais, proporcionando maior produção de matéria seca por hectare, permitindo aumento em várias vezes na taxa de lotação de bovinos nas pastagens (UA/ha).

Os sistemas de produção intensivos, tanto o semiconfinado (pasto e cocho), que mantém alta taxa de lotação animal/ha, quanto os confinamentos em áreas descobertas, com alta lotação animal/m² nos currais, são altamente desafiados na estação chuvosa devido à formação de atoleiros em piquetes rotacionados, corredores para condução dos animais, na entrada, saída e interior dos currais, no entorno de bebedouros, saleiros e comedouros. Nestes casos, a solução passa pela antecipação dos problemas, organizando ainda no período da seca, a devida preparação do terreno com terraplanagem, drenagem e escoamento correto do volume de águas acumulado, evitando o estresse dos animais, alto gasto energético e queda no ganho de peso/dia, além da alta ocorrência de doenças como a pododermatite infeciosa, reduzindo as despesas previsíveis, melhorando a eficiência técnica e econômica do sistema de produção.

O Presente Rural – Quais são os vetores ou agentes patogênicos de interesse da bovinocultura que mais se proliferam nessa época?

Eduardo Luiz de Oliveira – Dentre os principais vetores ou agentes patogênicos que se multiplicam e aumentam seu potencial de disseminação no ambiente durante a temporada de chuvas e calor intenso no Brasil, destacam-se as bactérias, protozoários, helmintos (vermes) e os ectoparasitas (carrapato e moscas) de importância médico-veterinária.

O Presente Rural – Cite as principais enfermidades que afetam os bovinos nesse período no Brasil. Poderia nos dar uma visão geral sobre cada uma delas?

Eduardo Luiz de Oliveira – Dentre as enfermidades que mais afetam os rebanhos bovinos durante a estação chuvosa e quente no Brasil destacam-se as diarreias em bezerros, a leptospirose, a pododermatite infecciosa, as mastites em vacas de leite e as infestações por carrapatos e moscas.

As diarreias em bezerros podem ter causa infecciosa ou não infecciosa. As diarreias de origem infecciosas mais prevalentes na estação chuvosa e quente são causadas principalmente por bactérias, destaque especial para a Escherichia coli (E. coli), causadora da doença conhecida como colibacilose. A E.coli é uma bactéria não patogênica presente naturalmente no trato gastrintestinal de bovinos. A forma de transmissão da bactéria é oral-fecal e sua veiculação ocorre de forma rápida e fácil, via contaminação da água, capim e outros alimentos. A diarreia, geralmente, aparece em bezerros com baixa imunidade, fator determinante para ativar a patogenicidade da bactéria, que pode ocorrer ou não em associação a outros patógenos. A prevenção exige por parte do produtor a organização de um calendário de vacinação para vacas prenhas, utilizando vacinas contra diarreia neonatal de bezerros que inclua a E. coli, seguindo as orientações de um médico veterinário. Além disso, recomenda-se atenção na observação da primeira mamada do colostro, logo nas primeiras 6 horas após o nascimento do bezerro, o que lhe assegura maior imunidade, via absorção das imunoglobulinas do colostro, e proteção contra a doença.

A eimeriose ou coccidiose bovina, doença infecciosa causada por protozoário do gênero Eimeria, é responsável por alterações gastrintestinais, diarreia, desidratação e morte de animais jovens. Por outro lado, é autolimitante em bovinos adultos. No campo é relatada com bastante frequência e conhecida como curso de sangue. A doença apresenta-se de forma endêmica, sua prevalência varia por região geográfica com maior ocorrência em explorações intensivas, principalmente de produção de leite, porém, tem ampla distribuição em rebanhos de corte com estação de nascimentos de bezerros durante a temporada das chuvas. A infecção e a reinfecção dos animais ocorre a partir da ingestão do oocisto esporulado que liberado nas fezes contamina de forma rápida e fácil a água parada na borda de lagoas, riachos ou cacimbas que servem de bebedouros naturais para os bovinos no meio das pastagens. Em sistemas de produção intensivos com alta taxa de lotação animal, confinado ou a pasto, a doença pode aparecer em surtos de diarreia escura, devido à rápida transmissão (oral-fecal) via fezes com oocistos esporulados contaminando a água de bebida, o capim e outros alimentos. A prevenção e controle da doença dependem da adequação do ambiente, evitando o contato dos animais com as fontes de infeção.

A pododermatite infecciosa, popularmente chamada de frieira, unheira ou foot hot, é uma doença causada por duas bactérias anaeróbias, o Dichelobacter nodosus e o Fusobacterium necrophorus, este último, um habitante natural do trato digestivo dos ruminantes, pode sobreviver por vários meses no solo. Essas bactérias aproveitam uma pequena lesão na região entre os dois cascos como porta de entrada para sua instalação e multiplicação, gerando inflamação e necrose purulenta com odor fétido, ocasionando dor, claudicação e lesões profundas que podem levar os animais acometidos ao descarte. As perdas decorrentes da doença ocorrem em função da diminuição da produção leiteira, redução do ganho de peso/dia, da baixa fertilidade, além do alto custo com o tratamento dos animais doentes. A pododermatite infecciosa possui origem multifatorial, tendo como premissas a construção e uso de instalações inapropriadas, práticas errôneas no manejo geral e nutricional do rebanho, além da predisposição de algumas raças de bovinos. Em rebanhos leiteiros o uso de pedilúvio com solução de sulfato de cobre (5%), sulfato de zinco (5%) ou formalina (5%), quinzenalmente no período seco e, uma vez na semana durante a estação chuvosa, contribui sobremaneira na prevenção e controle da doença. No mercado existem vacinas contra a pododermatite infecciosa, seu uso não evita a doença, contudo, diminui significativamente o número de casos no rebanho e o custo com o tratamento.

A helmintose ou verminose é uma doença que compromete de forma silenciosa a eficiência técnica e econômica dos sistemas produtivos de bovinos a campo no país. A maior parte das regiões brasileiras apresentam condições ambientais favoráveis (temperatura, umidade e oxigenação) ao estabelecimento de ovos de parasitos (vermes) gastrintestinais que depositados nas fezes liberam larvas, ambos se desenvolvem e permanecem viáveis no microclima abaixo das touceiras de capim por vários meses. As larvas L3 migram por gotas de água, alcançam as pontas do capim, são ingeridas e infectam os bovinos durante o pastejo. No trato digestivo as larvas L3 se transformam em vermes adultos, começam a se alimentar de nutrientes ou sangue, enquanto colocam ovos que saem nas fezes e contaminam novamente a pastagem. Praticamente todos os animais a campo estão parasitados, podendo apresentar em alguma proporção problemas na digestão de alimentos, na absorção de nutrientes e em seu metabolismo, o que, consequentemente, reduz o ganho de peso/dia, retarda o crescimento, diminui a fertilidade e a produção de carne e leite. Os sinais da doença aparecem, principalmente, em animais jovens, como a perda do apetite, apatia, emagrecimento, abdômen distendido, pelos eriçados e sem brilho, edema de papada, anemia, às vezes, diarreia, com taxa de óbitos oscilando entre 10 e 30% em animais não tratados. Os prejuízos acarretados pela doença nos rebanho incluem a queda de 20 a 30% na produção de leite e carne. O controle da verminose depende da elaboração de programas condizentes com as condições climáticas de cada região, observando as épocas corretas de aplicação de vermífugos, direcionado a cada categoria do rebanho, uso de produtos com eficácia garantida, e respeitando o período de carência na carne e no leite, além da adoção de boas práticas de manejo, como evitar superlotação no pasto, separação de animais jovens e adultos, rodízio de pastagens com áreas de lavoura, manter rotina de limpeza de bebedouros e reserva de pastos descansados para animais recém-desmamados.

A leptospirose bovina é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira. O verão quente e chuvoso facilita sua disseminação e sobrevivência por meses em poças de água ou terras encharcadas, principalmente, em solos com ph neutro ou levemente alcalino, fatores que aumentam sua ocorrência nesta época do ano. Sua transmissão ocorre pela ingestão de água, capim ou solos contaminados, aliás, em condições de baixa umidade e incidência de radiação solar a bactéria sobrevive apenas meia hora no ambiente das pastagens. A doença crônica pode ser quase imperceptível, a suspeita diagnóstica aparece com o abortamento de vacas no terço final da gestação, eliminando na urina e restos placentários grande quantidade de bactérias no pasto, e ainda se mantém como portadores. Na fase aguda da infecção os bovinos podem apresentar lesões renais, eliminação de urina cor de chocolate (hematúria), anemia, icterícia e alguns animais podem evoluir ao óbito. O roedor se mantém como reservatório natural da bactéria que é eliminada na urina. Em casos de suspeita o diagnóstico é feito a partir do exame de sangue dos bovinos. O sorogrupo “Hardjo” é mais encontrado em bovinos, já o sorogrupo “Icteriohaemorhagiae” em ratos. A conclusão do teste indicará como se deve proceder as medidas de prevenção da doença. A adoção de boas práticas no controle de roedores depende da eliminação de abrigos, fontes de água e alimento, limpeza do ambiente, remoção de lixo, acondicionar ração em depósitos fechados, uso de armadilhas e outros. Caso a infecção seja veiculada pela urina de bovinos a profilaxia perpassa pela elaboração de um esquema vacinal para todo rebanho com a aplicação de duas ou três doses anuais, intervalos de seis a quatro meses. A vacina reduz os efeitos da doença, não impede a infecção do animal. Uma medida importante é o monitoramento dos animais por meio de provas sorológicas. Outras estratégias fundamentais incluem: evitar água parada e áreas inundadas, limpeza e desinfecção de bebedouros e comedouros, e adotar o tratamento de todas as vacas que abortaram com antibióticos a base de estreptomicina, visando reduzir a eliminação da bactéria no ambiente.

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Fonte: O Presente Rural

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Genética de plantas e manejo de cultivos: alternativas para compensar os efeitos das mudanças climáticas no Sul do Brasil

A combinação de estratégias genéticas, manejo de cultivos e práticas integradas de gestão de risco são fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A implementação dessas práticas não só ajudará a mitigar os impactos adversos, mas também vai promover uma agricultura mais resiliente e sustentável no Rio Grande do Sul e em toda a região Sul do Brasil.

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As mudanças climáticas estão se manifestando de forma acentuada na região Sul do Brasil, trazendo desafios expressivos para a agricultura. De acordo com o agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha, duas características climáticas estão moldando a agricultura local: o aumento da umidade e a elevação das temperaturas mínimas. Estas mudanças demandam novas abordagens tanto na genética de plantas quanto no manejo de cultivos para garantir a produtividade e a sustentabilidade da agricultura na região.

Agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha: “A criação de cultivares mais resistentes e a utilização eficiente do solo durante o inverno são estratégias essenciais para garantir a sustentabilidade e a produtividade agrícola na região Sul do Brasil” – Foto: Divulgação/Embrapa Trigo

Desde a metade do século passado, a região Sul tem se tornado progressivamente mais úmida, especialmente na primavera. Muitos locais, que antes recebiam cerca de 1.300 milímetros de chuva anualmente, agora registram até 2.000 milímetros. Além disso, as temperaturas mínimas têm subido, criando um ambiente mais quente e úmido, propício ao desenvolvimento de doenças nas culturas. Este cenário exige um foco intensificado no melhoramento genético para desenvolver plantas mais resistentes a estas condições adversas.

De acordo com o agrometeorologista, os programas de melhoramento genético estão concentrados em criar cultivares com maior resistência a doenças e maior tolerância ao calor. “Estas plantas precisam ser resilientes às variações climáticas, que incluem períodos de alta umidade e estiagens prolongadas. Entre as doenças que mais preocupam estão as doenças de espiga nos cereais de inverno, como o trigo, que são de difícil controle e podem comprometer significativamente a produção”, expõe Cunha, que vai tratar sobre como a genética de plantas e manejo de cultivos podem compensar os efeitos das mudanças climáticas durante o Interleite Sul, de 18 a 19 de maio, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Além disso, a busca por plantas mais eficientes no uso de recursos e mais tolerantes a um ambiente com maior concentração de CO2 e seca está em andamento nos laboratórios de pesquisa. Embora estas tecnologias ainda estejam em desenvolvimento, já existem cultivares no campo que são mais adaptadas às novas condições climáticas.

Convivendo com extremos climáticos

A convivência com extremos climáticos é uma preocupação constante no Sul do Brasil. A ocupação do solo no inverno com cereais de estação fria, como trigo, cevada, triticale e aveia, é uma estratégia para mitigar os impactos das mudanças climáticas, uma vez que estes cereais não só fornecem grãos para o consumo humano e animal, mas também oferecem opções de pastejo direto e produção de forragem conservada, como pré-secados, feno e silagem e até pode ser usado produção de etanol. “As mudanças climáticas exigem inovações tanto na genética de plantas quanto no manejo de cultivos. A criação de cultivares mais resistentes e a utilização eficiente do solo durante o inverno são estratégias essenciais para garantir a sustentabilidade e a produtividade agrícola na região Sul do Brasil”, ressalta Cunha.

Foto: Matthias Zomer/Pexels

Gestão integrada de riscos na agricultura

A gestão integrada de riscos é fundamental para a agricultura moderna, especialmente em face das mudanças climáticas. Essa abordagem abrange a utilização de tecnologias de manejo de cultivos, a construção de perfis de solo mais adaptados, visando a redução dos impactos negativos do clima, o uso de cultivares com diferentes ciclos de maturação, a diversificação das épocas de semeadura, evitando o plantio simultâneo de todas as áreas, e a transferência de risco, que envolve o seguro agrícola.

Segundo o agrometeorologista, a agricultura enfrenta dois grandes riscos: o climático, por ser uma atividade a céu aberto, e o de preço. “É essencial combinar diversas práticas dentro das tecnologias de produção, por isso é tão importante construção de um perfil de solo saudável e eficiente, capaz de armazenar água e com altos teores de matéria orgânica”, frisa Cunha, acrescentando: “Boas práticas de conservação do solo, como a sistematização da área e o uso de plantio direto, são essenciais. A rotação de culturas, alternando espécies de plantas, minimiza os efeitos adversos do clima e das doenças de plantas, além de melhorar o perfil e a estrutura do solo, evitando camadas compactadas. Esse processo constrói um solo mais produtivo ao longo dos anos”.

Importância dos cereais de inverno

A integração dos cereais de inverno com a produção animal é altamente recomendável na região Sul do Brasil. “O abandono da prática de pousio, que é quando nada se planta no campo, é fundamental na região Sul. O pousio degrada o solo e favorece plantas daninhas que dificultam o controle e reduzem a produtividade”, afirma Cunha.

O uso do solo no inverno para plantio de cereais, como trigo, cevada, triticale e aveia, de acordo com Cunha não só contribui para a produção de grãos, mas também para a forragem, beneficiando a alimentação animal. “Isso melhora as propriedades do solo, mitiga as emissões de gases de efeito estufa e agrega renda ao integrar sistemas de produção de grãos com pecuária. Além disso, o uso desses cereais para pastejo direto, silagem e comercialização dos grãos proporciona diversas oportunidades de renda ao produtor”, salienta o agrometeorologista.

Catástrofe no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul enfrenta uma situação difícil com muitas cidades alagadas e rodovias destruídas pelas enchentes. Esta situação tem impactado diretamente o escoamento da produção devido à dificuldade de acesso para o recolhimento dos produtos. Mesmo nas cidades não diretamente atingidas pelas enchentes, o impacto indireto das estruturas rodoviárias danificadas tem prejudicado o setor agropecuário como um todo.

Nas regiões onde a água já baixou, os prejuízos são evidentes nas estruturas industriais e unidades produtoras de animais. Muitas cidades viram a população perder completamente suas casas, com os prejuízos mais acentuados na região Central do estado e na grande Porto Alegre. “Os impactos ainda estão sendo calculados, mas os prejuízos são inúmeros, especialmente na produção de forragem para alimentação do gado leiteiro, que sofrerá atrasos no estabelecimento de novas áreas”, aponta Cunha.

Embora a produção de grãos tenha sido menos impactada, já que a maioria das lavouras de soja, milho e arroz já havia sido colhida, ainda existia uma área significativa por colher no Sul do estado, onde cerca de 24% das lavouras estavam nos campos quando as enchentes começaram, conforme dados da Emater-RS. “Na pecuária leiteira, o comprometimento é significativo, pois muitas das regiões afetadas são de pequenas propriedades, e esses produtores foram os mais atingidos pelas enchentes”, afirma Cunha.

Seguro rural e zoneamento agrícola

Cunha é enfático ao afirmar que nenhum produtor deve abrir mão do seguro rural, que se torna um insumo de proteção cada vez mais importante na agricultura brasileira, especialmente no Sul. Outra ferramenta essencial de gestão de risco é o zoneamento agrícola de risco climático, que identifica as potencialidades das espécies em cada região, quando plantar e os níveis de risco envolvidos. “Este instrumento subsidia as políticas de crédito e seguro rural no Brasil, tornando-se essencial para a gestão de risco e a sustentabilidade da agricultura”, pontua.

A combinação de estratégias genéticas, manejo de cultivos e práticas integradas de gestão de risco são fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A implementação dessas práticas não só ajudará a mitigar os impactos adversos, mas também vai promover uma agricultura mais resiliente e sustentável no Rio Grande do Sul e em toda a região Sul do Brasil.

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Fonte: O Presente Rural
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A revolução na cadeia do leite no Brasil

A inovação tecnológica e a busca constante por excelência prometem moldar um futuro robusto para a produção de leite no país.

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Foto: Íris Beatriz dos Santos

Nos últimos anos, a cadeia produtiva do leite no Brasil passou por uma transformação significativa. Em 2017, cerca de 600 mil produtores participavam do mercado formal. Hoje, esse número está entre 220 e 260 mil. Apesar da redução no número de produtores, a produção de leite aumentou, evidenciando a crescente escala de produção nas fazendas que permaneceram ativas.

A consolidação da produção em um número menor de fazendas, mas mais eficientes, traz benefícios evidentes. Grandes propriedades leiteiras têm acesso às mais avançadas tecnologias, desde a genética aprimorada de animais e plantas para a dieta até equipamentos e softwares de última geração. Isso resulta em leite de qualidade superior, além de maior eficiência na produção e lucratividade.

Esse novo cenário sinaliza um futuro promissor para a cadeia do leite no Brasil. A concentração em produtores mais eficientes e tecnologicamente avançados não apenas garante a produção de leite de alta qualidade, mas também assegura a sustentabilidade da atividade. A tendência é que apenas os melhores produtores permaneçam no mercado, impulsionando a competitividade e o desenvolvimento contínuo do setor.

Com a qualidade e a eficiência se tornando fatores decisivos, o setor lácteo brasileiro está preparado para enfrentar desafios e aproveitar novas oportunidades. A inovação tecnológica e a busca constante por excelência prometem moldar um futuro robusto para a produção de leite no país.

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Fonte: Por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe do jornal O Presente Rural
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Governo federal e do Paraná vão criar grupo de trabalho para qualificar setor leiteiro

Desde a acentuação da crise no setor leiteiro, particularmente em razão das importações, o Estado tomou algumas medidas como a implantação de tributação de 7% na chegada do produto importado no Paraná e a aprovação de legislação que possibilita elevar a alíquota a 19,5%.

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Fotos: Evandro Fadel/Seab

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) vão criar um grupo de trabalho para discutir alternativas de curto, médio e longo prazo para fortificar e qualificar ainda mais a cadeia leiteira do Estado, particularmente a vinculada à agricultura familiar.

A decisão foi tomada na segunda-feira (03) durante reunião na Seab. “O ambiente rural do Estado está esperando isso de nós, e tem de ser urgente, o governo está disposto a ajudar”, afirmou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza. “Diante das dificuldades que o setor vive, se nada for feito vamos perder mais produtores, e a tendência é que as pessoas não fiquem mais no meio rural”.

Ele acentuou a crença de que é preciso continuar o processo de transformação do leite e agregação de valor ao produto. “Podemos ter os melhores produtores de leite e de queijo do País”, ressaltou. “Mas os custos de produção estão em alta e a renda tem diminuído, é preciso ajudar o produtor e rever o sistema de produção”.

Também presente à reunião, o secretário de Estado da Fazenda, Norberto Ortigara, destacou que desde a acentuação da crise no setor leiteiro, particularmente em razão das importações, o Estado tomou algumas medidas como a implantação de tributação de 7% na chegada do produto importado no Paraná e a aprovação de legislação que possibilita elevar a alíquota a 19,5%.

No entanto, outra das preocupações para que o produtor se mantenha na atividade é a busca de redução no custo de produção. “Precisamos fazer alguma coisa, encontrar o caminho para baixar esse custo”, disse. Ortigara reforçou que esse é um trabalho que precisa ser feito de forma integrada entre os estados do Sul, que são responsáveis por produzir 40% do leite brasileiro, mas que consomem apenas 15%. “A minha vinda ao Paraná tem a ver com a tentativa de estabelecer uma parceria com o Estado e é importante ter a ideia da Aliança Láctea, que pega os três estados do Sul, e podemos estender a outros”, disse o secretário de Agricultura Familiar do MDA, Vanderlei Ziger.

Ele ponderou a necessidade de estudar a questão não apenas sob a ótica do aumento da importação de leite em pó de países do Mercosul. “A crise do leite não está em um fator só, e entender essas variáveis é extremamente necessário, precisamos ter um conhecimento mais aprofundado delas”, acentuou.

Além disso, propôs análise de alternativas que possibilitem manter o custo de produção em patamar aceitável, capitalizar o produtor, fortalecer a assistência técnica e promover discussão sobre o modelo de produção mais viável. “Precisamos fazer alguma coisa para salvar o produtor”, afirmou.

Em 2023, o Paraná se aproximou mais de Minas Gerais na disputa pela liderança do mercado de leite. O Estado ficou com a segunda maior evolução na produção entregue a laticínios, com 3.626.378 bilhões de litros nessa modalidade. Minas Gerais segue liderando o ranking, com 23,8% da captação nacional, mas perdeu 0,8 ponto percentual, já que tinha 24,6% do mercado em 2022. O Paraná, que detém a cidade que mais produz, em Castro, saltou de 14,4% para 14,8%.

Presenças

Também participaram da reunião a superintendente do MDA no Paraná, Leila Klenk; o diretor técnico da Seab, Benno Doetzer; o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), Marcelo Garrido; a chefe de Gabinete da Seab, Vera da Rocha Zardo; o oficial de projetos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Valter Bianchini; e o gerente de Cadeias Produtivas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-Paraná), Hernani Alves da Silva.

Fonte: AEN-PR
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